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Qual a real importância da tecnologia para o agronegócio?
Mesmo com crescimento previsto para 2025, estudo aponta que o agronegócio brasileiro ainda apresenta baixa maturidade digital.

O agronegócio é um setor vital para a economia brasileira. No entanto, assim como outros segmentos, ele enfrenta desafios constantes, principalmente, devido ao cenário de instabilidade política e econômica. Diante disso, cabe ao produtor a missão de procurar alternativas que ajudem a manter as operações mesmo em meio a situações incontroláveis. E, a tecnologia, como sempre, se mostra como um recurso indispensável.
Sabemos que o uso de recursos tecnológicos já é uma realidade no agro. Entretanto, esse movimento ainda não é aplicado de forma unânime por todas as empresas. Muitas ainda têm dificuldades para avançar com a tecnologia nas operações, como confirma o Índice Transformação Digital Brasil (ITDBr) 2024, da PwC Brasil. De acordo com o estudo, o segmento apresenta o menor índice de maturidade digital entre as indústrias avaliadas de, aproximadamente, 3,1, resultado abaixo da média dos demais setores.
Ainda segundo o ITDBr, o agronegócio tem uma postura mais conservadora em relação à transformação digital, sendo que 75% das organizações optam por uma abordagem seletiva para investir em tecnologia. Entre as principais causas para este resultado, de acordo com o estudo, está a cultura organizacional, que se mostra como um grande obstáculo a ser superado por 73% das empresas.
Ou seja, se por um lado temos grandes empresas que já compreendem como a tecnologia beneficia as operações, por outro, ainda temos aquelas que possuem resistência por não entenderem, de fato, como este recurso pode auxiliar no dia a dia.
Diferentemente de outros setores, o agro é responsável desde o plantio e colheita, até a distribuição final. Com isso, cabe a empresa a missão de monitorar cada uma das etapas, a fim de garantir que o produto chegue até o consumidor. Na prática, estamos falando de um processo complexo que exige um rigoroso controle e acompanhamento, o qual, se realizado totalmente de forma manual, impacta em erros e falta de confiabilidade, considerando que as informações não são fornecidas de forma completa.
Neste sentido, a tecnologia se posiciona como um fator determinante para a eficácia das operações. Por meio de recursos como drones, sensores, IoT (Internet das Coisas), Big Data e, sobretudo, a Inteligência Artificial, os produtores passam a obter ganhos significativos, uma vez que têm acesso a informações confiáveis que garantem redução de custos e máxima produtividade.
Com as operações automatizadas e por meio de análises preditivas, torna-se possível identificar gargalos na gestão, se antecipar em meio a instabilidades comerciais, garantir lucratividade, ter um melhor preparo frente as mudanças climáticas, controle e qualidade do solo, entre outros indicadores que beneficiam as atividades diárias.
O agronegócio é considerado uma área do futuro. Ou seja, planta hoje, pensando em conquistar o amanhã. Deste modo, considerando que, da porteira para fora, há um clima instável, é primordial que, da porteira para dentro, os processos estejam alinhados e em dia, afinal, são os investimentos feitos agora que irão determinar a conquista de resultados promissores.

Foto: Freepik
Contudo, é fundamental enfatizar que a tecnologia não é capaz de fazer tudo sozinha. Ou seja, de nada adianta adquirir um sistema de gestão, sem que “a casa esteja em ordem”. Quanto a isso, ter o apoio de uma consultoria especializada é uma estratégica importante a ser adotada. Isso porque o time de especialistas, além de guiar a empresa rumo às melhores práticas, também segue o modus operandi da organização, levando em conta as particularidades de cada vertical do setor.
Apesar dos obstáculos, o agronegócio continua em alta. Em 2024, de acordo com o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea) em parceria com a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), o setor representou 23,2% do PIB total do Brasil. E, para 2025, a expectativa é que o segmento cresça entre 3,5% até 6% no PIB da Agropecuária, impulsionado pela safra recorde de grãos estimada em 322,4 milhões de toneladas.
As projeções são promissoras, e mostram o tamanho da força que o segmento possui. Por sua vez, para conseguir extrair o que há de melhor, é preciso começar desde já a tomar iniciativas nesse sentido, visando assegurar o desempenho favorável frente as instabilidades que serão, cada vez mais, recorrentes. Até porque, a inação é o que provoca a estagnação do ponto de vista de crescimento. E, para implementar um novo processo, é preciso colocar em prática a visão preditiva de cuidado e controle.

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Quando investir em marketing no agronegócio?
Experiência prática mostra como a aplicação de métricas e etapas bem definidas orienta decisões sobre quando, como e por que investir em comunicação no setor.

O marketing no agronegócio é complexo e exige, a todo instante, uma análise criteriosa sobre o andamento das ações. Na Ação Estratégica – Comunicação e Marketing no Agronegócio, fazemos essa leitura de cenário com base em uma fórmula exclusiva, chamada V.C.I.D.
Certa vez, uma empresa de nutrição animal contratou a agência para fazer um projeto de marketing de conteúdo. Reuni a equipe e estruturamos o planejamento, indicando os melhores canais e as abordagens mais apropriadas.

Artigo escrito por Rodrigo Capella, palestrante e diretor geral da Ação Estratégica – Comunicação e Marketing no Agronegócio.
Após o sinal verde do cliente, começamos a produzir o conteúdo, que teve rápido engajamento e visibilidade em curva ascendente.
Tudo estava uma maravilha até que o alcance se estagnou, de uma hora para outra. Foi quando, então, aplicamos a fórmula V.C.I.D para entender o cenário.
A etapa da visibilidade (V) já estava concluída e agora precisávamos completar a fase seguinte, o C de Credibilidade. As ações eram outras, os objetivos eram outros.
Adaptamos o conteúdo para atingir as novas metas e o processo andou naturalmente. Em pouco tempo, mais uma etapa concluída.
Esse aprendizado me fez refletir sobre uma questão específica: quando investir em marketing no agronegócio?
O resultado desta análise, em alguns momentos profunda, vou compartilhar agora com você. Acredito que uma empresa de agronegócio precisa investir em marketing quando quer:
1) Destacar os seus diferenciais
2) Aparecer com a mesma intensidade que seus principais concorrentes
3) Ampliar a presença de mercado de forma estratégica.
4) Garantir a solidez do negócio.
Esses quatro pontos muitas vezes se convergem e automaticamente explicam que, sem marketing, uma empresa pode prejudicar as suas conexões e, com menos conexões, uma empresa compromete a sua essência.
Portanto, o marketing no agronegócio é – e sempre será – fundamental. Você dúvida disso?
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A presença silenciosa do agro no dia a dia das pessoas
Reconhecer o agro como parte integrante da vida moderna e não como um setor distante da realidade urbana, é fundamental para compreender os desafios e as oportunidades que se desenham.

Quando se fala em agronegócio, a imagem mais comum ainda está associada ao alimento que chega à mesa. Mas o agro vai muito além da alimentação. Ele está presente, de forma quase invisível, em objetos, hábitos e setores que fazem parte da rotina urbana, dos cosméticos à indústria têxtil, da energia que move veículos aos materiais usados na construção civil.
Óleos vegetais e extratos naturais são amplamente utilizados na formulação de produtos de higiene pessoal e farmacêuticos. Algodão, fibras naturais e até tecidos tecnológicos têm origem no campo. Já os biocombustíveis, como o etanol e o biodiesel, são exemplos claros de como a produção agrícola se conecta diretamente à mobilidade, à transição energética e à redução das emissões de carbono.

Artigo escrito por Luis Schiavo, engenheiro agrônomo, CEO e fundador da Naval Fertilizantes.
Essa integração entre campo e cidade não é casual. Ela reflete um movimento estrutural de diversificação do uso das matérias-primas agrícolas, impulsionado por demandas globais por sustentabilidade, eficiência produtiva e segurança no abastecimento. À medida que a população cresce e os centros urbanos se expandem, aumenta também a necessidade de cadeias produtivas mais resilientes e integradas.
Nesse contexto, os fertilizantes exercem um papel fundamental, embora pouco percebido pelo consumidor final. São eles que viabilizam a produtividade agrícola necessária para sustentar não apenas a produção de alimentos, mas também de insumos essenciais para diferentes segmentos da indústria. Garantir o equilíbrio do solo e a eficiência das lavouras é um fator-chave para manter a estabilidade dessa cadeia que conecta o agro a múltiplos setores da economia.
Mais do que insumos agrícolas, os fertilizantes são instrumentos estratégicos para a segurança produtiva e ambiental do agronegócio. Ao fornecer nutrientes essenciais como nitrogênio, fósforo e potássio, eles garantem o desenvolvimento adequado das plantas, elevam a eficiência do uso do solo e reduzem a necessidade de abertura de novas áreas agrícolas. Quando aplicados com manejo técnico e responsável, seguindo critérios de dose, momento e local adequados, eles contribuem para uma produção mais sustentável, com menor desperdício de recursos naturais e maior previsibilidade de oferta para toda a cadeia que depende do campo, da alimentação à indústria.
O futuro aponta para uma presença ainda mais estratégica do agro no cotidiano das pessoas. Tendências como a bioeconomia, o avanço dos biocombustíveis e a busca por matérias-primas renováveis indicam que o campo continuará sendo uma base essencial para soluções industriais e ambientais. Ao mesmo tempo, cresce a responsabilidade de produzir mais, com menor impacto e maior eficiência.
Reconhecer o agro como parte integrante da vida moderna e não como um setor distante da realidade urbana, é fundamental para compreender os desafios e as oportunidades que se desenham. Afinal, muito do que consumimos, usamos e movimenta a economia começa longe dos centros urbanos, mas está presente, silenciosamente, em cada detalhe do nosso dia a dia.
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O agro que não cabe no estereótipo
Produzir em escala global exige método, previsibilidade e estratégia, atributos que colocam o Brasil em um patamar já distante da ideia de setor “em desenvolvimento”.

Há uma diferença fundamental entre produzir muito e produzir de forma estruturada. O Brasil atravessou essa fronteira e isso muda tudo.
Ser o terceiro maior exportador de carne suína, o maior produtor e exportador de carne bovina do planeta e o maior exportador mundial de carne de frango, não é uma coleção de medalhas. É a evidência de que o agro brasileiro deixou – há tempo – de ser um setor “em desenvolvimento” para operar como um sistema maduro, previsível e estratégico no tabuleiro global de alimentos.

Artigo escrito por Giuliano De Luca, jornalista e editor-chefe de O Presente Rural.
Essas posições não se sustentam com discurso. Exigem sanidade rigorosa, rastreabilidade, escala, eficiência logística, genética, nutrição de precisão, indústria integrada e capacidade de cumprir contratos quando o mundo inteiro está comprando – e quando parte dele está em crise. Países que não dominam processos não chegam a esse patamar. Chegam a picos. O Brasil sustenta.
O mesmo raciocínio vale para as lavouras. O país é o maior produtor mundial de soja, figura entre os líderes globais em milho, domina cadeias como açúcar, café, suco de laranja e algodão, e avança em segmentos que raramente entram no debate público, mas dizem muito sobre eficiência: a produção brasileira de ovos, por exemplo, caminha para um consumo médio superior a 300 unidades por habitante ao ano em 2026. Isso não acontece por acaso. Acontece quando há oferta contínua, custo controlado e confiança do consumidor.
O que une todas essas cadeias não é apenas o clima ou a terra. É método. É repetição de desempenho. É um agro que aprendeu a operar sob pressão ambiental, sanitária, econômica e reputacional – muitas vezes simultaneamente.
E aqui surge o paradoxo brasileiro.
Enquanto o país se consolida como um dos maiores provedores de alimentos do mundo, parte do debate interno ainda trata o agro como se fosse uma atividade rudimentar, predatória por definição, incompatível com ciência ou sustentabilidade. Essa narrativa não vive apenas nas redes sociais. Ela aparece em discursos acadêmicos simplificados, em livros didáticos desatualizados e em análises urbanas que observam o campo à distância, com visões míopes que já não explicam a realidade.
Não se trata de negar conflitos, impactos ou desafios. O agro brasileiro tem problemas. Mas reduzi-lo a caricaturas é intelectualmente pobre e estrategicamente perigoso. Um país que não compreende o seu principal sistema produtivo caminha para decisões ruins, políticas frágeis e debates estéreis.
Sem o agro, o Brasil não seria apenas menos competitivo. Seria menos relevante. Menos soberano. Menos capaz de alimentar a própria população a preços acessíveis. Menos preparado para responder às crises globais que, cedo ou tarde, sempre chegam.
O agro moderno não pede aplauso. Pede compreensão. Não busca unanimidade. Busca racionalidade. Ele não é perfeito, mas é, hoje, um dos raros setores nacionais capazes de transformar conhecimento em escala, eficiência em constância e produção em poder geopolítico.
Os números recentes não são um ponto de chegada. São um aviso: o Brasil já opera em outro patamar. A pergunta que fica não é se o agro avançou. É se o debate público vai conseguir alcançá-lo.
A pergunta que fica não é se o agro avançou. É se o debate público vai conseguir alcançá-lo



