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Queda da qualidade do pasto na seca pode zerar ganho de peso do rebanho

Atraso no ajuste nutricional aumenta perdas produtivas, compromete fertilidade e eleva custos na pecuária.

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Foto: Divulgação/De heus

A chegada do período seco altera rapidamente a dinâmica nutricional das pastagens e impõe um dos momentos mais críticos para a pecuária de corte e leite no Brasil. Com a redução das chuvas, o pasto perde qualidade, diminui a oferta de nutrientes e compromete diretamente o desempenho do rebanho, exigindo planejamento antecipado dos pecuaristas para evitar perdas produtivas.

Foto: Claudia Rezende

De acordo com a zootecnista Mariana Lisboa, a transição entre águas e seca provoca uma queda acentuada na qualidade nutricional da forragem disponível no campo. “Durante a transição águas-seca, a oferta e a qualidade do pasto diminuem de forma acentuada, com redução de até 70% na proteína bruta e na energia. Sem ajuste nutricional, o rebanho entra em déficit, o que pode gerar perdas de peso entre 500 gramas e 1 quilo por dia por animal, impactando todo o ciclo produtivo”, afirma.

Além da redução da oferta de folhas mais nutritivas, o amadurecimento da pastagem aumenta a presença de fibras menos digestíveis, como a lignina, reduzindo o aproveitamento nutricional pelos animais. “A digestibilidade do pasto pode cair de 60% para até 40%, o que diminui o consumo dos animais e leva a um balanço energético negativo. O resultado é a queda no ganho médio diário, que pode sair de 800 gramas por dia para zero ou até valores negativos, além do enfraquecimento imunológico”, destaca Mariana.

Sinais de alerta

Foto: José Fernando Ogura/AEN

Os primeiros impactos da deficiência nutricional geralmente aparecem no comportamento e na condição corporal do rebanho. Segundo a especialista, sinais como perda de peso, escore corporal abaixo de 3, pelagem áspera, redução da ruminação e queda no consumo de alimento indicam que os animais já estão entrando em déficit nutricional. “Também é comum observar aumento de endoparasitas e diarreia, além de diminuição na atividade e brilho nos olhos. Esses sinais indicam que o animal já entrou em déficit nutricional, o que torna a recuperação mais lenta e mais cara”, alerta.

O problema, segundo ela, é que muitos produtores iniciam o ajuste alimentar apenas quando a seca já está instalada e os efeitos produtivos começam a aparecer no rebanho. “Quando o animal começa a mobilizar reservas corporais, ocorrem perdas de peso que podem levar de 60 a 90 dias para recuperação. Além disso, há aumento na incidência de doenças, queda na taxa de prenhez e elevação dos custos de produção ao longo do ciclo”, explica.

Suplementação vira ferramenta estratégica

Foto: Alf Ribeiro

Diante da perda de qualidade das pastagens, a suplementação estratégica passa a ser decisiva para sustentar desempenho produtivo e reduzir impactos econômicos da seca.

Segundo Mariana, proteínas, energia e minerais exercem funções complementares na manutenção da produtividade animal. “A suplementação proteica estimula a microbiota ruminal, melhorando a digestão da fibra seca, enquanto a suplementação energética mantém o balanço nutricional positivo. Já a suplementação mineral corrige deficiências e fortalece a imunidade”, pontua.

Quando o manejo nutricional é bem ajustado, o efeito sobre o desempenho pode ser significativo. “Quando bem ajustada, a suplementação pode suprir déficits de 30% a 40% em proteína e energia, elevando o ganho médio diário de zero para até 800 gramas por animal”, destaca.

Nutrição impacta fertilidade e sanidade

Foto: Pixabay

Além do ganho de peso, a alimentação adequada influencia diretamente a saúde e o desempenho reprodutivo do rebanho. Animais nutridos corretamente apresentam melhor resposta imunológica, maior resistência ao estresse térmico e melhor desempenho reprodutivo. “Com a suplementação correta, é possível reduzir a incidência de doenças e o uso de medicamentos em até 30%”, ressalta Mariana.

A estratégia nutricional, porém, precisa variar conforme a categoria animal. Bezerros demandam maior aporte proteico para crescimento acelerado, enquanto animais em recria precisam de equilíbrio entre proteína e energia para desenvolvimento estrutural. Já na terminação, o foco passa a ser o aporte energético para acabamento de carcaça. “A nutrição precisa ser ajustada conforme a categoria para maximizar resultados e otimizar custos”, reforça.

Planejamento antecipado reduz prejuízos

Segundo a especialista, o monitoramento da pastagem deve orientar o momento de entrada da suplementação. Indicadores como redução da altura do capim, queda da oferta de matéria seca e piora no escore corporal funcionam como sinais de alerta para antecipar ajustes. “O ideal é iniciar a suplementação de 30 a 45 dias antes da seca mais intensa, garantindo adaptação e manutenção do desempenho”, orienta.

Para Mariana, a integração entre nutrição, manejo e sanidade é o principal fator para reduzir perdas durante o período seco. “Com suplementação específica para cada fase, o produtor consegue manter o ganho de peso, preservar a saúde do rebanho e melhorar a rentabilidade mesmo durante a seca”, frisa.

Fonte: O Presente Rural com Supremax

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Novo status sanitário do Brasil fortalece exportações paranaenses para a China

Setor pecuário do Estado espera ganhos em competitividade, demanda por proteínas e valorização da cadeia bovina.

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Foto: Maurílio Fernandes de Oliveira

O reconhecimento do território brasileiro como área livre de febre aftosa sem vacinação pela China terá impacto positivo para a pecuária do Paraná, conforme análise do Sistema Faep. A medida tem potencial de ampliar oportunidades comerciais para o Estado, já reconhecido como área livre da doença desde 2021. A decisão do governo chinês ocorre após mais de duas décadas de negociações e elimina restrições sanitárias que ainda limitavam parte das exportações brasileiras de produtos da pecuária.

Foto: Shutterstock

O anúncio ocorre um ano após a Organização Mundial de Saúde Animal (OMSA) reconhecer o Brasil como país livre de febre aftosa sem vacinação, resultado de um processo de décadas envolvendo produtores rurais, serviços veterinários oficiais e governos estaduais.

“O elevado status sanitário paranaense e a organização da cadeia pecuária colocam o Estado em posição favorável para aproveitar o novo cenário comercial. O principal reflexo esperado é o fortalecimento da competitividade das nossas proteínas, ainda mais para um mercado consumidor com alta demanda, como a China”, avalia o presidente do Sistema Faep, Ágide Eduardo Meneguette.

Na prática, a decisão pode resultar em aumento da demanda chinesa por proteínas animais produzidas no Brasil, mais oportunidades para frigoríficos exportadores instalados no Paraná, sustentação ou valorização dos preços do boi gordo em caso de crescimento das exportações e efeitos positivos no mercado de reposição, especialmente para bezerros e garrotes.

Foto: Thais Rodrigues de Sousa

Segundo o técnico do Departamento Técnico e Econômico (DTE) do Sistema Faep Fábio Peixoto Mezzadri, os números já demonstram a relevância do mercado chinês para a pecuária de corte bovino paranaense. “Em 2025, o Paraná exportou 23,5 mil toneladas de produtos bovinos para China, movimentando US$ 126,9 milhões. O principal volume corresponde às carnes bovinas congeladas desossadas, responsáveis pela maior parte do valor exportado pelo Estado”, explica.

Principal destino das exportações do agronegócio brasileiro, a China respondeu por mais de US$ 50 bilhões em compras do setor em 2025. “O reconhecimento sanitário reforça a confiança nas cadeias produtivas nacionais e fortalece a parceria estratégica entre os dois países, ao mesmo tempo em que cria novas possibilidades de expansão para produtores e exportadores brasileiros e, especialmente, os paranaenses”, conclui Mezzadri.

Fonte: Assessoria Sistema Faep
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Pecuária impulsiona alta de 4% nas vendas de suplementos minerais

Exportações aquecidas, valorização da cria e período seco sustentam crescimento do mercado.

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Foto: Shutterstock

As vendas de suplementos minerais para pecuária começaram 2026 em ritmo de crescimento. Entre janeiro e abril, as indústrias associadas à Associação Brasileira das Indústrias de Suplementos Minerais (Asbram) comercializaram 764,8 mil toneladas de produtos, volume 4% superior ao registrado no mesmo período do ano passado. Apenas em abril, as vendas alcançaram 210,4 mil toneladas, alta de 4,9%.

Os números foram apresentados durante o Painel de Mercado da entidade, realizado em São Paulo, e refletem um cenário favorável para a pecuária brasileira, impulsionado pela valorização dos animais, pelo avanço das exportações e pela necessidade de suplementação durante o período seco.

O aumento no volume comercializado foi acompanhado por uma expansão ainda mais expressiva do número de animais atendidos. Segundo o economista Felippe Cauê Serigati, pesquisador da FGV Agro, a quantidade de bovinos suplementados cresceu 8% no primeiro quadrimestre, alcançando 68 milhões de cabeças.

O crescimento foi puxado principalmente pelos produtos das categorias Núcleos e Pronto para Uso. “A tendência é que os bons resultados continuem durante o período seco de outono-inverno, impulsionados pela necessidade de suplementação nutricional, pela valorização da cria e pelo bom momento da pecuária brasileira. Apesar dos desafios internos e externos, a economia brasileira deve seguir crescendo e a carne bovina continuará forte em produção, exportações, abates e consumo interno”, afirmou Serigati.

Exportações sustentam otimismo na pecuária

Foto: Gisele Rosso

Durante o encontro, o professor da Universidade de São Paulo (USP) Marcos Fava Neves destacou o fortalecimento das cadeias de proteína animal como um dos principais motores da economia brasileira. “Estamos assistindo a uma verdadeira ‘carnificação’ da economia brasileira, fortalecendo o interior do país e integrando cadeias produtivas como DDG, farelo de soja, biogás, biometano e biodiesel. O agro brasileiro está construindo um modelo cada vez mais eficiente e sustentável”, enfatizou.

Segundo o profissional, o mercado internacional segue favorecendo a pecuária brasileira. Ele destacou o aumento das compras pelos Estados Unidos e a manutenção da demanda chinesa pela carne bovina nacional. “Os Estados Unidos estão comprando muito e a China segue demandando carne brasileira, inclusive por caminhos alternativos. Hoje, exportamos cerca de 4 milhões de toneladas por ano e podemos chegar a 5 milhões até 2035”, frisou.

Economia cresce, mas desafios permanecem

A avaliação dos participantes do painel é que o Brasil continua apresentando crescimento econômico em 2026, apesar do ambiente marcado por inflação elevada, juros altos e aumento do custo dos alimentos.

A projeção apresentada por Serigati aponta expansão de aproximadamente 1,9% do PIB neste ano, sustentada pelo consumo das famílias, aumento da renda e desempenho das exportações, especialmente do agronegócio. “O Brasil possui petróleo para exportar e está menos vulnerável do que outras economias globais. Porém, o crescimento atual ocorre sem sustentação fiscal, os juros devem cair lentamente e o endividamento das famílias continua elevado”, ponderou.

Cenário internacional exige atenção

As tensões geopolíticas envolvendo Estados Unidos e Irã também entraram na pauta do evento. A possibilidade de interrupções no fluxo de petróleo pelo Estreito de Ormuz tem provocado volatilidade nos mercados de energia e insumos.

Mesmo assim, a avaliação dos especialistas é que o Brasil permanece em posição relativamente favorável por sua condição de exportador de alimentos e energia.

Para Fava Neves, as oportunidades para o agronegócio continuam robustas, mas exigem gestão profissional dentro das propriedades. “O mundo está turbulento, mas continuará precisando de alimentos. O Brasil é a cozinha do planeta e terá papel fundamental no abastecimento global diante da urbanização, do aumento da renda e do crescimento do consumo de proteína animal”, ressaltou.

Ele acrescentou que fatores como clima, custos de produção, sanidade, mão de obra e endividamento devem permanecer no radar dos produtores.

Logística reversa preocupa empresas

Além das questões de mercado, o encontro abordou temas regulatórios que preocupam o setor. Um deles é a logística reversa das embalagens, assunto que ainda não possui regulamentação definitiva para a cadeia de suplementos minerais.

Segundo a Asbram, empresas vêm sendo autuadas em estados como Goiás, Mato Grosso e São Paulo, apesar da ausência de obrigatoriedade formal para implantação do sistema. A recomendação da entidade é que as companhias apresentem recursos administrativos enquanto o tema continua em discussão.

Asbram prepara livro sobre 30 anos de atuação

A associação também anunciou o lançamento de um livro comemorativo aos seus 30 anos, previsto para ser apresentado durante o simpósio da entidade em 2027. A publicação reunirá a trajetória da Asbram e das cerca de 100 empresas associadas, registrando três décadas de atuação na nutrição do rebanho bovino brasileiro. “Vamos registrar nossa história, nossas ações, eventos, campanhas, debates e o trabalho técnico desenvolvido ao longo dessas três décadas. 2026 é um ano desafiador, mas acreditamos que, nos próximos dez anos, a pecuária será o maior setor do agronegócio brasileiro”, salientou Elizabeth Chagas.

Fonte: Assessoria Asbram
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Carne bovina está entre os cinco produtos brasileiros mais exportados para os Estados Unidos

Levantamento da Comex Stat mostra que siderurgia, petróleo, proteína animal e setor aeronáutico lideram as vendas brasileiras ao mercado norte-americano.

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Foto: Shutterstock

A carne bovina ocupa a terceira posição entre os produtos brasileiros mais exportados para os Estados Unidos, segundo dados da Comex Stat. O produto respondeu por US$ 814,6 milhões em embarques e representou 7,5% do valor total exportado pelo Brasil para o mercado norte-americano no período analisado.

Foto: Shutterstock

O ranking evidencia a importância do agronegócio na pauta comercial entre os dois países, mas também mostra o peso de setores como siderurgia, petróleo e indústria aeronáutica nas exportações brasileiras.

Na liderança aparecem os produtos semiacabados, lingotes e outras formas primárias de ferro ou aço, com vendas de US$ 1 bilhão, equivalentes a 9,2% das exportações brasileiras destinadas aos Estados Unidos. Em segundo lugar estão os óleos brutos de petróleo ou de minerais betuminosos crus, que somaram US$ 857,5 milhões e participação de 7,9%.

Além da carne bovina, a lista dos cinco principais produtos exportados inclui aeronaves e outros equipamentos,

Foto: Shutterstock

incluindo peças e componentes, com US$ 768,3 milhões e participação de 7% nas vendas externas. Fechando o ranking aparece o ferro-gusa, ferro-esponja, grânulos, pó de ferro ou aço e ferro-ligas, que movimentaram US$ 594,1 milhões, o equivalente a 5,4% do total exportado.

Agro ganha relevância em meio ao debate tarifário

Os números ganham relevância em um momento de atenção do setor exportador às medidas comerciais anunciadas pelos Estados Unidos. A carne bovina é um dos produtos mais relevantes do agronegócio brasileiro no mercado americano e figura entre os itens estratégicos da pauta bilateral.

Foto: Shutterstock

O levantamento também mostra que a relação comercial entre Brasil e Estados Unidos é marcada por uma diversificação de produtos, envolvendo commodities agrícolas, minerais, petróleo e bens industrializados de maior valor agregado.

Cinco produtos representam mais de um terço das exportações

Somados, os cinco principais produtos exportados pelo Brasil para os Estados Unidos representam cerca de 37% do valor total embarcado ao país, demonstrando forte concentração em alguns segmentos específicos da economia.

A presença simultânea de produtos do agronegócio, mineração, energia e indústria reforça a importância do mercado norte-americano para diferentes cadeias produtivas brasileiras e ajuda a explicar a preocupação de exportadores diante de possíveis mudanças nas regras comerciais entre os dois países.

Fonte: O Presente Rural
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