Conectado com

Bovinos / Grãos / Máquinas Mais atenção

Reprodução é termômetro da propriedade leiteira, orienta pós-doutor

Desempenho reprodutivo é responsável direto pela produção de leite por dia de vida útil da vaca, número de animais de reposição, aumento do ganho genético e decréscimo do descarte involuntário

Publicado em

em

Arquivo/OP Rural

A eficiência reprodutiva de um rebanho leiteiro está diretamente relacionada à eficiência produtiva. Este é um dos conceitos apresentados por José Luiz Moraes Vasconcelos, professor pós-doutor da Unesp/Botucatu, no Simpósio Brasil Sul de Bovinocultura de Leite, realizado em novembro de 2018, em Chapecó, SC. A palestra “Estratégias para melhorar a eficiência reprodutiva de rebanhos leiteiros: o que há de novo nesta área” reuniu centenas de profissionais.

Vasconcelos destacou aspectos essenciais para a reprodução, como a importância de olhar para o sistema como um todo, observar os detalhes e avaliar a sequência lógica dos eventos. “Não estamos fazendo as coisas lógicas e sequenciais no dia-a-dia da atividade. Nós, técnicos, temos que discutir claramente com o produtor a necessidade de mudança. A gente fica de jeitinho em  jeitinho e não sai do lugar”, alerta. “A reprodução é o termômetro de uma fazenda de gado de leite”, enfatiza.

O desempenho reprodutivo, afirmou Vasconcelos, é responsável direto pela produção de leite por dia de vida útil da vaca, número de animais de reposição, aumento do ganho genético e decréscimo do descarte involuntário. “Falhas na detecção do cio e baixa fertilidade são associados à baixa eficiência reprodutiva das vacas”. Por isso, é essencial investir em protocolos que aumentem a capacidade da vaca emprenhar rapidamente. Alguns protocolos controlam precisamente o ciclo reprodutivo, facilitando a inseminação artificial em tempo fixo (IATF), sem a necessidade de detecção do cio. “Esses protocolos aumentam a taxa de prenhez ao ampliar o número de animais inseminados”.

Jogar contra a reprodução

No entanto, diversos fatores podem impactar na fertilidade das vacas submetidas ao protocolo IATF. Melhores índices, diz ele, podem ser obtidos quando utilizam-se protocolos de sincronização mais adequados. Vasconcelos destaca como comum o produtor “jogar contra” a reprodução. É preciso, diz ele, ver o sistema como um todo, observando detalhes como taxa de prenhez. “Você economiza 20 reais num bom protocolo e deixa de colocar mil reais no bolso, essa é a conta que tem que fazer”, critica.

A não observação do todo, diz Vasconcelos, gera um efeito residual, em que a reprodução geralmente paga a conta. “Aliás, a vida é cheia de efeitos residuais”, compara. O resultado reprodutivo vem de ações lógicas, garante o professor. “Nossa função é prevenir e minimizar os problemas. Quando você vê queda no leite, é porque a reprodução já despencou”, alerta. “Por isso não trabalho com eficiência reprodutiva, mas com eficiência produtiva. Vaca boa exige mais”.

“São vários fatores interconectados que podem  interferir na reprodução”, afirma Vasconcelos. Para ele, é preciso discutir claramente com o produtor o que precisa mudar. “Temos que nos questionar mais sobre o porquê das coisas e fazer de tudo para dar conforto às vacas, reduzir estresse, entre outros fatores que fazem a fertilidade cair”, elenca. Vaca com problema, segundo o palestrante, tem menor capacidade de emprenhar.

De maneira geral, cita, a vaca necessita de conforto, nutrição e manejo adequados, no inverno e no verão. “Precisamos de produtores que andem nas fazendas, entendam de manejo, que olhem para as vacas”, garante.

Vasconcelos é médico veterinário e mestre em zootecnia pela Universidade Federal de Minas Gerais, doutor em Zootecnia pela Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho, pós-doutor pelo Institute of Food and Agricultural Sciences –EUA, pós-doutor pelo Animal Sciences Department – Ohio State University – EUA.

O nome de Vasconcelos figura nas principais publicações científicas da área, com artigos relevantes sobre a produção pecuária. Além disso, Vasconcelos também orienta dezenas de trabalhos científicos de mestrado, doutorado e pós-doutorado.

Outras notícias você encontra na edição de Bovinos, Grãos e Máquinas de março/abril de 2019.

Fonte: O Presente Rural

Bovinos / Grãos / Máquinas

Paraná conquista 44 medalhas e tem melhores queijeiros do Brasil em concurso internacional

Estado se destaca no Mundial do Queijo do Brasil, realizado em São Paulo, e reforça liderança na produção de queijos finos.

Publicado em

em

Foto: Divulgação/Biopark

Kennidy de Bortoli, Isabelli Maria Passos de Oliveira e Nayara Leontino Scherpinki são os melhores queijeiros do Brasil. Eles são talentos do Biopark, ecossistema de inovação de Toledo, no Oeste, e ajudam a consolidar o Estado como referência na produção nacional. Além disso, o Paraná teve 44 queijos premiados nas categorias principais, como Campeões dos Campeões e Super Ouro, e Ouro, Prata e Bronze na 4ª edição do Mundial do Queijo do Brasil, realizado em São Paulo. Participaram cerca de 2 mil queijos vindos de mais de 30 países.

A equipe do Biopark apresentou três queijos com temática espacial. O primeiro, inspirado em um planeta, trouxe técnica inovadora de coloração que simula movimento e sensação térmica gelada na massa. O segundo, com formato irregular de meteoro, explorou notas minerais e de pimenta, simulando o calor da entrada na atmosfera. O terceiro, baseado no conceito do buraco negro, utilizou tecnologia de casca lavada com impacto visual e sensorial único no momento do derretimento.

“Mais do que defender um título ou conquistar medalhas, nosso objetivo é ir além do sabor e criar uma experiência completa. Desenvolvemos queijos que estimulam diferentes sentidos, com variações de textura, temperatura e impacto visual. Quando o consumidor se surpreende em cada etapa da degustação, o produto deixa de ser apenas um alimento e passa a contar uma história”, afirma o queijeiro e pesquisador do Laboratório de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação (PDI) em Queijos Finos do Biopark, Kennidy de Bortoli.

Três queijos do Biopark também se destacaram na competição. O Passionata — que conta com tecnologia do Projeto de Queijos Finos do Biopark, é produzido pela Queijaria Flor da Terra e foi eleito um dos nove melhores queijos do mundo no World Cheese Awards 2024, em Portugal — foi escolhido como 3º melhor queijo do Mundial do Brasil na categoria Campeão dos Campeões; o Abaporu (Flor da Terra) conquistou o Super Ouro; o Deleite (Flor da Terra) levou a Prata; e o Granatoo (Queijaria Ludwig) ficou com o Bronze.

O projeto do Biopark já tem 76 medalhas acumuladas em apenas sete anos de trajetória. E a promessa é de ganhar ainda mais relevância nos próximos anos. Com um investimento de R$ 3,8 milhões em parceria com o Governo do Estado, o projeto, que atualmente tem como escopo de atuação o Oeste, vai expandir para as regiões Sudoeste, Norte Pioneiro, Centro-Oriental e Metropolitana de Curitiba. O objetivo é consolidar o Paraná, segundo maior produtor de leite do País, como um dos principais polos de queijos finos da América Latina.

O modelo desenvolvido no Biopark utiliza o rigor metodológico para que famílias rurais possam fabricar produtos de alto valor agregado — queijos que podem atingir até três vezes o preço de venda de um queijo comum.

Outros campeões

O Paraná ainda teve outros campeões de outras regiões. O queijo Bacchus Josef Ferdinand Lotscher, do Ateliê Lotschental, de Palmeira, ficou com o 2° lugar na categoria Campeão dos Campeões. Outros três ganharam o Super Ouro: queijo Witmarsum tipo Gouda da Cooperativa Agroindustrial Witmarsum e os queijos Frescal Deleite e Vale do Heimtal da Queijaria Deleite, de Londrina.

O Paraná ainda recebeu 14 Ouros com representantes de Carambeí, Rio Branco do Ivaí, Verê, Marechal Cândido Rondon, Palmeira, Londrina e Guarapuava; nove Pratas com produtores de Dois Vizinhos, Curitiba, Paranavaí, Palotina, Toledo, Palmeira e Diamante do Oeste; e 15 Bronzes com talentos de Londrina, Palotina, Carambeí, Nova Esperança, Cascavel, Nova Laranjeiras, Maringá, Palmeira e Diamante do Oeste. Os vencedores estão AQUI (campeões) , AQUI (Super Ouro) , AQUI (Ouro) , AQUI (Prata) e AQUI (Bronze) .

Fonte: Assessoria Biopark
Continue Lendo

Bovinos / Grãos / Máquinas

Mercado do leite segue abaixo do nível do ano passado

Mesmo com alta de 6,2% em fevereiro, preço pago ao produtor ainda acumula queda de 22,7% na comparação com o mesmo período de 2025, segundo a Embrapa.

Publicado em

em

Foto: Arnaldo Alves/AEN

O mercado do leite iniciou 2026 com recuperação parcial nos preços pagos ao produtor, mas ainda sem reverter as perdas acumuladas no último ano, de acordo com o Centro de Inteligência do Leite (Embrapa Gado de Leite).

Em fevereiro, o litro do leite pago ao produtor no Brasil atingiu média de R$ 2,15, alta de 6,2% em relação a janeiro. Apesar do avanço mensal, o valor segue 22,7% abaixo do registrado em fevereiro de 2025.

Entre os estados acompanhados, Minas Gerais e São Paulo lideraram as cotações, com média de R$ 2,20 por litro. Santa Catarina apresentou o menor preço, de R$ 2,07.

Relação de troca melhora

No campo, a relação de troca apresentou leve melhora em fevereiro. Foram necessários 38,2 litros de leite para a compra de 60 kg de ração (milho e soja). Mesmo com o ajuste positivo no mês, o indicador ainda aponta perda de poder de compra em relação ao mesmo período do ano passado.

Leite UHT puxa alta no varejo em março

Foto: Fernando Dias

No varejo, os preços dos lácteos subiram 4,3% em março de 2026. O principal impacto veio do leite UHT, que registrou alta de 11,7%.

Entre os demais produtos, houve variações mais moderadas: o leite condensado recuou 0,9%, seguido por queijo (-0,3%), manteiga (-0,2%) e leite em pó (-0,1%). O iogurte foi o único a registrar alta além do UHT, com avanço de 1,2%.

No acumulado de 12 meses, os preços dos lácteos recuaram 3,1%, abaixo da inflação oficial do período, medida pelo IPCA, que ficou em 4,1%.

Fonte: O Presente Rural
Continue Lendo

Bovinos / Grãos / Máquinas

Por que escolha do volumoso define resultado do rebanho na estiagem

Diferenças de custo e valor nutricional entre milho, sorgo, cana e capim exigem planejamento conforme a categoria animal e a meta produtiva do sistema.

Publicado em

em

Foto: Divulgação/Connan

A proximidade da época da estiagem faz com que o produtor trace estratégias para que, durante o período, o animal mantenha sua capacidade produtiva e ganho de peso. Uma das alternativas usadas nas fazendas é a produção de volumoso, que se torna um insumo indispensável durante a seca devido à escassez de chuvas e à limitação da capacidade das pastagens. “Investir na estratégia de entressafra é fundamental na pecuária, pois o volumoso constitui a base da dieta dos ruminantes, garantindo saúde ruminal, melhor desempenho produtivo e maior rentabilidade. O volumoso é a fonte de fibra da dieta, primordial para o bom funcionamento do rúmen”, explica o zootecnista Bruno Marson.

Para garantir um bom resultado na produtividade do gado e rentabilidade da propriedade, é preciso escolher com cuidado as opções de volumosos disponíveis. A silagem de milho é uma fonte tradicional de volumoso no Brasil. É considerada de excelente padrão pela alta energia de seus grãos e fibra digestível, que é crucial para o ganho de peso.

Já o sorgo, observa Marson, é uma boa alternativa para as regiões com menor disponibilidade hídrica e apresenta um custo de produção menor que o milho, mas com valor energético ligeiramente inferior. “A cana-de-açúcar é um excelente volumoso energético para o gado, especialmente na seca, com bom teor de nutrientes digestíveis totais, porém possui baixa proteína bruta. Ela oferece alta produtividade, baixo custo e é ideal como estratégia de manutenção de peso”, expõe o zootecnista.

A silagem de capim, por sua vez, pode fornecer bons níveis de energia e proteína. Por ser uma forrageira perene, nem sempre necessita de plantio e pode ser processada a cada safra, podendo inclusive ser usada em ocasiões em que o capim destinado ao pastejo direto esteja sobrando.

Foto: Diogo Zanata

Marson enfatiza que os volumosos suplementares podem ser usados em todas as fases produtivas do sistema pecuário, como, por exemplo, no sequestro de vacas e/ou da recria e em confinamentos. Na hora de escolher o volumoso, o produtor deve avaliar critérios como disponibilidade e custo, qualidade nutricional; finalidade (manutenção, ganhos moderados, engorda, produção de leite) e categoria animal. “Observando esses requisitos o produtor poderá fazer a melhor escolha para sua propriedade, garantindo assim bons resultados durante o ciclo de produção, mantendo a produtividade e rentabilidade do negócio”, ressalta.

Fonte: Assessoria Connan
Continue Lendo

NEWSLETTER

Assine nossa newsletter e recebas as principais notícias em seu email.