Notícias Pecuária Brasileira
Reação do preço do boi gordo deve se manter para o próximo ano
Instituto Desenvolve Pecuária avalia que o mercado tem demonstrado força e consistência, com tendências de alta

O ano de 2021 foi interessante para a pecuária brasileira e para 2022 dois pontos devem ter atenção do setor, a alimentação para o gado e as exportações. A avaliação é do presidente do Instituto Desenvolve Pecuária, Luis Felipe Barros, que destacou questões importantes sobre preço, custos e mercado internacional.
A expectativa de Barros é de que ocorra uma reação importante em relação ao preço do boi gordo. Ao fazer uma retrospectiva do ano, lembrou que até maio os valores cresceram muito com terneiros sendo vendidos a R$ 17,00, mas a partir de julho teve início uma queda, chegando a R$ 10,50 no final de setembro. “Porém, de outubro em diante, começou uma reação muito forte e o preço do boi gordo encerrou a primeira semana de dezembro em R$ 23,00”, observou, destacando que é preciso entender que existem momentos de alta e de queda das cotações e o pecuarista deve sempre fazer uma análise do mercado.
Conforme Barros, o que mais pesa hoje no bolso do pecuarista, especialmente para quem confina, é a questão da alimentação. “Com isso, muito confinamento acabou saindo do mercado e hoje tem mais animais semi-confinados ou que estão em pastagens. Vamos ver se com o preço reagindo e não subindo o farelo de soja, arroz e milho que são alimentos base dos confinamentos, consiga haver mais gado retido nessa forma de criação”, avaliou.
Em relação às exportações, Barros destacou que o preço do gado consegue reagir com um cenário de retorno da China, vendas mantidas para Estados Unidos e Europa e abertura do mercado russo. Também ressaltou a possibilidade do mercado de importação de gado vivo se constituir de uma forma mais horizontal, uma vez que comprou muito em 2020 e pouco em 2021. “Com este cenário, teríamos a certeza que o valor poderia chegar facilmente entre R$ 28,00 e R$ 29,00”, estimou.
Ao fazer uma avaliação dos 8 meses de existência do Desenvolve Pecuária, Barros salientou o importante trabalho desenvolvido e o seu reconhecimento por parte do setor, assim como a criação do aplicativo Negócio Fechado, uma ferramenta de compra e venda virtual de gado. “Hoje estamos trabalhando com a questão da informação, dos dados. São insumos para que seja possível ter uma maior eficiência e resultado”, colocou, lembrando também outras iniciativas com ênfase na tecnologia. “Estamos muito entusiasmados para 2022. Vai ser um ano de maturação do Desenvolve Pecuária”, concluiu.

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Governo reduz prazo do drawback para menos de 30 dias
Regime responde por US$ 72 bilhões em exportações e atende cerca de 1,8 mil empresas. Mudança elimina etapas e mantém regras de controle.

O prazo para análise de pedidos do regime de drawback, um dos principais incentivos às exportações brasileiras, caiu em mais de 50%, anunciou o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC). Duas portarias publicadas no Diário Oficial da União simplificam os procedimentos de pedidos e reduzem o número de etapas do processo.

Foto: Divulgação
Com as mudanças, o tempo de avaliação, que antes podia chegar a até 60 dias, passa a ser inferior a 30 dias. A alteração tem como objetivo tornar mais rápido e simples o acesso das empresas ao benefício, sem mudar as regras para concessão do incentivo.
A nova regra simplifica o processo de análise. Antes, o pedido passava por etapas separadas: primeiro era feita uma análise inicial e só depois as empresas eram chamadas a apresentar documentos adicionais. Agora, todo o processo ocorre de uma só vez, permitindo que a documentação seja enviada no momento do pedido.
Esse envio é feito por meio do Portal Único Siscomex, sistema que centraliza operações de comércio exterior no país. A mudança elimina etapas intermediárias e reduz o tempo total de espera.
A primeira portaria autoriza o envio dos documentos no pedido de inclusão no regime. A segunda portaria atualiza versões dos manuais operacionais do drawback.
Segundo o governo, a atualização mantém os critérios de controle, mas moderniza os procedimentos operacionais, facilitando o uso do

Foto: Shutterstock
benefício pelas empresas.
Desoneração de insumos
Prática regulamentada pela Organização Mundial do Comércio (OMC), o drawback é um mecanismo que reduz ou elimina tributos sobre insumos usados na produção de bens que serão exportados. As empresas podem importar ou comprar matérias-primas no Brasil pagando menos impostos, desde que utilizem esses insumos para fabricar produtos destinados ao mercado externo.
O drawback é considerado estratégico para a competitividade do Brasil no comércio internacional. Ele abrange diversos tributos, como imposto de importação, Imposto sobre Produtos Industrailizados (IPI), Programa de Integração Social (PIS), Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins) e taxas sobre frete, reduzindo o custo de produção para exportadores.
Existem duas principais modalidades: a suspensão, que elimina impostos na compra de insumos para produtos que ainda serão exportados, e a isenção, que permite recuperar tributos pagos anteriormente em operações semelhantes.
Estatísticas
Segundo o MDIC, em 2025, cerca de 20,8% das exportações brasileiras, o equivalente a US$ 72 bilhões, usaram o drawback na modalidade suspensão. Aproximadamente 1,8 mil empresas aderem ao regime, especialmente em setores como carnes, mineração, indústria automotiva e química..
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Brasil e Uruguai discutem leite, acordo com a União Europeia e ampliam cooperação no agro
Reunião em Brasília aborda comércio bilateral de US$ 2,2 bilhões e parceria entre Embrapa e instituto uruguaio em inovação.

O ministro da Agricultura e Pecuária, André de Paula, recebeu nesta terça-feira (28), em Brasília, o ministro da Pecuária, Agricultura e Pesca do Uruguai, Alfredo Fratti, para discutir temas da agenda agropecuária regional. A reunião ocorreu na sede do Ministério da Agricultura e Pecuária.
Na pauta, estiveram o setor leiteiro, o acordo entre Mercosul e União Europeia e medidas para ampliar o comércio entre os países. Em 2025, a corrente bilateral somou cerca de US$ 2,22 bilhões, com US$ 989,9 milhões em exportações brasileiras e US$ 1,23 bilhão em importações vindas do Uruguai.
Outro eixo da reunião foi a cooperação técnica. Brasil e Uruguai avançam na implantação de uma unidade internacional de pesquisa, desenvolvida em parceria entre a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária e o Instituto Nacional de Investigação Agropecuária, com participação dos ministérios dos dois países. A iniciativa integra um memorando firmado em dezembro de 2025 voltado ao desenvolvimento de tecnologias de base biológica aplicadas à produção agropecuária.
Os ministros também discutiram a agenda de bioinsumos, tema que tem ganhado espaço na cooperação bilateral, e reforçaram a interlocução dentro de fóruns regionais como o Conselho Agropecuário do Sul.
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Farelo de trigo cai ao menor nível desde 2024 enquanto grão mantém preços firmes
Excesso de oferta e concorrência com milho e derivados de soja pressionam o farelo. Entressafra sustenta o grão e eleva custo das farinhas.

O mercado de trigo no Brasil mostra comportamento distinto entre os produtos. O farelo registra queda de preços, pressionado pelo aumento da oferta e pela concorrência com insumos substitutos na alimentação animal. Já o trigo em grão mantém cotações firmes, sustentando também os preços das farinhas por meio do repasse de custos.

Foto: Cleverson Beje
No segmento de farelo, a desvalorização é mais acentuada no produto a granel. Em praças acompanhadas pelo Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada, como Ijuí e Passo Fundo, no Rio Grande do Sul, e no Oeste do Paraná, os preços médios atingiram os menores níveis desde agosto de 2024. A maior oferta no mercado spot, combinada à competitividade de alternativas como farelo e casquinha de soja e o milho, tem pressionado as cotações. Nesse cenário, vendedores ajustam valores para manter liquidez, enquanto compradores adiam negociações à espera de novos recuos.
Em sentido oposto, o mercado de trigo em grão segue com preços sustentados. A oferta restrita no período de entressafra, a retenção de volumes por parte dos produtores e a necessidade de recomposição de estoques pelas moageiras dão suporte às cotações. Como consequência, as farinhas também registram alta, refletindo o custo mais elevado da matéria-prima. Fatores externos, como incertezas geopolíticas, reforçam a postura mais firme dos vendedores no mercado.



