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Rally da Safra inicia etapa soja com cenário de estabilidade e potencial de crescimento
Após quase uma década marcada por dificuldades na implantação da safra, a temporada 2025/26 se destaca pela normalidade, com área em expansão e condições climáticas favoráveis, o que cria as bases para uma produção estimada em 182,2 milhões de toneladas.

A ausência de problemas extremos e a expansão moderada da área plantada colocam a safra de soja 2025/26 em um patamar distinto das anteriores. As equipes do Rally da Safra, maior expedição técnica privada do país, iniciam suas atividades em campo diante de um cenário raro: uma safra que começa dentro da normalidade e com potencial de crescimento.
Nos anos anteriores, logo no início do Rally, os sinais de quebra eram evidentes: em 2022/23, o Rio Grande do Sul apresentava forte comprometimento produtivo; em 2023/24, o Mato Grosso já indicava perdas; e, em 2024/25, novamente o Rio Grande do Sul enfrentava um início de ano muito seco e quente. Na safra 2025/26, o panorama é outro. As lavouras sustentam, até o momento, potencial produtivo dentro da média dos últimos cinco anos, sem projeções de recordes, mas também sem alertas de perdas expressivas, configurando um cenário equilibrado.

Estimativa pré-Rally aponta para produção histórica de soja 2025/26 de 182,2 milhões de toneladas – Foto: Eduardo Monteiro/Rally da Safra
A estimativa pré-Rally da Agroconsult, organizadora da expedição técnica, aponta para uma produção histórica de soja 2025/26 de 182,2 milhões de toneladas, com crescimento de 5,9% em relação à safra anterior. A produtividade média brasileira é estimada em 62,3 sacas por hectare, contra 60,0 sacas na temporada passada.
Já a área plantada deve alcançar 48,8 milhões de hectares – incremento próximo de 1 milhão de hectares. Embora o ritmo de expansão seja menor que a média dos últimos dez anos, período em que o crescimento anual girou em torno de 1,7 milhão de hectares, a ampliação da área cultivada persiste mesmo em um ambiente econômico desafiador.
André Debastiani, sócio-diretor da Agroconsult e coordenador geral do Rally da Safra, explica que esse movimento é impulsionado por diferentes fatores: investimentos de grupos agrícolas com visão de longo prazo; valorização da terra, especialmente em regiões de conversão de pastagens para agricultura; e a presença de produtores com maior solidez financeira, que aproveitam o momento para ampliar sua operação.
Alguns estados se destacam pela expansão. O Mato Grosso lidera o crescimento, com acréscimo de 277 mil hectares em relação à safra anterior. Goiás também avança, com quase 159 mil hectares adicionais, enquanto a região do Mapito – Maranhão, Piauí e Tocantins – soma 108 mil hectares de incremento.
O único estado com redução de área é o Rio Grande do Sul (menos 42 mil hectares), onde parte das áreas que haviam migrado do milho verão para a soja na safra passada retornou ao milho nesta temporada. Além disso, o ambiente econômico e financeiro mais restritivo no estado limita novos investimentos, levando produtores a priorizar áreas mais produtivas e a deixar de lado regiões marginais, especialmente no sul gaúcho.
Além do crescimento de área na maior parte das regiões produtoras, Debastiani explica que, apesar das expectativas iniciais de que o ambiente econômico pressionaria também os investimentos no campo, o que se observa é diferente. “Os produtores têm mantido bons volumes de adubação, ainda que sem crescimento, e seguem investindo em tecnologia. Fora o Rio Grande do Sul, onde há redução no uso de tecnologia, os demais estados preservam um padrão sólido de investimento, com foco em altas produtividades. Esse conjunto forma o segundo fator positivo desta safra: além da expansão de área, há manutenção da tecnologia empregada, fundamental para sustentar o potencial produtivo”, ressalta.
Ritmo do plantio

Foto: Eduardo Monteiro/Rally da Safra
O plantio apresentou início irregular nesta safra 25/26, lembrando o comportamento climático observado em 2023/24, ano marcado por forte instabilidade e uma das maiores quebras de produção já registradas no país. Em diversos estados, setembro e outubro foram meses de dificuldade para a regularização das chuvas. Em Goiás, por exemplo, o atraso foi histórico: o estado registrou o plantio mais tardio de sua série, com a normalização das chuvas somente no final de outubro. Situação semelhante ocorreu em Minas Gerais, no Maranhão, Piauí e em regiões do sudeste e leste do Mato Grosso, onde a chuva demorou mais a se estabelecer.
Esse cenário gerou inicialmente dúvidas sobre o potencial da safra. No entanto, a regularização climática em novembro permitiu que o plantio avançasse de forma consistente, reduzindo parte das preocupações.
Algumas regiões importantes se destacaram de forma positiva no plantio. O Oeste do Paraná registrou o plantio mais adiantado de sua história, enquanto o sul do Mato Grosso do Sul conseguiu iniciar cedo e em boas condições. No Mato Grosso, o cenário é misto: o médio-norte e o oeste do estado tiveram implantação dentro do calendário e com condições climáticas mais favoráveis, o que deve contribuir para que a segunda safra seja semeada dentro da janela de menor risco.
Clima e produtividades pré-Rally
Juntamente com as boas condições de plantio e baixos níveis de replantio, o clima entre novembro e dezembro ajudou a redefinir o cenário da safra 2025/26. Após um início irregular, a melhora no regime de chuvas na virada do ano favoreceu a recuperação das lavouras em praticamente todas as regiões produtoras.

FFoto: Eduardo Monteiro/Rally da Safra
No Sul, a expectativa de um ciclo mais seco, em razão da influência do La Niña, não se confirmou. No Rio Grande do Sul, as chuvas de janeiro elevaram o potencial produtivo para 52 sacas por hectare, conforme a estimativa pré-Rally, acima da média dos últimos cinco anos, mas distante do recorde de 58 sacas em 2020/21. No Paraná, as lavouras mantêm bom desenvolvimento, com colheita iniciada no oeste do estado e produtividade estimada em 65 sacas por hectare, próxima do resultado de 66 sacas obtido em 2022/23.
No Centro-Oeste, o Mato Grosso deve alcançar produtividade de 65 sacas por hectare, segundo as estimativas pré-Rally (contra 66,5 sacas na safra passada), apesar do atraso inicial causado pela seca e dos primeiros sinais de atraso na colheita. No Mato Grosso do Sul, o ciclo avança com condições mais favoráveis que nas duas últimas safras, com estimativa de 61,5 sacas por hectare, mais de 10 sacas acima das duas últimas safras, embora abaixo de 2022/23. Em Goiás, mesmo com plantio tardio, o potencial produtivo está em 66 sacas por hectare, duas sacas abaixo da safra 2024/25.
No Nordeste, a Bahia combina expansão das áreas irrigadas com recuperação das lavouras de sequeiro após a retomada das chuvas, mantendo potencial de 66 sacas por hectare, dentro da média dos últimos cinco anos. Maranhão, Piauí e Tocantins enfrentaram atrasos e maior necessidade de replantio, mas a região deve alcançar média de 60 sacas por hectare, pouco abaixo da safra passada, mas ainda dentro da média histórica recente.
No Sudeste, São Paulo avançou rapidamente no plantio e projeta 62 sacas por hectare. Já Minas Gerais teve o plantio mais tardio dos últimos anos, o que pressiona o calendário do milho, mas mantém potencial de 66 sacas por hectare. “As avaliações de campo são essenciais para aprofundar as análises, validar e ajustar os números. As previsões climáticas para os próximos 15 dias são favoráveis e não há um grande problema que preocupe os produtores. Caso essa condição permaneça em fevereiro e março devemos ter uma melhora significativa nos números de produtividade”, diz o coordenador do Rally.
100 mil quilômetros

Foto: Eduardo Monteiro/Rally da Safra
As equipes técnicas do Rally irão percorrer mais de 100 mil km por 14 estados – Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Goiás, Distrito Federal, Minas Gerais, São Paulo, Paraná, Santa Catarina, Rio Grande do Sul, Maranhão, Piauí, Tocantins, Bahia e Pará. As áreas visitadas respondem por 97% da área de produção de soja e 72% da área de milho.
Desde o dia 06 de janeiro os técnicos estão em campo e permanecerão até o final de março e início de abril. “Esse trabalho permite observar diretamente o desenvolvimento das lavouras, registrar diferenças regionais, avaliar impactos de manejo e, sobretudo, monitorar a influência do clima daqui em diante. Tudo isso garante que cada mudança seja captada com precisão e transformada em informação confiável para o setor”, ressalta Debastiani.
A equipe 1 abriu os trabalhos no Oeste do Paraná, partindo de Cascavel. Ao longo de uma semana, os técnicos percorreram lavouras nas regiões de Marechal Cândido Rondon, Palotina, Cascavel, Pato Branco, Laranjeiras do Sul, Goioerê e Campo Mourão, encerrando o trecho em Maringá no dia 15.
Na sequência, a equipe 2 entrou em campo no eixo da BR-163, em Mato Grosso. Saindo de Cuiabá, no dia 11, os técnicos seguiram rumo a Nova Mutum, avaliando áreas de soja nas regiões de Lucas do Rio Verde, Sorriso, Guarantã do Norte e Sinop, onde os trabalhos se encerram em 19 de janeiro.
Também em Mato Grosso, a equipe 3 começou os trabalhos no Oeste do estado no dia 10, passando por áreas em Nova Mutum, Diamantino, Campo Novo do Parecis, Sapezal e Campos de Júlio, antes de seguir para Vilhena (RO), com chegada prevista em Cuiabá no dia 17. Já no Sudeste mato-grossense, a equipe 4 inicia as avaliações em Sinop no dia 19, com destino a Campo Verde, Paranatinga, Primavera do Leste e Rondonópolis, concluindo o percurso em Cuiabá no dia 26.
No Sul do Mato Grosso do Sul, a equipe 5 percorrerá, entre 29 de janeiro e 05 de fevereiro, as regiões de Ponta Porã, Naviraí, Dourados e Maracaju, com saída e retorno a Campo Grande. Paralelamente, as equipes 6 e 7 retornam aos trechos da BR-163 e ao Oeste de Mato Grosso para uma nova rodada de verificações das lavouras.

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Agro paranaense participa de manifesto por modernização da jornada de trabalho
Documento assinado pelo Sistema Faep reforça necessidade de diálogo social, dados e respeito às especificidades de cada setor.

O Sistema Faep assinou, ao lado de outras 93 entidades de diversos setores produtivos do agronegócio, indústria, combustíveis, construção, comércio, serviços e transportes, o “Manifesto pela modernização da jornada de trabalho no Brasil”. O documento propõe um debate amplo e técnico sobre eventuais mudanças na carga horária semanal. O texto destaca a necessidade de conciliar qualidade de vida com a manutenção do emprego formal, da competitividade e da produtividade da economia brasileira.
Leia o “Manifesto pela modernização da jornada de trabalho no Brasil”

Foto: SEAB
“É fundamental olharmos para esse debate com atenção e responsabilidade. Antes da tomada de qualquer decisão, é preciso promover um amplo debate envolvendo as entidades representativas dos setores produtivos e, principalmente, o aprofundamento dos detalhes fora do âmbito político”, afirma o presidente do Sistema FAEP, Ágide Eduardo Meneguette. “Essa discussão precisa ser técnica, e não usada como ferramenta política para angariar votos em ano de eleição”, complementa.
O manifesto defende que mudanças estruturais envolvendo a jornada de trabalho sejam conduzidas com base em dados, diálogo social e diferenciação por setor, respeitando as particularidades das atividades econômicas. O Sistema FAEP reforça que o objetivo é garantir avanços sociais sem comprometer a sustentabilidade do emprego formal e a oferta de alimentos, preservando o equilíbrio entre desenvolvimento econômico e bem-estar dos trabalhadores.
Estudo elaborado pelo Departamento Técnico e Econômico (DTE) do Sistema FAEP aponta que a redução da jornada de trabalho no modelo 6×1, com diminuição de 44 horas para 36 horas semanais, vai gerar um acréscimo anual de R$ 4,1 bilhões à agropecuária do Paraná. O levantamento considera 645 mil postos de trabalho no agro paranaense e uma massa salarial anual de R$ 24,8 bilhões. Com a mudança, seria necessária uma reposição de 16,6% da força de trabalho para cobrir o chamado “vácuo operacional”, o que pode resultar na contratação de aproximadamente 107 mil novos trabalhadores para manter o atual nível de produção.
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Trigo safrinha ganha espaço no Cerrado e começa a ser semeado após a soja
Cultivo de sequeiro ajuda a diversificar a produção e pode render até 85 sacas por hectare em anos favoráveis.

O plantio do trigo de segunda safra, conhecido como trigo safrinha ou de sequeiro, começa neste início de março no Cerrado do Brasil Central. A cultura costuma ser semeada logo após a colheita da soja e aproveita as últimas chuvas da estação para se desenvolver sem necessidade de irrigação.
O sistema tem sido adotado por produtores da região por exigir investimento relativamente baixo e permitir o aproveitamento de áreas que ficariam em pousio. Além disso, o trigo ajuda a diversificar a produção e a quebrar o ciclo de pragas e doenças nas lavouras.
Mesmo com previsão de redução da área de trigo no país, conforme o Boletim da Safra de Grãos de fevereiro de 2026 da Companhia Nacional de Abastecimento, produtores do Cerrado demonstram otimismo com a cultura após os bons resultados registrados no último ano. A expectativa é de manutenção da área plantada ou até leve aumento.
Em 2025, cerca de 290 mil hectares foram cultivados com trigo nos estados de Minas Gerais, Bahia, Goiás, Mato Grosso e no Distrito Federal, sendo mais de 80% da área com trigo de sequeiro. Em Goiás, a estimativa para este ano é de plantio entre 80 mil e 90 mil hectares.

Foto: Fábio Carvalho
Na região, o cultivo geralmente ocorre em sistema de plantio direto, em sucessão à soja e em rotação com milho e sorgo. A prática contribui para a diversificação das lavouras e para o manejo de plantas daninhas resistentes, além de deixar palhada no solo para a próxima safra de verão.
Outra característica da produção no Cerrado é o calendário. Como a semeadura ocorre antes das demais regiões tritícolas do país, o trigo cultivado no Brasil Central costuma ser o primeiro a ser colhido no ciclo nacional. A colheita acontece entre junho e julho, período seco que favorece a qualidade dos grãos.
Os rendimentos nas lavouras da região variam, em média, de 35 a 85 sacas por hectare em anos com chuvas dentro da média. Esse desempenho tem estimulado produtores a manter ou ampliar o cultivo.
Para o plantio do trigo de sequeiro, recomenda-se que as áreas tenham altitude igual ou superior a 800 metros. Também é importante realizar análise e correção do solo, além de evitar compactação para favorecer o desenvolvimento das raízes.
A semeadura pode ser feita ao longo de março, de acordo com o regime de chuvas. Em áreas onde as precipitações terminam mais cedo, a orientação é antecipar o plantio para o início do mês. O escalonamento da semeadura e o uso de cultivares com ciclos diferentes são estratégias utilizadas para reduzir riscos climáticos.
Entre as opções disponíveis para o cultivo na região estão cultivares desenvolvidas pela Embrapa, como a BRS Savana, lançada no final de 2025, e a BRS 404, ambas adaptadas ao sistema de sequeiro em ambiente tropical. Essas variedades apresentam ciclo precoce e potencial de rendimento que pode chegar a cerca de 80 sacas por hectare em condições favoráveis.
Colunistas
Seu contrato de arrendamento pode ser extinto
Decisão recente do Superior Tribunal de Justiça estabelece que a perda judicial da propriedade pode encerrar o contrato de arrendamento rural e obrigar o arrendatário a desocupar o imóvel, mesmo com direitos de preferência previstos no Estatuto da Terra.

O arrendamento de imóvel rural é regulado pelo Estatuto da Terra (Lei n. 4.504/64) e por seu Regulamento (Decreto n. 59.566/66).
Como se sabe, o arrendatário (aquele que explora o imóvel mediante pagamento de aluguel/renda) tem direito de preferência em caso de alienação, em igualdade de condições com terceiros.
Além disso, o arrendatário tem direito de preferência na renovação do contrato de arrendamento, nas mesmas condições ofertadas a terceiros.

Artigo escrito por Fábio Lamonica Pereira, advogado em Direito Bancário e do Agronegócio.
Se o arrendatário não for notificado (por meio de Cartório de Títulos e Documentos) no prazo de seis meses que antecedem o vencimento do contrato, o instrumento será renovado automaticamente por igual período e condições.
Contudo, tais direitos podem não prevalecem em determinadas situações.
Em decisão recente do Superior Tribunal de Justiça – STJ (REsp n. 2187412), entendeu-se que, em caso de perda do imóvel por decisão judicial, o arrendatário perde o direito de continuar a explorar o imóvel.
A justificativa está na redação do Decreto que regulamenta o Estatuto que traz disposição de que o contrato de arrendamento se extingue (dentre outras situações) “pela perda do imóvel rural”.
Nesse sentido é que, em caso de decisão judicial cuja consequência leve à mudança de titularidade do imóvel rural, os direitos do arrendatário não prevalecerão.
Basta uma notificação do novo proprietário informando o arrendatário de que não há interesse na continuidade do contrato de exploração para que o imóvel seja desocupado.
E quanto aos investimentos realizados no imóvel por parte do arrendatário? Neste caso, restará a possibilidade de propositura de uma ação judicial para buscar eventual indenização junto ao proprietário anterior, então arrendante.
Assim, diante dos riscos envolvidos nas relações entre arrendante e arrendatário, bem como diante de possíveis desdobramentos e ações que possam vir a ocorrer a impactar o negócio, os contratos precisam prever tais situações extraordinárias, se possível com constituição de garantias, a fim de evitar surpresas e minimizar prejuízos aos envolvidos.



