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Quedas e oscilações de energia causam prejuízo milionário no campo

Com base no relato de mais de 50 sindicatos rurais, Sistema FAEP/SENAR-PR pede providências imediatas à Copel, ao governo do Paraná e à Alep

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Foto: Divulgação/Sistema FAEP/SENAR-PR

Mais do que transtornos em seu dia a dia, produtores rurais de todas as regiões do Paraná têm amargado prejuízos significativos em razão de quedas recorrentes no fornecimento de energia elétrica ou de oscilações na tensão da rede. Nos últimos meses, o Sistema FAEP/SENAR-PR recebeu 18 ofícios de sindicatos rurais e núcleos de sindicatos, que, juntos, correspondem a 54 unidades sindicais. Os documentos detalham os problemas enfrentados por agricultores e pecuaristas e que impactam diretamente na produção agropecuária. Os apagões têm se imposto como um obstáculo a quem produz, mas com impactos que se refletem na economia do Estado.

O Sistema FAEP/SENAR-PR compilou os apontamentos enviados pelos sindicatos rurais, resumindo os problemas no fornecimento de energia e traçando um cenário da situação vivida por produtores. Enviado em 5 de fevereiro à Copel, ao governo do Paraná e a todos os deputados estaduais, o ofício pede providências imediatas e assinala: “O tema é urgente e, sem resolução, o desenvolvimento do Paraná poderá ser comprometido”.

“A energia elétrica é um dos insumos mais importantes da produção agropecuária. Os problemas no fornecimento afetam diretamente a nossa força produtiva e, em consequência disso, prejudicam a economia do Paraná. O sentimento manifestado pelos produtores rurais é de completo abandono. Por isso, pedimos medidas urgentes, para que os prejuízos não sejam ainda maiores” diz Ágide Meneguette, presidente do Sistema FAEP/SENAR-PR. “É uma questão que causa reflexos diretos dentro da propriedade e indiretos em toda a sociedade paranaense”, observa o presidente.

Problemas e prejuízos

Um dos reflexos da deterioração da rede elétrica no campo é a oscilação recorrente de carga, que tem provocado a queima de sistemas elétricos de equipamentos, como motores, bombas de irrigação, climatizadores e painéis de controle, entre outros. Em alguns casos, o prejuízo vai além. Em outubro de 2023, após uma série de oscilações na rede, um disjuntor se queimou em um dos aviários de Luiz Bertolassi, no município de Jardim Alegre, no Norte do Paraná. Com isso, equipamentos que mantinham as condições de iluminação do galpão deixaram de funcionar, provocando a morte de praticamente todo o lote de frangos: de 15.548 aves, apenas 11 sobreviveram.

“Com a queima do disjuntor, as cortinas abriram, os frangos assustaram com a luz e morreram na hora. O frango é um bicho muito sensível. E nem estava tempo ruim. Isso foi num sábado, ao meio-dia. Estava um sol que Deus mandava”, relembra Bertolassi. “Ainda não acertamos como vai ficar, mas se a empresa for cobrar de mim, estou morto! Pela tabela, cobram R$ 10 por animal”, diz o produtor, se referindo à integradora, que fornece os pintainhos e os insumos, para que o avicultor produza o lote de frangos. Bertolassi ainda teve que arcar com os custos do descarte das mais de 15 mil aves mortas.

Por causa de oscilações na energia, Bertolassi perdeu um lote de mais de 15 mil aves

Outro problema sentido reiteradamente pelos produtores rurais são as quedas de energia. No último quadrimestre de 2023, houve mais de 38 mil interrupções de distribuição de energia registradas no Paraná, aumento de 23,6% em relação ao mesmo período de 2022, segundo a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel). Em alguns casos, os episódios são sequenciais. Em Guamiranga, na região Centro-Sul do Paraná, por exemplo, houve dez quedas em apenas uma hora, o que fez com que diversos equipamentos queimassem – conforme ofício enviado ao Sistema FAEP/SENAR-PR pela prefeitura e assinado por 13 associações de produtores, que representam mais de 1,8 mil famílias.

O período médio de duração das interrupções também aumentou. O tempo de atendimento subiu de 248 minutos (mais de quatro horas) para 355 minutos (quase seis horas), de acordo com a Aneel. Há casos, entretanto, em que a interrupção no fornecimento se estende por dias, como na propriedade do avicultor Roberto de Lucas Rodrigues Bittencourt, em Terra Boa, no Noroeste do Paraná. A fazenda ficou às escuras por quase três dias seguidos, entre 10 e 12 de janeiro deste ano. Na hora que a energia caiu, Bittencourt ligou um conjunto de geradores à diesel, mas os equipamentos também não aguentaram à sobrecarga. Um deles queimou e o produtor teve que, às pressas, alugar um novo, ao custo de R$ 2,5 mil. Nesse meio tempo, do lote de 200 mil aves nos galpões, 10 mil morreram.

“Os geradores são feitos para usar uma ou duas horas, em situações de emergência, até a luz ser religada. Não é para ficar ligado direto, derretendo e virando o dia. Meu prejuízo foi de R$ 100 mil”, garante o produtor. “Eles demoraram três dias para identificar o problema. Era um religador automático, que, quando falha, dá sinal na central. Então, ou eles foram incompetentes ou foram negligentes. E não estava chovendo. Estava um ‘céu de brigadeiro’”, acrescenta Bittencourt, que reuniu os registros para ingressar com uma ação judicial contra a Copel.

Problema semelhante ocorreu nos municípios que fazem parte da Associação dos Produtores da Água do Monjolo, no Norte do Paraná. Em novembro de 2023, em um intervalo de dois dias, houve duas quedas de energia que deixou produtores rurais sem luz por mais de 30 horas. Vice-presidente da associação, Nivaldo de Paula Faria, recorreu a geradores, que conseguiram se manter até o restabelecimento da energia. Mas outros produtores da região não tiveram a mesma sorte. Os mais penalizados foram os pecuaristas de leite.

“Essa rede atinge 30 produtores. Tivemos vizinhos que perderam toda a produção de leite nesses dias. Tiveram que jogar todo o leite fora. Milhares de litros desperdiçados”, diz Faria.

“O produtor não suporta mais ficar no prejuízo” desabafa Nivaldo de Paula Faria, vice-presidente da Associação dos Produtores da Água do Monjolo.

Em Mandirituba, na Região Metropolitana de Curitiba, os produtores rurais também têm sofrido com o fornecimento de energia elétrica. Segundo o avicultor Eduardo Araújo, os problemas se agravaram nos últimos seis meses, a ponto de as oscilações e quedas ocorrerem toda semana. Em fevereiro, as falhas na tensão da rede provocaram a queima de quatro motores e de um controlador. Ele gastou R$ 2,5 mil para reparar os equipamentos. Em uma das quedas, ficou 12 horas às escuras e teve que recorrer ao gerador.

Eduardo Araújo perdeu quatro motores e um controlador: prejuízo de R$ 2,5 mil

“Quando está no gerador, a gente não dorme. E se escapa uma mangueira? Tem que ficar acordado, monitorando a temperatura da granja. Então, não é só o prejuízo financeiro. É psicológico, também. A gente fica refém. A gente fica rezando para não faltar luz”, disse. “E tudo isso piorou depois da privatização [da Copel], em todos os pontos: de falta de fase, de queda de energia e demora do religamento”, apontou Araújo. Coordenador da Cadec de Mandirituba e da Lapa, ele tem recebido inúmeros relatos semelhantes de muitos dos 199 produtores integrados da região.

Em Rondon e em Cidade Gaúcha, no Noroeste do Paraná, as quedas de energias por tempos estendidos obrigaram produtores rurais a contratar caminhões-pipas para abastecer os reservatórios de água de animais, evitando que viessem a morrer de sede. Os prejuízos também se alastraram pela agricultura. Houve registros de bombas e equipamentos de irrigação queimados em razão das falhas de abastecimento elétrico. No caso da fumicultura, a danificação de motores de estufas afetou a secagem do tabaco, implicando na perda de qualidade do produto.

Tudo isso faz com que os produtores afetados pensem em recorrer à justiça. Em Guarapuava, por exemplo, o sindicato rural reuniu 30 produtores que, juntos, respondem por mais de 40 unidades consumidoras, que tiveram prejuízos causados pelas oscilações ou quedas de energia. A procura fez com que o presidente da entidade, Rodolpho Botelho, disponibilizasse a assessoria jurídica aos associados. “Temos vários produtores querendo entrar com ação judicial contra a Copel por causa dos prejuízos, então, estamos com nossa assessoria jurídica à disposição”, ressalta.

Conta do produtor subiu 76% em cinco anos

Nos últimos cinco anos, os produtores rurais do Paraná viram sua conta de luz disparar. O custo da energia elétrica no campo subiu 76,4% no período, enquanto a tarifa residencial teve reajuste de 45,1% – em ambos os casos, as altas foram superiores à da inflação, medida pelo IPCA. Com o fim de subsídios, a tarifa rural se equiparou à urbana. No campo, entretanto, os serviços têm gargalos estruturais. Em 2021, por exemplo, o produtor paranaense ficou, em média, 30 horas sem energia, enquanto esse período médio foi de sete horas na cidade.

Luiz Eliezer Ferreira analisou os ofícios enviados pelos sindicatos rurais

“A energia compõe o principal custo da avicultura e da suinocultura, o segundo da piscicultura e o terceiro na produção leiteira. É um insumo que tem impacto direto na produtividade, no bem-estar animal e na relação dos produtores com as agroindústrias. Apesar de a tarifa no campo ter se igualado à da cidade, os investimentos no meio rural têm se mostrado inócuos, o que tem se expressado nos episódios reiterados de problema no fornecimento que recebemos, de produtores de todo o Estado”, relata Luiz Eliezer Ferreira, técnico do Departamento Técnico e Econômico (DTE) do Sistema FAEP/SENAR-PR e conselheiro pela classe rural do Conselho de Consumidores da Copel.

“É um fator que impacta diretamente na competitividade do setor agropecuário paranaense”, diz Luiz Eliezer Ferreira, técnico do DTE do Sistema FAEP/SENAR-PR.

Privatização

Em 2023, o governo do Paraná arrecadou R$ 3,1 bilhões com a venda de ações da Copel na Bolsa de Valores, em São Paulo. Destes, R$ 2,6 bilhões tinham sido obtidos em agosto do ano passado, com uma operação inicial. Em setembro, um lote suplementar de ações rendeu R$ 464 milhões aos cofres paranaenses. Também no ano passado, o Conselho de Administração da Copel aprovou a distribuição de R$ 958 milhões de dividendos a acionistas.

Segundos os produtores rurais, os episódios de quedas e oscilações aumentaram após a privatização. Quem está no campo não tem visto manutenção nas redes e aponta que o comprometimento das equipes terceirizadas não é o mesmo dos funcionários de carreira. Quem sofre são os usuários dos serviços.

“Nós estamos pagando o mesmo que a energia urbana, mas o atendimento na área rural é mil vezes pior. Parece que teve uma mudança desde a privatização. Pelo que a gente está sentindo, está tudo muito pior. Precisamos que haja um comprometimento com uma solução”, reclama Rodolpho Botelho, presidente do Sindicato Rural de Guarapuava.

“A rede que atende a minha propriedade foi construída em 1969. Antes, até tinha manutenção. Agora, a gente sente que piorou muito. Eles querem lucro, estão distribuindo uma fortuna em dividendos, mas não investem na rede”, critica o produtor Roberto Bittencourt. “Depois da privatização, os serviços pioraram em 100%”, observa Nivaldo de Paula Faria.

 

Produtores relatam dificuldades de comunicação e falhas de manutenção

Além de sofrer com os problemas de abastecimento elétrico, os produtores rurais também enfrentam dissabores ao tentar acionar a Copel para pedir a manutenção da rede ou o restabelecimento do fornecimento de energia. Conforme os sindicatos relataram ao Sistema FAEP/SENAR-PR, os canais de atendimento por telefone estão excessivamente “robotizados” – ou seja, os usuários são atendidos por uma gravação, que dá encaminhamento às demandas a partir de códigos numéricos a serem digitados. Além disso, os agricultores e pecuaristas reclamam da demora no contato com o suporte da empresa.

“O atendimento foi um inferno. Sem conseguir contato [por telefone], fui duas vezes no escritório regional da Copel. A resposta é que não tinham a mínima ideia do que estava acontecendo. Precisou eu ameaçar registrar um BO [Boletim de Ocorrência] na delegacia de polícia, para se virarem e identificarem o problema. É um descaso” relata Roberto Bittencourt, produtor rural de Terra Boa.

No caso de Guarapuava, segundo o presidente do sindicato rural, Rodolpho Botelho, o atendimento presencial da Copel aos usuários do município ocorre apenas no período da manhã. Nos canais virtuais, o atendimento tem sido “inviável e ineficaz”, na avaliação do líder rural.

“Todo mundo está relatando que é complicadíssimo falar com eles. Aparentemente, reduziram os investimentos e as equipes de manutenção passaram a ser terceirizadas. E quando se tem problemas, esbarramos nessa dificuldade de obter atendimento. Tivemos casos de produtores que ficaram quatro dias sem energia, esperando para ser atendido” conta Rodolpho Botelho, presidente do Sindicato Rural de Guarapuava.

No extremo Norte do Paraná, na região dos municípios da Associação dos Produtores de Água do Monjolo, o vice-presidente da entidade, Nivaldo de Paula Faria, garante que a rede está sem manutenção há uma década. O dirigente aponta que árvores que cresceram nos últimos dois anos estão encostando nos fios, aumentando os riscos de provocar incidentes que resultem em quedas de energia. As respostas obtidas junto à Copel não correspondem ao que ele vê no campo.

“Quando a gente aciona para reclamar da falta de manutenção, eles dizem que as equipes estão passando a cada dois anos. Mas faz 10 anos que não tem manutenção na nossa rede. Tanto que as árvores estão batendo na fiação. Nem precisa ter tempestade. Qualquer vento faz os galhos baterem no fio e cai a energia”, conta Faria.

Leia trechos de alguns dos ofícios enviados pelos sindicatos rurais ao Sistema FAEP/SENAR-PR:

“É com grande preocupação que informo sobre os danos frequentes causados a equipamentos sensíveis, como motores, bombas e sistemas de irrigação, devido às flutuações e interrupções no fornecimento de energia” diz Osmar Antônio Grassi, presidente do Sindicato Rural de Chopinzinho.

“Os produtores de leite estão sofrendo com descontos no preço, pois a queda de energia interfere na refrigeração do leite, alterando assim a qualidade do mesmo. Os produtores de tabaco estão sendo prejudicados no seu trabalho de secagem de fumo, pois há inúmeras oscilações de energia gerando transtorno para a produção” ressalta Lisiane Rocha Czech, presidente do Sindicato Rural de Teixeira Soares.

“Quando ligado na Copel, a empresa sempre tem um motivo para justificar a causa destes problemas, porém não tem uma solução. Muitas das vezes que acontece esses problemas nem está com mal tempo e, mesmo assim, temos essa preocupação” conta Arceny Bocalon, presidente do Sindicato Rural de São João.

“Tivemos relato de vários produtores na mesma situação, causando sérios prejuízos. Entre eles: equipamentos queimados, alimentos estragados, falta de água, que inclusive fez-se necessário recorrer a caminhão-pipa para abastecer os reservatórios de água de animais que poderiam vir a morrer, além do desconforto das famílias que ali residem”, afirma Lotário Kronbauer, presidente do Sindicato Rural de Cidade Gaúcha.

“A falta de energia elétrica tem resultado em perdas irreparáveis para os agricultores, afetando diretamente a produção de leite e ocasionando danos significativos aos equipamentos. As constantes oscilações e interrupções de energia têm gerado prejuízos consideráveis, impactando não apenas a produtividade, mas também a sustentabilidade econômica dos produtores locais” diz João Batista Simionato, presidente do Sindicato Rural de Cândido de Abreu.

O que diz a Copel

A Copel informou que encaminhou respostas individualizadas a cada um dos sindicatos rurais e à FAEP. A empresa disse que “fez um levantamento das redes que fornecem energia aos clientes rurais dos municípios em questão e que está intensificando a execução de inspeções e manutenções onde necessário, visando a melhoria na continuidade do abastecimento”.

Além disso, a companhia enfatizou que em 2023 o Paraná enfrentou 24 temporais de grandes proporções que provocaram danos graves à rede elétrica. Além de causar maior número de interrupções no fornecimento de energia, esses eventos interferem no cronograma de manutenção preventiva.

“Trata-se do maior número de temporais registrados no Estado em um ano. A ação das intempéries provocou a quebra de 5.637 postes da rede da Copel no ano passado. A instalação dos novos postes no lugar dos avariados equivale à quantidade de estruturas necessárias para construir uma rede nova de cerca de 320 quilômetros de extensão”, consta de nota emitida pela Copel.

A companhia também afirma que destinou, em 2023, R$ 1,878 bilhão a obras de ampliação e reforço na distribuição de energia do Paraná. O montante foi aplicado em grandes programas de modernização, como o Paraná Trifásico, além da construção de novas linhas, redes, subestações e sistemas de reconfiguração automática. Para 2024, estão previstos o investimento de mais R$ 2,1 bilhões em obras de melhoria do sistema elétrico.

Fonte: Sistema FAEP/SENAR-PR

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Produtores do Paraná poderão ampliar subvenção ao seguro rural com boas práticas de manejo do solo

Projeto-piloto do governo federal oferece descontos maiores no prêmio do seguro para áreas enquadradas em níveis superiores de manejo agrícola.

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Foto: Shutterstock

Os produtores rurais paranaenses podem obter subvenção federal maior, com base em critérios de manejo e conservação do solo nas culturas da soja e milho safrinha. Para isso, as áreas agrícolas a serem seguradas devem ser enquadradas em Níveis de Manejo (NM) estipulados pelo Zoneamento Agrícola de Risco Climático Níveis de Manejo (ZarcNM). O projeto-piloto conta com recursos específicos para execução (R$ 1 milhão para cada cultura) e beneficia produtores rurais com percentual maior de desconto nos valores do seguro pelo Programa de Subvenção ao Prêmio do Seguro Rural (PSR).

Foto: Divulgação

A ferramenta considera critérios de qualidade do manejo de solo como redutor do risco climático de áreas agrícolas com maior capacidade de infiltração e retenção de água. O NM1 é a condição de risco base e o NM4, a melhor condição de cultivo que garante benefício maior.

“Em tempos de queda nas contratações de seguro rural, toda proposta que venha melhorar a subvenção ao prêmio é bem-vinda”, afirma o presidente do Sistema Faep, Ágide Eduardo Meneguette. “Nossos técnicos estão à disposição para auxiliar os produtores rurais neste processo”, complementa.

Lançado pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), com metodologia da Embrapa, o ZarcNM teve o projeto-piloto iniciado na safra 2025/26, somente no Paraná, quando 28 áreas de produção foram classificadas em níveis de subvenção diferenciada. Na temporada 2026/27, o projeto iniciará a fase II, com possibilidade de participação dos produtores de soja do Paraná, Santa Catarina, Rio Grande do Sul e Mato Grosso do Sul, e milho safrinha no Paraná e Mato Grosso do Sul.

Como acessar

O primeiro passo para ter acesso à subvenção diferenciada é buscar a análise de solo em um laboratório credenciado no Estado. A metodologia das análises não difere das normalmente utilizadas, mas os laboratórios participantes conseguem registrar os dados da área diretamente no sistema (SiNM) da Embrapa.

“Antes mesmo de contratar o seguro, o produtor deve realizar a coleta da amostra de solo, seguindo as orientações do item 7, da Instrução Normativa 2/2025, do Mapa, e encaminhá-la a um laboratório credenciado, solicitando a análise Níveis de Manejo”, orienta Ana Paula Kowalski, coordenadora do Departamento Técnico e Econômico (DTE) do Sistema Faep.

Na sequência, o produtor deve procurar um operador de contrato para providenciar a análise de sensoriamento remoto e incluir as informações no sistema da Embrapa. Então, a plataforma calcula o nível de manejo do talhão e as informações são repassadas pelo operador ao governo federal para que seja definida a subvenção conforme os seis indicadores avaliados para a definição do nível de manejo: tempo sem revolvimento do solo; cobertura do solo com palhada; saturação por bases (V%); teor de cálcio; saturação por alumínio; e histórico de diversidade de cultivos. Três são verificados pela análise de solo e os demais por ferramentas de sensoriamento remoto utilizadas pelos operadores especializados. Para os níveis 2, 3 ou 4, segundo a Embrapa, “áreas com declividade superior a 3% devem, obrigatoriamente, adotar semeadura em nível ou contorno em pelo menos 75% da gleba”.

“Para subvenção maior, ou seja, além do padrão definido pelo PSR, os níveis devem ser de 2 em diante”, comenta Ana Paula. Na cultura de milho segunda safra, para Nível de Manejo (NM) 1, a subvenção será de 40%; NM2, 45%; e para NMs 3 e 4, 50%. Já para a cultura de soja, os cálculos são 20% para NM1; 30%, NM2; 35%, NM3; e 40%, NM4.

A lista de operadores credenciados está disponível no site embrapa.br/rede-zarc-embrapa/niveis-de-manejo

Fonte: Assessoria Sistema Faep
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Tarifas dos EUA deve impactar 21% das exportações brasileiras

Governo avalia ampliar parcerias comerciais enquanto negocia para evitar a aplicação das tarifas.

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Fotos: Claudio Neves

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou, nesta quarta-feira (3), que o Brasil vai continuar buscando outros parceiros de negócios para minimizar os impactos da política comercial adotada pelos Estados Unidos. Lula coordenou reunião ministerial, no Palácio do Planalto, que ocorre em meio ao anúncio de novas taxações estadunidenses a produtos brasileiros.“Nós vamos procurar outros parceiros. Se ele não quer comprar, a gente vai vender para quem quiser comprar. Não vamos ficar reclamando. Se não quiser investir aqui, nós vamos procurar outro. O Brasil é dono do seu nariz. Isso aqui é um país democrático e soberano”, disse o presidente aos ministros de Estado.

“Nós resolvemos não adotar mais a política do vira-lata diante das grandes potências. Nós não somos melhores do que ninguém, mas não somos piores. Vamos respeitar todo mundo, mas queremos respeito”, acrescentou.

Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

Na segunda-feira (1º), o Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) sugeriu, entre outras ações, a taxação de 25% sobre parte das importações brasileiras ao país. O relatório do USTR é resultado de uma investigação iniciada há um ano no governo de Donald Trump contra supostas “práticas desleais” do Brasil no comércio com os EUA.

Entre outros temas, para justificar a medida, a instituição acusa o Pix de prejudicar “injustamente” empresas estadunidenses que prestam serviços de pagamento eletrônico, como operadoras de cartões de crédito, como MasterCard e Visa, e o Whatsapp Pay. 

Lula afirmou que, agora, vai participar da reunião do G7 em junho na França, o que não estava nos planos. O evento reúne os líderes da Alemanha, Canadá, Estados Unidos, França, Itália, Japão e Reino Unido. O Brasil vai como convidado do anfitrião, o presidente francês, Emmanuel Macron.

“Eu nem ia no G7, agora eu vou. É preciso alguém tentar colocar ordem na casa e parar essa coisa de desmonte do multilateralismo, da democracia e desvalorização das instituições. Se a ONU não está funcionando hoje, não é destruindo a ONU que a gente vai consertar o mundo, é reconstruindo a ONU”, disse Lula, reafirmando sua defesa de fortalecimento das Nações Unidas e da reforma do seu Conselho de Segurança.

Negociação

Foto: Divulgação/Porto de Santos

De acordo com o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) a decisão tarifária dos Estados Unidos ameaça diretamente 21% do total das exportações brasileiras rumo ao mercado norte-americano.

O governo brasileiro e empresas prejudicadas poderão se manifestar sobre o relatório final da USTR até o dia 15 de julho, quando os EUA poderão passar a adotar “medidas corretivas” contra o Brasil.

Para Lula, a atitude dos estadunidenses é insensata já que havia uma negociação em curso entre os dois países. Ele lembrou que, em maio, acordou com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, um prazo de 30 dias para que se chegasse a um acordo sobre a questão comercial.

Os dois se reuniram na Casa Branca e, na ocasião, o presidente brasileiro entregou documentos que comprovavam a relação comercial favorável dos EUA com o Brasil. Segundo ele, nos últimos 15 anos, o superávit comercial dos Estados Unidos foi US$ 415 bilhões.“Eu saí de lá convencido de que a gente estava estabelecendo uma nova lógica no relacionamento democrático e civilizado entre Brasil e Estados Unidos. E confesso a vocês que fui pego de surpresa ontem com a decisão deles”, disse Lula hoje.

Fonte: Agência Brasil
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EUA propõem tarifas a 60 países, incluindo o Brasil

Escritório de Comércio norte-americano sugere sobretaxas de até 12,5% sobre importações e abre consulta pública antes da decisão final.

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Foto: Allan Santos/PR

O governo dos Estados Unidos deu mais um passo na ampliação de sua política comercial protecionista ao propor novas tarifas sobre produtos importados de 60 países, entre eles o Brasil. A iniciativa foi anunciada pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR) e prevê uma sobretaxa de até 12,5% para produtos brasileiros que entram no mercado norte-americano.

Foto: Divulgação

A proposta está vinculada a investigações conduzidas com base na Seção 301 da Lei de Comércio dos Estados Unidos de 1974, instrumento legal que permite ao governo norte-americano apurar práticas consideradas prejudiciais aos interesses comerciais do país e, eventualmente, adotar medidas de retaliação.

Segundo o USTR, a nova rodada de tarifas está relacionada à avaliação das políticas adotadas pelos países investigados para prevenir e combater o comércio de mercadorias produzidas com trabalho forçado. Na avaliação do órgão, falhas nesses mecanismos podem criar distorções competitivas e restringir o comércio norte-americano.

Brasil entre os países com maior alíquota proposta

Enquanto parte dos países investigados foi enquadrada em uma alíquota adicional de 10%, o Brasil aparece no grupo sujeito à tarifa de 12,5%.

A proposta brasileira está inserida em um conjunto de medidas que alcança outros 44 países analisados pelo governo

Foto: Divulgação

dos Estados Unidos. Já Canadá, União Europeia, México, Indonésia, Paquistão, Argentina, Bangladesh, Camboja, Guatemala, Malásia, Taiwan, Equador e El Salvador integram o grupo que poderá ser submetido à tarifa adicional de 10%.

Caso seja implementada, a medida poderá aumentar os custos de acesso ao mercado norte-americano para diversos produtos exportados pelo Brasil, reduzindo a competitividade frente a concorrentes internacionais.

Instrumento de pressão comercial

A Seção 301 é considerada uma das principais ferramentas de política comercial dos Estados Unidos. O mecanismo ganhou destaque nos últimos anos durante disputas comerciais com diferentes parceiros internacionais e permite ao governo norte-americano impor restrições tarifárias mesmo sem a intermediação de organismos multilaterais.

A atual iniciativa também ocorre em um contexto de retomada de medidas emergenciais defendidas pelo governo Donald Trump. Parte dessas tarifas havia sido anulada anteriormente por decisão da Suprema Corte norte-americana, levando a administração federal a buscar novos caminhos regulatórios para restabelecê-las.

Consulta pública antes da decisão final

As tarifas ainda não estão em vigor. O USTR abriu período de consulta pública para receber contribuições de empresas, entidades e governos potencialmente afetados pelas medidas.

As manifestações poderão ser apresentadas até 06 de julho. No dia seguinte, 07 de julho, está prevista uma audiência pública para discussão das propostas.

Somente após a análise das contribuições o governo norte-americano decidirá se as tarifas serão implementadas e em quais condições, etapa que será acompanhada com atenção por exportadores e setores produtivos dos países envolvidos.

Fonte: O Presente Rural
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