Suínos
Queda de preços massacra a suinocultura catarinense
Presidente da ACCS afirma que governo e agroindústrias precisam discutir alternativas em conjunto para salvar o setor
A semana começou com uma péssima notícia para os produtores de suínos de Santa Catarina com a queda de R$ 0,10 no valor pago pelo quilo do animal vivo. A partir de hoje a Aurora remunera R$ 2,80 pelo quilo do suíno, enquanto a Pamplona, BRF e JBS passam a praticar o valor de R$ 2,70. O presidente da Associação Catarinense de Criadores de Suínos (ACCS) Losivanio Luiz de Lorenzi, afirma que a baixa de preços é uma vergonha, visto os prejuízos já enfrentados pelos produtores catarinenses. “Com o custo de produção passando dos R$ 4,00, a gente não vê mais alternativa a não ser o massacre de um setor tão importante da economia”.
Além da queda do preço do quilo do suíno, o valor dos insumos continua em alta, sendo que a saca do milho é comercializada em Santa Catarina por R$ 52,00 a 56,00 e a tonelada da soja é vendida a R$ 1.450,00. “Esses fatores trazem desespero no campo. Têm produtores que não conseguem mais adquirir o trato para o animal e já não sabem mais o que fazer. Há regiões onde os produtores falam em colocar abortivos para que as fêmeas não produzam mais leitões. Há também muitos frigoríficos que não recebem mais os animais porque o mercado está muito complicado”, relata Losivanio.
Durante audiência em Brasília na semana passada, a Ministra da Agricultura, Kátia Abreu, confirmou uma cota extra de milho para Santa Catarina e também a liberação de financiamento para a retenção de matrizes. “Quem vai buscar financiamento para retenção de matrizes neste momento em que o plantel do produtor já está praticamente comprometido para as dívidas? Será que existe produtor que ainda vai acreditar nesta atividade?”, questiona Losivanio.
Na análise do presidente da ACCS a única alternativa para tentar reverter o atual cenário de “quebradeira” será o debate entre o governo e as agroindústrias para discutir alternativas em conjunto. Losivanio avalia que os produtores independentes do Estado encolheram nos últimos anos de crise, enquanto a indústria e o cooperativismo cresceram na produção de suínos, mas sem garantias.
Conforme Losivanio, a indústria se mantém na atividade porque consegue comprar milho importado mais barato do que o ofertado no mercado interno. Um dos fatores é que os pequenos produtores não conseguem comprar insumos fora do país com isenção de PIS/Cofins. “Pedimos a isenção do tributo justamente para dar um fôlego aos produtores independentes para que eles possam comprar a saca do milho por R$ 7,00 e R$ 10,00 mais barata”.
Crise política e econômica
Muito além da crise na suinocultura, o país vive um dos piores momentos de fragilidade política e econômica. Para Losivanio, se a atual conjuntura permanecer, restará aos criadores de suínos apenas reduzir drasticamente a produção. “A economia não vai se ajustar enquanto a área política permanecer como está. Peço a todos os produtores e agroindústrias para que sejamos novamente parceiros para encontrar uma solução em conjunto”.
Fonte: Assessoria

Suínos
Dia do Suinocultor celebra protagonismo de quem impulsiona setor de R$ 63,1 bilhões
Com 5,6 milhões de toneladas produzidas e US$ 3,6 bilhões em exportações, cadeia reforça a importância dos produtores para a competitividade da proteína animal brasileira.

Celebrado nesta sexta-feira (24), o Dia Nacional do Suinocultor destaca o protagonismo dos produtores que, diariamente, sustentam a evolução de uma das cadeias mais competitivas do agronegócio brasileiro.
Em 2025, a produção brasileira de carne suína alcançou 5,592 milhões de toneladas, consolidando o país como o quarto maior produtor mundial. O Valor Bruto da Produção (VBP) do setor chegou a R$ 63,1 bilhões, movimentando economias regionais, gerando renda e impulsionando uma ampla cadeia formada por produtores de grãos, empresas de genética, nutrição e saúde animal, transportadores, cooperativas, agroindústrias e outros segmentos.

Foto: Shutterstock
A presença internacional também ganhou força. No ano passado, o Brasil exportou 1,510 milhão de toneladas de carne suína para 94 países, gerando receita cambial de US$ 3,6 bilhões. Com esse desempenho, o país manteve-se como o terceiro maior exportador mundial. Do total produzido, 27,01% foi destinado ao mercado externo.
Ao mesmo tempo, o mercado brasileiro permaneceu como o principal destino da produção nacional. O consumo per capita atingiu 19,1 quilos por habitante em 2025, refletindo a crescente presença da carne suína na mesa dos brasileiros e a ampliação da variedade de cortes e produtos disponíveis no varejo e na alimentação fora do lar.
Para a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), esses resultados começam dentro das propriedades rurais. São os suinocultores que transformam avanços em genética, nutrição, manejo, sanidade, biosseguridade, bem-estar animal e sustentabilidade em ganhos efetivos de produtividade, qualidade e segurança dos alimentos. “Cada tonelada

Presidente da ABPA, Ricardo Santin: “Cada tonelada produzida, cada mercado conquistado e cada avanço alcançado pela suinocultura brasileira começa com o trabalho do produtor” – Foto: Mario Castello
produzida, cada mercado conquistado e cada avanço alcançado pela suinocultura brasileira começa com o trabalho do produtor. É dentro das granjas que os compromissos do setor com a sanidade, a eficiência, a qualidade e a sustentabilidade se transformam em prática. O suinocultor é o grande protagonista de uma cadeia que gera desenvolvimento para o Brasil e ajuda a garantir segurança alimentar para consumidores brasileiros e de dezenas de países”, destaca Ricardo Santin, presidente da ABPA.
Presentes em diferentes modelos de produção, sejam integrados, cooperados ou independentes, os suinocultores também desempenham papel decisivo na geração de oportunidades no interior do país. A atividade fortalece municípios, mantém renda nas comunidades e estimula investimentos em tecnologia, infraestrutura e qualificação profissional. “A competitividade da suinocultura brasileira não foi construída por acaso. Ela é resultado da capacidade de adaptação, do investimento e da dedicação de milhares de produtores. Celebrar o Dia do Suinocultor é reconhecer quem está na base de um setor que movimenta bilhões, abastece o mercado interno e leva a qualidade da proteína animal brasileira para o mundo”, conclui Santin.
Suínos
Mercado integrado paga mais pelo suíno vivo que o independente em julho
Cepea registra movimento atípico em algumas regiões do Sul, onde a elevada oferta e a demanda enfraquecida pressionam as cotações do mercado spot.
Suínos
Rentabilidade da suinocultura preocupa produtores de Mato Grosso
Apesar do avanço da produção e das exportações brasileiras, preços em queda e margens apertadas desafiam o setor no Estado.





