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Relatório Integrado BRF destaca avanços na agenda ESG
Companhia investe R$ 197,3 milhões em ações socioambientais e publica o resultado dos 22 compromissos assumidos em diversas frentes.
A BRF, uma das maiores companhias de alimentos do mundo, apresenta seu Relatório Integrado de 2021. Entre os destaques, os avanços das metas do Plano de Sustentabilidade e do compromisso de se tornar Net Zero até 2040, os resultados de seu planejamento estratégico e a jornada digital. O documento reporta ainda pela primeira vez indicadores do Sustainability Accounting Standards Board (SASB) e está em sintonia com as diretrizes da Global Reporting Initiative (GRI).
“Em 2021 conseguimos avançar com consistência em nossa jornada de sustentabilidade, com destaque nas principais frentes ambientais, sociais e de governança. Temos grande compromisso com a agenda ESG e seguiremos firmes no propósito de colaborar para um mundo melhor”, afirma Lorival Luz, CEO Global da BRF.
O documento reporta, dentre outras áreas, o resultado dos 22 compromissos ESG assumidos em diferentes frentes. No total, em 2021, foram investidos R$ 197,3 milhões em ações socioambientais, sendo R$ 134,6 milhões em projetos de redução de impacto ambiental.
“Como empresa global, a incorporação de critérios de sustentabilidade à gestão e à estratégia é uma jornada permanente. O Relatório Integrado reforça o empenho na adoção de iniciativas concretas no último ano, focadas no Plano de Sustentabilidade e ancoradas nos compromissos públicos assumidos em 2020”, reforça Grazielle Parenti, vice-presidente global de Relações Institucionais e Sustentabilidade da BRF.
Net Zero até 2040
Na meta de ser Net Zero até 2040, por exemplo, entre os principais resultados, estão os 90% de consumo de energia (combustíveis + eletricidade) proveniente de fontes renováveis e 7,3% de redução no consumo de água nas operações internacionais. Destaque, ainda, para parcerias com AES e Pontoon para geração de energia eólica e solar, que contribuem para iniciativas de descarbonização das operações.
Houve também avanços na cadeia, Escopo 3, com instalação de painéis solares nas granjas de mais de 100 produtores integrados. A ação foi possível por meio do convênio com o Banco do Brasil com disponibilização de R$ 200 milhões em limites de financiamento de crédito aos produtores.
Já com o lançamento do primeiro produto carbono neutro do Brasil, o Veg Frango 100% Vegetal, da Sadia Veg&Tal, a Companhia cumpriu uma das metas para 2021. As emissões do produto são neutralizadas do grão à mesa por meio de conservação florestal.
Outro marco foi a publicação da Política de Compra Sustentável de Grãos, que determina diretrizes para a rastreabilidade de 100% dos grãos provenientes da Amazônia e Cerrado. Em 2021, a BRF alcançou 75% de rastreabilidade de grãos adquiridos de fornecedores diretos nestes biomas.
Área Social
Na área social, foram mais de três milhões de pessoas impactadas com doações de alimentos e investimentos do Instituto BRF, sendo R$ 5,8 milhões destinados à inovação social. Destaque para parcerias com Cozinhas Solidárias, Comida Invisível e projetos do fundo Nossa Parte Pelo Todo, além da nova frente de trabalho com foco em educação que contribui com soluções para desafios como desemprego e evasão escolar e já firmou parceria com o UNICEF. A BRF ainda doou mais R$ 50 milhões para enfrentamento à COVID, totalizando R$100 milhões desde 2020.
Pet food
Já o setor de pet food inseriu a BRF na posição de terceiro maior player do mercado brasileiro, com 10% de market share, a partir da aquisição das empresas Mogiana Alimentos e Grupo Hercosul. A marca Balance alcançou a terceira posição no segmento de supermercados. A Companhia realizou ainda investimentos na ordem de R$ 4,7 bilhões em novas aquisições, ampliação e modernização das unidades produtivas e registrou aumento de mais de 30% da capacidade de produção de itens de alto valor agregado no ano.
Gestão das marcas BRF
A gestão das marcas BRF foi positiva em 2021. No mercado nacional, destaque especial para Sadia, que, além de ser a marca de alimentos mais valiosa do país, continua sendo a favorita dos brasileiros. Junto com Perdigão, as duas alcançaram 43,1% de preferência no ano passado. E Qualy mantém sua liderança absoluta entre margarinas. Em inovação, somente em 2021 a Companhia investiu R$ 244 milhões, incluindo pesquisa e desenvolvimento, tendo lançado globalmente 234 SKUs.
O Relatório Integrado também destaca o avanço da transformação digital ao longo de toda a cadeia de valor da empresa, do grão à mesa dos consumidores. Em 2021, a BRF implementou 56 projetos de transformação digital, com investimentos na ordem de R$ 180 milhões.
As iniciativas da BRF foram ainda reconhecidas pelo mercado. A Companhia é listada na carteira do Índice de Sustentabilidade Empresarial (ISE) e no Índice de Carbono Eficiente (ICO2) da B3.

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Geopolítica, clima e logística entram no centro do debate da cadeia da soja
Seminário em Londrina (PR) vai reunir especialistas para discutir os desafios que podem definir a competitividade da soja brasileira nos próximos anos. As inscrições são gratuitas.

A relação comercial entre Brasil e China, os impactos das mudanças climáticas, os gargalos logísticos e a descarbonização da produção estarão entre os principais temas do 8º Seminário Desafios da Liderança Brasileira no Mercado Mundial de Soja, que será realizado nos dias 04 e 05 de agosto, na Embrapa Soja, em Londrina (PR).

Foto: R.R.Rufino/Embrapa Soja
O evento vai reunir cerca de 150 participantes, entre pesquisadores, técnicos, representantes da indústria, produtores rurais e especialistas da cadeia da soja. As inscrições são gratuitas e podem ser feitas pelo site do seminário, enquanto houver vagas.
Segundo o pesquisador Marcelo Álvares de Oliveira, da Embrapa Soja, a programação foi estruturada para discutir fatores que influenciam diretamente a competitividade do setor. “Vamos debater a geopolítica e a relação comercial entre Brasil e China, além dos desafios e oportunidades da cadeia da soja brasileira. Também teremos discussões sobre cultivares adaptadas às mudanças climáticas, logística, descarbonização e o papel do biodiesel na sustentabilidade da produção”, afirma.
Para Daniel Amaral, diretor de Economia e Assuntos Regulatórios da Abiove, manter a liderança brasileira no mercado internacional depende não apenas do volume produzido, mas também da qualidade do produto.”Preservar nossa liderança exige um debate técnico constante sobre a qualidade da soja brasileira. Garantir um produto de alto

Foto: Shutterstock
padrão para as indústrias nacional e internacional de óleos e farelos é o que realmente define a competitividade do setor”, destaca.
O seminário é promovido pela Embrapa Soja em parceria com entidades representativas da produção, da indústria e da exportação de grãos, entre elas Abiove, Anec, Aprosoja Brasil, CNA, Sistema OCB e Sindirações.
Brasil amplia liderança
O encontro ocorre em um momento de expansão da produção brasileira. Na safra 2025/26, o país colheu 180 milhões de toneladas de soja, em uma área próxima de 48 milhões de hectares, segundo a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). No mesmo período, os Estados Unidos produziram 116 milhões de toneladas.
Além da produção recorde, o processamento industrial também segue em crescimento. A Abiove estima que o Brasil processe 63 milhões de toneladas de soja em 2026, com produção de 48,6 milhões de toneladas de farelo e 12,65 milhões de toneladas de óleo de soja.
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El Niño pode encher os silos e esvaziar as margens
Pesquisa aponta que o clima deve favorecer a produção agrícola, enquanto a maior oferta tende a pressionar as cotações das commodities.

O El Niño previsto para o ciclo 2026/2027 tem potencial para se tornar um dos eventos climáticos mais intensos da última década. Para a agricultura da América Latina, especialmente no Brasil e na Argentina, o fenômeno pode favorecer a produção de grãos e oleaginosas, mas também trazer um efeito colateral: mais oferta no mercado e menor rentabilidade para o produtor.

Foto: Fernando Dias
A avaliação é da Allianz Research, divisão de pesquisa macroeconômica da Allianz Trade, que analisou os impactos econômicos do fenômeno climático sobre diferentes regiões do mundo. Confira aqui o estudo completo.
Com base em episódios anteriores de El Niño, o estudo mostra que a produção agrícola brasileira tende a superar a média histórica. Em 2015, por exemplo, a safra de soja ficou cerca de 4% acima da tendência dos cinco anos anteriores, enquanto a produção de café arábica registrou desempenho aproximadamente 5% superior ao esperado.
Segundo os pesquisadores, o aumento das chuvas no Sul da América do Sul favorece o desenvolvimento das lavouras e amplia a oferta de alimentos. No entanto, esse crescimento da produção pode pressionar as cotações das commodities agrícolas, reduzindo a margem dos produtores.
Outro desafio apontado pelo levantamento é a capacidade de armazenagem. Em anos de safra cheia, a oferta elevada

Foto: Shutterstock
tende a ocupar rapidamente os silos, elevando os custos de estocagem tanto para produtores quanto para tradings.
Efeitos diferentes dentro do Brasil
Embora o El Niño favoreça boa parte das áreas agrícolas do Centro-Sul, seus efeitos não são uniformes. O estudo destaca que a Região Norte e a Amazônia podem enfrentar períodos de seca mais severos, com reflexos sobre a navegação fluvial, a geração de energia hidrelétrica e o abastecimento de alimentos.
Esse cenário também pode exercer pressão sobre a inflação em países como Brasil, Colômbia e Peru, principalmente por impactos na logística e nos custos de produção.
Oferta maior e preços menores
No mercado internacional, a expectativa é que o aumento da produção de soja e milho na América Latina contribua para ampliar a oferta global de alimentos e aliviar parte das pressões inflacionárias observadas em outras regiões.
Por outro lado, exportadores brasileiros podem se beneficiar do maior volume embarcado, enquanto indústrias processadoras e empresas expostas à volatilidade das commodities agrícolas tendem a enfrentar um ambiente mais desafiador diante da possibilidade de queda nos preços.
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Frete rodoviário terá novas regras, mas sem piso nacional para caminhoneiros
Proposta amplia as penalidades para quem descumprir o piso do frete, altera as regras de fiscalização e prevê atualização semestral da tabela de preços.

O piso salarial nacional de R$ 5 mil para caminhoneiros de longa distância ficou fora da versão final da Medida Provisória nº 1343/2026 que atualiza as regras do frete rodoviário. Aprovado pelo Senado, o texto segue para sanção presidencial com mudanças no cálculo do piso mínimo do frete, na fiscalização do transporte de cargas e nas penalidades aplicadas ao setor.

Foto: Geraldo Bubniak
A previsão de uma remuneração mínima mensal não fazia parte da proposta original do governo. O dispositivo foi incluído durante a tramitação na Câmara dos Deputados, mas acabou retirado pelo Senado sob o entendimento de que o tema não tinha relação direta com o conteúdo da medida provisória.
Com isso, a remuneração dos motoristas profissionais de longa distância continuará sendo definida por acordos e convenções coletivas de trabalho.
Anistia a multas
Além das mudanças nas regras do frete, a proposta concede anistia a caminhoneiros multados por bloqueios em rodovias durante as manifestações de 2022. O perdão das penalidades foi incluído durante a tramitação da medida provisória no Congresso.
O texto também transforma em advertência as multas aplicadas até a publicação da futura lei por descumprimento

Foto: Divulgação
das regras do piso mínimo do frete, como o pagamento abaixo dos valores previstos na Lei nº 13.703/2018. A medida vale para processos ainda em andamento, penalidades sem decisão definitiva e multas que ainda não foram quitadas.
A conversão não se aplica a casos de fraude, uso de documentos falsos ou omissão deliberada de informações. Também não haverá devolução de valores já pagos. O direito dos transportadores de cobrar diferenças de frete e indenizações previstas em lei permanece assegurado.
Além das anistias, a proposta promove uma ampla atualização da legislação do transporte rodoviário de cargas. Entre as principais mudanças estão novos critérios para o cálculo do piso mínimo do frete, atualização semestral da tabela de referência, reforço da fiscalização, endurecimento das penalidades para quem pagar abaixo do piso, novas regras para o cadastro de transportadores e alterações na fiscalização do peso dos caminhões.

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Frete mínimo
O projeto altera as regras de cálculo dos pisos mínimos do transporte rodoviário de cargas. A tabela deverá considerar os custos operacionais da atividade, como os relacionados a combustível, manutenção, pneus, seguros, tributos, salários e tempo de carga e descarga.
A Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) poderá firmar parceria com a Infra S.A. para elaborar os cálculos dos pisos. O texto também atualiza conceitos da legislação e cria a definição de veículo de carga de pequeno porte (com capacidade útil superior a 500 quilos e peso bruto total de até 3,5 toneladas) e a de carga a granel pressurizada (categoria utilizada para determinados tipos de transporte especializado).
A atualização da tabela de frete deverá ser semestral. Quando houver variação igual ou superior a 5% no preço dos combustíveis, a ANTT deverá publicar os novos valores em até três dias úteis.
Fiscalização
O texto aprovado também altera regras de fiscalização, cadastro e penalidades no transporte de cargas. Empresas que

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pagarem frete abaixo do piso mínimo poderão ter o registro suspenso em caso de descumprimento reiterado (com mais de quatro infrações em seis meses). As multas para reincidentes poderão variar de R$ 100 mil a R$ 1 milhão e, em caso de nova reincidência, poderão ser aplicadas em dobro. Nos casos mais graves, o Registro Nacional de Transportadores Rodoviários de Cargas (RNTRC) poderá ser cancelado por até 24 meses.
A proposta mantém a obrigatoriedade do Código Identificador da Operação de Transporte (CIOT), estabelece prazo de até 30 dias úteis para pagamento do frete e prevê adiantamento mínimo de 70% para transportadores autônomos. O texto também determina a revalidação anual do RNTRC e permite que inscrição, atualização e manutenção do cadastro sejam feitas gratuitamente por plataforma digital do governo federal.

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A medida também altera as regras de fiscalização do peso dos veículos de carga. Para caminhões com peso bruto total regulamentar (definido pela regulamentação) de até 74 toneladas, a verificação deverá considerar inicialmente apenas o peso total do veículo. A medição por eixo será feita quando houver excesso acima da tolerância de 5% no peso bruto total ou em situações específicas definidas pelo Conselho Nacional de Trânsito (Contran). O limite de tolerância para o peso por eixo permanece em 12,5% acima do permitido.
Segundo o texto, a regra busca adequar a verificação às características das operações de transporte, preservando a segurança nas rodovias e a conservação do pavimento. A proposta também prevê inspeções periódicas dos registradores de velocidade e tempo, e permite o uso dos dados do tacógrafo como prova de infrações por excesso de velocidade.
Além disso, o texto transforma em advertência as infrações administrativas relacionadas ao excesso de peso por eixo cometidas até a publicação da lei resultante da proposta. A medida alcança processos em andamento, penalidades sem decisão definitiva e multas aplicadas que ainda não tenham sido pagas. Valores já quitados não serão devolvidos.
Outros pontos
Na área previdenciária, o transportador autônomo poderá optar por recolher diretamente sua contribuição ao

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Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), desde que formalize a escolha. Com a adesão ao modelo, o próprio profissional passa a ser responsável pelo recolhimento, sem alteração das demais obrigações previdenciárias das empresas contratantes.
A MP amplia os objetivos do Programa de Apoio ao Desenvolvimento do Transporte de Cargas Nacional (Procargas), que poderá apoiar iniciativas de renovação de caminhões e implementos rodoviários, capacitação de motoristas, adoção de tecnologias e ações de saúde e segurança. O texto também cria uma Política Nacional Permanente de Renovação da Frota, com prioridade para transportadores autônomos e cooperativas.
As novas regras terão período de transição. Sistemas, registros e autorizações atuais continuarão válidos até a regulamentação das mudanças, que deverá ser feita em até 180 dias. Empresas e transportadores terão prazo mínimo de 60 dias para adaptação às novas obrigações.



