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Queijo da Frimesa de Marechal Cândido Rondon é o melhor do Paraná

Vencedor concorreu com outros 476 queijos avaliados de 107 produtores e laticínios, distribuídos em 76 municípios. A premiação da 2ª edição do Queijos do Paraná foi realizada no Museu Oscar Niemeyer, em Curitiba.

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Fotos: Geraldo Bubniak

O melhor queijo do Paraná é de Marechal Cândido Rondon, no Oeste do Paraná, com o bicampeão parmesão, da Frimesa. Ele foi escolhido pelo júri da 2ª edição do Prêmio Queijos do Paraná, que definiu os vencedores do concurso na última sexta-feira (30), após um dia inteiro de julgamentos no Museu Oscar Niemeyer (MON), em Curitiba. Foram 477 queijos avaliados de 107 produtores e laticínios de 76 municípios, recorde da premiação e superando os 290 participantes da edição passada.

O secretário de Estado da Fazenda, Norberto Ortigara, participou da cerimônia e destacou que o prêmio serve como reconhecimento aos produtos paranaenses. “Somos um grande produtor de leite no Brasil, temos alta qualidade, bom desempenho na produção primária, altos e baixos como qualquer atividade, mas é um setor que evoluiu fantasticamente nos últimos anos. Estamos qualificando a matéria-prima, o que dá conforto para indústrias de qualquer tamanho”, ressaltou.

“Evoluímos na condição intrínseca do queijo, na sua qualidade, mas também na capacidade competitiva, o que é muito importante. Agora, abrimos novos horizontes com o reconhecimento internacional do Brasil inteiro como área livre de febre aftosa, o que nos dá um passaporte de ousadia para chegar mais longe”, lembrou Ortigara, sobre o reconhecimento da Organização Mundial de Saúde Animal como país livre da doença, algo que o Paraná já havia conquistado em 2021.

Ao todo, 65 queijos foram certificados, sendo que 10 deles receberam a premiação máxima, de super ouro. A cidade de Palmeira, nos Campos Gerais, foi a grande vencedora com três produtos entre os melhores do Estado, sendo dois da Cooperativa Witmarsum e um do Atelié Lötschental. Marechal Cândido Rondon teve dois entre os melhores. Além do parmesão da Frimesa, o Queijo da Mota, de Rosane Borosky, foi premiado. Figuram na lista ainda Cantagalo, Chopinzinho, Diamante d’Oeste, Ivaiporã e Palotina. Confira a lista dos nomes aqui .

O diretor-presidente interino do Instituto de Desenvolvimento Rural (IDR-Paraná), Diniz Dias Doliveira, explicou que o órgão trabalha na ponta, auxiliando o produtor a ter um produto com cada vez mais qualidade. “O IDR é o braço do Estado na propriedade rural, desde os pequenos, passando pelos médios e grandes produtores, onde nós atuamos na produção da matéria-prima, na condição de chegar a um produto de qualidade. Temos mais de 300 agroindústrias em que atuamos no Estado, com mais de 120 técnicos. Esse é um trabalho muito significativo para a questão da economia dos pequenos e para a evolução de outras cadeias, como a do agroturismo”, reforçou.

O presidente interino do Sistema Faep, Ágide Eduardo Meneguette, destacou que o grande volume de inscrições desta edição demonstra que a produção paranaense tem buscado a excelência e a abertura de novos mercados. “Mostra que cada vez mais o Paraná e a produção queijeira do Estado estão muito fortes. No ano passado tivemos cerca de 220 queijos inscritos e nessa edição foram 515, então é a pujança e a potência do queijo dentro do nosso Estado. Isso é muito bom porque agrega valor aos produtores. Os que foram premiados no ano anterior conseguiram inserir seus produtos em mercados aos quais eles não tinham acesso”, disse.

Para o diretor-superintendente do Sebrae/PR, Vitor Tioqueta, o prêmio é uma celebração da produção local e do trabalho de empreendedores rurais, além de ser uma amostra da união de esforços entre instituições comprometidas com o desenvolvimento do agronegócio paranaense. “No Sebrae, temos atuado diretamente na qualificação das queijarias, com foco em gestão, melhoria de processos, conformidade com as legislações, adoção de boas práticas de produção, design de rótulos e marcas”, destacou.

“Isso ajuda a agregar valor aos produtos, fortalece o posicionamento dos pequenos negócios no mercado e contribui para uma mudança de percepção, tanto por parte do consumidor, que passa a reconhecer a qualidade do que é feito aqui, quanto dos próprios produtores, que enxergam mais claramente o potencial e a força do seu trabalho”, acrescentou Tioqueta.

Concurso

Participaram do concurso produtores que fabricam queijo a partir do leite de diferentes espécies. Ao todo, 21 categorias foram disputadas pelos participantes, sendo 14 com foco em queijos a partir do leite de vaca, duas categorias de leite de ovelha, duas de cabra e duas de búfala, além de uma voltada a queijos autorais aromatizados.

Nesta sexta-feira, os produtos habilitados foram avaliados simultaneamente por jurados formados dentro do próprio Prêmio Queijos do Paraná. Foram 27 mesas com três julgadores cada para avaliar os 477 queijos concorrentes, levando em consideração aspectos como textura, odor, sabor, elasticidade, aspecto externo e interno e aplicabilidade para o fim ao qual ele é produzido. Ao todo, foram mais de 40 itens avaliados.

Foram atribuídas notas a cada um dos concorrentes, sendo que aqueles que tiveram pontuação igual ou superior a 18 (de um total possível de 20) receberam medalha de ouro. Os que fizeram entre 16 e 17 pontos ganharam medalha de prata. Por fim, os que marcaram entre 14 e 15 pontos levaram o bronze.

Dos 515 queijos inscritos, 477 foram avaliados, sendo que 15 receberam medalha de ouro, 20 a de prata e outros 30 receberam medalha de bronze. A diferença entre inscritos e avaliados se dá pois alguns produtores não conseguiram entregar o produto a tempo da premiação.

Em uma segunda etapa, os produtos condecorados com a medalha de ouro passaram por uma nova avaliação, com dez deles premiados também com a medalha super ouro. Na fase final, os dez escolhidos foram submetidos a um novo julgamento, com cada um deles defendido por um jurado. Após todo o escrutínio, o queijo da Frimesa de Marechal Cândido Rondon obteve a melhor nota, eleito como o melhor do Paraná.

“Na primeira edição do concurso nós ganhamos como melhor queijo e agora somos bicampeões. Ficamos também entre os 5 melhores do concurso de excelência em muçarela, então nós levamos esses prêmios com muito orgulho para casa, pois é sinônimo de qualidade, de reconhecimento do nosso produto”, afirmou a engenheira de alimentos da Frimesa, Marina Massari.

“A gente tem como diferencial o cuidado, desde a indústria, o contato com o produtor, todo o nosso processo é acompanhado no detalhe, então temos muito carinho pelo que fazemos”, complementa Dora Wunsch, gestora de food service da cooperativa. “O diferencial é o amor pelo nosso produto.”

Além de reconhecer os melhores produtos lácteos, o Prêmio Queijos do Paraná ajuda a melhorar a qualidade da produção paranaense, uma vez que cada participante recebe uma ficha técnica do seu produto concorrente, com indicações dos pontos que podem ser melhorados.

Premiação

Na 2º edição do Prêmio Queijos do Paraná, além de certificados que agregam valor aos produtos, ajudando a conquistar novos mercados, também foram entregues equipamentos aos produtores premiados.

Os classificados na categoria bronze receberam um termômetro e um pHmetro. Aqueles que conquistaram a categoria prata ganharam um lava-botas. Já para a categoria ouro, o prêmio é um curso de análise sensorial. Para os vencedores da categoria super ouro, a premiação é uma viagem técnica (nacional ou internacional) para o produtor.

Melhor muçarela para pizza

Novidade nesta edição, o Concurso Excelência em Muçarela – Edição Pizza foi realizado na última quinta-feira (29), com o resultado divulgado nesta sexta. Foram eleitos e premiados as melhores muçarelas para pizza, a partir de características como derretimento, elasticidade e fatiabilidade. Os produtos também foram julgados a partir de critérios sensoriais.

Foram premiados queijos das cidades de Alto Piquiri, Coronel Vivida, Icaraíma, Marechal Cândido Rondon e Ponta Grossa. No total, 37 inscritos de 28 municípios foram habilitados a participar do concurso. Os jurados avaliaram um concorrente por vez. Cada queijo foi ralado, fatiado e utilizado no preparo da pizza, seguindo os mesmos protocolos.

Atividades

A programação do Prêmio Queijos do Paraná também incluiu uma série de atividades voltadas a especialistas e público em geral, com palestras e minicursos com grandes nomes da gastronomia nacional, como o chef Rui Morshel e a chef Manu Buffara. Entre os temas abordados estiveram desde aspectos técnicos do setor lácteo até inovações queijeiras, passando por empreendedorismo e estratégias de divulgação.

Manu Buffara apresentou um pouco de sua trajetória para um auditório cheio de espectadores nesta sexta-feira. “Tentei montar um menu, com uma entrada, prato principal, sobremesa, até chegar no café, então eu conto um pouquinho da minha história, do Paraná, da cidade de Curitiba e o que isso tem a ver com o meu restaurante, o Manu, e com todos os projetos que tenho na cidade”, contou.

Em 2024, a chef participou do concurso Melhor Merenda do Paraná, ministrando uma aula para as merendeiras dos colégios estaduais e com as melhores receitas de merenda escolar em um livro, assinado por ela. “A alimentação é o elo que liga e conecta tudo. Quando falamos da merenda, de um prêmio de queijos, das hortas urbanas, nós estamos dentro da casa das famílias, então esse incentivo que o Governo do Estado tem feito dentro da alimentação, da gastronomia, é fundamental”, complementou.

Representatividade

Foto: Ricardo Ribeiro

O Paraná tem a segunda maior bacia leiteira do Brasil com 14% de participação, atrás apenas de Minas Gerais, com 27%, e à frente do Rio Grande do Sul, que aparece em terceiro lugar, com 11%, de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Em 2023, foram produzidos cerca de 4,4 bilhões de litros de leite, com Valor Bruto de Produção (VBP) de R$ 11,3 bilhões, segundo a Secretaria de Estado da Agricultura e do Abastecimento (Seab).

A última Pesquisa Trimestral do Abate de Animais, do Leite, do Couro e da Produção de Ovos de Galinha, divulgada pelo IBGE em março, mostra que foram produzidos no Paraná 3,9 bilhões de litros de leite em 2024, sendo que somente no 4º trimestre foram 1,08 bilhão de litros captados no Estado.

São produzidos, em média, 13 milhões de litros por dia, dos quais 6 milhões são direcionados à fabricação de queijos de vários tipos. Além da força econômica da atividade, o leite tem um papel econômico e social importante, uma vez que está presente nos 399 municípios do Estado. A principal produtora no Estado é a cidade de Castro, nos Campos Gerais, reconhecida como “capital nacional do leite”, com 468 milhões de litros produzidos em 2023.

Segundo o presidente do Prêmio Queijos do Paraná, Ronei Volpi, a premiação contribui para o fortalecimento da cadeia produtiva de leite e do queijo no Estado. “O Paraná é o segundo maior produtor de leite do Brasil e metade do que é produzido vai para a produção de queijo. Nosso objetivo é valorizar, reconhecer os produtos paranaenses e aproximar o campo da cidade”, afirmou. “É uma vitrine que nós tínhamos que melhorar. Nós temos excelentes produtos paranaenses, mas nem sempre conhecidos do grande público consumidor. Com o prêmio isso tem mudado.”

Parceria

Foto: Ricardo Ribeiro

Em sua segunda edição, o Prêmio Queijos do Paraná é uma parceria entre IDR-Paraná, Sistema Federação da Agricultura do Paraná (Faep), Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas no Estado do Paraná (Sebrae-PR), Sistema Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado (Fecomércio-PR) e Sindicato da Indústria de Laticínios e Produtos Derivados do Paraná (Sindileite-PR).

Presenças

Participaram do evento de premiação o diretor-presidente da Agência de Defesa Agropecuária do Paraná (Adapar), Otamir Cesar Martins; o senador Sérgio Moro; o deputado estadual Anibelli Neto; a prefeita de Rio Branco do Sul, Karime Fayad; o presidente da Federação dos Trabalhadores Rurais Agricultores Familiares do Estado do Paraná (Fetaep), Alexandre Leal dos Santos; o representante do Sindileite-PR, Wilson Thiesen; e demais autoridades.

Fonte: AEN-PR

Notícias Cooperativismo

Edição Especial Cooperativismo 2026 de O Presente Rural já está disponível

Publicação reúne reportagens exclusivas sobre o papel das cooperativas no agronegócio e destaca como a escassez de mão de obra e a contratação de imigrantes estão transformando o mercado de trabalho no setor.

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A nova Edição Especial Cooperativismo 2026 de O Presente Rural já está disponível gratuitamente em versão digital no site. Publicada todos os anos próxima ao Dia Internacional das Cooperativas, celebrado em 04 de julho, a edição reúne reportagens, análises e conteúdos especiais sobre a força econômica, social e produtiva do cooperativismo no agronegócio brasileiro.

Nesta edição, a reportagem especial aborda um dos temas mais relevantes para o futuro das cooperativas agroindustriais: a geração de empregos, a escassez de mão de obra e a presença crescente de trabalhadores estrangeiros nas operações. O conteúdo mostra como imigrantes de diferentes nacionalidades passaram a ocupar funções decisivas em agroindústrias, supermercados, unidades operacionais e estruturas produtivas de cooperativas do Sul do país.

A reportagem apresenta casos de cooperativas em que estrangeiros já representam parcela expressiva da força de trabalho. Em algumas unidades, eles chegam a formar a maioria dos colaboradores. Mais do que um dado demográfico, esse movimento revela uma mudança estrutural no mercado de trabalho do agronegócio, com reflexos diretos sobre produção, escalas, expansão industrial, automação, qualificação, moradia, integração cultural e desenvolvimento regional.

Além da reportagem especial, a edição traz conteúdos sobre o impacto do cooperativismo na economia, na geração de renda, na organização das cadeias produtivas, atuando como agentes de desenvolvimento nas comunidades onde estão.

A Edição Especial Cooperativismo 2026 pode ser acessada gratuitamente na aba Edições Impressas de opresenterural.com.br.

Fonte: O Presente Rural
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Notícias

Quando o clima ajuda a conter a alta dos grãos

Análise da Consultoria Agro do Itaú BBA indica que o El Niño tende a redistribuir a produção entre regiões e reduzir a volatilidade dos preços, ao contrário da La Niña, que concentra perdas e pressiona o mercado global.

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Foto: Gilson Abreu

O impacto dos fenômenos climáticos El Niño e La Niña sobre o mercado global de soja e milho não segue um padrão simples de alta ou baixa de preços. De acordo com análise da Consultoria Agro do Itaú BBA, os efeitos são assimétricos, dependem da distribuição geográfica das chuvas e, sobretudo, da intensidade de cada evento.

Foto: Divulgação

No caso do fenômeno El Niño, o efeito global tende a ser mais de redistribuição do risco do que de perda generalizada de produção. Enquanto algumas regiões enfrentam restrições climáticas, como partes da Ásia e da África, grandes produtores como Estados Unidos, Brasil e Argentina podem registrar condições mais favoráveis.

Segundo a análise, esse “balanceamento geográfico” faz com que a produção global de soja, em muitos episódios, apresente até ganhos médios de 2% a 5%. No milho, o comportamento é mais neutro a levemente negativo, com perdas estimadas em até cerca de 4%, concentradas em áreas tropicais.

Esse desenho ajuda a explicar por que eventos de El Niño, especialmente os moderados, podem resultar em menor volatilidade nos preços internacionais de grãos. Com a oferta global relativamente preservada, o mercado tende a operar com estoques mais confortáveis, o que reduz a intensidade de movimentos altistas.

Em eventos mais fortes, como os registrados em 1997/98 e 2015/16, não houve, segundo a consultoria, rupturas relevantes no balanço global de oferta e demanda de soja e milho, e as cotações internacionais exibiram comportamento menos volátil do que em anos neutros ou sob influência de La Niña.

O quadro muda de forma mais consistente sob influência da La Niña. Nesse cenário, o padrão climático tende a ser mais sincronizado entre grandes regiões

Foto: Divulgação

produtoras, ampliando a probabilidade de perdas simultâneas de produtividade.

A América do Sul, responsável por cerca de 65% das exportações globais de soja e fatia relevante do milho, aparece como uma das áreas mais vulneráveis a períodos prolongados de estiagem associados ao fenômeno. Episódios recentes de La Niña entre 2020 e 2022 coincidiram com secas severas no Sul da África e perdas expressivas no Cone Sul, contribuindo para forte alta nos preços internacionais em 2021 e 2022.

Nesse período, o milho chegou a superar US$ 6,50 por bushel em Chicago, enquanto a soja atingiu US$ 17 por bushel, refletindo um aperto global de oferta.

Para a Consultoria Agro do Itaú BBA, essa mudança também reflete uma transformação estrutural no mercado global de grãos. Com o aumento da participação do Hemisfério Sul no comércio internacional, choques climáticos negativos passaram a ter impacto mais direto sobre a formação de preços, especialmente em anos de La Niña.

Nesse contexto, enquanto o El Niño atua mais como um fator de redistribuição regional de produção, a La Niña segue associada a maior risco de desequilíbrio global entre oferta e demanda, com efeitos mais intensos sobre as cotações de soja e milho.

Fonte: O Presente Rural
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Notícias

El Niño 2026/27 pode reordenar oferta global de grãos com impactos opostos entre hemisférios, aponta Itaú BBA

Fenômeno altera padrões de chuva e temperatura no planeta, com efeitos assimétricos sobre EUA, Brasil, Argentina, Ásia e Oceania e maior risco de volatilidade agrícola.

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Foto: Shutterstock

O El Niño é um fenômeno climático de escala global associado ao aquecimento anormal das águas superficiais do Oceano Pacífico Equatorial. Ele integra o ciclo El Niño-Oscilação Sul (ENOS), que alterna entre três fases: a quente (El Niño), a fria (La Niña) e a neutra.

A fase de El Niño se caracteriza quando as temperaturas do Pacífico permanecem pelo menos 0,5°C acima da média por vários meses consecutivos, acompanhadas por alterações relevantes na circulação atmosférica.

Foto: José Fernando Ogura

Esse processo está ligado ao enfraquecimento ou até à inversão dos ventos alísios, o que favorece o deslocamento de águas mais quentes em direção ao leste do Pacífico e reduz a ressurgência de águas frias na costa da América do Sul. “Por cobrir cerca de um terço do planeta, o Pacífico exerce forte influência sobre a circulação atmosférica global, reorganizando padrões de chuva e temperatura em escala planetária”, afirma a Consultoria Agro Itaú BBA.

Na fase oposta do sistema, a La Niña, observa-se o resfriamento anormal das águas do Pacífico Equatorial, acompanhado pela intensificação dos ventos alísios e por efeitos climáticos em geral contrários aos do El Niño em diversas regiões do mundo.

Ao modificar a interação entre oceano e atmosfera, o ENOS altera a circulação global de umidade e, consequentemente, os regimes de precipitação em diferentes continentes.

O El Niño tende a elevar temporariamente a temperatura média global, enquanto a La Niña promove um leve resfriamento de curta duração. Em ambos os casos, há uma reorganização dos riscos climáticos em escala planetária.

Foto: Gilson Abreu

Esses eventos ocorrem, em média, a cada dois a sete anos e costumam durar entre nove e 12 meses, com impactos relativamente consistentes sobre grandes regiões agrícolas, ainda que com variações de intensidade entre episódios.

Estados Unidos: efeitos mais fortes no inverno e impacto indireto no verão

 

Nos Estados Unidos, os efeitos do El Niño são mais bem definidos no outono, inverno e início da primavera, quando o fenômeno altera de forma mais consistente os padrões de temperatura e precipitação.

Em termos gerais, o evento está associado a invernos mais amenos e úmidos no Centro-Norte do país e a condições mais secas no Sul, com destaque para o Texas.

Segundo a Consultoria Agro Itaú BBA, há registros históricos de safras elevadas no Corn Belt em episódios de El Niño de intensidade moderada, como em 2009, 2015 e 2023, quando a combinação de umidade e temperaturas mais equilibradas favoreceu o desenvolvimento das lavouras.

Ainda assim, a influência do fenômeno sobre o verão, fase crítica para o desenvolvimento de milho e soja, é menos estável e apresenta maior variabilidade, com casos pontuais em que excesso de precipitação ou ondas de calor tardias impactaram negativamente a produtividade.

Na direção oposta, a fase de La Niña tende a aumentar o risco de secas e ondas de calor no Sul dos EUA e em parte do cinturão agrícola, elevando o estresse hídrico

Foto: Divulgação

sobre as lavouras e ampliando a variabilidade produtiva.

Brasil: assimetria regional e alto grau de variabilidade produtiva

No Brasil, o El Niño acentua a heterogeneidade climática entre as regiões, provocando padrões de chuva distintos e, muitas vezes, opostos no território nacional.

No Sul, há tendência de precipitações acima da média durante a primavera e o verão, o que pode favorecer o desenvolvimento de culturas como soja e milho. Contudo, esse cenário também eleva o risco de encharcamento do solo, proliferação de doenças fúngicas e ocorrência de eventos extremos.

No Sudeste, o regime de chuvas tende a se tornar mais irregular, com alternância entre períodos mais úmidos e episódios de calor intenso, o que pode afetar o desempenho de culturas como soja, milho e cana-de-açúcar justamente em fases críticas do ciclo produtivo.

No Centro-Oeste, o principal risco está associado ao atraso do início das chuvas de primavera, o que pode reduzir a janela ideal de plantio da soja e, por consequência, comprometer o calendário da segunda safra de milho. Além disso, a maior frequência de veranicos e episódios de déficit hídrico durante o verão aumenta a vulnerabilidade das lavouras. “Em cenários de maior intensidade do fenômeno, a combinação entre atraso de plantio e irregularidade das chuvas eleva de forma relevante o risco para o milho 2ª safra no Centro-Oeste”, destaca a Consultoria Agro Itaú BBA.

Foto: Divulgação/Freepik

Nas regiões Norte e Nordeste, o impacto tende a ser mais negativo, com redução mais acentuada das chuvas, o que amplia o risco de secas severas e afeta diretamente o Matopiba e áreas de agricultura de subsistência.

Mapa de risco climático no Brasil

A projeção da Consultoria Agro Itaú BBA indica que o El Niño amplia a assimetria climática no país:

  • Sul (RS, SC, PR): risco alto de excesso de chuva e inundações, com impacto também sobre qualidade sanitária das lavouras
  • Norte/Amazônia e Matopiba: risco alto de seca, queimadas e déficit hídrico
  • Centro-Oeste Norte (MT): risco de veranicos e irregularidade no plantio
  • Centro-Oeste Sul (MS e GO): risco médio-alto associado a calor excessivo
  • Sudeste: risco médio-alto de ondas de calor e chuvas irregulares

“O comportamento não é homogêneo, e o desafio central é a simultaneidade de riscos distintos dentro de um mesmo país produtor”, aponta a consultoria.

Argentina: padrão mais favorável ao El Niño

Na Argentina, o El Niño historicamente favorece a produção de soja e milho, sobretudo pelo aumento das chuvas durante a primavera-verão, período crítico para o

Foto: Divulgação

desenvolvimento das lavouras no cinturão agrícola do país.

Em anos recentes de El Niño, como 2014/15 e 2016/17, o país registrou produtividades acima da média, em contraste com os episódios de La Niña, marcados por forte restrição hídrica e perdas expressivas.

Segundo a Consultoria Agro Itaú BBA, a seca prolongada de 2020–22, associada à La Niña, levou a produção de soja argentina a cerca de 25 milhões de toneladas em 2022/23, enquanto a reversão para um El Niño forte em 2023/24 permitiu recuperação relevante da oferta, com colheita próxima de 50 milhões de toneladas. “Os extremos do ENOS têm efeito direto e imediato sobre a variabilidade produtiva da Argentina, com forte sensibilidade da soja às condições de chuva no ciclo de primavera-verão”, destaca a consultoria.

Ásia e Oceania

 

Na Ásia e na Oceania, o El Niño está frequentemente associado ao enfraquecimento das monções (ventos sazonais) e à redução das chuvas, o que provoca alterações relevantes no regime hídrico de algumas das principais regiões agrícolas do mundo.

Na Índia e no Sudeste Asiático, esse padrão climático afeta diretamente culturas estratégicas como arroz, milho e cana-de-açúcar, além de impactar a produção de óleo de palma na Indonésia e na Malásia, com repercussões importantes sobre a oferta global de óleos vegetais.

Foto: Gilson Abreu

Na Austrália, o fenômeno costuma estar ligado a episódios de seca e ondas de calor, comprometendo de forma significativa a produção de trigo, como observado em eventos recentes, incluindo 2015 e 2023. “A forte dependência das monções faz com que a região responda de forma particularmente sensível às variações de temperatura do Pacífico”, observa a Consultoria Agro Itaú BBA.

Sistema climático integrado e risco de oferta global

O conjunto de evidências reforça que o El Niño não se trata de um evento isolado, mas de um componente de um sistema climático integrado, com efeitos simultâneos e interconectados em diferentes continentes.

Na leitura da Consultoria Agro Itaú BBA, o principal ponto de atenção para o ciclo 2026/27 não está apenas na intensidade do fenômeno, mas na sua capacidade de redistribuir riscos climáticos entre hemisférios, com potencial de alterar o equilíbrio global de oferta de grãos e aumentar a volatilidade dos mercados agrícolas.

Fonte: O Presente Rural
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