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Quanto perdemos em produção animal por fornecer água de má qualidade?

Impacto da qualidade da água reflete mais na produção e saúde animal do que na manutenção econômica da atividade

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Arquivo/OP Rural

Artigo escrito por Eder S. Brandeburgo, doutor, médico veterinário e gerente Técnico da MS Schippers

Estamos vivendo um forte apelo mundial para a redução imediata dos níveis do uso de antibióticos na produção animal, levando-nos a uma busca da excelência na biosseguridade e administração frequente de aditivos zootécnicos, tais como: ácidos orgânicos, óleos essenciais e probióticos, nas granjas de suínos e aves, no entanto tem-se negligenciado a água de bebida como um dos potenciais pilares de melhoria neste importante processo de segurança alimentar e ambiental.

Dos nutrientes ingeridos diariamente pelos animais em uma granja de suínos 70% é água e 30% ração. Para termos uma ideia de volume hídrico, uma suinocultura com 100 matrizes em sistema de criação de ciclo completo, portanto maternidade, creche e terminação, ao longo do ano consomem cerca de 260.000 litros de água de bebida. No entanto quando consideramos o aspecto financeiro, este volume de água consumida representa menos de 1% do custo total de produção, contra 70% da ração, por tanto o impacto da qualidade deste importante nutriente reflete mais na produção e saúde animal do que na manutenção econômica da atividade.

Diversos são os fatores que podem afetar o consumo adequado de água pelos animais, os quais podemos destacar: qualidade da água, quantidade de ração ingerida, vazão e pressão do sistema hidráulico, temperatura de ambiente, ocorrência de doenças, entre outros.

No tocante á qualidade de água de bebida, duas ações de monitoramento são as bases para um programa eficiente, sendo a primeira a realização de análises laboratoriais, e a outra, o acompanhamento do nível de limpeza da tubulação.

Quando avaliamos o sistema de abastecimento de água de uma granja precisamos observar diversos pontos, onde podemos destacar: o uso de aditivos, principalmente os antibióticos, fundos cegos, diâmetros e materiais do encanamento, pois estes pontos favorecem o acumulo de matéria orgânica e a elevação da temperatura da água. Estes elementos são fundamentais para a formação e aumento do biofilme microbiológico nas paredes da tubulação, com presença de bactérias altamente patogênica, tais como: Escherichia coli, Salmonella typhimurium, Staphylococcus aureus, Vibrio cholerae, entre outras, no entanto também estão presentes fungos (ex.: Aspergillus SPP e Penicillium SPP), leveduras e protozoários.

Figura 1: Ilustração de sistema de distribuição de água de bebida em granja de suínos

 

Problemas

Temos observado com frequência no Brasil, que as granjas têm utilizado fontes naturais de água para o consumo animal com excelente qualidade físico-química e microbiológica, comprovadas através de análise laboratorial, no entanto as amostras de água coletadas nos bebedouros dos animais apresentam-se comprometidas na qualidade microbiológica com presença ou aumento na contagem de bactérias heterotróficas, coliformes totais e Escherichia coli, quando comparada a fonte.

A literatura vem demostrando exaustivamente que a E. coli está entre os dois principais problemas patológicos da produção animal, com o agravante de apresentar de cepas multirresistência aos antimicrobianos.

A água contaminada pode levar, além da diminuição do seu consumo, a menor ingesta de alimento, causar redução da resistência imunológica, perda de produtividade, ineficiência de vacinas, medicamentos e suplementos, e formação de biofilme na tubulação.

Tubulação exclusiva para fornecimento de antibiótico via água de bebida com alta formação de biofilme

Tubulação para fornecimento de água de bebida com formação de biofilme

Tubulação limpa para fornecimento de água de bebida

 

Inimigo silencioso

Podemos notar em algumas situações, a alta formação de biofilme na tubulação de fornecimento de água de bebida aos animais, principalmente na de uso exclusivo para administração de antibióticos.

Em muitos aspectos o biofilme é um inimigo silencioso, pois não é diretamente visível, pode inativar aditivos zootécnicos, tem crescimento microbiológico rápido e descontrolado, contaminando a água de bebida, consequentemente aumentando a carga de microrganismos patogênico no trato gastrointestinal dos animais que a consumem. Estudos tem apontado a má qualidade da água como o fator determinante de altas incidências de problemas patológicos, mas principalmente: diarreias na maternidade e creche, cistites, nefrites, disfunções reprodutivas e síndrome MMA.

Podemos concluir que existe uma alta relação da qualidade da água, com a limpeza da tubulação, índice de doenças patogênicas e, consequentemente, ao uso de antibióticos na produção animal. Estamos certos que ferramentas como o Dióxido de cloro, que realiza a remoção do biofilme da tubulação e eliminação dos patógenos da água de bebida, fornecem condição favorável ao melhor desempenho zootécnico e saúde animal, e consequentemente retorno econômico para a atividade e segurança alimentar ao consumo.

Eder S. Brandeburgo

Outras notícias você encontra na edição de Suínos e Peixes de maio/junho de 2019 ou online.

Fonte: O Presente Rural

Suínos

ACCS empossa nova diretoria e reforça foco em mercado e sanidade na suinocultura catarinense

Entidade inicia novo mandato de quatro anos com Losivanio Lorenzi reeleito e destaca desafios ligados às exportações, biosseguridade e inovação no setor suinícola de Santa Catarina.

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Foto: Divulgação/ACCS

A Associação Catarinense de Criadores de Suínos (ACCS) realizou, nesta sexta-feira (09), a posse oficial da diretoria eleita em assembleia geral no dia 10 de outubro do ano passado. O ato marcou o início formal do novo mandato da entidade e reafirmou a continuidade do trabalho desenvolvido nos últimos anos em defesa da suinocultura catarinense.

Presidente reeleito da ACCS, Losivanio Luiz de Lorenzi: “A ACCS é construída de forma coletiva. Mesmo fora da diretoria, os produtores continuam participando, sugerindo e fortalecendo a entidade” – Foto: Divulgação/ACCS

Durante a cerimônia, o presidente reeleito, Losivanio Luiz de Lorenzi, destacou que a nova gestão mantém o compromisso com a representatividade do setor, aliando experiência e renovação. Segundo ele, alguns membros passaram por mudanças, a pedido, abrindo espaço para novas lideranças, sem perder o apoio e a contribuição daqueles que deixam os cargos diretivos. “A ACCS é construída de forma coletiva. Mesmo fora da diretoria, os produtores continuam participando, sugerindo e fortalecendo a entidade”, afirmou.

Losivanio ressaltou que os principais desafios do novo mandato estão ligados ao acompanhamento constante do mercado, tanto no cenário estadual e nacional quanto no internacional.

Santa Catarina responde por mais de 50% das exportações brasileiras de carne suína e, em 2024, superou o Canadá, tornando-se o terceiro maior exportador mundial da proteína. Nesse contexto, o presidente reforçou a importância da atuação conjunta com indústrias e cooperativas, fundamentais para a comercialização da produção.

Outro ponto central abordado foi a manutenção do elevado status sanitário do rebanho

Foto: Divulgação/ACCS

catarinense. Para a ACCS, a biosseguridade e a sanidade animal são pilares estratégicos para a permanência e ampliação do acesso aos mercados internacionais, além de garantirem qualidade e segurança ao consumidor brasileiro. “É a sanidade que nos mantém competitivos e confiáveis no mundo”, destacou.

A nova diretoria assume com a missão de seguir inovando, acompanhando as transformações do setor, inclusive com o avanço de novas tecnologias e da inteligência artificial, sempre com foco na sustentabilidade da atividade, na qualidade de vida do suinocultor e na entrega de uma proteína segura e de alta qualidade à mesa do consumidor. O mandato tem duração de quatro anos.

Fonte: Assessoria ACCS
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Suínos

Biosseguridade como estratégia para proteger a suinocultura catarinense

Nova portaria estadual reforça a prevenção sanitária nas granjas, combina exigências técnicas com prazos equilibrados e conta com apoio financeiro para manter Santa Catarina na liderança da produção de proteína animal.

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Foto: Shutterstock

Santa Catarina é reconhecida nacional e internacionalmente pela excelência sanitária de sua produção animal. Esse reconhecimento não é fruto do acaso: é resultado de um trabalho contínuo, técnico e coletivo, que envolve produtores, agroindústrias, cooperativas, entidades de representação, pesquisa e o poder público. Nesse contexto, a Portaria SAPE nº 50/2025, em vigor desde 8 de novembro de 2025, representa um marco decisivo para a suinocultura tecnificada catarinense, ao estabelecer medidas claras e objetivas de biosseguridade para granjas comerciais.

Ao ser elaborada pela Secretaria de Estado da Agricultura e Pecuária (Sape) em conjunto com a Cidasc e outras instituições ligadas ao setor produtivo e à pesquisa agropecuária, a normativa consolida um entendimento que sempre defendemos: a prevenção é a melhor estratégia. Em um cenário global marcado por riscos sanitários crescentes, pressão por padrões mais rigorosos e mercados cada vez mais exigentes, proteger o plantel catarinense significa proteger empregos, renda no campo, investimentos industriais e a confiança dos compradores internacionais.

Diretor executivo do SINDICARNE, Jorge Luiz De Lima – Foto: ARQUIVO/MB Comunicação

A Portaria traz prazos que demonstram equilíbrio e respeito à realidade das propriedades. As granjas preexistentes têm período de adaptação, com adequações estruturais previstas para ocorrer entre 12 e 24 meses, conforme o tipo de ajuste necessário. Contudo, também há medidas de implementação imediata, principalmente de caráter organizacional, baseadas em rotinas padronizadas de higienização, controle e prevenção. É o tipo de avanço que qualifica a gestão e eleva a eficiência sem impor barreiras desproporcionais.

Vale destacar que muitas granjas catarinenses já operam nesse padrão, em razão das exigências sanitárias de mercados internacionais e do comprometimento histórico do setor com boas práticas. Por isso, a adaptação tende a ser tranquila, além de trazer ganhos diretos de controle, rastreabilidade e segurança. Entre as principais ações previstas, estão: uso obrigatório de roupas e calçados exclusivos da unidade de produção; desinfecção de equipamentos e veículos; controle rigoroso de pragas e restrição de visitas; tratamento da água utilizada; e manutenção de registros e documentação atualizados. São medidas que, embora pareçam simples, fazem enorme diferença quando aplicadas com disciplina.

Outro ponto que merece reconhecimento é a criação do Programa de Apoio às Medidas de Biosseguridade na Produção Animal Catarinense, instituído pela Resolução nº 07/2025. O Governo do Estado não apenas regulamentou: também viabilizou um caminho real para que o produtor possa investir. O programa permite financiamento de até R$ 70 mil por granja, com pagamento em cinco parcelas, sem correção monetária ou juros, e com possibilidade de subvenção de 20% a 40% sobre o valor contratado. Trata-se de um estímulo concreto, que fortalece a base produtiva e mantém Santa Catarina na liderança brasileira em produção e exportação de carne suína.

O processo é tecnicamente estruturado e acessível. O suinocultor deve elaborar um Plano de Ação (Plano de Adequação), com apoio de médico-veterinário da integradora, cooperativa ou assessoria técnica — incluindo alternativas como o Sistema Faesc/Senar-SC para produtores independentes. O documento é preenchido na plataforma Conecta Cidasc. A partir dele, a Cidasc emite o laudo técnico, e o produtor pode buscar o financiamento do Fundo Estadual de Desenvolvimento Rural (FDR), com solicitação feita junto à Epagri, que atua como ponte para viabilizar o acesso à política pública.

Biosseguridade não é custo; é investimento. É ela que sustenta a sustentabilidade do setor, reduz perdas, previne crises e mantém nossa competitividade. A Portaria nº 50/2025 e o Programa Biosseguridade Animal SC mostram que Santa Catarina segue fazendo o que sempre fez de melhor: antecipar desafios, agir com responsabilidade e proteger seu patrimônio sanitário, garantindo segurança, qualidade e confiança do campo ao mercado.

Fonte: Assessoria Sape-SC
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Suínos

Faturamento da suinocultura alcança R$ 61,7 bilhões em 2025

Com esse avanço, os suínos passam a responder por 4,37% de todo o VBP do agro brasileiro em 2025, mantendo posição estratégica em meio à cadeia de proteínas animais e reforçando o protagonismo das regiões Sul e Sudeste na produção nacional.

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A suinocultura brasileira deve encerrar 2025 com faturamento de R$ 61,7 bilhões no Valor Bruto da Produção (VBP), segundo dados do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), divulgados em 21 de novembro. O resultado representa um crescimento expressivo frente aos R$ 55,7 bilhões estimados para 2024, ampliando em quase R$ 6 bilhões a renda gerada pela atividade no país.

Com esse avanço, os suínos passam a responder por 4,37% de todo o VBP do agro brasileiro em 2025, mantendo posição estratégica em meio à cadeia de proteínas animais e reforçando o protagonismo das regiões Sul e Sudeste na produção nacional. A tendência confirma a força exportadora do setor e a capacidade das agroindústrias de ampliar oferta, produtividade e eficiência em um ambiente competitivo.

O ranking dos estados revela a concentração típica da atividade. Santa Catarina se mantém como líder absoluto da suinocultura brasileira, com VBP estimado de R$ 16,36 bilhões em 2025, bem acima dos R$ 12,87 bilhões registrados no ano anterior. Na segunda posição aparece o Paraná, que cresce de R$ 11,73 bilhões para R$ 13,29 bilhões, impulsionado pela expansão das integrações, investimento em genética e aumento da capacidade industrial.

O Rio Grande do Sul segue como terceira principal região produtora, alcançando R$ 11,01 bilhões em 2025, contra R$ 9,78 bilhões em 2024, resultado que reflete a recuperação gradual após desafios sanitários e climáticos enfrentados nos últimos anos. Minas Gerais e São Paulo completam o grupo de maiores faturamentos, mantendo estabilidade e contribuição relevante ao VBP nacional.

Resiliência

Além do crescimento nominal, os números da suinocultura acompanham uma trajetória de evolução contínua registrada desde 2018, conforme mostra o histórico do VBP. O setor apresenta tendência de ampliação sustentada pelo avanço tecnológico, por sistemas de produção mais eficientes e pela sustentabilidade nutricional e sanitária exigida pelas indústrias exportadoras.

A variação positiva de 2025 reforça o bom momento da cadeia, que responde não apenas ao mercado interno, mas sobretudo ao ritmo das exportações, fator decisivo para sustentar preços, garantir e ampliar margens e diversificar destinos internacionais. A estrutura industrial integrada, característica das regiões Sul e Sudeste, segue como base do desempenho crescente.

Com crescimento sólido e presença estratégica no VBP nacional, a suinocultura consolida sua importância como uma das cadeias mais dinâmicas do agronegócio brasileiro.

A edição de 2025 figura não apenas como um retrato do maior VBP da história, mas como um guia essencial para compreender os caminhos e desafios do agronegócio brasileiro no curto e médio prazo. Confira a versão digital clicando aqui.

Fonte: O Presente Rural
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