Notícias
Regulamentação é chave para avanço dos bioinsumos no Brasil
Especialistas defendem previsibilidade regulatória e integração entre pesquisa, setor produtivo e políticas públicas para consolidar o crescimento do mercado biológico no País.

O avanço da pesquisa e das tecnologias na área de bioinsumos tem o potencial de unir ciência, inovação e sustentabilidade para dar um novo impulso de qualidade, competitividade e produtividade no agro brasileiro. Entretanto, é fundamental nivelar o conhecimento entre todos os players e ter previsibilidade regulatória com regras estáveis, trazendo padrões de biossegurança. Essa foi uma das conclusões do 2º Fórum Bioinsumos no Agro, promovido pela Embrapa, Sistema Ocesp e Sociedade Rural Brasileira (SRB) na última terça-feira (09), no Auditório da Ocesp, em São Paulo.
A diretora de Bioinsumos da CropLife Brasil, Amália Borsari, avaliou que a regulamentação precisa ser baseada em fatos técnicos e científicos e que um dos grandes desafios do decreto será atender todos os setores, identificando um padrão comum. “Entretanto, é uma grande oportunidade, pois o futuro do biológico depende do momento em que estamos passando agora”, ponderou.
Para ela, a inovação precisa ter regras estáveis para que a indústria possa realizar seus investimentos com segurança.

Fotos: Freepik
Por sua vez, o presidente da Associação Brasileira das Indústrias de Tecnologia em Nutrição Vegetal (Abisolo), Roberto Levrero, afirmou que o setor está tendo a chance de fazer a lei, ou seja, de trazer suas análises para contribuir com uma regulamentação que traga previsibilidade, segurança jurídica, transparência e não crie obstáculos para a inovação para que que a indústria continue a crescer. Também lembrou que o Brasil não teria o atual nível de produtividade se não houvesse as tecnologias relacionadas aos insumos biológicos.
Nesse sentido, Lídia Cristina Jorge dos Santos, consultora Jurídica do Sindicato Nacional da Indústria de Produtos para Defesa Vegetal (Sindiveg), frisou durante a mesa redonda “Regulamentação – Questões relevantes e perspectivas sobre a Lei dos Bioinsumos”, moderada por Roberto Betancourt, vice-presidente eleito da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), que o marco regulatório dos Bioinsumos traz como benefícios a segurança jurídica, dissociação com a nomenclatura agrotóxico e a possibilidade de mudanças na legislação estadual. Em sua avaliação, é preciso se ter uma virada de chave, pois a lei tem vigência imediata e muitos dos dispositivos não precisam de regulamentação.
As questões de segurança e qualidade para quem vai utilizar a tecnologia ou vai consumir os alimentos produzidos com o uso da tecnologia foram mencionadas por Artur Soares, diretor de Assuntos Regulatórios da Associação Brasileira de Indústrias de Bioinsumos (Abinbio), que avaliou ser uma oportunidade para mostrar ao mercado a alta qualidade dos produtos biológicos.
Em relação aos produtores rurais, Eduardo Martins, presidente do Grupo Associado de Agricultura Sustentável (GAAS), mencionou que a produção on farm de bioinsumos nas propriedades rurais contribuiu para redução de custos de produção. “Atualmente, a forma de se produzir apresentou evolução, com sistemas de produção avançados, suporte das indústrias, por meio do fornecimento de equipamentos, assistência técnica e inóculos de qualidade”, explicou. Em sua análise, a lei é uma sinalização que garante direitos e aponta para o futuro, porque permite um esforço relevante de inovação para a agricultura brasileira.
Prioridades para o desenvolvimento sustentável
Durante o painel “Prioridades para o desenvolvimento sustentável”, moderado por João Adrien, vice-presidente da SRB, Rodrigo Mendes, pesquisador da Embrapa Meio Ambiente mencionou que a pesquisa básica pode de fato revolucionar e transformar a agricultura no contexto dos bioinsumos e que a próxima revolução para o agro pode ocorrer quando a pesquisa passar dos microrganismos isolados para os microbiomas. “Quando se fala em pesquisa e ciência, da quantidade de microrganismos no solo, somente é possível cultivar 1%. O que se usa para os bioinsumos é infinitamente menor”, detalhou, mostrando o potencial de pesquisas que podem ser feitas na área.
Entretanto, Mendes alertou que ao aumentar o leque de microbiomas, há a possiblidade de se chegar a uma formulação totalmente diferente ao que existe atualmente.
Guilherme Bastos, coordenador da FGVAgro, levantou o fato de não haver no Brasil dados consolidados formais sobre a sustentabilidade no setor, por estarem dispersos em diversas áreas. “Com isso, o país perde autonomia de como o mundo enxerga o agro nacional. Na ausência dos registros oficiais, é preciso trabalhar com as estimativas”, analisou.
Pensando no desenvolvimento do setor, Bastos disse que a riqueza biológica do país são as patentes, podendo, inclusive, ser exportador de bioinsumos. “A falta do setor público em poder organizar as informações leva a responsabilidade para o setor privado, que precisa fazer isso de forma coordenada e coletiva”, mencionou.
Felipe Itihara, gerente de Inovação Koppert Brasil refletiu se o uso de bioinsumos está mudando o paradigma produtivo do agro nacional, ao questionar se a adoção está sendo feita como um químico, o quanto o setor pode evoluir a partir de novas formulações e se o arcabouço de análise regulatória está sendo feita de maneira a atender esses futuros ativos. Também comentou sobre a necessidade de se ter linhas de financiamento, fomento e recuperação de crédito específicas para esse mercado e do esforço em conjunto para o crescimento sustentável do setor.
Cooperativismo, marketing e gestão
Francisco Matturro, presidente executivo da Rede ILPF e diretor da Abag, moderou o painel “Modelos de Negócios, Gestão e Marketing”, que contou com a participação de Matheus Kfouri Marino, presidente do Conselho de Administração da Coopercitrus, que falou que a sustentabilidade só se faz com tecnologia, demandando uma equipe técnica para atender os produtores rurais no campo. Os bioinsumos crescem acima dos 30% na cooperativa, mas representam 3% dos negócios do relacionado aos insumos, o que salienta, segundo Marino, o potencial de crescimento desse setor.
Para o jornalista José Luiz Tejon e Camila Macedo Soares, sócia-diretora da Biomarketing, é necessária uma estratégia de ativação de marketing para levar conhecimento sobre o que o agro tem feito para as pessoas da zona urbana e os próprios agricultores. Segundo eles, o marketing rural é formado pelo tripé ciência, coração e propósito. “Precisamos trazer os dois últimos atributos para transformar a comunicação do agro”, enfatizaram.
Competitividade do Brasil
O secretário da Agricultura e Abastecimento de São Paulo, Guilherme Piai, destacou que São Paulo tem buscado avançar com a agenda de sustentabilidade, com os bioinsumos como parte estratégica para o agro paulista. Enquanto Betancourt salientou a importância dos bioinsumos para propiciar benefícios ao produtor rural, mas também ao empreendedorismo, pois tem o potencial de fomentar a criação de novas empresas, gerar empregos, melhorar a produtividade e as questões social, ambiental e econômica. “Os bioinsumos farão a diferença e são fundamentais para a competitividade do Brasil”, pontuou.
A importância de se ter locais de discussão como o 2º Fórum Bioinsumos no Agro para que se possa tratar não apenas do tripé da sustentabilidade, mas também o tripé ciência, setor produtivo e necessidades/demandas foi ressaltado por Paula Packer, chefe geral da Embapa Meio Ambiente, que comentou ainda que pesquisas com bioinsumos levam entre cinco a 10 anos para chegar ao setor produtivo.
“Os insumos biológicos representam uma avenida de transformação na maneira como se produz”, avaliou João Adrien, vice-presidente da SRB, que lembrou que esse setor está inserido em uma agenda multiestratégia, pois pode contribuir para diminuir a dependência na importação de químicos, que expõe o produtor à questão cambial. Para ele, os bioinsumos podem ser um ponto de transformação neste século, pois o Brasil possui uma grande biodiversidade, o que significa ter inúmeros insumos para desenvolver novas tecnologias na área.
O presidente da Ocesp, Edivaldo Del Grande, comentou sobre a importância de o Fórum tratar de um tema importante para as cooperativas, que ajuda a desenhar e planejar o futuro do setor, ajustando-o ainda mais para as questões da sustentabilidade.
Histórico da agricultura tropical brasileira

Foto: Divulgação/Arquivo OPR
Em relação à COP30, Roberto Rodrigues, professor Emérito da Fundação Getúlio Vargas e Envoy do Agro Brasileiro na COP 30, disse que está em elaboração um documento que traz um histórico da agricultura tropical brasileira, enfatizando a importância da ciência e da tecnologia para se ter sustentabilidade. “Além de apresentar o que foi feito no país, o material poderá ser ofertado ao mundo, pontuando o país como oferecedor de tecnologias para a agricultura tropical, mas também em outras questões relacionadas, como políticas públicas, crédito, cooperativismo, logística, entre outros. Um desejo de Rodrigues é que para a COP30 haja apenas um texto para o agro brasileiro”, salientou.
Papel do Estado
O secretário em exercício da Agricultura e Abastecimento de São Paulo, Alberto Amorim, destacou que o papel do Estado é induzir e habilitar tudo aquilo que já está cientificamente comprovado como sustentável e inovador, fundamentado em conhecimento e pesquisa. “Trabalhamos para que essas práticas possam ser aplicadas por meio dos nossos institutos, das universidades paulistas, grandes parceiras, e também de parceiros internacionais, todos apoiados pelas ações da Secretaria. É a partir dessa gestão integrada e influente que conseguimos transformar conhecimento em resultados concretos para o agronegócio”, enfatizou.

Notícias
Agroshow Copagril 2026 abre calendário agropecuário do Paraná com foco em inovação
Feira reúne 200 expositores e promete impulsionar negócios, tecnologia e atualização técnica na região Oeste.

Notícias
Milho sobe no exterior e trava no Brasil com câmbio e estoques elevados
Enquanto os preços internacionais avançam, o mercado interno brasileiro segue contido devido à valorização do real, estoques elevados e ritmo lento de comercialização.

O mercado do milho atravessa um momento de contrastes entre o otimismo internacional e a cautela doméstica. Enquanto as cotações na Bolsa de Chicago (CBOT) reagiram com força em setembro, impulsionadas por temores climáticos e demanda aquecida nos Estados Unidos, o Brasil observa movimentos mais contidos, em meio à valorização do real e à lentidão na comercialização da safra.
De acordo com a Consultoria Agro do Itaú BBA, o preço do milho em Chicago subiu 7% em setembro em relação a agosto, alcançando US$ 4,12 por bushel. “O avanço reflete o impacto do clima seco e quente registrado em agosto, que elevou o risco de quebra de produtividade nas lavouras americanas. A preocupação se confirmou com o avanço da colheita, ainda que de forma limitada, reforçando o movimento altista”, ressalta os analistas do Itaú BBA.

Foto: Divulgação/Arquivo OPR
Além do fator climático, a demanda doméstica por milho nos Estados Unidos, especialmente para produção de etanol, se manteve firme, contribuindo para sustentar os preços. A demanda externa também segue consistente, dando suporte adicional às cotações internacionais.
No Brasil, os preços acompanharam o movimento de alta observado no exterior. Em Campinas (SP), o milho subiu 1,5%, cotado a R$ 64,80 por saca. Já em Sorriso (MT), o avanço foi de 4%, chegando a R$ 46,50 por saca. Mesmo com o ganho, o mercado interno permanece cauteloso. “Os produtores ainda seguram a venda, com apenas 55% da safra 2024/25 comercializada até o momento, abaixo da média de 60% dos últimos cinco anos”, destaca a Consultoria Agro do Itaú BBA.
Plantio avança no Brasil
Enquanto os preços tentam encontrar sustentação, o plantio da primeira safra de milho avança de forma positiva no Sul do país. De acordo com a Conab, mais de 30% da área projetada já foi semeada, com destaque para Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul. As condições climáticas têm favorecido o desenvolvimento das lavouras, um alento para os produtores da região.
Safra norte-americana
Nos Estados Unidos, o quadro é de relativa estabilidade após semanas de incerteza. O USDA divulgou, no fim de setembro, os estoques trimestrais de milho em 38,9 milhões de toneladas, acima da expectativa do mercado, que era de 33,9 milhões de toneladas. Embora o volume seja menor que o registrado no mesmo mês do ano anterior (44,8 milhões de toneladas), o número divulgado ficou acima do estimado no relatório WASDE de setembro, o que indica possível revisão para cima do balanço de oferta e demanda da safra americana.

O USDA elevou a estimativa de produção de milho nos Estados Unidos de 425,3 para 427,1 milhões de toneladas e revisou para cima as exportações, agora projetadas em 75,6 milhões de toneladas. Os estoques finais foram calculados em 53,6 milhões de toneladas, um salto de 59,2% em relação à safra 2024/25, o que reforça o cenário de ampla oferta global.
Apesar de relatos pontuais de produtividade abaixo do esperado, a safra americana ainda é considerada recorde, o que, segundo a Consultoria Agro do Itaú BBA, traz conforto ao balanço global de oferta e demanda e reduz o potencial de novas altas de preços.
Comercialização segue baixa
No Brasil, a comercialização segue abaixo da média histórica, em um cenário de armazéns ainda cheios e produtores atentos às oscilações do câmbio. “Outubro tende a ser um mês de maior movimentação, já que o milho é o principal produto armazenado atualmente. Os armazéns precisam estar livres até janeiro para receber a nova safra de soja”, explica a consultoria.
Valorização do real
Outro fator que pode pressionar as cotações internas é a valorização do real, que reduz a competitividade do grão brasileiro no mercado internacional. Apesar de os embarques de setembro terem sido considerados bons, o preço de paridade permanece abaixo do mercado interno, o que limita o potencial de novas altas.

Foto: Gilson Abreu/AEN
Mesmo com o bom desempenho das exportações, que podem chegar a 42 milhões de toneladas embarcadas em 2025, o Brasil deve encerrar o ano com estoques de passagem confortáveis, segundo o Itaú BBA. “Isso deve reduzir o risco de desabastecimento e equilibrar o mercado no início do próximo ciclo”, projeta a consultoria.
A combinação entre oferta global elevada, câmbio desfavorável e ritmo lento de vendas tende a manter o mercado brasileiro de milho sob um tom de moderação nas próximas semanas. Para os analistas do Itaú BBA, o comportamento dos preços deve seguir atrelado ao cenário internacional, especialmente à definição da safra americana e à dinâmica cambial. “O mercado global de milho entrou em um momento de transição, em que há suporte de curto prazo por fatores climáticos e de demanda, mas a tendência estrutural ainda é de equilíbrio, com estoques globais elevados”, ressalta a Consultoria Agro do Itaú BBA.
A versão digital já está disponível no site de O Presente Rural, com acesso gratuito para leitura completa, clique aqui.
Notícias
China assume liderança nas exportações de fertilizantes ao Brasil
Mudança no perfil das importações pressiona a cadeia produtiva e reforça a necessidade de diversificação de fornecedores.

A China ultrapassou a Rússia e se tornou, em 2025, a principal fornecedora de fertilizantes ao Brasil, reforçando a dependência do agronegócio nacional das políticas de exportação chinesas e ampliando a preocupação com custos logísticos em alta. A mudança ocorre em um momento de maior volatilidade no mercado global e tende a influenciar diretamente o planejamento de compra dos produtores rurais.

Foto: Divulgação/Arquivo OPR
De janeiro a outubro, o Brasil importou 38,3 milhões de toneladas de fertilizantes, volume superior às 36,7 milhões de toneladas registradas no mesmo período de 2024, segundo dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC). O avanço foi impulsionado sobretudo pela China, que embarcou 9,76 milhões de toneladas ao país, cerca de 25% de todo o fertilizante importado no ano.
O crescimento é expressivo em relação ao ano anterior, quando os chineses forneceram 6,6 milhões de toneladas, o equivalente a 18% do total. Com isso, o país asiático ganhou espaço antes ocupado pela Rússia, tradicional líder no mercado brasileiro.
A ampliação da presença chinesa traz implicações estratégicas ao Brasil. Como o abastecimento passa a depender mais das diretrizes comerciais definidas por Pequim, o produtor rural fica mais vulnerável a eventual mudanças nas regras de exportação, limitações sazonais ou readequações internas do mercado chinês. Além disso, a distância geográfica amplia custos logísticos e pode pressionar o preço final do insumo no país.
O cenário reforça a necessidade de planejamento mais cauteloso por parte dos agricultores e reacende o debate sobre diversificação de fornecedores e estímulo à produção nacional de fertilizantes, especialmente em um momento em que o consumo interno segue elevado e fundamental para sustentar a competitividade do agronegócio brasileiro.




Ao todo, cerca de 200 expositores estarão presentes, apresentando soluções em máquinas e implementos agrícolas, genética, biotecnologia, sementes, agroquímicos, energia solar, veículos e crédito de carbono. A área pecuária também ganha destaque, com tecnologias para suinocultura, avicultura, piscicultura e bovinocultura, além da presença de instituições financeiras e empresas de serviços.