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Rastreabilidade individual passa de exigência a vantagem competitiva
Evento realizado pela Mesa Brasileira da Pecuária Sustentável debate rastreabilidade como ferramenta de valor para gestão e acesso a mercados diferenciados em propriedades rurais no Brasil.

Com o objetivo de ampliar a conscientização e apoiar produtores rurais no processo de mudanças trazidas pela Lei Europeia Antidesmatamento, conhecida pela sigla em inglês EUDR, a Mesa Brasileira de Pecuária Sustentável realizou, na última quarta-feira (11), o primeiro Diálogo Inclusivo de 2025.
Com o título “EUDR e Rastreabilidade: Impactos e caminhos para a pecuária brasileira”, o diálogo demonstrou que a rastreabilidade individual já está em andamento no Brasil, com ferramentas acessíveis e, principalmente, benefícios diretos para o produtor, tanto na gestão do negócio quanto na rentabilidade.
O evento contou com a presença de Michele Borges, gerente-executiva da MBPS, Luiz Roberto Zillo, diretor-executivo da Sociedade Rural Brasileira (SRB), Aécio Flores, vice-presidente da Associação Brasileira das Empresas de Certificação por Auditoria e Rastreabilidade (ABCAR) e coordenador do GT de Rastreabilidade da MBPS, e Renan Coleta e Maryele Rodrigues, ambos da MFG Agropecuária.
Segurança sanitária e reputação
Mais do que atender a uma norma de mercado importador, a rastreabilidade individual se mostra como importante ferramenta de gestão, defendem os participantes do debate.

Sua implementação, segundo eles, é útil, prática e vantajosa, trazendo benefícios para o controle, produtividade e eficiência da produção, mesmo que, ao final, o produto não venha a ser exportado.
“Eu participei [da implementação] do SISBOV e vi que a rastreabilidade mudou totalmente a gestão da fazenda. Melhorou muito a percepção dos funcionários, o trabalho sanitário…ela colocou ordem nas coisas e trouxe a possibilidade de trazer previsibilidade para dois, três anos à frente. Acredito que o sistema que está sendo proposto vai beneficiar toda a cadeia, não só para fora, mas também para o mercado interno”, disse Luiz Roberto Zillo, da Sociedade Rural Brasileira (SRB), ao comentar o Plano Nacional de Identificação de Bovinos e Bubalinos (PNIB), lançado pelo Ministério de Agricultura e Pecuária (Mapa) em dezembro de 2024.
Aécio Flores, da ABCAR, lembrou dos bônus trazidos pela rastreabilidade, que, segundo ele, tem benefícios tangíveis e intangíveis. Dentre os bônus citados está o maior controle sanitário do rebanho, fundamental para a manutenção e abertura de novos mercados. “O Brasil é hoje um país livre de aftosa sem vacinação. Isso exige uma vigilância sanitária de altíssima qualidade. Com a rastreabilidade, conseguimos identificar rapidamente a origem de qualquer foco suspeito e agir de forma localizada, evitando o bloqueio de grandes regiões produtoras”, defendeu.
Rastreabilidade: Caminho para valorização, eficiência e acesso a mercados
Maryele Rodrigues e Renan Coleta trouxeram para o debate a experiência da MFG Agropecuária na implementação da rastreabilidade e nos benefícios trazidos por ela, dentre eles a bonificação aos produtores rurais e o maior controle interno. “Depois que você aprende a trabalhar com o que é bom e organizado, você quer isso para todas as áreas, é um movimento em cadeia que vai puxando outro. A mudança de gestão é muito palpável, então, não deixe para a última hora”, defendeu Maryele.

Eles também trouxeram dados concretos de ganhos financeiros para produtores que já adotaram a rastreabilidade. “Na MFG Agropecuária, desde 2009, pagamos R$ 3,00 a mais por arroba rastreada. E não é só pelo mercado externo, é porque o produtor que rastreia entrega mais resultado,” comentou Renan.
A rastreabilidade também já abre portas para crédito rural com juros menores, via programas como o ABC+, PRONAF Verde, e linhas que bonificam sustentabilidade.
Inclusão e escalabilidade: rastreabilidade é para todos
Longe de ser exclusividade de grandes fazendas, a rastreabilidade já é adotada por médios e pequenos produtores com apoio de técnicos, cooperativas e plataformas acessíveis.
Quem rastreia ganha no mercado, no crédito, na gestão e na confiança. A rastreabilidade se paga com os bônus recebidos na venda e com a economia em gestão e prevenção sanitária. E o produtor pode contar com apoio técnico, do SENAR às consultorias privadas.
A rastreabilidade também é um meio efetivo para atender ao EUDR, pois mostra onde o animal nasceu, onde foi criado, se estava em área legal e livre de desmatamento.
O que é a EUDR
EUDR é a sigla para European Union Deforestation-Free Regulation (EUDR), que significa Regulamento da União Europeia para Produtos Livres de Desmatamento. É uma nova lei que, segundo a UE, visa combater o desmatamento global ao banir a importação, pelos países do grupo, de produtos agropecuários que tenham ligação com a destruição da vegetação nativa ao redor do globo. A norma está prevista para entrar em vigor no dia 30 de dezembro de 2025 para grandes empresas e em 30 de junho de 2026 para micro e pequenas empresas.
A íntegra do primeiro Diálogo Inclusivo de 2025 está disponível no Canal da MBPS no Youtube. Assista agora!

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Fundocarne une produtores e frigoríficos para reposicionar pecuária gaúcha
Campanha aposta na identidade dos campos do Rio Grande do Sul e cria modelo inédito de financiamento conjunto para fortalecer a marca no mercado interno e externo.

O lançamento do Fundo de Promoção da Carne Gaúcha, na terça-feira (24), na Estação de Terras Baixas da Embrapa Clima Temperado, marca uma nova estratégica na forma como a pecuária do Rio Grande do Sul pretende se apresentar ao mercado. Pela primeira vez, produtores e indústrias frigoríficas estruturam um mecanismo conjunto e permanente de promoção da carne do estado.
O Fundocarne nasce a partir da articulação entre o Instituto Desenvolve Pecuária e o Sindicato das Indústrias de Carnes e Derivados do Rio Grande do Sul, reunindo dois elos historicamente tensionados da cadeia. A proposta é substituir disputas por coordenação estratégica, com foco em construção de marca, posicionamento e valorização do produto.
“O gaúcho precisa valorizar essa carne e o brasileiro precisa reconhecer que o que produzimos aqui é igual ou até superior ao que fazem Uruguai e Argentina”, afirma Antonia Scalzilli, presidente do Desenvolve Pecuária.
A comparação com os vizinhos do Mercosul não é casual, visto que os dois países consolidaram identidade forte para suas carnes no mercado internacional, associando origem, qualidade e tradição.
Campanha aposta em identidade e patrimônio cultural

O primeiro movimento do fundo é a campanha “Carne gaúcha é diferente”. O vídeo institucional, que será veiculado nas redes do Desenvolve Pecuária, do Sicadergs e parceiros, constrói uma narrativa baseada na tradição campeira, no manejo extensivo e no churrasco como símbolo cultural.
As imagens foram captadas em atividades reais de nove propriedades rurais de diferentes regiões do estado. A proposta é comunicar que a qualidade não está apenas no produto final, mas no sistema de produção: genética, pastagens, respeito ao tempo do animal e à paisagem dos campos sulinos.
A estratégia privilegia o apelo emocional, tratando a carne como patrimônio cultural, e não apenas como commodity.
Para Ivon Silva Jr., presidente do Sindicato das Indústrias, o momento exige confiança. “Se nossos vizinhos fazem, nós também podemos fazer. É preciso acreditar que isso trará resultados para todos”, sustenta.
Modelo de financiamento coletivo

O Fundocarne será constituído como pessoa jurídica independente. O financiamento virá de contribuições voluntárias de produtores e frigoríficos.
Os 17 frigoríficos participantes assumiram o compromisso de destinar R$ 0,50 por cabeça abatida, considerando a totalidade dos abates. Já os produtores contribuem de forma espontânea, inclusive em leilões. “Há produtores que doaram R$ 1,00 e outros R$ 10,00”, relata Antonia.
Segundo Ronei Lauxen, presidente executivo do Sicadergs, o projeto começou com cinco frigoríficos e rapidamente mais que triplicou a adesão. A meta agora é ampliar a base de participantes para garantir escala financeira e continuidade às ações de marketing e posicionamento.
Arena Pecuária debate mercado e rastreabilidade
O lançamento do fundo ocorreu dentro da programação da Arena Pecuária na Abertura da Colheita de Arroz, que ampliou sua estrutura nesta edição e reuniu produtores, técnicos e representantes da cadeia.
Entre os temas debatidos no primeiro dia esteve a necessidade de maior alinhamento entre os elos produtivos. A rastreabilidade ganhou destaque como ferramenta de gestão, sanidade e acesso a mercados premium. A certificação e a integração com o poder público foram apontadas como pilares para fortalecer o protagonismo do estado no sistema nacional de identificação bovina.
Nesta quarta-feira (25), o tema central é “A pecuária potencializando sistemas”, com debates voltados à integração produtiva, eficiência e geração de valor dentro da propriedade rural. E na quinta-feira (26), os painéis abordam Integração Lavoura-Pecuária e Pecuária Intensiva, com foco em verticalização, produtividade por hectare e uso de tecnologias.
O movimento articulado pelo Fundocarne indica uma mudança de postura da cadeia gaúcha: menos fragmentação e mais coordenação estratégica para disputar espaço em um mercado cada vez mais orientado por marca, origem e diferenciação.
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Exportações de lácteos caem em janeiro e déficit supera US$ 71 milhões
Leite em pó lidera compras externas, e queijos registram alta de quase 18% nas importações.
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Passaporte Verde mobiliza debate sobre regularização ambiental da pecuária em Mato Grosso
Audiência na Assembleia Legislativa de Mato Grosso reuniu governo, entidades do setor e produtores para discutir critérios e efeitos da Lei 13.153/2025.

A Assembleia Legislativa de Mato Grosso realizou, na segunda-feira (23), audiência pública para discutir a lei que institui o Passaporte Verde, programa de monitoramento socioambiental das propriedades pecuárias no estado. Participaram representantes do Governo de Mato Grosso, do Instituto Mato-grossense da Carne, lideranças do setor produtivo e representantes dos municípios de Colniza e Juara.
O programa foi apresentado como instrumento para reinserir no mercado formal produtores com algum tipo de irregularidade ambiental. Segundo o presidente do Imac, Caio Penido, a proposta busca permitir que pecuaristas regularizem suas propriedades e retomem a comercialização, em um cenário no qual frigoríficos e compradores impõem exigências socioambientais crescentes.
O secretário estadual de Desenvolvimento Econômico, César Miranda, afirmou que a lei pretende reforçar a imagem da carne mato-grossense no mercado internacional. Ele destacou que o projeto foi discutido por quase quatro anos antes de ser aprovado e avaliou que a iniciativa antecipa possíveis exigências externas.
Durante o debate, o deputado estadual Gilberto Cattani sustentou que a tramitação da lei levou em consideração produtores de diferentes portes e afirmou que o objetivo foi oferecer segurança jurídica ao setor.
Para o presidente da Associação dos Criadores de Mato Grosso (Acrimat), Luís Fernando Conte, um dos pontos centrais do programa é o Programa de Reinserção e Monitoramento (Prem). A ferramenta foi descrita como mecanismo para permitir que produtores com pendências ambientais regularizem a situação e retornem ao mercado pecuário formal.
Representando a Secretaria de Estado de Meio Ambiente (Sema), a secretária adjunta de Gestão Ambiental, Luciane Bertinatto, afirmou que a Lei 13.153/2025 não cria exigências além daquelas já previstas no Código Florestal Brasileiro e que o programa tem como foco apoiar a regularização ambiental das propriedades.
Como funciona o programa
Sancionado no final de 2025 pelo governador Mauro Mendes, o Passaporte Verde estabelece o monitoramento socioambiental do rebanho bovino e bubalino em Mato Grosso, alinhado ao cronograma do Plano Nacional de Identificação Individual de Bovinos e Búfalos (PNIB).
Entre os critérios exigidos estão ausência de desmatamento ilegal após julho de 2008, Cadastro Ambiental Rural (CAR) ativo e inexistência de embargos ambientais.
O programa também prevê o Prem, voltado ao desbloqueio e à regeneração de áreas degradadas. A iniciativa permite que produtores com pendências ambientais avancem na regularização e retomem a comercialização com frigoríficos. Atualmente, mais de 160 pecuaristas participam do programa.





