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Queda de energia mata 900 mil quilos de tilápias e gera prejuízo de R$ 9 milhões no interior do Paraná

Produtor de Tupãssi afirma que oscilações e subtensão danificaram geradores e sistemas de oxigenação, levaram à morte de até 95% dos peixes prontos para abate e motivaram ação judicial contra a Copel, que tem 48 horas para regularizar o fornecimento por decisão liminar.

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Foto: Paulo Michelon

O produtor de tilápias Paulo Michelon, de Tupãssi, no Oeste do Paraná, registrou perdas de cerca de 900 mil quilos de peixe após oscilações e quedas no fornecimento de energia elétrica. Ele estima prejuízo de aproximadamente R$ 9 milhões, já que os animais estavam prontos para o abate.

A propriedade abriga cerca de 1,1 milhão de tilápias. Segundo Michelon, a maior parte das mortes ocorreu entre os dias 25 e 26 de fevereiro, depois de uma ocorrência semelhante já registrada em janeiro. “Um ano de trabalho, pendências em banco, financiamentos para pagar, tudo por água abaixo”, lamentou.

Fotos: Reprodução

O produtor explicou que quedas e variações de energia, incluindo subtensão (queda abaixo do nível nominal) e sobretensão (aumento acima do esperado), danificaram motores, geradores e painéis que controlam os seis tanques da propriedade. “Queimou um monte de motores, o gerador não aguentou. Tentamos paliativos com oxigênio em pó, mas não foi suficiente”, relatou.

Com a queima da placa do gerador e falhas nos equipamentos, não foi possível manter a oxigenação da água durante as interrupções, o que resultou na morte de 90% a 95% da produção. Funcionários trabalham agora na retirada dos peixes mortos para evitar contaminação nos tanques restantes. “A gente não consegue mais dormir, não consegue mais produzir. Está insustentável”, afirmou.

Michelon contratou perícia técnica e apresentou o laudo à Justiça, apontando que a tensão elétrica fornecida estava abaixo do mínimo exigido pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel). Segundo o relatório, a energia deveria ser de 220 volts, mas ficou abaixo desse patamar, com diversas interrupções em poucos dias, danificando painéis e motores e interrompendo a oxigenação da água.

O produtor afirmou que as falhas no fornecimento de energia começaram há mais de 30 dias e que registrou protocolos diários sem retorno efetivo. Ele já acionou judicialmente a Copel pelas interrupções.

Em decisão liminar, o juiz Luiz Fernando Montini destacou que as oscilações no fornecimento de energia no Paraná são “fato público e notório” e reforçou a obrigação da concessionária em garantir serviço adequado, seguro e contínuo. A empresa tem 48 horas para regularizar a situação, sob pena de multa diária de R$ 2 mil, limitada a R$ 60 mil.

Em nota, a Copel informou que a ação tramita em segredo de justiça e que ainda não foi oficialmente intimada. A concessionária disse que, assim que receber a notificação, analisará a decisão e adotará as providências cabíveis.

Fonte: O Presente Rural com Catve

Peixes

IFC Brasil consolida América Latina como nova potência da aquicultura global

Evento realizado em Foz do Iguaçu (PR) reflete avanço produtivo do continente, liderança do Paraná e marca histórica de 1 milhão de toneladas alcançada pelo Brasil em 2025.

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Foto: Divulgação/IFC Brasil

Mais do que acompanhar o crescimento do setor, o evento reflete o momento histórico em que a piscicultura regional ganha escala, integração e protagonismo global, impulsionada especialmente pelo avanço brasileiro e pela abertura de novas fronteiras produtivas no continente. Realizado em Foz do Iguaçu, no Paraná, na fronteira entre países e mercados, o evento acompanha a evolução de um setor que deixou de ser promessa para assumir protagonismo global, impulsionado pelo crescimento da piscicultura brasileira e pela integração produtiva entre nações sul-americanas.

Os dados dos países do continente são animadores. O Brasil, por exemplo, alcançou uma marca histórica ao atingir 1 milhão de toneladas de peixes cultivados em 2025, volume que há dez anos ainda era considerado um objetivo distante. O resultado posiciona o país em um grupo seleto de produtores mundiais e abre caminho para novos saltos produtivos nos próximos anos, evidenciando o potencial latino-americano dentro da aquicultura global.

O Paraná, sede do IFC Brasil, é o estado com a maior produção do país. Em 2025, conforme dados da Peixe BR, o Estado produziu 273.100 toneladas de peixes cultivados, mantendo a liderança nacional e consolidando um modelo produtivo baseado em cooperativismo, tecnologia e integração industrial que hoje serve de referência para toda a América Latina.

Esse crescimento está diretamente ligado à consolidação da tilapicultura como principal vetor da aquicultura nacional. A espécie representa atualmente 70% da produção brasileira, superando 700 mil toneladas anuais e colocando o país entre os maiores produtores globais, atrás apenas de China, Indonésia e Egito. O desempenho é resultado de organização produtiva, avanço tecnológico e integração industrial, especialmente no Paraná, onde cooperativas ampliaram escala, eficiência e capacidade de processamento, com unidades capazes de abater mais de 200 mil peixes por dia. O setor projeta expansão contínua, com taxas superiores a dois dígitos, sustentadas por inovação genética, melhoria da eficiência alimentar e profissionalização da cadeia.

Itaipu e a nova fronteira aquícola latino-americana

No centro dessa transformação está o reservatório da Usina Hidrelétrica de Itaipu, que passa a simbolizar o início de uma nova etapa da piscicultura brasileira e da América Latina. A outorga concedida pela Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico autorizou o uso das águas do lago para aquicultura em tanques-rede por um período de 35 anos, estabelecendo critérios ambientais e produtivos que garantem previsibilidade aos investimentos, incluindo o limite técnico de capacidade de suporte, definido por carga máxima de fósforo em 7.802,88 quilos por dia. A medida cria bases sólidas para expansão sustentável e posiciona Itaipu como um dos maiores polos aquícolas em potencial na América Latina.

Itaipu coloca o Paraguai como mais um protagonista da expansão aquícola latino-americana. Mais do que ampliar a produção nacional, o projeto transforma o reservatório em um território de integração regional. A recente autorização para cultivo pelo Governo do Paraguai conecta os dois países em uma agenda comum baseada em inovação, geração de renda e segurança alimentar. Por se tratar de um reservatório binacional, a produção no lago dependia da mudança na legislação paraguaia, que aconteceu em dezembro passado, abrindo uma nova fase, a definição de estratégias de produção, de modelo produtivo e de governança para o desenvolvimento integrado da atividade em toda a extensão do reservatório.

A aprovação transforma Itaipu em um projeto compartilhado entre Brasil e Paraguai, criando uma nova lógica produtiva baseada em cooperação internacional e gestão conjunta dos recursos hídricos. O lago passa a ser visto como um dos maiores polos aquícolas projetados na América Latina, com potencial estimado em centenas de milhares de toneladas anuais, capaz de posicionar a região como hub internacional de produção e inovação. A dimensão estratégica dessa decisão amplia o significado econômico do reservatório. Estudos técnicos apontam esse potencial produtivo expressivo, projetando Itaipu como referência global. Para o diretor-geral brasileiro da Itaipu Binacional, Enio Verri, a iniciativa representa uma nova etapa de desenvolvimento regional, capaz de transformar a infraestrutura energética em vetor de geração de renda, inovação tecnológica e segurança alimentar, fortalecendo a economia da fronteira e criando oportunidades para produtores dos dois países.

IFC Brasil acompanha impulso do setor no Brasil e na América Latina

Para o presidente do IFC Brasil, Altemir Gregolin, a tilapicultura brasileira entra em um novo ciclo de crescimento, que se explica por quatro fatores principais: redução das tarifas de impostos de importação pelos Estados Unidos – importante mercado para o Brasil, mercado interno aquecido e em expansão com a tilápia integrada ao paladar brasileiro, a entrada de novas cooperativas, novos investidores na atividade e a ágil adoção de novas tecnologias. Para Gregolin, a combinação desses elementos aponta para um cenário muito positivo e reforça a importância de espaços estratégicos de debate para orientar o crescimento sustentável do setor.

A CEO do evento, Eliana Panty, avalia que o avanço da tilápia brasileira já influencia toda a dinâmica latino-americana. A crescente presença de participantes internacionais no IFC demonstra que o continente vive uma fase de reorganização produtiva, na qual países sul-americanos passam a enxergar a aquicultura como alternativa estratégica de desenvolvimento econômico e segurança alimentar. Enquanto o Brasil lidera em escala e tecnologia, países como Paraguai, Colômbia, Equador, Peru e Chile ampliam investimentos e buscam integração comercial e técnica, formando um ecossistema regional em rápida expansão.

A América Latina, hoje considerada a região de crescimento mais acelerado da tilapicultura mundial, encontra no avanço brasileiro um efeito catalisador. O reconhecimento internacional da tilápia nacional como produto de qualidade, aliado ao fortalecimento das exportações e à abertura de novos mercados, indica uma mudança estrutural no mapa global do pescado. O continente deixa gradualmente a posição de mercado emergente para assumir papel relevante na oferta mundial de proteína aquícola.

IFC Brasil se consolida com evento internacional

Ao longo dos últimos anos, o IFC Brasil acompanhou a transformação de um setor que saiu de uma lógica regionalizada para assumir protagonismo internacional. Hoje, o evento se posiciona como ponto de convergência entre países que compartilham desafios e oportunidades semelhantes, como abundância hídrica, condições climáticas favoráveis, demanda crescente por alimentos sustentáveis e necessidade de integração tecnológica. A presença cada vez maior de delegações estrangeiras evidencia que o Brasil começa a ser reconhecido como polo produtivo cada vez mais relevante na aquicultura mundial.

Ao mesmo tempo, o crescimento da aquicultura latino-americana não se limita à tilápia. O desenvolvimento de cadeias produtivas de peixes nativos demonstra a diversidade e o potencial do continente. Experiências brasileiras demonstram que arranjos produtivos regionais podem impulsionar espécies locais, ampliando oportunidades econômicas e fortalecendo a sustentabilidade da atividade. Esse equilíbrio entre produção em escala e valorização da biodiversidade passa a ser uma das marcas da aquicultura sul-americana.

É justamente essa convergência entre produção, inovação, políticas públicas e integração internacional que o IFC Brasil pretende traduzir em sua oitava edição. Mais do que uma feira ou congresso, o evento consolidou-se como um espaço onde produtores, indústrias, investidores, pesquisadores e formuladores de políticas se encontram para discutir caminhos estratégicos para o setor.

Realizado em Foz do Iguaçu, no Paraná, o IFC Brasil representa o reflexo de uma cadeia que amadureceu, ganhou escala e passou a atuar de forma integrada no continente. A expansão da produção, o potencial do lago de Itaipu e o avanço coordenado da piscicultura regional indicam que o futuro do pescado não será definido por um único país, mas por uma América Latina cada vez mais conectada.

Entre os dias 2 e 4 de setembro de 2026, o IFC Brasil reunirá quem produz, transforma, investe, pesquisa e lidera o setor justamente no território que simboliza a integração regional que hoje redefine a piscicultura. Em um cenário marcado pela expansão da tilápia, pelo fortalecimento das espécies nativas e pelo potencial binacional do lago de Itaipu, o IFC Brasil se afirma como o espaço onde a América Latina debate não apenas o crescimento do setor, mas o seu posicionamento definitivo no mercado global de alimentos.

Fonte: Assessoria IFC Brasil
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Peixes

Exportações de tilápia recuam 1% em 2025 e setor projeta crescimento mais moderado em 2026

Tarifas dos Estados Unidos e avanço das importações preocupam produtores e indústrias.

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O mercado de tilápia no Brasil enfrentou um ano desafiador em 2025. No primeiro semestre, os preços pagos ao produtor recuaram diante da maior oferta de peixes com biomassa elevada.

Levantamento do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), da Esalq/USP, aponta que, entre janeiro e junho, o valor médio foi de R$ 7,92 por quilo, queda real de 20,6% em relação ao mesmo período de 2024. No intervalo, o peso médio dos peixes comercializados aumentou de 0,921 quilo para 1,023 quilo, avanço de 11,1%. O cenário foi influenciado pela forte produção de alevinos no ciclo anterior, que elevou a oferta em um momento de demanda enfraquecida.

Fotos: Alexandre Marchetti/Itaipu Binacional

No segundo semestre, os preços reagiram, com altas mais expressivas em outubro e novembro. De julho a novembro, a média de negociação atingiu R$ 8,41 por quilo, 2% acima da registrada no mesmo período de 2024 e 6,1% superior à do primeiro semestre deste ano. A recuperação foi atribuída à oferta mais restrita, reflexo de povoamento mais contido no início de 2025 e da escassez de alevinos para engorda durante o período de frio prolongado, além de uma melhora na demanda.

Mesmo com a reação no fim do ano, a média geral de 2025 permaneceu abaixo da do ano anterior. Na parcial de janeiro a novembro, o valor médio ficou em R$ 8,14 por quilo, 11,4% inferior ao registrado no mesmo intervalo de 2024.

O preço do filé de tilápia também recuou. Até novembro, a queda média foi de 18,9% frente ao mesmo período do ano passado, indicando que a indústria ajustou valores para estimular o consumo.

No comércio exterior, dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex) mostram que, de janeiro a novembro, as exportações brasileiras de tilápia e produtos derivados somaram 14,2 mil toneladas, volume 1% menor que as 14,3 mil toneladas embarcadas no mesmo período de 2024. A imposição de tarifas adicionais pelos Estados Unidos, principal destino do produto brasileiro, afetou os embarques especialmente em agosto e setembro. Paralelamente, a abertura do mercado nacional para a tilápia do Vietnã gerou preocupação no setor.

De acordo com dados do Anuário Brasileiro de Psicultura Peixe BR 2026, a expectativa para 2026 é de oferta regular no primeiro semestre, impulsionada pelo ritmo aquecido de comercialização de alevinos nos últimos meses. A projeção é de crescimento em torno de 3%, percentual inferior ao avanço superior a 12% registrado em 2024.

O setor também acompanha possíveis mudanças nas tarifas dos Estados Unidos e o comportamento das importações, fatores que podem influenciar a disponibilidade interna, os preços e as decisões de investimento ao longo do próximo ano.

Fonte: O Presente Rural com informações Anuário Brasileiro da Piscicultura Peixe BR 2026
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Peixes

Região Sul lidera crescimento da piscicultura brasileira e alcança 360,8 mil toneladas em 2025

Avanço supera 8% no ano, com Paraná e Santa Catarina entre os cinco maiores produtores do país.

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Fotos: Shutterstock

A Região Sul liderou o crescimento da produção de peixes de cultivo no Brasil em 2025. O bloco alcançou 360.800 toneladas, volume 8,08% superior ao registrado em 2024, quando foram produzidas 333.815 toneladas. Além de ocupar a primeira posição no ranking nacional por regiões, o Sul apresentou o maior índice de avanço no período.

De acordo com dados do Anuário Brasileiro de Psicultura Peixe BR 2026, o desempenho foi superior ao das demais regiões do país. O Sudeste ficou na segunda colocação, com produção de 195.620 toneladas em 2025, crescimento de 3,29% em relação às 189.380 toneladas obtidas no ano anterior.

Na sequência aparece o Nordeste, que somou 193.785 toneladas, alta de 5,04% frente às 184.480 toneladas registradas em 2024. O resultado manteve a região próxima do volume alcançado pelo Sudeste.

A Região Norte produziu 141.165 toneladas em 2025, queda de 1,41% em comparação com as 143.190 toneladas do ano anterior. Foi o único bloco a apresentar retração no período. Entre 2024 e 2023, a região havia permanecido praticamente estável, sem perda de volume.

Já o Centro-Oeste alcançou 120.170 toneladas, crescimento de 1,99% sobre as 117.815 toneladas produzidas em 2024. O avanço, no entanto, foi menor do que o observado na comparação anterior, entre 2024 e 2023, quando a expansão havia sido três vezes maior.

No ranking nacional, além da liderança regional, o Sul também conta com Paraná e Santa Catarina entre os cinco principais estados produtores de peixes de cultivo do país.

Fonte: O Presente Rural com informações Anuário Brasileiro da Piscicultura Peixe BR 2026
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