Suínos
Quando o equilíbrio se rompe: entendendo a disbiose intestinal e o dano estrutural em leitões desmamados
Estratégias nutricionais inovadoras mostram como proteger o intestino, reduzir diarreia e preservar o desempenho dos leitões no período crítico pós-desmame.

Artigo escrito por Jesus Acosta, Ph.D, gerente de Pesquisa em Suínos da Novus Global.
Desmamar não é apenas uma mudança logística na produção suína. É um estressor biológico que perturba profundamente o equilíbrio gastrointestinal dos leitões. Nutricionistas sabem que o período pós‑desmame pode ser um ponto de virada para o desempenho futuro.
Compreender o que acontece em nível intestinal é essencial para criar programas que promovam a saúde e a produtividade dos leitões. No cerne desse desafio estão três grandes perturbações fisiológicas: disbiose intestinal, atrofia de vilos e comprometimento da função da barreira intestinal.
A Mudança Microbiana: Disbiose Intestinal
O microbioma do leitão é fundamentalmente moldado pela mãe, sendo ela a principal fonte de colonização e desenvolvimento microbiano inicial. No entanto, após o desmame, ocorre uma mudança brusca. A introdução de ração sólida, perda dos anticorpos maternos e novos estressores ambientais frequentemente causam redução acentuada de microrganismos comensais e aumento de patógenos oportunistas, especialmente E. coli. Esse desequilíbrio microbiano, conhecido como disbiose, é um fator central em diarreia pós‑desmame, redução da eficiência alimentar e inflamação.
Colapso Estrutural: Atrofia de Vilos
O desmame e a disbiose preparam o segundo grande problema: a atrofia dos vilos. Os vilos intestinais, responsáveis pela absorção de nutrientes, diminuem de tamanho enquanto os criptos se aprofundam, em uma tentativa rápida de substituir o epitélio danificado, porém com menor funcionalidade.
Essa mudança na relação vilus:cripta reduz a superfície absorvente eficaz do intestino, prejudicando a capacidade de o leitão utilizar bem a ração e resultando em crescimento ruim, pior conversão alimentar e diarreia.
Intestino Permeável: Falha na Função da Barreira
Finalmente, surge o chamado “intestino permeável” – quando a inflamação aumenta e as junções entre as células intestinais (enterócitos) ficam mais frouxas, permitindo que bactérias e toxinas entrem na circulação. O resultado? Resposta inflamatória intensa, diarreia e energia desviada do crescimento para a defesa imunológica. Este efeito cascata agrava a ineficiência alimentar e pode elevar o uso de medicamentos, impactando negativamente a rentabilidade do sistema produtivo.
O Papel da Nutrição
Felizmente, esses problemas são evitáveis. Estratégias nutricionais inteligentes podem mitigar o estresse pós‑desmame:
* Assegurar leitões mais saudáveis ou reduzir o estresse no desmame é o primeiro passo
* Em estudos com óxido de zinco farmacológico e ácido benzóico protegido, leitões desafiados com E. coli F18 apresentaram tendência a menos diarreia e peso final semelhante aos não desafiados, sugerindo recuperação do desempenho
* Em leitões submetidos a desafio com E. coli, os alimentados com ácido benzóico protegido mantiveram níveis de IL‑10 (marcador anti‑inflamatório) comparáveis aos não desafiados, indicando recuperação do estado imunológico
* O ácido benzóico, especialmente em versão protegida, combate bactérias patogênicas ao ser liberado gradualmente pelo intestino, onde mais se proliferam.
Com sinais de alerta precoces e programas dietéticos bem fundamentados, produtores e nutricionistas podem estabilizar o microbioma, proteger a estrutura intestinal e sustentar a prontidão imunológica dos leitões, mostrando como soluções nutricionais inteligentes fazem diferença no desempenho.
O Que a Nutrição Pode Fazer
Como em qualquer desafio, nutricionistas e produtores podem aplicar práticas de manejo para reduzir o estresse pós-desmame. Um primeiro passo essencial é começar com leitões mais saudáveis. Manter um bom status sanitário tanto nas matrizes quanto nas instalações de creche é fundamental. A nutrição também desempenha papel-chave nesse processo de transição.
Em estudo recente com óxido de zinco farmacológico adicionado a todas as dietas, simulando as condições de produção leitões suplementados com uma dieta-controle desafiada com E. coli F18 e ácido benzóico protegido apresentaram tendência à redução da diarreia em comparação a grupo controle desafiado e ao grupo alimentado com ácido benzóico livre. Além disso, o peso corporal final dos leitões alimentados com ácido benzóico protegido foi numericamente semelhante ao dos leitões não desafiados com E. coli F18, indicando possível recuperação do desempenho de crescimento.
No mesmo estudo, os leitões desafiados e alimentados com ácido benzóico protegido apresentaram níveis de interleucina-10 (IL-10, um marcador anti-inflamatório) próximos aos dos leitões não desafiados, em comparação com os leitões desafiados alimentados com ácido benzóico livre. Isso sugere que os animais alimentados com ácido benzoico protegido se recuperaram do desafio com E. coli F18.
O setor reconhece que o ácido benzóico é altamente eficaz contra bactérias patogênicas, sendo ele protegido, potencializa essa eficácia ao oferecer liberação controlada ao longo do trato intestinal – exatamente onde os patógenos mais relevantes na fase pós-desmame se proliferam.
Embora essas disfunções intestinais possam parecer inevitáveis na fase de creche, elas não precisam ser. Com estratégias proativas de saúde intestinal, que incluam soluções nutricionais baseadas em ciência, produtores e nutricionistas podem identificar sinais de alerta precocemente e aplicar programas dietéticos que estabilizem a microbiota, protejam a arquitetura intestinal e sustentem a prontidão imunológica.
Esse é um exemplo claro de como soluções inteligentes em nutrição ajudam o intestino a limitar patógenos como E. coli e fazem a diferença no desempenho geral dos leitões.
Referências bibliográficas: elizabeth.davis@novusint.com
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Suínos
Mato Grosso consolida protagonismo na suinocultura com recordes de exportação em 2025
Estado acompanha desempenho histórico do Brasil, amplia presença em mercados internacionais e reforça sua força produtiva mesmo sem expansão do plantel.

O ano de 2025 foi marcado por resultados expressivos para a suinocultura brasileira, impulsionados principalmente pelos recordes de exportação alcançados pelo país. Mato Grosso acompanha esse desempenho positivo e registra números históricos tanto em exportações quanto em abates, evidenciando a força de recuperação da atividade após os desafios enfrentados em 2022 e 2023.
Um dos marcos mais relevantes de 2025 foi o reconhecimento do Brasil como zona livre de febre aftosa sem vacinação. A conquista amplia as expectativas de abertura de novos mercados e reforça o trabalho sério e contínuo realizado pelo país, especialmente por Mato Grosso, na manutenção de um elevado status sanitário.
Outro destaque do ano foi a mudança no perfil dos compradores da carne suína brasileira. Tradicionalmente lideradas por China e Hong Kong, as exportações passaram a contar com maior protagonismo das Filipinas, além do fortalecimento de mercados exigentes como Japão, México e outros países.

Presidente da Associação dos Criadores de Suínos de Mato Grosso (Acrismat), Frederico Tannure Filho: “Mesmo com o crescimento das exportações, o mercado interno não enfrentou desabastecimento. A produção seguiu equilibrada e acompanhou a expansão da demanda externa”
Segundo a Confederação Nacional da Agricultura (CNA), a produção nacional deve atingir 5,47 milhões de toneladas em 2025, alta de 2,0% em relação a 2024.
Mesmo com a expansão da oferta, os preços pagos ao produtor reagiram positivamente. Dados do Cepea mostram que, até o terceiro trimestre, as cotações ao produtor independente subiram 10,8% na comparação anual, sustentadas pela boa demanda.
No acumulado de janeiro a novembro, as exportações brasileiras de carne suína cresceram 10,8%, superando o volume de 2024 — que já havia sido um ano recorde. As Filipinas consolidaram-se como o principal destino, representando 24,5% da receita, seguidas por Japão, China e Chile.
De acordo com os dados compilados pelo Data Hub da Secretaria de Estado de Desenvolvimento Econômico (Sedec), as exportações de carne suína passaram de US$ 59,97 milhões entre janeiro e novembro de 2024 para US$ 68,55 milhões no mesmo intervalo de 2025. O setor manteve crescimento impulsionado pela ampliação de mercados compradores, sobretudo na Ásia.
“Mesmo com o crescimento das exportações, o mercado interno não enfrentou desabastecimento. A produção seguiu equilibrada e acompanhou a expansão da demanda externa. O cenário demonstra a capacidade produtiva do país: sempre que desafiado, o produtor brasileiro responde com eficiência, qualidade e volume, garantindo o atendimento dos mercados interno e internacional”, pontua o presidente da Associação dos Criadores de Suínos de Mato Grosso (Acrismat), Frederico Tannure Filho.
Para 2026, o principal ponto de atenção do setor está relacionado aos custos de produção. O plantio da safra 2025/2026 ocorre de forma atrasada em função de problemas climáticos e da falta de chuvas, o que gera preocupação quanto à safrinha de milho no Centro-Oeste. O risco de menor produtividade e qualidade do grão acende um alerta, já que o milho representa um dos principais componentes do custo da suinocultura.
“Diante desse cenário, a orientação é para que os produtores estejam preparados para enfrentar possíveis elevações nos custos ao longo do ano. No mercado, a expectativa é de estabilidade tanto nos preços do suíno quanto no consumo interno e nas exportações, que devem permanecer firmes. Assim, o ambiente comercial tende a ser equilibrado, embora com atenção redobrada aos impactos dos custos de produção”, ressalta, Tannure.
Em Mato Grosso, mesmo sem crescimento significativo do plantel, a produção estadual continua em expansão, acompanhando a demanda e evitando desabastecimento. O desempenho reforça a resiliência e a força do produtor mato-grossense.
Suínos
Mercado do suíno inicia janeiro com variações moderadas
Cotações do suíno vivo registram altas e quedas pontuais entre estados, sem movimentos bruscos, segundo o Cepea.

Os preços do suíno vivo apresentaram comportamento misto nesta segunda-feira (05), conforme o Indicador do Suíno Vivo Cepea/Esalq. Entre os principais estados produtores, as variações diárias foram moderadas, refletindo ajustes pontuais do mercado no início de janeiro.
Em Minas Gerais, na modalidade posto, o suíno foi cotado a R$ 8,44/kg, com queda de 0,24% no dia e leve alta acumulada de 0,12% no mês. No Paraná, na modalidade a retirar, o preço subiu 0,36% frente ao dia anterior, alcançando R$ 8,26/kg, embora ainda acumule recuo de 0,12% em janeiro.
No Rio Grande do Sul, a cotação recuou 0,60% no dia, para R$ 8,24/kg, registrando também a maior queda mensal entre os estados acompanhados, com baixa acumulada de 0,72%. Em Santa Catarina, o preço ficou em R$ 8,32/kg, com retração diária de 0,12% e queda de 0,36% no acumulado do mês.
Já em São Paulo, na modalidade posto, o suíno vivo foi negociado a R$ 8,91/kg, com recuo de 0,45% no dia e estabilidade no resultado mensal até o momento. Segundo o Cepea, o cenário indica um mercado ainda ajustando oferta e demanda no início do ano, sem movimentos bruscos nas cotações.
Suínos
Suinocultura projeta 2026 com exportações em alta e margens sustentadas
Com demanda externa aquecida, preços firmes no mercado interno e crescimento moderado da produção, o setor deve ampliar embarques e manter rentabilidade ao produtor, segundo projeções do Cepea.

Após o bom desempenho registrado em 2025, a suinocultura brasileira mantém projeções otimistas para 2026. A ampliação da demanda externa somada ao crescimento moderado da produção e à manutenção de preços firmes devem assegurar margens atrativas ao longo do ciclo.
Cálculos do Cepea indicam cerca de 1,44 milhão de toneladas de carne suína embarcadas no próximo ano, o que representaria um crescimento de 6,3% sobre 2025.
Esses números podem, inclusive, melhorar a posição do Brasil no ranking dos maiores exportadores mundiais da proteína, desde 2023, o País ocupa o 3º lugar, conforme dados do USDA.

Foto: O Presente Rural
Segundo pesquisadores do Cepea, a expectativa é de abertura e consolidação de novos mercados, além da expansão do valor total exportado. Entre os parceiros comerciais do Brasil, as Filipinas devem continuar sendo o principal, adquirindo 7% a mais da carne suína nacional em 2026.
Já para a China, o 2º maior destino, o total embarcado deve seguir em queda, dada a demanda decrescente do país nos últimos anos – entre 2021 e a parcial de 2025, o total enviado ao país caiu mais de 70%.
Nas Américas, o México deve continuar ampliando a demanda por carne brasileira. No mercado doméstico, os preços podem seguir em patamares elevados no próximo ano. Ao mesmo tempo, estimativas do Cepea apontam que a dinâmica de menor volatilidade deve ser mantida – em 2025, as cotações permaneceram praticamente estáveis em algumas praças por quatro ou até seis semanas ininterruptas.
A expectativa de preços firmes se sustenta na continuidade da demanda aquecida. Segundo a ABPA, o consumo per capita da proteína suinícola é projetada em 19,5 quilos em 2026, incremento de 2,5% frente ao ano anterior.
Do lado da produção de carne suína, o Cepea estima aumento de 4%, chegando a 5,88 milhões de toneladas. Assim como em 2025, o Cepea projeta um bom ano ao produtor, favorecido pelos preços firmes do animal.



