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Ractopamina na produção de suínos ainda é pauta entre profissionais

Tema foi esmiuçado pelo professor e pesquisador do Departamento de Zootecnia da Universidade Federal de Lavras (Ufla), Vinícius Cantarelli

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Um dos eventos destaque na programação do Simpósio Brasil Sul de Suinocultura (SBSS), que aconteceu de 09 a 11 de agosto, em Chapecó (SC), trouxe vasta programação científica, e reuniu profissionais ligados à atividade suinícola de todo o país. Pesquisadores do Brasil e do exterior discorreram sobre importantes temas de atual relevância, oportunizando aos congressistas se aperfeiçoar e reciclar informações úteis ao setor.

Entre os palestrantes esteve o professor e pesquisador do Departamento de Zootecnia da Universidade Federal de Lavras (Ufla), em Minas Gerais, Vinícius Cantarelli. Ele falou sobre a importância do uso da ractopamina na suinocultura. Quarto maior produtor e exportador de carne suína do mundo, o Brasil tem grande interesse em manter o uso desse aditivo para continuar ampliando a competitividade da carne suína brasileira. Em um momento de altos custos na produção, usar estratégias para ter mais desempenho são anda mais fundamentais.

O Presente Rural entrevistou o pesquisador Cantarelli. Ele explica que a ractopamina é um aditivo agonista beta-adrenérgico, liberado pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) para uso em suínos, e que atua como repartidor de nutrientes. Isso significa que a ractopamina direciona nutrientes para a síntese de proteína em detrimento à síntese de gordura. A consequência é a melhoria na composição e qualidade da carcaça, além de melhor conversão alimentar. “Por isso, a ractopamina é considerada uma substância de grande interesse na produção de suínos, especialmente na fase final de produção, momento onde o consumo de ração e a deposição de gordura são altos, fato que onera os custos de produção de forma significativa”, explica Cantarelli.

A linha de apresentação de sua palestra no SBSS incluiu casos práticos que podem auxiliar o suinocultor a obter melhores resultados neste momento econômico que passa a atividade. “Vamos apresentar informações técnicas da ractopamina e qual o valor que a tecnologia agrega aos diferentes elos da cadeia suinícola. Sabemos que a suinocultura se viabiliza em números e, por isso, vamos apresentar simulações e viabilidade de uso, principalmente na situação que estamos vivendo, de alto custo das rações. Além disso, vamos apresentar a situação atual do uso da ractopamina e perspectivas para os próximos anos”, frisa.

Finalidade

Para o pesquisador, o aditivo gera benefícios em todos os elos da cadeia, ou seja, do campo ao prato do consumidor. “Melhorias na conversão alimentar dos animais, maior ganho de peso dos animais, aumento na quantidade de carne magra da carcaça, possibilidade de comercializar cortes nobres e produtos mais saudáveis”, enumera. “Além disso, atende à demanda atual de produção de carne mais sustentável, pois produz mais carne suína por hectare, com menos dejetos, menos água e maior lucratividade”, amplia. São fatos que, na opinião do professor da Ufla, fazem da ractopamina “uma das principais tecnologias para garantia de competitividade na cadeia suinícola”.

Como Funciona

O professor explica que centenas de estudos em todo o mundo, com doses já testadas (máximo 20 ppm), garantem que a ractopamina não causa danos à saúde dos suínos, mas há discussões sobre outros aspectos hoje em dia. “O que gera bastante discussão no campo e no meio científico é com relação ao estresse, principalmente no carregamento, transporte, desembarque no frigorífico. A explicação é que a ractopamina atua em receptores beta-adrenérgicos presentes na membrana das células. Nosso interesse é que este aditivo atue nas células do tecido muscular e tecido adiposo, promovendo aumento na síntese de proteína e diminuição da síntese de gordura, respectivamente. No entanto, os receptores B-adrenérgicos também estão presentes nas células de outros órgãos, como no músculo cardíaco, fato que aumenta a atividade das mesmas, podendo assim, aumentar os batimentos cardíacos. Esta é uma situação fisiológica que pode ocorrer com maior ou menor intensidade, dependendo da genética (gene halotano), exposição a um manejo estressante, condição climática (estresse por calor), etc”, conta o pesquisador. “Temos atendido situações de perdas com o uso da ractopamina nas etapas pré-abate”, exemplifica.

O professor alerta, contudo, que a atividade não deve deixar de usar o aditivo por esses motivos. “A única decisão que não devemos tomar é de deixar de usar o aditivo, visto os benefícios que o mesmo traz a toda a cadeia suinícola. O que recomendamos, de modo geral, são ajustes nos manejos de carregamento, transporte e pré-abate, fatos que diminuem estresse e mortalidade; adequação de equipamentos para peso médio dos suínos e uniformidade de lotes; além de conhecer a origem dos lotes – genética, dose de ractopamina utilizada, tempo de transporte, condição climática, etc. Para humanos, não existem indícios de que o consumo de carne suína oriunda de animais tratados com ractopamina cause qualquer tipo de efeito adverso.

Mercados Barram

Mas quais motivos levam países a restringir o uso desse aditivo na produção suinícola mundial. O professor explica que os motivos são vários, mas todos sem embasamento científico. “Os países da União Europeia preferem optar pela precaução, mesmo fato que ocorreu com a restrição aos antibióticos promotores de crescimento. Na Rússia, a justificativa é basicamente barreira comercial, pois precisa regular a balança comercial e por isso regular as importações. Nos países asiáticos, como China e Taiwan, os problemas são mais ligados aos políticos radicais”, cita. “Por isso, devemos trabalhar a cadeia como qualquer mercado. Ou seja, se existe um cliente que paga por um produto específico, devemos nos adequar para nos mantermos competitivos. Mas se não firmar contratos que sejam viáveis economicamente, não faz sentido perder os bons resultados se não temos garantia destes mercados. Vamos seguir o modelo americano e nos posicionar no mercado para atender os clientes. Se alguns querem, vamos segregar e vender para quem quer e quem não quer”, sugere.

Cantarelli comenta que não existe nenhuma informação na literatura, mas sabe-se que a busca para desenvolver um substituto é bastante atrativa, visto o tamanho do mercado. “Temos contatos com alguns pesquisadores que têm investido em novas tecnologias, mas ainda em fase de desenvolvimento e sem a certeza de obter os mesmos impactos que a ractopamina promove”, revela. Além disso, mercados mais importantes, como Japão, Coreia do Sul, México e Estados Unidos, não têm restrição ao uso deste aditivo.

Impactos da Retirada

Cantarelli explica que o não uso da ractopamina é uma opção, no entanto, o setor terá que conviver com menor lucratividade e competitividade. Por isso, certamente seria uma decisão errada, visto que a ractopamina é aprovada para o uso no Brasil e o mercado doméstico representa 80% das vendas.

Os impactos em sanidade seriam quase imperceptíveis, no entanto, os impactos na qualidade das carcaças e econômicos seriam bastante significativos, afirma o pesquisador. “A perda na qualidade de carcaça é visual, e de fato os açougueiros se assustam e reclamam quando se deparam com carcaças oriundas de suínos que não foram tratados com ractopamina. Não podemos esquecer que os açougueiros são os principais vendedores da nossa carne, e se queremos continuar avançando no consumo per capta, temos que contar com estes atores tão importantes para a cadeia suinícola. Quanto aos impactos econômicos, a resposta é direta, ou seja, quem faz conta (como empresários) sabe que para retirar a ractopamina do sistema de produção, a proposta tem que ser bastante atrativa. É só conversamos com os produtores americanos e iremos perceber o porquê a resposta desta questão é bastante direta: “se pagar mais, segregamos, do contrário, precisamos ganhar dinheiro e sermos competitivos”, arremata Cantarelli, também sócio e consultor da empresa AnimalNutri.

Mais informações você encontra na edição de Suínos e Peixes de julho/agosto de 2016 ou online.

Fonte: O Presente Rural

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Carne suína encontra espaço para reposicionamento diante do consumidor híbrido

Para a Associação Brasileira de Criadores de Suínos, comunicação segmentada, conteúdo digital e valorização do perfil nutricional da proteína são caminhos para fortalecer a conexão com o novo comprador.

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O consumidor brasileiro entra em 2026 vivendo uma combinação inédita de sofisticação digital, pressão econômica e forte carga emocional nas decisões de compra, é o que revela o novo relatório “O Consumidor Brasileiro em 2026”, da MiQ, uma empresa global de tecnologia especializada em publicidade e inteligência de dados. A Associação Brasileira de Criadores de Suínos (ABCS) entende a importância de acompanhar as novas tendências de consumo, além de compartilhar esses aprendizados com toda a cadeia de produção, já que o novo perfil de consumo no país revela um comprador atento, comparativo e cada vez menos tolerante a atritos, alguém que decide com a mente, o bolso e o sentimento ao mesmo tempo, tornando-se essencial adequar a carne suína a este novo contexto. Veja os destaques da pesquisa!

Hiperconectividade e decisão de compra

Dados reunidos pela MiQ mostram que 74% das decisões de compra começam no smartphone, mesmo quando a transação final acontece no ambiente físico. O celular deixou de ser apenas um canal de acesso e passou a atuar como assistente pessoal, comparador de preços, carteira digital e principal mediador da jornada de consumo no Brasil. Não por acaso, o país se consolida como o ecossistema digital mais avançado da América Latina.

A pressão inflacionária e o cenário econômico instável mudaram a lógica de priorização de gastos. Segundo o levantamento, 72% dos consumidores latino-americanos comparam preços em pelo menos duas plataformas antes de comprar, e mais da metade afirma ter reorganizado seus hábitos de consumo nos últimos 12 meses. No Brasil, essa racionalidade não elimina o impulso, mas o torna mais calculado: promoções, cashback, pontos e benefícios imediatos funcionam como gatilhos decisivos.

Ao mesmo tempo, o entretenimento ocupa um papel central no comportamento do consumidor. Plataformas como YouTube, TikTok e Instagram deixaram de ser apenas espaços de lazer e passaram a moldar a descoberta, a validação e a decisão de compra. Seis em cada dez compras digitais na América Latina começam em uma rede social, e no Brasil o consumo de vídeo por hora é o mais alto da região. O conteúdo, especialmente em vídeo, tornou-se a principal ponte entre marcas e consumidores.

Esse movimento também redefine a confiança. A pesquisa mostra que o consumidor brasileiro de 2026 é desconfiado e exige provas reais. Avaliações, tutoriais, vídeos explicativos e recomendações de criadores têm mais peso do que a publicidade tradicional. A reputação da marca, a clareza das informações e a fluidez da experiência são fatores tão importantes quanto o preço.

Rapidez e personalização

Outro traço marcante é a intolerância ao atrito. Checkouts longos, processos confusos, falta de transparência ou opções limitadas de pagamento afastam o consumidor imediatamente. A popularização do PIX, utilizado semanalmente por mais de 80% dos brasileiros, elevou o padrão de expectativa por rapidez e simplicidade. Em um contexto de incerteza, reduzir o esforço tornou-se tão valioso quanto reduzir o custo.

O Brasil também se destaca pelo apetite por experiências personalizadas, desde que acompanhadas de práticas claras de privacidade. O consumidor quer relevância, mas exige controle e transparência no uso de seus dados. Esse equilíbrio entre personalização e confiança será decisivo para marcas que desejam manter competitividade.

Em síntese, o consumidor brasileiro que chega a 2026 é híbrido: impulsivo e estratégico, emocional e racional, exigente e aberto à experimentação. A gerente de marketing da ABCS, Danielle Sousa, explica que o consumidor transita entre o físico e o digital com naturalidade, consome entretenimento como parte da rotina e espera que as marcas entendam seu contexto, respeitem seu tempo e entreguem valor imediato.

“Diante desse novo consumidor que é estratégico, digital e exigente,  carne suína encontra uma grande oportunidade de reposicionamento. A personalização pode acontecer desde a comunicação segmentada nas redes sociais até a oferta de cortes, porções e receitas adaptadas a diferentes perfis e momentos de consumo”, explica ela, que também destaca o potencial nutricional da proteína suína. “O alto teor de proteína, vitaminas do complexo B e excelente relação custo-benefício dialogam diretamente com quem busca saúde, praticidade e inteligência financeira na hora da compra. Iniciativas digitais como o @maiscarnesuina já exemplificam esse movimento, ao levar conteúdo relevante e informativo ao público, fortalecendo a conexão entre produto, confiança e decisão de compra.”

Fonte: Assessoria ABCS
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Paraná consolida liderança na exportação de suínos de raça; colheita de soja alcança 37%

Em 2025, o Paraná foi responsável por 62,1% da receita nacional de exportação de suínos de alto valor genético (US$ 1,087 milhão), tendo o Paraguai como o principal destino desse material.

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Fotos: Ari Dias/AEN

O Departamento de Economia Rural (Deral), da Secretaria da Agricultura e do Abastecimento (Seab), divulgou nesta quinta-feira (26) o Boletim Conjuntural com dados atualizados da última semana de fevereiro. Nos assuntos em destaque, o levantamento aponta que o Paraná consolidou sua posição, entre os estados brasileiros, como o maior exportador de suínos reprodutores de raça pura.

Em 2025, o Paraná foi responsável por 62,1% da receita nacional de exportação de suínos de alto valor genético (US$ 1,087 milhão), tendo o Paraguai como o principal destino desse material. Esse desempenho reforça a sanidade e o padrão tecnológico do rebanho paranaense, que atende mercados como Argentina, Uruguai e Bolívia. “Essa escolha pelo Paraná mostra, mais uma vez, que o Estado tem genética de ponta e sanidade do rebanho”, destaca a médica veterinária e analista do Deral, Priscila Marcenovicz.

Fotos: Geraldo Bubniak/AEN

Ainda dentro da área da pecuária, o boletim destaca as exportações de carne bovina brasileira, que atingiram 258,94 mil toneladas, um aumento de mais de 25% em comparação ao mesmo mês do ano passado.

Há uma preocupação com a cota de importação chinesa, estabelecida em 1,1 milhão de toneladas. Só em janeiro, mais de 10% dessa cota já foi utilizada, o que pode causar variações no preço ao longo do ano. Mas outros mercados importantes continuam aumentando as aquisições de carne brasileira. No mercado interno, a maioria dos cortes bovinos pesquisados pelo Deral subiu de preço, com destaque para o filé mignon, que acumula alta de 17% em um ano.

Na avicultura de corte, o cenário é de margens positivas para o produtor paranaense. O custo de produção do frango vivo encerrou 2025 em R$ 4,65/kg, uma queda de 2,9% em relação ao ano anterior, impulsionada principalmente pelo recuo nos preços da ração (-8,92%). No fechamento do ano, o preço médio recebido pelo produtor (R$ 4,92/kg) ficou 4,2% acima do custo médio anual, preservando a rentabilidade em um setor que lidera as exportações de carne no Brasil.

Safra

O boletim trata ainda dos números da estimativa de safra, com base no relatório de Previsão de Safra Subjetiva, que tem como destaque a atualização da área de plantio do milho.

No setor de grãos, a soja caminha para uma colheita robusta, mantendo a estimativa de 22,12 milhões de toneladas para o ciclo 2025/26. Até o momento, os trabalhos de campo atingiram 37% dos 5,77 milhões de hectares plantados, um ritmo considerado dentro da normalidade histórica. A manutenção da projeção traz segurança ao setor produtivo, embora o avanço da colheita da oleaginosa seja monitorado de perto, já que dita o ritmo de plantio do milho segunda safra e ajuda a mitigar riscos climáticos na janela de semeadura.

O milho também desempenha papel central no balanço mensal, com previsão de alcançar 21,1 milhões de toneladas no somatório das duas safras. A primeira safra já está com 42% da área colhida, enquanto o plantio da segunda safra atingiu 45% dos 2,86 milhões de hectares previstos. A ampla área destinada ao cereal no segundo ciclo sustenta a perspectiva de produção elevada, garantindo o suprimento para a cadeia de proteína animal, apesar da concorrência direta com a soja pelo cronograma de uso das áreas agrícolas.

Foto: Jaelson Lucas / AEN

Para o analista do Deral, Edmar Gervasio, o momento é bom. “Estamos tendo uma recuperação de área de plantio. Comparando com o período anterior, tivemos uma alta de mais de 20% em termos de área. Há muito tempo não se via um ganho de área na primeira safra porque a soja sempre é a principal cultura no primeiro ciclo de verão. Nesse ano, teve uma inversão. O milho ganhou espaço, principalmente, na primeira safra. E a produtividade tem sido muito boa. Devemos colher em torno de 3,6 milhões de toneladas na primeira safra e esse número pode melhorar”, disse.

Em contraste com a estabilidade da soja, a cultura do feijão acende um alerta devido à forte redução de área. O levantamento de fevereiro aponta uma retração na área da segunda safra em relação ao ano anterior. Segundo Carlos Hugo Godinho, engenheiro agrônomo e analista do Deral, a redução é um movimento de cautela do produtor, que busca culturas com custos de manejo mais previsíveis neste momento.

“Para quem produz, o cenário é de preços firmes, o que pode compensar o menor volume colhido. Já para o consumidor, mesmo com oscilação de preços a subida tem ocorrido de forma gradual e o varejo ainda possui estoques que amortecem o repasse imediato. A recomendação é que o consumidor pesquise, pois o feijão preto, por exemplo, ainda apresenta valores bem mais acessíveis que no mesmo período do ano passado”, diz.

Fonte: AEN-PR
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Estudantes do Oeste do Paraná desenvolvem soluções para o mercado agro global

Projetos criados na Faculdade Donaduzzi e incubados no Biopark utilizam inteligência artificial e ciência de dados para aumentar eficiência, reduzir custos e acelerar a digitalização do campo.

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Projeto Peso na Granja criado por estudantes da Faculdade Donaduzzi, usa IA para para estimar o peso de suínos com precisão e atende demandas do mercado - Foto: Shutterstock

O Paraná, um dos principais motores do agronegócio mundial, pode ampliar a digitalização do campo com a entrada de novas soluções tecnológicas no mercado. O Biopark, ecossistema de inovação sediado em Toledo, oficializou a incorporação de projetos desenvolvidos por estudantes da Faculdade Donaduzzi à sua trilha de produção comercial.

Foto: Shutterstock

As tecnologias utilizam Inteligência Artificial (IA), ciência de dados e visão computacional para enfrentar gargalos históricos do agronegócio brasileiro, com foco em eficiência operacional, redução de custos e aumento de produtividade. A iniciativa consolida a transição de protótipos acadêmicos para soluções de alta complexidade, estruturadas para atender produtores rurais, cooperativas e integradoras.

O movimento reforça o posicionamento do Oeste paranaense como polo de inovação aplicada ao agro, conectando formação técnica, pesquisa e mercado.

Suinocultura 4.0 no campo

Entre os projetos que avançam para a fase comercial está o Peso na Granja, desenvolvido por alunos do curso de Ciência de Dados e Inteligência Artificial. A solução responde a um dos principais desafios da suinocultura de precisão: a pesagem dos animais sem manejo físico.

Com uso de redes neurais profundas, o sistema identifica individualmente os suínos por imagem e extrai medidas biométricas sem contato

Foto: Shutterstock

direto, alcançando precisão de 98%. A tecnologia automatiza a pesagem, reduz o estresse animal e qualifica o controle zootécnico das granjas.

Na prática, o produtor passa a contar com dados em tempo real para ajustes finos na nutrição, monitoramento da curva de conversão alimentar e identificação precoce de possíveis enfermidades. O ganho é duplo: melhoria do desempenho produtivo e maior previsibilidade de resultados.

O projeto foi reconhecido nacionalmente ao ser premiado no Hackathon do Show Rural Digital 2026, um dos principais eventos de inovação voltados ao agronegócio no país.

Compliance no campo

Outra frente tecnológica que conquista o mercado nacional foca na desburocratização do agronegócio. Criada por estudantes de Análise e Desenvolvimento de Sistemas e de Engenharia de Software, a solução automatiza a gestão de licenciamentos ambientais e de outorgas.

Foto: Shutterstock

A plataforma emite alertas inteligentes sobre prazos legais, evitando multas e paralisações operacionais. A ferramenta reduz custos logísticos para as grandes integradoras ao eliminar vistorias burocráticas presenciais. Inicialmente voltado à piscicultura, o software poderá ser adaptado a outros setores que exigem controle regulatório.

Trilha empreendedora

O avanço das soluções tecnológicas para a fase comercial é estruturado pela Trilha Empreendedora do Biopark, modelo que organiza a transformação de projetos acadêmicos em negócios sustentáveis. O programa é dividido em etapas que contemplam maturação tecnológica, validação de mercado, com foco em marketing, vendas e precificação, e residência no parque tecnológico, etapa voltada à conexão com investidores e parceiros estratégicos. “Estamos preparados para receber projetos em todos os estágios. Identificamos o nível de maturidade e aplicamos a expertise necessária para que a ideia se torne uma empresa que gere empregos e produtividade”, afirma Hermes Ignacio, gerente de Novos Negócios do Biopark.

A consolidação do modelo também reflete a estratégia acadêmica da Faculdade Donaduzzi, que direciona a formação para desafios concretos do agronegócio. A proposta integra ensino, pesquisa aplicada e desenvolvimento tecnológico em ambiente de inovação, aproximando estudantes das demandas reais do setor produtivo.

Segundo a gerente acadêmica Dayane Sabec, o objetivo é formar profissionais com capacidade de converter conhecimento técnico em valor econômico e social. “Nosso objetivo é formar profissionais capazes de transformar conhecimento em valor econômico e social, conectando ciência, tecnologia e empreendedorismo. Quando um projeto acadêmico alcança o mercado, reafirmamos a potência de uma educação que ultrapassa os muros da sala de aula e contribui diretamente para o desenvolvimento regional e nacional”, destaca.

Fonte: Assessoria Biopark
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