Bovinos / Grãos / Máquinas
Qualidade do pasto condiciona resposta à suplementação em bovinos de corte
Altura correta da forrageira, consumo adequado e escolha do suplemento são fatores decisivos para maximizar desempenho em sistemas predominantemente a pasto.

Artigo escrito por Ramon Lopes Salvatte, coordenador Técnico Beef da Trouw Nutrition
A pecuária brasileira tem demostrado um desenvolvimento constante, fica nítido quando observamos a produção de carne bovinos, que entre 2004 e 2024, cresceu mais de 25%, chegando a produzir 11,8 milhões de toneladas equivalente carcaça (TEC) em 2024. Nesse mesmo ano o Brasil chegou a exportar 2,89 milhões de toneladas, representando 32% do que foi produzido, dados divulgados pela Abiec (Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de carne). Esse avanço, impulsionado pelo mercado externo, motivou os pecuaristas a intensificar o sistema de produção.
Apesar do número de animais abatidos oriundos de confinamentos ter aumentado desde 2007, ainda representa somente 19,86% dos abates. Indicando que o boi gordo no Brasil, majoritariamente, é engordado a pasto. De olho nesse gigante mercado de nutrição de bovinos de corte a pasto, existem soluções para desenvolver os sistemas de suplementação a pasto. Trazendo conceitos básicos, mas que são essenciais, para entender de nutrição de bovinos à pasto: “Dieta= Pasto + Suplemento”
A foto (figura 01) abaixo é a representação em proporção exata da dieta de um bovino adulto a pasto. Demostrando de forma claro que quando trabalhamos com suplemento mineral, proteinado ou proteico energético, a forragem ainda tem maior participação na dieta. Garantir uma forragem de qualidade, é o primeiro passo para obter um resultado satisfatório.

Figura 1. Proporção de forragem em relação a suplementação fornecida.
Provavelmente você já se deparou com a recomendação de uso da régua de manejo de pasto, proposto pela EMBRAPA. Onde para cada espécie forrageira é sugerido uma altura para entrada e saída dos animais. Essas recomendações levam em consideração diversos fatores, como: ponto fisiológico ideal da planta, melhor ponto nutricional da planta, ponto de maior acúmulo líquido de forragem, quando é máxima formação de novas folhas. Já a altura de saída indica o momento em que a planta ainda tem tecido fotossinteticamente ativo, facilitando uma rebrota rápida, favorecendo o acúmulo de forragem para um novo ciclo de pastejo.

O gráfico abaixo da figura 03 demostra o que acontece quando essa altura de manejo da forragem não é respeitada. A linha tracejada representa as forragens temperadas e a linha sólida representa as forragens tropicais. O gráfico demostra uma queda acentuada na taxa de ingestão de matéria seca quando o pasto chega a 40% da sua altura recomentada de entrada. Nesse ponto os animais irão demorar mais tempo para alcançar seu ponto máximo de ingestão de matéria seca, vai precisar andar mais, terá menos tempo para ócio e ruminação, ou seja, está perdendo potencial de ganho. Na altura de entrada haverá maior quantidade de forragem disponível, facilita que a seleção das partes mais tenras das plantas, ingerindo o que realmente importa.
Sendo assim, a estrutura física da planta forrageira, correlacionada com altura de entrada e saída, sugerida pela Embrapa, está realizando uma medida indireta de maior proporção de folhas, permitindo maximizar o consumo de matéria seca, otimizando o pastejo e ainda manejo agronômico correto da planta forrageira.

Figura 3. Taxa de ingestão de matéria seca (g MS/min/kg de PV), relacionado com o rebaixamento do pasto (% da altura Inicial)
Suplementação Mineral nas águas
No universo da suplementação há diversos produtos comerciais, dentre eles são a classe de minerais, proteinado e proteico energético. O suplemento mineral é considerado o mais simples, porém essencial, para bovinos de produção. Minerais são compostos de macro e microelementos, formulado para suprir o déficit de minerais na dieta a base de forragens tropicais. Função dos macroelementos: Ca, P, Mg, K, Na, Cl e S, são essenciais tanto para formação de tecidos e para manutenção do equilíbrio ácido-base dos líquidos intra e extracelulares, como para transferência de energia, transmissões de impulsos nervosos e ativação de enzimas. Função dos microelementos: Cu, Zn, Fe, Mn, I, Co e Se, funcionam principalmente como cofatores de enzimas, como componentes estruturais e/ou funcionais da atividade de enzimas, de hormônios e vitaminas.
Suplementação mineral no período das águas é uma estratégia bem comum na rotina de fazendas de bovinos de corte, em todos os sistemas de criação, seja ela cria, recria ou engorda. Para cada categoria do sistema de produção animal, existem um suplemento mineral específico para esse período, por exemplo: Matrizes paridas em reprodução – Mineral 90 g/kg de fósforo – considerando um consumo de 100 g/cab/dia – com bom escore de condição corporal – em condição de pastagem de média qualidade, fornecido em cocho coberto, com espaçamento mínimo de 5 cm lineares/cab.

Foto: Fabiano Bastos
Considerando o exemplo acima, podemos observar que a recomendação do produto exige algumas premissas para o bom aproveitamento do suplemento. A primeira delas é o histórico de consumo de mineral da fazenda (sugerido 100 g/cab/dia), porém existe uma grande variedade de fatores que interferem no consumo de suplemento mineral, principalmente em regiões de clima tropical, leva-nos a crer que a observação deste consumo deve ser redobrada, a fim de se controlar eventuais desajustes e conseguir melhor eficiência na utilização desse importante insumo. Vários fatores podem contribuir para alteração do consumo, como: Variação na concentração dos minerais dentre as espécies vegetais, concentração de sais na água de beber, época do ano, estado fisiológico do animal, palatabilidade da mistura mineral, localização e tamanho do cocho, fatores climáticos, ingestão de solo e até a forma física do suplemento mineral. O consumo histórico de mineral da fazenda pode e deve ser levado em consideração na escolha do suplemento.
Outra premissa a ser considera é o escore de condição corporal, pois o mineral convencional, não é a estratégia mais eficiente para recuperar o escore de condição corporal. O exemplo acima descreve um animal em reprodução, onde para se ter sucesso na reconcepção é necessário estar em bom escore de condição corporal. Para vacas com escore abaixo do adequado é necessário adotar estratégias que trazem uma recuperação mais rápida, como o mineral adensado ou aditivado (Bellisco SV – consumo de 50g/100 kg de peso vivo – têm 20% de Pb, 3% de ureia e Salinomicina), que acrescenta um ganho de peso moderado. Já os proteinados 0,1 a 0,2% do peso vivo, para uma recuperação mais severa. Em casos mais extremos o proteico energético 0,3 a 0,5% do peso vivo, terá capacidade de responder muito boa, em curto prazo. Lembrando que todas essas estratégias exigem uma boa condição de pastagem, para entregar o resultado satisfatório.

Foto: Arnaldo Alves
Condição de pastagem foi descrita e discutida na figura 03 acima, demostrando a importância de manejar o pasto na altura correta. Em sistema de cria é bem comum encontrarmos pastos, próximos ao curral de manejo, sendo manejados em alturas abaixo do recomendado, usados como maternidade por longos períodos, para facilitar o manejo com o bezerro e em seguida o manejo reprodutivo. Vaca na maternidade ou na estação de monta, apresentam uma alta demanda nutricional, pois são vacas paridas, com exigência de mantença, de aleitando e crescimento (no caso de primíparas). Nesse período que entram em balanço energético negativo, onde gasta mais energia em relação ao que consegue disponibilizar dia dieta. O corpo começa a metabolizar a gordura para suprir esse déficit.
O mesmo raciocínio descrito acima, pode ser feito para as outras categorias, como bezerros desmamados, garrotes em engorda, recebendo a suplementação mineral e assim levar em consideração as características de cada categoria, demanda, estrutura, meta de desempenho, manejo, assim por diante.
Suplementação Proteica no período das águas
De acordo com o Mapa (Ministério da Agricultura e Pecuária) um proteinado deve conter características específicas de acordo Instrução Normativa N°12 de 30/11/2004:
- Minerais: macro e micro
- Proteína bruta: Mínimo de 20%PB
- Mínimo de 30g de PB/100kg de PC
- Máximo de 85% da PB proveniente de NNP (Uréia)
Sendo assim, respeitando os níveis mínimos exigidos e o conhecimento sobre formulação de suplementos, abre diversas possibilidades de formulações, usando os mais variados ingredientes disponível para a nutrição de ruminantes. Farelos proteicos serão usados em quantidades expressivas na formulação desse tipo de suplemento, por isso, é de suma importância ter uma boa gestão de compras de insumos, onde geralmente têm maior valor monetário, em relação aos farelos energéticos. As forragens em geral, nesse período de águas, apresentam uma fração maior de proteína degradável no rúmen, assim o uso da ureia em suplementos proteicos para esse período do ano e bem modesto, aproximadamente 3 a 5% na formulação.

Foto: Claudia Rezende
No verão o teor de proteína nas plantas tropicais é alto, as vezes superiores a 12% (valor esse suficiente para ganhos acima de 600 g/cabeça/dia). Por esse motivo os proteinados de águas comerciais, apresentam níveis de proteína entre 20 a 30% de proteína. Produtos de maior qualidade, vão trazer uma maior proporção dessa proteína oriunda do farelo proteico, representando aproximadamente 60% da proteína do produto. A ureia tem em pequenas quantidades pode elevar percentual de proteína em seu produto final, pela sua característica nutricional, a ureia tem 280% de proteína bruta equivalente. Por isso é importante ter parcimônia na quantidade de ureia nas formulações. Podemos observar essa relação de ureia e proteína verdadeira nos rótulos dos produtos comerciais, realizando uma divisão da proteína da ureia (NNP equivalente) pela proteína bruta, multiplicado por 100. A razão dessa divisão será o percentual da proteína bruta do produto que é composta pela ureia.
A suplementação protéica promove um efeito de adição de consumo. Uma vez que, com o aumento na proteína da dieta, consegue-se melhorar a atividade dos microrganismos ruminais (principalmente bactérias celulolíticas), possibilitando um aumentando a degradabilidade da fibra e da matéria seca total, refletindo em aumento na taxa de passagem e assim conferindo uma maior capacidade de consumo de forragem.

Foto: Alf Ribeiro
Dessa forma os suplementos proteicos possibilitam um incremento no ganho de peso dos animais, em relação aos animais suplementos somente com mineral. Experimento do Sampaio et al. (2017) demostrou uma diferença de 0,158 kg, no ganho médio diário em relação a animais consumindo somente sal mineral, essa diferença representou um aumento de 28% no ganho de peso diário.
O produto deve ser fornecido em quantidades restritas considerando o consumo de 1,0 a 2,0 g/kg de peso corporal. por exemplo: em um pasto com 85 animais, de peso médio de 350 kg, devem ser colocados 30 Kg por dia, considerando um consumo médio de 0,35 kg/cab./dia.
Para garantir que todos os animais consumam quantidades adequadas do produto, são necessários, no mínimo, 12 cm lineares de espaço no cocho por cabeça, sendo interessante, sempre que possível, valores maiores. O fornecimento diário do produto, pode demandar muito da mão de obra, indicamos o fornecimento em dias alternados, ou seja, no caso do exemplo acima, 60 kg a cada 2 dias. O fornecimento livre do produto não é aconselhado, pois não se garante o consumo adequado do produto e, por ser usado na época das águas, esse tipo de manejo, faz-se importante em cochos protegidos da chuva.
Proteico Energético
De acordo com o Mapa (Ministério da Agricultura e Pecuária) um suplemento mineral proteico energético deve conter características específicas de acordo com a Instrução Normativa N°12 30/11/2004:
- Minerais
- >/= 20% de PB
- PB proveniente do NNP máximo de 85%
- Consumo de PB >30g/100kg de peso vivo
- Consumo de NDT >100g/100kg de peso vivo
Proteico energético usa a base da formulação de um proteinado, adicionando uma proporção grande de farelos energéticos, como milho, sorgo, polpa etc. Esse tipo de suplemento, exige maiores níveis de consumo (0,3 a 0,5% do PV). A formulação consiste em suprir as deficiências da forragem consumida pelos animais, agregando maior aporte de nutrientes (carboidratos não fibrosos), melhorando a fermentação e digestibilidade no ambiente ruminal, o que resultaria em aumento no desempenho dos animais. Um experimento demostrou uma diferença de 0,285 kg, no ganho médio diário em relação a animais consumindo somente sal mineral, essa diferença representa um incremento de 60,7%.
O produto deve ser fornecido em quantidades restritas considerando o consumo de 3,0 a 5,0 g/kg de peso corporal. Exemplificando, em um pasto com 50 animais, de peso médio de 400 kg, devem ser ofertados 60 Kg de proteico energético por dia, considerando um consumo médio de 1,2 kg/cab/dia.
É muito comum o pecuarista chamar o proteico energético como “ração”. Que de certa forma, não está errado, pois realmente parece uma ração, porém esse suplemento ainda representa uma parcela pequena da dieta do animal. Como demostrado na figura 4 abaixo, apenas 16,7% do consumo de matéria seca do animal. Consideramos ração quando ofertamos 1% do peso vivo do animal em suplemento, chegando a 4 a 6 kg/cab/dia.

Figura 4. Participação do suplemento na diéta dos animias.
Para garantir que todos os animais consumam quantidades adequadas do produto, são necessários, no mínimo, 40 cm lineares de espaço no cocho por cabeça, sendo interessante, sempre que possível, valores superiores. Com uma única opção o fornecimento diário do produto, pois não há mecanismos de regulação de consumo imposta na fórmula do produto. Geralmente o consumo do suplemento e feito de forma rápida pelos animais, porém nem sempre isso é verdade, sendo assim faz-se importante, em alguns lugares, que o cocho seja protegido da chuva.

Foto: Divulgação/Arquivo OPR
Proteico energético é um suplemento que pode alterar o comportamento de pastejo natural de um bovino a pasto. Uma pesquisa quantificou a porcentagem de animais pastejando durante o dia, enquanto era ofertado 3 tipos de suplementos (mineral, proteinado e proteico energético), em tempos distintos. Suplemento mineral não foi capaz de alterar o comportamento de pastejo dos animais, possivelmente por não ter nenhum atrativo nutricional, como um farelo de milho, por exemplo.
Os horários de pastejo dos animais recebendo somente suplemento mineral, foi considerado como o comportamento natural, pastejando nos horários mais fresco do dia (pela manhã e final da tarde) e não pastejando nos horários mais quentes do dia (próximo ao meio-dia). No entanto o proteinado, alterou significativamente o comportamento de pastejo, levando os animais para o cocho, assim que foi ofertado, alterando rapidamente o comportamento de pastejo natural, mesmo em horário fresco do dia, os animais pararam de pastejar e foram consumir o proteinado no cocho, em seguida retornaram ao pastejo natural. Já o proteico energético, foi capaz de fazer uma alteração maior no comportamento de pastejo.
Os animais vieram para o cocho, alguns minutos antes do horário do fornecimento do suplemento e aguardaram a oferta do produto sem pastejar, mesmo estando dentro do horário de preferência de pastejo. Uma reflexão do resultado desse experimento, seria uma oportunidade de otimizarmos o pastejo dos animais, fornecendo o suplemento nos horários mais quentes do dia, por volta do meio-dia.
Considerações Finais
A resposta do suplemento fica condicionada a uma qualidade do pastejo do animal, onde vários desses pontos foi discutido acima. O conceito de dieta, considerando, tudo o que o animal consome no dia, dando a devida importância do pasto na composição dessa dieta. Manejo de pasto considerando a capacidade de consumo de forragem, em relação a estrutura física do pasto ofertado, os conceitos de suplemento, que são formulados para suprir a deficiências dos pastos, com as suas particularidades de formulação, frequência de fornecimento e horário de fornecimento, capazes de alterar o comportamento natural de pastejo.
Todas essas considerações devem ser compreendidas e colocadas em prática na fazenda, para atingir uma boa qualidade do pastejo e assim quantificarmos a melhor resposta à suplementação.
As referências bibliográficas estão com o autor. Contato: [email protected]
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O fundo que ajudou a transformar a sanidade animal em patrimônio do Rio Grande do Sul
Referência nacional em gestão compartilhada, o Fundesa-RS completa duas décadas investindo em prevenção, indenizações e ações que garantem a competitividade da proteína animal gaúcha.

Nos últimos 20 anos, o Fundesa-RS tem sido apontado como modelo de referência nacional em responsabilidade compartilhada, uma vez que é abastecido e gerido pelas entidades que representam produtores e indústrias da proteína animal. O Fundo, através de seus componentes e juntamente com o Serviço Veterinário Oficial, foi peça-chave para o reconhecimento do Rio Grande do Sul como área livre de Peste Suína Clássica e de Febre Aftosa sem Vacinação. O patrimônio sanitário obtido no estado vem contribuindo para a abertura de novos mercados e o reconhecimento da proteína animal gaúcha.

Foto: Divulgação/ACBB
Diante do cenário global de alerta, com o aumento da incidência de doenças infectocontagiosas graves como a Influenza Aviária, a Peste Suína Africana e a Febre Aftosa em diversas partes do mundo, o setor produtivo gaúcho agiu de forma preventiva. Foi por iniciativa das próprias cadeias produtivas – aves, suínos e pecuária de corte e leite – que surgiu a necessidade de fortalecer o fundo.
Após debates dos Conselhos Técnicos Operacionais das cadeias, entidades como Farsul e Fetag, em assembleias com seus associados, definiram a proposta de atualização das taxas de contribuição. As deliberações começaram ainda em 2021 após o reconhecimento internacional de área livre de febre aftosa sem vacinação pela Organização Mundial de Saúde Animal (OMSA).
O objetivo foi garantir a ampliação dos recursos em caso de focos de doenças no estado. O saldo do

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Fundesa, de R$ 188,9 milhões (dado de abril/2026), não suportaria um evento de grande monta. Por isso, os integrantes do fundo aprovaram também, em 2024, a adesão a um seguro pecuário contra a febre aftosa, pioneiro e inédito no país.
Uso de recursos
Ao longo dos anos, o Fundesa-RS foi responsável pela completa informatização das Inspetorias de Defesa Agropecuária, pela reforma e revitalização de prédios das unidades no interior, na capacitação de técnicos e aquisição de insumos e equipamentos.

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Entretanto, um aspecto da atuação do Fundesa é mais visível ao produtor: as indenizações. Só na pecuária leiteira foram mais de R$ 53 milhões ao longo dos 20 anos do Fundo, indenizando produtores pelo sacrifício de animais em atendimento ao Programa Nacional de Controle e Erradicação de Brucelose e Tuberculose (PNCEBT).
Conforme as regras do Fundo, aprovadas por todas as entidades que compõem o Conselho Técnico Operacional da Pecuária Leiteira, os valores tabelados para as indenizações têm base na idade e na pureza racial do rebanho, podendo chegar a R$ 4.548,00 por cabeça no caso de fêmeas puras de origem com idade entre 25 e 36 meses.
Adicionalmente, o Fundo estabeleceu o pagamento do benefício de “Risco Alimentar”, garantindo aos estabelecimentos submetidos a vazio sanitário uma compensação de 25% sobre o volume médio da sua produção mensal de leite por um período de até seis meses.
Para ter direito à indenização, o produtor precisa estar em dia com as contribuições ao Fundo. No

Foto: Divulgação
setor leiteiro, esse recolhimento é realizado de forma integrada pela indústria que processa o leite e, a partir de 2026, também pela existência de animais após a Declaração Anual de Rebanho. Também é necessária a apresentação de laudo oficial emitido por técnico da Secretaria da Agricultura.
Transparência
O Fundesa-RS é reconhecido nacional e internacionalmente pela transparência absoluta na gestão dos valores e rigor na prestação de contas. A responsabilidade na aplicação dos recursos é comprovada pela apresentação trimestral de contas às entidades representativas, aos órgãos de controle e à Assembleia Legislativa.
A atualização dos valores, instituída pela Lei 16.428/2025, representa um investimento prudente do próprio setor produtivo para proteger o seu maior ativo: a sanidade do rebanho. Enquanto o mundo enfrenta desafios sanitários crescentes, o Rio Grande do Sul reafirma, através da união de seus produtores, que a segurança do setor produtivo é prioridade máxima e está acima de qualquer conjuntura temporária.
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Nova raça desmama bezerros com 292 kg a pasto e mira mercado de carne premium
Cruzamento entre Senepol e Angus já supera o Nelore em 1,5 arroba na desmama. Projeto prevê produzir até 120 touros por ano.

A busca por animais que combinem eficiência produtiva, adaptação às condições tropicais e elevado padrão de qualidade da carne tem impulsionado novos programas de melhoramento genético na pecuária de corte. No Paraná, o pecuarista Diogo Bianchi, de Luiziana, aposta nesse conceito ao desenvolver um trabalho de seleção da raça Senangus, resultado do cruzamento entre Senepol e Angus, com foco em atender tanto às demandas dos sistemas de produção quanto do mercado de carne premium.
À frente da Senangus Criação de Bovinos, Bianchi estruturou o projeto a partir da experiência acumulada com biotecnologias reprodutivas e da atuação em sistemas intensivos de produção. Segundo ele, a vivência prática mostrou que ainda havia espaço para desenvolver um animal capaz de reunir maior precocidade, qualidade de carne e adaptação às condições brasileiras.
A percepção surgiu durante o trabalho com rebanhos Nelore, quando identificou oportunidades de incorporar características voltadas ao desempenho de carcaça e à valorização da carne sem abrir mão da eficiência produtiva.
Foi nesse contexto que passou a investir no Senangus, raça recentemente homologada pelo Ministério da Agricultura por meio da Associação Brasileira dos Criadores de Bovinos Senepol (ABCB Senepol). A proposta é reunir, em um único animal, a rusticidade, fertilidade, habilidade materna e adaptação ao clima tropical do Senepol, desenvolvido nas Ilhas Virgens Americanas, com o elevado marmoreio e a qualidade de carne característicos do Angus. “Cada raça tem suas particularidades. Quando reunimos o melhor das duas, conseguimos um animal moderno e eficiente para o cruzamento industrial, com potencial para oferecer carne premium e capacidade de adaptação”, afirma Bianchi.
Projeto começou em 2019
Os primeiros passos do projeto foram dados em 2019, quando Diogo Bianchi realizou inseminações em vacas Senepol para avaliar o potencial do cruzamento. O desempenho dos primeiros animais foi determinante para ampliar os investimentos na nova genética.
Segundo o pecuarista, os bovinos apresentaram elevada rusticidade, adaptação ao pastejo e bom desempenho reprodutivo, características que chamaram atenção quando comparadas a outros sistemas já utilizados na propriedade. “Fiquei impressionado com a rusticidade, principalmente. Eles acompanhavam a vacada Nelore, subiam morro e se mantinham altamente produtivos”, aponta.
Além dos resultados obtidos a campo, a estratégia também levou em conta a demanda do mercado. A preferência por bovinos de pelagem preta, valorizados em diferentes segmentos da pecuária de corte e no mercado de exportação de animais vivos, reforçou a decisão de incorporar a genética Angus ao programa de seleção. Sem abrir mão da adaptação ao clima tropical, o objetivo passou a ser reunir atributos como ganho de peso, rendimento de carcaça e qualidade da carne em um mesmo animal.
Bezerros desmamam com até 292 quilos apenas a pasto
Com a ampliação do uso de biotecnologias reprodutivas, o projeto ganhou escala. Em 2024, foram transferidos 125 embriões Senangus, formando uma geração que confirmou o potencial observado nos primeiros cruzamentos.
Na desmama, os bezerros alcançaram média de 292 quilos aos 6,5 meses de idade, criados exclusivamente a pasto. De acordo com Bianchi, o desempenho superou o observado em animais Nelore criados nas mesmas condições. “O Senangus bateu 1,5 arroba a mais que o Nelore nessa fase”, destaca.
Atualmente, o programa de seleção trabalha com duas composições genéticas. Uma delas reúne aproximadamente 75% de sangue Angus, voltada para sistemas que priorizam qualidade de carne. A outra concentra cerca de 75% de genética Senepol, direcionada à produção de touros para cobertura a campo, especialmente em rebanhos zebuínos de regiões com maior desafio ambiental, como Norte e Nordeste.
As fêmeas Senangus também terão papel estratégico na formação de rebanhos puros, contribuindo para a expansão da raça em condições tropicais. O projeto ainda mira outra tendência da pecuária mundial: o cruzamento entre bovinos de corte e rebanhos leiteiros, conhecido como beef on dairy. Segundo Bianchi, a proposta é ampliar o uso da genética em propriedades leiteiras interessadas em agregar valor aos bezerros machos e às fêmeas descartadas. “Estamos criando uma solução que atende desde o pecuarista de corte até o produtor de leite que busca agregar valor à produção”, ressalta.
Estrutura do projeto
A estrutura operacional é versátil, utilizando arrendamento e parcerias. A iniciativa “Parceria entre Amigos”, criada por Bianchi, em parceria com criadores como Mário Aluísio Zafanelli, da Fazenda São Francisco, de Alto Paraíso (PR), permite a disseminação da genética.
O projeto é conduzido em área arrendada, onde também são desenvolvidas outras frentes como o Nelore Bianchi, voltado à sucessão familiar. Paralelamente, presta serviços reprodutivos, principalmente IATF e transferência de embriões. “Em até 10 anos, a meta é alcançar um plantel de 200 matrizes Senangus e uma produção anual entre 100 e 120 touros, consolidando a raça como alternativa viável e competitiva no cenário nacional”, prevê o proprietário da Senangus.
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Programa Bônus Mais Leite libera R$ 181,9 milhões em crédito e beneficia 2,8 mil famílias no Rio Grande do Sul
Iniciativa estadual criada em 2025 aprovou 3.072 projetos e destinou R$ 29,8 milhões em subvenções diretas a produtores de leite da agricultura familiar.

O Programa Bônus Mais Leite, lançado pela Secretaria de Desenvolvimento Rural em novembro de 2025, encerrou o ciclo do Plano Safra 2025/2026, em 30 de junho de 2026, com 3.072 projetos de crédito aprovados e R$ 181,9 milhões em financiamentos rurais movimentados no Estado.

Foto: Fernando Dias
Ao longo de sete meses, a iniciativa registrou 3,4 mil solicitações de enquadramento. Após análise técnica, a maior parte dos pedidos foi habilitada para acesso à subvenção estadual, direcionada à agricultura familiar ligada à cadeia do leite. O programa alcançou mais de 2,8 mil famílias.
Do total de operações aprovadas, 1.987 foram de custeio e 1.085 de investimento, segundo os dados consolidados pela pasta estadual. O governo também informou a concessão de R$ 29,8 milhões em subvenções diretas aos produtores contemplados.
A política foi estruturada como resposta ao contexto de pressão sobre a atividade leiteira, com queda no preço pago ao produtor, elevação dos custos de produção e perdas associadas a eventos climáticos extremos registrados nos últimos anos no Estado.
Para o secretário de Desenvolvimento Rural, Gustavo Paim, o programa representa uma mudança na forma de apoio ao setor ao atrelar recursos estaduais ao crédito rural. “Até então, o Estado não contava com um mecanismo dessa natureza, capaz de transferir recursos diretamente aos produtores para qualificar a atividade com rapidez e eficiência”, afirmou.



