Bovinos / Grãos / Máquinas A cada 3 bovinos que nascem um é Angus
Raça Angus conquista cada vez mais espaço no rebanho brasileiro
Reconhecida pelo alto padrão de qualidade da carne que produz, a raça ganhou notoriedade por oferecer gordura entremeada na carne, que garante maciez, sabor diferenciado e suculência. Esse diferencial no produto é resultado de um minucioso trabalho de melhoramento genético do rebanho alinhado a um padrão de acabamento – o que dá origem a carcaças uniformes e com alto índice de marmoreio.

Com tradição na criação de gado de corte, o Brasil abriga um rebanho com diferentes raças que se adaptaram ao clima tropical do país, entre elas a raça Angus, que tem conquistado cada vez mais o paladar dos brasileiros, despertando o interesse de pecuaristas, atentos ao exigente mercado consumidor, pela grande capacidade de produção de carne desses animais.

Pecuarista, empresário e atual presidente da Associação Brasileira de Angus, Nivaldo Dzyekanski: “O Angus hoje não é apenas uma raça bovina, é uma marca que o consumidor espera sempre ser surpreendido” Foto: Jaqueline Galvão/OP Rural
Considerada uma das raças mais nobres criadas em território nacional, estima-se que a cada três bovinos que nascem um é Angus, de acordo com a Associação Brasileira de Angus. “Talvez esse dado já esteja mudando para 1,5. Essa é a raça que mais vende sêmen no cruzamento industrial, então a criação está crescendo bastante, por isso que nós precisamos buscar cada vez mais melhores resultados, porque o Angus tem um potencial extraordinário e um mercado cada vez mais exigente”, exalta o pecuarista, empresário e atual presidente da Associação Brasileira de Angus, Nivaldo Dzyekanski, em entrevista exclusiva ao Jornal O Presente Rural.
Reconhecida pelo alto padrão de qualidade da carne que produz, a raça ganhou notoriedade por oferecer gordura entremeada na carne, que garante maciez, sabor diferenciado e suculência. Esse diferencial no produto é resultado de um minucioso trabalho de melhoramento genético do rebanho alinhado a um padrão de acabamento – o que dá origem a carcaças uniformes e com alto índice de marmoreio.
“Temos uma preocupação constante com o melhoramento genético da raça, porque precisamos prever lá na frente o que o mercado quer; porque o mercado é crescente, mas também é cada vez mais exigente. E o Angus hoje não é apenas uma raça bovina, é uma marca que o consumidor espera sempre ser surpreendido. E é isso que nós buscamos dentro do nosso plantel, animais que superem a expectativa do consumidor no marmoreio, na maciez e na suculência da carne”, evidencia Dzyekanski.
Melhoramento genético
Alinhado ao Promebo (Programa de Melhoramento de Bovinos de Carne) desenvolvido em conjunto com a Associação Nacional de Criadores “Herd-Book Collares” (ANC), entidade onde também é feito o registro genealógico da raça no Brasil, a Angus dispõe há dois anos de uma plataforma digital de seleção genômica para os pecuaristas fazerem as solicitações dos exames de genotipagem do seu rebanho. O sistema pode ser utilizado por pecuaristas associados como por não-sócios.
Funciona assim: o criador realiza seu cadastro no link https://app.sifatweb.com.br/angus, onde vai colocar informações sobre os reprodutores, o tipo de teste e escolher o laboratório credenciado para fazer a análise. Após, realiza a coleta das amostras de pelo identificando com o número de registro e a tatuagem do reprodutor, em seguida envia para a associação através dos Correios, a Angus codifica o material e encaminha ao laboratório para fazer o exame de genotipagem.
Através deste software, a Angus está criando um banco nacional de genótipos da raça. Até o momento já foram solicitados 1.396 testes pela plataforma, deste total 585 somente em 2022. “Esse sistema veio para auxiliar os criadores a ter acesso a indicativos que permitam ganhos cada vez mais consistentes em suas propriedades”, destaca Dzyekanski.
Os resultados dos testes de genotipagem são enviados à ANC para incluir no Promebo, que fará o cálculo das predições genéticas – DEPs enriquecidas -, após os resultados ficam disponíveis no Promebo para acesso dos criadores. Em caso de os pecuaristas solicitarem o exame de homozigose, poderão consultar o resultado apenas pela plataforma da Angus.
“Com a análise genômica conseguimos identificar se um bezerro novo, que ainda não tem filhos, que tipo de filhos irá produzir, isso é espetacular, porque já faz uma pré-seleção. Então você multiplica aqueles que realmente têm potencial reprodutivo”, enfatiza o presidente da Angus.
Desenvolvimento da raça
Com a Embrapa Clima Temperado, a Angus firmou em setembro do ano passado uma parceria técnica de investimento genético à pesquisa agropecuária, através do repasse de um plantel de 150 vacas para formação de uma população de referência. Todo o rebanho utilizado para o desenvolvimento das pesquisas foi avaliado e registrado no Promebo, programa oficial da raça Angus, para que tenha aplicação direta na pecuária em terras baixas, típicas da região Sul do Brasil, onde há maior concentração de Angus por conta das condições climáticas com temperaturas mais amenas, mas também gerando dados para todos os interessados na criação de animais desta raça espalhados por outras regiões do país.
Através desta parceria técnica vai ser possível viabilizar a validação de protocolos sanitários de prevenção da Tristeza Parasitária Bovina (TPB), acesso a métodos para controle de carrapato, avaliação de desempenho da progênie de touros jovens, avaliação de desempenho qualitativo e quantitativo da carne Angus e a realização de pesquisas interdisciplinares em sistemas de Integração Lavoura-Pecuária (ILP), ajustados às demandas da atividade agropecuária no Sul do Brasil.
Avanços da raça são mensurados no Promebo
Para realizar o melhoramento genético do rebanho, os criadores associados da Associação Brasileira de Angus participam do programa Promebo, onde são avaliadas características genéticas herdáveis dos animais e de importância econômica como peso ao nascer, ganho de peso ao desmame, ganho de peso da desmama ao sobreano, ganho de peso do nascimento ao sobreano, habilidade materna, conformação de carcaça, precocidade de acabamento, musculatura, tamanho, escores para prepúcio/umbigo, caracterização racial, pelame, pigmentação ocular ou da pálpebra, perímetro escrotal, área de olho de lombo, espessura de gordura subcutânea, espessura de gordura subcutânea medida na picanha, gordura intramuscular e resistência ao carrapato.
Para obter a Diferença Esperada na Progênie (DEP) são realizadas avaliações dos rebanhos conectados à uma base única das raças
registradas e controladas pela ANC, onde são comparados os dados entre todos os animais presentes na análise, como touros pais, ventres e aqueles ainda sem progênie.
A partir da avaliação genética, o pecuarista consegue selecionar o touro reprodutor, saber as melhores novilhas para reposição, melhores touros em utilização e as vacas de melhor eficiência reprodutiva e maior capacidade em desmamar terneiros pesados.
Para o criador participar do programa é necessário que tenha balança de precisão na propriedade e o rebanho seja de animais identificados, com controle de nascimentos, pais conhecidos e avaliações em momentos estratégicos (desmame e pós-desmame).
O presidente da Angus menciona que o Promebo é um programa de referência com todas as informações dos animais registrados, o que denota maior segurança e credibilidade na compra de Angus em território nacional. “Através deste programa, o pecuarista ao comprar um reprodutor o fará não mais olhando visualmente o animal, mas por meio de dados sobre o seu desempenho, é como se ele tivesse em mãos um raio X daquele animal, o que facilita e direciona a raça para o desenvolvimento que o mercado deseja”, salienta Dzyekanski.
Outro teste que integra o Promebo é a Prova de Eficiência Alimentar Angus, onde são analisados o Consumo Alimentar Residual (CAR), o Ganho de Peso Residual (GPR), o Consumo e Ganho de Peso Residual (CGPR), além de características de carcaça como Área de Olho de Lombo (AOL), Espessura de Gordura Subcutânea na Picanha (EGP), Espessura de Gordura Subcutânea de Costela (EGS), Percentagem de Gordura Intramuscular (GIM) e perímetro escrotal (PE). A duração média que os animais ficam confinados é de 95 dias.
Estados produtores de Angus
De origem europeia, o Angus tem fácil adaptação nas regiões Sul, como nos Estados de Santa Catarina, Rio Grande do Sul e Paraná, mas também há criações em Mato Grosso do Sul, São Paulo, Minas Gerais e na Bahia. “Isso prova que o trabalho de melhoramento genético que estamos desenvolvendo está avançando. Hoje temos em torno de 15 mil produtores de Angus criadores de genética, animais puros (PO) e de cruzamento industrial no Brasil. E todos os Estados brasileiros utilizam sangue Angus no melhoramento genético”, menciona o presidente da Angus.
Carne certificada
O alto padrão de qualidade da carne é reflexo das ações realizadas pelo Programa Carne Angus Certificada, criado em 2003. De acordo com Dzyekanski, é realizado todo um trabalho dentro da indústria frigorífica de certificação da carne, com avaliação fenotípica do animal e de carcaça, que segue um rigoroso protocolo aprovado pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) e auditado pela empresa alemã TÜV Rheinland.

Foto: Divulgação/Freepik
Segundo Dzyekanski, a carne Angus brasileira é reconhecida como uma das melhores do mundo, tendo nos últimos anos cortes produzidos no país reconhecidos em importantes eventos internacionais de qualidade, como do Instituto Internacional de Sabor e Qualidade e do Desafio Mundial do Bife, o que chamou atenção do mercado externo. Atualmente, a Angus exporta para países de cinco continentes.
Com 19 anos de existência, o Programa Carne Angus Certificada busca identificar dentro dos planteis aqueles indivíduos que mais evidenciam as principais características intrínsecas da raça – que é a maciez, a suculência, a gordura marmoreio e a gordura entremeada ao músculo, para que sejam multiplicados. “A cada ano estamos buscando novos parâmetros para identificar os indivíduos do rebanho que ofereçam mais essas características”, frisa Dzyekanski, ressaltando que o valor arrecadado pela certificação da carne Angus é investido em melhoramento da raça, para que os consumidores tenham sempre um produto de melhor qualidade.
Características
Entre as características da raça Angus, se destacam sua precocidade, uma vez que atinge mais cedo a puberdade nas mesmas condições alimentares de outras raças, o que encurta seu ciclo de desenvolvimento e oferece retorno mais rápido ao pecuarista; a sua habilidade materna, fertilidade e longevidade conferem à criação alta rentabilidade, tanto pelo número de bezerros nascidos, quanto pela quantidade de quilos de cada animal.
De acordo com a Angus, um touro criado em cobertura de campo reproduz, em média, 150 descendentes de genética melhoradora no plantel durante sua vida útil (4 a 5 anos). Somado a isso a rusticidade do Angus faz com que se adapte a diferentes situações climáticas e a vegetação, característica que permite a criação de rebanhos em diferentes regiões no Brasil.
Termotolerância

Em dois anos, 1396 solicitações de exames de genotipagem foram feitas pela plataforma digital de seleção genômica – Foto: Carolina Jardine
Com o crescimento cada vez maior da raça no país, a Angus firmou uma parceria com a Universidade Federal de Pelotas (UFPel) para avaliar os efeitos das altas temperaturas em novilhas da raça Angus de diferentes pelos e pelames (comprimento do pelo). O pontapé inicial do projeto piloto foi dado em janeiro deste ano na Fazenda da Barragem, em Dom Pedrito, RS, onde 50 fêmeas com diferentes pelames – 25 pretas e 25 vermelhas – participaram dos testes, que têm como objetivo selecionar exemplares mais termotolerantes, ou seja, que têm melhor desempenho quando submetidos a temperaturas mais elevadas como das regiões Centro-Oeste, Norte e Sudeste.
Durante dez dias, o projeto mensurou a temperatura interna e externa dos animais, a taxa de ofegação, além de características comportamentais como ruminação, cio e alimentação, a fim de avaliar nas fêmeas os efeitos do estresse térmico, determinado pelo Índice de Temperatura e Umidade (THI). Para isso, as novilhas foram divididas em dois grupos conforme a cor do pelo (pretas e vermelhas) e, na sequência, segregadas de acordo com o escore de pelame (1, 2 e 3 – sendo o 1 com menos e o 3 com mais pelame). A temperatura interna dos animais foi medida automaticamente durante o período pela inserção de um termômetro vaginal que afere a temperatura a cada meia hora. A temperatura externa foi avaliada por termografia infravermelha em momentos específicos. “Tudo isso é uma evolução genética justamente para avançarmos as fronteiras do Brasil, para que o touro Angus possa cobrir vacas a campo em qualquer lugar do país”, salienta Dzyekanski.
De acordo com o professor e médico-veterinário Rafael Mondadori, que coordena o projeto inovador, após as análises do experimento espera-se que os animais vermelhos e os de pelame mais lisa suportem melhor o estresse térmico. A iniciativa é objeto de estudo da mestranda do Programa de Pós-Graduação em Veterinária da UFPel, Caroline Oliveira Farias, e de outras duas alunas.
Futuramente, o objetivo da Angus é que, em alguns anos, seja possível predizer os animais mais termotolerantes sem a necessidade de submetê-los a testes por meio da genômica, contudo, esse experimento contribuirá para formar uma população de referência para essa característica de difícil mensuração, gerando mais uma DEP para mensurar na adaptação da raça Angus no Brasil para produção em climas tropicais.
Para ficar atualizado e por dentro de tudo que está acontecendo no setor de bovinocultura, commodities e maquinários agrícolas acesse gratuitamente a edição digital Bovinos, Grãos e Máquinas.

Bovinos / Grãos / Máquinas
Passaporte Verde mobiliza debate sobre regularização ambiental da pecuária em Mato Grosso
Audiência na Assembleia Legislativa de Mato Grosso reuniu governo, entidades do setor e produtores para discutir critérios e efeitos da Lei 13.153/2025.

A Assembleia Legislativa de Mato Grosso realizou, na segunda-feira (23), audiência pública para discutir a lei que institui o Passaporte Verde, programa de monitoramento socioambiental das propriedades pecuárias no estado. Participaram representantes do Governo de Mato Grosso, do Instituto Mato-grossense da Carne, lideranças do setor produtivo e representantes dos municípios de Colniza e Juara.
O programa foi apresentado como instrumento para reinserir no mercado formal produtores com algum tipo de irregularidade ambiental. Segundo o presidente do Imac, Caio Penido, a proposta busca permitir que pecuaristas regularizem suas propriedades e retomem a comercialização, em um cenário no qual frigoríficos e compradores impõem exigências socioambientais crescentes.
O secretário estadual de Desenvolvimento Econômico, César Miranda, afirmou que a lei pretende reforçar a imagem da carne mato-grossense no mercado internacional. Ele destacou que o projeto foi discutido por quase quatro anos antes de ser aprovado e avaliou que a iniciativa antecipa possíveis exigências externas.
Durante o debate, o deputado estadual Gilberto Cattani sustentou que a tramitação da lei levou em consideração produtores de diferentes portes e afirmou que o objetivo foi oferecer segurança jurídica ao setor.
Para o presidente da Associação dos Criadores de Mato Grosso (Acrimat), Luís Fernando Conte, um dos pontos centrais do programa é o Programa de Reinserção e Monitoramento (Prem). A ferramenta foi descrita como mecanismo para permitir que produtores com pendências ambientais regularizem a situação e retornem ao mercado pecuário formal.
Representando a Secretaria de Estado de Meio Ambiente (Sema), a secretária adjunta de Gestão Ambiental, Luciane Bertinatto, afirmou que a Lei 13.153/2025 não cria exigências além daquelas já previstas no Código Florestal Brasileiro e que o programa tem como foco apoiar a regularização ambiental das propriedades.
Como funciona o programa
Sancionado no final de 2025 pelo governador Mauro Mendes, o Passaporte Verde estabelece o monitoramento socioambiental do rebanho bovino e bubalino em Mato Grosso, alinhado ao cronograma do Plano Nacional de Identificação Individual de Bovinos e Búfalos (PNIB).
Entre os critérios exigidos estão ausência de desmatamento ilegal após julho de 2008, Cadastro Ambiental Rural (CAR) ativo e inexistência de embargos ambientais.
O programa também prevê o Prem, voltado ao desbloqueio e à regeneração de áreas degradadas. A iniciativa permite que produtores com pendências ambientais avancem na regularização e retomem a comercialização com frigoríficos. Atualmente, mais de 160 pecuaristas participam do programa.
Bovinos / Grãos / Máquinas
Nova ferramenta digital busca aumentar produtividade na pecuária de corte
Sistema de apoio à decisão analisa rebanhos estabilizados e transforma dados técnicos em projeções práticas para o campo.

O Simulador Pecuaria.io, desenvolvido pela Embrapa Pecuária Sul (RS), pretende impactar a gestão da pecuária de corte ao oferecer simulações gratuitas e intuitivas que ajudam o produtor a entender, na prática, como cada decisão de manejo impacta a produtividade e o resultado econômico da fazenda. A ferramenta pode ser acessada em computadores ou smartphones conectados à internet, e permite comparar cenários, projetar indicadores zootécnicos e planejar investimentos, tornando a gestão do rebanho mais estratégica, previsível e eficiente.

A ferramenta pode ser acessada em computadores ou smartphones conectados à internet – Foto: Divulgação
Segundo Vinicius Lampert, pesquisador da Embrapa Pecuária Sul, o projeto foi concebido como um sistema de apoio à decisão (SAD), com base em indicadores zootécnicos e econômicos que traduzem informações complexas em resultados práticos. “A proposta é permitir que o produtor simule diferentes cenários zootécnicos do rebanho e compreenda como ajustes em alguns indicadores influenciam a eficiência produtiva e financeira da pecuária”, reforça.
Lampert destaca que a ferramenta analisa o desempenho da fazenda em rebanhos estabilizados, especialmente em sistemas de ciclo completo (do nascimento ao abate). Na prática, rebanhos estabilizados referem-se a sistemas fechados e em equilíbrio, onde a proporção de cada categoria animal reflete diretamente as taxas de nascimentos, mortes e vendas da própria propriedade, sem a necessidade de comprar gado externo. Em breve será lançada também uma versão específica para ser utilizada em sistemas de cria (produção de bezerros). “Trata-se de uma ferramenta que combina simplicidade, embasamento científico e aplicabilidade direta no campo”, ressalta Lampert.
Já para Thomás Capiotti, diretor-executivo da Inovatech, a inovação trazida pelo projeto é sem precedentes. “Uma métrica que mostra claramente que estamos no caminho certo é que, após uma palestra que ministramos na Expointer 2025, usuários de 14 estados passaram a utilizar a plataforma Pecuaria.io em menos de um mês. Participei de eventos de inovação em diversos lugares e afirmo, com convicção, que o que estamos construindo aqui é revolucionário. Estou certo de que estamos resolvendo uma dor real do mercado com esta AgTech, que tem um potencial de escalabilidade gigantesco. O agro brasileiro representa um terço do PIB e alimenta cerca de 1 bilhão de pessoas no mundo. Trazer inovação para um setor tão estratégico é, sem dúvida, uma oportunidade transformadora para o Brasil”, destacou.
Para Lampert, a ferramenta representa um avanço significativo para a adoção de tecnologias digitais na pecuária de corte. “Com ela, buscamos aproximar a ciência da rotina de gestão das fazendas. É um simulador que combina simplicidade de uso com embasamento técnico sólido, permitindo avaliar resultados e planejar melhorias com mais segurança”, ressalta.
O objetivo é facilitar o planejamento estratégico e reduzir as incertezas da gestão produtiva ao conectar informações técnicas e econômicas de forma prática e visual. “O Simulador Pecuaria.io, é um exemplo de como a tecnologia pode ser usada para profissionalizar a pecuária, tornando a gestão mais previsível, sustentável e rentável”, enfatiza o pesquisador.
Desafio da produtividade no campo
Apesar da relevância econômica da pecuária de corte no Brasil, o setor ainda enfrenta desafios relacionados à baixa produtividade por hectare. Segundo Lampert, isso se deve, em grande parte, à dificuldade em avaliar o efeito integrado de decisões de manejo, como ajustes na taxa de desmame, idade de abate e acasalamento ou na capacidade de suporte das pastagens.
O pesquisador observa que, muitas vezes, o produtor tem acesso aos dados, mas falta uma ferramenta que traduza essas informações em projeções claras sobre o impacto na produção a partir de dados reais por ele informados. “O Simulador Pecuaria.io foi desenvolvido justamente para preencher essa lacuna”, finaliza o pesquisador.
Bovinos / Grãos / Máquinas
Segunda etapa do Acrimat em Ação percorre polos da pecuária no Mato Grosso
Iniciativa da Associação dos Criadores de Mato Grosso começou por Paranatinga e já passou por Canarana e Ribeirão Cascalheira, levando capacitação sobre gestão e liderança no campo.

A segunda etapa do Acrimat em Ação, iniciativa da Associação dos Criadores de Mato Grosso, começou no dia 19 de fevereiro e já mobilizou pecuaristas, técnicos e lideranças em três municípios do interior de Mato Grosso. A nova rota tem como foco continuar o trabalho que consolidou a primeira etapa como um dos principais eventos de itinerantes da pecuária de corte no estado, levando conhecimento prático diretamente às regiões produtoras e fortalecendo o diálogo com quem vive o dia a dia de campo.
O município de Paranatinga foi o primeiro a receber a programação da segunda rota, com palestra realizada no dia 19 de fevereiro no Clube Denise. O palestrante Ricardo Arantes conduziu a discussão sobre temas centrais para a pecuária contemporânea: liderança, gestão de pessoas e organização da fazenda, aspectos considerados decisivos para o sucesso da atividade rural.

Foto: Acrimat
“A presença do Acrimat em Ação em Paranatinga reforça o nosso compromisso de estar ao lado do produtor, ouvindo de perto as demandas e levando informação que realmente transforma a rotina da fazenda. A pecuária moderna exige gestão, liderança e visão estratégica, e é isso que buscamos fortalecer em cada encontro. Ver a participação ativa dos pecuaristas da região mostra que estamos no caminho certo”, destacou Márcia Tomazini, diretora regional da Acrimat em Paranatinga.
Produtores, técnicos e estudantes acompanharam as orientações que buscam mostrar que a produção eficiente vai além da quantidade de animais, passa por uma gestão estratégica de equipes e processos que garanta produtividade, sustentabilidade econômica e continuidade familiar no campo.
Canarana segue com debate técnico e troca de experiências
No dia seguinte, a programação seguiu em Canarana, outro polo produtivo importante do estado. Assim como nas demais etapas desta segunda rota, o encontro reuniu a cadeia produtiva local para atualização técnica com foco na realidade dos pecuaristas da região.
Completando 89 anos, a pioneira na região de Gaúcha do norte, Gilda Maria Dias Jacintho, esteve na palestra em Canarana e enfatizou a importância da busca por conhecimento. “Antigamente era muito difícil encontrar conhecimento na pecuária, hoje ter um palestrante como esse, trazendo um conteúdo rico, é um privilégio para os jovens produtores.” Finaliza.
No dia 21 de fevereiro, a programação chegou a Ribeirão Cascalheira, seguindo o cronograma da segunda etapa, que contempla oito polos produtivos estratégicos. Ali, produtores e participantes tiveram a chance de debater desafios e oportunidades da pecuária local, além de trocarem experiências com técnicos e representantes da entidade. “Participar do Acrimat em Ação aqui em Ribeirão Cascalheira a foi uma oportunidade de atualizar a forma como conduzimos a propriedade. Às vezes a gente foca muito na produção e acaba deixando a gestão de pessoas em segundo plano”, destacou João Carlos Ferreira o gerente de fazenda em Ribeirão Cascalheira.
Ao longo desta segunda rota, que passa ainda por outras cidades como Vila Rica, Água Boa, Barra do Garças e finaliza em Rondonópolis, o Acrimat em Ação segue com o compromisso de levar conteúdo técnico direto ao produtor, fortalecer a representatividade da atividade no estado e fomentar a profissionalização da gestão nas propriedades rurais.




