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Quanta água tem na carne

Nos fóruns internacionais um dos temas recorrentes é o uso consciente da água, uma preocupação legítima, presente em qualquer lista de prioridades de governos, instituições ou pessoas

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Por LUIZ JOSAHKIAN, superintendente técnico da Associação Brasileira dos Criadores de Zebu (ABCZ)

 

Você já ouviu falar dos famosos 15 mil litros de água necessários para se produzir um quilograma de carne vermelha. Uma afirmação que pode até ser verdadeira, mas que dita assim, fora do contexto e sem análises adicionais, é no mínimo, injusta.

Nos fóruns internacionais um dos temas recorrentes é o uso consciente da água, uma preocupação legítima, presente em qualquer lista de prioridades de governos, instituições ou pessoas.

Na produção animal, a primeira abordagem sobre o uso dos recursos naturais foi proposta por William Rees e Mathis Wackernagel no início dos anos 1990. Eles criaram um indicador chamado pegada ecológica (PE) que indica a área em hectares necessária para a produção de um determinado produto. Mas foi somente em 2002 que Arjen Hoekstra, da Universidade de Twente (Holanda), introduziu um novo indicador e o batizou de pegada hídrica (PH) — o volume de água usado durante a produção e o consumo de bens e serviços.

A PH tornou possível a cada cidadão se autoavaliar como consumidor. Até aí, tudo certo. Cuidar do planeta é uma obrigação.

Mas as discussões ficam polarizadas e perdemos a capacidade de encontrar as soluções mais equilibradas e factíveis, já que não faz parte da lista de opções da humanidade deixar de se alimentar.

Como é de praxe, a pecuária foi para a berlinda. 

As pegadas hídricas estimadas colocam a criação de gado, especialmente a de corte, como líder no consumo de água. Só que é preciso considerar muitos aspectos. Água azul é aquela proveniente de fontes naturais — rios, lagos ou fontes subterrâneas. É a mais sensível entre as três classificações. Água verde tem origem no ciclo natural da água das chuvas, desde que não seja perdida por escoamento, e que alimentam o solo, o qual, por sua vez, alimenta as plantas e retorna ao ciclo hídrico. Água cinza é a necessária para remover os poluentes de um determinado sistema de produção, mais demandada em sistemas industriais e outras atividades intensivas e de transformação de produtos.

Na pecuária, o uso mais expressivo é o da água verde, aquela que naturalmente se integra ao ambiente e é transformada, via solo e planta, em energia e proteína. A PH indica que 94% do total de água consumida na produção de carne vermelha é água verde e ainda, que 98% dessa água são absorvidos através do alimento. Apenas 1,1% é água bebida. Nesse contexto, a produção a pasto é a mais equilibrada do ponto de vista do consumo de água. Neste sistema não há competição com a alimentação humana porque ninguém come capim. A água consumida via alimento se perderia via evapotranspiração das plantas caso não fosse transformada pelos ruminantes em proteína nobre. 

Já a pecuária intensiva, baseada na alimentação com grãos, acaba sendo mais produtiva sob o ponto de vista de redução de tempo de abate e da produção relativa de energia/proteína por unidade de consumo. Contudo, há nesses sistemas intensivos um aumento no uso de água azul,de forma direta ou na produção de grãos que irá alimentar o gado.

O desafio da pecuária é descobrir o boi que cresça e termine rápido a pasto, consumindo, essencialmente, água verde. Afinal, toda água doce um dia chega ao mar. Se nesse trajeto uma pecuária consciente colocar vacas, touros e bois bebendo um pouco de água para produzir eficientemente proteína nobre, isso será apenas a natureza tal como ela foi feita e somente melhorada por nós e para nós mesmos. 

Melhor encontrarmos uma pecuária otimizada, onde os bois, com seus milagrosos rumens povoados de bactérias, fungos e protozoários do bem, continuem operando de forma sustentável o milagre de transformar capim em proteína nobre para o nosso sustento.

Fonte: Assessoria

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Bovinos / Grãos / Máquinas Produção

Sustentabilidade na pecuária é um dever

Cada dia mais existem tecnologias disponíveis para se usar na pecuária, mas devemos selecionar aquelas provadas cientificamente e suportados por empresas sérias

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Artigo escrito por Nelson Ferreira Jr., zootecnista e gerente de Negócios Ruminantes LAM da ABVista

Buscando uma melhor definição para Sustentabilidade, encontramos diversas frases curtas, mas bem impactantes que podemos ficar horas discutindo e tentando achar onde e como melhor se encaixa no nosso dia a dia da produção animal, que deve ser sustentável para todos os elos do sistema, da terra ao bolso do produtor. Dentre as várias definições encontradas, escolhi colocar aqui a mais curta, mas a que mais me levou a pensar na comparação ao dia a dia de nossas fazendas: “Sustentabilidade é o desenvolvimento que não esgota os recursos para o futuro”. Essa frase traduz claramente o que queremos de nossas fazendas: uso de tecnologias e boas práticas de produção para desenvolver o negócio, de uma maneira sustentável e rentável para garantir que as próximas gerações produzam, e não explorem a terra nem os animais, por exemplo.

Sabemos que este tema ainda traz muita discussão devido a diferentes pontos de vista, seja no Brasil ou no exterior, já que nem todos valorizam o tema, por entender que se preocupar com sustentabilidade é gasto e não investimento, talvez por não pensarem na definição acima: “não esgotar os recursos para o futuro”.

E nós técnicos e/ou empresas de tecnologias, onde e como podemos ajudar? Entregando tecnologias para garantir o desenvolvimento, novamente voltando à definição anterior. Indo mais direto ao ponto, fazendo com que essas tecnologias tornem o solo, as plantas, os animais mais produtivos, longevos e lucrativos.

Sabemos que existe muita cobrança sobre o agronegócio devido a uma má fama conquistada injustamente de que “o boi e a soja desmatam a Amazônia” e por isso cada vez mais nos preocupamos em mostrar a todos que, quanto mais produtivo o sistema, mais sustentável e longevo ele é, por isso algumas pesquisas vem sendo feitas para provar o que há muito se fala, conforme mostraremos nos experimentos e levantamentos realizados globalmente.

Em 2008, pesquisadores publicaram um artigo sobre o aumento da produção de leite no impacto ambiental no qual compararam rebanhos produzindo 28,9kg de leite por dia versus rebanhos com média diária de 33,4kg de leite, com ou sem o uso de uma tecnologia que aumenta a produção de leite. Fixando-se uma meta de produção de leite, o rebanho mais produtivo seria mais eficiente em todos os parâmetros do sistema, conforme a Tabela 1:

Neste outro levantamento, os estudiosos compararam o impacto ambiental dos rebanhos leiteiros em 1944 versus 2007, para comparar o impacto ambiental de fazendas leiteiras modernas americanas com os sistemas de práticas antigas da década de 40.

A tabela 2 mostra as características dos rebanhos nas diferentes épocas estudadas

A figura 1 ilustra claramente a evolução da produção de leite nos Estados Unidos mesmo com a redução do número de animais, ajudando a entender porque animais mais produtivos são mais sustentáveis.

A Tabela 3 mostra a evolução dos índices ao longo dos anos, provando que é sustentável produzir mais leite com menos animais, já que a produção total de leite cresceu 58% mesmo com 22,5% dos animais em produção.

E como toda essa evolução é possível? Usando-se tecnologias e ciência em função dos animais visando manter todos os elos do sistema produtivo saudáveis a longo prazo.

Cada dia mais existem tecnologias disponíveis para se usar na pecuária, mas devemos selecionar aquelas provadas cientificamente e suportados por empresas sérias. Com isso o produtor fará sua parte também e vai contribuir para diminuir a pegada de carbono (emissão de CO2) e todos os parâmetros necessários para garantir que as gerações futuras possam usufruir de um planeta saudável.

Outras notícias você encontra na edição de Bovinos, Grãos e Máquinas de março/abril de 2021 ou online.

Fonte: O Presente Rural
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Bovinos / Grãos / Máquinas Saúde Animal

Terapia de vaca seca é a principal estratégia no controle de mastite

Prática tem objetivo de promover descanso do úbere, necessário para intensificar regeneração e formação de alvéolos, preparando-o para nova lactação

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Artigo escrito por Hanna Caroline Prochno, médica veterinária na J.A Saúde Animal

O período seco das vacas é o período entre duas lactações, compreendido entre a secagem (interrupção da extração de leite) e o parto seguinte. É uma necessidade fisiológica da vaca leiteira e tem relação direta com a saúde do úbere, com a produção de leite da próxima lactação e com o risco de doenças no pós-parto. A secagem da vaca deve ocorrer 60 dias antes do parto. Esta prática tem o objetivo de promover o descanso do úbere, necessário para intensificar a regeneração e formação de alvéolos (unidades secretoras do leite), preparando-o para a nova lactação.

Durante o período seco, a glândula mamária passa por três fases distintas: involução ativa, involução completa e lactogênese ou colostrogênese. Na primeira fase ocorre a involução do parênquima, que começa um ou dois dias depois da secagem e vai até a completa involução da glândula mamária (cerca de 21 dias após a secagem). Durante esta fase, a glândula fica vulnerável a uma nova infecção intramamária principalmente por três fatores: ainda não ocorreu a formação do tampão de queratina natural que funciona como uma barreira física no canal do teto protegendo contra novas infecções; ainda há síntese de leite pelas células secretoras da glândula mamária (continua por 2 a 3 dias após a secagem) e este leite residual, além de aumentar a pressão intramamária, pode se tornar meio de cultura para as bactérias que estão presentes no úbere no momento da secagem, em vacas que apresentam mastite subclínica; e por último, níveis séricos de cortisol podem estar aumentados devido ao estresse causado pela interrupção da rotina de ordenha, levando a uma diminuição da imunidade da vaca e a tornando suscetível a uma nova infecção.

A segunda fase, de involução completa, é considerada um período de baixo risco para novas infecções, pois o tampão de queratina já foi completamente estruturado no teto, e as células secretoras sofreram involução. As novas infecções neste período são geralmente raras e, quando ocorrem, muitas vezes são eliminadas espontaneamente. Esta fase se inicia cerca de 21 dias após a secagem e se estende até quando ocorre o reinício da síntese de colostro antes do parto (14-21 dias).

Por fim, temos a fase da lactogênese e colostrogênese, que está inserida no período do periparto, normalmente nos últimos dias pré-parto. Nesta última fase, tal como na primeira fase, haverá uma maior suscetibilidade a novas infecções por agentes ambientais, pois reinicia uma nova proliferação celular para síntese do colostro devido a uma ativação hormonal, causando novamente aumento da pressão intramamária. Além disso, a vaca se encontra no período de transição, podendo estar em balanço energético negativo. Nesta fase ocorrem importantes mudanças nutricionais, imunes e metabólicas que causam redução de até 30% na ingestão de matéria seca, causando supressão do sistema imune com consequentes ocorrências de enfermidades.

Aproximadamente 60% das mastites clínicas durante os 100 primeiros dias de lactação estão associadas com infecções que se iniciam durante o período seco. Pode-se estimar que no primeiro mês de lactação todos os casos de mastite clínica estão associados com o período seco, enquanto que no restante da lactação a origem dos casos clínicos é de novas infecções durante a lactação.

Por outro lado, o período seco é uma ótima oportunidade para eliminar infecções subclínicas já presentes. O objetivo principal do controle de mastite no período seco é reduzir as infecções intramamárias para otimizar a produção de leite na próxima lactação, visto que a mastite subclínica é a principal responsável pela queda de produção.

A terapia de vaca seca é a principal estratégia para controle da mastite durante o período seco. Este procedimento é realizado pela introdução intramamária de antibiótico de longa ação após a última ordenha. A antibioticoterapia no período seco possui vantagens como o aumento da taxa de sucesso terapêutico se comparado à obtida quando é feito durante a lactação, a utilização de doses mais elevadas de antibióticos, menores perdas com o leite descartado, e o fato de permitir o tratamento de infeções não reconhecíveis, sendo que caso o tratamento seja bem-sucedido, o tecido mamário tem tempo para recuperar antes da próxima lactação.

Características dos antibióticos

As características dos antibióticos que indicam potencial de cura de mastite na secagem são tempo de ação, a concentração e a persistência do produto. Produtos para secagem devem ter tempo prolongado de ação e boa difusão no úbere. Devem também apresentar concentração suficiente para eliminar e prevenir patógenos causadores de mastite, com liberação lenta e que persista durante a maior parte do período seco. Um dos princípios mais utilizados devido a sua alta taxa de eficácia é a Cloxacilina Benzatina, um antimicrobiano de longa ação da classe dos Beta Lactâmicos. As penicilinas anti-estafilocócicas, como a cloxacilina, são resistentes à penicilinase produzida por Staphylococcus aureus, sendo assim indicadas no tratamento deste agente patogênico, bem como de outros estafilococos e estreptococos.

Além da função curativa, o manejo de secagem é essencial para a prevenção de novas infecções de origem ambiental realizado pela introdução do selante no canal do teto. Os selantes de tetos são estratégias preventivas, cuja função é bloquear fisicamente a comunicação entre o ambiente externo e o interior da glândula mamária. Os selantes imitam a função do tampão natural de queratina formado fisiologicamente no canal do teto em até duas semanas após a secagem, porém apenas 50% dos tetos formam o tampão de queratina na primeira semana após a secagem.

A terapia de vaca seca é essencial no controle de mastite, pois elimina em média 80% das infecções existentes e previne até 80% das novas infecções intramamárias durante o período seco. A associação de antibioticoterapia intramamária em conjunto com o selante de teto é a melhor estratégia para tratamento de infecções existentes e prevenção de novas infecções no rebanho.

Outras notícias você encontra na edição de Bovinos, Grãos e Máquinas de março/abril de 2021 ou online.

Fonte: O Presente Rural
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Bovinos / Grãos / Máquinas Pecuária

Como fazer uma desmama eficiente

O desmame pode ser realizado de formas diferentes, de acordo com as intenções do pecuarista

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Artigo escrito por João Paulo Lollato, médico veterinário e coordenador de Serviços Técnicos da Biogénesis Bagó; e Reuel Luiz Gonçalves, médico veterinário e gerente de Serviços Técnicos da Biogénesis Bagó

O índice zootécnico Taxa de Desmama é um excelente indicador para se avaliar uma fazenda de cria ou ciclo completo. Este índice consiste na relação entre o número de bezerros desmamados dividido pelo número de vacas expostas dentro de um determinado período pecuário. Alguns indicadores mais produtivos relatam que esta relação pode chegar a 79,1%. Este índice leva em consideração as perdas gestacionais e também a mortalidade de bezerros dentro do mesmo período avaliado.

A desmama se caracteriza pela retirada do bezerro do contato com a vaca. Tradicionalmente, realiza-se este manejo entre o 7º e 9º mês de idade. Nessa época, o animal já é um ruminante e tem plena condição de utilizar forragem sólida como única fonte de energia e de nutrientes de que necessita. Além do mais, a participação do leite na dieta do bezerro é pequena após o terceiro mês de lactação.

O desmame pode ser realizado de formas diferentes, de acordo com as intenções do pecuarista. Além disso, pode ocorrer em momentos distintos da vida do bezerro, dependendo do manejo realizado em cada propriedade. No entanto, para que esse período não seja crítico e/ou acarrete perdas, é preciso um planejamento com antecedência. Só assim, haverá uma desmama com eficiência e com bezerros que atinjam bom peso.

Para isso, é fundamental adotar um programa sanitário e aliá-lo ao programa de desmama, dando início neste protocolo antes do nascimento do bezerro. Um dos problemas recorrentes durante a fase de aleitamento e que pode influenciar no seu desenvolvimento, por exemplo, são as diarreias neonatais. Para se evitar essa enfermidade, a indicação é para que se faça uma vacinação preventiva na vaca com 60 e 30 dias antes do parto, contra Escherichia coli e Rotavírus (G6 e G10). Essa medida ajudará a baixar os índices de diarreia neonatal nos primeiros 35 dias de vida do bezerro, além de promover um excelente desenvolvimento, garantindo um bezerro mais sadio e, consequentemente, com melhor peso até a desmama.

No nascimento temos a etapa da cura do umbigo, quando se deve utilizar no manejo iodo 10% (“queima” do umbigo), uso de um repelente mosquicida, além de ser recomendada a aplicação de doramectina 1,1% para prevenir a instalação de uma miíase.

Entre 60-90 dias o produtor deve se atentar à prevenção efetiva contra doenças que podem prejudicar ou causar a mortalidade em bovinos. Esse é o momento de vacinar contra a clostridiose (indicada uma com 8 cepas + a cepa de E. coli J5) e, caso a região seja endêmica para a raiva, é fundamental fazer a aplicação da vacina antirrábica, com reforço 30 dias depois da primeira dose (simples, não conjugado). Ainda entre os três e oito meses, as fêmeas devem receber vacina B19 contra a brucelose, uma doença que, além de prejuízos econômicos na propriedade, é uma zoonose e possui controle oficial.

O produtor pode aproveitar esse manejo, com 90-120 dias, para desverminar o animal com vermífugo concentrado. Caso seja uma época chuvosa, em que há o desafio de combater os endo e ectoparasitas, há a indicação de ministrar a Ivermectina concentrada (3,15%), que atua com longa ação. Caso seja na época da seca, com apenas o desafio de combater os parasitas internos, pode-se ter como aliado o fosfato de levamisol concentrado (23,63%).

Um ponto importante que temos observado é que a suplementação com minerais injetáveis, à base de Cobre e Zinco orgânicos, nessa fase auxilia de forma efetiva para o desenvolvimento dos animais, influenciando positivamente na imunidade.

Após esse primeiro manejo, de dose e reforço das vacinações, já por volta dos sete/nove meses preferencialmente antes da desmama, a orientação é que seja realizada uma terceira dose das vacinações contra clostridiose (com 8 cepas + cepa de E. coli J5 para prevenção de diarreias), vacina antirrábica e novamente a aplicação de vermífugo de longa ação. Isso porque caso esse animal seja encaminhado a um manejo de recria, poderá ficar até quatro meses sem ter que voltar para um manejo de curral. Neste momento também é indicada novamente a aplicação da suplementação injetável (Zinco e Cobre orgânicos), que auxiliará na imunidade e minimizará o estresse que esse animal passará no período da desmama.

Protocolo sugerido – nascimento a desmama

  • Adultos*

– Anualmente: vacina clostridial + vacina antirrábica

– Sessenta dias pré-parto: Vacina para prevenção da Diarreia Neonatal

– Trinta dias pré-parto fazer reforço da vacina para prevenção da Diarreia Neonatal e um vermífugo à base de fosfato de levamisol concentrado (23,63g)

  • Bezerros (AS)*

– Nascimento: “Queima do umbigo com Iodo 5% ou 10% + Doramectina 1,1% + Repelente

– Noventa dias de nascido: Vacina Clostridial com 8 cepas + E. coli J5 + Vacina antirrábica + Vacina prevenção Botulismo + Doramectina 1,11% ou Ivermectina 1,13% LA + Suplementação Injetável com Zinco e Cobre orgânicos

– Cento e vinte dias de nascimento: Ivermectina 3,15% LA + reforço vacina clostrial + reforço vacina antirrábica + reforço vacina antibotulínica + suplemento mineral injetável

– Desmama: Nova dose da vacina clostridial + nova dose vacina antirrábica + suplemento mineral injetável e ivermectina 3,15% LA

*Bezerros e bezerras filhos de mães não vacinadas, iniciar a vacinação no D60 e reforço no D90. Depois refazer na desmama e anualmente.

Cuidados com a vaca

Caso a vaca não tenha sido imunizada e o bezerro apresente diarreia nos primeiros meses de nascimento, é necessário intervir com tratamento, além de identificar o agente causador para tomar as medidas necessárias de prevenção. A indicação nesta situação é o uso imediato de antibióticos. Nesse sentido, indicamos o Florfenicol 30% devido à sua praticidade de aplicação em dose única subcutânea, bem como a utilização de suplementação oral com probióticos e prebióticos.

Na prática, o produtor de gado de corte processa a desmama visando principalmente a vaca, a fim de que ela possa recuperar a condição corporal para parir bem e poder emprenhar logo, considerando que uma vaca produtiva e rentável é aquela que fornece para a fazenda um bezerro por ano.

Durante o período de desmama, o animal em desenvolvimento tem de fazer a transição de um estado de completa dependência dos cuidados maternos para um de independência. Num sentido amplo, desmama envolve todo um complexo aparato de mudanças comportamentais, nutricionais, morfológicas, fisiológicas e metabólicas, que constituem a transição para uma existência adulta independente.

Dessa forma, para os animais nascidos entre agosto e novembro, provenientes da estação de monta de novembro a fevereiro, recomendada pela Embrapa-CNPGC para o Brasil Central, a desmama tradicional deve ocorrer em duas etapas, nos meses de fevereiro e abril, mais tardar maio.

Separação

Uma alternativa para amenizar o estresse da separação é a introdução de animais adultos junto com os recém-desmamados, o chamado “amadrinhamento”, que tem a função de acalmar esses bezerros. Se possível, os bezerros devem ser desmamados tirando-se as mães do piquete de desmama, de forma que eles permaneçam em ambiente conhecido.

Após a separação, os bezerros devem permanecer em pastagens adequadas (forrageiras de alto valor nutritivo, de pequeno porte e alta densidade), com acesso a água e minerais de excelente qualidade. Observações realizadas na Embrapa-CNPGC com mães e crias desmamadas e separadas em pastos adjacentes demonstraram maior tranquilidade, tanto para as vacas quanto para os bezerros, desde os primeiros dias. Entretanto, tal separação exige a construção de cercas apropriadas que evitem possíveis mamadas. Existe uma crença de que para facilitar o manejo, deixar as crias no mangueiro por quatro a sete dias após a desmama pode ser prático, porém mesmo fornecendo água, ração no cocho e capim fresco à vontade, o estresse para este momento é ainda maior.

Em um sistema de produção de bovinos de corte, a taxa de desmama e a relação de desmama, que consiste no peso do bezerro desmamado dividido pelo peso da vaca que o desmamou, possuem grande influência sobre a eficiência do processo de criação. Quanto mais pesado desmamar este bezerro, menor será seu tempo até o abate, reduzindo sua permanência na propriedade caso seja de ciclo completo, ou maior será seu valor quando este animal for vendido.

Creep-Feeding

Uma das formas de aumentar o ganho de peso na desmama é por meio do fornecimento de alimentos direcionados para os bezerros, método chamado “creep-feeding”, isto é, fornecimento de ração através do uso de um cocho privativo, geralmente anexo ao cocho de mineral das matrizes, porém com acesso restrito aos bezerros. O “creep-feeding”, além de proporcionar uma excelente resposta em ganho de peso, ajuda a tornar o bezerro menos dependente da mãe, diminuindo o número de mamadas e minimizando os fatores de estresse no momento da desmama. Outro ponto importante é que a vaca sofre menos com o bezerro consumindo esta ração, o que melhora sua condição corporal, possibilitando um rápido retorno ao cio e consequente aumento da taxa de prenhez.

As desmamas são classificadas da seguinte forma:

Desmama Tradicional – Prática que depende da condição corporal da vaca e da disponibilidade de forragens e suplementação alimentar de boa qualidade. É comum em gado de corte, sendo realizada entre 7-9 meses. Pode ser antecipada ou adiada e aconselha-se o uso de suplementos ao bezerro. Este manejo também pode ser relacionado aos meses de maior valor do bezerro no mercado, avaliação regional ou local.

Desmama temporária ou interrompida – Para a melhoria da fertilidade de rebanhos de corte, utiliza-se a remoção temporária do bezerro, que consiste em separar a cria da vaca por um período de 48 a 72 horas, a partir de 40 dias pós-parto. Dependendo da condição corpórea da vaca, essa prática pode provocar o aparecimento do cio, podendo aumentar a taxa de concepção das genitoras em até 30%. Este manejo atualmente é pouco usado devido a outras tecnologias que vêm sendo utilizadas com os manejos de IATF, como o uso da eCG, entre outros. Favorece uma desmama precoce.

Desmame com amamentação controlada – Este tipo de desmame preconiza a diminuição da amamentação, com considerável aumento sobre a taxa de prenhez. Além de poupar a mãe de frequentes mamadas, esse processo vai acostumando o bezerro para a desmama definitiva. A amamentação controlada consiste em permitir a permanência do bezerro com a mãe durante dois curtos períodos do dia, entre 6 e 8 horas e das 16 às 18 horas, a partir do 30º dia de vida. Esse sistema exige muita mão de obra e também era utilizado como um método de desmama temporária. Favorece uma desmama precoce.

Desmama Precoce – Essa prática consiste em separar o bezerro, definitivamente, bem mais cedo, aos 90-120 dias de vida. É recomendada para períodos de escassez de forragem e tem a finalidade de reduzir o estresse da amamentação e os requerimentos nutricionais da vaca, permitindo que recuperem seu estado corporal e manifestem o cio. Em se tratando de novilhas de primeira cria, cujo desenvolvimento ainda é incompleto, a desmama precoce pode ser uma boa opção, principalmente em anos com secas prolongadas. Para a maior eficiência do sistema, entretanto, é preciso que esta prática ocorra dentro da estação de monta, possibilitando a re-concepção imediata. Assim sendo, para a estação de monta anteriormente citada (novembro a janeiro), ocorreriam duas desmamas: em novembro e em janeiro.

Para que não ocorram problemas, recomenda-se:

a) desmama de bezerros com peso superior a 90 kg;

b) desmama em época adequada (para o Brasil Central: novembro a janeiro);

c) pastos diferenciados para animais desmamados precocemente;

d) suplementação com ração concentrada até 5-6 meses de idade;

e) uso de “creep-feeding” ou “creep-grazing” na fase pré-desmama.

Desmame com uso de tabuleta – Este tipo de desmame causa menos estresse comparado ao desmame tradicional, visto que não ocorre separação entre vaca e bezerro. Para isso é utilizado um dispositivo instalado na narina dos bezerros, impedindo que o mesmo efetue a mamada. Resultados de pesquisas mostram que não há diferença no desempenho dos bezerros desmamados com esta técnica comparados com o desmame tradicional, mas existe um grande benefício para a vaca em termos de melhoria na condição corporal.

Existem alguns fatores que podem influenciar no peso ao desmame, dentre os quais a época de nascimento, idade das mães ao parto e a região do nascimento do bezerro. O Efeito de Mês de Nascimento apresenta grande influência, pois está, de certo modo, associado às condições climáticas, que afetam de forma direta ou indireta as funções do organismo animal, gerando flutuações na quantidade e qualidade de alimentos e na incidência de enfermidades, influenciando o crescimento animal. Pesquisadores relataram um ganho do nascimento a desmama dos animais nascidos na primavera 15,6% maior que dos animais nascidos no outono. Com estes resultados, concluíram que para a produção de bezerros a parição de primavera é a mais recomendável.

Outro fator com alta influência no peso ao desmame é a idade da vaca ao parto e/ou ordem de parição, pois está intimamente ligada ao desenvolvimento do bezerro no período pré-desmama. Isto é uma consequência da habilidade materna, principalmente a produção de leite e a qualidade de colostro produzido pela mãe. Como regra geral, as vacas de primeira cria desmamam bezerros 10 a 15% mais leves em relação às vacas adultas. A partir das novilhas, o peso dos bezerros à desmama vai aumentando com a idade da mãe até alcançar um pico máximo entre 5 e 10 anos, depois do qual os pesos à desmama voltam a decrescer.

Influência do ambiente

O Brasil com sua grande extensão territorial apresenta uma grande variação de ambientes, os quais influenciam diretamente a produção de alimentos e o desempenho dos animais para as características de valor econômico do rebanho bovino brasileiro. As diferenças dos efeitos de meio sobre o peso ao desmame entre as regiões provavelmente possuem como causa, além dos fatores naturais como pluviosidade, clima, topografia e qualidade do solo, também as diferenças quanto ao sistema de produção, nível de tecnologia e tipo racial do rebanho bovino.

A Figura abaixo representa as curvas dos valores de peso predito a desmama (PDM) para as quatro regiões.

Figura – Peso ao Desmame Predito (PDM) de acordo com o mês de nascimento do bezerro, nas quatro regiões estudadas (2004).

Pesquisadores trabalhando com animais Aberdeen Angus no Rio Grande do Sul agruparam os animais em duas épocas de nascimento: outono (de fevereiro a junho, com 15% dos nascimentos) e a primavera (de julho a janeiro, com 85% dos nascimentos). Observaram que animais nascidos na primavera foram 12,9% mais pesados a desmama do que os animais nascidos no outono. De acordo com o trabalho “Idade da vaca e mês de nascimento sobre o peso ao desmame de bezerros nelores nas diferentes regiões brasileiras”, para a região Sul, este valor foi de 6,8%.

Portanto, o sucesso da desmama começa com um ótimo programa nutricional das vacas e bezerros, suplementação mineral e vitamínica em conjunto com um programa vacinal e antiparasitário completo para que, devido ao estresse da desmama, o animal não apresente queda imunitária e manifestação de doenças, tendo assim uma ótima desmama.

Outras notícias você encontra na edição de Bovinos, Grãos e Máquinas de março/abril de 2021 ou online.

Fonte: O Presente Rural
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Dia Estadual do Porco – ACSURS

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