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Suínos Presente e futuro na suinocultura

Qual a importância da tomada de decisão baseada em Inteligência Artificial na análise de dados?

Análises baseadas em IA e algoritmos de machine learning tornam a suinocultura mais precisa, eficiente e sustentável frente aos desafios ambientais e produtivos.

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Foto: Divulgação

A tomada de decisão baseada em Inteligência Artificial (IA) na análise de dados é fundamental nos dias de hoje, pois reduz o achismo e aumenta a precisão nas escolhas. Esse critério é, especialmente, importante em ambientes incertos ou altamente competitivos que, com a gestão dos dados em mãos, é possível identificar gargalos, otimizar processos e alocar recursos de forma mais inteligente, tornando os manejos mais objetivos e eficazes.

As análises históricas e preditivas ajudam a identificar padrões de comportamento no mercado da suinocultura, o que facilita a criação de estratégias mais alinhadas com a realidade. Ao entender profundamente os dados, é possível desenvolver novos produtos, serviços ou soluções mais relevantes, com base em necessidades reais. Dessa forma, com decisões embasadas em dados de pesquisa, é possível medir os resultados com mais clareza, aprender com erros e acertos, e ajustar estratégias com agilidade, facilitando o convencimento das partes interessadas.

Os algoritmos de machine learning é um ramo da IA com capacidade de fornecer previsões e insights por meio da análise de grandes conjuntos de dados que resultam em informações e auxiliam na tomada de decisão. As características de interesse incorporadas aos códigos são capazes de realizar a predição e lidar com investigações complexas de forma eficaz, a qual depende de tecnologias para tratar grandes conjuntos de dados, conhecido como big data.

Fotos: Shutterstock

As relações entre o monitoramento da temperatura do ambiente e os impactos sobre o consumo e desempenho na tomada de decisão, por meio de IA nas análises de dados e do uso de algoritmos, vem sendo estudado para entender, com mais detalhes, como os serviços técnicos podem auxiliar no melhor aproveitamento de nutrientes pelos animais. Como o ambiente é, muitas vezes, diferente das condições em que ocorre a seleção genética, além das mudanças climáticas, ocorre uma significativa barreira para atender, de modo sustentável, como se dará o aumento de produção global da carne suína, necessitando ser mais bem estudada a relação com o ambiente, para que ocorra hiperprodutividade dos animais.

Controle ambiental

Os suínos mantêm sua temperatura corporal relativamente constante em uma certa zona de conforto térmico (ZCT). Contudo, os resultados dos algoritmos computacionais acusam que a variação de 5°C acima ou abaixo impacta diretamente o consumo de ração diário e dos nutrientes, para que o animal consiga alcançar o peso esperado ao final do alojamento.

A variação de temperatura do ambiente possui uma correlação negativa de 60% sobre o consumo de ração na fase de creche e, por consequente, também em nutrientes como a lisina digestível, fósforo disponível e de energia metabolizável. Isto é, conforme ocorre a oscilação de temperatura abaixo da zona de conforto térmico (ZCT) constatou-se, por meio dos algoritmos de machine learning, que os suínos precisam aumentar o consumo de ração para ajustar as quantidades diárias destes nutrientes e, dessa forma, atingir o peso esperado ao final da fase.

Na prática, quando sabemos o verdadeiro impacto do ambiente no consumo e desempenho dos suínos, torna-se possível tomar medidas antecipadas de controle ambiental, ajuste de densidade animal ou fornecimento de ração mais concentrada nos dias mais quentes, bem como o uso de gestão de dados para fazer predições de desempenho por meio dos algoritmos de machine learning.

Pesquisas corroboram com o fato de que, em baixas temperaturas e alta umidade relativa, os suínos geram calor por meio do aumento do metabolismo basal e ocorre o efeito térmico da alimentação por meio de maior consumo de nutrientes. Por outro lado, em altas temperaturas e baixa umidade relativa, utilizam o mecanismo de regulação para dissipar calor ao ambiente, prevenindo o excesso de calor corporal e reduzindo o consumo de ração.

A relação entre a temperatura do meio ambiente e o consumo dos nutrientes pode ser prevista, indiretamente, usando parâmetros ambientais e relacionados ao crescimento dos animais, concentrando-se principalmente em correlação linear, path analysis, regressão linear e/ou múltipla, regressão stepwise, análise fatorial, análise de componentes principais (ACP), redes neurais artificiais (RNAs) e estatística bayesiana, dos quais se assume uma relação linear e não-linear, a depender da característica de interesse ​​e o impacto da temperatura ambiental sobre a mesma.

Essas metodologias reduzem o número de características necessárias para a entrada dos dados aos algoritmos de machine learning e predição do consumo de nutrientes, permitindo análises mais robustas e abrangentes o suficiente para realmente mostrarem as interações entre as condições ambientais, como a temperatura, desempenho em ganho de peso diário (GPD) e peso corporal esperado e, consumo dos animais, principalmente de lisina digestível e fósforo disponível, bem como de energia metabolizável (EM).

Os algoritmos de machine learning conseguem inferir que, leitões alojados em temperaturas entre 5 e 10°C abaixo da zona de conforto térmico afeta, principalmente, a primeira e segunda semana na fase de creche, momento em que os animais estão em período de adaptação no pós-desmame e necessitam de maiores cuidados de aquecimento das baias (Figura 1). Ainda, pode-se verificar o aumento em 9,7% na exigência de fósforo disponível para suprir a necessidade de alcançar o peso final esperado e garantir o consumo de ração diário semelhante aos planos nutricionais estabelecidos pelos nutricionistas.

Figura 1 – Resposta dos algoritmos de machine learning de consumo diário de ração nas duas primeiras semanas de alojamento na fase de creche abaixo da zona de conforto térmico.

Por outro lado, devido à redução do consumo de ração em animais alojados em temperatura acima de 30°C nas fases de Recria e Terminação, aumenta-se, em média, 5,4% da exigência de lisina digestível para que, dessa forma, o animal alcance o peso corporal esperado (Figura 2). Consequentemente, resulta-se em aumento de custo de produção em nutrição para os animais por exigir que o animal consuma maior quantidade de proteína na dieta para compensar a redução de consumo de ração diário.

Figura 2 – Relação da exigência de fósforo disponível para leitões na primeira semana pós-desmame alojados em temperaturas entre 5 e 10°C abaixo da zona de conforto térmico.

Para suínos em fase de terminação, com peso vivo entre 90 e 130 kg, expostos a temperaturas acima de 30°C, o aumento da lisina digestível na dieta pode mitigar os efeitos negativos do estresse térmico (Figura 3). Os impactos do estresse térmico nessa fase ocorrem por meio de redução do consumo de ração, prejudicando o crescimento, menor deposição de carne magra na carcaça, uma vez que o desvio de energia para dissipação de calor reduz a eficiência na conversão alimentar e aumento da conversão alimentar, uma vez que o animal aumenta o consumo de ração para manter o peso corporal, reduzindo o GPD e aumentando a conversão alimentar (CA).

Figura 3 – Relação da exigência de lisina digestível para cevados alojados na fase de recria em temperatura acima de 30°C.

Em caso de redução do consumo de nutrientes, a taxa de crescimento na fase de recria e terminação também é reduzida, resultando em um aumento da conversão alimentar. Por outro lado, quando os nutrientes são fornecidos em excesso à necessidade, estes contribuem para o aumento da excreção e redução de uma produção sustentável.

Em suínos durante a fase de crescimento, a eficiência metabólica de retenção de lisina digestível é, aproximadamente, 72% e, no período de engorda, a eficiência em animais, consumindo duas rações em fase de terminação, é de apenas cerca de 45%. Assim, melhorar a eficiência do uso de nutrientes requer melhorar também a digestibilidade e fornecê-los, ao longo do tempo, o mais próximo possível das necessidades individuais dos animais, a fim de limitar seu excesso ou escassez de oferta dos nutrientes.

O consumo de ração e o GPD de suínos em fase de recria e terminação diminui com o aumento da temperatura a partir de 20 °C. Além disso, os efeitos impactam ainda mais com o aumento do peso corporal dos suínos (Figura 4).

Figura 4 – Resposta dos algoritmos de machine learning sobre suínos na fase de Terminação quando alojados em temperaturas acima de 30°C.

Dessa forma, as mudanças nas necessidades nutricionais e o aumento da temperatura média ao longo dos últimos anos, bem como a variabilidade individual em suínos, influenciam a eficiência da utilização de nutrientes e, tais variabilidades, devem ser consideradas para predizer as necessidades nutricionais com maior precisão.

Considerando que o objetivo da maior precisão na nutrição de suínos é desenvolver sistemas em IA capazes de estimar e fornecer, no momento certo, uma ração com quantidade e composição adaptadas às necessidades diárias de cada ração a ser consumida pelos animais, a melhoria da eficiência alimentar e nutricional torna-se uma questão fundamental para a sustentabilidade em sistemas de produção de suínos.

O acesso à edição digital do jornal Suínos é gratuita. Para ler a versão completa online, clique aqui. Boa leitura!

Fonte: O Presente Rural

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Primeiro lote de inscrições ao Sinsui 2026 encerra em 15 de janeiro

Evento acontece entre os dias 19 e 21 de maio, no Centro de Eventos da PUCRS, em Porto Alegre (RS). o Simpósio chega à sua 18ª edição consolidado como um espaço técnico de discussão sobre produção, reprodução e sanidade suína, em um momento de crescente complexidade para a cadeia produtiva.

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Foto: Jaqueline Galvão/OP Rural

A suinocultura brasileira e internacional tem encontro marcado em maio, na Capital gaúcha, com a realização do Simpósio Internacional de Suinocultura (Sinsui). O evento ocorre de 19 a 21 de maio, no Centro de Eventos da PUCRS, e chega à sua 18ª edição consolidado como um espaço técnico de discussão sobre produção, reprodução e sanidade suína, em um momento de crescente complexidade para a cadeia produtiva. O Jornal O Presente Rural é mais uma vez parceiro de mídia do Simpósio e toda a cobertura você pode acompanhar pelas nossas redes sociais.

Foto: Jaqueline Galvão/OP Rural

Faltando pouco mais de quatro meses para a abertura do simpósio, a organização avança em etapas-chave da preparação. A programação científica será divulgada a partir de fevereiro, mas já está em andamento o processo de submissão de trabalhos, um dos pilares do evento. Pesquisadores, técnicos e profissionais do setor têm até 23 de março para inscrever estudos científicos ou casos clínicos, que deverão se enquadrar em uma das áreas temáticas definidas pela comissão organizadora: sanidade, nutrição, reprodução, produção e manejo, One Health e casos clínicos.

A estrutura temática reflete desafios centrais da suinocultura contemporânea, como a integração entre saúde animal, saúde humana e meio ambiente, além da busca por eficiência produtiva em um cenário de custos elevados e maior pressão por biosseguridade. As normas para redação e envio dos trabalhos estão disponíveis no site oficial do evento, o que indica uma preocupação com padronização científica e qualidade técnica das contribuições.

Inscrições no evento

No campo das inscrições, o Sinsui mantém valores diferenciados por perfil de público. Até 15 de janeiro, profissionais podem se inscrever por R$ 650, enquanto estudantes de graduação em Medicina Veterinária, Zootecnia e Agronomia, além de pós-graduandos stricto sensu nessas áreas, pagam R$ 300. Há ainda modalidades específicas para visitantes e para acesso à feira. A inscrição dá direito a material de apoio, certificado, crachá e acesso à programação.

A política de descontos reforça o foco em participação coletiva, especialmente de empresas e instituições de ensino. Grupos de estudantes

Foto: Jaqueline Galvão/OP Rural

ou profissionais vinculados a empresas patrocinadoras têm condições mais vantajosas a partir de dez inscritos, enquanto demais empresas obtêm desconto para grupos acima de vinte participantes. Em ambos os casos, o modelo prevê a emissão de recibo único e a concessão de um código adicional de inscrição.

A organização também detalhou a política de cancelamento, com percentuais de reembolso decrescentes conforme a proximidade do evento, e ressalva para situações de força maior, nas quais o simpósio poderá ser transferido de data sem cancelamento das inscrições.

Termômetro

Ao reunir produção científica, debates técnicos e interação entre diferentes elos da cadeia, o Sinsui 2026 se posiciona como um termômetro dos rumos da suinocultura. Em um setor cada vez mais pressionado por exigências sanitárias, sustentabilidade e competitividade internacional, o simpósio tende a funcionar não apenas como espaço de atualização, mas como arena de construção de consensos técnicos e estratégicos.

Mais informações podem ser obtidas pelo e-mail contato@sinsui.com.br ou pelos telefones (51) 3093-2777 e (51) 99257-9047.

Fonte: O Presente Rural
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Piauí decreta emergência zoossanitária para prevenção da peste suína clássica

Entre as principais medidas está o controle rigoroso da movimentação de animais e de produtos considerados de risco.

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Foto: Ari Dias/AEN

O governador Rafael Fonteles decretou estado de emergência zoossanitária em todo o território do Piauí, para prevenção e controle da Peste Suína Clássica (PSC). A medida foi publicada no Diário Oficial do Estado (DOE) na terça-feira (06), e tem validade de 180 dias. Entre as principais medidas está o controle rigoroso da movimentação de animais e de produtos considerados de risco.

O decreto foi motivado pela confirmação de um foco da doença no município de Porto. A decisão considera laudos do Laboratório Federal de Defesa Agropecuária, vinculado ao Ministério da Agricultura, que confirmaram a ocorrência do vírus.

Ao justificar a medida, o documento destaca a necessidade de resposta imediata para evitar a disseminação da doença. “A movimentação de animais e de produtos de risco deverá observar normas e procedimentos estabelecidos pela equipe técnica, com vistas à contenção e à eliminação do agente viral”, diz o texto publicado no DOE.

O trânsito de animais só poderá ocorrer conforme normas definidas pela equipe técnica responsável pelas operações de campo, com foco na contenção e eliminação do agente viral.

O decreto também autoriza a Agência de Defesa Agropecuária do Estado do Piauí (Adapi) a expedir diretrizes sanitárias, adotar manejo integrado da doença e utilizar produtos já registrados no país, além de seguir recomendações técnicas de pesquisas nacionais.

Cabe ainda à Adapi a aquisição dos insumos necessários às ações de prevenção, controle e erradicação da PSC durante o período de emergência.

Fonte: Assessoria Governo do Piauí
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Exportações de carne suína batem recorde em 2025 e Brasil deve superar Canadá

Embarques somam 1,51 milhão de toneladas no ano, com alta de 11,9%, e colocam o Brasil como provável terceiro maior exportador mundial. Filipinas assumem liderança entre os destinos.

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Foto: Shutterstock

Levantamentos da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) mostram os embarques brasileiros de carne suína totalizaram 1,510 milhão de toneladas ao longo de 2025 (recorde histórico para as exportações do setor), volume 11,6% superior ao registrado em 2024, com 1,352 milhão de toneladas. Com isto, o Brasil deverá superar o Canadá, assumindo o terceiro lugar entre os maiores exportadores mundiais de carne suína.

Foto: Shutterstock

O resultado anual foi influenciado positivamente pelo bom desempenho registrado no mês de dezembro, com os embarques de 137,8 mil toneladas de carne suína, volume 25,8% superior ao registrado em dezembro de 2024, quando os embarques somaram 109,5 mil toneladas.

Em receita, as exportações brasileiras de carne suína totalizaram US$ 3,619 bilhões em 2025, número 19,3% maior em relação ao obtido em 2024, com US$ 3,033 bilhões. Apenas em dezembro, a receita somou US$ 324,5 milhões, avanço de 25,6% em relação ao mesmo período do ano anterior, com US$ 258,4 milhões.

Principal destino da carne suína brasileira em 2025, as Filipinas importaram 392,9 mil toneladas, crescimento de 54,5% em relação a 2024.

Em seguida aparecem China, com 159,2 mil toneladas (-33%), Chile, com 118,6 mil toneladas (+4,9%), Japão, com 114,4 mil toneladas (+22,4%), e Hong Kong, com 110,9 mil toneladas (+3,7%). “Houve uma mudança significativa no tabuleiro dos destinos de exportação. As Filipinas se consolidaram como maior importadora da carne suína do Brasil, e outros mercados, como Japão e Chile, assumiram protagonismo entre os cinco maiores importadores. Isso demonstra a efetividade do processo de diversificação dos destinos da carne suína brasileira, o que reduz riscos, amplia oportunidades e reforça a presença do Brasil no mercado internacional, dando sustentação às expectativas positivas para este ano”, ressalta o presidente da ABPA, Ricardo Santin.

Fonte: Assessoria ABPA
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