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Quebra na 2ª safra de milho leva produção a 115,8 milhões de toneladas no Brasil

Levantamento do Rally da Safra indica recuo frente às 125,3 milhões de toneladas do ciclo anterior. Goiás registra queda de 34,6% na produtividade e Minas Gerais 22,2%, após atraso no plantio e irregularidade das chuvas no Centro-Oeste.

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Segunda safra de milho 2025/26 confirma a força da produção brasileira em cenário desafiador - Foto: Divulgação/Rally da Safra

A segunda safra de milho 2025/26 confirma a força da produção brasileira, mas evidencia os desafios enfrentados pelos produtores em uma temporada marcada por clima irregular, calendário de plantio mais apertado custos elevados e preços menos favoráveis. Após o encerramento do Rally da Safra, a Agroconsult, organizadora da expedição, aponta que o Brasil deverá colher cerca de 115,8 milhões de toneladas de milho segunda safra, volume inferior aos 125,3 milhões de toneladas registrados na temporada anterior.

A estimativa representa uma revisão positiva frente aos 112 milhões de toneladas projetados no início da Etapa Milho do Rally. O ajuste reflete os resultados observados pelas equipes de campo, juntamente com a análise de imagens de satélite realizada pelo CropData, plataforma de mapeamento e classificação de área da Agroconsult.

Fotos: Eduardo Monteiro

O Rally da Safra identificou três grandes grupos de desempenho ao longo da temporada. No primeiro, com condições consideradas muito favoráveis, estão o Médio Norte e Oeste de Mato Grosso, o Sul de Mato Grosso do Sul, o Oeste do Paraná e Sul de São Paulo, regiões onde os produtores conseguiram realizar o plantio dentro da janela de menor risco e registraram os melhores resultados produtivos.

O segundo grupo reúne Maranhão, Piauí, Tocantins, Norte do Paraná, Sudoeste de São Paulo e parte do Leste de Mato Grosso, onde as condições de plantio foram razoavelmente favoráveis, embora os atrasos e o alongamento do ciclo tenham levado parte dos produtores a reduzir área ou assumir riscos maiores.

Já Goiás, Sudeste de Mato Grosso, Norte de Mato Grosso do Sul e Minas Gerais formam o grupo mais impactado pelos atrasos na semeadura. Nessas regiões, o plantio ocorreu fora da janela considerada ideal, provocando redução de área e perdas significativas de produtividade devido à interrupção prematura das chuvas em abril e maio.

Área plantada

A área nacional de milho segunda safra foi estimada em 18,2 milhões de hectares, praticamente estável em relação ao ciclo anterior. Apesar da estabilidade nacional, houve movimentos expressivos entre os estados, refletindo os riscos associados ao calendário de plantio.

A análise das imagens de satélite do CropData mostra que o Mato Grosso ampliou a área cultivada em 2%, Mato Grosso do Sul em 5,2%, Paraná em 4,2% e Rondônia em 10,3%. Em contrapartida, houve redução de 5,9% em Goiás, 4,7% em Minas Gerais e 9,1% na região do Mapito.

Do ponto de vista climático, a safra foi marcada por chuvas excessivas em março, que retardaram a implantação das lavouras, seguidas por períodos de seca em abril e maio em importantes áreas produtoras do Centro-Oeste. Embora algumas regiões tenham registrado chuvas em junho, a recuperação não foi suficiente para compensar integralmente as perdas já consolidadas.

Produtividade

Entre os estados monitorados, Mato Grosso apresentou os melhores resultados, com produtividade média de 130 sacas por hectare (-1,4% sobre a safra passada). O Médio-Norte e Oeste do estado tiveram destaque positivo no calendário de plantio, resultando em maior população de plantas, número e tamanho de espigas, e devem produzir tão bem quanto no ano passado. No entanto, houve atraso nas regiões Leste e Sudeste, levando a resultados mais baixos.

Já Goiás registrou um dos maiores impactos da temporada, com produtividade média de 83 sacas por hectare, queda de 34,6% sobre o ciclo passado. Mato Grosso do Sul alcançou média de 99,3 sacas por hectare, beneficiado pelo bom desempenho do Sul do estado, enquanto o Paraná registrou média de 97,9 sacas por hectare, com destaque positivo para a região Oeste. Em Minas Gerais, a redução foi de 22,2%, enquanto no Mapito a retração alcançou 14,9%. “A produção brasileira continua expressiva, mas é importante diferenciar volume produzido de resultado econômico. Nessa safra, o produtor enfrentou uma combinação de custos elevados e preços pressionados, o que reduz a rentabilidade da atividade”, avalia André Debastiani, coordenador do Rally da Safra.

A colheita segue em andamento em áreas do Paraná e de Mato Grosso do Sul, onde produtores continuam monitorando o risco de frio sobre lavouras ainda em fase de enchimento de grãos. Embora o potencial de perdas seja limitado neste estágio da safra, o clima permanece no radar dos produtores.

A produção brasileira total de milho é projetada em 144,1 milhões de toneladas  no início de maio, a estimativa era de 140,5 milhões, frente a 152,3 milhões de toneladas no ciclo anterior. A área total atinge 22,6 milhões de hectares.

Foto: Giovane Rocha

No mercado, o aumento do consumo doméstico para produção de ração e de etanol ajuda a sustentar a demanda interna. No entanto, o cenário externo permanece mais desafiador diante de uma grande safra nos Estados Unidos e na Argentina, fator que aumenta a concorrência e pressiona as exportações brasileiras.

O Rally da Safra 2026 percorreu mais de 104 mil quilômetros entre janeiro e junho, mobilizando 23 equipes técnicas (17 na Etapa Soja e 6 na Etapa Milho), que avaliaram aproximadamente 2,5 mil lavouras e quase 44 mil pontos georreferenciados em todo o país. A edição foi a maior da história da expedição, ampliando a capacidade de monitoramento das condições de produção e oferecendo uma visão detalhada da evolução das duas principais culturas agrícolas brasileiras.

Fonte: Assessoria Agroconsult

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Sem alíquotas definidas, Reforma Tributária trava planejamento do produtor rural para 2027

Indefinição dificulta cálculo de custos, fluxo de caixa e investimentos. Advogado tributarista explica por que ITR não pode ser comparado ao valor de desapropriação de imóveis rurais.

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Foto: Divulgação

A menos de seis meses do início da fase de transição da Reforma Tributária, produtores rurais, empresas e demais contribuintes ainda desconhecem um dos principais parâmetros para o planejamento financeiro de 2027: o valor das alíquotas dos novos tributos.

Para o advogado tributarista Fernando Melo de Carvalho, a ausência dessa definição reduz a previsibilidade necessária para organizar investimentos, projetar fluxo de caixa e estimar o impacto da nova carga tributária sobre os custos operacionais.

Fernando Melo de Carvalho é advogado tributarista do agronegócio: “Perigoso é manter do jeito que está, sem você saber a alíquota e sem ter previsão de caixa, do que vai gastar ou qual será o aumento da carga tributária”

A discussão voltou a ganhar força após declarações do presidente Luiz Inácio Lula da Silva sobre o Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural (ITR) e do secretário especial da Receita Federal, Robinson Barreirinhas, a respeito da divulgação da alíquota da Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS).

Barreirinhas afirmou considerar “perigosa” a divulgação antecipada da alíquota da CBS. Para Carvalho, porém, o maior risco está justamente na indefinição. “Perigoso é manter do jeito que está, sem você saber a alíquota e sem ter previsão de caixa, do que vai gastar ou qual será o aumento da carga tributária. Falta pouco tempo para a entrada em vigor das novas regras e empresas, produtores rurais e contribuintes precisam se preparar para saber exatamente o que vão pagar”, afirmou.

Outro ponto que reacendeu o debate foi a declaração do presidente Lula sobre o Imposto Territorial Rural. O chefe do Executivo voltou a defender que existe diferença entre o valor declarado para fins de cobrança do ITR e o valor de mercado utilizado em processos de desapropriação de imóveis rurais.

Segundo Carvalho, essa comparação exige uma análise técnica, uma vez que o ITR possui finalidade constitucional específica e critérios próprios de apuração, distintos daqueles empregados na avaliação de imóveis para desapropriação.

Entenda como funciona o ITR

Foto: Marcello Casal

Ao comentar as declarações do presidente Luiz Inácio Lula da Silva sobre o ITR, Fernando afirma que o valor de indenização para desapropriação e o Valor da Terra Nua (VTN) para o imposto territorial rural parte de assuntos diferentes. “O presidente Lula na fala dele tenta comparar duas coisas que não têm comparação. Uma coisa é a desapropriação, que serve para retirar a propriedade do particular. É o Estado intervindo na propriedade particular para tomar, entre aspas, aquela propriedade. Por outro lado, o pagamento de imposto em cima do imóvel rural, que seria o ITR, leva em consideração diversos fatores”, ressalta.

Segundo o tributarista, entre os fatores considerados na apuração do ITR estão a função social do imposto prevista na Constituição Federal, o grau de utilização da propriedade e a existência de áreas isentas, como Áreas de Preservação Permanente (APPs), reserva legal e florestas, que não podem ser exploradas economicamente pelo produtor rural.

Foto: Divulgação

Conforme a Constituição Federal, o Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural (ITR) tem função extrafiscal, ou seja, foi concebido para estimular o uso produtivo da propriedade rural e desestimular a manutenção de terras improdutivas.

Na prática, quanto maior o grau de utilização da área para atividades agropecuárias, menor tende a ser a carga tributária incidente sobre o imóvel. “Portanto, quanto mais utilização você tem naquela terra, menos imposto você deve pagar, justamente para não ficar parado”, enfatizou.

Além do grau de utilização da propriedade, outro critério considerado na apuração do imposto é a existência de áreas isentas, como florestas, Áreas de Preservação Permanente (APPs), reserva legal e florestas, cuja exploração econômica é vedada ao produtor rural.  Isso reduz consideravelmente o imposto, já que se trata de áreas das quais o produtor não pode obter nenhum tipo de benefício econômico direto com a atividade pecuária ou agropecuária, o que, de acordo com Carvalho, justifica a redução da carga tributária incidente sobre o imóvel rural.

Como o produtor deve se preparar?

Ao orientar os produtores rurais e demais contribuintes, Carvalho reforça que o momento exige atenção às mudanças previstas pela Reforma Tributária e acompanhamento das informações oficiais.

Segundo o advogado, a previsibilidade é fundamental para que empresas e produtores consigam organizar o fluxo de caixa, revisar custos, planejar investimentos e se preparar para as novas regras. “O que o produtor deve fazer neste momento é acompanhar de perto as mudanças. Mas, para que esse planejamento seja possível, é necessário que as alíquotas sejam divulgadas. Sem saber quanto efetivamente será pago, a previsibilidade financeira fica comprometida, justamente em um momento em que todos precisam se preparar para a entrada em vigor das novas regras”, ressaltou.

Fonte: Assessoria
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Brasil amplia peso no comércio global de alimentos e pode exportar mais tecnologia, aponta presidente da ABAG

País integra cadeia completa da produção animal, defende Ingo Plöger. Entidade cita potencial da agricultura tropical e da Embrapa para expansão em países da África e outros mercados.

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Foto: Cláudio Neves

Em meio a tensões geopolíticas, aumento de barreiras comerciais e preocupações com segurança alimentar, o Brasil mantém posição relevante no comércio internacional de alimentos e proteínas e vê espaço para ampliar sua participação com base em competitividade e tecnologia. A avaliação é de Ingo Plöger, presidente da Associação Brasileira do Agronegócio (ABAG).

Ingo Plöger, presidente da Associação Brasileira do Agronegócio (ABAG): “O milho é um exemplo claro de como podemos produzir energia renovável, proteína animal e alimentos de maneira integrada e eficiente” – Foto: Divulgação

Segundo ele, a estrutura produtiva brasileira permite integração completa da cadeia de produção animal, o que facilita o atendimento a diferentes exigências de mercado. “Somos um dos poucos países com capacidade de integrar toda a cadeia de produção animal e atender mercados internacionais com produtos alinhados às preferências dos mais variados consumidores”, ressaltou.

De acordo  com o dirigente, a expansão do agro brasileiro passa menos por aumento de volume e mais pela agregação de conhecimento. Ele cita a internacionalização da Embrapa como um vetor estratégico para levar tecnologia tropical desenvolvida no país a outras regiões. “Acredito que um dos próximos passos estratégicos do país será a internacionalização da Embrapa, levando a experiência brasileira em agricultura tropical para outras regiões do mundo. A África, pelas suas características e potencial produtivo, deve ser um dos principais destinos dessa expansão do conhecimento e da cooperação tecnológica brasileira”, destacou.

O executivo também destacou a integração entre produção de alimentos e biocombustíveis como uma característica do modelo brasileiro. No caso do milho, ele afirma que o sistema permite múltiplos usos da produção agrícola. “Temos defendido na Europa que, quanto mais combustível renovável produzimos, mais alimentos também geramos. O milho é um exemplo claro de como podemos produzir energia renovável, proteína animal e alimentos de maneira integrada e eficiente”, salientou.

Plöger relaciona ainda o desempenho do setor ao dinamismo de municípios de médio e pequeno porte, onde cadeias do agronegócio sustentam renda e atividade econômica. Segundo ele, cerca de metade da população brasileira vive em cidades com até 400 mil habitantes, muitas delas fortemente vinculadas ao agro. “O agronegócio é uma questão de Estado. Quando pensamos no Brasil dos próximos 20 ou 30 anos, é impossível dissociar o desenvolvimento econômico e social do papel desempenhado pelo agro”, afirmou.

Fonte: Assessoria ABAG
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Qual o potencial bloqueado pela morosidade na regulamentação da Lei dos Bioinsumos?

Falta de decreto e portarias mantém em aberto regulamentação prevista na Lei de Bioinsumos de 2024 e trava decisões de investimento no setor.

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Foto: Divulgação

A resposta à pergunta que trago no título deste artigo é: o potencial é enorme. A substituição dos agrotóxicos e fertilizantes químicos por bioinsumos, naquilo que é possível substituir, pode ser considerado o principal tema da política agrícola brasileira atual. A ampliação do uso dos bioinsumos nas lavouras brasileiras provoca impactos positivos de vários aspectos e de longo prazo.

Artigo escrito por Reginaldo Minaré, advogado, mestre em Direito e diretor-executivo da Associação Brasileira de Bioinsumos (ABBINS).

O primeiro deles é a redução da dependência de insumos químicos importados. Temos uma dependência histórica e progressiva da importação de aproximadamente 90% dos fertilizantes químicos e agrotóxicos utilizados em nossas lavouras. Ao contrário dos insumos químicos, que provocam acidificação, salinização e perda de organismos vivos benéficos, os bioinsumos não degradam o solo ao longo do tempo. Restauram a saúde do solo, preservam e aumentam a diversidade da biota, melhoram a fertilidade ao longo do tempo, a retenção de água e a resiliência às mudanças climáticas.

Além disso, os bioinsumos são mais objetivos com relação à praga-alvo, preservando polinizadores, predadores naturais e a biologia do solo, e apresentam menor toxicidade para agricultores, trabalhadores rurais, consumidores e meio ambiente.

No plano econômico, a produção de bioinsumos para uso próprio é uma poderosa ferramenta de administração e redução dos custos de produção que o agricultor possui, além de criar empregos especializados espalhados pelo Brasil. Aliás, seu uso fomenta o surgimento de pequenas e médias indústrias, inclusive com caráter regional, pois a produção perto ou no local de uso reduz o custo com transporte, promove o trabalho de bioprospecção e valoriza a nossa biodiversidade.

Foto: Divulgação/Grupo GIROAgro

No entanto, todos esses benefícios estão parcialmente bloqueados pelo fato de que nosso cenário regulatório atual para os bioinsumos é o de “estrutura normativa incompleta”. Temos uma excelente Lei de Bioinsumos que foi publicada em 2024, mas faltam ainda, um decreto regulamentador e as portarias que irão detalhar e garantir a fiel aplicação da lei vigente.

O prazo previsto na lei para publicação do decreto regulamentador se esgotou em dezembro de 2025 e, até o momento, o Ministério da Agricultura não enviou uma proposta de decreto à Casa Civil da Presidência da República para avaliar o texto e, posteriormente, colher nele a assinatura do Presidente da República.

Ter uma estrutura normativa incompleta é pior do que o cenário de ausência total de regramento, pois levanta a dúvida a respeito de como o tema será regulado e isso afugenta investimentos. A questão que se instalou no Brasil é se teremos uma regulamentação objetiva e funcional ou se receberemos um emaranhado burocrático destinado a criar reservas de mercado para um ou outro segmento.

Foto: Freepik

Enquanto a regulamentação não se apresenta, o potencial de aumento de adoção dos bioinsumos segue parcialmente bloqueado, pois muitos ficam em compasso de espera. A instalação da dúvida também prejudica o setor agrícola em um nível mais profundo, pois a insegurança provoca o fechamento da abertura intelectual para o desapego das antigas formas de pensar e fazer agricultura.

O uso de bioinsumos exige um manejo diferente do praticado com os insumos químicos, e a insegurança jurídica pode ser uma ótima justificativa para o agricultor ficar na zona de conforto cultivando o apego total aos agrotóxicos e fertilizantes químicos. Isso é péssimo, pois pode distanciar o Brasil da agricultura do século XXI, que já indica um movimento forte em direção à agricultura regenerativa, onde os bioinsumos são fundamentais.

Nós, na Associação Brasileira de Bioinsumos, trabalhamos com o cenário de que a agricultura regenerativa será a agricultura convencional do amanhã.

Fonte: Artigo escrito por Reginaldo Minaré, advogado, mestre em Direito e diretor-executivo da Associação Brasileira de Bioinsumos (ABBINS).
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