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Rentabilidade da suinocultura é pressionada por queda nos preços e margens apertadas

Cenário de spreads no limite reforça necessidade de cautela na gestão de custos e risco no setor.

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A suinocultura brasileira entra em um período de maior atenção à gestão de custos e risco financeiro, em meio a um cenário de margens comprimidas e spreads próximos do limite. O alerta é reforçado por análises do setor que indicam a necessidade de disciplina produtiva diante de um ambiente de menor folga econômica.

De acordo com dados da Consultoria Agro Itaú BBA, o ajuste recente das margens no setor tem sido impulsionado principalmente pela queda dos preços do animal, sem pressão relevante vinda do custo da ração. Esse movimento acende um sinal de cautela, já que eventuais aumentos nos insumos poderiam agravar ainda mais um quadro já apertado.

Apesar de não haver indicação de excesso de oferta no mercado interno, o cenário ideal, segundo a análise, seria uma moderação do ritmo de produção para buscar maior equilíbrio entre oferta e demanda. No entanto, ajustes mais rápidos na produção são considerados limitados no curto prazo, o que mantém o produtor independente em posição de maior vulnerabilidade.

Ainda conforme dados da Consultoria Itaú BBA Agro, a gestão de risco de preços dos insumos da ração passa a ter papel central neste momento. Isso porque o custo atual de proteção não embute riscos elevados de alta, o que pode representar uma oportunidade para travar preços e reduzir exposição a volatilidades futuras.

No cenário internacional, a revisão trimestral do USDA trouxe ajustes importantes nas projeções globais de carne suína. A China deve seguir com expansão da produção em 2026, atingindo cerca de 59,5 milhões de toneladas, novo recorde. Para o Brasil, a expectativa é de crescimento de 3,2% na produção, alcançando 4,9 milhões de toneladas, além de alta de 6,8% nas exportações.

Os Estados Unidos também projetam avanço moderado, tanto na produção quanto nas exportações, enquanto a União Europeia segue na direção oposta, com queda estimada na produção e nas vendas externas.

Entre os importadores, o México consolida posição de liderança, enquanto a China deve reduzir ainda mais suas compras externas, reforçando mudanças no fluxo global do setor.

Fonte: O Presente Rural com informações Consultoria Agro Itaú BBA

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Biosseguridade na suinocultura deixa de ser opção e se torna fator decisivo para o setor

Medidas sanitárias ganham reforço com nova portaria e visam evitar prejuízos econômicos e produtivos.

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Quando falamos em biosseguridade, estamos tratando de um conjunto de medidas para evitar a entrada e a disseminação de agentes causadores de doenças no plantel de suínos que pode levar a grandes perdas para a sanidade suína e para a economia do nosso estado. A biosseguridade na suinocultura não é “mais uma exigência técnica”, ela é o que separa uma produção sustentável de uma atividade ameaçada por prejuízos sanitários e econômicos. Uma doença pode entrar pelo detalhe que foi ignorado.

Luciane Surdi, Conselheira do Instituto Catarinense de Sanidade Agropecuária (ICASA)

Com este propósito entrou em vigência em 8 de novembro a Portaria SAPE 50 que estabelece as normas operacionais para a execução do Programa de Apoio às Medidas de Biosseguridade na Produção Animal Catarinense.

A pergunta que todo o suinocultor deve estar fazendo é “por que fazer biosseguridade?” Doenças como a Peste Suína Africana, Peste Suína Clássica, Doença de Aujeszky tem alto impacto sanitário e econômico. Um único foco pode levar à perda total do plantel e até bloqueios sanitários.  Com boas práticas, há menor risco de introdução de doenças, menos mortalidade, melhor conversão alimentar e menor gasto com tratamentos, garantindo produtividade e eficiência. Animais mais saudáveis crescem mais rápido, tem melhor ganho de peso e menores taxas de descarte.

A biosseguridade trata de um conjunto de medidas para evitar a entrada e a disseminação de agentes causadores de doenças no plantel. As medidas incluem o controle de acesso, manejo adequado dos animais e resíduos gerados, limpeza, desinfecção, vazio sanitário, controle de trânsito de pessoas e veículos.

Conforme prevê a Portaria SAPE 50, as regras básicas de biosseguridade como pequenos ajustes como troca de roupas e calçados, desinfecção de veículos, controle de roedores, restrição de visitas e qualidade da água já estão vigentes. São ações fundamentais para manter um plantel de suínos com bom desempenho e com ausência de doenças.

Além disso o suinocultor deve adequar seu estabelecimento com cercas, portões, cuidados com a ração e destino adequado de carcaças. Para estas adequações deverá contar com apoio de um médico-veterinário da integradora, cooperativa ou assessoria técnica – Senar/Faesc, no caso de produtores independentes.

O Icasa, através da sua equipe de médicos veterinários e analistas ambientais, está auxiliando o suinocultor nas orientações sobre a biosseguridade, nos ajustes de cadastro e nas estratégias em cada região do estado.

Foto: Ari Dias/AEN

A portaria estabelece prazos para que granjas preexistentes se ajustem às novas medidas, variando da vigência até 12 a 24 meses, dependendo da adequação. Para garantir que os pequenos produtores possam se adequar às exigências foi criado o Programa Biosseguridade Animal SC, que prevê financiamentos de até R$ 70 mil por granja, com subvenção de até 40%, além de um ano de carência e pagamento em cinco parcelas anuais. Para maiores informações os suinocultores deverão procurar e escritório local da  Epagri de seu município.

Atender exigências de mercado – Mercados exigentes não compram de regiões com risco sanitário. Países e empresas importadoras exigem rastreabilidade e protocolos sanitários rigorosos. Santa Catarina é reconhecida internacionalmente justamente pelo controle sanitário, e isso só se mantém com disciplina em biosseguridade, com mercados que somente nosso estado atende.

Fazer biosseguridade é garantir renda ao produtor, é manter mercados abertos e evitar crises sanitárias. Quem investe em biosseguridade colhe sanidade, produtividade e mercado. Isto não é custo, é seguro produtivo.

Fonte: Assessoria Senar/Faesc
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Produção de suínos cresce 50% em Mato Grosso do Sul

Expansão ocorre em meio à modernização da cadeia e aumento de investimentos no setor.

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Uma produção organizada, sustentável e altamente tecnificada. Assim se apresenta a suinocultura de Mato Grosso do Sul, que registrou crescimento de quase 50% nos últimos três anos e se firma como um dos principais cases de sucesso do agronegócio estadual.

A força do setor foi evidenciada durante o 4º Encontro de Lideranças da Suinocultura de Mato Grosso do Sul, promovido pela Associação Sul-Mato-grossense de Suinocultores (Asumas) na última quinta-feira (23). O evento reuniu produtores, autoridades, representantes institucionais e investidores de diversas regiões do país, em um momento estratégico de diálogo sobre expansão e fortalecimento da cadeia produtiva.

Foto: Jaelson Lucas/AEN

Com a presença do governador Eduardo Riedel, o encontro reforçou o protagonismo da atividade na economia estadual. Representando a Secretaria de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação (Semadesc), participaram o secretário Artur Falcette, o secretário-adjunto Alex Melotto, o secretário-executivo de Desenvolvimento Sustentável, Rogério Beretta, e o diretor-presidente da Iagro, Daniel Ingold.

A participação da equipe evidencia o compromisso do Governo do Estado com o desenvolvimento sustentável e competitivo da suinocultura.

Durante o evento, o governador destacou a organização e a evolução da cadeia produtiva. “É uma cadeia estruturada, profissionalizada e com crescimento impressionante. Em três anos, avançou cerca de 50%. Mais do que posição em ranking, o que importa é essa curva consistente de crescimento”, afirmou.

Riedel também ressaltou o papel do Estado como indutor do desenvolvimento, com políticas baseadas em incentivo, e não em imposição. “Nosso modelo valoriza práticas adequadas, produtividade e sustentabilidade, criando um ambiente favorável para o setor continuar avançando”, completou.

O Governo do Estado tem atuado de forma estruturante no fortalecimento da atividade, com destaque para o programa Leitão Vida, que incentiva a produção e melhora a eficiência da cadeia.

Em 2025, foram 262 estabelecimentos aprovados, mais de 108 mil matrizes e 3,29 milhões de animais abatidos e mais de R$ 91 milhões em incentivos. Já em 2026, até o momento, são 257 estabelecimentos, 110,5 mil matrizes e mais de 1 milhão de abates, totalizando R$ 39,2 milhões em incentivos.

O presidente da Asumas, Renato Spera, destacou a importância do apoio governamental para o crescimento do setor. “Temos potencial, sanidade e acesso a crédito. O Estado é parceiro e isso faz toda a diferença. Nos últimos anos, foram quase R$ 2 bilhões em financiamentos via FCO para a suinocultura, recursos fundamentais para esse desenvolvimento”, afirmou.

Números expressivos

Foto: Ari Dias/AEN

A programação incluiu apresentações da Asumas, da Associação Brasileira dos Criadores de Suínos (ABCS) e do Governo do Estado, com foco em mercado, representatividade e perspectivas da atividade.

Atualmente, Mato Grosso do Sul conta com mais de 300 granjas em operação, cerca de 121 mil matrizes e aproximadamente 3,6 milhões de suínos abatidos por ano. A cadeia gera cerca de 32 mil empregos diretos e movimenta setores como grãos, genética e serviços.

No mercado internacional, o desempenho também é positivo: as exportações superam 20 mil toneladas de carne suína, com crescimento de 11% em relação ao ano anterior. Entre os principais destinos estão Singapura, Filipinas e Emirados Árabes Unidos.

Outro fator estratégico para o avanço do setor é a Rota Bioceânica, que deve reduzir custos logísticos e ampliar o acesso aos mercados asiáticos.

Ambiente favorável e expansão contínua

O secretário Artur Falcette destacou que o crescimento da suinocultura está diretamente ligado à modernização das cadeias produtivas e à atração de novos investimentos. “Temos uma cadeia cada vez mais dinâmica, com maior uso de tecnologia e chegada de novas indústrias e cooperativas, especialmente da região Sul do país. Isso fortalece a economia e amplia as oportunidades no Estado”, afirmou.

Segundo ele, mais de R$ 300 milhões em incentivos já foram concedidos pelo Governo do Estado desde 2020 aos suinocultores. “Programas como o Leitão Vida ampliam a rentabilidade do produtor e impulsionam toda a cadeia. Nosso objetivo é manter esse ambiente favorável, estimulando investimentos e garantindo que a suinocultura continue crescendo nos próximos anos”, concluiu.

Com políticas públicas consistentes, ambiente competitivo e crescimento contínuo, Mato Grosso do Sul se consolida como um dos principais polos da suinocultura brasileira, com forte potencial de expansão e geração de renda.

Fonte: Assessoria Secom-MS
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Biosseguridade exige constância e disciplina para proteger a suinocultura brasileira

Especialista alerta, no Congresso da Abraves, que o avanço da produção e do comércio global amplia riscos sanitários e exige ações preventivas cada vez mais rigorosas.

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A biosseguridade permanece como um dos pilares mais estratégicos da suinocultura, especialmente em um cenário de intensificação produtiva, concentração regional de granjas e ampliação dos fluxos comerciais globais.

A biosseguridade reúne um conjunto de práticas voltadas tanto à prevenção da entrada de agentes patogênicos nos sistemas produtivos quanto ao controle da disseminação de doenças já presentes nas granjas. Trata-se de um conceito que ultrapassa os limites da propriedade rural e se estende aos níveis regional, nacional e até global, diante da interconexão sanitária entre os principais países produtores de suínos. “A suinocultura mundial convive com desafios sanitários importantes e interligados. Mesmo países com status sanitário favorável para determinadas doenças não estão livres de riscos, o que reforça a necessidade de vigilância permanente e protocolos rigorosos de biosseguridade”, alertou o médico-veterinário especialista em Saúde e Produção Suína, Maurício Dutra, durante sua participação no 21º Congresso Nacional da Abraves, realizado em meados de outubro, em Belo Horizonte (MG).

Dados internacionais mostram que grandes produtores, como União Europeia, Estados Unidos, China, Rússia, Vietnã e Brasil, enfrentam a circulação contínua de agentes como PED/TGE, influenza, PCV-2, Aujeszky e PRRS. No entanto, a Peste Suína Africana (PSA) figura como o maior desafio sanitário da atividade, após sua disseminação acelerada na Ásia a partir de 2018.

De acordo com Dutra, o setor não tem observado o surgimento de novos agentes etiológicos nas últimas décadas, mas sim um aumento expressivo na virulência e na capacidade de adaptação de patógenos já conhecidos, o que torna o controle mais complexo. “Os principais desafios continuam sendo enfermidades virais de elevado impacto econômico, seja pela ausência de vacinas efetivas, seja pela elevada letalidade. Isso justifica a adoção de ações efetivas de prevenção”, enfatizou.

Lições da Peste Suína Africana

Embora a PSA esteja ausente no Brasil há mais de 40 anos, o especialista ressaltou que o país pode e deve aprender com experiências internacionais e com seu próprio histórico. A enfermidade, descoberta em 1921 e endêmica na África, provocou três grandes ondas de disseminação global. Na segunda delas, nas décadas de 1960 e 1970, o Brasil foi afetado após a introdução do vírus por restos de alimentos provenientes de voos internacionais. “A contaminação teve início em 1978, e o país só foi declarado livre em 1984, após perdas diretas estimadas em US$ 13 milhões, além de impactos sociais e econômicos expressivos, como falência de pequenos produtores, desemprego e queda de cerca de 40% no consumo de carne suína”, relembrou Dutra.

Foto: Ari Dias/AEN

O controle da doença, segundo ele, só foi possível com a adoção rigorosa de práticas de biosseguridade em duas fases distintas – emergencial e de erradicação, que deixaram como legado instrumentos ainda vigentes, como o monitoramento das Granjas de Reprodutores Suídeos Certificados (GRSC) e a regionalização sanitária para a Peste Suína Clássica.

Atualmente, mesmo com a existência de vacinas vivas contra a PSA, a baixa eficiência e o risco de reversão de virulência mantêm a biosseguridade como principal ferramenta de prevenção. Dutra destacou medidas como quarentena para animais de reposição, desinfecção adequada de caminhões, barreiras sanitárias com banho e troca de roupas e o controle rigoroso da entrada ilegal de produtos de origem animal no país.

PED e PRRS reforçam importância da prevenção

Outras enfermidades também reforçam o papel central da biosseguridade. A Diarréia Epidêmica Suína (PED), embora não seja nova, reemergiu com alta virulência após adaptação viral, causando mortalidade de até 100% em leitões lactantes sem imunização prévia. “Mesmo com vacinas disponíveis, a prevenção depende fortemente de cuidados com fômites, meios de transporte e contaminação alimentar”, explicou Dutra.

Já a Síndrome Reprodutiva e Respiratória Suína (PRRS), confirmada laboratorialmente desde 1991, segue como uma das doenças de maior impacto econômico, com perdas estimadas entre USD 6,25 e USD 15,25 por animal vendido. Estratégias combinadas de vacinação, manejo e biosseguridade, incluindo práticas como McRebel, carregamento escalonado e uso de filtros de ar em regiões de alta densidade produtiva, têm mostrado resultados relevantes.

“A adoção integrada dessas medidas caracteriza a chamada ‘nova geração da biosseguridade’, que reduziu significativamente os surtos de PRRS nos Estados Unidos quando aplicada de forma completa”, ressaltou.

Desafios crescentes no Brasil

No contexto nacional, Dutra alertou para o aumento dos desafios sanitários nas últimas décadas, com a presença de influenza desde 2009, Doença de Aujeszky em 2011, cepas multirresistentes de Brachyspira, além do crescimento de casos de salmonelose, Senecavírus Tipo A, encefalomiocardite e diferentes genótipos de PCV-2.

Apesar disso, levantamentos indicam que ainda há espaço relevante para avanços na adoção plena das práticas de biosseguridade no país. “Essas práticas têm sido eficientes, mas a jornada é longa, árdua e contínua. Novos desafios surgem com cepas mais virulentas, reemergência de doenças e novas formas de transmissão”, afirmou.

Para Dutra, o fato de enfermidades como PSA, PED e PRRS ainda serem exóticas no Brasil representa uma oportunidade estratégica. “Temos o privilégio de aprender com os erros e acertos de outros países e agir de forma proativa e responsável, protegendo cada sistema de produção e a sustentabilidade da suinocultura brasileira”, concluiu.

A edição também está disponivel na versão digital, com acesso gratuito. Para ler a versão completa online, clique aqui. Boa leitura!

Fonte: O Presente Rural
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