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Quebra cabeça chinês

Pesquisa do US-China Business Council (agosto) indica que 87% das empresas com fábricas no gigante chinês não pretendem transferir suas unidades e 97% informa que suas operações na China são lucrativas

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Por Coriolano Xavier, membro do Conselho Científico Agro Sustentável (CCAS) e Professor da ESPM.

A propósito da guerra comercial Estados Unidos X China, que já dura 18 meses e recentemente ganhou uma ainda nebulosa trégua, é interessante relacionar alguns fatos que compõem o tabuleiro de xadrez por traz dos rituais políticos e da retórica diplomática reverberada na mídia.

Um dos objetivos dos Estados Unidos com o embate era reduzir seu déficit comercial descomunal com os chineses. Outro alvo era estimular grandes corporações norte-americanas instaladas na China a retornar para os EUA. Mas o déficit continuou crescendo e atingiu o recorde de 419 bilhões de dólares, em 2018. Quanto às empresas, parecem não ter a mesma ideia do governo norte-americano.

Pesquisa do US-China Business Council (agosto) indica que 87% das empresas com fábricas no gigante chinês não pretendem transferir suas unidades e 97% informa que suas operações na China são lucrativas. Mais um detalhe: entre as que mostraram intenção de mudança, só 3% pensam em levar sua produção de volta para os EUA.

Na verdade, o mercado chinês é uma espécie de sonho de consumo para as grandes corporações norte-americanas (e não só para elas, aliás) e isto porque a classe média chinesa cresceu de modo acelerado, hoje estima-se que já represente 400 milhões de pessoas e continua aumentando.

A GM, por exemplo, vende mais carros lá do que nos Estados Unidos. A KFC, famosa no mundo pelo seu frango frito, tem 5.000 lojas lá, 15% mais do que em território norte-americano. E a internacional Starbucks Coffee cresceu 18% no mercado chinês o ano passado, mesmo com a China pressionada pela guerra comercial.

Soma-se a isso, outro fato: muitas companhias utilizam a China como plataforma de exportação, por suas características de estrutura e escala. Um exemplo é a Apple, a segunda marca mais valiosa do mundo (Brand Finance 2019), que tem na China o seu segundo maior mercado e de lá consegue exportar seus aparelhos para todo o mundo, a preços competitivos.

Situações como essas foram comentadas com propriedade em recente artigo da pesquisadora Claudia Trevisan, da Escola de Estudos Internacionais Avançados da Universidade Johns Hopkins, nos EUA (OESP, 15/10/2019). E, com fatos assim, fica difícil pensar em desfecho sob a lógica dos super-heróis, para essa tensão comercial entre as duas maiores economias do mundo.

O reequilíbrio das relações EUA-China é tarefa bem mais complexa, pois a globalização mudou a lógica da economia mundial. Por outro lado, se uma trégua negociada não revisar as tarifas impostas, o mundo já terá mudado bastante. Antes do conflito, a tarifa média dos EUA sobre produtos chineses era de 3% e chegou a 21%. Um terremoto, considerando-se exportações chinesas de US$ 540 bilhões (2018) para os EUA.

Tudo isso traz alguma ordem de impactos para o Brasil. Pode estimular nossas vendas de soja e carnes para o mercado chinês, como já ocorreu. Caso se consolide uma trégua e a China retorne às compras de produtos norte-americanos, isso pode então afetar a mesma soja, levando-nos a buscar outros mercados para a commodity. Por ora são hipóteses.

Mas no complexo cenário chinês também há oportunidade para outros produtos do agro brasileiro, que podem ser turbinados pela afluente classe média chinesa, hoje rumando para meio bilhão de pessoas. Isso mesmo: quase o equivalente a dois “brasis” inteiros de classe média, para a qual podemos tentar vender um leque maior de alimentos de maior valor agregado.

Mas aí a geopolítica é outra, a diplomacia comercial é outra, o marketing é outro e a comunicação também. Um bom augúrio é a visita já próxima da Ministra da Agricultura, Teresa Cristina, ao gigante chinês, pois ela tem mostrado que sabe dar tratos à bola nesse campo, com propriedade e talento diplomático.

Fonte: Assessoria
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Notícias Grãos

USDA vê oferta de trigo nos EUA em mínima de 5 anos em 2019/20

USDA manteve inalteradas suas perspectivas para os estoques finais de milho e soja do país

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Arquivo/OP Rural

A oferta de trigo nos Estados Unidos vai recuar para uma mínima de cinco anos em 2019/20, em meio a um avanço nas exportações do país devido às reduzidas colheitas de importantes competidores globais, disse o governo norte-americano na terça-feira (10).

Em seu relatório mensal de oferta e demanda, o Departamento de Agricultura dos EUA (USDA, na sigla em inglês) manteve inalteradas suas perspectivas para os estoques finais de milho e soja do país. O órgão também não alterou sua previsão para as safras de milho e soja de Brasil e Argentina.

O governo norte-americano reduziu sua projeção para os estoques finais de trigo dos EUA no ano-safra 2019/20 para 974 milhões de bushels, ante 1,014 bilhão de bushels na previsão anterior. Se a estimativa se confirmar, este será o menor estoque final de trigo norte-americano desde 2014/15, quando foram registrados 752 milhões de bushels.

Analistas esperavam os estoques finais do cereal em 1,010 bilhão de bushels, de acordo com a média das estimativas compiladas pela Reuters em pesquisa. Ainda assim, a oferta será suficientemente grande para atender à demanda, disseram analistas. “Os estoques são tão grandes que essa redução é como tirar um copo d’água de um lago”, afirmou Craig Turner, corretor de commodities da Daniels Trading. “Não muda o cenário, de jeito nenhum.”

O governo dos EUA elevou suas perspectivas para as exportações de trigo do país em 25 milhões de bushels, para 975 milhões de bushels, após reduzir suas projeções para as safras do produto na Austrália, Argentina e Canadá.

Após a divulgação do relatório, os contratos futuros do trigo na bolsa de Chicago passaram a subir, enquanto os futuros da soja devolveram ganhos e os do milho permaneceram em leve alta.

Sobre a América do Sul, o USDA afirmou que a produção de milho da Argentina em 2019/20 será de 50 milhões de toneladas, enquanto a do Brasil totalizará 101 milhões de toneladas.

Para a soja, o órgão estima a safra brasileira nesta temporada em 123 milhões de toneladas. A produção argentina é vista em 53 milhões de toneladas.

O USDA disse também que os estoques finais de milho dos EUA serão de 1,91 bilhão de bushels, valor inalterado ante a previsão de novembro. A estimativa para os estoques finais de soja foi mantida em 475 milhões de bushels.

Fonte: Reuters
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Notícias Recorde

Abiec estima exportação de carne bovina em 1,8 mi t em 2019

Embarques dispararam em 2019 com maior número de frigoríficos habilitados pela China

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A exportação brasileira de carne bovina foi estimada em recorde de 1,828 milhão de toneladas em 2019, ante 1,643 milhão em 2018, informou na terça-feira (10) a associação da indústria do setor Abiec. A exportação de carne bovina do Brasil em dezembro foi estimada em 185.344 toneladas, o que seria o segundo maior volume mensal no ano, segundo a entidade.

Os embarques dispararam em 2019 com maior número de frigoríficos habilitados pela China, que tem importado mais para lidar com a menor oferta de carne de porco, em função da peste suína africana, que reduziu drasticamente o plantel do país.

A receita com exportação do produto pelo Brasil, maior exportador global, foi estimada em cerca de US$ 7,45 bilhões, de acordo com a Abiec.

Fonte: Reuters
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Notícias Sanidade

Reino Unido registra caso de gripe aviária pela 1ª vez desde 2017

Cerca de 27 mil aves da fazenda serão abatidas após a descoberta da variedade H5

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REUTERS/Darren Staples

O governo do Reino Unido informou o registro de ocorrência de gripe aviária em uma criação de frangos no leste da Inglaterra na terça-feira (10), no primeiro relato da doença no país desde junho de 2017.

Cerca de 27 mil aves da fazenda serão abatidas após a descoberta da variedade H5, que o Ministério da Agricultura britânico descreve como “pouco contagiosa”.

“O risco do vírus à saúde pública é muito baixo”, acrescentaram as autoridades da saúde. “Aves completamente cozidas e produtos de aves, incluindo ovos, podem ser ingeridos com segurança.”

Fonte: Reuters
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