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Rally da Safra projeta queda na produtividade do milho e safra abaixo do recorde anterior
Plantio fora da janela ideal, estiagem em abril e irregularidade das chuvas reduzem potencial produtivo em estados como Goiás, Paraná e Mato Grosso do Sul. Produção da segunda safra deve cair para 112,1 milhões de toneladas.

As equipes do Rally da Safra já começaram os trabalhos de campo para avaliar a segunda safra de milho. Em um cenário de contrastes marcado por plantio tardio em diversas regiões e irregularidade das chuvas, a produtividade média deve recuar, com a safra 2025/26 ficando abaixo do recorde do ciclo anterior.
O primeiro contraste está relacionado ao calendário de plantio, que, em algumas regiões, foi prejudicado pelo excesso de chuvas em fevereiro e março que alongou o ciclo da soja e limitou o ritmo de colheita, atrasando a implantação da segunda safra. É o caso de Goiás, onde 46% das lavouras foram implantadas fora da janela ideal, num calendário considerado de alto risco. O destaque positivo fica para o Oeste e Médio-Norte de Mato Grosso, com cerca de 95% das lavouras implantadas dentro da janela ideal e de baixo risco.
Outro ponto de atenção diz respeito ao comportamento do clima. Neste ano, o mês de abril foi mais seco e algumas regiões ficaram até 30 dias sem chuva. Coincidência ou não, as regiões que plantaram dentro de uma janela de risco maior são as que registraram menores volumes de chuva.
Segundo avaliação da Agroconsult, organizadora do Rally da Safra, a safra 2025/26 tem, em média, uma proporção de lavouras consolidadas com alto potencial produtivo ligeiramente menor do que a registrada na temporada passada, embora haja diferenças expressivas entre os estados e até entre regiões de um mesmo estado.
Em Goiás e Mato Grosso do Sul, neste momento, apenas 39% das lavouras mantêm alto potencial produtivo assegurado, frente a 62% e 53% registrados na safra anterior, respectivamente. Em Minas Gerais, apenas 25% das lavouras têm alto potencial assegurado, ante 46% no ciclo passado. Já em Mato Grosso, o cenário permanece mais favorável, com cerca de 80% das lavouras sustentando ainda um elevado potencial produtivo.

Foto: Aires Mariga
Apesar do cenário mais apertado em algumas regiões, ainda há espaço para ajustes, a depender do clima, afirma André Debastiani, coordenador da expedição. “O comportamento das chuvas em maio será decisivo para consolidar o potencial das lavouras, e as avaliações de campo tornam-se essenciais para aprofundar as análises e ajustar nossos números até o final de junho, quando encerraremos a etapa milho”, explica.
Na comparação com a safra passada, a produtividade média estimada no pré- Rally apresenta queda, passando de 114,4 sacas por hectare para 101,9 sacas. Com exceção de São Paulo, todos os principais estados produtores devem ter queda de produtividade sobre 2024/25. Isso ocorre não somente pelas adversidades climáticas desse ano, mas também porque a safra 2024/25 foi uma das melhores da história.
Goiás deve registrar a maior redução de produtividade. O estado tem estimativa de 90 sacas por hectare, contra 127 do ano passado. No Mato Grosso do Sul, a projeção é de 90,5 sacas, contra 102 no ciclo anterior. O Paraná deve registrar produtividade de 92,5 sacas por hectare, ante 104,5 na safra passada. Já o Mato Grosso, apesar de também registrar queda, segue como destaque positivo, com estimativa de 123 sacas por hectare, contra 131,9 em 2024/25, resultado que ainda será validado pelas equipes em campo.

Foto: Eduardo Monteiro
A área plantada 2025/26 também traz comportamentos distintos. Enquanto Mato Grosso, Paraná e Mato Grosso do Sul apresentam crescimento em torno de 4%, Goiás e Minas Gerais têm queda em torno de 5%. A área de milho segunda safra estimada é de 18,3 milhões de hectares, 1,5% acima da safra anterior. “Esse crescimento poderia ser ainda maior, não fosse a prorrogação do calendário de plantio que levou muitos produtores a alterar seu planejamento de semeadura, para não entrar numa janela de risco muito grande”, destaca Debastiani.
Os dados pré-Rally da Agroconsult apontam para uma segunda safra de milho de 112,1 milhões de toneladas, abaixo do recorde de 123,9 milhões de toneladas em 2024/25. Já a produção total de milho no país é estimada em 140,5 milhões de toneladas, frente a 151 milhões de toneladas no ciclo anterior.
Trabalho de campo
A expedição técnica estará em campo até 23 de junho para avaliar as condições da segunda safra de milho em cinco estados, observando as condições do clima, da janela de plantio e do investimento realizado nas lavouras.

Foto: Eduardo Monteiro
Seis equipes percorrerão as áreas plantadas: as duas primeiras irão avaliar o Médio-Norte e Oeste do Mato Grosso, saindo de Cuiabá e visitando as regiões de Nova Mutum, Lucas do Rio Verde, Sorriso, Sinop, Tangará da Serra, Campo Novo do Parecis, Sapezal, Juína e Vilhena, em Rondônia, até 24 de maio.
A terceira e a quarta equipe farão o levantamento no Leste e Sudeste do Mato Grosso, Sudoeste de Goiás e Norte do Mato Grosso do Sul. No Mato Grosso, o roteiro inclui as regiões de Sinop, Gaúcha do Norte, Canarana, São José do Xingu, Querência, Água Boa, Primavera do Leste, Paranatinga, Rondonópolis. Em Goiás, os técnicos avaliarão lavouras nas regiões de Paraúna, Rio Verde, Jataí e Mineiros. Já no Mato Grosso do Sul, os trabalhos acontecerão nas regiões de Sonora, São Gabriel do Oeste e Chapadão do Sul, sendo concluídos em Campo Grande, em 06 de junho.
As duas últimas equipes estarão no Sul do Mato Grosso do Sul e Norte e Oeste do Paraná entre 07 e 23 de junho, saindo de Campo Grande em direção às regiões de Maracaju, Dourados, Ponta Porã e Naviraí. No Paraná, os técnicos irão avaliar lavouras nas regiões de Guaíra, Marechal Cândido Rondon, Toledo, Cascavel, Ubiratã, Goioerê e Campo Mourão, Maringá, concluindo os trabalhos em Londrina.
Em sua primeira etapa este ano, o Rally avaliou as condições de mais de 1,7 mil lavouras de soja durante as fases de desenvolvimento e de colheita em 14 estados. As lavouras avaliadas respondem por 97% da área de produção de soja e 72% da área de milho no país.

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Santa Catarina anuncia R$ 830 milhões para ampliar internet e telefonia no campo
Programa Sinal Bom prevê elevar a cobertura nas áreas rurais de 48,12% para até 99,4%, com instalação de 688 antenas e expansão da rede de fibra óptica e telefonia móvel.

Mais conectividade, tecnologia e oportunidades para quem vive e produz no campo. O governador Jorginho Mello sancionou a Lei 19.936, de 30 de junho de 2026, que institui o Programa Sinal Bom. Com investimento de R$ 830 milhões, o Governo de Santa Catarina vai ampliar a cobertura de internet e telefonia móvel em comunidades rurais, pequenos municípios e ao longo das rodovias estaduais por meio desse programa.
A iniciativa vem para impulsionar o desenvolvimento rural, ampliar o acesso a serviços digitais e garantir mais segurança e comunicação para quem circula pelas estradas catarinenses.
Aprovado na Assembleia Legislativa de Santa Catarina (Alesc), o programa será coordenado pela Secretaria de Estado da Agricultura e Pecuária (Sape), em parceria com a Secretaria de Estado da Fazenda (SEF) e a Celesc, para ampliar a conectividade e reduzir as desigualdades de acesso aos serviços de telecomunicações em todas as regiões catarinenses. “Não dá mais para aceitar áreas sem internet e sem sinal de telefone. Estamos investindo pesado para conectar o campo, os pequenos municípios e as rodovias. Quem vive no interior também merece acesso à tecnologia, oportunidades e serviços com a mesma qualidade de quem está nos grandes centros”, afirma o governador Jorginho Mello.
O Programa Sinal Bom foi estruturado em duas linhas de fomento. A primeira prevê investimentos de até R$ 580 milhões para ampliar a cobertura de telefonia móvel por meio da instalação de novas estações rádio-base (ERBs), garantindo sinal em comunidades rurais e ao longo das rodovias estaduais.
A segunda linha destina até R$ 250 milhões para expansão da infraestrutura de redes fixas de fibra óptica em regiões de baixa densidade populacional, especialmente nos pequenos municípios e nas áreas rurais. O programa também prevê incentivos para essa ampliação. A Celesc poderá adotar uma política especial de preços para o compartilhamento de infraestrutura de postes em áreas rurais, dentro da sua área de concessão, com o objetivo de incentivar a expansão e a manutenção de redes de fibra óptica.
Levantamentos técnicos identificaram que, embora Santa Catarina possua 92,3% de cobertura total de internet, conta com apenas 48,12% de cobertura nas suas áreas rurais. “Estar conectado é essencial para produção agropecuária, para acesso aos serviços públicos e para a qualidade de vida das famílias do campo. Com o Programa Sinal Bom, estamos criando condições para que mais catarinenses tenham acesso à informação e inovação”, destaca o secretário de Estado da Agricultura e Pecuária, Admir Edi Dalla Cort.
Os estudos técnicos que embasaram o programa apontam a necessidade da implantação de 688 novas estações rádio-base em Santa Catarina, em locais estrategicamente definidos por levantamento técnico da Secretaria de Estado do Planejamento (Seplan) e da Secretaria de Estado da Ciência, Tecnologia e Inovação (SCTI). Com a expansão, a cobertura total do Estado poderá alcançar 99,4%.
Todas essas ações seguirão a regulamentação federal aplicável, especialmente as normas da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) e da Agência Nacional de Energia (Aneel).
Dois anos de estudos
Para elaboração do Programa, a Secretaria de Estado do Planejamento atuou diretamente no estudo dos locais que receberão a infraestrutura prevista no Programa Sinal Bom.
De forma prática, técnicos da Seplan fizeram um levantamento para identificar os melhores pontos para instalação das antenas e melhorar o sinal, bem como o mapeamento da rede de fibra ótica. Para se chegar a essas indicações, foram dois anos de estudos de topografia, análise territorial e levantamento de dados sobre a cobertura que existe atualmente.
Entre os materiais desenvolvidos, foi feita a sinalização geográfica no mapa de Santa Catarina para a instalação dessas antenas, apontando também as já existentes.
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Sem alíquotas definidas, Reforma Tributária trava planejamento do produtor rural para 2027
Indefinição dificulta cálculo de custos, fluxo de caixa e investimentos. Advogado tributarista explica por que ITR não pode ser comparado ao valor de desapropriação de imóveis rurais.

A menos de seis meses do início da fase de transição da Reforma Tributária, produtores rurais, empresas e demais contribuintes ainda desconhecem um dos principais parâmetros para o planejamento financeiro de 2027: o valor das alíquotas dos novos tributos.
Para o advogado tributarista Fernando Melo de Carvalho, a ausência dessa definição reduz a previsibilidade necessária para organizar investimentos, projetar fluxo de caixa e estimar o impacto da nova carga tributária sobre os custos operacionais.

Fernando Melo de Carvalho é advogado tributarista do agronegócio: “Perigoso é manter do jeito que está, sem você saber a alíquota e sem ter previsão de caixa, do que vai gastar ou qual será o aumento da carga tributária”
A discussão voltou a ganhar força após declarações do presidente Luiz Inácio Lula da Silva sobre o Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural (ITR) e do secretário especial da Receita Federal, Robinson Barreirinhas, a respeito da divulgação da alíquota da Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS).
Barreirinhas afirmou considerar “perigosa” a divulgação antecipada da alíquota da CBS. Para Carvalho, porém, o maior risco está justamente na indefinição. “Perigoso é manter do jeito que está, sem você saber a alíquota e sem ter previsão de caixa, do que vai gastar ou qual será o aumento da carga tributária. Falta pouco tempo para a entrada em vigor das novas regras e empresas, produtores rurais e contribuintes precisam se preparar para saber exatamente o que vão pagar”, afirmou.
Outro ponto que reacendeu o debate foi a declaração do presidente Lula sobre o Imposto Territorial Rural. O chefe do Executivo voltou a defender que existe diferença entre o valor declarado para fins de cobrança do ITR e o valor de mercado utilizado em processos de desapropriação de imóveis rurais.
Segundo Carvalho, essa comparação exige uma análise técnica, uma vez que o ITR possui finalidade constitucional específica e critérios próprios de apuração, distintos daqueles empregados na avaliação de imóveis para desapropriação.
Entenda como funciona o ITR

Foto: Marcello Casal
Ao comentar as declarações do presidente Luiz Inácio Lula da Silva sobre o ITR, Fernando afirma que o valor de indenização para desapropriação e o Valor da Terra Nua (VTN) para o imposto territorial rural parte de assuntos diferentes. “O presidente Lula na fala dele tenta comparar duas coisas que não têm comparação. Uma coisa é a desapropriação, que serve para retirar a propriedade do particular. É o Estado intervindo na propriedade particular para tomar, entre aspas, aquela propriedade. Por outro lado, o pagamento de imposto em cima do imóvel rural, que seria o ITR, leva em consideração diversos fatores”, ressalta.
Segundo o tributarista, entre os fatores considerados na apuração do ITR estão a função social do imposto prevista na Constituição Federal, o grau de utilização da propriedade e a existência de áreas isentas, como Áreas de Preservação Permanente (APPs), reserva legal e florestas, que não podem ser exploradas economicamente pelo produtor rural.

Foto: Divulgação
Conforme a Constituição Federal, o Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural (ITR) tem função extrafiscal, ou seja, foi concebido para estimular o uso produtivo da propriedade rural e desestimular a manutenção de terras improdutivas.
Na prática, quanto maior o grau de utilização da área para atividades agropecuárias, menor tende a ser a carga tributária incidente sobre o imóvel. “Portanto, quanto mais utilização você tem naquela terra, menos imposto você deve pagar, justamente para não ficar parado”, enfatizou.
Além do grau de utilização da propriedade, outro critério considerado na apuração do imposto é a existência de áreas isentas, como florestas, Áreas de Preservação Permanente (APPs), reserva legal e florestas, cuja exploração econômica é vedada ao produtor rural. Isso reduz consideravelmente o imposto, já que se trata de áreas das quais o produtor não pode obter nenhum tipo de benefício econômico direto com a atividade pecuária ou agropecuária, o que, de acordo com Carvalho, justifica a redução da carga tributária incidente sobre o imóvel rural.
Como o produtor deve se preparar?
Ao orientar os produtores rurais e demais contribuintes, Carvalho reforça que o momento exige atenção às mudanças previstas pela Reforma Tributária e acompanhamento das informações oficiais.
Segundo o advogado, a previsibilidade é fundamental para que empresas e produtores consigam organizar o fluxo de caixa, revisar custos, planejar investimentos e se preparar para as novas regras. “O que o produtor deve fazer neste momento é acompanhar de perto as mudanças. Mas, para que esse planejamento seja possível, é necessário que as alíquotas sejam divulgadas. Sem saber quanto efetivamente será pago, a previsibilidade financeira fica comprometida, justamente em um momento em que todos precisam se preparar para a entrada em vigor das novas regras”, ressaltou.
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Brasil amplia peso no comércio global de alimentos e pode exportar mais tecnologia, aponta presidente da ABAG
País integra cadeia completa da produção animal, defende Ingo Plöger. Entidade cita potencial da agricultura tropical e da Embrapa para expansão em países da África e outros mercados.

Em meio a tensões geopolíticas, aumento de barreiras comerciais e preocupações com segurança alimentar, o Brasil mantém posição relevante no comércio internacional de alimentos e proteínas e vê espaço para ampliar sua participação com base em competitividade e tecnologia. A avaliação é de Ingo Plöger, presidente da Associação Brasileira do Agronegócio (ABAG).

Ingo Plöger, presidente da Associação Brasileira do Agronegócio (ABAG): “O milho é um exemplo claro de como podemos produzir energia renovável, proteína animal e alimentos de maneira integrada e eficiente” – Foto: Divulgação
Segundo ele, a estrutura produtiva brasileira permite integração completa da cadeia de produção animal, o que facilita o atendimento a diferentes exigências de mercado. “Somos um dos poucos países com capacidade de integrar toda a cadeia de produção animal e atender mercados internacionais com produtos alinhados às preferências dos mais variados consumidores”, ressaltou.
De acordo com o dirigente, a expansão do agro brasileiro passa menos por aumento de volume e mais pela agregação de conhecimento. Ele cita a internacionalização da Embrapa como um vetor estratégico para levar tecnologia tropical desenvolvida no país a outras regiões. “Acredito que um dos próximos passos estratégicos do país será a internacionalização da Embrapa, levando a experiência brasileira em agricultura tropical para outras regiões do mundo. A África, pelas suas características e potencial produtivo, deve ser um dos principais destinos dessa expansão do conhecimento e da cooperação tecnológica brasileira”, destacou.
O executivo também destacou a integração entre produção de alimentos e biocombustíveis como uma característica do modelo brasileiro. No caso do milho, ele afirma que o sistema permite múltiplos usos da produção agrícola. “Temos defendido na Europa que, quanto mais combustível renovável produzimos, mais alimentos também geramos. O milho é um exemplo claro de como podemos produzir energia renovável, proteína animal e alimentos de maneira integrada e eficiente”, salientou.
Plöger relaciona ainda o desempenho do setor ao dinamismo de municípios de médio e pequeno porte, onde cadeias do agronegócio sustentam renda e atividade econômica. Segundo ele, cerca de metade da população brasileira vive em cidades com até 400 mil habitantes, muitas delas fortemente vinculadas ao agro. “O agronegócio é uma questão de Estado. Quando pensamos no Brasil dos próximos 20 ou 30 anos, é impossível dissociar o desenvolvimento econômico e social do papel desempenhado pelo agro”, afirmou.




