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PSA abre os olhos da China para mudança radical na suinocultura

Essas empresas estão inclinadas a produzir produtos cada vez mais elaborados, com um forte apelo visual nas embalagens, refletindo o esforço da China em agregar valor e sofisticação aos seus produtos suínos.

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A China é o maior produtor e consumidor de carne suína do mundo, e a suinocultura é um componente crucial para garantir a segurança alimentar de sua população de 1,4 bilhão de pessoas. Mais de 50% da produção mundial de carne suína vem do país, o que torna a suinocultura chinesa um pilar estratégico para sua economia. Entretanto, a imagem de uma produção suína moderna e eficiente contrasta com uma realidade cheia de extremos. Enquanto algumas fazendas na China têm adotado tecnologias de ponta e práticas de alta eficiência, muitas outras ainda operam de maneira bastante tradicional, ou até rudimentar.

Com uma área territorial que ocupa a quarta posição global, quase 1 milhão de km2 maior que o Brasil, a China apresenta realidades regionais muito diferentes. É um país de extremos e isso se reflete também na suinocultura. Everton Gubert, CEO da Agriness, foi até lá para compreender melhor o modelo chinês de produção. Ele conversou com produtores, veterinários, nutricionistas e gestores, e percebeu que a suinocultura chinesa está em plena transformação, especialmente desde a chegada da Peste Suína Africana (PSA) em 2018. Em entrevista exclusiva ao jornal O Presente Rural, Gubert conta que a doença foi um divisor de águas e tem mudado profundamente o cenário da produção suína no país.

Durante sua viagem, Everton visitou instalações do Tianpeng Group e da Qingliang Foods, onde observou escritórios modernos e fazendas verticais em desenvolvimento. Essas empresas estão inclinadas a produzir produtos cada vez mais elaborados, com um forte apelo visual nas embalagens, refletindo o esforço da China em agregar valor e sofisticação aos seus produtos suínos.

Concentração e transformação da produção

Fotos: Divulgação/Everton Gubert

Preocupado em manter a segurança sanitária e evitar qualquer risco de contaminação na suinocultura brasileira, Gubert decidiu não entrar em nenhuma propriedade ou granja, mesmo cumprindo os protocolos sanitários, mas acompanhou a realidade do setor por meio de diálogos e entrevistas com diversos profissionais envolvidos na suinocultura chinesa e também mídias especializadas. Foi assim que ele conheceu as disparidades do setor: de um lado, grandes produtores com instalações de alta tecnologia e práticas avançadas; de outro, pequenos produtores que operam em condições bem mais modestas, muitas vezes com sistemas de produção de subsistência. Essa dualidade demonstra o enorme desafio que a China enfrenta ao tentar modernizar e padronizar sua produção. Gubert se concentrou nas granjas tecnificadas.

Nos últimos anos, explica Gubert, a PSA gerou um movimento de concentração da produção em grandes grupos e uma busca por maior tecnificação e biosseguridade. Pequenos produtores, que não têm condições de cumprir as exigências sanitárias necessárias, estão deixando a atividade. “A PSA transformou totalmente o cenário. Pequenos produtores estão saindo da atividade, e há um movimento forte de concentração de produção”, observa Everton. Além disso, a China está investindo cada vez mais em tecnologias para alcançar maior eficiência e sustentabilidade, mas o caminho ainda é longo. Muitos produtores sequer registram dados básicos de sua produção, o que dificulta a gestão eficiente.

“A suinocultura Chinesa é gigante. Eles são praticamente 20 vezes maiores que a suinocultura brasileira e ainda possuem uma discrepância grande quanto ao uso de tecnologia. Há muitas granjas quem mal anotam as informações, muitas que anotam os dados ao menos em fichas, muitas que já têm consciência da importância de digitalizar os dados e utilizar um sistema de gestão e algumas granjas supermodernas que utilizam fortemente tecnologias de monitoramento, automação e IoT para gerir melhor a sua estrutura. Mas uma coisa é certa: as granjas chinesas estão cada vez mais se modernizando, com um foco crescente em sanidade, sustentabilidade e eficiência e produtividade”.

A biossegurança foi um dos temas mais abordados durante as conversas de Everton com os profissionais chineses. A PSA deixou claro para os produtores que a biosseguridade não é apenas uma recomendação, mas uma necessidade para garantir a continuidade da produção. “Os chineses estão cada vez mais conscientes da importância da biossegurança. Eles estão implementando controle rigoroso de acesso, protocolos de quarentena e desinfecção das instalações. Isso mostra que a sanidade está se tornando uma prioridade, e é uma mudança cultural significativa”, comenta Everton.

Baixa eficiência

Na questão da eficiência, a realidade chinesa ainda é desafiadora. Gubert conta que grande parte das granjas na China continua operando com baixa produtividade, com índices que variam entre 18 e 20 desmamados por fêmea ao ano. A maioria das granjas ainda trabalha em sistemas de ciclo completo. A Peste Suína Africana impôs uma maior conscientização sobre a importância de medidas de biosseguridade, mas a falta de tecnologias de gestão ainda é uma barreira para alcançar melhores resultados.

“Na China existe uma diferença muito grande entre as granjas super tecnificadas e as mais antigas. Vejo que no Brasil essa diferença é muito menor. Em virtude de sermos um país exportador e que precisamos seguir normas rigorosas para exportar, organizado pela agroindústria, temos uma suinocultura mais profissional, tecnificada e muito mais produtiva em relação a eles. A questão zootécnica de produtividade é onde reside a grande diferença. A média brasileira é de 30,05 desmamados/fêmea/ano (DFA), enquanto que na China esse índice não passa de 20. Em termos de gestão eu comparo a China com o Brasil de 2001, quando eu comecei a trabalhar no setor. Apesar de serem super avançados tecnologicamente na maioria dos setores, na suinocultura a transformação digital está no início, salvo as granjas mais modernas construídas de 2020 pra cá”, explica, ampliando: “A baixa produtividade está relacionada especialmente com falta de conhecimento de gestão para conduzir melhor as granjas. O que me chamou a atenção foi a falta de eficiência”, pondera.

Genética

A genética é outro aspecto importante. Everton explica que a China a predominância de uma mescla entre genéticas chinesas e de outras regiões do mundo, como Estados Unidos e Europa. Entretanto, os resultados ainda são inconsistentes, e a média de produtividade fica abaixo do que é observado no Brasil. “O que ainda prevalece é o uso e desenvolvimento de linhagens locais adaptadas às condições chinesas. Há também a combinação de genética importada e local que visa melhorar a eficiência zootécnica, com foco em crescimento rápido, resistência a doenças e qualidade da carne”, aponta Gubert.

Sustentabilidade e bem-estar animal

Quando o assunto é sustentabilidade, o CEO da Agriness comenta que a China tem feito avanços, mas ainda existem muitos desafios. Algumas granjas mais modernas estão adotando tecnologias como biodigestores para transformar dejetos em energia e placas solares para geração de eletricidade, como aqui no Brasil. Everton explica que observou que há um crescente esforço para reduzir a pegada de carbono e tratar os resíduos de forma mais sustentável, mas essas práticas ainda são limitadas a uma pequena parcela dos produtores.

“A preocupação com a sustentabilidade é cada vez mais presente na China. As granjas chinesas estão investindo em tecnologias para tratamento de resíduos, como biodigestores, que transformam resíduos em energia, uso de geração de energia através de placas solares e há um esforço crescente para reduzir a pegada de carbono através de práticas como a reciclagem de nutrientes e a eficiência energética”, menciona. “O governo chinês tem estabelecido metas ambiciosas para a redução de emissões, e isso está começando a impactar o setor suinícola. No entanto, a adoção dessas práticas está restrita às granjas mais tecnificadas”, afirma Everton.

O uso racional da água também é uma questão relevante. Algumas granjas adotaram tecnologias para reduzir o desperdício, como bebedouros automáticos e sistemas de monitoramento para detectar vazamentos, mas muitas instalações continuam sem práticas consistentes de reaproveitamento. Essa disparidade é uma grande diferença em relação ao Brasil, onde as preocupações ambientais e a busca por uma produção mais sustentável têm se tornado prioridade, especialmente devido às exigências do mercado internacional.

Everton também apontou as diferenças em termos de instalações e bem-estar animal. Enquanto algumas granjas chinesas têm instalações modernas, como por exemplo baias coletivas, que atendem aos padrões de conforto e sanidade, muitas outras estão operando com estruturas ultrapassadas, que não oferecem condições adequadas aos animais. “Há uma grande diferença entre as estruturas das granjas. Algumas são modernas, enquanto outras são extremamente precárias”, comenta. O bem-estar animal está começando a ganhar espaço, mas ainda há um longo caminho a ser percorrido para que isso se torne um padrão na suinocultura chinesa.

Processamento e distribuição da carne suína

O processamento e a distribuição da carne suína também apresentam uma grande disparidade. Existem instalações modernas, que seguem padrões elevados de qualidade e industrialização, e outras que operam de forma muito básica, com pouca ou nenhuma tecnologia envolvida. Muitas empresas chinesas estão apostando na verticalização, controlando todas as etapas do processo produtivo, desde a criação até a industrialização da carne. “A tendência é que a produção se concentre cada vez mais em grandes grupos, que estão investindo em modernização e integração”, observa Everton.

Comparação com a suinocultura brasileira

Em comparação com o Brasil, Everton destaca que a suinocultura brasileira é muito mais profissional e tecnificada. “No Brasil, temos uma suinocultura organizada, com um nível elevado de gestão e produtividade. A média brasileira é de 30,05 desmamados por fêmea ao ano, enquanto na China esse número não passa de 20”, afirma. A modernização e a exigência de padrões internacionais de qualidade colocam o Brasil em uma posição de destaque, enquanto a China ainda enfrenta desafios significativos para atingir o mesmo nível de eficiência.

Apesar disso, Everton acredita que o potencial de crescimento da suinocultura chinesa é enorme. A concentração da produção em grandes grupos, a modernização das instalações e a adoção de novas tecnologias são sinais de que a China está caminhando para um modelo mais eficiente. “A China é um país dinâmico, e o governo tem um papel decisivo nas mudanças. Se houver uma decisão estratégica para transformar a suinocultura, eles têm capacidade para isso”, diz Everton.

Tendências disruptivas

Everton observa ainda que a China está apostando em algumas tendências disruptivas que, embora ainda incipientes, podem se tornar elementos fundamentais na transformação do setor. Uma dessas tendências são as granjas verticais, uma abordagem bastante diferente do modelo tradicional, que visa otimizar o uso do espaço em áreas urbanas e periurbanas. “Eles têm testado as granjas verticais, mas ainda é uma incógnita se esse modelo será viável em larga escala. Pode ser uma tentativa de resolver o problema da PSA, mas não sabemos se vai se sustentar”, diz Everton.

“O máximo de tecnologia que eu vi foi o expressivo uso de automação, visão computacional, robôs para limpeza de dejetos, utilização de sensores e monitoramento por câmara de praticamente todos os pontos das granjas. Sistemas automatizados de alimentação são comuns, permitindo a distribuição precisa de ração em horários programados ou conforme a demanda dos animais, mas nada tão diferente do que usamos nas granjas mais modernas do Brasil”.

Impacto da urbanização do consumo da carne suína

Outro ponto levantado por Everton foi a urbanização acelerada da China e como isso tem impactado o consumo de carne suína. A migração da população rural para as cidades, combinada com o aumento da renda per capita, tem levado a mudanças nos hábitos alimentares. “A urbanização está mudando o perfil do consumo. Há um aumento na demanda por produtos prontos e de conveniência, e as empresas estão investindo em cortes mais elaborados e produtos de maior valor agregado”, observa. Esse movimento também abre oportunidades para a industrialização e a verticalização da produção, o que pode levar a um setor mais organizado.

O consumo de carne suína, que tradicionalmente sempre foi elevado na China, passou por uma fase de retração durante os anos mais críticos da PSA. Com a necessidade de dizimar grande parte do rebanho, houve escassez de oferta e aumento dos preços, o que forçou muitos consumidores a migrar para outras fontes de proteína, como peixes e frutos do mar. “O governo incentivou o consumo de outras proteínas durante a crise da PSA, como peixes e frutos do mar, mas agora o consumo de carne suína está estabilizado”, diz Everton.

Uso de antibióticos e vacinas

A questão do uso de antibióticos e vacinas também foi abordada durante as conversas de Everton com os profissionais chineses. Embora haja um esforço crescente para utilizar vacinas e reduzir o uso de antibióticos, ainda existem desafios consideráveis. “O uso de antibióticos continua sendo uma questão delicada na China. Embora existam regulamentações, a implementação varia bastante entre as granjas”, comenta Everton. Ele destaca que a prevenção, com foco em biosseguridade e vacinação, está se tornando mais comum, mas o avanço é desigual.

O papel do governo na transformação do setor

O modelo de produção suína na China está em constante mudança, e a tendência é que o setor se torne cada vez mais concentrado e tecnificado. No entanto, como Everton ressaltou, o ritmo dessa transformação depende muito do apoio governamental e da capacidade dos grandes grupos de investimento de liderarem esse processo. “O governo chinês tem um papel crucial na transformação do setor. Se houver apoio, a modernização pode ocorrer muito rapidamente, especialmente com os grandes grupos. Mas os pequenos produtores têm cada vez menos espaço nessa nova realidade”, diz Everton.

Lições para o Brasil

Para o Brasil, menciona Gubert, a experiência chinesa traz importantes lições sobre os desafios na suinocultura, mas uma em especial: “Sanidade, sanidade e sanidade. O preço a ser pago se algumas doenças entrarem em nosso país pode ser catastrófico. Haja vista o quanto os chineses estão sofrendo com a sanidade deles. Creio que estamos fazendo um belo trabalho em todas essas áreas com profissionais e empresas, cada uma do seu setor, produzindo um avanço ininterrupto da nossa suinocultura desde 2001, quando entrei no mercado. Creio que as principais lições aprendidas foram produzidas mais no campo das diferenças culturais, políticas que há entre Brasil e China. Como a China vive um modelo político socialista casado com um modelo econômico capitalista, o governo é um grande parceiro dos empreendedores e trabalha para facilitar o desenvolvimento dos negócios. O governo é dinâmico e rápido. Faz acontecer. Pelo lado da força de trabalho, a mentalidade do chinês é de que ele precisa vencer na vida utilizando o estudo e o trabalho como os grandes pilares para a prosperidade. Isso faz com que o chinês tenha muita vontade de trabalhar, aprender e crescer profissionalmente. Há um aspecto de meritocracia muito estabelecido na sociedade e cada um deles quer se destacar entre uma população gigante com 1,4 bilhão de pessoas”.

A transformação da suinocultura chinesa

A China, com seu dinamismo e capacidade de adaptação, certamente continuará sendo uma protagonista no cenário da suinocultura global. As mudanças em curso no país representam tanto desafios quanto oportunidades para o Brasil e para o mundo. A transformação da suinocultura chinesa mostra que, apesar dos obstáculos, há espaço para avanços significativos quando há disposição para investir, inovar e aprender. Para o Brasil, acompanhar de perto essa evolução pode ser um passo essencial para garantir um futuro ainda mais sólido e promissor para o setor suinícola.

O acesso é gratuito e a edição Suínos pode ser lida na íntegra on-line clicando aqui. Tenha uma boa leitura!

Fonte: O Presente Rural

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Mato Grosso consolida protagonismo na suinocultura com recordes de exportação em 2025

Estado acompanha desempenho histórico do Brasil, amplia presença em mercados internacionais e reforça sua força produtiva mesmo sem expansão do plantel.

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O ano de 2025 foi marcado por resultados expressivos para a suinocultura brasileira, impulsionados principalmente pelos recordes de exportação alcançados pelo país. Mato Grosso acompanha esse desempenho positivo e registra números históricos tanto em exportações quanto em abates, evidenciando a força de recuperação da atividade após os desafios enfrentados em 2022 e 2023.

Um dos marcos mais relevantes de 2025 foi o reconhecimento do Brasil como zona livre de febre aftosa sem vacinação. A conquista amplia as expectativas de abertura de novos mercados e reforça o trabalho sério e contínuo realizado pelo país, especialmente por Mato Grosso, na manutenção de um elevado status sanitário.

Outro destaque do ano foi a mudança no perfil dos compradores da carne suína brasileira. Tradicionalmente lideradas por China e Hong Kong, as exportações passaram a contar com maior protagonismo das Filipinas, além do fortalecimento de mercados exigentes como Japão, México e outros países.

Presidente da Associação dos Criadores de Suínos de Mato Grosso (Acrismat), Frederico Tannure Filho: “Mesmo com o crescimento das exportações, o mercado interno não enfrentou desabastecimento. A produção seguiu equilibrada e acompanhou a expansão da demanda externa”

Segundo a Confederação Nacional da Agricultura (CNA), a produção nacional deve atingir 5,47 milhões de toneladas em 2025, alta de 2,0% em relação a 2024.

Mesmo com a expansão da oferta, os preços pagos ao produtor reagiram positivamente. Dados do Cepea mostram que, até o terceiro trimestre, as cotações ao produtor independente subiram 10,8% na comparação anual, sustentadas pela boa demanda.

No acumulado de janeiro a novembro, as exportações brasileiras de carne suína cresceram 10,8%, superando o volume de 2024 — que já havia sido um ano recorde. As Filipinas consolidaram-se como o principal destino, representando 24,5% da receita, seguidas por Japão, China e Chile.

De acordo com os dados compilados pelo Data Hub da Secretaria de Estado de Desenvolvimento Econômico (Sedec), as exportações de carne suína passaram de US$ 59,97 milhões entre janeiro e novembro de 2024 para US$ 68,55 milhões no mesmo intervalo de 2025. O setor manteve crescimento impulsionado pela ampliação de mercados compradores, sobretudo na Ásia.

“Mesmo com o crescimento das exportações, o mercado interno não enfrentou desabastecimento. A produção seguiu equilibrada e acompanhou a expansão da demanda externa. O cenário demonstra a capacidade produtiva do país: sempre que desafiado, o produtor brasileiro responde com eficiência, qualidade e volume, garantindo o atendimento dos mercados interno e internacional”, pontua o presidente da Associação dos Criadores de Suínos de Mato Grosso (Acrismat), Frederico Tannure Filho.

Para 2026, o principal ponto de atenção do setor está relacionado aos custos de produção. O plantio da safra 2025/2026 ocorre de forma atrasada em função de problemas climáticos e da falta de chuvas, o que gera preocupação quanto à safrinha de milho no Centro-Oeste. O risco de menor produtividade e qualidade do grão acende um alerta, já que o milho representa um dos principais componentes do custo da suinocultura.

“Diante desse cenário, a orientação é para que os produtores estejam preparados para enfrentar possíveis elevações nos custos ao longo do ano. No mercado, a expectativa é de estabilidade tanto nos preços do suíno quanto no consumo interno e nas exportações, que devem permanecer firmes. Assim, o ambiente comercial tende a ser equilibrado, embora com atenção redobrada aos impactos dos custos de produção”, ressalta, Tannure.

Em Mato Grosso, mesmo sem crescimento significativo do plantel, a produção estadual continua em expansão, acompanhando a demanda e evitando desabastecimento. O desempenho reforça a resiliência e a força do produtor mato-grossense.

Fonte: Assessoria Acrismat
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Mercado do suíno inicia janeiro com variações moderadas

Cotações do suíno vivo registram altas e quedas pontuais entre estados, sem movimentos bruscos, segundo o Cepea.

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Os preços do suíno vivo apresentaram comportamento misto nesta segunda-feira (05), conforme o Indicador do Suíno Vivo Cepea/Esalq. Entre os principais estados produtores, as variações diárias foram moderadas, refletindo ajustes pontuais do mercado no início de janeiro.

Em Minas Gerais, na modalidade posto, o suíno foi cotado a R$ 8,44/kg, com queda de 0,24% no dia e leve alta acumulada de 0,12% no mês. No Paraná, na modalidade a retirar, o preço subiu 0,36% frente ao dia anterior, alcançando R$ 8,26/kg, embora ainda acumule recuo de 0,12% em janeiro.

No Rio Grande do Sul, a cotação recuou 0,60% no dia, para R$ 8,24/kg, registrando também a maior queda mensal entre os estados acompanhados, com baixa acumulada de 0,72%. Em Santa Catarina, o preço ficou em R$ 8,32/kg, com retração diária de 0,12% e queda de 0,36% no acumulado do mês.

Já em São Paulo, na modalidade posto, o suíno vivo foi negociado a R$ 8,91/kg, com recuo de 0,45% no dia e estabilidade no resultado mensal até o momento. Segundo o Cepea, o cenário indica um mercado ainda ajustando oferta e demanda no início do ano, sem movimentos bruscos nas cotações.

Fonte: Assessoria Cepea
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Suinocultura projeta 2026 com exportações em alta e margens sustentadas

Com demanda externa aquecida, preços firmes no mercado interno e crescimento moderado da produção, o setor deve ampliar embarques e manter rentabilidade ao produtor, segundo projeções do Cepea.

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Após o bom desempenho registrado em 2025, a suinocultura brasileira mantém projeções otimistas para 2026. A ampliação da demanda externa somada ao crescimento moderado da produção e à manutenção de preços firmes devem assegurar margens atrativas ao longo do ciclo.

Cálculos do Cepea indicam cerca de 1,44 milhão de toneladas de carne suína embarcadas no próximo ano, o que representaria um crescimento de 6,3% sobre 2025.

Esses números podem, inclusive, melhorar a posição do Brasil no ranking dos maiores exportadores mundiais da proteína, desde 2023, o País ocupa o 3º lugar, conforme dados do USDA.

Foto: O Presente Rural

Segundo pesquisadores do Cepea, a expectativa é de abertura e consolidação de novos mercados, além da expansão do valor total exportado. Entre os parceiros comerciais do Brasil, as Filipinas devem continuar sendo o principal, adquirindo 7% a mais da carne suína nacional em 2026.

Já para a China, o 2º maior destino, o total embarcado deve seguir em queda, dada a demanda decrescente do país nos últimos anos – entre 2021 e a parcial de 2025, o total enviado ao país caiu mais de 70%.

Nas Américas, o México deve continuar ampliando a demanda por carne brasileira. No mercado doméstico, os preços podem seguir em patamares elevados no próximo ano. Ao mesmo tempo, estimativas do Cepea apontam que a dinâmica de menor volatilidade deve ser mantida – em 2025, as cotações permaneceram praticamente estáveis em algumas praças por quatro ou até seis semanas ininterruptas.

A expectativa de preços firmes se sustenta na continuidade da demanda aquecida. Segundo a ABPA, o consumo per capita da proteína suinícola é projetada em 19,5 quilos em 2026, incremento de 2,5% frente ao ano anterior.

Do lado da produção de carne suína, o Cepea estima aumento de 4%, chegando a 5,88 milhões de toneladas. Assim como em 2025, o Cepea projeta um bom ano ao produtor, favorecido pelos preços firmes do animal.

Fonte: Assessoria Cepea
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