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Queda superior a 50% em linhas de investimento reforça necessidade por mais recursos no Plano Safra

FPA pede elevar para R$ 27 bilhões a verba destinada à equalização dos juros e alerta para dificuldades financeiras enfrentadas pelos produtores.

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Foto: Marcelo Casal Jr/Agência Brasil

A menos de um mês do anúncio do Plano Safra 2026/27, a Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) intensificou a pressão sobre o governo federal por mais recursos para o crédito rural e por medidas voltadas ao endividamento dos produtores. Em reunião realizada na última terça-feira (09) com o ministro da Agricultura e Pecuária, André de Paula, a bancada apresentou uma série de demandas consideradas prioritárias para o próximo ciclo agrícola.

Presidente da FPA, deputado Pedro Lupion (Republicanos-PR) com o ministro da Agricultura e Pecuária, André de Paula: “Nós, como FPA, teremos uma resistência extremamente contundente caso venha uma Medida Provisória depois de tanta negociação” – Foto: Divulgação/FPA

O principal pedido foi a ampliação dos recursos destinados à equalização dos juros, mecanismo que permite ao governo subsidiar parte dos financiamentos contratados pelos produtores rurais. Atualmente, o orçamento destinado a essa finalidade gira em torno de R$ 13,5 bilhões. A FPA defende que o valor seja elevado para R$ 27 bilhões.

Na avaliação da bancada, o aumento é necessário para garantir acesso ao crédito em um cenário de juros elevados, aumento dos custos de produção e deterioração da capacidade financeira de parte dos produtores.

Crédito mais caro e queda em programas de investimento

A preocupação da FPA ocorre em um momento em que linhas tradicionais de investimento registram retração.

Embora os números gerais do Plano Safra indiquem crescimento das contratações, a bancada argumenta que os

Foto: Marcelo Casal Jr/Agência Brasil

dados são inflados pela inclusão de recursos privados no volume total anunciado pelo governo. Desde o ano passado, operações realizadas por meio da Cédula de Produto Rural (CPR) passaram a ser contabilizadas no montante global do programa.

Para os parlamentares, essa metodologia dificulta a avaliação do desempenho efetivo das linhas de crédito subvencionadas.

Os dados detalhados apontam queda em programas estratégicos. As contratações do Moderfrota, voltado à modernização da frota agrícola, recuaram 54,8% em relação ao ciclo anterior. No Proirriga, destinado a projetos de irrigação, a redução chegou a 56,2%.

Foto: Divulgação

Endividamento preocupa setor

Outro tema levado ao ministro foi a situação financeira dos produtores rurais. Segundo a FPA, a combinação entre margens mais apertadas, aumento dos custos de produção, juros elevados e dificuldades de comercialização tem pressionado principalmente as operações de custeio.

Diante desse cenário, a bancada pediu a criação de uma linha emergencial de custeio para o próximo Plano Safra.

O presidente da FPA, deputado Pedro Lupion (Republicanos-PR), alertou que a discussão sobre as dívidas rurais

Foto: Shutterstock

precisa ser tratada separadamente da elaboração do novo programa de crédito. “Nossa preocupação é que o endividamento não contamine o Plano Safra”, enfatizou.

Segundo informações apresentadas pelo Ministério da Agricultura, o anúncio do novo Plano Safra está previsto para 1º de julho. Os bancos já encaminharam ao governo suas demandas para operacionalização das linhas de crédito.

O volume solicitado pelas instituições financeiras para operações equalizadas alcança aproximadamente R$ 200 bilhões. Nos bastidores, porém, o próprio ministério reconhece que o valor dificilmente será atendido devido às restrições orçamentárias. Ainda assim, a expectativa é de que o montante fique acima dos cerca de R$ 113 bilhões disponibilizados no ciclo atual.

Foto: Divulgação

Seguro rural e renegociação de dívidas

Além do crédito, a FPA também buscou apoio político do Ministério da Agricultura para dois projetos considerados prioritários pelo setor.

O primeiro é o Projeto de Lei 5.122/2023, que trata da renegociação das dívidas rurais. O segundo é o Projeto de Lei 2.951/2024, voltado à modernização do seguro rural.

A bancada defende uma atuação mais ativa do ministério junto ao governo e a outras pastas envolvidas para acelerar a tramitação das propostas.

Sobre a renegociação dos débitos, Lupion afirmou que o setor acompanha com preocupação a possibilidade de o governo apresentar uma medida provisória em substituição ao projeto em discussão no Congresso. “Nós, como FPA, teremos uma resistência extremamente contundente caso venha uma Medida Provisória depois de tanta negociação”, declarou.

Segundo o parlamentar, o nível de preocupação no setor aumentou diante do crescimento das dificuldades

Foto: Divulgação

financeiras enfrentadas pelos produtores. “O agro está desesperado”, afirmou.

Leite importado gera reação

A reunião também abordou a decisão do governo de não aplicar medidas antidumping contra as importações de leite em pó da Argentina e do Uruguai.

A posição gerou críticas da FPA, que considera contraditório o reconhecimento da prática de dumping sem a adoção de medidas compensatórias. “É algo que nos pegou com muita surpresa, porque houve o reconhecimento por parte do MDIC que há a prática de dumping do leite importado da Argentina e do Uruguai e a decisão foi simplesmente não fazer nada”, disse Lupion.

A questão tem mobilizado especialmente produtores e entidades ligadas à cadeia leiteira, que alegam concorrência desleal diante da entrada de produtos importados com preços considerados abaixo dos praticados no mercado.

Fonte: O Presente Rural com FPA

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Senado aprova projeto que cria linha especial para renegociação de dívidas rurais

Texto prevê juros reduzidos, carência e prazo de até 13 anos para produtores afetados por perdas climáticas e financeiras.

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Foto: Marcelo Casal Jr/Agência Brasil

Na quarta-feira (10), o Senado Federal aprovou o Projeto de Lei nº 5.122/2023, que cria uma linha especial de financiamento para reestruturar dívidas do setor agropecuário, com recursos do Fundo Social do Pré-Sal e de outras fontes. É uma das medidas mais aguardadas pelo campo nos últimos anos, especialmente por quem foi atingido por secas, enchentes e pela combinação de queda de preços com alta de custos de produção.

Antes de tudo, um esclarecimento necessário: o projeto ainda não é lei. Como o Senado alterou o texto que havia recebido da Câmara, a proposta retorna à Câmara dos Deputados para nova votação. Só depois, com sanção presidencial e regulamentação, é que as condições passarão a valer na prática. Ou seja: é hora de organizar a documentação e entender as regras, não de assinar nada.

Quem poderá renegociar?

Artigo escrito por Fábio Lamonica Pereira, advogado em Direito Bancário e do Agronegócio.

A linha foi desenhada para o produtor rural e cooperativas de produção que tenham sofrido perdas concretas. O critério aprovado é objetivo: ter registrado, entre 2019 e 2025, perdas em duas ou mais safras que reduziram em pelo menos 30% a renda bruta agropecuária esperada — comprovadas por laudo de profissional habilitado. Para mini e pequenos produtores e beneficiários do Pronaf, admite-se laudo grupal ou coletivo, o que reduz burocracia e custo.

Essas perdas podem decorrer de eventos climáticos extremos (enxurradas, granizo, geadas, secas, vendavais, entre outros), de queda nos preços de comercialização ou de aumento dos custos de produção. O texto reconhece a realidade de que o endividamento no campo costuma ter várias causas somadas.

Quais dívidas entram?

Em linhas gerais, poderão ser alcançadas operações de crédito rural de custeio, comercialização e industrialização, sejam as que estão adimplentes (já renegociadas ou prorrogadas até 30/04/2026), sejam as que entraram em inadimplência a partir de 1º/01/2024 e assim permaneceram em 30/04/2026. Também entram parcelas de operações de investimento vencidas ou a vencer entre 2024 e 2027, dentro de condições específicas.

Um ponto de especial interesse: as Cédulas de Produto Rural (CPRs) emitidas em favor de instituições financeiras, cooperativas, fornecedores de insumos ou compradores da produção também foram contempladas, desde que contratadas até 31/12/2025, em situação de inadimplência no período indicado e devidamente registradas em entidade autorizada pelo Banco Central. Igualmente abrangidos empréstimos cujos recursos tenham sido usados para quitar crédito rural ou CPRs, além das operações firmadas sob as Medidas Provisórias 1.226/2024 e 1.314/2025.

Quais as condições previstas?

Pelo texto aprovado:

• Taxas de juros: 3,5% ao ano para Pronaf e pequenos produtores; 5,5% para Pronamp e médios produtores; e 7,5% para os demais.
• Prazo: até 13 anos para pagamento, incluindo no mínimo 2 anos de carência, conforme a capacidade de pagamento. O regulamento poderá prever situações extraordinárias em que haverá prazo adicional de até 5 anos.
• Limites: até R$ 10 milhões por beneficiário e até R$ 50 milhões por associação, cooperativa ou condomínio.
• Apuração do saldo: os débitos serão recalculados desde a contratação original, sem multa, mora ou honorários, com o credor obrigado a apresentar extrato consolidado e memória de cálculo. Na prática, isso permite “limpar” encargos que muitas vezes inflam o saldo devedor.

Pontos que merecem atenção do produtor

Alguns aspectos do texto trazem segurança e agilidade. A adesão à linha não impede a contratação de novos financiamentos nem gera registro em cadastros restritivos. Além disso, a operação dispensa a apresentação de certidões negativas (inclusive CND) e a vinculação a imóvel rural, e também impede a exigência de novas garantias.

Há ainda a previsão de suspensão de cobranças por até 180 dias, abrangendo execuções extrajudiciais, judiciais e fiscais, inscrição em cadastros negativos e os respectivos prazos processuais, para quem se enquadrar nos critérios e solicitar a operação.

O caráter “autorizativo” e a regulamentação

É importante entender a natureza da norma. O projeto autoriza o Poder Executivo a estruturar a política, não a impõe automaticamente. Muitas condições operacionais (limite global de recursos, prazos de efetivação, casos omissos) dependerão de regulamentação posterior e de definições do Conselho Monetário Nacional.

Lembrando que, em regra, o alongamento é direito do produtor e obrigação do credor, tal qual estabelecido em lei.

Por isso, o momento pede preparação técnica: levantar o histórico das operações, reunir laudos que comprovem as perdas, mapear quais dívidas se enquadram e calcular o reflexo das novas condições. Cada caso tem particularidades, sobretudo quando envolvem CPRs, garantias fiduciárias e operações já renegociadas anteriormente.

A lei ainda prevê a possibilidade de contratação de linha de crédito para liquidação de operações amparadas por alongamento de débito autorizados entre 2024-2026 e operações de crédito rural em processo de cobrança judicial.

Em resumo

O PL 5.122/2023 representa um avanço concreto na direção da segurança jurídica e da recuperação da capacidade de financiamento do agro. Mas a transformação dessa oportunidade em benefício real depende de planejamento e de análise individualizada de cada operação de crédito, bem como atenção à vigência da lei e de sua regulamentação para a oportuna adesão.

Fonte: Artigo escrito por Fábio Lamonica Pereira, advogado em Direito Bancário e do Agronegócio.
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Coopavel amplia capacidade de armazenagem com investimento de R$ 84,5 milhões no Oeste do Paraná

Recursos financiados pelo BNDES serão destinados à construção de duas novas unidades para recebimento e beneficiamento de grãos em Cascavel e Nova Aurora.

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Foto: Divulgação/Coopavel

O BNDES aprovou apoio de R$ 79,9 milhões, com recursos do programa Finem, para a Coopavel Cooperativa Agroindustrial implantar duas novas unidades de recebimento, beneficiamento e armazenagem de grãos no Oeste do Paraná. O investimento total previsto é de R$ 84,5 milhões, com recursos destinados a projetos em Nova Aurora e Cascavel.

As unidades terão capacidade de armazenagem de até 40 mil toneladas cada uma e capacidade de movimentação de cerca de 6,5 mil toneladas por dia. Os projetos também incluem infraestrutura para comercialização de insumos agrícolas, com depósitos, área administrativa, classificação, expedição e estruturas de apoio à operação.

O presidente do BNDES, Aloizio Mercadante: “Esses investimentos fortalecem uma cadeia produtiva essencial para a economia regional” – Foto: Arquivo Tânia Rêgo/Agência Brasil

A implantação das unidades deve gerar cerca de 80 empregos temporários durante as obras e 22 vagas diretas após a conclusão dos projetos. Além do impacto na ocupação local, os investimentos devem fortalecer a cadeia produtiva de grãos no Oeste paranaense, região em que a agricultura familiar e o cooperativismo têm papel relevante na organização da produção.

Com a ampliação da armazenagem, a Coopavel busca reduzir gargalos logísticos e dar mais segurança aos produtores no período pós-colheita. A estrutura permitirá que os cooperados tenham mais flexibilidade para decidir o melhor momento de comercializar a safra, evitando perdas de qualidade e diminuindo a necessidade de transporte em períodos de chuva, seca ou outras condições climáticas desfavoráveis.

“Esses investimentos fortalecem uma cadeia produtiva essencial para a economia regional. Ao ampliar a capacidade de armazenagem e beneficiamento, o projeto melhora a organização da produção, reduz gargalos logísticos e contribui para gerar renda e empregos no campo”, destaca o presidente do BNDES, Aloizio Mercadante.

Redução de custos

O projeto também deve contribuir para a redução de custos logísticos e para o aumento da eficiência produtiva da cooperativa. Na prática, a melhoria da infraestrutura pode favorecer melhores condições de comercialização para os cooperados, ampliar a confiabilidade na conservação dos grãos, reduzir custos logísticos e contribuir para o aumento da renda dos produtores.

As intervenções começaram em dezembro de 2025 e têm conclusão prevista para dezembro de 2027. A unidade de Nova Aurora já apresentava obras em estágio inicial em março de 2026. Já a unidade de São Francisco, em Cascavel, ainda não havia iniciado as obras porque aguardava a emissão da licença de instalação, concedida em abril de 2026.

Fonte: Assessoria Coopavel
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Brasil amplia vitrine para alimentos de maior valor agregado no mercado asiático

Thaifex Anuga Asia recebeu 3.590 expositores, reuniu 140 países e serviu de vitrine para 14 empresas brasileiras em busca de novos mercados.

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Fotos: Divulgação/Mapa

O Brasil participou da Thaifex Anuga Asia 2026, uma das principais feiras internacionais de alimentos e bebidas, realizada em Bangkok, na Tailândia. A presença brasileira teve como foco ampliar oportunidades comerciais no mercado asiático e fortalecer a inserção de produtos com maior valor agregado no comércio internacional.

O Pavilhão Brasil reuniu 14 empresas que apresentaram uma variedade de produtos ao público internacional, entre eles café, pão de queijo, açaí, vinhos, castanhas, carnes, coco, óleos vegetais, grãos, chocolates e snacks.

Durante o evento, as empresas buscaram ampliar a rede de contatos comerciais, identificar potenciais compradores e avaliar oportunidades de negócios em mercados da Ásia e de outras regiões representadas na feira.

A Thaifex Anuga Asia 2026 contou com 3.590 expositores de 56 países e recebeu mais de 90 mil visitantes profissionais de mais de 140 países. O evento é considerado uma das principais vitrines globais para a indústria de alimentos e bebidas, reunindo fabricantes, distribuidores, importadores e varejistas.

No espaço brasileiro, a estratégia foi destacar a diversidade da produção agroalimentar nacional, com produtos voltados a diferentes segmentos de consumo e mercados. A exposição também buscou evidenciar a capacidade do país de fornecer alimentos e bebidas em escala, atendendo às exigências de compradores internacionais.

A participação ocorreu em um momento de expansão das relações comerciais entre o Brasil e países do Sudeste Asiático, região que tem ampliado a demanda por alimentos processados, bebidas, proteínas animais e produtos diferenciados.

Além da prospecção de negócios, a feira serviu como plataforma para acompanhar tendências globais de consumo, inovação e desenvolvimento de novos produtos no setor de alimentos e bebidas.

Fonte: O Presente Rural
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