Suínos Saúde Animal
Quais os impactos da circovirose para a suinocultura?
Doença é responsável por atraso no crescimento dos animais e por uma série de perdas produtivas

Presente nos mais diversos níveis produtivos, a Circovirose é responsável por uma série de perdas econômicas relevantes para suinocultura mundial. A patologia, que ocorre de forma endêmica, aumenta os níveis de mortalidade na granja e acarreta uma série de perdas produtivas.
“Quando pensamos no setor suinocultor, a circovirose é uma das doenças mais importantes à nível econômico, pois pode ser responsável por uma redução considerável no crescimento dos animais e uma série de perdas zootécnicas que geram prejuízos para os criadores”, afirma a médica-veterinária e gerente de linha da Unidade de Suínos da Ceva Saúde Animal, Marina Moreno.
A patologia tem como agente o Circovírus Suíno do tipo 2 (PCV2), que ataca o sistema imunológico dos animais. A transmissão da patologia ocorre tanto de forma vertical, das fêmeas para os leitões, como horizontal, de um animal para o outro. Neste caso os suínos são contaminados ao entrar em contato com secreções oro nasais.
Os animais afetados podem ter manifestações subclínicas e clínicas da doença. Na forma clínica os suínos afetados podem desenvolver uma destas cinco apresentações: doença sistêmica, doença respiratória, doença entérica, doença reprodutiva e síndrome de dermatite e nefropatia.
Entre essas, a manifestação sistêmica é uma das que mais preocupa os criadores, sendo responsável por uma série de perdas produtivas. A enfermidade acomete leitões a partir da quinta semana de vida, comprometendo e atrasando o crescimento dos animais. Em um plantel não vacinado, a mortalidade de animais com sinais clínicos pode ser bem superior a 50%. Os animais que sobrevivem acabam perdendo peso progressivamente sem capacidade de recuperação (refugando).
Outras formas de apresentação da doença incluem problemas respiratórios, enterites, dermatite, nefropatia e falhas reprodutivas. Além disso, por conta da imunossupressão, os suínos ficam sujeitos à ação de agentes oportunistas, que podem estimular o surgimento de outras patologias na granja.
Para conter os avanços do PCV2 na granja o diagnóstico diferencial é imprescindível. “Como a circovirose é uma doença multifatorial é preciso avaliar uma série de aspectos para determinar a presença do agente no plantel. Entre eles, os sinais clínicos, presença de lesões macroscópicas, análise dos índices da granja além dos resultados de exames laboratoriais”, detalha o médico-veterinário e gerente técnico da Unidade de Suínos da Ceva, William Costa.
Em linhas gerais, o diagnóstico da circovirose baseia-se no aparecimento de uma condição caracterizada, principalmente, por perda e mortalidade acima do esperado no nível histórico da granja e no diagnóstico individual dos animais que apresentam sintomas, como emagrecimento progressivo, perda de apetite, linfadenopatia, entre outros.
“Aconselha-se a realização de um diagnóstico completo para chegar à conclusão da presença do PCV2 no plantel. Para isso é necessário considerar outros agentes que podem causar atraso no crescimento e mortalidade”, explicam William.
Como a circovirose apresenta sintomas similares como os originados por outras patologias é essencial a realização do diagnóstico diferencial. “Ele será responsável por identificar qual patógeno está afetando os suínos. Essa informação é de extrema importância para que os animais possam receber o tratamento correto e principalmente para que as medidas corretivas sejam devidamente aplicadas na granja”, explica William.
O diagnóstico diferencial do PCV2 deve incluir todas as doenças que geram deterioração nos suínos. É necessário considerar as patologias que causam aumento de linfonodos, edema pulmonar e pneumonia intersticial, como Influenza, Salmonella e Micotoxinas.
A vacinação é a maior ferramenta que o suinocultor pode ter para manter seu plantel livre dessa doença. A vacinação de leitões e a monitoria do status imunológico de toda a granja, incluindo das marrãs de reposição, é de extrema importância para determinar o melhor momento de vacinação e escolher o protocolo mais adequado para a granja.

Suínos
Dia do Suinocultor celebra protagonismo de quem impulsiona setor de R$ 63,1 bilhões
Com 5,6 milhões de toneladas produzidas e US$ 3,6 bilhões em exportações, cadeia reforça a importância dos produtores para a competitividade da proteína animal brasileira.

Celebrado nesta sexta-feira (24), o Dia Nacional do Suinocultor destaca o protagonismo dos produtores que, diariamente, sustentam a evolução de uma das cadeias mais competitivas do agronegócio brasileiro.
Em 2025, a produção brasileira de carne suína alcançou 5,592 milhões de toneladas, consolidando o país como o quarto maior produtor mundial. O Valor Bruto da Produção (VBP) do setor chegou a R$ 63,1 bilhões, movimentando economias regionais, gerando renda e impulsionando uma ampla cadeia formada por produtores de grãos, empresas de genética, nutrição e saúde animal, transportadores, cooperativas, agroindústrias e outros segmentos.

Foto: Shutterstock
A presença internacional também ganhou força. No ano passado, o Brasil exportou 1,510 milhão de toneladas de carne suína para 94 países, gerando receita cambial de US$ 3,6 bilhões. Com esse desempenho, o país manteve-se como o terceiro maior exportador mundial. Do total produzido, 27,01% foi destinado ao mercado externo.
Ao mesmo tempo, o mercado brasileiro permaneceu como o principal destino da produção nacional. O consumo per capita atingiu 19,1 quilos por habitante em 2025, refletindo a crescente presença da carne suína na mesa dos brasileiros e a ampliação da variedade de cortes e produtos disponíveis no varejo e na alimentação fora do lar.
Para a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), esses resultados começam dentro das propriedades rurais. São os suinocultores que transformam avanços em genética, nutrição, manejo, sanidade, biosseguridade, bem-estar animal e sustentabilidade em ganhos efetivos de produtividade, qualidade e segurança dos alimentos. “Cada tonelada

Presidente da ABPA, Ricardo Santin: “Cada tonelada produzida, cada mercado conquistado e cada avanço alcançado pela suinocultura brasileira começa com o trabalho do produtor” – Foto: Mario Castello
produzida, cada mercado conquistado e cada avanço alcançado pela suinocultura brasileira começa com o trabalho do produtor. É dentro das granjas que os compromissos do setor com a sanidade, a eficiência, a qualidade e a sustentabilidade se transformam em prática. O suinocultor é o grande protagonista de uma cadeia que gera desenvolvimento para o Brasil e ajuda a garantir segurança alimentar para consumidores brasileiros e de dezenas de países”, destaca Ricardo Santin, presidente da ABPA.
Presentes em diferentes modelos de produção, sejam integrados, cooperados ou independentes, os suinocultores também desempenham papel decisivo na geração de oportunidades no interior do país. A atividade fortalece municípios, mantém renda nas comunidades e estimula investimentos em tecnologia, infraestrutura e qualificação profissional. “A competitividade da suinocultura brasileira não foi construída por acaso. Ela é resultado da capacidade de adaptação, do investimento e da dedicação de milhares de produtores. Celebrar o Dia do Suinocultor é reconhecer quem está na base de um setor que movimenta bilhões, abastece o mercado interno e leva a qualidade da proteína animal brasileira para o mundo”, conclui Santin.
Suínos
Mercado integrado paga mais pelo suíno vivo que o independente em julho
Cepea registra movimento atípico em algumas regiões do Sul, onde a elevada oferta e a demanda enfraquecida pressionam as cotações do mercado spot.
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Rentabilidade da suinocultura preocupa produtores de Mato Grosso
Apesar do avanço da produção e das exportações brasileiras, preços em queda e margens apertadas desafiam o setor no Estado.








