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Quais são as tendências que vão atingir a indústria brasileira nos próximos anos?
Rede de Observatórios do Sistema Indústria mapeou as macrotendências globais que podem afetar a indústria brasileira até 2040.

Compreender os movimentos globais que vão impactar a organização dos fluxos produtivos e o consumo nas próximas décadas é crucial para auxiliar o setor produtivo na formulação de planejamentos e estratégias a médio e longo prazo. Neste contexto, a Rede de Observatórios do Sistema Indústria mapeou e analisou as principais macrotendências que devem afetar a indústria brasileira até 2040 e sugeriu ações de como os setores poderão se organizar para aproveitar as oportunidades e se defender das ameaças geradas.
Para identificar essas tendências em nível global foi feito um levantamento exploratório em publicações e artigos científicos, nacionais e internacionais, bem como consultas a ferramentas de inteligência artificial. Em seguida, os conteúdos foram estruturados em uma matriz e foram feitas oficinas colaborativas com especialistas para análises mais complexas.

Foto: Ari Dias
Esse processo analítico identificou 14 macrotendências com potencial de impacto em toda a indústria nacional. Elas abrangem aspectos diversos, como mudanças nos padrões de consumo, novas tecnologias de produção, questões ambientais e transformações sociais.
“As análises geradas por este tipo de estudo permitem que organizações identifiquem oportunidades emergentes, antecipem riscos e alinhem suas estratégias a cenários de transformação, aumentando a resiliência e a capacidade de adaptação em contextos de incerteza”, explica o responsável pelo núcleo de prospectiva do Observatório Nacional da Indústria, Marcello Pio.
O gerente do Observatório da Federação de Indústrias do Paraná (Fiep), Sidarta Ruthes, explica também que o intuito do levantamento é induzir posicionamentos mais ativos das indústrias frente às tendências globais. “O estudo é capaz de influenciar planejamentos estratégicos e processos de criação de novos produtos e serviços para a indústria brasileira sair na frente”.
O que vai impactar o setor produtivo até 2040
- Cadeias multidimensionais:
Cadeias multidimensionais são redes complexas de produção, distribuição e consumo que abrangem várias geografias, setores, produtos e serviços. Podem envolver uma variedade de atores, incluindo fornecedores, fabricantes, distribuidores, varejistas e consumidores.
- Consumo singular:
Refere-se à crescente demanda dos consumidores por produtos e serviços personalizados que atendam às suas necessidades e preferências individuais.
- Cultura do bem-estar:
Está relacionada à crescente preocupação da população com o bem-estar e a qualidade de vida, envolvendo saúde física, mental, emocional e social. Cuidados com a alimentação, prática de atividades físicas e o equilíbrio entre trabalho e vida pessoal são aspectos relevantes dessa macrotendência.
- Desigualdades socioeconômicas:
Diz respeito à disparidade na distribuição de recursos e oportunidades entre diferentes grupos sociais e econômicos, incluindo desigualdades de renda, gênero, raça, riqueza, educação, saúde e oportunidades de emprego.
- Educação ubíqua
Educação ubíqua envolve uma abordagem na qual a educação pode ocorrer a qualquer hora e em qualquer lugar, centrada nas necessidades e nos interesses dos indivíduos.
- Escassez de recursos
Essa tendência alerta para a diminuição da disponibilidade de recursos naturais, como água, materiais orgânicos, minerais e energia, essenciais para atender às necessidades humanas.
- Instabilidade geopolítica

Foto: Ari Dias
Trata-se de conflitos, tensões ou incertezas entre nações que podem afetar a estabilidade política e econômica global. Essa macrotendência está diretamente relacionada a tensões comerciais, conflitos armados e ao surgimento de movimentos extremistas, nacionalistas e fundamentalistas.
- Mudanças climáticas
Um dos grandes desafios atuais é entender como lidar com as alterações de longo prazo nos
padrões climáticos, incluindo temperatura, umidade e pluviosidade. Essas transformações resultam em desequilíbrios ambientais e riscos à vida humana, animal e vegetal, além do aumento da frequência de eventos climáticos extremos, como inundações, ondas de calor, secas, tempestades tropicais e nevascas.
- Reconhecimento de diversidade
Essa tendência enfatiza a crescente valorização das diferenças individuais e coletivas, incluindo gênero, raça, etnia, orientação sexual, idade, habilidades físicas e mentais, religião e cultura.
- Transformações epidemiológicas
As mudanças nos padrões de doenças e condições de saúde que afetam as populações ao longo do tempo também tem impacto em todo setor produtivo. Devido ao avanço da medicina e das condições sanitárias da população, observa-se a diminuição de doenças infecciosas e parasitárias, mas também um aumento de doenças crônicas não transmissíveis, como diabetes mellitus, câncer e acidente vascular cerebral (AVC). Além disso, também é necessário levar em conta o risco de surgimento de novas doenças, como a Covid-19.
- Transformações no mundo do trabalho
Mudanças no mundo do trabalho estão remodelando a maneira como as empresas operam e gerenciam seus talentos. Trata-se tanto de mudanças no perfil dos trabalhadores como também nos impactos das novas tecnologias na produtividade e expectativas dos colaboradores.
- Transição demográfica
Aqui são consideradas as mudanças significativas na estrutura etária e na composição da população.
- Transição tecnológica e digital
A integração e incorporação de novas tecnologias digitais e de automação está impulsionando a inovação, aumentando a eficiência e criando oportunidades de negócios.
- Transição verde
Transição verde refere-se ao movimento global em direção ao crescimento sustentável por meio de soluções de baixo carbono. Envolve a adoção de estratégias que minimizem o impacto ambiental e promovam o uso eficiente dos recursos e preservem a biodiversidade.
Análise setorial

Com o objetivo de auxiliar setores e indústrias a analisar as grandes transformações globais e seus impactos nos negócios foi criada a matriz analítica de macrotendências (MAM), que permite analisar o cenário do setor em específico e auxilia a enxergar novas possibilidades e definir estratégias.
Para definir quais setores industriais seriam analisados foi feita uma seleção por meio de um índice composto de diversos indicadores, tendo em vista as seguintes dimensões de análise: empresas e empregos, arrecadação tributária, produção, produtividade, pesquisa e desenvolvimento, comércio internacional. Ao todo, dez setores foram mapeados e analisados, tendo como base as 14 macrotendências e como elas poderiam afetar cada mercado e forma de produção.
Confira as tendências específicas para cada setor:
2. Construção
3. Energia
5. Metalurgia e Produtos de Metal
8. Tecnologia da Informação e Comunicação
9. Transporte, Armazenagem e Correio
10. Veículos, Embarcações e Aeronaves

Colunistas
Você está desperdiçando o dinheiro do marketing?
Conheça três pontos que podem contribuir para um melhor desempenho.

Durante a conversa com um grande amigo, lembrei, recentemente, de uma experiência que tive no agronegócio. Uma empresa de nutrição animal precisava aumentar a visibilidade junto a potenciais clientes e entrou em contato com a Ação Estratégica – Comunicação e Marketing no Agronegócio.
O gerente de marketing compartilhou o briefing de forma clara e objetiva: “precisamos aparecer em mídias estratégicas, locais e nacionais, e também ampliar a nossa presença em canais digitais. A concorrência está grande e precisamos ser mais reconhecidos no campo. Isso vai ajudar a fechar negócios”.
Após algumas reuniões, finalizamos o planejamento de assessoria de imprensa e de redes sociais, definindo a linguagem, os temas e os principais objetivos a serem atingidos em curto e médio prazo.
Rapidamente, os porta-vozes foram definidos e participaram de um media training, no qual a Ação Estratégica apresentou dicas para os executivos terem um desempenho ainda melhor nas futuras entrevistas com jornalistas.
Como próximo passo, a mídia recebeu sugestões de notícias sobre a empresa e as redes sociais foram abastecidas com conteúdo relevante sobre o ecossistema em que a empresa atua.
Em poucos meses, os materiais divulgados causaram um grande impacto, maior do que o esperado. Potenciais clientes fizeram vários comentários nos posts publicados, mandaram mensagens em privado e também entraram em contato com a empresa via WhatsApp.
O sucesso desta ação teve três pontos centrais:
1) Análise
O cliente compartilhou importantes informações, na etapa do planejamento, sobre os perfis dos potenciais clientes. Essas informações propiciaram uma análise consistente de cenário.
2) Integração
O movimento foi realizado em total sintonia com o departamento de vendas, com o objetivo de potencializar as oportunidades de negócios.
3) Correção
Com frequência, realizamos reuniões para a correção de rotas, o que contribuiu para as divulgações serem sempre relevantes.
A importância desses três pontos (Análise, Integração e Correção) vai além do sucesso de uma ação específica. Se bem utilizados, eles contribuem diretamente para uma melhor utilização dos recursos, evitando, de forma contínua, o desperdício de dinheiro, e também propiciam um rico aprendizado a ser utilizado nas próximas atividades.
Afinal, com experiência, informação e estratégia adequada, melhoramos o nosso desempenho, não é mesmo?
Notícias
Mercado de fertilizantes no Brasil mantém forte dependência de importações
Volume soma 40,9 milhões de toneladas até outubro de 2025, com Mato Grosso liderando o consumo nacional.

As entregas de fertilizantes ao mercado brasileiro somaram 5,08 milhões de toneladas em outubro de 2025, alta de 2,1% frente ao mesmo mês do ano anterior, quando foram comercializadas 4,98 milhões de toneladas, segundo a Associação Nacional para a Difusão de Adubos (ANDA). No acumulado de janeiro a outubro foram registradas 40,94 milhões de toneladas entregues, com alta de 8,4% em comparação a igual período de 2024, quando o total foram entregues 37,78 milhões de toneladas.
O Estado de Mato Grosso manteve a liderança no consumo, com participação de 22,1% do total nacional, o equivalente a 9,05 milhões de toneladas. Na sequência aparecem Paraná (4,97 milhões), São Paulo (4,35 milhões), Rio Grande do Sul (4,21 milhões) Goiás (3,99 milhões), Minas Gerais (3,90 milhões) e Bahia (2,75 milhões).
A produção nacional de fertilizantes intermediários encerrou outubro de 2025 em 631 mil toneladas, registrando uma queda de 2,2% em relação ao mesmo mês de 2024. No acumulado de janeiro a outubro, o volume chegou a 6,20 milhões de toneladas, avanço de 5,7% em relação com as 5,87 milhões de toneladas no mesmo período de 2024.
As importações alcançaram no mês de outubro de 2025, 4,38 milhões de toneladas, redução de 1,1% sobre igual período do ano anterior. De janeiro a outubro, o total importado somou 35,88 milhões de toneladas, com crescimento de 7,1% em relação as 33,49 milhões de toneladas no mesmo período de 2024.
O Porto de Paranaguá consolidou-se como principal ponto de entrada do insumo, foram importadas 8,89 mil toneladas no período, crescimento de 5,8% frente a 2024 (8,40 milhões de toneladas). O terminal representou 24,8% do total de todos os portos, segundo dados do Siacesp/MDIC.
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Produtores têm até 31 de janeiro para regularizar inconsistências fiscais
Receita Federal intensifica fiscalização sobre rendimentos rurais e alerta para risco de autuações e multas após o prazo.

A Receita Federal do Brasil intensificou as orientações voltadas à conformidade fiscal no setor rural, com atenção especial aos rendimentos oriundos de arrendamentos de imóveis rurais. A iniciativa integra uma ação nacional de conformidade cujo objetivo é estimular a autorregularização dos contribuintes, permitindo a correção de inconsistências até janeiro de 2026, antes do avanço para etapas de fiscalização mais rigorosas.
Segundo o órgão, é recorrente a subdeclaração ou o enquadramento incorreto dos valores recebidos com arrendamentos, seja por desconhecimento da legislação tributária, seja por falhas no preenchimento das declarações. Para identificar divergências, a Receita Federal tem ampliado o uso de cruzamento de dados, recorrendo a informações de cartórios, registros de imóveis rurais e movimentações financeiras, em um ambiente de fiscalização cada vez mais digital e integrado.

Foto: Jonathan Campos/AEN
O advogado tributarista Gianlucca Contiero Murari avalia que o atual movimento do Fisco representa um ponto de atenção relevante para produtores rurais e proprietários de terras. “A autorregularização é uma oportunidade valiosa para o contribuinte rural corrigir falhas, evitar autuações, multas elevadas e até questionamentos mais complexos no futuro. A Receita Federal tem adotado uma postura cada vez mais preventiva, mas com fiscalização altamente tecnológica”, afirma.
Murari ressalta que os rendimentos provenientes de arrendamento rural exigem cuidado específico no enquadramento e na declaração, de acordo com as regras do Imposto de Renda. Isso inclui a avaliação sobre a tributação como pessoa física ou jurídica, conforme a estrutura da operação. “É fundamental que o produtor ou proprietário busque orientação especializada para avaliar contratos, natureza dos rendimentos e a forma correta de declarar. Um ajuste feito agora é muito menos oneroso do que uma autuação depois”, completa.



