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Queijos artesanais brasileiros ganham visibilidade em concurso mundial
Mapa trabalha para garantir que os alimentos de leite e queijo estejam seguros para o consumo.

Do café da manhã a lasanha, lanche da tarde e queijadinha, todos tem em comum o queijo, uma das iguarias mais conhecidas e consumidas pela população mundial. E por ser tão apreciado e degustado, ele tem um dia para chamar de seu, no sábado (20), foi celebrado o Dia Mundial do Queijo.
Devido a sua vasta diversidade, existem diversos concursos ao redor do mundo para eleger o melhor queijo. Um destes concursos é o World Cheese Awards, conhecido como o Oscar do Queijo. A 35ª edição ocorreu em outubro de 2023 em Trondheim, na Noruega e contou com a participação de mais de 4.502 queijos de 43 países.
23 queijos brasileiros estiveram no pódio de melhores queijos do mundo. Dentre eles, uma medalha Super Ouro, três para Ouro, oito para prata e 11 para bronze.
Outro grande concurso com visibilidade internacional e que ocorre no Brasil é o Mundial do Queijo do Brasil. Neste ano, a 3ª edição ocorrerá entre os dias 11 e 14 de abril em São Paulo. O mundial irá receber produtores de vários países, e mais de 100 produtores irão expor seus produtos artesanais. Além disso, irá ocorrer o 3º Concurso de Queijos e Produtos Lácteos, que estima receber mais de dois mil queijos e derivados do leite.
O Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) trabalha para garantir que os alimentos estejam seguros para o consumo, tanto para o mercado interno, quanto o mercado externo. Para estes concursos, o Mapa atua na fiscalização dos alimentos participantes. Para os produtos que virão de outros países, a Vigilância Agropecuária Internacional (Vigiagro) atua nestas fiscalizações nos aeroportos e fronteiras.
O chefe substituto de Produtos Importados do Departamento de Inspeção de Produtos de Origem Animal (Dipoa), Caio Augusto, afirma que como forma de facilitar a participação dos queijos oriundos de outros países no evento, “foi elaborado um procedimento simplificado, onde foi dispensada a necessidade de autorização prévia de importação, cabendo somente a fiscalização dos produtos pelo Vigiagro, verificando o cumprimento dos requisitos de saúde pública previstos no Certificado Sanitário”, disse.
O Mapa também atua no incentivo e reconhecimento da produção artesanal de queijos e outros produtos alimentícios por meio do Selo Arte e Selo Queijo Artesanal, regulamentados pela Lei nº 13.680/2018, promulgação da Lei nº 13.860/2019 e portaria nº 531/2022.
Os Selos Arte e Queijo Artesanal asseguram que produtos alimentícios foram produzidos de forma artesanal com receita e processo que apresentem características diferenciais. Por intermédio dessas certificações, assegura-se que o produto possui propriedades únicas, diferenciadas, com modo de fabricação artesanal próprio de determinada região, tradição ou cultura e que adota as Boas Práticas Agropecuárias e as Boas Práticas de Fabricação.
De acordo com o coordenador de Cooperativismo, Associativismo Rural e Agregação de Valor, Nelson de Andrade, desde 2018, 240 tipos de queijos foram contemplados com Selo Arte e desde 2019 foram concedidos 235 Selos Queijo Artesanal.
Atualmente, 125 estabelecimentos possuem o Selo Queijo Artesanal. Em 2023, foram concedidos 45 Selos Arte para queijos e 23 Selos Queijo Artesanal.
O coordenador destaca que estes selos possibilitam a permissão de comercialização em todo o território brasileiro e simplifica o registro para comercialização. Além de ter a valorização territorial, de produção artesanal diferenciada e caracterização singular de fácil identificação e reconhecimento por meio do selo único.

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Área de trigo tropical cresce 80% no Brasil e chega a 360 mil hectares em 2025
Expansão ocorre no Cerrado e na Mata Atlântica, com avanço do cultivo em estados do Centro-Oeste e Sudeste.

O cultivo de trigo em ambiente tropical tem avançado no Brasil e pode ser realizado tanto em sistema irrigado quanto em sequeiro. A escolha depende do nível de investimento e da organização do sistema produtivo, mas em ambos os casos o planejamento é decisivo para o resultado da lavoura.
Antes mesmo da implantação, é necessário definir fatores como tipo de solo, altitude, clima, época de semeadura, disponibilidade de insumos, estrutura de colheita, armazenagem e logística de comercialização. Também é fundamental considerar o calendário agrícola da propriedade, especialmente a rotação de culturas. A colheita da soja ou do milho precisa estar alinhada ao período ideal de semeadura do trigo, e áreas que receberam hortaliças podem aproveitar o residual de adubação.

Foto: Cleverson Beje
A área apta ao cultivo de trigo em ambiente tropical, especialmente nos biomas Cerrado e Mata Atlântica, vem crescendo nos estados de São Paulo, Goiás, Minas Gerais, Mato Grosso do Sul, Bahia e no Distrito Federal. Em 2018, o trigo tropical ocupava cerca de 200 mil hectares. Em 2025, essa área chegou a 360 mil hectares.
No sistema de sequeiro, a produtividade média é de 40 sacas por hectare, embora existam cultivares com potencial superior a 70 sacas por hectare. A semeadura ocorre, em geral, entre março e abril, aproveitando o final do período chuvoso no Cerrado. Apesar do menor custo de implantação e da oportunidade de cultivo em uma janela com menos alternativas agrícolas, o risco climático é elevado, especialmente em caso de estiagem durante o desenvolvimento e enchimento de grãos.
Em Minas Gerais, uma propriedade em Sacramento cultivou 1.100 hectares de trigo em 2025 no sistema de sequeiro. A interrupção das chuvas em abril resultou em produtividade média de 45 sacas por hectare. Já em área experimental, outra cultivar apresentou rendimento médio de 67 sacas por hectare. A escolha da variedade também influencia o manejo, já que algumas são mais suscetíveis a doenças como a brusone quando semeadas antes do período recomendado, enquanto outras permitem antecipar o plantio e aproveitar melhor as chuvas.
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Processamento eficiente impulsiona presença do óleo de soja na indústria alimentícia
Refino garante padronização e desempenho técnico exigidos por fabricantes e serviços de alimentação coletiva.

Da prateleira do supermercado às cozinhas industriais, o óleo de soja se consolidou como o principal óleo vegetal consumido no Brasil. A liderança é resultado de um conjunto de fatores históricos, econômicos e industriais que conectam a expansão da soja no campo à eficiência do processamento e à padronização exigida pela indústria alimentícia.
A popularização do produto acompanha a própria expansão da soja no país, intensificada a partir das décadas de 1970 e 1980 com o avanço da produção no Cerrado. A industrialização do grão transformou a soja em base de uma cadeia produtiva ampla, que envolve alimentos, ração animal e derivados industriais.
Segundo o vice-presidente oeste da Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja MT), Gilson Antunes de Melo, o processamento do grão foi decisivo para viabilizar a agricultura em larga escala. “A industrialização agregou valor e estruturou uma cadeia completa. O farelo está praticamente em todas as rações animais, e cada subproduto encontra destino no mercado. Isso fortaleceu a produção e ampliou a presença da soja na alimentação dos brasileiros”, afirma.

Foto: Divulgação/Arquivo OPR
Além do impacto econômico, o dirigente destaca o papel direto do grão na dieta nacional. “Grande parte das proteínas consumidas no país tem origem indireta na soja, presente na alimentação animal. Já o óleo se tornou uma opção dominante pela versatilidade e pelo sabor neutro, que se adapta a diferentes preparações culinárias.”
A consolidação do óleo de soja no consumo doméstico está ligada à disponibilidade de matéria-prima em grande escala e ao custo competitivo. O produto é resultado do processamento do grão, que origina diferentes tipos de óleo conforme o nível de tratamento industrial.
Na prática, o óleo bruto é a base inicial do processamento, com coloração mais intensa e presença de impurezas, sendo destinado principalmente à indústria para refino e transformação. O óleo refinado, submetido a etapas de purificação, branqueamento e desodorização, apresenta sabor neutro e estabilidade térmica, características que explicam sua predominância no consumo doméstico. Já os óleos mistos combinam diferentes matérias-primas e podem apresentar variações de sabor, desempenho e composição nutricional.
Para a chef e empreendedora Ariani Malouf, a neutralidade sensorial e o desempenho técnico explicam a preferência do setor alimentício. “O óleo de soja não interfere no sabor das preparações e mantém estabilidade mesmo em altas temperaturas. Isso garante padronização, qualidade e segurança, especialmente em produções em larga escala”, explica.
Ela ressalta que a disponibilidade nacional do produto também pesa na escolha. “O Brasil é um dos maiores produtores mundiais de soja, então há oferta constante e custo competitivo. Para cozinhas profissionais e industriais, essa regularidade de abastecimento é fundamental.”
A liderança do óleo de soja também se sustenta em fatores logísticos e econômicos. A ampla produção agrícola, aliada à capacidade de processamento e distribuição, garante fornecimento contínuo para a indústria alimentícia, que demanda grandes volumes com padrão uniforme.
Além da versatilidade culinária, o produto apresenta rendimento elevado, facilidade de processamento e padronização, atributos valorizados por fabricantes de alimentos e serviços de alimentação coletiva.
Mesmo com a presença de alternativas como óleo de milho, girassol ou palma, o custo-benefício e a disponibilidade mantêm o óleo de soja como principal escolha no país. A competitividade do produto está diretamente ligada à força da produção agrícola nacional e à integração entre campo, indústria e mercado consumidor.
Para o setor produtivo, essa cadeia representa mais do que abastecimento alimentar. “O produtor rural tem papel central não apenas na produção de alimentos, mas na geração de riqueza e na segurança alimentar do país”, afirma Gilson Antunes de Melo. Assim, da lavoura ao prato, o domínio do óleo de soja reflete a combinação entre escala produtiva, eficiência industrial e adaptação ao padrão de consumo brasileiro.
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Estradas sem pavimentação elevam custos e travam escoamento da safra em Mato Grosso
Produtores relatam atrasos, aumento do frete e perdas na qualidade dos grãos por causa das condições precárias das rodovias.

A falta de pavimentação em trechos estratégicos de rodovias estaduais e federais segue como um dos principais entraves ao escoamento da safra em Mato Grosso. Produtores relatam que as limitações de acesso prolongam o tempo de transporte, elevam o custo operacional e reduzem a eficiência da colheita, fatores que, ao longo da cadeia, também influenciam o padrão de qualidade do produto entregue ao mercado.
Para a Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja MT), os relatos reforçam que os gargalos logísticos decorrentes da falta de pavimentação deixaram de ser apenas um desafio operacional e passaram a representar um fator estrutural de custo para o agronegócio mato-grossense.
“O produtor paga o FETHAB com a expectativa de ver esse recurso aplicado na melhoria da logística e das estradas, mas infelizmente isso não está chegando na ponta como deveria. Reconhecemos os avanços da atual gestão do governo do estado, porém, em anos de margem apertada, o FETHAB precisa ser reconsiderado. O produtor não pode continuar pagando uma conta sem ver o retorno efetivo na infraestrutura que é essencial para o escoamento da produção”, afirma o diretor administrativo da Aprosoja MT, Diego Bertuol.

Foto: Roberto Dziura Jr/AEN
No noroeste do estado, a situação da MT-183, corredor que conecta áreas produtivas à rede de armazenagem e comercialização, ilustra o impacto estrutural da falta de infraestrutura. O produtor da região de Aripuanã, Sami Dubena, relata que a logística da propriedade passou a ser organizada em função das limitações da estrada. “A situação da MT-183 é gravíssima. São mais de 200 quilômetros de estrada de terra que fica um caos nessa época de chuva e extremamente perigosa na época de estiagem, pois levanta muita poeira e não conseguimos enxergar nada”, afirma.
Sami Dubena também enfatiza que a falta de estrutura logística afeta diretamente o ritmo de colheita, momento decisivo para a safra. “A distância até o armazém pode se tornar duas ou três vezes maior em tempo de viagem. O caminhão sai carregado, e muitas vezes a colheitadeira precisa parar esperando o retorno para descarregar e continuar o trabalho. Isso reduz o ritmo da colheita justamente no período mais sensível da safra”, relata.
O efeito prático aparece tanto na produtividade quanto na classificação do produto. “Sem janela adequada para colher, parte da produção chega com umidade mais elevada ou com avarias, o que gera descontos e reduz o valor final recebido.” O produtor Izidoro Dubena destaca que as limitações de acesso afetam diretamente o fluxo da cadeia e a qualidade do grão ao longo do transporte. “Quando o deslocamento se torna imprevisível, todo o planejamento operacional é comprometido. O produto permanece mais tempo em trânsito e isso altera o padrão de entrega, além de gerar prejuízos para todos os elos envolvidos”, afirma.
Segundo ele, a escolha de rotas mais longas por parte dos transportadores, em busca de melhores condições de tráfego, aumenta o custo logístico e reduz a competitividade regional. Na região de Paranatinga, a realidade é semelhante. O produtor Fernando Petri relata que falhas recorrentes de manutenção na MT-499 têm provocado atrasos frequentes na retirada da safra e elevado o custo do transporte.
“Quando chove por alguns dias, surgem pontos críticos que impedem a passagem de veículos e travam toda a logística. O produtor fica sem conseguir escoar a produção, os prazos se acumulam e o prejuízo aparece na ponta”, afirma. Ele destaca que, mesmo em trechos próximos à cidade, a limitação de tráfego compromete o planejamento da safra e reduz a previsibilidade econômica da atividade.
A Aprosoja MT avalia que a previsibilidade no escoamento é condição essencial para preservar a qualidade da produção, reduzir perdas e manter a competitividade do estado nos mercados nacional e internacional. Em regiões com alto potencial produtivo, a limitação de acesso viário continua restringindo a expansão das áreas cultivadas e elevando o custo por tonelada transportada.
Para os produtores, a melhoria da infraestrutura logística permanece como medida estratégica para garantir eficiência produtiva, estabilidade econômica e maior valor agregado à produção de Mato Grosso. Além dos investimentos em rodovias, a implementação de políticas públicas voltadas ao fomento da armazenagem rural também se apresenta como medida complementar para mitigar esse gargalo.
Ao ampliar a capacidade de armazenagem nas propriedades, o produtor passa a ter condições de realizar a pré-limpeza e a secagem dos grãos na própria fazenda, possibilitando um escoamento mais planejado e escalonado da safra. Essa estratégia reduz a concentração do transporte no período imediato pós-colheita, momento em que a demanda por frete se intensifica, os custos sobem e a necessidade de escoamento rápido pressiona significativamente as estradas. Com maior capacidade de retenção da produção na origem, há ganhos logísticos, econômicos e estruturais para toda a cadeia.


