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Regime de chuvas muda forma de manejo das lavouras

Tecnologia de aplicação precisa ser regulada para produtor cobrir mais área em menos tempo; precipitação acima da média estimula problemas fitossanitários

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Em se plantando, tudo dá! O ditado popular para resumir a fertilidade das terras brasileiras bate de frente com um tema cada vez mais fundamental para o sucesso das lavouras em todo o país: o manejo. Sem um sistema preciso de aplicação de agroquímicos, o produtor rural pode hoje ver sua plantação – e seu lucro – sucumbir a doenças cada vez mais vorazes, como a ferrugem. Apesar disso, ainda tem muito agricultor que é descuidado na hora de fazer o manejo do cultivo, especialmente em períodos chuvosos, quando a forma de aplicação muda em relação a períodos mais secos. Os implementos agrícolas precisam ser ajustados para serem mais eficientes, já que a janela de aplicação é menor. Além disso, mais precipitação pode significar maior propensão a doenças, tanto na soja quanto no milho, o que obriga o agricultor a ficar ainda mais atento às condições da lavoura.

O El Niño, que vigora nas regiões Sul e Centro-Oeste do país desde novembro, causou prejuízos também porque os produtores não conseguiram fazer as aplicações no momento certo, o que ocasionou o aparecimento de doenças, como a ferrugem, espalhada por todas as regiões do Paraná.

Gustavo Bastos Alves, engenheiro agrônomo da Basf, explica que a falta dos fungicidas, por exemplo, pode comprometer a produtividade em poucos dias e que o tratamento curativo não satisfaz. “Tivemos um excesso de chuva e um período chuvoso muito extenso. Isso impossibilitou, em vários locais do país, fazer a aplicação conforme as necessidades, o que chamamos de time correto. As doenças têm ciclo que fecham dentro do cultivo. Se você teria, por exemplo, que fazer uma aplicação de fungicida com 15 dias e acabou aplicando com 25, 30 dias, o fungicida não segura mais (o aparecimento da doença), independente do produto e da empresa. Isso porque todos devem ser aplicados de forma preventiva. Depois, para remediar, não vai haver o controle espetacular que o agricultor está esperando”, comenta. “Cada vez mais, o produtor vai precisar ser coerente e racional com o manejo. O nível de complexidade vai aumentar”, avalia.

Além disso, explica o engenheiro, a própria característica do tempo auxilia o aparecimento de doenças. “Umidade alta e pouco sol atrapalham a taxa fotossintética da planta, deixa a folha mais sensível, o metabolismo fica vulnerável ao ataque de doenças”, acrescenta.

Máquinas Reguladas

Walter Wagner Mosquini, especialista em agroquímicos e fertilizantes da Jacto, explica que, com a intensificação do período de chuvas, quando mais área o produtor cobrir em menos tempo, melhor. “Com as chuvas o produtor precisa cobrir a área em menor tempo. Isso porque a janela de aplicação é curta e ela é intensificada com a chegada da chuva. Podem aparecer mais problemas fitossanitários, como doenças fúngicas e bactérias”, comenta. Para otimizar o serviço, os implementos precisam ser ajustados. “Tem que ajustar a melhor técnica de aplicação, com melhor bico, melhor tamanho de gota, pressão adequada, para ele fazer a aplicação no momento ideal, com maior rendimento operacional possível. Com chuva, o agricultor precisa aplicação mais constante e o mais rápido possível”, argumenta.

Além disso, ele destaca a importância de uma logística de abastecimento do maquinário para não perder tempo, já que as chuvas são praticamente diárias com o El Niño prevalecendo. “O produtor tem que criar uma logística de abastecimento da máquina para que não fique muito tempo parada. Não adianta comprar um equipamento de alto rendimento e perder muito tempo abastecendo”, argumenta, ampliando: “se o produtor não adequar o manejo ao período chuvoso, com certeza vai ter um controle inadequado das doenças e, por consequência, perda de produtividade”.

Cuidados Especiais

O consultor de Desenvolvimento de Mercado da Bayer, Andre Angonese, vai além, garantindo que períodos de muita seca também exigem cuidados especiais. “Tem que ter grande cuidado com fenômenos climáticos, seja com o El Niño, que traz excesso de chuvas, e também com La Niña, que é de tempo seco. Aplicações corretas para cada tempo característico, na opinião de Angonese, “podem prevenir ocorrências de fungos que podem prejudicar a produtividade”. “É preciso começar a proteger a planta (no caso da soja) quando tem de cinco a sete trifólios, que são praticamente a metade de folhas que a planta vai ter no ciclo. A primeira aplicação vai ditar o grande sucesso da lavoura, mas como a chuva contribui para o desenvolvimento de fungos é preciso estar atento ao intervalo entre as aplicações, que pode ser menor”, sugere.

 

Mais informações você encontra na edição de Bovinos, Grãos de Máquinas de março/abril de 2016 ou online.

Fonte: O Presente Rural

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Pecuária brasileira investe em rastreabilidade e práticas sustentáveis para modernizar o setor

Programa da Mesa Brasileira da Pecuária Sustentável orienta produtores sobre recuperação de pastagens, formalização e monitoramento da cadeia para aumentar eficiência e atender exigências ambientais e comerciais.

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Foto: Divulgação

Pressionada por novas exigências ambientais, regras comerciais mais rigorosas e pela necessidade de ampliar a produção sem expandir área, e ao mesmo tempo impulsionada pelos avanços produtivos que vêm transformando o setor, a pecuária brasileira atravessa um momento decisivo. Ao mesmo tempo em que enfrenta questionamentos sobre emissões e desmatamento, o setor reúne condições técnicas e práticas sustentáveis para liderar uma transição baseada em tecnologia, eficiência, recuperação de áreas já abertas e maior integração dos produtores à cadeia formal.

Nesse cenário, a Mesa Brasileira da Pecuária Sustentável tem reforçado sua atuação como articuladora de propostas estruturantes e como referência técnica para o debate público. A entidade sustenta que a competitividade da carne brasileira dependerá da capacidade de transformar o momento atual em ativos estratégicos.

Presidente da Mesa Brasileira da Pecuária Sustentável, Ana Doralina Menezes: “O Brasil tem a oportunidade de demonstrar que é possível produzir mais utilizando melhor o que já existe” – Foto: Clever Freitas

Um dos pilares dessa agenda é a recuperação de pastagens degradadas, apontada como eixo central do Caminho Verde, política pública defendida pela instituição para impulsionar a intensificação sustentável da atividade. A estratégia parte de um diagnóstico claro: “o Brasil possui um volume importante de áreas consideradas de baixa produtividade. Requalificá-las, por meio de manejo adequado, melhoria do solo, tecnologias e integração de sistemas, permite elevar a produção por hectare, reduzir emissões relativas e otimizar a produção”, explica a presidente, Ana Doralina Menezes.

De acordo com a profissional, o programa representa uma solução pragmática e alinhada às demandas globais. “O Brasil tem a oportunidade de demonstrar que é possível produzir mais utilizando melhor o que já existe. Recuperar pastagens é aumentar eficiência, melhorar renda no campo e responder de forma concreta aos compromissos climáticos”, afirma.

A transformação, porém, não se limita à dimensão produtiva. Parte relevante do desafio está na reinserção de pecuaristas na cadeia formal. A informalidade restringe acesso a crédito, assistência técnica, mercados que exigem comprovação socioambiental, além de fragilizar a imagem do setor como um todo, por isso é imprescindível que o pecuarista esteja alinhado e de acordo com o Código Florestal vigente.

Foto: Breno Lobato

Para o vice-presidente da Mesa Brasileira da Pecuária Sustentável, Lisandro Inakake de Souza, a inclusão é condição para que a transição seja efetiva. “Quando o produtor está regularizado, ele tem acesso a financiamento, pode investir em tecnologia e atender às exigências de mercado. A formalização precisa ser vista como instrumento de fortalecimento econômico e não apenas como obrigação”, destaca.

A ampliação da rastreabilidade também integra esse movimento, uma vez que ela se apresenta como infraestrutura que conecta sanidade, ambiente e gestão. Em relação ao mercado, com compradores cada vez mais atentos à origem e à conformidade ambiental, sistemas consistentes de monitoramento tornam-se fator determinante para manutenção e novas aberturas. Por isso, como reforça a Mesa, transparência é elemento estruturante da competitividade. “Rastreabilidade é credibilidade. Ela protege quem produz corretamente e permite que o Brasil apresente dados sólidos sobre sua cadeia”, frisa Lisandro.

Ao articular recuperação de pastagens no âmbito do Caminho Verde, inclusão produtiva e avanço da rastreabilidade, a instituição busca incentivar o setor de forma propositiva diante das transformações regulatórias e comerciais em curso. “Mais do que reagir a pressões externas, a estratégia é demonstrar que produtividade, responsabilidade socioambiental e inserção competitiva podem avançar de forma integrada, incentivando o produtor a atuar como centro da solução”, complementa Ana Doralina.

Uma agenda conectada ao campo

Lisandro Inakake de Souza, vice-presidente da Mesa Brasileira da Pecuária Sustentável: “Quando o produtor está regularizado, ele tem acesso a financiamento, pode investir em tecnologia e atender às exigências de mercado”  – Foto: Mesa Brasileira de Pecuária Sustentável

Para apoiar o pecuarista nos temas estratégicos que vêm moldando o futuro da atividade, a Mesa Brasileira da Pecuária Sustentável iniciou 2026 com uma programação propositiva de webinars voltados à qualificação e à disseminação de informação técnica.

No dia 29, foi realizado o segundo encontro dedicado à reinserção de produtores na cadeia formal. Em 26 de fevereiro, o foco esteve na rastreabilidade, aprofundando desafios e caminhos para ampliar transparência e conformidade. Um terceiro webinar sobre reinserção está previsto para maio, dando continuidade às discussões.

Todos os conteúdos já disponibilizados podem ser acessados no canal oficial da instituição no YouTube, ampliando o alcance das orientações e fortalecendo o diálogo com produtores, técnicos e demais elos da cadeia.

“Nosso compromisso é transformar temas complexos em orientação prática para quem está no campo. Quando promovemos debates sobre recuperação de pastagens, reinserção na cadeia formal e rastreabilidade, estamos oferecendo instrumentos concretos para que o produtor tome decisões mais seguras, amplie sua competitividade e participe de forma ativa dessa nova etapa da pecuária brasileira”, finaliza a presidente.

Fonte: Assessoria Mesa Brasileira de Pecuária Sustentável
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Sistema Faep assume coordenação da Aliança Láctea Sul Brasileira no biênio 2026/27

Fórum reúne entidades e produtores para discutir estratégias de competitividade e desenvolvimento da cadeia do leite.

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Foto: Isabele Kleim/Divulgação

O Sistema Faep está à frente da coordenação geral da Aliança Láctea Sul Brasileira para o biênio 2026/27. O comando é rotativo entre os Estados participantes e, neste novo ciclo, ficará sob responsabilidade do Paraná, representado pelo Sistema Faep. Mais recentemente, o Mato Grosso do Sul passou a integrar a iniciativa, ampliando a articulação regional em torno do fortalecimento da produção e da competitividade do leite brasileiro.

Ronei Volpi, coordenador geral da Aliança Láctea, em sua propriedade – Foto: Divulgação/Sistema Faep

“A Aliança contribui para a integração entre os Estados e a construção de estratégias conjuntas voltadas à cadeia do leite. O Sistema Faep seguirá trabalhando ao lado das entidades do setor para avançar em pautas que ampliem a competitividade e as oportunidades para a produção”, afirma o presidente do Sistema Faep, Ágide Eduardo Meneguette.

Criada em 2014, a Aliança Láctea Sul Brasileira é um fórum público-privado que reúne representantes do setor produtivo e de instituições dos estados da região Sul. O grupo discute ações voltadas à cadeia leiteira e busca alinhar iniciativas nas áreas de produção, indústria e comercialização de leite e derivados, com foco nos mercados interno e externo. No ciclo 2026/27, a coordenação será exercida pelo consultor do Sistema Faep, Ronei Volpi, produtor rural com atuação há décadas na cadeia leiteira e participação em discussões voltadas ao desenvolvimento do setor.

A agenda de trabalho da Aliança para 2026 começou recentemente. No início de março, o Sistema Faep foi anfitrião da primeira reunião do ano, quando foram apresentados o Plano de Incentivo à Exportação de Lácteos e o plano de trabalho voltado à sanidade na cadeia leiteira, iniciativas que buscam fortalecer a competitividade do setor e ampliar oportunidades de mercado para os produtores da região.

Fonte: Assessoria Sistema Faep
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Demanda externa impulsiona exportações brasileiras de carne bovina

Volume embarcado supera 267 mil toneladas em fevereiro, com crescimento expressivo em mercados como Rússia, México e Chile.

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Fotos: Shutterstock

As exportações brasileiras de carne bovina totalizaram 267.319 mil toneladas em fevereiro de 2026, com receita de US$ 1,44 bilhão, segundo dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex) compilados pela Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (ABIEC).

Na comparação com fevereiro de 2025, o resultado representa crescimento de 21,6% no volume embarcado e de 38,2% na receita, refletindo a ampliação da demanda internacional pela proteína brasileira. O desempenho também supera levemente o registrado em janeiro de 2026, quando as exportações somaram US$ 1,404 bilhão e 264 mil toneladas, consolidando o melhor resultado já registrado para um mês de fevereiro na série histórica.

No acumulado de janeiro e fevereiro de 2026, as exportações brasileiras de carne bovina alcançaram 531.298 toneladas, com receita de US$ 2,84 bilhões, avanço de 23,8% em volume e 39,2% em valor em relação ao mesmo período do ano passado.

A carne bovina in natura segue como principal produto exportado, com 235.890 toneladas embarcadas em fevereiro, o equivalente a 88,2% do volume total exportado e 92,2% da receita obtida no mês.

Entre os destinos, a China permanece como principal mercado, com 106.702 toneladas importadas em fevereiro, seguida pelos Estados Unidos, com 39.440 toneladas, além de Rússia (15.762 t), Chile (13.857 t) e União Europeia (9.084 t) entre os principais compradores da carne bovina brasileira.

Foto: Divulgação/Porto de Santos

Entre os mercados relevantes, Rússia, México e Chile apresentaram crescimento expressivo nas compras em relação ao mês anterior, com altas de 111,6%, 132% e 37,6%, respectivamente, enquanto as exportações para a União Europeia avançaram 21,2% no período.

Para o presidente da ABIEC, Roberto Perosa, os números reforçam a presença da carne bovina brasileira no comércio internacional. “O Brasil segue ampliando sua presença nos mercados internacionais com regularidade de oferta, qualidade do produto e diversificação de destinos, fatores que sustentam o crescimento das exportações de carne bovina”, conclui.

Fonte: Assessoria ABIEC
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