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Queijos do Paraná: como o prêmio faz diferença para os produtores paranaenses
O concurso, que ocorre de quinta (29) a sexta-feira (30) no Museu Oscar Niemeyer, está na sua segunda edição, mas já vem impactando no trabalho dos queijeiros de todo o Estado. Participantes da primeira edição relatam como o prêmio impactou nas vendas de seus produtos.

O Prêmio Queijos do Paraná está apenas na sua segunda edição, mas já tem feito a diferença para os produtores do Estado. O evento, que começou nesta quinta-feira (29) e vai até sexta-feira (30) no Museu Oscar Niemeyer (MON), reúne 107 produtores de todo o Estado. Na competição estão 477 queijos de 76 municípios paranaenses. O evento é promovido pelo Sistema Faep, Instituto de Desenvolvimento Rural do Paraná (IDR-Paraná), Sebrae (PR), Sistema Fecomércio (PR) e Sindileite (PR).
A programação reúne palestras, minicursos, degustações e o início do julgamento técnico dos produtos, com destaque para o inédito Concurso Excelência em Muçarela – Edição Pizza. Os vencedores das 21 categorias do Prêmio Queijos do Paraná serão anunciados na noite de sexta-feira (30). O evento também entregará medalhas super ouro e o troféu de melhor queijo do Paraná em 2025, escolhido entre os dez produtos com a nota mais alta.
O prêmio, que iniciou em 2023, já ajudou a mudar a vida dos produtores paranaenses. Com a visibilidade proporcionada pelo selo de qualidade, alguns queijos chegaram a duplicar de valor devido a alta demanda. Entre os produtores, o casal Solange Liller e Ordilei Dufech, de Cantagalo, na região Centro-Sul do Estado, tenta novamente atingir o bom resultado que ajudou a decolar a venda dos produtos coloniais Tia Nena.
Na ocasião, três queijos produzidos pelo casal renderam a classificação Ouro e outros dois conseguiram a Super Ouro. O critério de classificação é por pontuação: mais de 14 pontos recebe a medalha de Bronze, mais de 16 pontos a Prata, mais de 18 pontos a Ouro e mais de 20 pontos a Super Ouro.
“Depois dos prêmios, o queijo ficou bem divulgado. Hoje estamos com fila de espera para a venda. O concurso ajudou muito a nossa agroindústria a expandir”, relata Odinei. Além dos prêmios, a queijaria do Centro-Sul foi contemplada com uma viagem técnica de 12 dias para a França. “Lá eles trabalham totalmente diferente de nós, é mais com queijos mofados. Então deu pra colher muita informação para mostrarmos aqui”, explica Solange.
A 500 km de distância de Curitiba, Pinhal de São Bento, de 2,7 mil habitantes no Sudoeste, tem o seu queijo representante no concurso, o Queijos Artesanais São Bento. A produtora Cristina Bombonato, que participa pela segunda vez da disputa e já conquistou a classificação Prata, conta que vende cerca de 1.500 kg a 1.800 kg de queijo por mês.
“O prêmio promoveu o município que muitos não conheciam”, relata. “Minha cidade é muito pequena, tem em torno de 3 mil habitantes, só com ela eu não sobreviveria. Hoje, vendo em outras cidades como Cascavel, Francisco Beltrão, Pato Branco, Santo Antônio do Sudoeste, Realeza, Santa Izabel do Oeste e Foz do Iguaçu”.
O produto de Cristina faz parte da Rota do Queijo Paranaense, roteiro turístico que visa divulgar e promover a produção de 29 queijarias artesanais do estado. Na comunidade de São Bento, são quatro tipos de queijos disponíveis para degustação: colonial, coalho, provolone e mussarela.

Concurso Excelência em Muçarela–Edição Pizza, no Museu Oscar Niemeyer (MON), em Curitiba. Foto: Geraldo Bubniak/AEN
O Paraná é o segundo maior produtor de leite do Brasil, com 4,4 bilhões de litros ao ano e 12 milhões por dia. “Pretendemos, no futuro, ser um grande player de fornecimento de lácteos para o mundo, como é carne de frango, suínos, bovinos”, projeta Ronei Volpi, presidente do Prêmio Queijos do Paraná.
Excelência em muçarela
Um dos momentos mais esperados do Prêmio Queijos do Paraná foi o julgamento técnico da primeira edição do Concurso Excelência em Muçarela – Edição Pizza, realizado na cozinha-escola do Museu Oscar Niemeyer. A avaliação contou com a participação de 11 jurados que analisaram a elasticidade e o derretimento do queijo.
Com 28 municípios, 37 queijos foram selecionados para a análise. A avaliação envolve diferentes etapas, começando pela análise sensorial do queijo in natura – cor, textura, aroma e sabor. Em seguida, os jurados testam as características tecnofuncionais, fundamentais para o desempenho da muçarela na pizza.
“Analisamos propriedades como elasticidade, derretimento e a quantidade de gordura que sobe à superfície durante o assamento. O ideal é que o queijo estique de forma equilibrada, sem excessos ou falhas, e que tenha uma boa distribuição de umidade”, explica o coordenador do concurso, Antonio Fernandes, professor na Universidade Federal de Viçosa (UFV). O nível de umidade, segundo ele, impacta diretamente na crocância da massa e até na sonoridade do corte.
Após essas etapas, os queijos são degustados já sobre a pizza, assada em temperatura controlada. A coloração após o forno também é observada com rigor, assim como a formação de bolhas, importantes se forem pequenas e uniformes, e a qualidade do fio formado ao cortar a fatia – um dos principais critérios na experiência sensorial de consumo.

Concurso Excelência em Muçarela–Edição Pizza, no Museu Oscar Niemeyer (MON), em Curitiba. Foto: Geraldo Bubniak/AEN
O corpo de jurados foi composto por profissionais de diversas áreas, incluindo o especialista italiano Guglielmo Portelli, com formação na Cornell University, nos Estados Unidos, referência mundial em estudos sobre queijos. “Essa diversidade de experiências ajuda a validar os critérios de excelência adotados. Cada jurado é independente e avalia quesitos como fatiabilidade, ralabilidade, sabor e textura”, explica o coordenador da atividade, reforçando o papel do Paraná como referência nacional em qualidade e inovação no setor queijeiro.
Apoio
A contribuição do Instituto de Desenvolvimento Rural do Paraná (IDR) tem feito a diferença no bom resultado dos queijos do Estado, em especial dos pequenos produtores. O casal Solange Liller e Ordilei Dufech que o diga. “O ‘culpado’ dos bons resultados que alcançamos foi o IDR. A gente tinha um nutricionista que dava orientação sobre as vacas de leite. Aí ele incentivou e orientou para industrializar a nossa produção”, explica Odinei, que comemora a alta venda de seus produtos coloniais na região de Cantagalo.
O Instituto de Desenvolvimento Rural possui um corpo técnico que contribui no avanço científico de pequenas produções. O auxílio vai desde a formulação da dieta dos animais, feita com zootecnistas e veterinários, até a parte de tecnologia, comercialização e regularização dos processos de produção.
“Muitas vezes os pequenos produtores têm a necessidade de fazer queijos diferentes, querem fazer como a bisavó fazia, e acabam não se enquadrando na lei. Então nós ajudamos eles a se adequarem, junto com o diálogo com os órgãos de fiscalização”, explica Fabiola Borba, extensionista e engenheira de alimentos do IDR-Paraná.

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Manejo preventivo se torna decisivo contra avanço de carrapatos no rebanho bovino
Médico-veterinário Gibrann Frederiko recomenda monitoramento constante, rotação de pastagens e planejamento no uso de princípios ativos para evitar resistência.

Os períodos de calor intenso e alta umidade criam o ambiente ideal para a proliferação dos carrapatos, um dos principais desafios sanitários da pecuária brasileira. Nessas condições, o ciclo de vida do parasita é acelerado, a sobrevivência no pasto aumenta e a atividade em busca de hospedeiros se intensifica, tornando o verão, especialmente em regiões de clima tropical e com chuvas frequentes, um momento crítico para os pecuaristas.
“O calor e a umidade reduzem o tempo entre o estágio de ovo e a fase adulta do carrapato e evitam a desidratação do parasita no ambiente, o que amplia significativamente a pressão de infestação sobre o rebanho”, explica o médico-veterinário Gibrann Frederiko.
A presença dos carrapatos vai muito além do desconforto aos animais e pode causar prejuízos expressivos à saúde e à produtividade do rebanho. O estresse provocado pela infestação reduz a ingestão alimentar e compromete o ganho médio diário (GMD), afetando diretamente a produção de carne e de leite.
Além disso, os carrapatos são vetores de doenças graves, como a babesiose, conhecida como tristeza parasitária bovina, que pode causar fraqueza e anemia, e a anaplasmose, que reduz a oxigenação dos tecidos e pode levar à morte em casos severos. Outro impacto importante é a queda nos índices reprodutivos, já que animais infestados têm maior dificuldade em alcançar níveis ideais de fertilidade. “Estudos indicam que um rebanho com presença de carrapatos pode ter redução de até 20% na produtividade, o que representa um impacto econômico significativo para a propriedade”, destaca Frederiko.
O profissional explica, ainda, que a identificação precoce da infestação é um fator decisivo para evitar que o problema avance. “Os sinais de alerta nos animais são carrapatos visíveis em regiões como a parte inferior da cauda, pernas e orelhas, além de feridas, crostas, inflamações na pele, perda de peso e apatia. No ambiente, a presença elevada do parasita em piquetes, áreas de descanso, cercas e bebedouros, bem como o histórico recente de doenças transmitidas por carrapatos no rebanho, indicam a necessidade de ação imediata. Inspeções regulares, tanto nos animais quanto na propriedade, são fundamentais para o controle eficiente”, comenta.
Algumas categorias de animais são mais suscetíveis às infestações, como bezerros e animais jovens, que possuem imunidade mais baixa e pele mais fina; vacas lactantes, devido à alta demanda energética e ao estresse fisiológico; e animais recém-integrados ao rebanho, que podem trazer para a propriedade carrapatos vindos de outras regiões. O diretor sugere que os pecuaristas prestem bastante atenção nesses grupos para reduzir a propagação do parasita para todo o rebanho.
Nesse contexto, o manejo preventivo contínuo se mostra a estratégia mais eficaz e econômica. Agir nos estágios iniciais da infestação reduz custos, evita que a população de carrapatos atinja níveis críticos e contribui para manter a imunidade e a resistência dos animais às doenças. “O controle estratégico deve considerar um calendário de aplicações de carrapaticidas nos períodos de maior risco, aliado ao monitoramento constante e à integração de métodos, como a rotação de princípios ativos para evitar resistência e a adoção de práticas de manejo que reduzam a carga parasitária no ambiente, como a rotação de pastagens”, acrescenta o médico-veterinário.
O uso correto dos carrapaticidas também é determinante para o sucesso do controle. De acordo com Frederiko, a escolha do produto deve levar em conta o estágio do ciclo de vida do parasita, a dosagem correta, ajustada ao peso e à idade dos animais, e os intervalos de aplicação, que precisam ser rigorosamente respeitados, incluindo o tempo de carência antes do abate ou da ordenha. “O uso inadequado, com aplicações sem planejamento, doses incorretas ou repetição contínua do mesmo princípio ativo, favorece o desenvolvimento de resistência, tornando o controle cada vez mais difícil e oneroso”, expõe, ressaltando: “Carrapatos resistentes aumentam os custos do manejo e reduzem a eficácia das ferramentas disponíveis, por isso o planejamento técnico é indispensável”.
Práticas de manejo, como a rotação de pastagens, a limpeza de cercas e bebedouros, o controle da vegetação e a manutenção de uma nutrição adequada, complementam o controle químico e ajudam a diminuir a pressão de infestação. “Para propriedades que já enfrentam altos níveis de carrapatos, a recomendação é adotar imediatamente um controle químico eficaz para reduzir a carga parasitária, implementar medidas preventivas no ambiente, monitorar constantemente os níveis de infestação e buscar auxílio técnico para estruturar estratégias de longo prazo”, salienta, reforçando: “O manejo integrado de carrapatos é essencial para garantir um rebanho produtivo, saudável e com menor impacto econômico. Planejamento e ações contínuas são a melhor forma de enfrentar esse desafio sanitário”.
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Inscrições abertas à 6ª Prova de Eficiência e Performance Brahman
Avaliação será realizada em Botucatu com 40 vagas e inclui CAR, ganho de peso, ultrassonografia e julgamento morfológico; campeões vão a leilão na ExpoGenética 2026.

Estão abertas as inscrições de touros da raça Brahman para a 6ª Prova de Eficiência e Performance Brahman – Boi com Bula. A iniciativa busca mensurar, em ambiente controlado, o desempenho de reprodutores em características de alto impacto econômico para a pecuária de corte, como qualidade de carcaça, eficiência alimentar, ganho de peso e fertilidade.
A Associação dos Criadores de Brahman do Brasil (ACBB) disponibiliza 40 vagas. A prova ocorrerá de maio a julho no Centro Tecnológico Bela Vista, em Botucatu (SP), e será dividida em quatro etapas: teste de eficiência alimentar por meio do Consumo Alimentar Residual (CAR), avaliação de ganho de peso, ultrassonografia de carcaça e julgamento de morfologia.
O touro que obtiver o melhor índice final, calculado a partir das pontuações nas quatro fases, será consagrado Grande Campeão. Também haverá premiação para os primeiros colocados em cada uma das avaliações individuais.
Os animais classificados participarão de leilão promovido pela ACBB durante a ExpoGenética 2026, prevista para agosto.
As inscrições seguem até 30 de abril e podem ser realizadas diretamente com a ACBB ou com a BrasilcomZ. A prova é organizada pela ACBB em parceria com BrasilcomZ e Central Bela Vista, com apoio da Associação Brasileira dos Criadores de Zebu (ABCZ), além das empresas PremiumGen Pecuária Sustentável, Centro Tecnológico Bela Vista e DGT Brasil.
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Confinamento bovino registra alta de 16% no Brasil
Com 9,25 milhões de cabeças em 2025, crescimento reforça modernização produtiva e uso estratégico de dados no setor.

O Brasil fechou 2025 reafirmando sua liderança global na produção e exportação de carne bovina em um ambiente de elevada volatilidade, margens pressionadas e maior escrutínio socioambiental. Nesse contexto, eficiência produtiva, previsibilidade e rastreabilidade deixaram de ser diferenciais e passaram a compor a base da competitividade da pecuária de corte.

Foto: Gisele Rosso
Os números do Censo de Confinamento 2025 indicam que a intensificação segue como principal vetor de transformação do setor. O levantamento, apresentado pela dsm-firmenich, aponta que o país alcançou 9,25 milhões de cabeças confinadas no ano passado, alta de 16% frente a 2024. A atividade esteve distribuída em 2.445 propriedades, espalhadas por 1.095 municípios.
O avanço confirma uma tendência observada desde 2015: crescimento consistente do confinamento associado à profissionalização da gestão, maior adoção de tecnologias nutricionais e uso intensivo de dados para tomada de decisão. “O Censo de Confinamento é uma ferramenta estratégica para entender a dinâmica do setor, identificar tendências e apoiar decisões mais assertivas. Ele reflete o amadurecimento da pecuária brasileira e a crescente adoção de práticas que combinam produtividade, gestão e sustentabilidade”, afirma Walter Patrizi, gerente de Confinamento da companhia e responsável pelo levantamento.
Geografia da intensificação
O estudo evidencia a concentração da atividade em polos consolidados da pecuária nacional. O Mato Grosso manteve a liderança, com 2,2 milhões de bovinos confinados, crescimento de 29,6% em relação ao ciclo anterior. O resultado reforça o protagonismo do estado na integração entre produção de grãos, disponibilidade de insumos e escala produtiva.
Na sequência aparecem São Paulo e Goiás, ambos com 1,4 milhão de animais. Enquanto São Paulo registrou expansão de 7,7%, Goiás avançou 13,6%, sinalizando dinamismo regional e ampliação da capacidade instalada.
O Mato Grosso do Sul ocupa a quarta posição, com 0,9 milhão de cabeças e crescimento de 17,8%. Já Minas Gerais fecha o grupo dos cinco principais estados, com 0,8 milhão de animais confinados, mantendo estabilidade frente a 2024.
Estratégia, tecnologia e sustentabilidade
Para além dos números, o crescimento do confinamento dialoga com um movimento mais amplo de modernização da pecuária de corte. A intensificação permite maior controle sobre ganho de peso, conversão alimentar e padronização de carcaças, além de favorecer estratégias de mitigação de emissões e uso mais eficiente de recursos.
A empresa responsável pelo levantamento encerrou 2025 com decisões estratégicas em portfólio, tecnologia, sustentabilidade e inteligência de dados, reforçando o posicionamento como parceira do produtor na transição para sistemas mais eficientes e alinhados às exigências do mercado internacional.
Em um ambiente em que compradores globais demandam comprovação de origem, métricas ambientais e previsibilidade de oferta, o confinamento tende a ganhar ainda mais relevância como ferramenta de gestão de risco e agregação de valor.
Ao consolidar-se como uma das principais referências para o planejamento do setor, o Censo de Confinamento passa a desempenhar papel central na leitura de tendências, apoiando produtores, indústrias e formuladores de políticas na definição de estratégias para uma pecuária mais intensiva, tecnológica e sustentável.




