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Recorde de cargas nos portos expõem gargalo de armazenagem no Brasil

Com alta de 6,1% em 2025 e novos investimentos previstos, operadores relatam limite de capacidade e buscam soluções rápidas para sustentar fluxo de cargas.

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Foto: Claudio Neves

O sistema portuário brasileiro encerrou 2025 com movimentação recorde de 1,4 bilhão de toneladas, crescimento de 6,1% em relação ao ano anterior, segundo dados da Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq). A expansão reforça o papel dos portos na logística nacional, mas também evidencia limitações estruturais, especialmente na capacidade de armazenagem.

A tendência de crescimento deve se manter. Para 2026, o Novo PAC prevê mais de R$ 47 bilhões em investimentos no setor, com ao menos 21 projetos em andamento. Entre eles está a ampliação do terminal de contêineres de Santos, que deve passar de 6 para 9 milhões de TEUs por ano.

Apesar dos investimentos previstos, o avanço da movimentação já pressiona toda a cadeia logística. Transportadoras, operadores e armazéns instalados em áreas portuárias enfrentam dificuldades para acomodar o volume crescente de cargas.

A limitação não está apenas nos portos, mas na estrutura de apoio. “Operadores, transportadoras e armazéns gerais estão no limite da capacidade, e isso gera uma demanda crescente por alternativas de ampliação”, afirma Sergio Gallucci, que atua em empresa do setor.

A restrição impacta diretamente a eficiência das operações, especialmente em períodos de pico de exportação, quando a falta de espaço compromete o fluxo de mercadorias e eleva custos logísticos.

Alternativas ganham espaço diante da pressão por agilidade

Foto: Divulgação

Diante desse cenário, soluções com implantação mais rápida têm sido adotadas para ampliar a capacidade operacional. Estruturas modulares, instaladas diretamente nas áreas de operação, permitem expandir o espaço disponível sem a necessidade de obras permanentes. “Uma parcela relevante dessas estruturas já está em portos e áreas retroportuárias, justamente onde a demanda por agilidade e flexibilidade é maior”, ressalta Gallucci.

A adoção dessas alternativas indica uma tentativa do setor de responder ao aumento da movimentação sem depender exclusivamente de obras de maior porte, que exigem mais tempo e investimento.

Com a expectativa de novos projetos e aumento contínuo do fluxo de cargas, a capacidade de armazenagem tende a seguir como um dos principais pontos de atenção na logística portuária brasileira.

Fonte: O Presente Rural

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Seca deve afetar milho safrinha e pastagens nos próximos meses

Previsão do Inmet indica redução das chuvas nas regiões centrais do país e alerta para déficit hídrico em importantes áreas produtoras.

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Foto: Aires Mariga

O trimestre Julho-Agosto-Setembro aprofundará a tendência de seca nas regiões centrais do país, com impactos sobre a segunda safra do milho e a renovação das pastagens, segundo o Boletim Agroclimatológico do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet). Também é esperada a continuidade das chuvas fortes no centro e norte da Regiões Norte e Região Sul e no litoral do Nordeste, áreas com expressivos acumulados de chuva e boa reserva hídrica nos solos.

Foto: Claudio Neves/Portos do Paraná

Segundo o boletim deste mês, que analisa as condições climáticas no território nacional e dos fenômenos que interferem no clima do país, como o El Niño (aquecimento das águas na região equatorial do Oceano Pacífico), e as variações de temperatura no Atlântico, impactando as principais culturas, como o milho, feijão e algodão, de acordo com a região analisada. A recuperação das pastagens também foi avaliada pelo levantamento do Inmet.

Conforme previsão do Instituto, os próximos meses serão de predominância de precipitação abaixo da média climatológica em grande parte da Região Norte. É esperado, em áreas do norte do Amazonas, desvio de até 100 milímetros (mm) abaixo da média climatológica.

Em relação à temperatura, são previstos valores acima da média climatológica para a maior parte da região, com anomalias de até 2 graus Celsius (°C) nos estados do Amazonas, Acre, Pará, de Roraima, do Tocantins e o norte de Rondônia. Essa condição favorece cenários de baixa dos rios e maior fragilidade dos ambientes para incêndios e queimadas, embora a região tenha tido uma boa distribuição de água em parte considerável dos territórios. “Mesmo com a previsão de precipitação abaixo da média e temperaturas mais elevadas, os elevados níveis de armazenamento de água no solo nessas áreas tendem a favorecer as lavouras de milho segunda safra e sorgo em fase de maturação e colheita entre julho e agosto, contribuindo para a redução da umidade dos grãos, ampliação das janelas operacionais de colheita e a preservação da qualidade do produto colhido”, aponta o relatório.

É esperado também impacto nas lavouras tardias de milho e nas pastagens, em setembro, especialmente no Tocantins, Amapá e sudeste do Pará, onde o déficit hídrico pode chegar a 130 mm.

Chuvas irregulares

No mês de junho, de acordo com o Inmet, houve uma distribuição irregular de chuvas, concentradas nas áreas já descritas (norte da Região Norte, na faixa litorânea da Região Nordeste e em parte da Região Sul), com totais mensais acima de 150 mm e manutenção de níveis de armazenamento de água no solo acima de 70% da capacidade de água disponível (CAD).

Foto: Fernando Dias/Seapi

Essas condições favorecem culturas que estão em momento de consumo de água, com o momento de crescimento dos grãos de milho (segunda safra) e feijão.

A maior parte de Mato Grosso, Goiás, do Distrito Federal, Tocantins, norte de Minas Gerais, Espírito Santo, interior da Região Nordeste, sul do Pará e de Rondônia, por sua vez, registraram acumulados mensais inferiores a 40 mm e menores níveis de armazenamento de água no solo.

Estas áreas, assim como o sudeste do Pará, têm níveis de armazenamento de água no solo abaixo de 15% da CAD, o que deve se agravar nos próximos meses. Essa condição também dificulta o crescimento de pastagens, o que terá impactos no curto e médio prazo para os rebanhos.

No centro-oeste a condição de umidade relativa do ar mais fraca favorece a cultura de algodão, em fase de maturação, principalmente em Goiás, mas aprofunda o risco de perda de produtividade na segunda safra do milho, impactando custos de proteína animal no segundo semestre.

Região Sul

Foto: Divulgação/Pixabay

No Sul, as condições foram favoráveis para o desenvolvimento das lavouras de milho no Paraná, que teve acumulados expressivos de chuvas.

“De modo geral, as lavouras de inverno apresentam bom desenvolvimento. Entretanto, a persistência de chuvas frequentes, associada à menor disponibilidade de radiação solar, favorece a ocorrência de doenças fúngicas”, alerta o Inmet. “Exigindo maior atenção dos produtores, principalmente em lavouras em estádios fenológicos mais avançados, nas quais o impacto sobre a produtividade pode ser mais significativo”, acrescenta.

Nordeste

Segundo a previsão a temperatura deverá permanecer acima da média histórica em toda a Região Nordeste, com anomalias variando entre 0,5 °C a 1,0 °C em grande parte das áreas. Os maiores desvios são previstos para o Maranhão, o extremo oeste da Bahia e o sudoeste e centro-norte do Piauí, podendo atingir até 2°C acima da média climatológica.

Foto: Antonio Carlos Mafalda

A faixa litorânea não deve ter impactos relevantes de seca, com a atuação de sistemas meteorológicos como os Distúrbios Ondulatórios de Leste (DOLs), que trazem umidade do oceano.

Em agosto, o déficit será intensificado e vai se expandir para o extremo oeste da Bahia e para áreas do interior da Paraíba e de Pernambuco. Em setembro, a previsão indica déficits superiores a 100 mm em grande parte do interior da região. “Esse cenário exige maior atenção às lavouras de milho e feijão terceiras safras, conduzidas em sistema de sequeiro, principalmente aquelas que se encontrarem em estádios reprodutivos ou de enchimento de grãos”, diz o estudo.

“Nessas condições, o aumento da demanda evapotranspirativa poderá comprometer a floração, a formação de vagens e o enchimento de grãos, com risco de redução do potencial produtivo, especialmente no semiárido oriental e em áreas do eixo Sealba (Sergipe, Alagoas e leste da Bahia)”, explica.

As lavouras de algodão, por sua vez, terão ganhos de qualidade, o que não se observa com as pastagens, que devem ter queda considerável de produtividade já nesse trimestre vindouro.

Ar mais quente

O Centro-Oeste terá anomalia com ar mais quente, variando em torno de 2°C. O bom cenário de chuvas no primeiro semestre tende a garantir boa colheita para a região, nos próximos meses, para o milho, sorgo e algodão. O predomínio de condições mais secas tende a favorecer a conclusão das atividades de colheita e o preparo das áreas agrícolas para a próxima safra.

A região pantaneira, a previsão é ter um inverno equilibrado, enquanto no norte de Mato Grosso e nordeste de Goiás devem apresentar déficit hídrico ainda neste trimestre.

Reservatórios

A Região Sudeste terá manutenção das médias de precipitação, com exceção do Espírito Santo e nordeste de Minas Gerais, para os quais é esperado déficit hídrico. Toda a região deve ter temperaturas cerca de 1°C acima das médias históricas.

Como se espera um trimestre com médias de temperaturas altas a cafeicultura, as hortaliças e as culturas de inverno irrigadas devem ter boas condições de produtividade. O Inmet alerta, porém, para a pressão sobre os reservatórios de água da região, que deve ter demanda acima da média.

Alerta para fungos

No Sul, a expectativa é de ocorrência de excedentes hídricos significativos, especialmente nos meses de julho e setembro, quando os volumes poderão superar 150 mm. As áreas com maior prevalência serão o norte do Rio Grande do Sul e o sul de Santa Catarina.

A condição favorece as culturas de inverno, mas exige maior cuidado fitossanitário, pois permite maior desenvolvimento de pragas de origem fúngica.

Além disso, o boletim alerta para a ocorrência frequente de chuvas que poderão reduzir as janelas operacionais para a realização de tratos culturais, como aplicações de fertilizantes e defensivos agrícolas.

Segundo o Inmet, estas chuvas têm relação já conhecida com o fenômeno El Niño, confirmado pelos padrões adotados pelo instituto, com previsão de se manterem até fevereiro de 2027.

Este ano, porém, não é esperada uma variação expressiva do gradiente térmico do Atlântico Tropical Dipolo do Atlântico, fenômeno semelhante ao das águas do Pacífico (El Niño). Dessa forma, as condições nos próximos meses no Atlântico tendem a apresentar-se em neutralidade.

O mesmo não se pode dizer do El Niño, que será intenso e já impacta chuvas na Região Sul, no litoral do Pacífico na América do Sul e nas temperaturas na América do Norte, Europa e leste asiático.

Fonte: Agência Brasil
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Dependência externa expõe mercado de fertilizantes à alta de custos e riscos de desabastecimento

Escassez de enxofre, aumento da demanda da indústria de baterias e pressão logística elevam a volatilidade dos insumos e reforçam a necessidade de planejamento nas compras.

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Foto: Claudio Neves

A combinação entre instabilidade no mercado internacional de insumos, dependência das importações e pressão sobre matérias-primas estratégicas já afeta a cadeia de fertilizantes e tende a aumentar os custos da produção agrícola no Brasil. A avaliação é de Marcelo Soto, bacharel em Administração com especialização em Gestão Estratégica e Planejamento.

Marcelo Soto, bacharel em Administração com especialização em Gestão Estratégica e Planejamento: “A dependência externa agrava o cenário”

Segundo ele, a elevada dependência externa amplia a exposição do país às oscilações do mercado global. “A dependência externa agrava o cenário. Atualmente, o Brasil importa cerca de 85% dos fertilizantes consumidos, o que torna o país altamente vulnerável às oscilações internacionais, sejam elas provocadas por questões geopolíticas, logísticas ou de oferta”, afirma.

Entre os produtos que mais pressionam a cadeia estão o enxofre e o ácido sulfúrico, matérias-primas utilizadas na fabricação de fertilizantes fosfatados. De acordo com Soto, o aumento da demanda global por enxofre, impulsionado principalmente pela indústria de baterias para veículos elétricos, reduziu a oferta disponível e elevou os preços do insumo. “Esse movimento afeta toda a cadeia de distribuição, provocando aumentos expressivos nos preços e ampliando os riscos de desabastecimento, especialmente para empresas que não planejam o acesso ao mercado e dependem de compras spot“, ressalta.

Os efeitos já chegam ao campo. Como os fertilizantes representam uma parcela importante dos custos de produção, a valorização dos insumos reduz as margens dos produtores. Segundo Soto, em alguns casos os preços chegaram a dobrar, pressionando o planejamento financeiro das propriedades.

Logística e planejamento ganham importância

Foto: Claudio Neves

Além do aumento dos custos, o setor pode enfrentar dificuldades operacionais nos próximos meses. O segundo semestre concentra o período de maior movimentação de fertilizantes no país, coincidindo com a formação de estoques para a próxima safra. “Há risco de gargalos nos portos, no transporte rodoviário e também nas fábricas. Isso pode comprometer prazos de entrega e elevar ainda mais os custos operacionais”, alerta.

Nesse cenário, produtores e empresas começam a rever suas estratégias de compra. Segundo Soto, a redução do consumo diante da alta dos preços, fenômeno conhecido no mercado como “destruição de demanda”, pode influenciar a dinâmica de preços ao longo da cadeia.

Para reduzir a exposição à volatilidade, ele recomenda antecipar negociações e buscar contratos de maior prazo. “Em períodos de baixa oferta, o mercado spot tende a incorporar prêmios elevados e maior risco. Por isso, planejamento e previsibilidade fazem toda a diferença”, menciona.

Inteligência de suprimentos

Foto: Divulgação

Na avaliação de Soto, a gestão de fertilizantes deixou de ser uma atividade operacional e passou a exigir monitoramento permanente do mercado internacional, análise de fornecedores e planejamento das aquisições.

Segundo ele, o acesso a informações qualificadas permite identificar oportunidades de compra, reduzir riscos e estruturar estratégias de abastecimento mais eficientes. “As compras de fertilizantes e químicos industriais precisam ser tratadas cada vez mais de forma estratégica dentro das empresas. O Brasil ainda depende fortemente de fornecedores externos, enquanto a produção nacional enfrenta desafios de custo e competitividade. Isso reforça a necessidade de planejamento e de uma gestão mais profissionalizada dos insumos”, salienta.

Fonte: O Presente Rural com SCA Brasil Aliança
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C.Vale cria instituto para impulsionar inovação e pesquisa

Instituto C.Vale Prosperar inicia atividades com aporte de R$ 2 milhões para desenvolver tecnologias, novos negócios e projetos voltados aos cooperados e às comunidades.

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Foto: Divulgação

A C.Vale lançou, na segunda-feira (14), em Palotina (PR), o Instituto C.Vale Prosperar, entidade criada para desenvolver soluções tecnológicas e projetos voltados às demandas da cooperativa e ao desenvolvimento das comunidades onde atua.

A iniciativa é resultado de uma parceria entre a C.Vale Cooperativa Agroindustrial e a C.Vale Comércio e Transporte. O lançamento ocorreu no auditório da sede da cooperativa e reuniu representantes da C.Vale, empresas parceiras e instituições de crédito.

Presidente da C.Vale e associado honorário do instituto, Alfredo Lang

O instituto terá atuação voltada ao desenvolvimento técnico-científico, com foco na criação de tecnologias, produtos, novos negócios e soluções para atender principalmente às necessidades das indústrias da cooperativa. Na área social, a entidade também desenvolverá projetos voltados ao fortalecimento das comunidades.

Durante a cerimônia, a direção da C.Vale entregou um cheque de R$ 2 milhões para financiar as atividades iniciais do instituto. Segundo a cooperativa, a criação da entidade também permitirá acesso a linhas de crédito mais atrativas e redução da carga tributária incidente sobre atividades de pesquisa.

Diretor-executivo do Instituto C.Vale Prosperar, Neivaldo Burin

O presidente do Conselho de Administração do Instituto C.Vale Prosperar, Édio Schreiner, afirmou que o objetivo é desenvolver soluções com aplicação prática para aumentar a eficiência das operações. “A inovação que queremos não é inovação distante da realidade. É inovação aplicada, capaz de resolver problemas, reduzir riscos, fortalecer a competitividade e gerar impacto positivo”, destacou.

Presidente da C.Vale e associado honorário do instituto, Alfredo Lang afirmou que a iniciativa busca transformar ideias em resultados para a cooperativa e seus associados. Segundo ele, os ganhos em eficiência podem refletir em aumento de renda aos cooperados, geração de empregos, arrecadação de tributos e benefícios para a sociedade.

O diretor-executivo do Instituto C.Vale Prosperar, Neivaldo Burin, ressaltou que a entidade pretende ampliar parcerias e direcionar investimentos para pesquisa, inovação e desenvolvimento de soluções voltadas às demandas dos cooperados e da indústria.

Fonte: Assessoria C.Vale
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