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Queijo catarinense é eleito o melhor do mundo em concurso internacional
Produto da Queijos Possamai superou concorrentes de 30 países e reforça a qualidade da produção nacional.

O Queijo Reserva do Vale, da empresa Queijos Possamai, foi eleito o melhor queijo do mundo no 4º Mundial do Queijo do Brasil 2026, competição realizada em São Paulo entre os dias 16 e 19 de abril.
Produzido em Pouso Redondo (SC) por estabelecimento integrado ao Sistema Brasileiro de Inspeção de Produtos de Origem Animal (Sisbi-POA), o queijo brasileiro superou concorrentes de 30 países. O resultado destaca a qualidade da produção nacional e a importância da certificação sanitária, coordenada pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), para a ampliação do acesso a mercados e a garantia de elevados padrões produtivos.
Além do prêmio principal, a empresa recebeu outras nove medalhas na competição.
A diretora do Departamento de Planejamento e Estratégia do Sistema Unificado de Atenção à Sanidade Agropecuária e jurada oficial do concurso, Judi Nóbrega, destacou a relevância do Sisbi-POA para a competitividade das agroindústrias brasileiras.
“Resultados como esse demonstram, de forma concreta, que a adesão ao Sisbi-POA não é apenas um requisito regulatório, mas um diferencial competitivo. O sistema permite que agroindústrias alcancem novos mercados com segurança sanitária e qualificação dos processos produtivos, ampliando oportunidades sem abrir mão da qualidade. Ver um produto brasileiro, de uma agroindústria de pequeno porte, ser reconhecido como o melhor do mundo reforça a efetividade da política pública e o potencial do nosso sistema de inspeção”, afirmou.
Fundada em 1984, a Queijos Possamai mantém tradição familiar no município de Pouso Redondo, a cerca de 264 quilômetros de Florianópolis. Antes da adesão ao sistema, a empresa processava cerca de 3,5 mil litros de leite por dia. Atualmente, conta com rebanho de aproximadamente 600 animais e capacidade superior a 7 mil litros diários, crescimento acompanhado por investimentos em boas práticas produtivas e rigoroso controle sanitário.
A conquista projeta Santa Catarina no cenário internacional e reforça o potencial dos produtos de origem animal brasileiros.
Sisbi-POA
O Sisbi-POA foi criado em 2006 com o objetivo de integrar os serviços de inspeção de produtos de origem animal no país e ampliar as oportunidades de comercialização para as agroindústrias brasileiras.
Na prática, significa que o serviço de inspeção municipal ou estadual passa a ter seus procedimentos de fiscalização e controle reconhecidos como equivalentes aos adotados em nível federal. Isso garante padronização e harmonização das ações de inspeção, em conformidade com as normas técnicas estabelecidas pelo Mapa, além de ampliar significativamente as oportunidades de mercado com a comercialização em todo o território nacional.
Durante os primeiros 16 anos do sistema, entre 2006 e 2022, foram integrados 331 municípios em todo o Brasil. Entre 2023 e março de 2026, esse processo ganhou novo ritmo, com a integração de 1.184 novos municípios, elevando o total nacional para 1.515 municípios.
Grande parte desse crescimento tem sido impulsionada pelo fortalecimento dos consórcios públicos municipais, modelo que permite compartilhar estrutura técnica, otimizar recursos e estruturar serviços de inspeção mais robustos e eficientes.

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Importações de leite atingem 235 milhões de litros em março
Cenário ainda é marcado por custos elevados e recomposição parcial de preços no Brasil, segundo a Embrapa.

O mercado lácteo iniciou 2026 sob um ambiente de incertezas no cenário internacional e ajustes de preços no Brasil. Fatores como tensões geopolíticas, variação nos custos de insumos e volatilidade cambial seguem influenciando a dinâmica do setor, de acordo com levantamento da Embrapa Gado de Leite, com base em dados da Serasa.
No mercado global, a produção de leite continua em expansão, porém em ritmo mais moderado. Os preços internacionais seguem em patamares inferiores aos observados no início de 2025, com o índice GDT acumulando queda de 10,35% entre janeiro e abril de 2026.

Foto: Divulgação/IDR-Paraná
No Brasil, o setor iniciou o ano com pressão sobre margens, após um período de baixa rentabilidade ao longo de 2025. Esse movimento levou a reajustes ao longo da cadeia produtiva, refletindo tentativas de recomposição econômica em diferentes elos do setor.
O leite UHT no atacado de São Paulo, por exemplo, encerrou o período em cerca de R$ 3,27 por litro em janeiro, com avanço para pouco acima de R$ 5,00 no início de abril. No mercado spot, os valores chegaram a aproximadamente R$ 3,60 por litro no mesmo período. O leite pago ao produtor também apresentou reajuste, passando de cerca de R$ 2,00 por litro em janeiro para R$ 2,39 em março.
Segundo a análise, a recomposição de preços ocorre após um período de forte compressão de margens, com impactos diretos sobre o fluxo de caixa das propriedades e o planejamento da atividade leiteira. Apesar da melhora recente, o cenário ainda é considerado sensível, diante de custos elevados e incertezas sobre a demanda.

Foto: Fernando Dias
No ambiente externo, o aumento das taxas de juros e a valorização do câmbio no Brasil têm influenciado a competitividade das exportações, ao mesmo tempo em que encarecem insumos importados. O volume de leite importado em março alcançou cerca de 235 milhões de litros em equivalente leite, mantendo patamar elevado.
Internamente, o consumo segue pressionado por fatores econômicos. O alto endividamento das famílias e o crescimento econômico mais moderado limitam a recuperação da demanda, mesmo com alguma estabilização recente da produção.
A análise também aponta que o custo de produção deve seguir sensível a variações em insumos como fertilizantes, energia e óleo diesel, além de fatores climáticos que impactam a produção de forragem e silagem. Nesse contexto, o setor segue em ambiente de cautela, com expectativa de ajustes graduais ao longo de 2026.
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Governo libera crédito emergencial para cooperativas de leite
Linha do Pronaf garante capital de giro para manter operações e evitar impactos no campo.

As cooperativas da agricultura familiar que tenham como atividade principal a produção e o processamento de leite terão acesso temporário a uma linha de crédito para capital de giro. O Conselho Monetário Nacional (CMN) aprovou na quinta-feira (23) a inclusão de cooperativas do segmento em dificuldades financeiras na modalidade de agroindústria do Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf).


Foto: Marcello Casal Jr/Agência Brasil
Na prática, essas cooperativas poderão contratar empréstimos para capital de giro até 30 de junho. Esse dinheiro é usado para manter as atividades do dia a dia, como comprar leite dos produtores, processar os produtos e manter a operação funcionando.
Em nota, o Ministério da Fazenda explicou que a decisão busca apoiar cooperativas que enfrentam dificuldades financeiras no curto prazo, garantindo que continuem operando normalmente. Sem esse apoio, poderia haver atraso nos pagamentos aos produtores, redução da produção e até perda de empregos locais.
Segundo a pasta, essas cooperativas são fundamentais porque:
• Compram a produção de pequenos agricultores;
• Processam alimentos, como leite e derivados;
• Garantem renda para famílias no campo.
Quem pode acessar o crédito
• A linha é voltada para cooperativas que participam do Pronaf Agroindústria e que comprovem dificuldades para pagar dívidas de curto prazo em 2026.
• Além disso, elas precisam estar inscritas em programas do governo voltados à gestão e fortalecimento da agricultura familiar, como iniciativas do Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar.
• Os valores podem ser contratados em um ou mais bancos.
Como funciona o financiamento
A medida estabelece condições específicas para os empréstimos:
• Prazo total: até 6 anos para pagamento;
• Carência: até 1 ano para começar a pagar o principal;
• Juros: 8% ao ano;
• Limite por cooperativa: até R$ 40 milhões;
• Limite por cooperado: até R$ 90 mil.
Até quando vale
A autorização para contratar esse tipo de crédito vale até 30 de junho de 2026.
O que muda na prática
Com mais acesso a crédito, a expectativa do governo é:
• Manter a compra da produção dos agricultores;
• Evitar interrupções nas atividades das cooperativas;
• Garantir renda para famílias rurais;
• Preservar empregos no interior;
• Manter o abastecimento de alimentos.
A medida, informou a Fazenda, funciona como reforço de caixa emergencial, ajudando o setor a atravessar um período de dificuldades sem interromper a produção.
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Pecuária de Mato Grosso pode recuperar R$ 921 milhões com regularização ambiental
Áreas em regeneração já somam o equivalente a 5,8 mil campos de futebol.

Uma área equivalente a 5.868 campos de futebol está em processo de regeneração ambiental em Mato Grosso, impulsionada pelo Programa de Reinserção e Monitoramento (Prem), do Instituto Mato-grossense da Carne (Imac). Mais do que apenas uma adequação legal, regenerar áreas desmatadas ilegalmente também significa voltar ao mercado.
Apenas nas fazendas monitoradas pelo Prem a projeção é de que R$ 921,2 milhões voltem à cadeia produtiva formal, dinheiro que estava comprometido pois as propriedades estavam proibidas de comercializar seu rebanho, por causa dos passivos ambientais. “Para o setor, o passivo ambiental significa um bloqueio direto à comercialização. Propriedades com desmatamento irregular registrado no sistema Prodes ou com embargos ficam impedidas de vender para frigoríficos que atendem grandes redes varejistas e exportadores, por exemplo. Ao regularizar essas áreas, o Prem reconecta o produtor ao mercado formal”, explica o presidente do Imac, Caio Penido.

Foto: Gabriel Faria
Criado em 2022, o programa apresentou crescimento acelerado. Em quatro anos, saiu de quatro para 167 pecuaristas desbloqueados, avanço que reflete a demanda crescente por regularização e acesso a mercados. Atualmente, o Prem monitora 381.173 hectares, área equivalente a cerca de 2,5 vezes o município de São Paulo, e acompanha a regeneração ativa de 4.190 hectares de vegetação nativa.
Inserido na estratégia mais ampla de sustentabilidade da pecuária mato-grossense, o Prem é a principal ferramenta do Passaporte Verde, política que busca fomentar conformidade socioambiental em toda a cadeia produtiva do Estado. A iniciativa oferece acompanhamento técnico e orientação contínua aos produtores, facilitando o cumprimento da legislação ambiental e a reinserção no mercado formal.

Foto: Arthur Matos
Na prática, o avanço da regeneração também reforça o posicionamento de Mato Grosso no comércio internacional de carne bovina, onde cresce a exigência por produtos mais sustentáveis. “Na prática, a regeneração dessas áreas não só reduz passivos ambientais como também fortalece a imagem de Mato Grosso no cenário internacional. Ao transformar áreas antes irregulares em ativos produtivos, o estado avança em um modelo comprovado, que combina produção e conservação, certamente temos mais biodiversidade que nossos concorrentes”, enfatiza Penido.
O perfil dos produtores que aderiram ao programa também evidencia seu caráter inclusivo. As propriedades de grande porte representam 38,32% dos participantes, seguidas pelas pequenas (34,74%) e médias (26,94%). O dado indica que a regularização ambiental deixou de ser uma pauta restrita a grandes propriedades e passou a alcançar toda a base produtiva, ampliando o alcance econômico e sustentável da pecuária em Mato Grosso.



