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PRRS: uma ameaça real ao Brasil

Sem nunca ter registrado PRRS no país, o Brasil vem reforçando as fronteiras e desenvolvendo medidas protetivas para manter o status sanitário

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O status sanitário de um país é um dos requisitos mais importantes para comercializações internacionais. O do Brasil se destaca por atender as mais diversas normas e ser referência em diversas áreas. Conservar este status é difícil e demanda de muito trabalho. Principalmente, manter longe doenças que não foram detectadas nos rebanhos suínos brasileiros e garantir este status diferenciado. A médica veterinária e chefe geral da Embrapa Suínos e Aves, Janice Zanella, fala sobre a “ameaça real da introdução de PRRS no Brasil e como lidar com o problema” durante o Simpósio Internacional de Suinocultura (Sinsui), que acontece de 22 a 24 de maio, em Porto Alegre, RS.

A profissional explica que PRRS é a sigla em inglês para “Porcine Reproductive and Respiratory Syndrome”, ou seja, a síndrome reprodutiva e respiratória suína. “É uma doença infectocontagiosa, caracterizada por falhas reprodutivas em porcas de todas as fases produtivas, cachaços e problemas respiratórios em suínos de creche, crescimento e terminação”, informa. Ela acrescenta que esta é uma doença causada por um vírus exclusivo de suínos, e não infecta outras espécies.

Janice diz que o rebanho suíno brasileiro é considerado livre da infecção pelo vírus da PRRS perante a Organização Mundial de Saúde Animal (OIE), já que a infecção nunca foi registrada. Porém, vários países da América do Sul já notificaram a ocorrência, como Bolívia, Chile, Colômbia, Equador, Peru, Uruguai e Venezuela. “O impacto da PRRS chega a incrementar em 10% o custo de produção quando a doença infecta um rebanho. Por isso é considerada a doença de maior impacto econômico da suinocultura mundial, já que todos os países grandes produtores e exportadores, com exceção do Brasil, possuem rebanhos positivos e a doença é endêmica”, alerta.

Sinais

Atenção nos sinais clínicos é essencial, afirma. A especialista conta que a doença clínica pode se apresentar diferentemente de acordo com a idade e fisiologia do suíno. “Os cachaços com PRRS podem ter febre, baixo consumo alimentar e alterações na qualidade do sêmen. Nas porcas a sintomatologia apresenta-se principalmente por baixa taxa de concepção, abortos na fase final de gestação e aumento no número de natimortos, mumificados e no nascimento de leitões fracos”, explica. Ela esclarece ainda que os leitões recém-nascidos são muito suscetíveis à PRRS e a mortalidade nele bloco é elevada. Já os leitões em fase de creche, crescimento e até a terminação desenvolvem sinais respiratórios variáveis, dependendo de outros agentes presentes no rebanho, como aqueles do complexo respiratório dos suínos.

Riscos da introdução no Brasil

Janice conta que existe uma ameaça da introdução da doença no país por principalmente dois motivos: por ser um país com tradição agrícola e ser um grande produtor e exportador de suínos, além de possuir grande extensão de fronteiras secas e o vírus da PRRS estar disseminado em alguns países vizinhos, sendo que em outros a ausência de informação também preocupa. “Além disso, apesar do Brasil não importar oficialmente suínos vivos ou material genético de nenhum desses países da América do Sul citados, anualmente são importados milhares de suínos vivos ou material genético (sêmen) de países onde a PRRS é endêmica”, comenta.

Outros riscos são ainda a introdução e/ou importação ilegal de vacina viva para o vírus da PRRS e a presença de suídeos de vida livre (javalis) que podem estar positivos para o vírus da PRRS. “Esses animais são um importante fator de risco para a propagação e introdução de várias doenças no rebanho doméstico – sendo comercial ou de subsistência -, principalmente por serem de vida e trânsito livre, podendo inclusive transmitir zoonoses”, conta.

A pesquisadora reitera que o importante é não permitir a introdução da doença no Brasil. “Apesar de não haver um programa de vigilância oficial, existem normativas do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento para evitar a introdução no país, principalmente de material genético, suínos vivos e sêmen importado”, expõe. Janice acrescenta que países que se mantêm negativos para PRRS tipicamente aplicam severas restrições na importação de suínos vivos e de sêmen. “Os riscos para outras rotas de introdução como aérea ou de propagação local, contato com suídeos silvestres como javalis, consumo de lavagem ou lixo contendo carne ou derivados de suíno ainda são controversos ou desconhecidos”, revela.

Milhões em prejuízo

A doença não foi detectada em território brasileiro, conforme Janice. Porém, caso fosse encontrada, os prejuízos seriam altos. “Por ser o rebanho suíno brasileiro considerado livre da infecção pelo vírus da PRRS perante à OIE, a situação está presente nos acordos sanitários para comercialização de suínos vivos, de material genético e de produtos. Isso já geraria um impacto nos acordos comerciais”, conta.

De acordo com ela, outro fato é o impacto econômico em índices de produtividade. “Os Estados Unidos já estimaram os custos da PRRS para a indústria norte-americana em US$ 664 milhões por ano. Em um cálculo simples: nossa produção equivale a 32% da produção dos EUA e nossos custos de produção são semelhantes. Comparado com o impacto de US$ 664 milhões anuais para os EUA, caso a PRRS seja endêmica no Brasil o custo aproximado seria de US$ 212 milhões anuais, aproximadamente R$ 700 milhões por ano para a suinocultura brasileira”, alerta.

Combatendo o vírus

Segundo Janice, o Brasil já vem barrando a PRRS por muitos anos, já que a doença emergiu na União Europeia e América do Norte no final dos anos 80. “Todavia, risco zero não existe e o status sanitário dos rebanhos brasileiros podem mudar se não mantivermos ou mesmo incrementarmos medidas de biosseguridade”, afirma. A pesquisadora complementa que para isso é importante um plano de ação ou de contingência para determinar essas medidas. “E isso deve estar bem definido antes mesmo dos sistemas de vigilância serem iniciados, ou seja, definir o que fazer no caso de uma suspeita de PRRS”, conta.

Janice explica que isso inclui a capacitação dos técnicos para identificação dos sinais, a estruturação do diagnóstico laboratorial, de um sistema de comunicação para notificação obrigatória ou comunicação oficial, e esclarecimentos oficiais também devem ser considerados. “Sem contar com a necessidade de um fundo público-privado para cobrir os custos, sejam eles para o diagnóstico ou indenização”, continua.

Proteção das fronteiras

Ao longo dos anos o Brasil vem protegendo suas fronteiras para evitar que a doença entre no território brasileiro. Janice informa que existem ações protetivas do Mapa através de Instruções Normativas específicas para prevenir a entrada da PRRS e ações proativas do setor, que buscou através de iniciativa de parceria público-privada modernizar e plenamente utilizar a Estação Quarentenária de Cananéia. “O Programa Nacional de Sanidade dos Suídeos (PNSS) do Mapa e seu Comitê Técnico prepararam um plano de vigilância para a PRRS. O plano consiste em ampliar o sistema de vigilância passiva para receber notificações de casos suspeitos da PRRS e outras doenças exóticas e de delinear um sistema de vigilância ativa para PRRS com análises laboratoriais e demais medidas sanitárias, integrado à vigilância para PSC”, conta.

A pesquisadora diz ainda que inicialmente está sendo produzido um Manual de Vigilância Epidemiológica para PRRS, definindo os fluxos de análises, descrição de caso e os indicadores zootécnicos e sanitários (parâmetros) para fundamentação da investigação epidemiológica em granjas de ciclo completo e em unidade de produção de leitões desmamados ou descrechados. “As análises laboratoriais serão realizadas no Lanagro MG”, diz.

Todas essas ações têm o apoio da indústria nacional, como agroindústrias e empresas de genética. “Se investigado e comprovado a presença da PRRS nesses rebanhos, serão necessárias medidas de erradicação, por se tratar de doença exótica. Em seguida deverão se estabelecer estratégias de controle ou erradicação, pesquisa do agente infeccioso, a certificação de propriedades livres e redefinição da certificação do Brasil em relação à PRRS”, anuncia. “Porém, caso comprovada a ausência da PRRS, o programa de prevenção do ingresso deverá ser fortalecido e a indústria brasileira deverá explorar a vantagem competitiva da certificação livre da PRRS”, conclui a pesquisadora.

Mais informações você encontra na edição de Suínos e Peixes de maio/junho de 2018 ou online.

Fonte: O Presente Rural

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Suíno vivo registra variações nos preços em janeiro

Mercado apresenta comportamento distinto nas regiões acompanhadas pelo Cepea.

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As cotações do suíno vivo apresentaram comportamento misto na última sexta-feira (09), conforme dados do Indicador do Suíno Vivo Cepea/Esalq. Entre as principais praças acompanhadas, os preços oscilaram levemente, refletindo ajustes pontuais do mercado no curto prazo.

Em Minas Gerais, na modalidade posto, o quilo do suíno vivo foi cotado a R$ 8,35, registrando queda diária de 1,18% e recuo de 0,95% no acumulado do mês. No Paraná, o animal negociado “a retirar” foi cotado a R$ 8,25/kg, com leve alta de 0,36% no dia, embora ainda apresente variação mensal negativa de 0,24%.

No Rio Grande do Sul, o preço ficou em R$ 8,26/kg, com retração diária de 0,36% e queda de 0,48% no comparativo mensal. Santa Catarina também apresentou leve recuo, com o suíno cotado a R$ 8,31/kg, baixa de 0,12% no dia e variação negativa de 0,48% no mês.

São Paulo foi a única praça a registrar estabilidade no acumulado mensal. O preço do suíno vivo posto na indústria alcançou R$ 8,91/kg, com alta diária de 0,22% e variação mensal de 0,00%.

Os números indicam um mercado ainda ajustando preços no início de janeiro, com oscilações moderadas entre as regiões e sem movimentos expressivos de alta ou baixa.

Fonte: O Presente Rural com informações Cepea
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ACCS empossa nova diretoria e reforça foco em mercado e sanidade na suinocultura catarinense

Entidade inicia novo mandato de quatro anos com Losivanio Lorenzi reeleito e destaca desafios ligados às exportações, biosseguridade e inovação no setor suinícola de Santa Catarina.

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Foto: Divulgação/ACCS

A Associação Catarinense de Criadores de Suínos (ACCS) realizou, nesta sexta-feira (09), a posse oficial da diretoria eleita em assembleia geral no dia 10 de outubro do ano passado. O ato marcou o início formal do novo mandato da entidade e reafirmou a continuidade do trabalho desenvolvido nos últimos anos em defesa da suinocultura catarinense.

Presidente reeleito da ACCS, Losivanio Luiz de Lorenzi: “A ACCS é construída de forma coletiva. Mesmo fora da diretoria, os produtores continuam participando, sugerindo e fortalecendo a entidade” – Foto: Divulgação/ACCS

Durante a cerimônia, o presidente reeleito, Losivanio Luiz de Lorenzi, destacou que a nova gestão mantém o compromisso com a representatividade do setor, aliando experiência e renovação. Segundo ele, alguns membros passaram por mudanças, a pedido, abrindo espaço para novas lideranças, sem perder o apoio e a contribuição daqueles que deixam os cargos diretivos. “A ACCS é construída de forma coletiva. Mesmo fora da diretoria, os produtores continuam participando, sugerindo e fortalecendo a entidade”, afirmou.

Losivanio ressaltou que os principais desafios do novo mandato estão ligados ao acompanhamento constante do mercado, tanto no cenário estadual e nacional quanto no internacional.

Santa Catarina responde por mais de 50% das exportações brasileiras de carne suína e, em 2024, superou o Canadá, tornando-se o terceiro maior exportador mundial da proteína. Nesse contexto, o presidente reforçou a importância da atuação conjunta com indústrias e cooperativas, fundamentais para a comercialização da produção.

Outro ponto central abordado foi a manutenção do elevado status sanitário do rebanho

Foto: Divulgação/ACCS

catarinense. Para a ACCS, a biosseguridade e a sanidade animal são pilares estratégicos para a permanência e ampliação do acesso aos mercados internacionais, além de garantirem qualidade e segurança ao consumidor brasileiro. “É a sanidade que nos mantém competitivos e confiáveis no mundo”, destacou.

A nova diretoria assume com a missão de seguir inovando, acompanhando as transformações do setor, inclusive com o avanço de novas tecnologias e da inteligência artificial, sempre com foco na sustentabilidade da atividade, na qualidade de vida do suinocultor e na entrega de uma proteína segura e de alta qualidade à mesa do consumidor. O mandato tem duração de quatro anos.

Fonte: Assessoria ACCS
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Biosseguridade como estratégia para proteger a suinocultura catarinense

Nova portaria estadual reforça a prevenção sanitária nas granjas, combina exigências técnicas com prazos equilibrados e conta com apoio financeiro para manter Santa Catarina na liderança da produção de proteína animal.

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Foto: Shutterstock

Santa Catarina é reconhecida nacional e internacionalmente pela excelência sanitária de sua produção animal. Esse reconhecimento não é fruto do acaso: é resultado de um trabalho contínuo, técnico e coletivo, que envolve produtores, agroindústrias, cooperativas, entidades de representação, pesquisa e o poder público. Nesse contexto, a Portaria SAPE nº 50/2025, em vigor desde 8 de novembro de 2025, representa um marco decisivo para a suinocultura tecnificada catarinense, ao estabelecer medidas claras e objetivas de biosseguridade para granjas comerciais.

Ao ser elaborada pela Secretaria de Estado da Agricultura e Pecuária (Sape) em conjunto com a Cidasc e outras instituições ligadas ao setor produtivo e à pesquisa agropecuária, a normativa consolida um entendimento que sempre defendemos: a prevenção é a melhor estratégia. Em um cenário global marcado por riscos sanitários crescentes, pressão por padrões mais rigorosos e mercados cada vez mais exigentes, proteger o plantel catarinense significa proteger empregos, renda no campo, investimentos industriais e a confiança dos compradores internacionais.

Diretor executivo do SINDICARNE, Jorge Luiz De Lima – Foto: ARQUIVO/MB Comunicação

A Portaria traz prazos que demonstram equilíbrio e respeito à realidade das propriedades. As granjas preexistentes têm período de adaptação, com adequações estruturais previstas para ocorrer entre 12 e 24 meses, conforme o tipo de ajuste necessário. Contudo, também há medidas de implementação imediata, principalmente de caráter organizacional, baseadas em rotinas padronizadas de higienização, controle e prevenção. É o tipo de avanço que qualifica a gestão e eleva a eficiência sem impor barreiras desproporcionais.

Vale destacar que muitas granjas catarinenses já operam nesse padrão, em razão das exigências sanitárias de mercados internacionais e do comprometimento histórico do setor com boas práticas. Por isso, a adaptação tende a ser tranquila, além de trazer ganhos diretos de controle, rastreabilidade e segurança. Entre as principais ações previstas, estão: uso obrigatório de roupas e calçados exclusivos da unidade de produção; desinfecção de equipamentos e veículos; controle rigoroso de pragas e restrição de visitas; tratamento da água utilizada; e manutenção de registros e documentação atualizados. São medidas que, embora pareçam simples, fazem enorme diferença quando aplicadas com disciplina.

Outro ponto que merece reconhecimento é a criação do Programa de Apoio às Medidas de Biosseguridade na Produção Animal Catarinense, instituído pela Resolução nº 07/2025. O Governo do Estado não apenas regulamentou: também viabilizou um caminho real para que o produtor possa investir. O programa permite financiamento de até R$ 70 mil por granja, com pagamento em cinco parcelas, sem correção monetária ou juros, e com possibilidade de subvenção de 20% a 40% sobre o valor contratado. Trata-se de um estímulo concreto, que fortalece a base produtiva e mantém Santa Catarina na liderança brasileira em produção e exportação de carne suína.

O processo é tecnicamente estruturado e acessível. O suinocultor deve elaborar um Plano de Ação (Plano de Adequação), com apoio de médico-veterinário da integradora, cooperativa ou assessoria técnica — incluindo alternativas como o Sistema Faesc/Senar-SC para produtores independentes. O documento é preenchido na plataforma Conecta Cidasc. A partir dele, a Cidasc emite o laudo técnico, e o produtor pode buscar o financiamento do Fundo Estadual de Desenvolvimento Rural (FDR), com solicitação feita junto à Epagri, que atua como ponte para viabilizar o acesso à política pública.

Biosseguridade não é custo; é investimento. É ela que sustenta a sustentabilidade do setor, reduz perdas, previne crises e mantém nossa competitividade. A Portaria nº 50/2025 e o Programa Biosseguridade Animal SC mostram que Santa Catarina segue fazendo o que sempre fez de melhor: antecipar desafios, agir com responsabilidade e proteger seu patrimônio sanitário, garantindo segurança, qualidade e confiança do campo ao mercado.

Fonte: Assessoria Sape-SC
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