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Suínos / Peixes Nutrição

Ração é para peixe crescer, não excretar em excesso, defende especialista de Portugal

Dar uma ração de qualidade e que atenda aquilo que o animal necessita faz toda a diferença no ganho de peso e qualidade do animal

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Arquivo/OP Rural

Um dos pontos essenciais para uma boa produção, com bons resultados finais, é a nutrição. Elementar para garantir ao piscicultor que seu produto atenda aquilo que a indústria e o consumidor final desejam, é importante saber o que o peixe está comendo, se está comendo como deve e se a nutrição atende aos requisitos da espécie e da idade. Durante o 1° Fórum de Piscicultura das Cooperativas Paranaenses, que aconteceu em junho, em Toledo, no Oeste do Estado, a doutora em fisiologia e nutrição de peixes de Portugal, Cláudia Figueiredo da Silva, falou com produtores sobre os desafios da nutrição e alimentação de peixes.

Segundo a profissional, o alimento oferecido ao animal deve ser eficiente do ponto de vista energético e ambiental. “Eu quero que ele seja utilizado e absorvido pelo animal, para ele crescer e não para excretar e fazer crescer outros organismos que eu não tenho interesse para contaminar meu solo. É um grande desafio para o produtor e especialistas de nutrição”, diz.

Cláudia assegura que a intensificação na produção aumentou ainda mais essa dificuldade na correta nutrição da piscicultura. “A intensificação tem o risco, porque eu quero produzir mais, mas eu tenho maior risco em ter doenças, bactérias e outros problemas”, comenta. Ao mesmo tempo, continua, também é uma necessidade de o produtor usar cada vez menos antibióticos. “Como conseguimos isso? Precisamos apostar em um sistema de produção e uma nutrição que permitam que o animal seja saudável e evite doenças”, afirma.

O objetivo atualmente é produzir mais com menos recursos. “Estamos falando da produtividade e eficiência”, conta. A profissional indaga: o que significa produtividade e eficiência? “Pensando somente na tilápia, é quando medimos o crescimento, rendimento, robustez, sobrevivência e conversão alimentar. Porque eu quero alimentar o meu peixe e não o meu tanque”, responde. Cláudia reitera que é imprescindível o piscicultor oferecer um alimento de qualidade. “Porque isso também interfere na qualidade do filé. A tilápia atualmente é processada e vendida como filé e essa é uma forma de medir a minha produtividade. É necessário oferecer um alimento que garante crescimento, sobrevivência, rendimento e a qualidade do filé”, assegura.

Genética 

De acordo com a especialista, um dos principais fatores que interfere na qualidade e tamanho do peixe é a genética. “Vamos pensar no frango, em como ele evoluiu nas últimas décadas, tudo isso graças à genética utilizada”, diz. Cláudia comenta que há décadas outras cadeias vêm estudando a alimentação dos animais, a utilização de aditivos, aminoácidos, minerais e vitaminas. “E na aquacultura? Somente alguns anos”, menciona. Mas assegura que as outras cadeias, como aves e suínos, passaram pelo mesmo processo e tiveram as mesmas dúvidas que hoje a piscicultura tem em relação à nutrição.

Além da genética, comenta, a sanidade e o manejo são outros fatores que interferem na boa produção. “Vai afetar no bem-estar do meu animal, vai fazer com ele seja mais ou menos saudável. Tudo isso depende do meu sistema de produção”, diz. Ela mostra ainda que a distribuição do alimento de forma homogênea, para ter um grupo mais igual, é igualmente importante quanto outros fatores. “Ter bons resultados tem a ver com ter a melhor genética, sistema de produção, alimentar de forma correta, otimizar. Se não, eu posso ter a melhor nutrição do mundo, mas se o animal não responder, porque tem alguma doença ou outro problema”, diz.

Cláudia afirma que o custo de alimentação pode ser alto, mas é muito trabalho envolvido para desenvolver este alimento de melhor qualidade. “Quando eu tenho um carro de alta velocidade, que chega de 0 a 100 e um minuto, qual é o consumo? Eu tenho que alimentar essa máquina para ela fazer isso. Com a tilápia é a mesma coisa. Se eu quero ter uma super tilápia, eu tenho que alimentar ela bem para crescer e se desenvolver”, diz.

Intensificação

Sobre a intensificação, Cláudia afirma ainda que com o passar dos anos ela foi aumentando na piscicultura. “A produtividade passou de 4 a 6 toneladas por hectare para 15 a 20 hectares, chegando em algumas fazendas de 30 a 50 toneladas por hectare. Assim, é preciso ter atenção, porque não é somente colocar o peixe lá dentro, eu preciso ajustar as tabelas de alimentação, as porcentagens de renovação de água, qualidade. Tudo isso para evitar doenças e garantir uma melhor produção”, afirma.

Atenção em todos os detalhes

A pesquisadora informa que uma tecnologia importante na produção de tilápia é o aerador. “O peixe não come sem oxigênio. É preciso ter um nível de oxigênio na água, é algo crucial, porque se ele não tem oxigênio suficiente ele não come”, informa. Além disso, assegura, como a intensificação está se tornando cada vez mais comum, os aeradores são ferramentas essenciais para uma boa produção da piscicultura.

De acordo com Cláudia, o alimentador automático é outra ferramenta fundamental. “Eu quero que todos os meus peixes comam de forma homogênea, para quando eu fazer a despesca, ela ser de forma homogênea”, comenta. Outro detalhe que o piscicultor deve se atentar é a importância de oferecer rações específicas para a tilápia, para assim ela ter uma melhor eficiência alimentar, conversão alimentar mais vantajosa e desenvolver todo o potencial genético.

A qualidade da água, reforça a pesquisadora, é fundamental para o bom desenvolvimento do peixe. “Amônia, oxigênio, temperatura, densidade de estocagem, são pontos importantes de serem monitorados. Se tiver como monitorar tudo diariamente de forma automática, melhor. Porque tudo isso pode representar fatores de estresse para o animal”, conta. Ela explica que é fundamental evitar ao máximo situações de estresse do peixe e utilizar uma nutrição que vai permitir modular o sistema imune de forma que o peixe de uma resposta mais adequada, gastando menos energia. “Ou seja, a nutrição otimizada é, sem dúvida, o primeiro passo para termos um animal saudável”, garante.

Segundo a pesquisadora, ainda é necessário que tanto o produtor quanto o nutricionista se perguntem: quais e em que quantidade de alimentos os animais precisam para que sejam saudáveis e saborosos? “Isso porque é preciso satisfazer a necessidade dos consumidores. É importante que o filé seja saboroso. Devo sempre pensar no meu consumidor final, o que ele quer, porque é ele quem manda. Tenho que avaliar como posso melhorar e valorizar meu produto”, recomenda.

Algo essencial, de acordo com Cláudia, quando pensar em nutrição, é pensar no que o peixe come. “A ração representa entre 50 a 75% dos custos de produção no sistema intensivo de tilápia. Então é importante que eu entenda o que estou dando para o meu animal e se eu estou ou não satisfazendo as necessidades dele”, alerta. “A nutrição tem um impacto muito grande na produção animal e na produtividade da tilápia. Por isso, ela merece a nossa total atenção”, afirma.

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Fonte: O Presente Rural
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Suínos / Peixes Dietas

Mananoligossacarídeos – MOS: modo de ação e benefícios na produção animal

Além de auxiliar na prevenção de ocorrência de determinadas enfermidades, o MOS atua na modulação da microbiota intestinal

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Arquivo/OP Rural

Artigo escrito por Eliana Dantas, médica veterinária, PhD e gerente técnico Global para Monogástricos da Biorigin

A inclusão de aditivos nutricionais nas dietas dos animais de produção é uma prática comum e observada globalmente, pois os aditivos têm se mostrado como uma ferramenta útil na prevenção de desordens intestinais, na melhora da saúde intestinal e na melhora das respostas de defesa dos animais.

Com a expansão global da restrição ao uso de antibióticos como promotores de crescimento, muitas alternativas têm sido estudadas e muitas são as ofertas ao mercado de produtos funcionais que, dentro de um programa sanitário e de melhorias no manejo, buscam manter o bem-estar e o desempenho animal. Neste contexto, para que o produtor possa fazer uma escolha assertiva, faz-se necessário o entendimento adequado do modo de ação específico dos diferentes aditivos e similares e a compreensão das melhores formas de aplicação, considerando principalmente as possíveis combinações de produtos e os resultados esperados de acordo com a fase de produção e os seus principais desafios.

Entre as alternativas estão os produtos prebióticos. Prebióticos são ingredientes alimentares que não são digeridos na porção proximal do trato gastrintestinal de animais monogástricos e são benéficos ao hospedeiro por estimular, seletivamente, o crescimento e/ou atividade de um limitado número de microrganismos no cólon, os quais proporcionam um ambiente intestinal saudável.

Derivados da levedura Saccharomyces cerevisiae possuem ação prebiótica e os mananoligossacarídeos (MOS) são empregados há tempos na alimentação animal, com diversos benefícios comprovados.

O MOS é parte integrante da parede da levedura e apresenta como forma de ação a capacidade de aglutinar bactérias Gram-negativas que contém fímbria tipo 1, modular a flora intestinal por servir de substrato para o crescimento de bactérias benéficas, adsorver algumas micotoxinas e tem capacidade de estimular alguns parâmetros da função imune intestinal. A capacidade de adsorção das bactérias patogênicas se dá através da ação das mananas (polímero de manose) que atuam como ligantes de alta afinidade para receptores manose-específicos presentes em fímbrias tipo 1. Com esta ligação, o patógeno não se adere à mucosa intestinal, sendo expelido através das fezes, sem que ocorra a infecção, mantendo-se assim a saúde e o desempenho animal.

A mesma prevenção ocorre em casos de intoxicação por micotoxinas, já que o MOS é capaz de se ligar seletivamente e inativar determinadas micotoxinas no lúmen intestinal. Além de auxiliar na prevenção de ocorrência de determinadas enfermidades, o MOS atua na modulação da microbiota intestinal favorecendo a proliferação de bactérias benéficas, especialmente Lactobacillus e Bifidobacterium, as quais fermentam o MOS para sua nutrição e neste processo há a produção de ácidos graxos de cadeia curta que servem de fonte energética aos enterócitos, e ainda há a redução do pH do meio, o que torna o ambiente desfavorável ao desenvolvimento de determinadas bactérias patogênicas, resultando em proteção e integridade intestinal.

Estudos recentes

Por fim, estudo recente comprovou a ação do MOS no fortalecimento da imunidade intestinal de animais infectados experimentalmente com Escherichia coli, através do aumento da produção de anticorpos anti-E. coli e aumento da produção das citocinas IL-1, IL-6, IL-10 e TNF-α.

Tendo a microbiota do trato digestivo ação significativa no estado sanitário dos animais e sendo a imunidade local de extrema importância para a proteção animal, o emprego do MOS na dieta representa uma ferramenta útil na manutenção da saúde intestinal e no combate aos desafios de campo, favorecendo ao final os índices zootécnicos e produtivos, reduzindo a dependência aos antibióticos.

Com o objetivo de avaliar os efeitos benéficos da inclusão mananas de alta solubilidade na dieta de leitões desmamados, realizou-se um estudo com desafio experimental com Escherichia coli K88 que avaliou o desempenho animal e a saúde intestinal na Universidade de Minnesota. O processo de produção deste aditivo torna a camada de mananas mais solúvel, o que eleva sua atividade e expõe parcialmente a camada de glucanas, responsáveis por modular a resposta imune sistêmica, potencializando assim o efeito prebiótico deste produto, quando comparado ao MOS padrão.

Neste estudo fez-se a inclusão de 0,1% do aditivo comercial na dieta dos leitões durante os primeiros 11 dias pós-desmame. Os resultados desta inclusão foram comparados aos dos animais desafiados e não suplementados com o aditivo prebiótico. Como resultado desta inclusão do aditivo na dieta dos leitões houve maior ganho de peso total pelos leitões (P=0,002) e maior ganho de peso diário (P=0,02) e melhora na conversão alimentar (P=0,01). Observou-se ainda maior proliferação celular nos tecidos linfoides de íleo e linfonodo mesentérico dos animais tratados, indicando a ação do produto na modulação do sistema imune. Houve também maior produção de ácidos graxos voláteis de cadeia curta e vilosidades intestinais maiores, demonstrando a influência positiva do aditivo na mucosa intestinal.

Poder de aglutinação 

Estes resultados evidenciam o poder de aglutinação da E. coli pela levedura Saccharomyces cerevisiae e seu efeito positivo na saúde intestinal, na proteção e no desempenho dos animais.

Todos estes benefícios comprovam a importância do emprego de MOS de alta qualidade na dieta dos animais de produção na promoção da saúde e desempenho, na função imune e no fortalecimento da barreira intestinal. Também, comprova-se a importância de seu emprego nos programas de redução no uso de antibióticos, ressaltando que, em relação aos antibióticos promotores de crescimento, o MOS e outros derivados da levedura Saccharomyces cerevisiae não exigem período de carência, não possuem efeito residual e não induzem mutação ou resistência bacteriana.

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Fonte: O Presente Rural
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Suínos / Peixes Nutrição

Pesquisas indicam benefícios de minerais orgânicos na nutrição de suínos

Minerais constituem parte importante do organismo animal, representando de 2,8 a 3,2% do peso vivo dos suínos

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Arquivo/OP Rural

Artigo escrito pela equipe técnica da Yes, Verônica Lisboa Santos, Juliana Bueno da Silva, Fabiana Golin Luiggi e Carlos Ronchi

A evolução das técnicas de criação tem possibilitado melhores índices de desempenhos produtivo e reprodutivo dos suínos, permitindo aos nutricionistas formularem dietas cada vez mais específicas, de modo a atender, com maior precisão, as exigências dos animais. Os minerais constituem parte importante do organismo animal, representando de 2,8 a 3,2% do peso vivo dos suínos. Entretanto, as variações na biodisponibilidade destes, as ações de sinergismo ou antagonismo existentes entre estes elementos e os problemas ambientais cada vez mais crescentes com o uso de fontes inorgânicas nas rações de suínos têm alertado pesquisadores a buscar alternativas que resultem em menor excreção pelos animais. A formulação de dietas com níveis de microminerais que excedem as recomendações nutricionais tem sido muito utilizada nas granjas de suínos. O excesso empregado, entretanto, acarreta maior excreção desses elementos devido ao mecanismo homeostático dos tecidos, além de poder causar efeitos prejudiciais, como diarreias e desequilíbrios, que podem levar a redução da biodisponibilidade de outros minerais, sem melhora em sua concentração.

Neste sentido, um aspecto a ser considerado sobre suplementação mineral diz respeito ao uso de minerais na forma orgânica, cuja estrutura molecular permite absorção diferenciada, garantindo o seu melhor aproveitamento.

Os minerais quelatados são íons metálicos ligados quimicamente a uma molécula orgânica, formando estruturas com características únicas de estabilidade e de alta biodisponibilidade mineral. Eles são mais facilmente absorvidos, mais passíveis de propiciar um melhor desempenho, qualidade de carcaça, além de serem altamente disponíveis aos animais. Foram estabelecidas as seguintes definições de elementos traços orgânicos.

  • Quelato metal-aminoácido: produto resultante da reação de um sal metálico solúvel com aminoácidos na proporção molar, isto é, um mol do metal para um a três moles (preferencialmente dois) de aminoácidos na forma de ligação covalente coordenada. O peso molecular médio dos aminoácidos hidrolisados pode ser, aproximadamente, de 150 dáltons e o peso molecular resultante do quelato não deve exceder a 800 dáltons;
  • Complexo aminoácido-metal: produto resultante da complexação de um sal metálico solúvel com aminoácido(s);
  • Complexo aminoácido específico-metal: produto resultante da complexação de um sal metálico solúvel com um aminoácido específico;
  • Metal proteinato: produto resultante da quelação de um sal solúvel com uma proteína parcialmente hidrolisada;
  • Complexo metal-polissacarídeo: produto resultante da complexação de um sal solúvel com polissacarídeo.

Interferências 

Na prática, não basta apenas realizar um aporte de minerais sem considerar os distintos fatores que vão influenciar sua absorção e, portanto, utilização no organismo. Existem diversas circunstâncias que vão atuar sobre a eficiência com a qual um mineral é absorvido:

Interações entre minerais

Formação de precipitados insolúveis quando dois ou mais cátions competem pelo mesmo ânion. Este é o caso do ácido fítico, pois quando um sal solúvel é ionizado no intestino, o cátion pode ser sequestrado por ele, formando fitatos, que são sais estáveis e insolúveis, o que os torna não absorvíveis. Esta reação ocorre, sobretudo, com Ca, Zn e Fe. Por outro lado, pode ocorrer que quando a molécula ligante não esteja presente em excesso, a suplementação de um elemento pode aumentar a disponibilidade de outro ao reduzir-se suas possibilidades para formar complexos.

Competição entre cátions pela mesma proteína de transporte, para passar a parede intestinal. Um exemplo deste fenômeno ocorre entre o Fe e Cu, que são antagonistas, competindo pela transferina (o Cu tem preferência de união, o que pode diminuir a absorção de Fe).

Os processos enzimáticos essenciais podem ser bloqueados pela troca de um co-fator metálico por um metal inativo.

Quando um metal que forma parte de uma metaloenzima é substituído por outro, a atividade enzimática pode bloquear, acelerar ou não variar.

Quando há um aporte excessivo de um metal, não somente há uma menor absorção intestinal sendo que também há uma re-excreção no lúmen intestinal do excesso de metal, o que pode acarretar excreção de outros metais durante o processo.

Mesmo que em termos teóricos estas interações sejam consideradas de forma isolada, geralmente se produzem simultânea ou consecutivamente mais de um processo no organismo animal.

Interações entre vitaminas e minerais

As vitaminas também podem interferir na absorção intestinal de minerais tal como o caso do aumento na absorção de Fe causado pela vitamina C, ou a necessidade de vitamina D para absorção do Ca através do intestino. Isto se complica mais se considerarmos as interações entre vitaminas (p. ex., um excesso de niacina pode deprimir a vitamina D e interferir, portanto, na assimilação e uso do Ca).

Interações entre minerais e gorduras

Estas interações podem influir na biodisponibilidade deste mineral no organismo. Um exemplo é a inter-relação existente entre os microminerais e os ácidos graxos, formando sabões insolúveis no trato digestivo

Interações entre fibras e minerais

Diversos estudos têm demonstrado que a presença de fibra não digestível interfere e diminui a absorção de grande parte dos minerais.

Interferência pH-Minerais

O pH intestinal tem grande influência sobre a absorção mineral já que, em geral, pHs alcalinos diminuem a absorção (exceto dos metais alcalinos) e os cátions tendem a formar precipitados insolúveis quando o pH é elevado.

Biodisponibilidade

A biodisponibilidade é definida como o grau que um nutriente ingerido é absorvido de maneira que possa ser utilizado no metabolismo do animal. Esta definição determina que o mineral deva estar disponível não somente em nível dietético, mas também em nível do tecido. O conhecimento sobre a biodisponibilidade dos minerais nos ingredientes e fontes suplementares é importante para a formulação econômica de uma ração para garantir ótimo desempenho animal. Devido a sua maior biodisponibilidade, os minerais quelatados podem substituir as fontes inorgânicas em níveis mais baixos, enquanto que o desempenho é mantido ou mesmo melhorado, possibilitando, ainda, redução nos índices de contaminação ambiental.

Pesquisas

Ferro orgânico na dieta de leitões durante o período de creche

Pesquisador responsável: Dr. Caio Abércio Silva – Universidade Estadual de Londrina (UEL)

Local: Unidade Produtora de Leitões no estado do Paraná, Brasil.

Materiais e métodos: Com a finalidade de avaliar o efeito da inclusão de Ferro orgânico (quelato metal aminoácido) no desempenho produtivo de leitões na fase de creche, foram utilizadas 64 matrizes (a partir do último terço de gestação) e seus leitões (até a saída da creche, com 63 dias de idade), distribuídas em dois tratamentos, sendo:

T1: Matriz: ração com ferro inorgânico; Leitegada: ração com ferro inorgânico + ferro dextrano injetável

T2: Matriz com ferro inorgânico + ferro orgânico (1kg/tonelada); Leitegada: ração com ferro inorgânico + ferro dextrano injetável + ferro orgânico (1kg/tonelada).

Resultados e conclusão

A suplementação com Ferro orgânico (quelato metal aminoácido) proporcionou melhores índices de desempenho produtivo à leitegada, quando suplementados no período de creche em comparação à leitegada sem suplementação.

Ferro orgânico na alimentação de leitoas lactentes

Pesquisador Responsável: Dr. Caio Abércio Silva – Universidade Estadual de Londrina (UEL)

Local: Unidade Produtora de Leitões no estado do Paraná, Brasil.

Materiais e métodos: Com a finalidade de avaliar o efeito da inclusão de Ferro orgânico (quelato metal aminoácido) na dieta de porcas em gestação, 64 fêmeas Topigs®, foram distribuídas em 2 tratamentos com 32 repetições (cada porca e sua leitegada foi considerada uma unidade experimental). Os leitões receberam ração pré-inicial dos 8 aos 21 dias de idade (desmame).

Tratamentos experimentais:

T1: Matrizes em gestação e lactação receberam dietas formuladas com sulfato ferroso (gestação: 551mg de ferro/kg de ração; lactação: 537mg/kg de ração) e os leitões receberam ferro dextrano injetável (200mg).

T2: Matrizes em gestação e lactação receberam dietas formuladas com sulfato ferroso (gestação: 551mg de ferro/kg de ração; lactação: 537mg/kg de ração) e os leitões receberam ferro dextrano injetável (200mg aos 3 dias de idade). Porcas em gestação (>84 dias) e os leitões receberam, ainda, ferro na forma orgânica (150mg/kg de ração).

Resultados e conclusão

Mais ferro no leite

O uso de ferro orgânico na dieta das porcas a partir do 84ª dia de gestação até o final da lactação aumentou o teor de ferro no leite.

O maior teor de ferro no leite e a dose adicional de ferro orgânico na dieta dos leitões, provavelmente, contribuíram para o seu melhor desempenho zootécnico.

Considerações finais

Os minerais orgânicos passaram a ser usados no Brasil na década de 70 e ainda são poucas as empresas que apresentam grande variedade destes em seu portfólio. Por terem absorção próxima aos 100%, os quelatos permitem reduzir os requerimentos dietéticos de minerais dos animais. As dietas com suplementação destes têm como intuito atender, de forma eficiente, às recomendações produtivas e reprodutivas dos lotes e transferir os efeitos positivos sobre a qualidade da progênie.

O suprimento das exigências de minerais associados ao fornecimento adequado de energia, proteína e vitaminas e boas práticas de manejo sanitário é fundamental para se conseguir o máximo desempenho animal. A suplementação mineral depende não somente do conteúdo de minerais em um suplemento, mas também da capacidade de absorção e utilização dos mesmos pelos animais, sendo este fato de suma importância para a manutenção do equilíbrio homeostático e para o aumento do desempenho zootécnico dos suínos. Neste contexto, os minerais orgânicos são mais eficientes quando comparados com os minerais inorgânicos por apresentarem maior absorção, maior capacidade de retenção no organismo e maior capacidade de promover efeitos na mineralização.

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Fonte: O Presente Rural
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Suínos / Peixes Pesquisador da Embrapa alerta

“A destinação de animais mortos merece mais atenção e criatividade”

Pesquisador Everton Luis Krabbe é um dos maiores estudiosos do país sobre a destinação de resíduos biológicos nas granjas de suínos

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Arquivo/OP Rural

O pesquisador Everton Luis Krabbe, um dos maiores estudiosos do país sobre a destinação de resíduos biológicos nas granjas de suínos, faz palestra durante o Simpósio Brasil Sul de Suinocultura, que aconteceu no início de agosto, em Chapecó, SC. O jornal O Presente Rural questionou o especialista, que categoriza: “A destinação de animais mortos merece mais atenção e criatividade. Deve ser uma preocupação, pois é um risco sanitário e ambiental. Precisamos criar destinos que embora representem custo, geram algum retorno ao produtor, até como forma de incentivo para que adote procedimentos adequados”.

O Presente Rural (OP Rural) – Como é a realidade da destinação de resíduos sólidos na suinocultura brasileira?

Everton Luis Krabbe (ELK) – Existe todo tipo de situação, algumas muito bem executadas e outras deixando muito a desejar. Mas em geral, a compostagem segue sendo a tecnologia predominante, principalmente em função do baixo custo de execução.

OP Rural – Quais são as outras alternativas hoje empregadas pelo produtor/indústria?

ELK – O mais comum é a compostagem convencional, em células. Mas ao longo dos anos, novos modelos de compostagem surgiram, como por exemplo a compostagem acelerada em rotoaceleradores. Mais recentemente, surgiu a desidratação, onde já é possível desidratar um suíno de grande porte sem a necessidade de trituração ou esquartejamento. Existem ainda trituradores apenas para carcaças suínas. Outras tecnologias como incineração não são utilizadas em geral pelo elevado custo.

OP Rural – Quais são as leis que regem o setor?

ELK – Na prática, a nível de granja, o processo segue a legislação ambiental. Cada propriedade deve ter seu licenciamento, e neste momento é que o produtor deve demonstrar qual tecnologia pretende utilizar. Existem debates sobre a possibilidade de remoção de cadáveres das granjas através de um serviço especializado de recolha, seguindo critérios técnicos rígidos. Mas na prática isso não está regulamentado ainda no Brasil. Em Santa Catarina, existe um projeto piloto justamente para avaliar aspectos técnicos e econômicos deste processo.

OP Rural – Que tipo de produtos é possível produzir a partir desses resíduos?

ELK – Por se tratar de resíduos e cadáveres, com diferentes causas de mortalidade, sem o controle do tempo entre a mortalidade e a destinação, existe um avançado estado de deterioração, o que impacta fortemente o nível de qualidade do produto final. Isso também sido observado comparando a degradação de cadáveres no inverno e no verão, o que é mais um fator que compromete a possibilidade de padronização. Além disso, deve se levar em consideração que muitos dos cadáveres animais, foram antes de seu óbito, tratados com expressivas doses de medicamentos, e assim, existe nele um nível residual elevado. Diante de tantas variáveis, o que tem sido recomendado é que esse material seja transformado em fertilizante para uso agrícola.

OP Rural – Esses produtos são seguros?

ELK – Considerando resíduos de medicamentos e compostos químicos oriundo da decomposição dos tecidos, não existe perspectiva no curto prazo, da possibilidade de uso em alimentos para animais, por exemplo. Seu uso na agricultura, após um período de compostagem, é considerado a melhor forma de destinação. Uma das possibilidades em estudo seria a transformação de cadáveres e resíduos biológicos em farinhas e gorduras animais. O destino das gorduras seria para geração de biocombustíveis (biodiesel) e as farinhas seriam direcionadas para fábricas de fertilizantes organominerais (parecidos com o adubo químico utilizado na agricultura). Contudo há que se dizer que as gorduras têm apresentado qualidade abaixo daquela que é necessária para biodiesel e por isso tem sido mal remuneradas. Já para as farinhas, ainda não temos um conjunto de industrias fabricantes de fertilizantes organominerais capaz de absorver esse volume de farinhas. Isso é algo que deverá ser incentivado para o futuro próximo.

OP Rural – Como o mercado consumidor tem encarado essa questão de uso de subprodutos, por exemplo, em rações, cosméticos, etc.?

ELK – Essa possibilidade tem sido tema de muita polêmica. No Brasil, existem muitas indústrias que captam farinhas de origem animal (não aquelas de cadáveres) e as transformam em produtos de alto valor agregado, como por exemplo alimento para cães e gatos. A remuneração dessas farinhas tem atingido níveis muito atrativos, desde que as farinhas sejam de qualidade. A possibilidade de que farinhas de animais mortos sejam regulamentadas para consumo animal é algo veementemente criticado. Mesmo na alimentação de suínos e aves, os nutricionistas não consideram essa possibilidade, uma vez que já é de conhecimento do setor de alimentação animal, que farinhas de baixa qualidade prejudicam o desempenho animal e sua saúde e bem-estar. Em última instância o próprio produtor passaria a sofrer com essas perdas, consequência de um pior desempenho das aves e suínos.

Além disso, o Brasil é o maior exportador de carnes do mundo. Não se consegue imaginar quais as consequências de uma eventual liberação de farinha de cadáveres e resíduos biológicos para uso em rações. Traria impactos negativos diretos para o consumo de carnes, tanto dentro quanto fora do país.

OP Rural – Como funcionaria o recolhimento de animais nas propriedades?

ELK – O único estado de federação onde se recolhem animais, sob a perspectiva de um projeto piloto, é Santa Catarina. O processo segue todo um conjunto de critérios elaborado por uma equipe multidisciplinar, exigindo inclusive a inserção de dados em uma plataforma como aquela que emite os GTAs (Guias de Transito Animal), porém nesse caso é denominado DTAM (Documento de Transito de Animais Mortos), com recolha dos brincos (no caso de bovinos). O veículo é especial, não pode ingressar nas granjas, prevê que cada propriedade construa uma pequena sala na divisa de propriedade para deixar os animais até o momento da recolha. O maior entrave é a roteirização da recolha. Muitas vezes o caminhão já passou em frente a propriedade e não tem como retornar. Nesse caso esse animal morto permanece até sua recolha. Não existe recolha em finais de semana. O custo de ter um veículo circulando por estrada muitas vezes malconservadas implica em custos elevados, diferentemente do que acontece em outros países, com estradas melhores, mais planos, etc.

OP Rural – Quais são os benefícios e eventuais desafios para um recolhimento efetivo?

ELK – A recolha sem dúvida é mais prática para o produtor. Basta disponibilizar os animais no local e nas condições certas. Não precisará investir em outro processo dentro das granjas, e terá economia de mão de obra. Mas é importante salientar que ainda que o recolhimento seja regulamentado, do produtor continuará sendo exigido alguma destinação dentro da granja, seja compostagem ou outra prática. Isso é exigido para o caso de não haver a recolha, como por exemplo, dificuldades de acesso em épocas chuvosas, greves que impeçam o trânsito de caminhões, etc. Já em termos de desafios, o maior é assegurar a biosseguridade. Caminhões transitando com animais mortos em regiões com elevada população de animais é sempre arriscado. Mas o que se propõe é que seja um serviço profissional e todos os critérios sejam realmente atendidos.

OP Rural – Que tipo de mudanças (infraestrutura/manejo) da fazenda deve acontecer para este modelo ser empregado?

ELK – O mais importante é assegurar que os caminhões não transitem dentro das propriedades e que os animais sejam depositados em uma instalação construída especificamente para isso, com o devido isolamento e possibilidade de desinfecção. Isso na prática ainda não foi implementado.

OP Rural – A recolha é sustentável econômica e ambientalmente?

ELK – Ambientalmente sim, já economicamente o desafio é muito grande. O mundo todo paga por este serviço. Entendo que o produtor precisa entender que é seu dever destinar os animais mortos e resíduos biológicos de acordo com a legislação, ainda que represente um custo extra. De nada adianta que o produtor tenha um plantel de animais, se estes não tiverem sanidade. Esse é o entendimento que ele deve ter em relação ao assunto.

OP Rural – Ela é segura do ponto de vista sanitário?

ELK – Na Embrapa, onde estão sendo realizados diversos estudos avaliando tecnologias para destinação de animais mortos, foi também conduzido um estudo de análise de risco para avaliar se existe e qual o nível de risco quando se realiza a coleta e transporte de animais. Foram considerados os principais agentes vetores de problemas sanitários e assumindo a forma como é proposto o recolhimento no projeto piloto. Considerando todo este contexto, a conclusão foi de que o processo oferece risco muito baixo. Baseado na conclusão deste grupo de trabalho, pode-se dizer que o processo é seguro.

OP Rural – O senhor tem conhecimento de mais resultados desse projeto piloto?

ELK – O projeto de SC está sendo acompanhado pela Embrapa, a nível de pesquisa. Existem inclusive atividades focando em maneira de melhorar a qualidade das gorduras para a geração de biodiesel. Assim como, formas de destinar as farinhas para a fabricação de fertilizantes organominerais, com estudos de biodisponibilidade de nutrientes para as plantas, além da análise econômica. Até o momento o que se pode dizer é que o processo proposto apresenta eficiência técnica e segurança. Economicamente não é viável, diante dos destinos e preços para os produtos gerados. Contudo, existem pontos a ser considerados, como por exemplo os valores pagos pelo serviço por parte da cadeia produtiva, a oneração tributária do processo e assim por diante. É preciso entender se o recolhimento deve se viabilizar como um negócio ou como um serviço necessário, assim como é no caso dos resíduos urbanos, pagos via IPTU.

OP Rural – Qual seria o destino ideal para resíduos, incluindo animais mortos?

ELK – O ideal seria que fossem recolhidos e removidos das granjas, mas que não voltassem diretamente as cadeias produtivas (na forma de gorduras e farinhas). O ideal que fossem levados a centrais de geração de energia por exemplo e o produto final, estabilizado utilizado como fertilizando, ciclando assim os nutrientes.

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Fonte: O Presente Rural
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