Conectado com

Bovinos / Grãos / Máquinas

Rentabilidade e prevenção no processo reprodutivo

Na maioria das vezes, os problemas de ordem reprodutiva, como abortos, natimortos e infertilidade são os principais sintomas da existência da doença no rebanho

Publicado em

em

Artigo escrito por Bibiana Carneiro, médica veterinária e gerente Geral da Tecnovax Brasil

A ocorrência de mortalidade embrionária e abortos causam enormes prejuízos aos rebanhos bovinos, aumentando os intervalos entre partos nas vacas, a idade das primíparas ao primeiro parto, e, por consequência, diminuem direta e significativamente os índices de produtividade dos rebanhos.

Sabe-se que doenças infecciosas são responsáveis por cerca de 40 a 50% das causas de perdas de gestação, sendo que a rinotraqueíte infecciosa bovina (IBR), a diarréia viral bovina (BVD) e a leptospirose são as mais conhecidadas.

Existem dois tipos de herpesvirús bovinos; tipos 1 e 5. A infecção pelo tipo 1 pode causar rinotraqueíte infecciosa bovina (IBR), abortos, vulvovaginite pustular infecciosa, balanopostite, conjuntivite e doença sistêmica do recém nascido. A infecção pelo tipo 5 é responsável por surtos de meningoencefalite.

Animais infectados com o Herpesvírus tornam-se portadores para o resto da vida, pois ambos os vírus podem estabelecer infecção latente nos gânglios nervosos sensoriais que pode ser reativada periodicamente. Essa reativação está associada ao estresse, como transporte, parto, desmame ou confinamento. Por isso, a vacinação de bezerras a partir dos 5 meses de idade pode reduzir muito o desafio ambiental das fazendas e melhorar significativamente os resultados preprodutivos do plantel.

A infecção nos touros possui caráter importantíssimo na disseminação da enfermidade através da cópula, com lesões no pênis e prepúcio, além do sêmen contaminado, os touros transmitem a cada monta o vírus às fêmeas sadias.

A infecção das fêmeas pelo víirus da DVB (diarreia viral bovina) pode causar infertilidade por interferência com a fertilização/implantação, mortalidade embrionária precoce ou tardia, mumificação fetal, abortos e nascimentos de bezerros fracos e inviáveis.

É importante salientar que a principal fonte de infecção são os animais PI, que são oriundos de fêmeas infectadas, durante os 40 e 120 dias de gestação, quando o sistema imune do feto ainda está reconhecendo seus próprios antígenos. Pela falha do sistema imune, a progênie reconhece a proteína viral como sendo própria, não atuando sobre ela para sua eliminação. Isso faz com que o PI seja portador e elimine o vírus continuamente durante sua vida, contaminando o ambiente e outros animais sadios.

A infecção leptospírica em bovinos recebe muita atenção devido à sua importância econômica devido a problemas associados com reprodução, lactação e riscos aos humanos. A infecção bovina pelos sorovares Hardjo, Pomona e Grippotyphosa geralmente resulta em infecção subclínica a qual, quando não tratada, pode levar à infecção crônica e perdas econômicas, como baixa taxa de crescimento, agalactia e aborto. O estado crônico resulta em uma eliminação continua de bactéria na urina e, consequentemente, disseminação aos animais não infectados e descendentes. Entretanto, quando o gado é infectado com outros sorovares, como o sorovar Wolf, uma infecção mais aguda e severa é gerada cujos  sintomas tipicamente incluem febre, anemia, hemoglobinúria e congestão pulmonar.

A leptospirúria, eliminação de leptospiras na urina, pode persistir por tempo variável de dez dias a 180 dias. A doença pode ser transmitida através de sêmen de touros via monta natural ou inseminação artificial. Na maioria das vezes, os problemas de ordem reprodutiva, como abortos, natimortos e infertilidade são os principais sintomas da existência da doença no rebanho. Pode ser ainda observado retenção de placenta. As vacas contaminadas também podem apresentar baixa taxa de concepção e elevada taxa de retorno ao cio.

Atribui-se à Brucelose uma queda de 15% nos nascimentos ou na sobrevivência dos bezerros, além de aumento de cerca de 30% na taxa de reposição dos animais, redução de 10% a 24% na produção leiteira e dilatação do intervalo entre partos de 11 para 20 meses. Os sinais clínicos predominantes em vacas gestantes são: o aborto ou o nascimento de animais mortos ou fracos. Geralmente o aborto ocorre na segunda metade da gestação, causando retenção de placenta, metrite e, ocasionalmente esterilidade permanente. Estima-se que a brucelose cause perdas de 20 a 25% na produção de leite devido aos abortos e aos problemas decorrentes da infertilidade.

Doenças menos conhecidas

Outras doenças menos conhecidas, como a  Campilobacteriose bovina e a Haemophilose (Histophilus somni), são enfermidades infecciosas, que acometem bovinos de todas as raças levando à infertilidade temporária e abortos ocasionais, sendo o  aparelho reprodutor considerado o nicho ecológico ou reservatório destas bactérias.

A Campilobacteriose é causada pelo Campylobacter foetus, subespécie foetus, e pelo Campylobacter foetus, subespécie venerealis biótipo intermedius onde a fêmea se infecta através da monta ou inseminação artificial com sêmen ou equipamentos contaminados.

Anteriormente denominado Haemophilus somnus, o Histophilus somni tem sido isolado de sistema reprodutor, tanto de machos como de fêmeas, sem evidências de lesões macroscópicas e, portanto, de animais considerados sadios.

Nos dois casos, o macho se contamina através da monta com vacas doentes ou pelo hábito de saltar em outros touros. A bactéria ao atingir a mucosa uterina causa inflamação, impedindo a fixação do zigoto, levando à morte do embrião e sua reabsorção, aumento dos intervalos entre cios e/ou repetição cios.

Touros mais velhos são mais suscetíveis à infecção. Novilhas e vacas sem contato prévio com o agente são mais suscetíveis devido à falta de imunidade. O touro não apresenta sinais clínicos que façam suspeitar da enfermidade, mantendo a libido e capacidade fecundante do sêmen, cujas características físicas e químicas não se alteram.

O Haemophilus somni é um importante patógeno que causa também problemas respiratórios, por isso, nesse caso, a transmissão por aerossóis também é importante. Os bezerros de vacas infectadas podem nascer fracos ou atrofiados e podem morrer logo após o nascimento.

A principal medida de controle é a vacinação de todas as idades, aliada a inseminação artificial com sêmen comprovadamente negativo. Se a opção for a monta natural, os touros devem passar por exames sanitários, alem do andrológico, pelo menos uma vez ao ano. Touros  e fêmeas infectados devem ser tratados ou descartados.

Como deve ser

O mais importante em tudo isso é manter um acompanhamento constante dos índices reprodutivos e também os zootécnicos da fazenda para avaliação constante. Muitos pecuaristas não registram, muito menos analisam seus dados zootécnicos, no entanto, é uma necessidade fundamental a qualquer propriedade, o conhecimento dos índices zootécnicos para que ela possa ser bem administrada.

Um dos índices mais simples é o IEP (Intervalo Entre Partos), que compreende o número de dias entre os partos. O intervalo entre partos abaixo de 13 meses já é considerado muito bom, porém o intervalo ideal é de 365 dias, ou seja, uma vaca deve produzir um bezerro por ano.

O Período de Serviço (PS) é o intervalo entre o parto e a próxima prenhez que deve ser entre 75 e 80 dias (a média brasileira é 120-150 dias). Para que a pecuária seja rentável, o número deve ser o menor possível.

A taxa de prenhez (TP) é calculada dividindo-se o número de fêmeas prenhes pelo número total de fêmeas adultas no programa reprodutivo da fazenda. Por exempo, se temos sete fêmeas prenhes de um total inicial de 100 vacas que entraram na estação de monta, isso significa que temos uma taxa de prenhez de 70%.

A TS é o número de fêmeas efetivamente inseminadas ou cobertas em relação ao número de fêmeas disponíveis para serem inseminadas ou cobertas. Ela também pode ser calculada considerando-se toda a Estação de Monta (EM).

A taxa de natalidade (TN) indica o número de bezerros nascidos em relação ao número de vacas coprovadamente prenhes do rebanho. Taxas de natalidade em torno de 82% são aceitáveis, porém a meta de uma fazenda tecnificada deve ser de 85 a 90%. A média nacional fica em torno de 50%.

O índice de serviço/concepção é a soma de serviços ou doses de sêmen no caso de protocolos de IATF, que a vaca apresenta antes de emprenhar. O número médio de doses de sêmen, ou de serviços, por concepção deve ser de 1,3 a 1,6, o que representa o percentual médio de 60% a 70% de concepção ao primeiro serviço.

Taxa de desmama (TD) é dada pelo porcentual de bezerros que chegaram à idade de desmama em relação ao total de bezerros nascidos em um ano. A taxa ideal é de 97,5%. No gerenciamento da atividade pecuária, é preciso levar em contas que uma baixa taxa de desmama indica baixa habilidade materna da vacada, ou manejo incorreto das crias desde o nascimento.

Com estes índices, o proprietário pode avaliar o desempenho da fazenda e desenvolver estratégias para maximizar a lucratividade da atividade, por exemplo, com o aumento da taxa de natalidade. A prevenção das doenças reprodutivas é uma das estratégias mais eficazes para aumentar estes índices reprodutivos.

Sabe-se que fazendas que nunca utilizaram vacinas reprodutivas, quando passam a utilizar, têm um aumento médio de 5% da taxa de natalidade. Imagina ter cinco bezerros a mais a cada 100 vacas prenhes.

Mais informações você encontra na edição de Nutrição e Saúde Animal de 2018 ou online.

Fonte: O Presente Rural

Continue Lendo
Clique para comentar

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

16 − 9 =

Bovinos / Grãos / Máquinas Nutrição

Bovinos sofrem efeitos agudos das verminoses no inverno

As verminoses aparecem mais no verão, mas os bovinos sentem seus efeitos mais intensamente no inverno

Publicado em

em

Divulgação

As verminoses aparecem mais no verão, mas os bovinos sentem seus efeitos mais intensamente no inverno, quando as pastagens não possuem boa qualidade, resultando em baixa resistência dos animais, tanto de corte quanto de leite. Para explicar sobre o tema, O Presente Rural procurou o consultor técnico André Pratto, um dos especialistas do assunto no Brasil.

O Presente Rural (OP Rural) – O que são verminoses?

André Pratto (AP) – As verminoses dos bovinos são causadas por nematódeos gastrintestinais. Na sua grande maioria são infecções mistas, nas quais várias espécies de nematódeos estão envolvidos. Pode-se dizer que essa enfermidade está presente em praticamente 100% das propriedades de bovinos do mundo.

OP Rural – Têm prevalência em todas as estações do ano?

AP – A prevalência varia de acordo com a época do ano. No período das chuvas, que vai de outubro a março, a grande maioria dos vermes encontra condições favoráveis de clima para o seu desenvolvimento, ocorrendo maior contaminação das pastagens quando comparado com os períodos mais secos e frios do ano. Devido ao aumento da temperatura e humidade, ocorre o crescimento das pastagens, favorecendo a criação de um microclima que proporciona melhor condição para o desenvolvimento da fase de vida livre dos parasitos e, consequentemente, maior fonte de contaminação para os bovinos. Entretanto na época seca do ano (abril a setembro), os vermes estão na sua forma de vida adulta parasitária, e grande parte deles estão presentes nos animais, em um estado manifestado como hipobiose. Nessa condição, os nematódeos interrompem o seu ciclo biológico, mantendo o metabolismo muito baixo até a instalação de condições mais favoráveis para seu desenvolvimento. Porém, com a diminuição da quantidade e qualidade das pastagens, os problemas de verminoses tendem a se agravar.

Embora o inverno não seja favorável para o ciclo de vida livre dos vermes, os bovinos sentem mais os efeitos das verminoses, pois geralmente estão com a resistência orgânica diminuída em função do baixo valor nutricional das pastagens.

OP Rural – O que mais contribui para o aparecimento de verminoses?

AP – Todos os animais criados a campo estão sujeitos a verminoses, contudo normalmente os surtos ocorrem entre a desmama e os dois anos de idade. Entretanto, condições de estresse, como deficiência alimentar, prenhez, lactação, alta lotação animal, resistência do parasito aos vermífugos utilizados e falta de rotação de pastagens podem favorecer o parasitismo mesmo em animais adultos.

OP Rural – Elas acometem bovinos de corte e leite? Que prevalência?

AP – Sim, tanto o bovino de corte quanto o de leite podem ser acometidos por verminoses. A prevalência vai depender dos fatores já citados anteriormente como, idade, manejo, época do ano e condições de estresse.

OP Rural – Quais os sintomas?

AP – As verminoses podem se manifestar nas formas clínica e subclínica. No primeiro caso, os sinais clínicos caracterizam-se por menor ganho de peso, perda de apetite, emagrecimento progressivo, mucosas pálidas (anemia), desidratação, edema de barbela, pelos arrepiados e sem brilho, fezes pastosas e, posteriormente, diarreia. Porém esta situação dificilmente ultrapassa mais de 10% dos casos.

O grande problema são as verminoses subclínicas, que atingem cerca de 90% dos casos. Nesta situação, os animais não apresentam sinais clínicos típicos das verminoses, porém ocorre atraso no crescimento, diminuição do ganho de peso, diminuição da produção leiteira, retardo nas atividades reprodutivas e predisposição a outras doenças.

OP Rural – Quais os prejuízos econômicos possíveis?

AP – O maior prejuízo para os pecuaristas está na redução do desempenho dos animais e no menor ganho de peso, podendo gerar perdas econômicas que chegam a 20-30%. No caso de bovinos de corte essa redução no desempenho gera menor peso ao desmame e aumenta a idade até o abate, podendo representar de uma a quatro arrobas a menos durante a vida do bovino. Em bovinos de leite as novilhas vão demorar mais para ter condições de saúde e peso para emprenhar e consequentemente dar leite. Uma novilha com bom desenvolvimento consegue atingir idade ao primeiro parto por volta de 24 meses, entretanto, caso tenha ocorrido uma falha no controle das verminoses, essa idade pode atingir até 36 meses.

OP Rural – Como prevenir e quais os tratamentos?

AP – Medidas de manejo devem ser associadas para diminuir o número de formas infectantes no ambiente, tais como: descanso de pastagens, pastejo alternado entre diferentes espécies de animais (bovinos, ovinos e equinos), pastejo com categorias não suscetíveis ou menos suscetíveis (animais adultos e jovens) e pastejo rotativo.

O tratamento é realizado com a administração de anti-helmíntico de amplo espectro, uma vez que as infecções por nematódeos são, geralmente, mistas. As principais estratégias utilizadas são:

Curativo – Neste tipo de controle, os animais são tratados apenas quando apresentam verminose clínica. Esta estratégia não traz benefícios ao produtor, pois não previne os prejuízos causados pela verminose subclínica, que acomete até 90% do rebanho.

Supressivo ou tradicionais – Neste caso utiliza-se vermífugos em intervalos pré-estabelecidos durante todo o ano, realizando a administração em todo o rebanho, uma vez na entrada da estação chuvosa e outra na entrada da estação seca.

Tático – Neste tratamento os animais são vermifugados quando alguma condição ambiental favorece o desenvolvimento dos vermes ou associados a práticas de manejo, como entrada em novas pastagens ou confinamento, aquisição de animais novos para a propriedade e em fêmeas próximas ao parto.

Estratégico – Esta prática de controle é baseada na prevenção de novas infestações e na diminuição das populações de vida livre. Consiste na utilização racional de vermífugos que irão contribuir para a manutenção de cargas parasitárias compatíveis com a produção animal, contribuindo para o melhor retorno (custo x benefício). Preconiza-se a aplicação em 3 momentos do ano: 1ª no mês anterior ao primeiro mês mais seco, 2ª no segundo mês mais seco, 3ª após o terceiro mês mais seco.

Deve-se levar em consideração que as verminoses afetam o equilíbrio nutricional, uma vez que induzem à redução da ingestão alimentar, diminuem a absorção de nutrientes, propiciam sangramento intestinal e consomem grandes quantidades de proteínas, carboidratos, lipídios e vitaminas.

O uso de vitaminas ADE juntamente com a administração de vermífugos tem demostrado excelentes resultados na recuperação e ganho de peso dos animais, provando ser uma boa estratégia no tratamento de bovinos.

Outras notícias você encontra na edição de Bovinos, Grãos e Máquinas de junho/julho de 2019 ou online.

Fonte: O Presente Rural
Continue Lendo

Bovinos / Grãos / Máquinas Atenção

Hidratação em casos de diarreia é mais do que oferecer água

É evidente que casos de diarreia tem repercussões econômicas ao longo da vida do animal

Publicado em

em

Divulgação

Artigo escrito por Petterson Souza Sima, mestre em Zootecnia e supervisor Técnico e Marketing do Grupo Kersia

Que a diarreia neonatal é o principal problema na criação de bezerros leiteiros já sabemos há anos. É estimado que entre 20 e 52% dos animais leiteiros em todo mundo sofrem com seus prejuízos, com mortalidade variando de 10,3% a 34% Com custos de 30 a 40 euros por caso de diarreia, as perdas financeiras envolvidas além de episódios de diarreia também têm efeitos sobre o animal.

As perdas financeiras envolvidas além de episódios de diarreia também têm efeitos sobre o animal adulto. Estima-se que uma vaca que teve diarreia quando bezerra pode perder até 17% do seu potencial de produção leiteira, devido as lesões ocorridas no intestino que reduzem sua capacidade de absorver nutrientes. Além disso, segundo estudo canadense, bezerras que sofrem de diarreia antes do desmame apresentam risco quase 3 vezes maior de parir apenas após 30 meses de idade, e risco 2,5 vezes maior de serem abatidas devida à baixa produção.

Portanto, é evidente que casos de diarreia tem repercussões econômicas ao longo da vida do animal e é importante que o criador limite o desenvolvimento dos casos com tratamento adequado, reduzindo os impactos imediatos e futuros ao máximo.

Devemos continuar fornecendo leite?

Recomendou-se por muito tempo a substituição parcial ou completa do leite por uma solução de reidratação oral, por acreditar que a redução da capacidade digestiva durante os casos piorasse o quadro de diarreia e proliferação das bactérias.

Porém, pesquisas das últimas décadas constatam que mesmo em quadros de diarreia os bezerros ainda têm capacidade digestiva suficiente para utilizar o leite e que a presença do mesmo não piora ou prolonga a doença. Observou-se que bezerros recebendo apenas soluções de reidratação oral podem continuar desidratados e perder peso rapidamente. Em contraste, bezerros recebendo sua cota diária de leite (10% de peso corporal) suplementada com uma solução de reidratação não apresentam sinais de piora e geralmente ganham peso durante o período de tratamento e recuperação da doença.

Reidratação oral: principal meio de combate à diarreia

O grau de desidratação pode variar, podendo o bezerro perder o equivalente a 10% do seu peso vivo em água a cada dia, de modo que se caracteriza como o efeito mais severo da diarreia no animal. Mas isso não significa que apenas a reposição de água no organismo é necessária. Distúrbios eletrolíticos, ácido-base e metabólicos também podem ocorrer. Tudo isso podemos controlar por meio da terapia de reidratação oral.

E não tem segredo. Quanto mais rápido intervirmos, menores os impactos. O ideal é que 50% das deficiências sejam corrigidas dentro de 6 horas, 75% dentro de 24 horas e o resto no dia seguinte. Por isso produtos reidratantes dissolvíveis em água e com alta palatabilidade são grandes aliados. Assim evitamos que os animais cheguem a quadros severos, exigindo intervenção intravenosa. Além do balanço hídrico, pelo menos 3 outros pontos merecem atenção.

Eletrólitos. Estão envolvidos na manutenção das constantes físico-químicas, restaurando o equilíbrio osmótico, hidratação intracelular e funções fisiológicas dependentes de tais elementos (transporte de gases no sangue, impulsos nervosos, funções hepáticas, etc.).

Primeiramente são os íons de sódio que asseguram a reidratação dos compartimentos extracelulares e intracelulares do corpo. Os íons de potássio são cruciais para a manutenção do equilíbrio osmótico intracelular e evitar distúrbios como fraqueza muscular, hipo e hipercalcemia. Íons de cloro estão envolvidos na manutenção do pH do sangue e metabolismo, como regulagem do cloreto e sódio no sangue através dos rins.

Bicarbonato de sódio e outras substâncias alcalinizantes. Bezerros fracos, com diarreia e ataxia ou com falta de apetite sofrem de acidose metabólica. Isto é caracterizado por um pH arterial reduzido, provindo de uma acidose a nível digestivo. O tratamento mais eficaz para combater a acidose metabólica é a administração de substâncias alcalinizantes, também conhecido como substâncias tamponantes.

O bicarbonato de sódio é a substância tamponante mais utilizada, eficaz e imediata. Já substâncias como acetato de sódio e citrato trissódico agem apenas a nível sanguíneo, após metabolismo no fígado (evitando a coagulação do leite). Alguns produtos utilizam as duas formas para maior eficiência.

Energia rapidamente absorvível. Existem diferentes tipos de soluções de reidratação para bezerros: soluções convencionais de reidratação isotônica, soluções de reidratação com lactose concentrada, soluções de reidratação que contêm pectinas e/ou hidrocolóides, e soluções de reidratação hiperosmótica/hipertônico. É extremamente importante que a solução ofereça uma fonte de energia altamente digestível para revigorar o bezerro e garantir que seu metabolismo seja reativado, já que comumente os bezerros perdem apetite e reduzem o consumo de alimento.

Destacamos aqueles com lactose concentrada, afinal, é o principal carboidrato do leite, aquele que o bezerro é preparado para metabolizar. Esta categoria de solução tem a vantagem de reiniciar a drenagem do abomaso, é altamente digestível e limita o risco de recaída na diarreia crônica. Mas a vantagem mais significativa deste tipo de solução sem dúvida é a manutenção da atividade da lactase, graças à presença de lactose no produto. Isso facilita a manutenção de uma dieta láctea durante e após a desordem digestiva ter sido resolvida.

Além disso, a lactose é convertida em glicose e galactose, que são então absorvidas separadamente. Isso traz certas vantagens significativas em comparação ao uso de apenas glicose. Com os dois sacarídeos, teremos uma fonte de energia imediata, a glicose, e outra retardada, já que a galactose precisa primeiro sofrer um rearranjo estrutural antes de ser capaz de ser usada na via da glicose. Por fim, a hidrólise de lactose também aumenta a quantidade de sódio e água que a mucosa intestinal absorve.

É válido ressaltar que essas soluções hidratantes são também indicadas para serem usadas em momentos de transporte, remanejamento, adaptação e, principalmente, recuperação de doenças, o chamado período de convalescença. “Beba bastante água” é o que ouvimos dos médicos quando estamos nos recuperando da maioria das doenças, e pode apostar que com os bezerros não é diferente.

Outras notícias você encontra na edição de Bovinos, Grãos e Máquinas de junho/julho de 2019 ou online.

Fonte: O Presente Rural
Continue Lendo

Bovinos / Grãos / Máquinas Nutrição

Inverno: a temporada das forrageiras

Pastagens escassas e menor produção de forragem afetam diretamente a nutrição dos bovinos

Publicado em

em

Divulgação/Matsuda

Uma das maiores preocupações do pecuarista nas épocas mais frias do ano é com a qualidade do pasto que é ofertado aos animais, alternativas para evitar o efeito sanfona e não perder sua lucratividade. Pastagens escassas e menor produção de forragem afetam diretamente a nutrição dos bovinos. Para enfrentar esse período de frio e seca, algumas decisões podem ser tomadas, previamente, como a inserção de suplementos energéticos e proteicos na dieta.

O engenheiro agrônomo Marcelo Ronaldo Villa explica: “Trabalhamos com produção a pasto, sendo que Brachiaria e Panicum contribuem com o maior percentual das pastagens cultivadas e respondem bem à temperatura, umidade e luminosidade elevadas” diz. Outro fator importante segundo ele, “é que no período do outono e inverno há uma diminuição no volume de forragem produzida, assim como a qualidade.  Quando entra no período mais seco e frio, as condições ideais (temperatura, umidade e luminosidade) para as forrageiras tropicais diminuem porque a planta faz menos fotossíntese, consequentemente vegeta menos. A qualidade dessa forragem fica comprometida, além do volume para ofertar aos animais é mais escasso nessa época do ano. Quanto menor a oferta, maior será a dificuldade para o produtor rural manter o rebanho produtivo”, argumenta.

Para o pecuarista ter uma “folga” e mais tranquilidade nesse período do ano, algumas precauções devem ser tomadas. “Primeiro é necessário ter uma pastagem bem conduzida no período que compreende a primavera e o verão. Implantar pastagem de qualidade, utilizando técnicas de diferimento – estratégia de manejo que ocorre geralmente no fim do período das águas para garantir volume de forragem durante o período de seca”, destaca Villa.

Segundo ele, é mais recomendado a utilização das braquiárias para fazer o diferimento.  “Nós indicamos sempre que no planejamento sejam usadas as braquiárias preferencialmente, e dentre as cultivares existentes no mercado, podemos destacar a MG-4 e a MG-13 Braúna, duas cultivares com porte mediano, talos mais finos e mais enfolhamento”, avalia.

Essas cultivares são recomendadas para solo de média a alta fertilidade, porque são tolerantes a solos arenosos. Já para fazer a reserva de pastagem de uma maneira prática, alguns aspectos devem ser levados em consideração. Por exemplo, “em uma área de 100 hectares, temos que colocar os animais em 70 hectares e os outros 30 hectares deixar diferido, é um dos jeitos que se pode trabalhar. Lembrando que esses 70 hectares têm que ser de cultivares de alta produtividade para que ( o local) não fique sobrecarregado devido ao aumento da quantidade de animais por hectare, ocasionada pela diminuição da área de pastagem disponível, evitando que falte alimento nesse período”, reforça o engenheiro agrônomo.

De acordo com o especialista, em uma estrutura de confinamento ou semiconfinamento, não se pode abrir mão de fazer a conservação de forragem plantada exclusiva para essa finalidade, ou aproveitar o excedente de produção de áreas plantadas para pastoreio direto dos animais (devido às chuvas da primavera-verão a luz é bastante intensa e a temperatura elevada, com isso será produzido mais que o rebanho tem capacidade de ingerir diretamente).

Na entressafra

Para quem utiliza o sistema de Integração Lavoura-Pecuária (ILP), área que estava com lavoura (primavera/verão) e não vai ser trabalhada nesse período, pode ser transformada em área de pastagem com alta qualidade e volume. Nesse caso, não seria necessário diferir uma área de pastagem já implantada, pois essa área com pastagem nova é que vai funcionar como a pastagem diferida e fornecer volumoso em quantidade adequada para os animais no período de maior escassez.

Alinhando essas técnicas a uma suplementação mineral adequada, sustenta o profissional, é possível que o animal ganhe peso mesmo no período de inverno. “O produtor terá pastagem com animais ganhando peso, e isso tem motivado cada vez mais os pecuaristas”, menciona.

Gargalo da pecuária

Marco Antônio Finardi, médico-veterinário, diz que é durante a seca que acontece um período crítico sobre a qualidade nutricional dos alimentos que os animais têm à disposição, principalmente pastagem. Ocorre então um decréscimo extremamente alto nos níveis proteicos das forragens em até 50%, cita. Já a oscilação nos níveis energéticos fica em torno de 15 a 20%. Nos níveis minerais esse decréscimo chega até 80%, revela.

Ele destaca que com o decréscimo desses nutrientes nas forragens, a atividade da microbiota ruminal fica comprometida, pois na maioria das situações, os níveis proteicos da dieta encontram-se abaixo de 7%, quantidade mínima para que ainda ocorra uma fermentação eficiente de forragem. Além da queda do valor nutricional, existe também uma maior dificuldade de digestão desses alimentos por parte dos bovinos. “Temos um aumento da parte estrutural da planta, principalmente no teor de lignina, que é um nutriente indigerível para o bovino, dificultando ainda mais o acesso da microbiota aos nutrientes em si”, lembra o veterinário.

Com isso, aumenta também o tempo de passagem do alimento pelo rúmen.  O animal vai comer menos, o que vai refletir no seu desempenho, com possível perda de peso (efeito sanfona). “A utilização de proteína e energia nessa época do ano é extremamente importante, principalmente a proteína, para que esse nutriente equilibre os níveis mínimos de proteína disponibilizada para a microbiota e melhore a sua multiplicação e o povoamento ruminal”.

Aumentado esses microrganismos dentro do rúmen e sua atividade, logicamente ocorrerá uma ação muito melhor frente ao processo de degradação do alimento.  “Consumir mais forragem e nutrientes traz grande vantagem para o bovino, já que esse animal vai manter o peso e com possibilidade de apresentar ganho”, assegura Finardi.

Suplemento Ureado X Suplemento Proteinado?

Você sabe a diferença do suplemento mineral ureado e suplemento mineral proteinado? Esses produtos levam em sua formulação todos os minerais essenciais, além de fontes de proteína, que podem ser de origem verdadeira, como o farelo de soja, e de origem não verdadeira, como a ureia. O tempo de degradação do nitrogênio na proteína não verdadeira é muito rápido. “Se não tivermos carboidrato de rápida liberação, ocorrerá perda de nitrogênio”, pontua Finardi.

Ainda de acordo com o veterinário, “a associação de uma degradação rápida da ureia com a degradação um pouco mais lenta do farelo e a degradação mais lenta do capim vai dar tempos diferentes de liberação de nutrientes”. Para ele, esse processo é “muito importante para que a microbiota aproveite todos esses nutrientes, ocorrendo maior multiplicação, maior atividade e maior degradação”, diz.

Quando se trata de suplementos minerais ureados (suplemento mineral + ureia), se comparado somente a utilização de suplemento mineral de linha branca, ou seja, só com minerais, é possível fornecer complementação de proteína não verdadeira para a microbiota.

Mas, para que se consiga um bom resultado com a utilização de suplementos minerais ureados, é extremamente importante que a oferta de forragem disponível aos animais esteja extremamente seca, uma vez que a ureia é amarga e pode haver diminuição do consumo do suplemento, caso esta forragem ainda não se encontre tão seca.

Já o benefício de utilizar o suplemento mineral proteico, que além da ureia tem em sua composição fontes proteína verdadeira, é uma maior resposta e desempenho dos animais nesse período crítico. Para conseguir um bom desempenho, sugere, manutenção de condição corporal e até ganhos, é indispensável que a oferta de forragem em quantidade atenda as necessidades dos animais.

Outras notícias você encontra na edição de Bovinos, Grãos e Máquinas de junho/julho de 2019 ou online.

Fonte: O Presente Rural
Continue Lendo
TOPIGS – BRASIL PORK EVENT 2019
Evonik Aminonir
Biochem site – lateral
AB VISTA Quadrado

NEWSLETTER

Assine nossa newsletter e recebas as principais notícias em seu email.