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Prova de leite a pasto seleciona animais mais produtivos no Brasil Central

Animais participantes da prova são novilhas contemporâneas, provenientes de criatórios do DF e de estados vizinhos

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A Embrapa e criadores do Distrito Federal e Entorno uniram esforços para melhorar a qualidade genética dos rebanhos leiteiros da região e, assim, aumentar a produtividade dos animais, que, apesar de similar à média nacional, 1.600 litros/vaca/ano, ainda é baixa se comparada à dos estados do Sul, de 2.900 litros/vaca/ano, de acordo com dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Para isso, o Centro de Tecnologias para Raças Zebuínas Leiteiras (CTZL) da Embrapa Cerrados (DF) vem realizando, desde 2015, a Prova Brasileira de Produção de Leite a Pasto do Zebu Leiteiro.

A prova zootécnica, inédita  em condições de Cerrado do Brasil Central, foi desenvolvida em uma parceria entre Embrapa e Associação dos Criadores de Zebu do Planalto (ACZP), representante em Brasília da Associação Brasileira dos Criadores de Zebu (ABCZ),  com apoio da Associação Brasileira dos Criadores de Gir Leiteiro (ABCGIL), do Hospital Veterinário da Universidade de Brasília (UnB) e das Faculdades Associadas de Uberaba (Fazu). A metodologia tem como objetivo identificar e disponibilizar ao mercado matrizes melhoradoras de raças zebuínas leiteiras como Gir Leiteiro e Sindi, ou seja, com maior potencial genético para a produção de leite a pasto, nas condições do Cerrado brasileiro.

De acordo com dados da Emater-DF, o Distrito Federal conta com 1.230 produtores de leite e, em 2016, produziu 29,9 milhões de litros, volume ínfimo diante do demandado pelos consumidores brasilienses – 221,8 milhões de litros anuais, se for multiplicada a população – cerca de 3 milhões de habitantes – pelo consumo recomendado pela Organização Mundial de Saúde, de 200 mL/dia. “Precisamos encontrar genética que se adapte ao nosso sistema de produção a pasto. Não é comprar genética e depois inventarmos um sistema que não temos condições de manter”, explica Cláudio Karia, chefe-geral da Embrapa Cerrados.

Coordenador da prova, o pesquisador da Embrapa Carlos Frederico Martins explica que a metodologia tem como premissas a seleção genética confiável, com no mínimo cinco meses de mensuração de leite; o sistema de produção pecuária característico do Brasil, que tem o pasto como base alimentar sustentável; e a produção do leite seguro e saudável, sem qualquer aditivo.

Como funciona a prova de leite a pasto

Os animais participantes da prova são novilhas contemporâneas, provenientes de criatórios do DF e de estados vizinhos. A prova tem duração de 14 meses, sendo dois de adaptação, em que os animais são alimentados com silagem de milho e concentrado, e 12 meses de lactação, dos quais são considerados 305 dias de lactação, período em que as novilhas se alimentam de pasto rotacionado de Brachiaria brizantha cv. BRS Piatã, variedade recomendada para o Cerrado e integrante do portfólio de cultivares da Embrapa, e suplementação proteica, como ocorre nas fazendas da região. O leite produzido é pesado e avaliado em um laboratório da Universidade Federal de Goiás (UFG). As ordenhas são realizadas mecanicamente duas vezes ao dia, com a presença do bezerro ao pé, sem indutores de lactação.

Durante o período de lactação, são mensurados parâmetros de importância econômica em condições de pastagem no bioma Cerrado quanto à produção de leite (com peso ponderado de 40% na avaliação), intervalo do parto à concepção (15%), percentagem de gordura no leite (5%), contagem de células somáticas (CCS) no leite (5%), percentagem de proteína no leite (10%), persistência de lactação (10%) e conformação da morfologia racial (15%). As mensurações são conduzidas em conjunto com técnicos da ACZP e da ABCZ.

Os atributos medidos compõem o índice fenotípico que classifica os animais na prova. Cada atributo é expresso considerando-se a média do grupo avaliado com o valor de 100% – ou seja, os animais acima da média recebem valores superiores a 100% e os abaixo da média, valores inferiores a 100%. “Assim, o animal primeiro colocado não é o que produz mais leite, mas é o mais equilibrado nesses fatores avaliados”, afirma Martins. Outros fatores avaliados, mas que não compõem o índice fenotípico, são os sólidos totais e a lactose presentes no leite.

Além das avaliações zootécnicas feitas por técnicos da Embrapa e da ACZP, um laboratório externo faz a genotipagem das novilhas para a beta-caseína A2, proteína do leite menos alergênica que a variante A1 – segundo estudos médicos desenvolvidos na Nova Zelândia, na Austrália e na China, em populações que consomem o leite A2 há menor incidência de doenças cardiovasculares, diabetes do tipo 1 e alergias. “Oitenta por cento dos zebuínos carregam essa característica, que agrega valor ao zebuíno leiteiro”, explica o pesquisador. A variável também não faz parte do índice fenotípico de classificação das novilhas.

O CTZL busca ainda formar um banco genético com as cinco melhores fêmeas de cada raça classificada na prova. Caso haja interesse do criador, após a prova, os animais são submetidos à aspiração folicular e coleta de embriões. Os produtos (embriões) são compartilhados igualmente entre o criador e a Embrapa, que assinam um contrato de parceria pecuária de pesquisa.

Marcelo Toledo, superintendente técnico da ACZP, revela a satisfação da entidade em realizar a prova com a Embrapa. “Foi uma felicidade muito grande. Sempre tivemos desejo de desenvolver esse projeto junto com o CTZL e deu tudo certo. Tudo foi feito para que o produtor se beneficie com as informações geradas.”

Resultados da prova com Gir Leiteiro

Na primeira edição da prova, concluída em setembro de 2016, participaram 20 novilhas da raça Gir Leiteiro provenientes de 13 criatórios do Distrito Federal e Entorno. A segunda edição está em andamento desde dezembro do ano passado, quando ocorreu a primeira pesagem do leite, e tem a participação de 20 novilhas Gir Leiteiro, sendo seis delas participantes da prova anterior, além de 11 animais da raça Sindi. As pesagens terminam em novembro deste ano e os resultados finais devem ser divulgados em dezembro. A terceira edição já está com inscrições abertas para as raças Gir Leiteiro, Sindi, Guzerá e Guzolando.

As cinco novilhas Gir Leiteiro que alcançaram a primeira colocação na primeira edição da prova obtiveram índice fenotípico acima de 100%, ou seja, acima da média do grupo, sendo que o melhor desempenho foi da novilha Janaúba F. Viena, que alcançou índice de 109,2%. O animal também foi o melhor classificado nos quesitos produção de leite (índice de 108,84%), tendo produzido 4.226 kg em até 305 dias de lactação; conformação total (118,33%); e índice de lactose do leite (105,96%), com teor médio de 4,83% no período citado.

Outra vertente considerada pela prova é a financeira, que inclui avaliação das receitas com a produção dos animais, dos custos operacionais e das margens brutas. Na primeira edição da prova, a receita bruta foi obtida mensalmente com preços recebidos pelo leite, considerando bonificações de gordura, de proteína e de CCS praticadas pela Cooperativa Central dos Produtores Rurais de Minas Gerais (CCPR). A novilha Janaúba F. Viena chegou às mais altas bonificações nesses quesitos, alcançando remuneração total de R$ 4.787.

Ao final de 305 dias de lactação, a maior receita bruta foi de R$ 4.902, obtida com a produção de Janaúba F. Viena, que também teve o maior custo operacional (R$ 4.564), representado por alimentação, mão de obra, medicamentos, controle sanitário e reprodutivo, aluguel de máquinas, manutenção em geral, impostos e taxas. Assim, a margem bruta com a produção de leite do animal durante a lactação representou R$ 338. A maior margem bruta foi apurada com a novilha PH Filomena FIV, R$ 424.

O que dizem os produtores

Presidente do Sindicato de Criadores de Bovinos, Bubalinos e Equinos do Distrito Federal (SCDF), Anselmo de Azevedo participa da segunda prova com duas novilhas Gir Leiteiro. Para ele, o importante não é possuir um animal que produza muito, mas que produza com rentabilidade. “Não adianta uma vaca que produza 60 kg de leite se ela custa 120 kg de leite a cada dia. Então, temos que voltar a atenção para a sustentabilidade da produção.”

Hamilton de Carvalho, que cria Gir Leiteiro no DF, já havia participado da primeira prova com uma novilha, repetindo a dose na segunda prova. Para ele, o CTZL abriu, na região do Planalto Central, o caminho para o controle leiteiro e a avaliação a pasto livre do uso de hormônios. “Existe uma oportunidade de, com vacas de 10 a 14 litros/dia que, desde que com alimentação melhor, obter um desempenho mais alto e chegar aos 20 litros/dia”, projeta.

Para o criador José Maria dos Anjos, de Luziânia (GO), que disponibilizou duas novilhas – uma delas, a mais bem classificada –, a participação na prova se deve principalmente à credibilidade do trabalho desenvolvido pela Embrapa, tanto no âmbito nacional como internacional, e à confiabilidade das informações geradas pela avaliação.

“Para nós que lidamos com melhoramento genético, a preocupação é aprimorar as técnicas que levam à agregação de valor. A Embrapa traz essa agregação não apenas com a avaliação em termos absolutos da produção de leite, mas também com outros fatores elencados que passam a ser referência daqui para frente, como o ganho financeiro e a genotipagem para a beta-caseína A2”, afirma o produtor, que está participando da segunda prova com duas novilhas Gir Leiteiro e cinco novilhas Sindi.

Criador de Sindi em Cavalcante (GO), Marcos da Cunha destaca que a produção de leite da raça não compete com a de outras zebuínas em quantidade, mas em qualidade, devido à homozigose do alelo A2 da proteína beta-caseína. “Creio que (na prova) vamos comprovar também o maior teor de gordura e sólidos no leite. Vejo o Sindi como opção para o pequeno proprietário, que faz a ordenha à mão e produz queijos e outras iguarias.”

José Mário Abdo, dono da novilha quarta colocada na primeira prova, tem interesse de testar – e comprovar – o potencial genético e de produção do Gir Leiteiro, além de contribuir com as pesquisas da Embrapa Cerrados. Para o produtor, a prova possibilita evidenciar e firmar a convicção de que a raça é, de fato, vocacionada para a produção de leite nos trópicos. “As cinco novilhas mais bem classificadas produziram, a pasto, 3,5 mil ou mais quilos de leite durante os 305 dias de lactação, o que dá uma média de mais de 11,5 quilos por dia”, observa.

Segundo o criador, a prova também permite derrubar alguns tabus, como o de que as novilhas não conseguiriam ficar prenhas antes do final da lactação, e mostrar que é possível produzir um leite saudável e sustentável. “A prova serve também como baliza para o processo de seleção genética que fazemos nas propriedades. É uma sinalização para continuarmos no caminho que estamos seguindo, com a chancela da Embrapa”, declara. Abdo está participando da segunda prova com dois animais Gir Leiteiro.

Um participante de destaque das provas de leite a pasto do CTZL é o criador Paulo Horta. Médico cardiovascular de formação, ele é um estudioso da bovinocultura de leite, e vem fomentando a criação de raças zebuínas leiteiras na região há 38 anos, selecionando animais Gir Leiteiro. Além disso, é um dos idealizadores do CTZL da Embrapa Cerrados. “A parceria com a Embrapa é muito importante. Essa prova de produção de leite é um marco.”

Para mostrar a importância da prova, Horta cita um trabalho científico dos pesquisadores Mário Martinez, Rui Verneque e Roberto Teodoro, da Embrapa Gado de Leite (MG), sobre avaliação e seleção de matrizes a partir do estágio de lactação, no qual foram avaliadas mais de 40 mil lactações, incluindo testes de progênie e o arquivo nacional do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa). O estudo demonstra estatisticamente que, para decidir se uma matriz deve ou não ser descartada, é necessário aguardar no mínimo seis meses de lactação. “No teste de progênie da prova de produção de leite, o controle leiteiro da lactação acima de seis meses é o que nos permite guardar ou desfazer de uma determinada matriz”, explica.

Fonte: Embrapa Cerrados

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Aurora Coop amplia frigorífico em MS e eleva abate de suínos em 60%

Com investimento de R$ 350 milhões, unidade de São Gabriel do Oeste passa a abater 5 mil suínos por dia, cria 1.050 empregos e amplia a presença da cooperativa no Centro-Oeste

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Presidente da Aurora Coop, Neivor Canton, destacou o impacto social da obra na cidade e no estado sul-mato-grossense e sinalizou novos investimentos. Foto: Geter Neto/MB Comunicação

Com investimento de R$ 350 milhões, unidade de São Gabriel do Oeste passa a abater 5 mil suínos por dia, cria 1.050 empregos e amplia a presença da cooperativa no Centro-Oeste

A Aurora Coop inaugurou nesta quinta-feira, 2 de julho, a ampliação do Frigorífico Aurora São Gabriel do Oeste, em Mato Grosso do Sul. O investimento de R$ 350 milhões eleva em 60% a capacidade de abate da unidade, de 3,2 mil para 5 mil suínos por dia, e consolida a planta como uma das principais estruturas industriais de processamento de carne suína do Centro-Oeste brasileiro.

Neivor Canton recebeu título de Cidadão Sul-Mato-Grossense, a maior honraria do Estado, entregue pelo deputado estadual Junior Mochi

O evento reuniu dirigentes da cooperativa, autoridades estaduais e municipais, lideranças do cooperativismo, produtores rurais, fornecedores, colaboradores e representantes da imprensa.

A ampliação ocorre no ano em que o frigorífico completa três décadas de operação. A unidade, considerada a principal estrutura da Aurora Coop para abate e processamento de suínos no Centro-Oeste, passa a combinar aumento de escala, maior automação industrial e expansão da produção de itens de maior valor agregado.
O presidente da Aurora Coop, Neivor Canton, afirmou que o investimento amplia a oferta de produtos processados para o mercado interno e fortalece a presença da cooperativa no exterior. A planta está habilitada para exportar cortes e miúdos suínos para mercados como Vietnã, Uruguai, Singapura, Paraguai, Moldávia, Hong Kong e Emirados Árabes, além de países da lista geral.

Segundo Canton, a diversificação do portfólio é decisiva para a competitividade da cooperativa. A estratégia inclui produtos cozidos, defumados, frescais, presuntaria, hambúrgueres e cortes in natura, com foco em valor agregado, eficiência produtiva e aproveitamento industrial. “Investir em produção, tecnologia e inovação é uma forma de gerar valor para produtores cooperados, colaboradores, clientes e consumidores. O crescimento da Aurora Coop sempre esteve ligado ao desenvolvimento das comunidades onde estamos presentes”, afirmou.

Canton também agradeceu o apoio recebido em Mato Grosso do Sul e indicou que a cooperativa avalia novos investimentos no Estado. “Encontramos em Mato Grosso do Sul um ambiente de grande apoio aos investimentos da Aurora Coop, tanto do governo do Estado quanto da prefeitura municipal. A Aurora acredita no potencial sul-mato-grossense e, muito provavelmente, fará novos investimentos aqui”, adiantou.

Impacto regional
Com a nova estrutura, a receita operacional bruta do frigorífico deve crescer R$ 733 milhões e alcançar R$ 2,399 bilhões ao ano. A expansão representa aumento de 45% na receita da unidade e deve acrescentar R$ 237,5 milhões ao movimento econômico do centro-norte de Mato Grosso do Sul.

Evento reuniu dirigentes da cooperativa, autoridades estaduais e municipais, lideranças do cooperativismo, produtores rurais, colaboradores e representantes da imprensa

O projeto também amplia o quadro de empregos diretos. A unidade, que contava com 2.650 colaboradores, passará a reunir cerca de 3.700 postos de trabalho. A maior parte das 1.050 novas vagas será preenchida com trabalhadores de São Gabriel do Oeste e municípios vizinhos.

Para o governador do Mato Grosso do Sul, Eduardo Riedel, a cooperativa ajudou a consolidar a força do agronegócio brasileiro e construiu, no Estado, um modelo produtivo com impacto econômico e social. “É um dia feliz para Mato Grosso do Sul. Ao longo desses 30 anos, a Aurora Coop contribuiu para fazer do Brasil não apenas o país do futebol, mas também uma referência mundial no agro. Esse crescimento tem muito a ver com o cooperativismo, com um modelo único, que organiza a produção, gera renda e transforma a vida das pessoas. A suinocultura coloca cerca de R$ 100 milhões por ano nas mãos dos produtores da região. Por isso, Mato Grosso do Sul estará sempre ao lado da Aurora. Produzir alimento é também contribuir para a paz no mundo, e vamos seguir trabalhando juntos por esse desenvolvimento”, destacou Riedel.

O prefeito de São Gabriel do Oeste, Leocir Montagna, afirmou que a presença da Aurora Coop redesenhou a geografia econômica do município e abriu um novo ciclo de desenvolvimento local. Segundo ele, a expansão da unidade amplia a geração de empregos, renda e oportunidades, mas também exige planejamento do poder público para acompanhar o crescimento populacional e social provocado pela indústria. “A cooperativa movimentou a economia e passou a fazer parte da vida da cidade. A prefeitura sempre esteve ao lado desse projeto e também tem ampliado a oferta de serviços sociais para atender os trabalhadores e as famílias que chegam a partir desse crescimento”.

Indústria mais automatizada
As obras no FASGO começaram em julho de 2023, após serviços preliminares iniciados em dezembro de 2022. No pico da construção, mais de 15 empresas e 250 operários atuaram no projeto. A área construída foi ampliada em 9,5 mil metros quadrados, além dos 38,6 mil metros quadrados já existentes.

Presidente da Aurora Coop, Neivor Canton, com o governador do MS, Eduardo Riedel

Parte relevante dos recursos foi destinada à modernização tecnológica. Do total investido, cerca de R$ 125 milhões foram aplicados em máquinas e equipamentos, R$ 130 milhões em construção civil e R$ 95 milhões em instalações industriais. A linha de abate foi substituída para atender à nova escala produtiva, com maior precisão operacional e condições ergonômicas mais adequadas.

A nova configuração permitirá acréscimo diário de 20 toneladas de presuntaria, 36,3 toneladas de cozidos e defumados, 44 toneladas de produtos frescais e 6,9 toneladas de banha. A capacidade total de industrializados passa a 432 toneladas por dia.

Homenagem a Canton
Durante a solenidade, Neivor Canton recebeu o título de Cidadão Sul-Mato-Grossense, a maior honraria do Estado. A homenagem foi concedida pela Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul, por meio de projeto de resolução aprovado em 2025 e proposto pelo deputado estadual Junior Mochi, em reconhecimento à contribuição do presidente da Aurora Coop ao desenvolvimento econômico e social do Estado.

Ao justificar a homenagem, Junior Mochi destacou a trajetória de Canton à frente de uma das maiores cooperativas de alimentos do País e a influência da Aurora Coop na expansão da agroindústria sul-mato-grossense. “O título simboliza a gratidão do Estado a quem acreditou no nosso potencial”, ressaltou.

A distinção ocorreu no ano em que Mato Grosso do Sul celebra 49 anos. Para a Aurora Coop, a homenagem também marca o vínculo construído com São Gabriel do Oeste e com a cadeia produtiva local desde a instalação da unidade.

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Óleo de soja lidera altas do complexo com suporte do petróleo e biocombustíveis

Commodity registra forte valorização impulsionada por tensões geopolíticas e expectativas de aumento de mandatos de biodiesel, enquanto farelo avança de forma mais moderada, segundo a Consultoria Agro Itaú BBA.

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Foto: Divulgação

O óleo de soja foi o principal destaque do complexo soja em maio, encerrando o mês com forte valorização impulsionada pelo avanço do petróleo e pelas expectativas de aumento de mandatos de biocombustíveis. Já o farelo teve desempenho mais moderado, pressionado pela ampla oferta global, enquanto as exportações dos derivados seguiram em ritmo firme.

Foto: Divulgação/Coamo

De acordo com dados da Consultoria Agro Itaú BBA, o óleo de soja negociado em Chicago superou US$ 77 por libra-peso no fim de maio, sustentado por compras expressivas de fundos e pela escalada do petróleo em meio às tensões no Oriente Médio. Também influenciaram o mercado as expectativas de ampliação de mandatos de biodiesel, como o B50 na Indonésia a partir de 1º de julho e as discussões sobre o B15 na Malásia.

No encerramento do mês, a queda do petróleo diante da expectativa de um possível acordo entre Estados Unidos e Irã reduziu parte dos ganhos do óleo de soja. Ainda assim, o produto fechou maio com alta média de 8,3%, mantendo a liderança de desempenho dentro do complexo.

O farelo de soja teve avanço mais contido, com alta de 1,3% na CBOT, para US$ 329 por tonelada. O resultado reflete a ampla disponibilidade global do produto e o esmagamento recorde na América do Sul, que ampliou a oferta no mercado internacional.

Foto: Divulgação

No Brasil, os preços do farelo em Mato Grosso seguiram direção contrária à bolsa americana. Em Rondonópolis (MT), houve recuo de 3,8% em maio na comparação com abril, para R$ 1.525 por tonelada, influenciado pela oferta interna elevada e pela valorização do real.

As exportações do complexo soja mantiveram forte desempenho. Em maio, os embarques de farelo cresceram 7,7% frente a abril, enquanto os de óleo subiram 22%. No acumulado do ano, as exportações de farelo avançam 4,6% e as de óleo registram alta de 40,9%.

O cenário é sustentado pela combinação de oferta abundante, maior processamento doméstico e demanda externa consistente. A procura internacional por farelo segue firme, com destaque para países da Ásia e da Europa. Já no caso do óleo de soja, o aumento da produção decorrente do maior esmagamento, somado a uma demanda ainda abaixo das expectativas, tem permitido ao Brasil ampliar seus embarques ao exterior.

Fonte: O Presente Rural com Consultoria Agro Itaú BBA
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CBNA defende formulações mais flexíveis para reduzir dependência de milho e soja

Diversificação de ingredientes, processamento industrial e inteligência artificial ganham espaço para elevar a eficiência produtiva.

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O atual cenário de instabilidade geopolítica e a volatilidade nos preços de grãos e insumos têm levado empresas da cadeia de produção animal a buscar novas estratégias para reduzir custos e aumentar a eficiência produtiva. Tradicionalmente baseada em milho e farelo de soja, a formulação de rações passa a incorporar discussões sobre diversificação de matérias-primas, melhor aproveitamento nutricional e tecnologias aplicadas ao processamento industrial.

Médico-veterinário e presidente do CBNA, Godofredo Miltenburg: “A base da ração ainda é milho e soja, e o preço desses ingredientes acaba determinando grande parte do custo de produção”

O médico-veterinário e presidente do CBNA, Godofredo Miltenburg, lembra que a alimentação representa aproximadamente 70% do custo de produção de aves e suínos, o que torna a eficiência nutricional um fator decisivo para a competitividade do setor.

“A base da ração ainda é milho e soja, e o preço desses ingredientes acaba determinando grande parte do custo de produção. O papel do nutricionista é justamente encontrar ajustes na formulação que permitam manter o desempenho dos animais e, ao mesmo tempo, melhorar a eficiência econômica”, afirma Miltenburg.

Dietas multi-ingredientes

Entre as alternativas discutidas pela indústria estão as chamadas dietas multi-ingredientes, que permitem maior flexibilidade na formulação conforme o comportamento do mercado de commodities. Ingredientes como sorgo, trigo e outros cereais passam a ser considerados em determinados cenários de custo, desde que a substituição mantenha desempenho zootécnico e viabilidade econômica.

“Em determinados momentos é possível utilizar ingredientes com melhor custo sem perder desempenho. A ideia é sair de uma dieta baseada apenas em milho e soja e trabalhar com formulações mais diversificadas, sempre avaliando o custo e o resultado produtivo”, explica Miltenburg.

Apesar das oportunidades, a adoção de novas matérias-primas ainda enfrenta desafios técnicos e logísticos dentro da cadeia produtiva. Questões como disponibilidade de volume, necessidade de armazenagem, adaptação das fábricas de ração e confiabilidade dos dados nutricionais dos ingredientes influenciam diretamente as decisões da indústria.

“Para utilizar novos ingredientes é preciso ter escala e garantir fornecimento. Além disso, as fábricas precisam estar preparadas para trabalhar com mais matérias-primas, o que pode exigir estrutura adicional de armazenagem e manejo”, ressalta o presidente do CBNA.

Aprimoramento do processamento industrial da ração

Além da diversificação de ingredientes, outra frente que ganha força no setor é o aprimoramento do processamento industrial das rações. Melhorias em etapas como moagem, dosagem e peletização vêm sendo apontadas como alternativas importantes para elevar a eficiência sem depender exclusivamente da troca de matérias-primas.

Segundo Miltenburg, o caminho passa por aproveitar melhor os recursos já existentes nas fábricas. “Dentro de casa, o que pode ser feito é um melhor processamento dos ingredientes disponíveis, usando a tecnologia já instalada e tirando o máximo do que temos nas fábricas”, afirma.

Entre os pontos de maior atenção estão a granulometria dos ingredientes e a qualidade dos pellets produzidos nas fábricas de ração. A redução do desperdício, a melhora na digestibilidade e o aumento da eficiência alimentar aparecem como ganhos diretos dessas estratégias.

“Fornecer uma granulometria adequada contribui para maximizar a eficiência de digestão dos ingredientes. E a peletização reduz desperdícios e facilita a ingestão do alimento, o que pode ser traduzido em melhores índices de ganho de peso e conversão alimentar”, explica.

Decisões integradas

Na avaliação do zootecnista e membro da Diretoria Técnica do CBNA, Fabio Catunda, a busca por eficiência produtiva exige hoje uma visão mais ampla da cadeia. “Nutrição continua sendo um pilar central, mas resultados consistentes exigem integração com tecnologia, legislação, processamento e gestão. O setor precisa cada vez mais de decisões integradas”, afirma.

A inteligência artificial também começa a ganhar espaço dentro das estratégias da nutrição animal. O uso de ferramentas digitais para análise de dados, interpretação de resultados produtivos e otimização de formulações já faz parte da rotina de algumas empresas da cadeia agroindustrial.

De acordo com o zootecnista e membro da Diretoria Técnica do CBNA, Flavio Longo, o avanço dessas ferramentas deve acelerar a tomada de decisão nas agroindústrias. “A inteligência artificial deixou de ser uma tendência distante e passou a fazer parte da rotina da nutrição animal. A proposta agora é utilizar melhor os dados disponíveis para decisões mais assertivas”, afirma.

Para o setor, o desafio passa não apenas por reduzir custos, mas por equilibrar eficiência econômica, desempenho zootécnico e qualidade final da produção. “O grande desafio é entregar carcaça de qualidade com baixo custo e alta eficiência produtiva. Encontrar esse equilíbrio é o que define a competitividade da cadeia”, conclui Miltenburg.

A edição digital do jornal está disponível gratuitamente para leitura online no portal de O Presente Rural, acesse clicando aqui.

Fonte: O Presente Rural
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