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Avicultura Agronegócio 4.0

Qualificação profissional e conectividade são desafios, mas avicultura brasileira é protagonista mundial ao adotar tecnologias

O 4.0 já é uma realidade há algum tempo no agronegócio. As tecnologias disponíveis, e que continuam sendo criadas diariamente, auxiliam toda a cadeia produtiva, desde o produtor rural até a agroindústria.

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Divulgação/OP Rural

O 4.0 já é uma realidade há algum tempo no agronegócio. As tecnologias disponíveis, e que continuam sendo criadas diariamente, auxiliam toda a cadeia produtiva, desde o produtor rural até a agroindústria. Porém, com tantas novidades chegando, algumas dúvidas podem surgir: o setor está preparado? Há pessoal capacitado para lidar com isso? É possível acompanhar tudo e saber o que usar? E o pior: a propriedade tem acesso à internet? Para sanar estas e outras dúvidas, a reportagem de O Presente Rural conversou com o presidente da Associação Catarinense de Avicultura (Acav) e diretor do Sindicato das Indústrias da Carne e Derivados no Estado de Santa Catarina (Sindicarne), José Antônio Ribas Júnior.

Para Ribas, a grande pegada quando o assunto são estas tecnologias é a importância das pessoas no processo. “Nós precisamos desenvolver pessoas, porque a tecnologia está andando muito rápido e quem serão os profissionais que vão trabalhar com essa tecnologia. Ainda é um grande desafio desenvolver produtores, transportadores, operadores de granja, de transporte das aves, de ração, de incubatório, de produção. Temos o trabalho de desenvolver não somente o produtor, mas a assistência técnica, veterinários, técnicos, agrônomos, zootecnistas, desenvolver todas essa cadeia de pessoas conectadas a avicultura”, sustenta.

O Presente Rural – São muitas as novas tecnologias que estão surgindo para o agronegócio nos últimos anos. Como a agroindústria está absorvendo todas estas novidades?

José Antônio Ribas Júnior – O novo Vale do Silício do mundo é o agronegócio brasileiro, está acontecendo um movimento extraordinariamente grande, um movimento qualificado e competente de criar soluções tecnológicas para muitas questões dentro do agronegócio. Na atividade de aves e suínos, esse movimento vem sendo ampliado de maneira significativa em inúmeras frentes. O grande drive de absorção de todas as oportunidades tecnológicas que abrem um link de possibilidades que talvez a gente nem tenha a dimensão de entender ainda, porque abre um novo universo de possibilidades, é de analises de dados, de geração de conhecimento, de interrelação de variáveis, de possibilidades de gerar informação, de ler coisas que hoje o olho humano não lê, de conseguir ter a sensibilidade de temas que dependem muito de gente e que você possa tirar isso desse obstáculo é muito grande.

Então como o setor vai pensar e absorver tudo isso? Fundamentalmente é uma eleição de tecnologias que geram resultado, porque a tecnologia em si só não tem fim, ela precisa ser uma tecnologia que gere resultado e esse resultado pode ser desde uma melhoria de qualidade, pode ser uma melhoria de possibilidade de trabalho, de posto de trabalho, pode ser uma redução de custo, uma agregação de valor. Tem vários drives, mas a grande resposta é: o que vai estabelecer que tecnologias que ficam em pé e tecnologias que serão descartáveis é realmente qual resultado que ela gera. E isso todos os fornecedores de tecnologia precisam ter muito claro. Vender tecnologia por si só não muda nada. É muito bonito eu ver coisas na tela do meu celular, eu ter uma inteligência artificial gerando ajustes, fazendo algumas leituras. Mas se isso não gera algum valor agregado, alguma melhoria de resultado, seja na granja desde que for aumentar a eficiência, aumentar qualidade, reduzir custos, seja qual for, não fica em pé.

O Presente Rural – A agroindústria está preparada para absorver todas estas novidades que estão chegando?

José Antônio Ribas Júnior – A agroindústria brasileira sempre foi de ponta na área de aves e suínos, sempre foi protagonista, de vanguarda. O Brasil produz em nível tecnológico que não deixa a desejar para ninguém no mundo. Tem lugares que está robotizado. A gente não pode confundir tecnologia e robotização, são coisas que eventualmente são a mesma coisa, mas toda robotização está dentro da tecnologia, mas nem toda tecnologia é robotização. Nós temos coisas muito mais amplas sob a ótica tecnológica e o setor do agronegócio é vanguarda nisso, no modelo de criação de aves e suínos, vanguarda no jeito de operar essas cadeias, nas competências que transformaram nosso setor no maior exportador de aves do mundo, num relevante de suínos do mundo, de ter o status sanitário que nós temos, de produzir com a qualidade que nós produzimos, com custo competitivo que nós conseguimos alcançar. Isso mostra que é um setor muito receptivo à inovação. Daqui saíram grandes movimentos de produção que hoje são reconhecidos pelo mundo na competência que é feito aqui. Então tenho certeza de que o setor não somente está de braços abertos, como ele é participante desse processo, mais do que isso, ele é construtor desse processo, somos autores desse processo. O setor vem construindo soluções e vem gerando tecnologias e ele é puxador de todo esse processo.

O Presente Rural – O que existe de novo que a agroindústria está usando?

José Antônio Ribas Júnior – Tem muita coisa de novo sendo trazido de tecnologia. Desde tecnologias de imagem, que permite através de câmeras de vídeo fazer a leitura de peso de animais, de grano de peso, de comportamento animal, para que a gente amplie mais ainda a nossa competência de bem-estar animal, por exemplo, porque fica menos dependente do homem, do operador, de ter a percepção, que eventualmente ele não enxerga aquilo que está acontecendo. Então temos câmeras de vídeos fazendo esse movimento, nós temos ciência de dados conseguindo fazer análises estatísticas de uma amplitude de informações muito maior e permitindo decisões melhores, mais qualificadas. Nós temos também ganho de tempo de resposta da qualidade de análise de dados, pela capacidade desses dados transitarem e serem analisados. Esse tempo de resposta tem valor. Enfim, tem uma amplitude de novas tecnologias acontecendo de uma maneira muito grande.

Tecnologias ampliando e substituindo alguns produtos, até trazendo a possibilidade de gente fazer uma ração mais qualificada, produzindo probióticos, prebióticos, que substituem antibióticos, ou seja, é mais saúde, super conectado ao One Health, que é o conceito da saúde única, é o conceito de nós evitarmos as resistências bacterianas, de melhorar a sanidade e saúde de toda a produção. Enfim, têm muitas tecnologias chegando, sem contar todo esse aparato tecnológico que hoje está embarcado em um galpão de aves, um galpão de suínos, que permite o controle de muitas variáveis, como temperatura, umidade, concentração de gases, disponibilidade de comida e água. Há uma série de tecnologias sendo embarcadas hoje em todo o sistema, tecnologias de rastreamento, que permitem o movimento de monitoramento das rações por transporte, da logística, otimizando a logística, com ganhos para o planeta, porque você reduz consumo de combustível, você permite segurança, porque isso também permite que a gente monitore se os caminhões estão respeitando as regras de trânsito, por exemplo. Têm muitos ganhos na qualidade de vida, na qualidade da produção e na eficiência do sistema de criação. Eu sou muito empolgado com essa ideia porque ela vai permitir que a gente construa muitas soluções novas e ofereça muita eficiência ao sistema. Mas, de novo, sempre gerando resultado.

O Presente Rural – Pode citar algumas tecnologias que surgiram, mas ainda está difícil de serem “aproveitadas” pela agroindústria?

José Antônio Ribas Júnior – Têm muitas tecnologias que ainda carecem de viabilidade, delas conseguirem mostrar seus resultados. Essas tecnologias de imagem que eu citei ainda estão passando por calibração, por aprendizado, os algoritmos precisam aprender mais isso, leva tempo de você botar muita informação para dentro para acontecer esse aprendizado. Há outras tecnologias que ainda têm problemas de alto custo, ainda são caras para serem acessadas e isso vai passar por um tempo para a gente conseguir construir soluções mais baratas, conseguir desenvolver tecnologias internamente no Brasil, então também passam por este processo. Nós temos um exemplo muito claro, que a poucos anos atrás a produção de energia fotovoltaica era um pouco proibitiva, o custo benefício era ruim, hoje já está muito mais acessível, então mostra que o tempo vai trazendo soluções mais assertivas ainda. Uma grande dificuldade que existe no Brasil ainda é a conexão, a transmissão de dados, ainda muito precária no meio rural e isso também traz um pouco de restrição, porque essa integração de informação, toda essa conectividade vai passar por esses obstáculos que é são, por exemplo, a conectividade.

O Presente Rural – Percebe-se que, mesmo com tantas novidades surgindo quase que diariamente, ainda falta alguma inovação chegar a agroindústria? Qual seria?

José Antônio Ribas Júnior – Com certeza ainda faltam inovações chegarem ao nosso setor. Nós ainda temos uma desafio muito grande com o meio ambiente de reduzir a nossa pegada de carbono, então a gente precisa olhar para essa cadeia de maneira mais ampla ainda para eficiência na produção dos grãos, para eficiência do consumo e da transformação desse grão em proteína animal, ainda há muito o que se buscar de conseguir dar mais ciência aplicada à produção de milho dedicado ao frango, ao suíno, soja dedicada a essas espécies, têm muitas coisas por fazer ainda que podem trazer resultados para o planeta, porque isso é eficiência da cadeia de produção, que traz dentro do seu escopo esse conceito de sustentabilidade.

Nós ainda precisamos desenvolver o melhor uso da água, o uso racional da água ainda é uma oportunidade. Nós temos uma oportunidade para ampliar mais ainda o bem-estar animal, então ainda tem temas muito importantes a serem desenvolvidos e que. Tenho certeza que com essas novas tecnologias chegando, esse grande número de empresas e pessoas estudando e olhando para o agronegócio, porque o agronegócio virou algo atrativo para o mundo inteiro. Nós estamos vendo o presidente da Microsoft investindo em agronegócio, o presidente do Facebook olhando para questões do agronegócio, o Google olhando para o agronegócio, ou seja, o agronegócio parte de um pressuposto muito simples: é dali que o mundo se alimenta. Independentemente do que você opta por alimentação, essa alimentação virá do agronegócio, então por isso que ele está ganhando tanta relevância. Mas ainda há muita tecnologia. Nós ainda precisamos fazer o alimento chegar no prato de muita gente, então também vamos precisar do apoio da tecnologia para chegar ao prato de muita gente que hoje não consegue ter um prato de comida qualificado na sua mesa. Há muita coisa a ser feita ainda.

O Presente Rural – Quais são os desafios que a agroindústria vem enfrentando quando o assunto são estas novas tecnologias 4.0?

José Antônio Ribas Júnior – Um dos grandes desafios do 4.0 é a conectividade, a transmissão de dados, sem nenhuma dúvida. Ela ainda é um dos grandes problemas, a cobertura de 3G, 4G, no meio rural, no setor de produção é muito fraca ainda e isso limita. O mundo quer falar de 5G, mas nós ainda temos limitações muito grandes de cobertura, obstáculos bastante importantes. Mas eu quero botar um ponto aqui que é muito relevante, que talvez seja um dos grandes temas do agronegócio: nós precisamos desenvolver pessoas, porque a tecnologia está andando muito rápido. Quem serão os profissionais que vão trabalhar com essa tecnologia? Ainda é um grande desafio desenvolver produtores, transportadores, operadores de granja, de transporte das aves, de ração, de incubatório, de produção. Temos o trabalho de desenvolver não somente o produtor, mas a assistência técnica, veterinários, técnicos, agrônomos, zootecnistas, desenvolver todas essa cadeia de pessoas conectadas a avicultura. Que profissional nós precisaremos ter nesse novo mundo da tecnologia? Esse é um trabalho de desenvolvimento grande que as agroindústrias tem feito. Temos chamado a universidade, a academia para dentro dessa discussão, para que a academia se conecte a isso, entenda essa necessidade, essa demanda, e trabalhe junto conosco para desenvolver esses profissionais e para disponibilizar ao mercado um profissional qualificado para este mundo. Essa geração nova já vem muito conectada a essas tecnologias, mas estão conectadas às tecnologias para o seu uso pessoal, para as suas questões pessoais.

Agora, como você interage com essas tecnologias profissionais, com essas tecnologias de processo, com essas tecnologias da cadeia de produção de maneira a fazer elas darem o resultado que se espera? Esse é um grande trabalho de desenvolvimento que vem sendo feito, academias de treinamento, lives, webinares, enfim, muita coisa tem sido buscada. A gente aprendeu com a pandemia o uso das tecnologias, das videoconferências, de acessar pessoas com imagem, então nós temos que buscar muito disso para fazer desenvolvimento, um trabalho contínuo e muito importante para que a gente vá desenvolvendo as pessoas para tirarem o máximo proveito da tecnologia.

O Presente Rural – Como o senhor, como um profissional da agroindústria, vê a chegada destas novas tecnologias e a adaptação que as empresas estão tendo que fazer para poder usá-las ao máximo?

José Antônio Ribas Júnior – A chegada das novas tecnologias olhamos com muito otimismo, uma percepção, um mundo de oportunidades que pode se abrir, de ganhos de eficiência, seja por tempo de resposta aos problemas, quando a gente conseguir conectar essa enormidade de dados que nós manuseamos de uma formulação de ração, de um pintinho que é produzido, de um controle de ambiência que esse animal é submetido, todas essas variáveis, do jeito de transportar, do controle de transporte, quando todas essas variáveis começam a se integrar e interagir, serem cruzadas e serem correlacionadas nós podemos ter muitos aprendizados, podemos melhorar e qualificar muito a nossa decisão, podemos ganhar em eficiência. Há essa expectativa de que nós temos realmente que tirar resultado disso e em um curto prazo. É obvio que isso é uma jornada muito extensa, mas a gente precisa ir conquistando terreno e gerando resultado, porque isso vai motivando o produtor, o colaborador, as lideranças da empresa a investir cada vez mais em tecnologia porque ela vai dando resultado, a se aprimorar nos uso dela e tudo isso trazer benefícios para toda a cadeia de produção.

O Presente Rural – Em comparação com outros países, como o Brasil está na adesão destas novas tecnologias 4.0?

José Antônio Ribas Júnior – Todos os países do mundo estão trabalhando em cima do 4.0, existe muita ciência em cima disso. Mas eu não tenho nenhuma dúvida que o Brasil está puxando muito desses temas. Porque no Brasil o campo tem sido muito fértil para o desenvolvimento das tecnologias, o uso delas e para realmente fazer elas serem realmente relevantes no processo de produção. O Brasil não está atrás de nenhum país. Obviamente que alguns países que já detêm muito conhecimento científico e muita competência na produção da tecnologia, que consegue produzir, até porque o Brasil ainda é depende da importação de muitos itens tecnológicos, esses países acabam tendo essa vantagem competitiva. Mas o que nos difere é que o protagonismo do setor, a interatividade de toda essa cadeia que é integrada consegue fazer com que a velocidade nossa consiga ser muito grande porque o sistema de integração, sistema cooperativo, são alavancagem importantes nesse processo porque eles conectam o produtor muito rapidamente a estas tecnologias e fazem o filtro de quais tecnologias realmente são relevantes porque se não o produtor fica exposta o que chega até ele pode não ser a melhor tecnologia ou que não esteja atendendo seu objetivo. As cooperativas, as agroindústrias, todo o sistema de integração da produção de aves e suínos tem essa competência de fazer essa filtragem, trazer o que há de melhor e de colocar os seus especialistas a estudar cada vez mais para que o que chegue ao produtor chegue de maneira mais assertiva. Isso faz com que o Brasil ganhe uma velocidade muito grande. A gente vem observando que aqui no Brasil esse processo tenha andado muito mais rápido, o que acontece nesse mundo digital aqui no Brasil impressiona o mundo inteiro, porque a gente vem desenvolvendo muitas soluções de uma maneira muito rápida.

Outro ganho da tecnologia que é muito relevante é que ela está trazendo um benefício adicional muito bonito, que é a atratividade para os jovens da atividade de aves e suínos. Há 25 anos, quando eu era extensionista, a gente tinha uma preocupação muito grande com isso no meio rural, com o envelhecimento do campo. Hoje a gente vê muitos filhos de produtores muito atraídos pela atividade, ficando na granja, querendo conduzir o negócio, porque perceberam na tecnologia uma melhor qualidade de vida, facilitou muito o trabalho, deixou o trabalho menos braçal e muito mais intelectual, e essa turma, a nova geração, que está chegando se atrai muito por isso. Então está sendo também um instrumento de fixação de mão de obra no campo, de atratividade para o jovem e ele vai fazer um upgrade em tudo isso porque ele vem com essa vontade, com esse apetite pela tecnologia, então estamos conseguindo inclusive este ganho.

O Presente Rural – O senhor pode citar alguns exemplos de quais são estas tecnologias de IA, Big Data, entre outras, na avicultura?

José Antônio Ribas Júnior – Têm muitos exemplos de tecnologia que existem hoje. Na avicultura existem painéis de controle integrado de tudo o que acontece no ambiente do aviário, que aquele painel já faz a leitura de temperatura, da umidade, da ventilação, da luminosidade, da sensação térmica, da quantidade de gás presente, e o próprio painel já decide qual equipamento ligar, quando ligar, e faz todo esse gerenciamento. Isso já é um algoritmo, uma inteligência dentro do sistema gerenciando o processo. Já existem sistemas disponíveis que inclusive podem tomar a decisão de rapidamente reagir a qualquer situação imprevista, olhando até para o consumo de ração do animal, seja de aves ou de suínos, do consumo de água, e também já tomar a decisão, existe já a tecnologia que consegue, ao você fotografar um animal, ter um diagnóstico de qual é o problema que aquele animal pode estar passando, qual é a dificuldade, até mesmo qual é a própria doença, baseado em alguma sintomatologia ou sinal que o animal pode estar passando e que isso ajuda o produtor a fazer o seu diagnóstico.

Já existe muita ciência de imagem, gerando peso dos animais, gerenciando em tempo real o peso dos animais, existem imagens trabalhando para fazer a qualificação do animal no abate, para fazer a leitura de qualidade daquele animal, e com isso permitir que você diferencie qualidade e possa também remunerar meritocraticamente por qualidade, ou que você possa destinar um tipo de característica de um animal para um produto A ou B. Tudo isso já são tecnologias que estão aí. E agora com a chegada da nuvem, a possibilidade que já está acontecendo de jogar dados na nuvem e você ter uma possibilidade de administrar um número de dados muito maior, interrelações muito maiores também já é uma situação que já está disponível.

O Presente Rural – Além da agroindústria, outros elos da avicultura estão preparados para absorver todas estas novas tecnologias?

José Antônio Ribas Júnior – O setor já está sim preparado para tudo isso, o setor vem se preparando para isso e já falava em tecnologia na década de 1980 quando começaram a automatizar processos de criação. Como eu falei, o setor é muito protagonista nisso, tem uma capacidade de inovação impressionante, se reinventa a cada crise, entendendo que precisa buscar soluções. Então, o setor está preparado para tudo isso, sim. Obvio que sempre buscando mais e melhor conhecimento para administrar tudo isso, investindo nos profissionais. Eu pessoalmente acredito muito nessas soluções, nós estamos investindo como setor, como empresa, como profissional neste processo porque acreditamos que ele vai trazer melhores resultados do que nós operamos hoje e isso, em última análise, para mim, tudo isso tem uma conexão superimportante que é a sustentabilidade. Nós vamos ser mais eficientes sob todas as óticas, mais eficientes socialmente, porque vamos ser mais includentes, em governança porque vamos administrar melhor, dar mais transparência sob a nossa gestão, vamos poder mostrar em tempo real o que a gente fala e faz, e vamos ser mais eficientes no consumo dos recursos naturais do planeta. Tudo isso vai trazer um resultado muito positivo e a gente acredita muito nisso.

Hoje todas as empresas estão assumindo compromissos de sustentabilidade, tem esse conceito novo do ESG, que traz o meio ambiente, social e governança, e tudo isso já está conectado. Essa tecnologia vai permitir a gente conquistar melhores resultados, mais eficiência e fundamentalmente mostrar ao consumidor que é, em última análise, o grande beneficiário de tudo isso, porque ele vai poder acessar um produto muito mais sustentável no seu prato, com muito mais qualidade. A gente vai poder atingir melhor esse consumidor, desde aquele que vai poder acessar pela primeira vez um prato de comida qualificado até os mais exigentes que vão poder ter um acesso à informação diferenciado, mostrando o quão competente é o nosso sistema de produção.

O Presente Rural – Como o senhor vê o comportamento do setor quanto a estas novas tecnologias?

José Antônio Ribas Júnior – Consegue cobrir todos os assuntos deste tema que são superimportantes nesse processo. Nós não podemos perder de vista os drives que conduzem tudo isso. Da gente cuidar melhor de gente, de todas as pessoas que estão envolvidas na cadeia de produção, melhorando a qualidade de vida delas, através das tecnologias, através da facilidade das rotinas de trabalho, através da eficiência do trabalho. Nós temos que cuidar do meio ambiente e a tecnologia nos ajudará com isso, usar melhor os recursos naturais, mostrar à sociedade o quão somos comprometidos com o meio ambiente, que isso já é um DNA do setor, mas vamos poder mostrar isso com mais clareza. A gente vai poder dar muita atenção a toda a eficiência e qualificação dos nossos produtos, dando condição de melhorar bem-estar animal mais ainda, esses conceitos de One Health, de redução de antibióticos, enfim, tem inúmeros ganhos associados a isso. Tudo ao seu tempo, tudo construído com muita seriedade, com muita responsabilidade para que a gente vá construindo dias melhores à frente.

Sou um otimista sobre isso, mas com muito realismo, para que a gente não queira desenhar algo excepcional e deixe de fazer o que é bom, para a gente ir fazendo um passo de cada vez realmente com essa sensação de que estamos construindo um caminho certo. Muitos aprendizados acontecerão, mas estamos superabertos para esses aprendizados. Eu pessoalmente tenho aprendido muito nesse segmento, nesse setor, das oportunidades que a gente pode aproveitar. Não tenho dúvidas de que estamos construindo dias melhores à frente porque todos nós estamos muito imbuídos de entregar um planeta melhor para as próximas gerações, produzindo alimentos de maneira muito correta e transparente para que toda a sociedade tenha muito orgulho da produção de proteína que nós fazemos.

O produtor do agronegócio tem uma capacidade muito grande de gerar qualidade de vida, não somente por toda a economia que ele movimenta, mas também nos indiretos para toda a sociedade, até porque é um setor que gera movimento econômico, que traz investimentos, que geram mais empregos, emprego gera mais consumo, consumo gera mais movimento econômico que gera mais empregos, que gera mais consumo. Veja que a gente alimenta uma roda de ganhos sociais, econômicos e agregação de valor para a sociedade que é muito grande. E o que a gente quer fazer é que a tecnologia facilite tudo isso. E em outro viés que melhore muito o nosso nível de comunicação com o nosso cliente, com o nosso consumidor, com a sociedade, mostrando como que a gente produz para que tenham segurança, que nós cuidamos de todos os aspectos de sanidade, de saúde, de bem-estar, das pessoas para que possam consumir um alimento de maneira muito tranquila de que estão cuidando do planeta, das pessoas e dos animais. Tudo isso nos reserva benefícios muito grandes para serem conquistados.

Avicultura

Congresso APA 2026 destaca papel do Brasil na produção global de alimentos

Especialistas analisam mercado de grãos, expansão das exportações de ovos e desafios da segurança alimentar no maior evento da avicultura de postura da América do Sul.

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Foto: Alan Carvalho

A cidade de Limeira (SP) sediou, na segunda-feira (10), a abertura oficial do 23º Congresso APA de Produção e Comercialização de Ovos, considerado o maior encontro da avicultura de postura da América do Sul. Realizado no Zarzuela Eventos, o congresso reúne produtores, empresas, pesquisadores e lideranças do setor para discutir os principais desafios e perspectivas da produção de alimentos no Brasil.

Economista Alexandre Mendonça de Barros: “Os mercados de grãos são, disparadamente, os mais relevantes para entendermos o comportamento dos preços agrícolas e também da proteína animal. A maior parte da produção agrícola global gira em torno deles” – Foto: Alan Carvalho

A programação da manhã foi marcada por análises estratégicas sobre economia agrícola, mercado de grãos, exportações e segurança alimentar global. Participaram o economista Alexandre Mendonça de Barros, diretor da MB Agro; o presidente da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), Ricardo Santin; e o ex-ministro Aldo Rebelo, responsável pela palestra magistral da edição de 2026 do Congresso APA.

O encontro abriu oficialmente a programação técnica do evento, que, ao longo de quatro dias, reúne especialistas, empresas e profissionais da cadeia produtiva para debater temas como nutrição, sanidade, sustentabilidade, inovação tecnológica e mercado.

Ciclos agrícolas e impactos sobre a proteína animal

Abrindo a programação da manhã, o economista Alexandre Mendonça de Barros apresentou uma análise sobre os ciclos do mercado agrícola global e seus reflexos nos custos da produção de proteína animal.

Segundo ele, o comportamento dos preços agrícolas está diretamente ligado à dinâmica dos mercados de grãos. “Os mercados de grãos são, disparadamente, os mais relevantes para entendermos o comportamento dos preços agrícolas e também da proteína animal. A maior parte da produção agrícola global gira em torno deles”, afirmou.

O economista destacou que eventos recentes, como a pandemia e a guerra entre Rússia e Ucrânia, provocaram forte volatilidade nos preços internacionais. Ao mesmo tempo, a expansão da produção brasileira teve papel determinante na recomposição da oferta global. “Em apenas três anos, o Brasil ampliou em cerca de 50 milhões de toneladas suas exportações de grãos. Costumo dizer que quem derrubou o preço da soja e do milho fomos nós, brasileiros”, ressaltou.

Para Mendonça de Barros, o sistema agrícola internacional passa agora por um momento de transição após um ciclo de forte expansão. “Provavelmente veremos

Presidente da ABPA, Ricardo Santin: “Hoje o país já alcança cerca de 40 mil toneladas exportadas de ovos. Ainda é uma participação pequena em relação à produção total, mas extremamente relevante do ponto de vista estratégico” – Foto: Alan Carvalho

uma recuperação dos preços dos grãos nos próximos anos. Choques geopolíticos ou climáticos podem acelerar esse processo”, enfatizou.

Consumo interno e avanço das exportações

Na sequência da programação, o presidente da ABPA, Ricardo Santin, apresentou uma análise sobre o cenário atual da produção e do mercado de ovos no Brasil.

Segundo ele, o setor vem consolidando avanços importantes tanto no consumo interno quanto no comércio internacional. “O ovo é um dos alimentos mais completos que existem. É uma concentração extraordinária de proteínas, colina e aminoácidos essenciais”, frisou.

Santin destacou que o Brasil ampliou significativamente sua presença no mercado externo. “Hoje o país já alcança cerca de 40 mil toneladas exportadas de ovos. Ainda é uma participação pequena em relação à produção total, mas extremamente relevante do ponto de vista estratégico”, salientou.

O dirigente também reforçou a necessidade de planejamento na expansão da produção. “A demanda existe, o mercado existe e o ovo tem espaço para crescer. Mas a decisão sobre o quanto produzir continua sendo nossa. Se produzirmos em excesso, o preço cai”, mencionou.

Segurança alimentar e papel estratégico do Brasil

Encerrando a programação da manhã, o ex-ministro Aldo Rebelo conduziu a palestra magistral do Congresso APA 2026, abordando a produção de alimentos sob

Ex-ministro Aldo Rebelo: “A segurança alimentar sempre esteve no centro da história humana. As pessoas podem viver sem muita coisa, mas não vivem sem comida” – Foto: Alan Carvalho

uma perspectiva histórica, econômica e geopolítica.

Durante sua apresentação, Rebelo destacou que a segurança alimentar permanece como uma das principais agendas globais e que a produção agrícola desempenha papel central nesse cenário. “A segurança alimentar sempre esteve no centro da história humana. As pessoas podem viver sem muita coisa, mas não vivem sem comida”, salientou.

Segundo ele, o Brasil reúne condições estruturais únicas para ampliar sua contribuição à produção mundial de alimentos. “O Brasil dispõe de recursos naturais, tem produtores empreendedores e possui conhecimento tecnológico. Essa combinação faz do país uma potência capaz de contribuir decisivamente para a segurança alimentar do planeta”, destacou.

O ex-ministro também ressaltou a importância da cadeia produtiva de alimentos para o desenvolvimento econômico e social do país. “A produção de alimentos gera emprego, movimenta a indústria, fortalece a economia e garante proteína acessível à população”, enalteceu.

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Avicultura Em São Paulo

Congresso APA 2026 é aberto em Limeira com foco em sanidade, ciência e expansão das exportações de ovos

Autoridades, lideranças do setor e representantes do governo destacam o papel social da avicultura, a credibilidade sanitária do Brasil e os desafios para o crescimento sustentável da cadeia produtiva.

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O 23º Congresso APA de Produção e Comercialização de Ovos foi oficialmente aberto na terça-feira (10), em Limeira (SP), reunindo produtores, especialistas, empresas e autoridades para debater os desafios e as oportunidades da avicultura de postura no Brasil. Promovido pela Associação Paulista de Avicultura (APA) e apoio da Defesa Agropecuária do Estado de São Paulo (Defesa), o encontro destaca temas como biossegurança, inovação tecnológica, sustentabilidade, mercado e exportações.

Presidente da APA, Érico Pozzer: “Produzimos proteínas com grande acessibilidade e precisamos continuar trabalhando para manter produtos de excelência tanto para o mercado interno quanto para a exportação” – Foto: Alan Carvalho

Na abertura do evento, o presidente da APA, Érico Pozzer, ressaltou a importância econômica e social da avicultura para o País e destacou o papel do setor na oferta de proteínas acessíveis à população. “A nossa atividade é extremamente necessária e desempenha um papel social importante. Produzimos proteínas com grande acessibilidade e precisamos continuar trabalhando para manter produtos de excelência tanto para o mercado interno quanto para a exportação”, afirmou.

Durante a cerimônia, Rogério Iuspa, mestre de cerimônias e integrante da comissão organizadora, apresentou o médico-veterinário e produtor Josimário Gomes Florêncio, de Caruaru (PE), como presidente de honra desta edição do congresso. Ao agradecer a homenagem, Florêncio destacou a relevância do evento para o fortalecimento técnico da atividade. “Para mim, este é o maior e mais importante palco da avicultura de postura comercial da América Latina. É uma honra representar os produtores de ovos do Brasil neste congresso”, salientou.

Médico-veterinário, avicultor pernambucano e presidente do Congresso APA 2026, Josimário Florêncio: “Este congresso exerce algo fundamental: ciência. Precisamos que todos venham aqui e saiam fartos de ciência, porque é isso que fortalece a nossa atividade” – Foto: Alan Carvalho

Ele também ressaltou o papel evento para o conhecimento científico no desenvolvimento do setor. “Este congresso exerce algo fundamental: ciência. Precisamos que todos venham aqui e saiam fartos de ciência, porque é isso que fortalece a nossa atividade”, mencionou, defendendo a ampliação da presença brasileira no mercado internacional. “O Brasil precisa ampliar sua participação nas exportações. A produção brasileira de ovos já não cabe apenas dentro do Brasil”, enfatizou. 

Dando sequência à cerimônia de abertura, foi realizada a entrega de uma placa de homenagem ao professor doutor Evandro de Abreu Fernandes, em reconhecimento ao seu profissionalismo e à dedicação ao desenvolvimento da avicultura brasileira.

Natural de Minas Gerais e médico-veterinário de formação, o professor Evandro construiu uma trajetória sólida no setor, com atuação destacada no desenvolvimento da produção avícola. Ao longo de sua carreira, ocupou cargos de liderança, exerceu a função de diretor de produção, contribuindo para o crescimento e a consolidação da atividade no cenário nacional. Atualmente, segue atuando como consultor, compartilhando sua experiência e visão estratégica com o setor avícola.

Representando a Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, o coordenador da Defesa Agropecuária, Luiz

Coordenador da Coordenadoria de Defesa Agropecuária da SFA-SP, Luiz Henrique Barrochelo: “Eventos como este permitem ampliar o conhecimento técnico e fortalecer a atividade” – Foto: Alan Carvalho

Henrique Barrochelo, destacou a importância do congresso para a difusão de conhecimento técnico e para o fortalecimento da produção agropecuária. “Eventos como este permitem ampliar o conhecimento técnico e fortalecer a atividade. A agricultura brasileira demonstra que é possível produzir com eficiência, qualidade e responsabilidade ambiental”, frisou.

O superintendente do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) em São Paulo, Estanislau Steck, destacou o compromisso do governo federal em apoiar o produtor e fortalecer a agropecuária brasileira. Segundo ele, a atuação do ministério busca criar condições para que o setor continue se expandindo, especialmente por meio da abertura de novos mercados internacionais. “É importante que o governo esteja ao lado do produtor. Como se costuma dizer no campo, se o governo não atrapalhar, o produtor brasileiro faz acontecer”, mencionou.

A diretora do Departamento de Inspeção de Produtos de Origem Animal (DIPOA) do Mapa, Juliana Satie Becker de Carvalho Chino, destacou o reconhecimento internacional do sistema sanitário brasileiro. “O Brasil continua sendo uma verdadeira ilha de credibilidade e segurança sanitária. Manter esse status é um grande desafio e só é possível graças ao trabalho integrado do serviço oficial e ao comprometimento do setor produtivo”, enalteceu.

Presidente da ABPA, Ricardo Santin: “O que estamos demonstrando ao mundo é que o Brasil está preparado para crescer” – Foto: Alan Carvalho

O presidente da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), Ricardo Santin, também destacou a importância da dedicação das equipes técnicas e do trabalho conjunto entre setor privado e governo. “O que estamos demonstrando ao mundo é que o Brasil está preparado para crescer. Nosso segredo é simples: dedicação e trabalho para manter o status sanitário do País”, evidenciou.

Segundo ele, a cadeia representada pela entidade, que abrange os setores de ovos, carne de frango e suínos, envolve cerca de quatro milhões de pessoas direta e indiretamente no País.

Encerrando as manifestações da mesa de abertura, Roberto Betancourt, diretor do Deagro/Fiesp, presidente do Sindirações, da FeedLatina e vice-presidente da IFIF, destacou o potencial do agronegócio brasileiro. “O Brasil tem um potencial extraordinário na produção de alimentos e proteína animal. A avicultura é um setor diferenciado, que cresceu com base em trabalho sério, pesquisa e empreendedorismo”, afirmou.

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Avicultura

Exportações de ovos superam US$ 6 milhões em fevereiro

Resultado reflete o avanço das vendas externas do setor e a ampliação da presença do produto brasileiro em mercados da Ásia, do Oriente Médio e da América Latina, segundo a ABPA.

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As exportações brasileiras de ovos (considerando produtos in natura e processados) totalizaram 2.939 toneladas em fevereiro, informa a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA). O volume é 16,3% superior ao registrado no mesmo período do ano passado, quando foram embarcadas 2.527 toneladas.

Em receita, o crescimento foi ainda mais expressivo. As vendas internacionais do setor somaram US$ 6,175 milhões, valor 25,1% superior ao obtido em fevereiro de 2025, quando as exportações totalizaram US$ 4,936 milhões.

Presidente da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), Ricardo Santin: “Os resultados deste início de ano mostram um crescimento consistente das exportações, com destaque para mercados da Ásia, do Oriente Médio e da América Latina” – Foto: Divulgação/Alimenta

No acumulado do primeiro bimestre, as exportações brasileiras de ovos alcançaram 6.025 toneladas, número 23,4% superior ao registrado no mesmo período de 2025, quando foram embarcadas 4.884 toneladas. Em receita, o crescimento comparativo chega a 37,9%, com US$ 12,583 milhões obtidos nos dois primeiros meses de 2026, contra US$ 9,122 milhões no mesmo período do ano passado.

Entre os principais destinos das exportações brasileiras de ovos em fevereiro estão Chile, com 767 toneladas (+156,8%), Emirados Árabes Unidos, com 531 toneladas (-3,1%), Japão, com 524 toneladas (+143,5%), e México, com 284 toneladas (+12,7%).

De acordo com o presidente da ABPA, Ricardo Santin, o desempenho das exportações reflete o fortalecimento da presença internacional da cadeia produtiva de ovos brasileira e a ampliação da diversificação de destinos. “Os resultados deste início de ano mostram um crescimento consistente das exportações, com destaque para mercados da Ásia, do Oriente Médio e da América Latina. A diversificação de destinos e a competitividade do produto brasileiro têm ampliado o espaço da nossa produção no comércio internacional, consolidando gradualmente a cultura exportadora do setor de ovos”, avalia Santin.

Fonte: Assessoria ABPA/ASCOM
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