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Suínos / Peixes Saúde Animal

Quais os impactos da circovirose para a suinocultura?

Doença é responsável por atraso no crescimento dos animais e por uma série de perdas produtivas

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Arquivo/OP Rural

Presente nos mais diversos níveis produtivos, a Circovirose é responsável por uma série de perdas econômicas relevantes para suinocultura mundial. A patologia, que ocorre de forma endêmica, aumenta os níveis de mortalidade na granja e acarreta uma série de perdas produtivas.

“Quando pensamos no setor suinocultor, a circovirose é uma das doenças mais importantes à  nível econômico, pois pode ser responsável por uma redução considerável no crescimento dos animais e uma série de perdas zootécnicas que geram prejuízos para os criadores”, afirma a médica-veterinária e gerente de linha da Unidade de Suínos da Ceva Saúde Animal, Marina Moreno.

A patologia tem como agente o Circovírus Suíno do tipo 2 (PCV2), que ataca o sistema imunológico dos animais. A transmissão da patologia ocorre tanto de forma vertical, das fêmeas para os leitões, como horizontal, de um animal para o outro. Neste caso os suínos são contaminados ao entrar em contato com secreções oro nasais.

Os animais afetados podem ter manifestações subclínicas e clínicas da doença. Na forma clínica os suínos afetados podem desenvolver uma destas cinco apresentações: doença sistêmica, doença respiratória, doença entérica, doença reprodutiva e síndrome de dermatite e nefropatia.

Entre essas, a manifestação sistêmica é uma das que mais preocupa os criadores, sendo responsável por uma série de perdas produtivas. A enfermidade acomete leitões a partir da quinta semana de vida, comprometendo e atrasando o crescimento dos animais. Em um plantel não vacinado, a mortalidade de animais com sinais clínicos pode ser bem superior a 50%. Os animais que sobrevivem acabam perdendo peso progressivamente sem capacidade de recuperação (refugando).

Outras formas de apresentação da doença incluem problemas respiratórios, enterites, dermatite, nefropatia e falhas reprodutivas. Além disso, por conta da imunossupressão, os suínos ficam sujeitos à ação de agentes oportunistas, que podem estimular o surgimento de outras patologias na granja.

Para conter os avanços do PCV2 na granja o diagnóstico diferencial é imprescindível. “Como a circovirose é uma doença multifatorial é preciso avaliar uma série de aspectos para determinar a presença do agente no plantel. Entre eles, os sinais clínicos, presença de lesões macroscópicas, análise dos índices da granja além dos resultados de exames laboratoriais”, detalha o médico-veterinário e gerente técnico da Unidade de Suínos da Ceva, William Costa.

Em linhas gerais, o diagnóstico da circovirose baseia-se no aparecimento de uma condição caracterizada, principalmente, por perda e mortalidade acima do esperado no nível histórico da granja e no diagnóstico individual dos animais que apresentam sintomas, como emagrecimento progressivo, perda de apetite, linfadenopatia, entre outros.

“Aconselha-se a realização de um diagnóstico completo para chegar à conclusão da presença do PCV2 no plantel. Para isso é necessário considerar outros agentes que podem causar atraso no crescimento e mortalidade”, explicam William.

Como a circovirose apresenta sintomas similares como os originados por outras patologias é essencial a realização do diagnóstico diferencial. “Ele será responsável por identificar qual patógeno está afetando os suínos. Essa informação é de extrema importância para que os animais possam receber o tratamento correto e principalmente para que as medidas corretivas sejam devidamente aplicadas na granja”, explica William.

O diagnóstico diferencial do PCV2 deve incluir todas as doenças que geram deterioração nos suínos. É necessário considerar as patologias que causam aumento de linfonodos, edema pulmonar e pneumonia intersticial, como Influenza, Salmonella e Micotoxinas.

A vacinação é a maior ferramenta que o suinocultor pode ter para manter seu plantel livre dessa doença. A vacinação de leitões e a monitoria do status imunológico de toda a granja, incluindo das marrãs de reposição, é de extrema importância para determinar o melhor momento de vacinação e escolher o protocolo mais adequado para a granja.

Fonte: Assessoria
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Suínos / Peixes Produção Animal

Suinocultores do Mato Grosso temem desabastecimento de milho

Devido a grande quantidade de venda antecipada do grão e ao consumo das usinas de etanol de milho, suinocultores mato-grossenses receiam ficar sem milho para alimentação dos animais

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Arquivo/OP Rural

O principal componente para a alimentação animal é o milho. Segundo o último levantamento da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), a expectativa para a Safra 2019/2020 é de que o Brasil tenha uma produção superior a 100 milhões de toneladas do grão. O Mato Grosso é o maior produtor de milho do Brasil, porém, isso não tem feito com que os suinocultores do Estado fiquem mais tranquilos em relação ao preço e disponibilidade.

De acordo com o diretor executivo da Associação dos Criadores de Suínos de Mato Grosso (Acrismat), Custódio Rodrigues de Castro, o Estado já vem sofrendo com o desabastecimento do grão. Para ele, os maiores gargalos para isso acontecer estão sendo a alta comercialização adiantada do milho e as usinas de etanol do grão, que estão ficando cada vez mais populares. “Fizemos um levantamento com o Imea (Instituto Matogrossense de Economia Agropecuária) e vimos que 89% do milho que estamos colhendo já está vendido”, relata em reportagem exclusiva do jornal O Presente Rural.

Castro explica que eles observaram que desde a popularização e expansão das usinas de etanol de milho, não somente houve menos disponibilidade do grão no Estado, como também os preços aumentaram consideravelmente. “Hoje (em meados de julho) estamos falando em milho a R$35, R$36. Nessa mesma época no ano passado o preço era de R$ R$25 ou R$26. Isso nos mostra que o nosso custo de produção também vai subir, pelo menos 40%”, diz.

A liderança comenta que atrela esse aumento de custos as usinas de etanol porque elas são cada vez mais presentes no Estado, fazendo com que as cadeias produtivas seja esquecidas. “Nós temos uma grande preocupação em relação a isso, porque o único diferencial que tínhamos no Mato Grosso em relação aos outros Estados era o milho, e já nem tem mais tanto”, comenta. Castro explica que o Mato Grosso está longe dos grandes centros consumidores, o que também dificulta a comercialização dos suínos, uma vez que a maior parte da produção do Estado é para abastecer o mercado interno.

“Nós vamos nos sentar com o Governo do Estado e tentar alinhar isso, mostrando a nossa preocupação. Sabemos que estão pensando em investir no etanol de milho, que é algo que gera receita e emprego. Mas é preciso olhar também para as cadeias produtivas, por que como vamos ficar? E se faltar milho? E se tivermos que buscar milho lá fora?”, questiona.

A preocupação dos suinocultores é contundente, uma vez que segundo o levantamento da própria Conab, quanto a produção de etanol de milho no Brasil, a expectativa é que haja um aumento de 61,1% na safra 20/21. O relatório da companhia mostra ainda que no Mato Grosso a safra 2020/2021 praticamente dobrará a produção de etanol de milho, com projeção de 2,05 bilhões de litros em relação aos 1,27 bilhão da safra 2019/2020. Dessa maneira, pela primeira vez, o combustível proveniente do grão será maior que o volume oriundo da cana-de-açúcar no Estado, consolidando a operação das grandes usinas full, bem como a adaptação das indústrias flex ao novo mercado sucroalcooleiro.

“A nossa grande preocupação é que se já foram comercializados quase 90% da safra que está sendo colhida, como os produtores que normalmente não tem recursos para comprar milho antecipadamente vão ficar? Como o médio e o pequeno produtor, que não tem recurso e geralmente comprava milho aleatoriamente vão ficar?”, questiona. Castro comenta que eles sabem que será necessária uma adaptação por parte da cadeia produtiva, mas o Estado enfrenta dificuldades como estar longe de portos, de importações, ter uma logística ruim, o que dificulta e encarece a compra do grão por parte de suinocultores. “Por isso queremos alertar o Governo quanto a estas questões”, diz.

Segundo ele, é por isso que é tão importante o envolvimento do Governo nesta questão, uma vez que uma solução seria criar uma linha de crédito para o produtor conseguir ter acesso para comprar milho antecipadamente, fazer um armazém ou uma alternativa. “Isso, claro, a nível de governo federal. Quanto ao Estadual, o que queremos é que ele olhe para as cadeias produtivas, especialmente de suínos, aves e bovinos, para nos dar um benefício, diminuir algum tipo de imposto, dar algum tipo de incentivo para os produtores daqui, para que tenhamos recursos para antecipar a compra do milho”, conta.

Castro esclarece ainda que não houve um aumento significativo no plantel mato-grossense a ponto de influenciar o consumo de milho no Estado. “Subiu um pouco, hoje estamos com praticamente 150 mil matrizes. Lógico que a produtividade aumentou, assim como em todos os outros lugares. Nós produzíamos 24 animais terminados e hoje estão falando em 28 animais”, informa. “Outra coisa, o nosso problema aqui é que estamos longe dos grandes centros consumidores. Temos que levar suíno para São Paulo ou para o Sul. E isso é longe e a logística é difícil”, desabafa.

Conab sem estoque?

O diretor executivo da Acrismat conta ainda que a alternativa que os produtores tinham antes, quando faltava milho, principalmente entre fevereiro e abril, antes da safrinha, era participar dos leilões do grão organizados pela Conab. “E isso não tem mais. O Governo não faz mais estoque, não tem mais leilão. Então, o produtor vai ter que comprar antecipado”, argumenta.

Quanto a não realização de estoques de milho, em nota à reportagem de O Presente Rural, a Conab informou que a atual conjuntura do milho traz um cenário de cotações bem acima dos preços mínimos estabelecidos para o cereal, de modo que é improvável que haja aquisições neste ano.

A companhia explica que é preciso esclarecer que os estoques da Conab são formados por meio da Política de Garantia de Preços Mínimos (PGPM). Assim, a aquisição dos produtos amparados pela norma segue as diretrizes estabelecidas pela política. “Isso implica que é necessário que o preço do produto esteja abaixo do preço mínimo estabelecido pelo governo federal para a formação de estoques. É nesta condição que há espaço para que a Conab atue no mercado de forma a garantir a renda mínima ao produtor e a manutenção da atividade. Assim, a compra de qualquer produto amparado pela PGPM só se torna possível a partir de um fator conjuntural de mercado. Somente com a perspectiva de que o preço fique abaixo do preço mínimo que pode haver, ou não, a deliberação quanto a formação de estoques”, diz a nota.

Quanto aos leilões de estoques públicos, a Conab diz que as determinações de venda são de competência do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), e que a composição de novos estoques se correlaciona diretamente com as questões conjunturais de mercado destacadas anteriormente.

A companhia ainda esclarece que com relação à comercialização do milho em grãos no âmbito do Programa de Vendas em Balcão (ProVB), está em tramitação uma proposta legislativa voltada para o fortalecimento, reforçando o apoio aos pequenos criadores de animais, e permitindo, assim, maior inserção no sistema produtivo pela garantia de abastecimento de milho, grão fundamental na alimentação do rebanho. “Nesse sentido, o texto prevê que não somente a PGPM poderá ser fonte de estoques públicos para a ação, mas também a compra por meio de leilões públicos e, em menor escala, por Aquisição da Agricultura Familiar, sempre a partir de definições estabelecidas pelo Mapa”, diz.

Além disso, a Conab acrescenta que não obstante o histórico de preços abaixo do mínimo, sem a correspondente formação de um quantitativo elevado de estoques pela PGPM, os estoques atuais de milho em grãos encontram-se em quantidade suficiente para satisfazer as demandas pelo produto por parte dos pequenos criadores cadastrados no Programa. “É importante salientar que a atuação da Conab visa garantir o abastecimento, e não interferir no mercado”, finaliza a nota enviada a O Presente Rural.

Outras preocupações

Castro comenta que outra preocupação que tem acendido o alerta vermelho é quanto ao mercado. “Agora ele está bom porque a China importa praticamente 71% da nossa produção. Por conta disso vemos aumento do volume de animais alojados em outros Estados. Mas, como vai ser essa produção se a China parar de importar tudo isso? Vai acontecer igual quando tínhamos a Rússia? Não temos um mercado novo e vai ter um volume imenso de carne direcionado ao mercado interno. E, com isso, a tendência é que esses pequenos e médios produtores saiam da atividade por conta de problemas por isso”, diz.

Além disso, outro ponto que atinge os suinocultores mato-grossenses é quanto a quantia de taxas e impostos que devem pagar. “Fizemos um levantamento com o IMEA, em comparativo com Estados do Sul, no que tange questões de impostos, taxas e tributos e notamos que temos impostos aqui que nos impactam muito. Por exemplo, a carne, o milho e a soja nós devemos pagar o Fethab, que é um fundo que existe aqui. Só desse imposto se paga quase R$ 2 bilhões por ano. É um dinheirão. Por isso pedimos tanta atenção para as cadeias produtivas”, afirma.

Outras notícias você encontra na edição de Suínos e Peixes de julho/agosto de 2020 ou online.

Fonte: O Presente Rural
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Suínos / Peixes Saúde Animal

Vacinas autógenas: programas vacinais exclusivos garantem precisão na suinocultura

Desafio é ter conhecimento amplo da patogenia destas doenças de forma que isto seja a base para o sucesso do desenvolvimento da imunidade

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Arquivo/OP Rural

 Por Adrienny Reis, gerente de operações industriais da Sanphar/Ipeve

Porque é importante vacinar os suínos? Quais as principais vacinas?

Há quase 100 anos, os cientistas descobriram que os animais desenvolvem imunidade contra doenças quando expostos a agentes infecciosos, sejam inativados ou vivos modificados, desde que não produzam doenças, levando ao desenvolvimento de inúmeras vacinas de sucesso nos anos 1900. Entretanto, foi identificado que nem sempre funciona desta forma para todas as doenças. Às vezes, um animal pode ter uma resposta sorológica, com produção de anticorpos e mesmo assim desenvolver a doença. Existem doenças para os quais os anticorpos circulantes não são protetores e existem vacinas também que não induzem anticorpos contra os antígenos importantes do patógeno.

O desafio é ter conhecimento amplo da patogenia destas doenças de forma que isto seja   a base para o sucesso do desenvolvimento da imunidade e, consequentemente, das vacinas. Para a suinocultura atual, há vacinas vivas, inativadas, toxoides, produzidas por engenharia genética ou recombinantes, para diferentes agentes infecciosos.

A maioria é vacina inativada e poucas são vacinas vivas para a suinocultura. As vacinas vivas induzem, na sua maioria, imunidade celular consistente e prolongada, produzem um pico de imunidade rápido, resposta de anticorpos IgM, IgG e IgA, necessitam de baixa dose antigênica e não necessitam de adjuvantes, porém possuem riscos de estabilidade e segurança.

As vacinas inativadas, em geral, são seguras, estáveis ao armazenamento, produzem boa imunidade humoral, imunidade celular pobre e a resposta de anticorpos é essencialmente do tipo IgG.  É claro que o uso de substâncias como adjuvantes potencializam a resposta imunológica das vacinas inativadas, amplificando o nível e concentração de anticorpos e duração da imunidade, além de induzir a imunidade celular. As vacinas autógenas se enquadram no capítulo das vacinas inativadas.

O que são vacinas autógenas?

São vacinas bacterianas ou virais inativadas, produzidas especificamente para um cliente ou propriedade adjacente (integrada ou que faz divisa física), para determinada(s) enfermidade(s) identificada(s) por meio de exames laboratoriais. Representam uma ferramenta estratégica muito importante para ser utilizada na produção animal, principalmente devido à diversidade genética de sorotipos, sorovares e subtipos dos diferentes agentes patogênicos que afetam os animais em sistema de produção. Além disso, podem rapidamente atender a surtos de doenças novas, emergenciais, onde não existe disponibilidade de vacinas comerciais.

Como fazer a coleta do material e fazer os exames laboratoriais para saber quais são os desafios da propriedade?

Quando o proprietário está diante de algum desafio sanitário, ele contata o laboratório para uma visita presencial, que deve ser programada. Os animais com quadro clínico da doença não medicados previamente, são selecionados, eutanasiados e submetidos a necropsia e colheita de material para exames laboratoriais. Estes testes devem envolver não somente os exames microbiológicos de rotina, como também histopatologias, métodos moleculares, antibiogramas/MICs e imunohistoquímica, que complementem o diagnóstico laboratorial.

A partir destes resultados é proposto um programa preventivo – que também deve ser complementado com outras medidas – que somado ao programa vacinal auxilie no controle dos problemas.

Quais são os benefícios dessas vacinas?

No mercado de suínos, as vacinas autógenas são bastante populares, têm aceitação positiva, considerando que os animais apenas serão vacinados para doenças presentes no rebanho, dispensando vacinar contra outros agentes que porventura não tenham sido identificados nas propriedades. Além disso, muitas destas vacinas não possuem similar nas vacinas comerciais que possam substituí-las no mercado, por se tratar de produtos específicos de composição única para cada produtor. O conceito é conhecido e bem aceito pelo mercado, pois é a solução técnica mais adequada a cada caso.

A lei permite que os laboratórios que produzem vacinas autógenas possuam licença para produção e boas práticas de produção (BPF), conforme regulamentação do Ministério da Agricultura (Mapa). O controle de qualidade é padronizado e segue a legislação vigente. Além disso, a eficácia dos produtos ainda é acompanhada a campo, por meio de visitas técnicas e análise dos resultados zootécnicos obtidos.

Entendemos que é um mercado crescente, em constante evolução, uma vez que os agentes patogênicos também seguem evoluindo e novas cepas emergindo em todas as espécies animais. Por exemplo, temos a diversidade de sorotipos: 18 relatados do Actinobacillus pleuropneumoniae e 15 sorotipos do Haemphilus (glasserella) parasuis, além de um enorme número de genótipos e assim por diante. Desta forma, podemos acompanhar esta evolução rapidamente, oferendo serviços e produtos para cada situação sanitária. É um produto desenvolvido especificamente para prevenção de doenças que estão acometendo determinado rebanho.

As pesquisas devem acompanhar os problemas a campo, desenvolvendo métodos de diagnóstico específico, diagnóstico diferencial e técnicas para identificação e seleção de patógenos identificados nos rebanhos. A partir de uma análise acurada, novas técnicas de produção têm sido estudadas para atender às demandas dos produtores, associando antígenos na mesma vacina, sem perder a qualidade do produto final.

Qual a eficácia em relação a outras vacinas?

Vários fatores podem influenciar no sucesso das vacinas, sendo assim os resultados de eficácia se iniciam com um bom trabalho de campo, com a eleição da melhor composição vacinal e antígenos utilizados, monitoria por meio de visitas técnicas, acompanhamento do processo vacinal e posterior análise dos resultados zootécnicos.  As vacinas autógenas são apenas parte de um pacote de serviços técnicos que a empresa fornece aos produtores.

As vacinas em geral, produzidas no Brasil em estabelecimentos licenciados, devem ser efetivas e seguras. Entretanto, efetividade é um termo relativo. Não significa que a vacina seja capaz de induzir imunidade completa em todas as condições que podem ser encontradas no campo. Isto poderia ser pouco realístico, já que o sistema imunológico não é capaz de proteção potente sob condições adversas.

As vacinas de forma geral são testadas sob condições experimentais controladas. O grupo vacinado deve ter significativamente menos doença que o grupo não vacinado. Este teste é tipicamente feito em animais saudáveis, não estressados, sob boas condições e com exposição controlada a um agente infeccioso. As vacinas podem ser menos efetivas quando utilizadas em animais que estão sob estresse ou submetidos a outras doenças infecciosas concomitantes ou expostos a altas doses de agentes infecciosos devido à superpopulação ou condições sanitárias ruins.

É importante lembrar que para a maioria das doenças a relação entre o agente infeccioso e o hospedeiro é suficientemente complicada para que a vacinação não tenha a máxima proteção esperada. A vacina pode aumentar a resistência dos animais às doenças, mas esta resistência pode ser sobrecarregada, caso as boas práticas de manejo não sejam seguidas.

Elas são mais caras? Qual é o custo/benefício?

As vacinas autógenas têm preço competitivo de mercado, considerando que sua produção envolve desde visita a campo, exames laboratoriais (serviços), monitoria a campo até o produto final. É um produto direcionado, personalizado, exclusivo para cada produtor. O custo/ benefício para o produtor é exatamente ter um produto produzido para as condições sanitárias de cada granja, deixando de conter outros antígenos desnecessários, muitas vezes para sua a realidade.

Como é o processo de produção das vacinas autógenas?

A produção das vacinas é feita a partir de microrganismos isolados e identificados em animais de determinada propriedade. O processo é rápido e eficaz. Após a realização do diagnóstico laboratorial completo, que pode levar em torno de 15 dias, a composição vacinal é estudada juntamente com o veterinário responsável pela propriedade. Uma vez definido com o veterinário responsável da granja a melhor formulação vacinal para seu plantel, a solicitação para a produção do lote vacinal é feita ao Ministério da Agricultura.

Qual é o nível de segurança comparado a outras vacinas?

As vacinas autógenas no Brasil seguem a legislação IN 31, de 20 de maio de 2003, do Mapa, que regula produção, controle e comercialização e a IN 13, de boas práticas de fabricação, além de outras legislações auxiliares.

Na legislação específica para vacinas autógenas, o controle de qualidade é realizado em todas as partidas do produto final e realizado a partir de provas de esterilidade em meios de cultura específicos para fungos, bactérias e mycoplamas e também provas de segurança em camundongos ou cobaias. Tais provas de segurança são similares aos que são realizadas pelos Estados Unidos, conforme o Code of Federal Regulations (CFR). Somente após conclusão e aprovação nos testes mencionados, as partidas das vacinas autógenas poderão ser liberadas para comercialização.

Qual a relação dessas vacinas com a biosseguridade das propriedades?

As vacinas autógenas são produtos inativados, ou seja, sem a presença de antígenos vivos. Sendo assim, não oferecem riscos biológicos às propriedades. Certamente que dentro da composição de um programa sanitário outras ferramentas, como programa de biosseguridade e medicamentoso devem fazer parte deste controle.

Qual é a escala de utilização no Brasil e no mundo? Explique.

Vários países produzem vacinas autógenas e legislações específicas que regulam produção, uso e comercialização. Nos Estados Unidos, Canadá e vários países da Europa, por exemplo, são adeptos ao uso de vacinas autógenas, inclusive em grandes sistemas de produção. As principais vacinas autógenas produzidas nestes países são para PRRS, Influenza, Mycoplasmas, Streptococcus, Haemophilus e bacterianas combinadas em geral.

Atualmente, cerca de 10 laboratórios nos Estados Unidos produzem exclusivamente vacinas autógenas bacterianas e virais, enquanto outros produzem tanto autógenas como comerciais. A participação no mercado é bem variável entre países. No Brasil, seu uso é mais popular na suinocultura comparado às demais espécies.

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Fonte: O Presente Rural
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Suínos / Peixes Saúde Animal

Ação da Bromexina oral sobre a resposta imune na mucosa respiratória dos suínos

Através da diminuição da atividade fagocítica têm-se uma redução no processo inflamatório na mucosa respiratória dos suínos tratados com bromexina

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Arquivo/OP Rural

 Artigo escrito por Eduardo Miotto, consultor técnico da Vetanco 

A bromexina (2-amino-3, 5-dibromo-N-ciclo-hexil-N-metilbenzilamina) é um derivado sintético da Vasicina, um dos ingredientes ativos da planta asiática Adhatoda vasica. Sua eficácia foi comprovada na normalização do muco no trato respiratório e introduzida pela primeira vez em 1963, como medicamento secretolítico ou mucolítico. Seu uso aumenta a secreção de imunoglobulinas A (IgA) previamente produzidas pelas células do complexo imune no sistema respiratório em suínos. Apenas IgA e IgM são efetivamente secretados para as mucosas, sendo que IgA corresponde à maior parte dos anticorpos nesses locais e por estar presente no lúmen intestinal, esta forma de anticorpo é uma das principais responsáveis pela resposta imune adaptativa local. Os linfócitos T duplo-marcados (CD4+ CD8+) são uma particularidade dos suínos visto muito raramente em outros mamíferos. Com a maturidade, essas células passam a ser cada vez mais importantes para a imunidade local, estando presente em grandes quantidades nos órgãos linfoides periféricos. O presente estudo buscou avaliar a resposta imune de mucosa de suínos tratados com bromexina.

O experimento foi realizado na fase de creche. Foram utilizados 48 leitões, separados em dois tratamentos, grupo tratado com bromexina (GT) e grupo controle negativo (GC). O GT recebeu via água de bebida uma solução à base de bromexina 1% (1 mg por Kg de peso vivo) durante 5 dias. Foram realizadas 48 coletas de sangue e de lavado nasotraqueal (n=24/grupo), divididas em 2 etapas: 48h e 96h após o início do experimento. Do sangue total foram extraídos os leucócitos por meio de Histopaque e centrifugação, seguido de lavagem com solução tamponada. Os anticorpos específicos foram adicionados às células obtidas, incubados por 30 minutos e fixados com paraformaldeído para posterior análise no citômetro de fluxo FACSCalibur (Becton and Dickinson). Os lavados nasotraqueais foram coletados dos animais anestesiados com Quetamina e Xilazina. Para isso, foi injetado um volume de solução fisiológica, o qual foi então recuperado por meio de sonda urinária e seringa. Os Linfócitos T duplo-marcados e a fagocitose foram analisados pelo método de citometria de fluxo. As IgAs foram quantificadas pelo método de Bradford para quantificação de proteína total. Os testes estatísticos utilizados estão apresentados abaixo de cada gráfico e o software utilizado para realização das análises foi GraphPad Prism 6.

Resultado e discussões

A quantidade relativa de IgA total foi elevada pela bromexina com 48h (Figura 1), visto que esta aumenta o turnover de muco, elevando a secreção de IgA previamente produzida pelas células imunes do sistema respiratório. Na coleta das 96h, ambos os grupos obtiveram resultados semelhantes, pois a bromexina não aumenta a produção de IgA, mas sim a sua secreção.

Figura 1. Quantificação relativa de IgA total. Os resultados estão separados por data de coleta. Cada ponto representa um animal. As linhas e barras representam média e desvio padrão. Análise estatística de t de Student (P < 0,05).

O número de linfócitos T duplo-marcados foi elevado (P = 0,09) nos animais tratados (Figura 2). Essas células são importantes na imunidade tecidual, e sua elevação após o uso de bromexina pode condizer com essa premissa. Metabólitos da bromexina parecem ser capazes de ativar a resposta imune celular, embora reduzam a inflamação local. Ao controlar o burst respiratório que é comum após a fagocitose, a bromexina inibe o estresse oxidativo associado ao processo inflamatório.

Figura 2. Porcentagem de leucócitos no lavado nasotraqueal. O eixo vertical apresenta à porcentagem de leucócitos encontrados. Diferenças significativas são representadas pelo P respectivo. Análise estatística de t de Student (P < 0,05).

Conclusões

A bromexina intensificou a secreção de IgA no trato respiratório dos suínos 48 horas após o início do tratamento. O número de linfócitos T duplo-marcados aumentou no grupo de animais tratados. Desta forma, conclui-se que, através da diminuição da atividade fagocítica têm-se uma redução no processo inflamatório na mucosa respiratória dos suínos tratados com bromexina.

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Fonte: O Presente Rural
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