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Regularização fundiária em Terra Roxa será exemplo para outros municípios paranaenses
Com auxílio da Fae´p, sindicato rural local mobilizou prefeitura e cartório para realizar procedimento-piloto buscando a ratificação de títulos em faixa de fronteira.

O Sindicato Rural de Terra Roxa, com auxílio da Faep, tem se mobilizado, a partir do diálogo com os órgãos competentes, para obter a regularização de imóveis rurais na faixa de fronteira da região. Futuramente, a ideia é que o procedimento sirva de exemplo a produtores rurais paranaenses que precisam da chamada ratificação de registro imobiliário de alienações e concessões de terras devolutas na faixa de fronteira. A Lei 13.178/2015 prevê a possibilidade de regularização da situação de agricultores com áreas localizadas até 150 quilômetros da divisa – caso de 139 municípios paranaenses.
Em Terra Roxa, a estimativa é que 750 propriedades na faixa de fronteira tenham pendências de regularização. Em geral, essas questões são da época da colonização da região, nos anos de 1950, quando o Paraná implantou assentamentos em áreas que deveriam ter sido conduzidas a nível federal. Desde 1999, a FAEP vem trabalhando sistematicamente pela regularização dessas áreas, inclusive com o trabalho para a aprovação da Lei de 2015.
Agora, a atuação da Faep e dos sindicatos rurais têm sido no sentido de garantir que a legislação vigente possa ser cumprida. Em tese, a ratificação pode ser feita diretamente no cartório de imóveis. Porém muitos agricultores têm tido dificuldades para obter certidões para demonstrar que os imóveis alvo da regularização não têm questionamentos na Justiça. “Esse fator não trazia segurança para os cartórios fazerem a ratificação. Sem contar que algumas declarações têm prazos de validade e, se vencerem, precisam ser reemitidas, com custos elevados e transtornos aos produtores”, revela o presidente da Faep, Ágide Meneguette.
Mobilização
Como parte dessa mobilização pela regularização fundiária, nos dias 16 e 17 de outubro, reuniões foram realizadas na superintendência regional do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) no Paraná e no Instituto de Terras, Cartografia e Geologia do Paraná (ITCG), ambas em Curitiba. Nos dois órgãos foram debatidas formas de avançar no processo de regularização e a criação de um método a ser seguido para replicar o modo da ratificação para agilizar os processos.
Estiveram entre os participantes das reuniões o presidente da Faep, Ágide Meneguette; o gerente do Departamento Jurídico da entidade, Klauss Dias Kuhnen; o deputado federal Sergio Souza; o diretor-executivo do Sindicato Rural de Terra Roxa, Osvair Mauro Frasson; o oficial de registro de imóveis em Terra Roxa, Marcelo Antônio Cavalli; o prefeito da cidade, Ivan Reis; e o vice-prefeito, Vagner Rodrigues. No Incra, o grupo foi recebido pelo superintendente Nilton Bezerra. No ITCG, o presidente da entidade, Amílcar Cavalcante Cabral, participou das conversas.

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Seara avança em energia limpa e alcança 75% dos produtores integrados com fontes renováveis
Adoção de painéis solares e biodigestores cresce mais de 1.200% em seis anos, reduz custos nas granjas, amplia automação e reforça a sustentabilidade na avicultura e na suinocultura em diferentes regiões do país.

A Seara, da JBS, alcançou uma marca relevante em sua estratégia de sustentabilidade: cerca de 75% dos seus produtores integrados de aves e suínos em todo o país já utilizam fontes limpas e renováveis de energia, como painéis solares e biodigestores, com apoio técnico da Companhia. Na produção de aves, mais de 73% das granjas integradas já operam com energia solar, distribuídas em dez estados brasileiros e no Distrito Federal. Bahia e Paraná lideram a adoção, com 82% das granjas, seguidas por Mato Grosso do Sul (81%) e Minas Gerais (77%).
Há seis anos, apenas cerca de 5,6% das propriedades utilizavam energia solar, o que representa um crescimento de aproximadamente 1.208% no período. Somente no último ano, essas unidades geraram 215,4 milhões de kWh de energia solar, volume suficiente para abastecer, por um ano, uma cidade com cerca de 94,4 mil habitantes. Além dos ganhos ambientais, a iniciativa traz benefícios econômicos diretos aos produtores. Com a redução do custo da energia elétrica, as automações tornam-se cada vez mais presentes nas granjas.
Nas propriedades, os painéis fotovoltaicos captam a radiação solar e a convertem em energia elétrica, utilizada diretamente nos aviários. A tecnologia reduz significativamente a dependência das concessionárias e garante energia mais competitiva para sistemas essenciais, como climatização dos galpões, automação, distribuição de ração, coleta de ovos e controle ambiental – fatores que impactam para o bem-estar animal, a produtividade e a qualidade do produto.
Na suinocultura, a Seara também avança na adoção de biodigestores como solução estratégica para geração de energia renovável, aliando eficiência produtiva, sustentabilidade ambiental e econômica. Cerca de 46% das propriedades integradas de suínos com potencial para a tecnologia já contam com biodigestores, resultado do incentivo contínuo e do acompanhamento técnico da Companhia. A região Centro-Oeste concentra a maior quantidade dessas granjas.
“A energia renovável, seja fotovoltaica ou por meio de biodigestores, é economicamente sustentável, reduz custos e amplia as margens de ganho das propriedades. Os produtores conseguem investir em tecnologias e automações, facilitando as rotinas, melhoram a qualidade de vida no campo e fortalecem a gestão das propriedades. Por isso, essas iniciativas no agro representam um dos conceitos mais completos de sustentabilidade, com impactos positivos ao meio ambiente, na governança e na comunidade, gerando benefícios concretos, aumentando a competitividade no campo, assegurando maior qualidade dos alimentos e reforçando o compromisso da Seara com uma produção cada vez mais responsável”, afirma Vamiré Luiz Sens Júnior, gerente-executivo de Agropecuária da Seara.
Nas granjas de suínos, os biodigestores funcionam como sistemas fechados de tratamento de dejetos, nos quais bactérias transformam a matéria orgânica em biogás e biofertilizante. O biogás, rico em metano, é utilizado na geração de energia elétrica, abastecendo a granja, sistemas de climatização e estruturas de apoio. O processo evita a liberação direta do metano na atmosfera e o converte em CO₂, reduzindo significativamente o impacto ambiental.
A energia gerada é fundamental para atender às demandas elétricas da suinocultura, especialmente em sistemas que exigem controle rigoroso de temperatura para garantir o bem-estar animal e a produtividade. Com os biodigestores, muitas propriedades alcançam autossuficiência energética, reduzindo drasticamente ou até zerando a conta de luz. Em média, a economia com energia elétrica chega a 62%, transformando um dos principais custos da atividade em vantagem competitiva.
No município de Seara (SC), o produtor integrado Rodrigo Bisollo produz cerca de 160 mil leitões por ano. Há 15 anos à frente da propriedade, os custos com energia elétrica chegavam a R$ 70 mil mensais, realidade que mudou com a adoção de biodigestores, permitindo zerar a conta de luz. “Conseguimos transformar o que antes era uma despesa em renda. Atualmente, a iniciativa agrega em torno de 3,5% no faturamento da propriedade”, afirma. A estrutura é complementada por um sistema de energia solar, que potencializa a geração própria e torna a granja autossuficiente em energia.
Além da geração de energia, o sistema permite o reaproveitamento do calor dos motores, utilizado no aquecimento de água para processos sanitários e atividades operacionais, ampliando a eficiência energética. O resíduo sólido remanescente é reaproveitado como biofertilizante, aplicado nas lavouras, fechando um ciclo sustentável de produção e reforçando práticas de economia circular no campo.
Além do suporte técnico para a implementação dos sistemas, a Seara mantém políticas e estratégias de reconhecimento de boas práticas, que estimula ações sustentáveis nas granjas integradas. A combinação entre tecnologia, eficiência produtiva e responsabilidade ambiental tem fortalecido o desenvolvimento no campo, contribuindo para a valorização da atividade rural, maior atratividade para as novas gerações e perspectivas de expansão da geração de energia limpa.
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Agro paulista fecha 2025 com superávit de US$ 23 bilhões
Setor respondeu por 40,5% das exportações do Estado de São Paulo no ano, mesmo em cenário de instabilidade internacional.

O agronegócio paulista manteve desempenho robusto no comércio exterior em 2025 e registrou superávit de US$ 23,09 bilhões, mesmo diante do impacto do tarifaço norte-americano no segundo semestre do ano. As exportações do setor somaram US$ 28,82 bilhões, enquanto as importações totalizaram US$ 5,73 bilhões. Os dados são de levantamento da Diretora de Pesquisa do Agronegócios (APTA), vinculada à Secretaria Estadual de Agricultura e Abastecimento de SP.
De janeiro a dezembro de 2025, o agronegócio respondeu por 40,5% do total exportado pelo Estado de São Paulo, reforçando sua relevância para a economia paulista. Já as importações do setor representaram apenas 6,6% do total estadual.
Segundo o diretor da APTA, Carlos Nabil Ghobril, os números refletem a força do agro paulista. “As exportações de 2025 registraram o segundo maior resultado de toda a série histórica. São números bastante expressivos, que geram desenvolvimento, empregos e fortalecem a economia do estado”, afirma.
Principais produtos exportados
O complexo sucroalcooleiro liderou a pauta exportadora do agro paulista em 2025, com 31% de participação e US$ 8,95 bilhões em vendas. Desse total, 93% correspondem ao açúcar e 7% ao etanol.

Setor de carnes respondeu por 15,4% das exportações – Foto: Shutterstock
Na sequência, o setor de carnes respondeu por 15,4% das exportações, com US$ 4,43 bilhões, tendo a carne bovina como principal item (85%). Os sucos representaram 10,4%, com US$ 2,98 bilhões, praticamente concentrados no suco de laranja (97,9%).
Os produtos florestais somaram US$ 2,97 bilhões (10,3%), com destaque para celulose (55,8%) e papel (35,5%). Já o complexo soja respondeu por 8% das exportações, com US$ 2,32 bilhões, puxado pela soja em grão (77,9%) e pelo farelo de soja (16,7%).
Esses cinco grupos concentraram, juntos, 75,1% das exportações do agronegócio paulista. O café aparece em seguida, com 6,3% de participação e US$ 1,82 bilhão, sendo majoritariamente café verde (77%) e café solúvel (19,3%).
Na comparação com 2024, houve crescimento nas exportações de café (+42,1%), carnes (+24,2%) e complexo soja (+2%). Já os grupos sucroalcooleiro (-28,4%), produtos florestais (-5,2%) e sucos (-0,7%) registraram retração, reflexo das oscilações de preços e volumes exportados.
Principais destinos
A China foi o principal destino das exportações do agro paulista em 2025, com 23,9% de participação, seguida pela União Europeia (14,4%) e pelos Estados Unidos (12,1%), este último com crescimento de 0,6% em relação a 2024.
O impacto do tarifaço norte-americano, iniciado em agosto, provocou queda nas exportações para os EUA ao longo do segundo semestre: 14,6% em agosto, 32,7% em setembro, 32,8% em outubro e 54,9% em novembro. Parte dessa redução foi compensada pela ampliação das vendas para mercados como China, México, Canadá, Argentina e União Europeia.
A retirada das tarifas sobre determinados produtos brasileiros foi anunciada em 20 de novembro, com a isenção de itens como café, frutas tropicais, sucos, cacau, banana, laranja, tomate e carne bovina. Para o pesquisador do Instituto de Economia Agrícola (IEA-APTA), José Alberto Ângelo, a expectativa é positiva: “Nos últimos três anos, as exportações para os Estados Unidos apresentaram crescimento consistente, o que reforça a perspectiva de retomada do fluxo comercial”, avalia.
Destaque nacional
No cenário nacional, o agronegócio paulista respondeu por 17% das exportações do setor no Brasil em 2025, ocupando a segunda posição no ranking nacional, atrás apenas de Mato Grosso (17,3%).
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Veto presidencial barra projeto que moderniza regras de regularização de imóveis em faixa de fronteira
Proposta aprovada na Câmara previa prazos e procedimentos mais claros para a ratificação de registros imobiliários, com impacto direto na segurança jurídica de produtores rurais em regiões fronteiriças.

O Projeto de Lei (PL) 4497/2024, de autoria do deputado federal Tião Medeiros, aprovado na Câmara dos Deputados em dezembro, foi vetado na íntegra pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O PL atualiza regras e procedimentos para a ratificação de registros imobiliários em faixa de fronteira e trata da exigência de georreferenciamento.
O Sistema Faep repudia o veto presidencial a proposta que corrige entraves antigos e dá previsibilidade a proprietários que, há décadas, enfrentavam incertezas sobre a titularidade de imóveis em regiões fronteiriças. A entidade está trabalhando, junto aos parlamentares, para que este seja derrubado no Congresso.
“Essa medida é fundamental para o setor agropecuário, pois termina com impedimentos históricos, além de modernizar etapas que geravam dúvidas e insegurança jurídica no meio rural”, destaca o presidente do Sistema Faep, Ágide Eduardo Meneguette. “Desde já, o Sistema Faep está trabalhando com nossas lideranças em Brasília para reverter essa situação, garantir a aprovação do Projeto de Lei e, consequentemente, dar segurança jurídica ao nosso produtor rural”, complementa.
Entre as principais mudanças do novo marco está a fixação do prazo de 15 anos para que os proprietários solicitem a averbação da ratificação. No caso de imóveis com mais de 2,5 mil hectares, a regularização dependerá de manifestação do Congresso Nacional, considerada tácita caso não haja deliberação em até dois anos.



