Suínos
Qualidade de vacinação: ações diárias que garantem a boa imunidade vacinal
Para obter o máximo de um programa de vacinação o produtor deve adotar práticas diárias de controle e avaliação da parte operacional deste trabalho
Artigo escrito por William M. T. Costa, gerente Técnico Suínos da Ceva Saúde Animal
É consenso que um programa de imunização bem estabelecido, através do diagnóstico correto das enfermidades e da escolha de vacinas de boa qualidade, é fator determinante para se obter um desempenho ótimo na suinocultura. Entretanto, com frequência, a despeito do uso de toda a tecnologia para estabelecimento de um programa vacinal, os resultados não correspondem à expectativa. Apesar do baixo desempenho no processo de imunização ser via de regra atribuído à qualidade dos produtos utilizados, diversas são as possíveis causas de falhas vacinais, não relacionadas às características das vacinas. Logo, para obter o máximo de um programa de vacinação o produtor deve adotar práticas diárias de controle e avaliação da parte operacional deste trabalho.
Para adequada conservação das vacinas é necessário que um funcionário seja nomeado responsável pelo controle do seu estoque. Este colaborador, ao receber as vacinas, deve checar os dados dos frascos (tipo, data de fabricação e validade, via de aplicação); verificar se há danos na caixa de isopor ou na frascaria (nestes casos o produto deve ser recusado), verificar a temperatura e colocar os frascos no refrigerador imediatamente após o recebimento. Atenção: vacinas enviadas via transportadora ou Correios (sem veículo refrigerado) devem chegar ao destino em até 72 horas, quando conservadas em gelo próprio. As novas partidas recebidas devem ser dispostas no refrigerador posteriormente aos produtos de prazo de validade mais próximo (PEPS – primeira que entra/primeira que sai).
Erros
Diversos erros são relatados na conservação de vacinas. Os observados com mais frequência são não monitorar a temperatura do refrigerador (a monitoria da temperatura deve ser feita diariamente, com registro em formulário próprio); manter estoques superiores à capacidade de refrigeração do aparelho; manter estoques para muitos meses sem atentar para a data de vencimento das vacinas e as dificuldades da estocagem em longos períodos (exemplo: é comum encontrarmos vacinas das fases reprodutivas – uso de pequeno número de doses por mês – com o prazo de validade expirado); não fazer manutenção regular do refrigerador; usar o mesmo refrigerador para guardar alimentos, água e vacinas; não fazer o degelo regularmente como recomendado pelo fabricante; colocar as vacinas próximas ao congelador do aparelho e que pode fazer com que parte delas venham a se congelar; expor vacinas à luz; estocar vacinas na porta do refrigerador (alta variação na temperatura); ausência de sistema de alerta para falta de energia e/ou ausência de sistema de energia suplementar. Não se recomenda o uso de vacinas que passaram pelo processo de congelamento ou que foram conservadas fora da temperatura ideal (2 a 8o C).
Preparação
No momento da vacinação dos suínos uma preparação adequada minimiza a possibilidade de erros. Também para essa atividade deve haver um funcionário (ou equipe) responsável e devidamente treinado. A trabalho pré-vacinação consiste na revisão dos dados da vacina (dose, via de aplicação, local da injeção, indicação de uso, precauções, data de vencimento) e preparo de todo o material necessário (bastões marcadores, material de contenção, caixas de isopor, aplicadores, agulhas – uma agulha para cada dez suínos -, etc.). As vacinas devem ser retiradas do refrigerador uma hora antes da vacinação e mantidas em temperatura ambiente, protegidas da luz. Esse procedimento evita a ocorrência de reação vacinal devido ao choque térmico decorrente da injeção de considerável volume de um líquido gelado em um suíno de baixo peso corporal. As vacinas assim “aquecidas” não devem retornar ao refrigerador para serem novamente estocadas. Logo, é necessário que antes de sua retirada da refrigeração seja realizada uma contagem dos animais a serem imunizados. A baia e os animais que serão vacinados devem estar limpos. O uso de agulhas descartáveis (uma por baia ou a cada dez animais), aliado à prática de realizar a vacinação em condições de ambiente de baixa contaminação, reduz a ocorrência de reações locais adversas (abscessos). A via e local de aplicação indicadas pelo fabricante devem ser seguidos com exatidão, portanto agulhas adequadas para cada via e fase de produção devem estar disponíveis.
Vacinação
Durante a vacinação deve-se atentar para a necessidade de homogeneizar determinados tipos de vacina de acordo com a indicação do fabricante. Isso ocorre especialmente em produtos contendo antígenos mais “pesados”, como as bacterinas e/ou que contêm adjuvantes de duas fases. A homogeneização é realizada com a agitação moderada da vacina antes do início dos trabalhos e durante a vacinação, a cada troca de agulha, deve-se agitar novamente o frasco para manter a uniformidade da suspensão. A não realização desta atividade pode resultar em subdosagem de antígenos nos primeiros leitões vacinados (baixo desempenho na proteção dos leitões contra os agentes presentes na vacina) e superdosagem de antígenos nos últimos leitões vacinados (elevação de reações sistêmicas).
Após a vacinação os animais não devem ser agitados e deve-se evitar transferências de instalação ou outras atividades estressantes. Recomenda-se observar leitões por 40 minutos após a imunização para detectar possíveis reações adversas, que devem ser registradas e informadas ao fabricante da vacina. Manter água e ração disponíveis.
Considerando a importância do programa vacinal, diversos autores têm recomendado a revisão (auditoria) constante do processo, com monitoramento mensal do estoque de vacinas – avaliação da concordância do número de doses utilizadas e de animais produzidos – e monitoramento sorológico para medir a resposta vacinal. Caso as respostas sorológicas sejam inadequadas, os assistentes técnicos e a gerência das unidades de produção devem auditar e detalhar a contagem dos estoques de vacinas, visitar as granjas e revisar o protocolo de vacinação, fazer testes adicionais para verificar a eficiência ou não da vacinação e fazer advertência escrita aos funcionários envolvidos. Na literatura observa-se relatos nos quais a revisão do inventário de vacinas indicou aquisição de quantidades muito inferiores às necessárias. Em outras situações foram detectadas até o abandono dos registros de inventário de vacinas e alterações do timing de vacinação.
Cabe ressaltar que, somente com um programa de imunização bem estabelecido e comprovadamente bem operacionalizado seremos capazes de atender as demandas de produção de suínos com redução de antimicrobianos. Portanto, se torna a cada dia mais importante sistematizar e auditar o trabalho de vacinação dos suínos.
Mais informações você encontra na edição de Nutrição e Saúde Animal de novembro/dezembro de 2017 ou online.
Fonte: O Presente Rural

Suínos
Mercado do suíno vivo segue firme, com ajustes pontuais nas cotações
Dados do Cepea indicam variações discretas no início do mês, sem mudanças expressivas nas principais regiões produtoras.

O Indicador do Suíno Vivo Cepea/Esalq, divulgado pelo Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada, apresentou estabilidade em parte das praças e leves altas em outras nesta segunda-feira (02).
Em Minas Gerais (posto), a cotação ficou em R$ 6,76/kg, sem variação no dia nem no mês. Em Santa Catarina (a retirar), o valor foi de R$ 6,51/kg, também estável.
Já no Paraná (a retirar), o preço atingiu R$ 6,60/kg, com alta de 0,15% no dia e no acumulado do mês. No Rio Grande do Sul (a retirar), a cotação ficou em R$ 6,74/kg, com avanço de 0,15%. Em São Paulo (posto), o indicador registrou R$ 6,91/kg, elevação de 0,14%.
Os dados têm como base levantamento do Cepea.
Suínos
Carne suína encontra espaço para reposicionamento diante do consumidor híbrido
Para a Associação Brasileira de Criadores de Suínos, comunicação segmentada, conteúdo digital e valorização do perfil nutricional da proteína são caminhos para fortalecer a conexão com o novo comprador.

O consumidor brasileiro entra em 2026 vivendo uma combinação inédita de sofisticação digital, pressão econômica e forte carga emocional nas decisões de compra, é o que revela o novo relatório “O Consumidor Brasileiro em 2026”, da MiQ, uma empresa global de tecnologia especializada em publicidade e inteligência de dados. A Associação Brasileira de Criadores de Suínos (ABCS) entende a importância de acompanhar as novas tendências de consumo, além de compartilhar esses aprendizados com toda a cadeia de produção, já que o novo perfil de consumo no país revela um comprador atento, comparativo e cada vez menos tolerante a atritos, alguém que decide com a mente, o bolso e o sentimento ao mesmo tempo, tornando-se essencial adequar a carne suína a este novo contexto. Veja os destaques da pesquisa!
Hiperconectividade e decisão de compra
Dados reunidos pela MiQ mostram que 74% das decisões de compra começam no smartphone, mesmo quando a transação final acontece no ambiente físico. O celular deixou de ser apenas um canal de acesso e passou a atuar como assistente pessoal, comparador de preços, carteira digital e principal mediador da jornada de consumo no Brasil. Não por acaso, o país se consolida como o ecossistema digital mais avançado da América Latina.
A pressão inflacionária e o cenário econômico instável mudaram a lógica de priorização de gastos. Segundo o levantamento, 72% dos consumidores latino-americanos comparam preços em pelo menos duas plataformas antes de comprar, e mais da metade afirma ter reorganizado seus hábitos de consumo nos últimos 12 meses. No Brasil, essa racionalidade não elimina o impulso, mas o torna mais calculado: promoções, cashback, pontos e benefícios imediatos funcionam como gatilhos decisivos.
Ao mesmo tempo, o entretenimento ocupa um papel central no comportamento do consumidor. Plataformas como YouTube, TikTok e Instagram deixaram de ser apenas espaços de lazer e passaram a moldar a descoberta, a validação e a decisão de compra. Seis em cada dez compras digitais na América Latina começam em uma rede social, e no Brasil o consumo de vídeo por hora é o mais alto da região. O conteúdo, especialmente em vídeo, tornou-se a principal ponte entre marcas e consumidores.
Esse movimento também redefine a confiança. A pesquisa mostra que o consumidor brasileiro de 2026 é desconfiado e exige provas reais. Avaliações, tutoriais, vídeos explicativos e recomendações de criadores têm mais peso do que a publicidade tradicional. A reputação da marca, a clareza das informações e a fluidez da experiência são fatores tão importantes quanto o preço.
Rapidez e personalização
Outro traço marcante é a intolerância ao atrito. Checkouts longos, processos confusos, falta de transparência ou opções limitadas de pagamento afastam o consumidor imediatamente. A popularização do PIX, utilizado semanalmente por mais de 80% dos brasileiros, elevou o padrão de expectativa por rapidez e simplicidade. Em um contexto de incerteza, reduzir o esforço tornou-se tão valioso quanto reduzir o custo.
O Brasil também se destaca pelo apetite por experiências personalizadas, desde que acompanhadas de práticas claras de privacidade. O consumidor quer relevância, mas exige controle e transparência no uso de seus dados. Esse equilíbrio entre personalização e confiança será decisivo para marcas que desejam manter competitividade.
Em síntese, o consumidor brasileiro que chega a 2026 é híbrido: impulsivo e estratégico, emocional e racional, exigente e aberto à experimentação. A gerente de marketing da ABCS, Danielle Sousa, explica que o consumidor transita entre o físico e o digital com naturalidade, consome entretenimento como parte da rotina e espera que as marcas entendam seu contexto, respeitem seu tempo e entreguem valor imediato.
“Diante desse novo consumidor que é estratégico, digital e exigente, carne suína encontra uma grande oportunidade de reposicionamento. A personalização pode acontecer desde a comunicação segmentada nas redes sociais até a oferta de cortes, porções e receitas adaptadas a diferentes perfis e momentos de consumo”, explica ela, que também destaca o potencial nutricional da proteína suína. “O alto teor de proteína, vitaminas do complexo B e excelente relação custo-benefício dialogam diretamente com quem busca saúde, praticidade e inteligência financeira na hora da compra. Iniciativas digitais como o @maiscarnesuina já exemplificam esse movimento, ao levar conteúdo relevante e informativo ao público, fortalecendo a conexão entre produto, confiança e decisão de compra.”
Suínos
Paraná consolida liderança na exportação de suínos de raça; colheita de soja alcança 37%
Em 2025, o Paraná foi responsável por 62,1% da receita nacional de exportação de suínos de alto valor genético (US$ 1,087 milhão), tendo o Paraguai como o principal destino desse material.

O Departamento de Economia Rural (Deral), da Secretaria da Agricultura e do Abastecimento (Seab), divulgou nesta quinta-feira (26) o Boletim Conjuntural com dados atualizados da última semana de fevereiro. Nos assuntos em destaque, o levantamento aponta que o Paraná consolidou sua posição, entre os estados brasileiros, como o maior exportador de suínos reprodutores de raça pura.
Em 2025, o Paraná foi responsável por 62,1% da receita nacional de exportação de suínos de alto valor genético (US$ 1,087 milhão), tendo o Paraguai como o principal destino desse material. Esse desempenho reforça a sanidade e o padrão tecnológico do rebanho paranaense, que atende mercados como Argentina, Uruguai e Bolívia. “Essa escolha pelo Paraná mostra, mais uma vez, que o Estado tem genética de ponta e sanidade do rebanho”, destaca a médica veterinária e analista do Deral, Priscila Marcenovicz.

Fotos: Geraldo Bubniak/AEN
Ainda dentro da área da pecuária, o boletim destaca as exportações de carne bovina brasileira, que atingiram 258,94 mil toneladas, um aumento de mais de 25% em comparação ao mesmo mês do ano passado.
Há uma preocupação com a cota de importação chinesa, estabelecida em 1,1 milhão de toneladas. Só em janeiro, mais de 10% dessa cota já foi utilizada, o que pode causar variações no preço ao longo do ano. Mas outros mercados importantes continuam aumentando as aquisições de carne brasileira. No mercado interno, a maioria dos cortes bovinos pesquisados pelo Deral subiu de preço, com destaque para o filé mignon, que acumula alta de 17% em um ano.
Na avicultura de corte, o cenário é de margens positivas para o produtor paranaense. O custo de produção do frango vivo encerrou 2025 em R$ 4,65/kg, uma queda de 2,9% em relação ao ano anterior, impulsionada principalmente pelo recuo nos preços da ração (-8,92%). No fechamento do ano, o preço médio recebido pelo produtor (R$ 4,92/kg) ficou 4,2% acima do custo médio anual, preservando a rentabilidade em um setor que lidera as exportações de carne no Brasil.
Safra

O boletim trata ainda dos números da estimativa de safra, com base no relatório de Previsão de Safra Subjetiva, que tem como destaque a atualização da área de plantio do milho.
No setor de grãos, a soja caminha para uma colheita robusta, mantendo a estimativa de 22,12 milhões de toneladas para o ciclo 2025/26. Até o momento, os trabalhos de campo atingiram 37% dos 5,77 milhões de hectares plantados, um ritmo considerado dentro da normalidade histórica. A manutenção da projeção traz segurança ao setor produtivo, embora o avanço da colheita da oleaginosa seja monitorado de perto, já que dita o ritmo de plantio do milho segunda safra e ajuda a mitigar riscos climáticos na janela de semeadura.
O milho também desempenha papel central no balanço mensal, com previsão de alcançar 21,1 milhões de toneladas no somatório das duas safras. A primeira safra já está com 42% da área colhida, enquanto o plantio da segunda safra atingiu 45% dos 2,86 milhões de hectares previstos. A ampla área destinada ao cereal no segundo ciclo sustenta a perspectiva de produção elevada, garantindo o suprimento para a cadeia de proteína animal, apesar da concorrência direta com a soja pelo cronograma de uso das áreas agrícolas.

Foto: Jaelson Lucas / AEN
Para o analista do Deral, Edmar Gervasio, o momento é bom. “Estamos tendo uma recuperação de área de plantio. Comparando com o período anterior, tivemos uma alta de mais de 20% em termos de área. Há muito tempo não se via um ganho de área na primeira safra porque a soja sempre é a principal cultura no primeiro ciclo de verão. Nesse ano, teve uma inversão. O milho ganhou espaço, principalmente, na primeira safra. E a produtividade tem sido muito boa. Devemos colher em torno de 3,6 milhões de toneladas na primeira safra e esse número pode melhorar”, disse.
Em contraste com a estabilidade da soja, a cultura do feijão acende um alerta devido à forte redução de área. O levantamento de fevereiro aponta uma retração na área da segunda safra em relação ao ano anterior. Segundo Carlos Hugo Godinho, engenheiro agrônomo e analista do Deral, a redução é um movimento de cautela do produtor, que busca culturas com custos de manejo mais previsíveis neste momento.
“Para quem produz, o cenário é de preços firmes, o que pode compensar o menor volume colhido. Já para o consumidor, mesmo com oscilação de preços a subida tem ocorrido de forma gradual e o varejo ainda possui estoques que amortecem o repasse imediato. A recomendação é que o consumidor pesquise, pois o feijão preto, por exemplo, ainda apresenta valores bem mais acessíveis que no mesmo período do ano passado”, diz.
