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Bovinos / Grãos / Máquinas Pecuária

Protocolo inédito Carne Baixo Carbono permite aumentar lotação no pasto com sustentabilidade

Densidade maior também permitiu maior produtividade por área: crescimento de 163% em peso de carcaça produzido por hectare

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Dalizia Aguiar

Com o manejo adequado do sistema de produção pecuário é possível ter 125% a mais de animais por hectare e um peso de carcaça/ha 163% superior em relação ao manejo convencional, tudo isso garantindo a qualidade do produto final, a fixação de carbono no solo e o controle das emissões de metano. Os dados integram o primeiro protocolo para produção de carne com baixa emissão de carbono no Brasil, a Carne Baixo Carbono (CBC) ou Low Carbon Brazilian Beef (LCBB). A Embrapa, responsável pelo estudo, obteve os dados em uma Unidade de Referência Tecnológica (URT) de pecde corte, localizada no Cerrado baiano, com avaliações de estoque de carbono no solo, ganho de peso dos bovinos, qualidade da carne e emissão de metano.

Conforme a pesquisadora da Embrapa Pecuária Sul (RS) Márcia Silveira, que coordena o trabalho de validação do protocolo, a marca-conceito CBC busca valorizar sistemas pecuários que não possuem o componente florestal, mas que apresentam potencial de mitigação das emissões de gases de efeito estufa (GEEs) por meio do adequado manejo da pastagem e adoção de boas práticas agropecuárias. A Embrapa e a Marfrig Global Foods possuem uma aliança estratégica para fortalecer a agregação de valor à carne bovina brasileira, que envolve as marcas-conceito Carne Baixo Carbono (CBC) e Carne Carbono Neutro (CCN).

“O estudo buscou avaliar a produção de bovinos de corte em sistemas com pastagens bem manejadas no intuito de validar as diretrizes em ambiente comercial. Os resultados iniciais demonstram que, pela implementação das diretrizes CBC, é possível garantir produtividade e qualidade da carne, de forma a aumentar a lucratividade do produtor, sem abrir mão da manutenção ou aumento do estoque de carbono do solo e da mitigação da emissão de GEEs, além do efeito poupa-terra, relacionado aos ganhos de produtividade do sistema, que possibilitam o aumento da produção de carne com menor pressão sobre a vegetação nativa. É mais um passo na busca pela eficiência produtiva que leva em conta a qualidade do produto e do seu ambiente de produção”, destaca a cientista.

As diretrizes técnicas para produção da Carne Baixo Carbono, avaliadas na pesquisa, envolvem o cumprimento de práticas adequadas de manejo da pastagem, como monitoramento de altura, ajuste de carga animal, adubação adequada à demanda das plantas forrageiras e ao nível de intensificação do sistema, assim como a adoção de Boas Práticas Agropecuárias (BPA).

Plataforma reúne tecnologias para redução de emissões

O protocolo integra a Plataforma Pecuária de Baixa Emissão de Carbono (PBC), uma iniciativa da Embrapa para contribuir com as estratégias do Plano Agricultura de Baixo Carbono (ABC+) frente aos desafios dos cenários de mudanças climáticas. As pesquisas fazem parte do Projeto Trijunção, iniciado em dezembro de 2017, e que é coordenado pela pesquisadora Flávia Santos, da Embrapa Milho e Sorgo (MG).

A Plataforma PBC, projeto em rede liderado pelo pesquisador Roberto Giolo, da Embrapa Gado de Corte(MS), pretende desenvolver mecanismos de certificação para alguns produtos da pecuária de corte, produzidos em sistemas pecuários com foco em baixa emissão de carbono, a partir de marcas-conceito, como Bezerro Carbono Neutro (BCN), Carne Baixo Carbono (CBC), Carbono Nativo (CN) e Couro Carbono Neutro (Couro-CN), além de uma calculadora de carbono (calc-C).

“Os ganhos são do produtor, da cadeia da carne como um todo e do Brasil, ao promover maior valorização do produto e melhor visibilidade do País no mercado global”, analisa Giolo, ao afirmar que a iniciativa contribui também para minimizar a pressão por abertura de novas áreas para a pecuária, pois apresenta efeito poupa-terra e, portanto, auxilia nos esforços para equacionar a questão do desmatamento no Brasil.

Emissões de metano

A intensidade de emissão não variou entre os manejos, apresentando valor médio de 6,3 kg de CO2-equivalente por quilo de carcaça. “O manejo CBC possibilitou um aumento de 125% no número de animais por hectare e de 163% em quilo de carcaça pela mesma área em relação ao manejo convencional, indicando um importante efeito poupa-terra, além do potencial de maior incorporação de carbono no solo para manutenção da condição produtiva da pastagem e de mitigação das emissões de gases de efeito estufa do sistema”, frisa o pesquisador Roberto Giolo.

A pesquisa

O estudo de caso teve início em maio de 2019 na Fazenda Santa Luzia, pertencente à Fazenda Trijunção, localizada em Jaborandi (BA). A propriedade é referência na produção de bovinos de corte mediante as Boas Práticas Agropecuárias (BPA), com dados estruturados e sequenciais de todo o sistema produtivo. A URT foi composta por dois talhões, bem como por uma área de vegetação nativa (Cerrado). O primeiro talhão, com a forrageira Brachiaria brizantha cv. Marandu, conta com 115 hectares divididos em quatro piquetes, representando o manejo convencional. O segundo talhão, de pastagem recuperada, com Brachiaria brizanthacv. BRS Piatã, conta com 85 hectares, também dividido em quatro piquetes e manejado segundo as diretrizes técnicas para produção de carne com baixa emissão de carbono em pastagens tropicais (CBC). As áreas foram usadas para recria e terminação de machos da raça Nelore.

Os dados da caracterização inicial (marco zero) do solo para o manejo CBC mostraram um estoque de 20,59 t ha-1 (tonelada por hectare) de carbono na camada de 0-20 cm do solo. O valor é superior ao encontrado no Cerrado nativo (15,18 t ha-1) e em pastagem sob manejo convencional (18,16 t ha-1). “Como esses valores foram obtidos em uma caracterização inicial, avaliações com intervalos de dois anos serão feitas para acompanhar a evolução desse carbono no solo das áreas avaliadas, entretanto, já é possível perceber que o estoque de carbono do solo para manejo CBC está acima dos demais”, explicam os pesquisadores responsáveis pela área, Flávia Santos e Manoel Ricardo Filho, da Embrapa Milho e Sorgo.

Com a manutenção da altura do pasto recomendada para a forrageira cultivada, o talhão com manejo CBC possibilitou cargas médias de 4,34 unidade animal (UA) por hectare contra 1,93 UA/ha no talhão sob manejo convencional, assim como possibilitou cobertura do solo sempre acima de 80%. Essa cobertura do solo sempre alta no talhão CBC visa contribuir com palhada para a matéria orgânica do solo e retenção de carbono no sistema. Ao longo do primeiro ano de avaliação, os animais dos talhões CBC e sob manejo convencional ganharam em média 154 kg e 149 kg a pasto, respectivamente. “Assim, além do maior número de UA por hectare, os animais do talhão CBC entraram mais pesados no confinamento e chegaram ao peso de abate com pelo menos 20 dias a menos de confinamento em relação aos animais do talhão sob manejo convencional”, ressalta Márcia.

“Com a fertilização dos pastos, suplementação estratégica e manejo correto, foi possível garantir alta produção de peso corporal por unidade de área no talhão CBC, sendo que os valores de produtividade registrados estão acima da média da produtividade brasileira. Já no talhão sob manejo convencional, apesar de o ganho médio diário não ter sido muito diferente do talhão CBC, observou-se um ganho por área aquém do potencial”, destaca a pesquisadora da Embrapa Pecuária Sul.

Qualidade da carne

Na avaliação de carcaça e qualidade de carne dos animais do talhão CBC, foram registrados pesos médios de abate e de carcaça de 573 kg e 306 kg, respectivamente, proporcionando um rendimento médio de carcaça da ordem de 53,4%, sendo que 100% das carcaças apresentaram acabamento tipo 3 (gordura mediana) e maturidade de dois dentes. Para a análise da qualidade da carne, foi observado que o escore médio de marmorização foi de 7,7, ou seja, a marmorização média foi do tipo pequena. A força de cisalhamento (corte) média foi de 6,3 kg, variando entre 4,87 e 8,17 kg. “Enquanto nenhum animal apresentou carne considerada dura (> 9 kg), praticamente dois a cada três animais apresentaram carne com menos de 7 kg, o que poderia ser considerada como carne aceitavelmente macia se avaliada por um painel de degustadores treinados. Assim, a qualidade da carne, a marmorização e a força de cisalhamento observadas são compatíveis com os sistemas de produção existentes no Brasil e atendem ao que o mercado exige”, destaca o pesquisador da Embrapa Gado de Corte responsável pelos dados, Gelson Feijó.

Fonte: Embrapa Pecuária Sul
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Bovinos / Grãos / Máquinas Feno

Pontos importantes para ter um alimento de qualidade

Profissional explica pontos importantes como a desidratação das plantas forrageiras, os benefícios de um feno bem feito para a produção de leite, o correto armazenamento do feno, entre outros

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Arquivo/OP Rural

Os cuidados com a pastagem fazem uma grande diferença para o produtor rural que buscar ter alimentos – com qualidade – o ano todo. A reportagem de O Presente Rural conversou com a zootecnista, doutora em Nutrição e Produção Animal e professora da Universidade Estadual do Oeste do Paraná (Unioeste), Marcela Abbado Neres. A profissional explica pontos importantes como a desidratação das plantas forrageiras, os benefícios de um feno bem feito para a produção de leite, o correto armazenamento do feno, entre outro.

O Presente Rural – Por que desidratar as plantas forrageiras?

Marcela Abbado Neres – Existe duas formas de conservar a forragem depois de cortada. A primeira seria por acidificação (pH<4,2) por processo de fermentação em meio anaeróbio (sem oxigênio). Quem faz essa acidificação são bactérias presentes na própria planta, mas que conhecemos muito, pois estão presentes nos iogurtes e outros alimentos fermentados que são os Lactobacillus. A outra forma de conservar é desidratando a planta cortada que de 80% de água passa a 15% de água.

Essas duas técnicas tem como objetivo principal evitar a deterioração dessas plantas por bactérias e fungos indesejáveis. As bactérias indesejáveis degradam proteínas e carboidratos deixando assim esses nutrientes indisponíveis para os animais e algumas bactérias inclusive transformam algumas proteínas em compostos tóxicos.

Então na fenação desidratamos as plantas ao sol para reduzir a umidade pois existe um índice chamado índice de atividade de água (AW). Quando a AW está abaixo de 0,70 não temos crescimento elevado de micro-organismos que deterioram o feno.

O Presente Rural – Quais plantas são indicadas para produção de feno?

Marcela Abbado Neres – Antes de citar as plantas é importante entender as características que esta planta deve ter. As plantas indicadas para produção de feno devem ter as hastes finas, pois assim facilita a desidratação da planta. As folhas perdem água rapidamente, mas as hastes são mais resistentes a desidratação. Então quanto mais espessas e grossas as hastes mais as plantas demoram para atingir a umidade ideal para armazenamento sem comprometer sua qualidade.

Outra característica importante são os pontos de crescimento dessas plantas, ou seja, de onde surgem novas folhas. Plantas para fenação devem sempre manter os pontos de crescimento próximos do solo, pois os cortes dessas plantas para fenação ocorrem numa altura de 5 a 6 cm do solo. Assim esses pontos de crescimento são preservados dos cortes e o tempo de recuperação da planta antes do novo corte é rápido. Plantas cespitosas como o capim Napier elevam muito rápido seus pontos de crescimento. Então em um capim Tifton 85 no verão podemos ter intervalos de cortes de 30 dias. No capim Napier além do aumento do número de dias para secar (hastes são grossas), este precisa de 60 dias para passar por um novo corte.

  • A planta deve ser produtiva em termos de kg de massa de forragem por alqueire;
  • Ter elevado valor nutricional;
  • Ser resistente à pragas e doenças; mas no Brasil tem ocorrido em algumas áreas de produção de feno ataques de lagartas e cigarrinha das pastagens.

Sendo assim no Brasil temos como opção o capim Tifton 85, Jiggs, coastcross e a leguminosa alfafa. Outras forrageiras também estão sendo utilizadas para produção de feno como braquiárias (essa mais indicada para gado de corte, pelo valor nutricional). As espécies de inverno também são utilizadas para produção de feno como a aveia e o azevém.

O importante é o produtor não confundir feno com palhada. A palhada é a sobra de uma cultura como por exemplo o trigo. São volumosos de baixo valor nutricional e não devem ser usadas na alimentação de vacas de leite.

O Presente Rural – Qual a importância de desidratar a planta?

Marcela Abbado Neres – A desidratação da planta vai reduzir o teor de matéria seca dessa planta e consequentemente a atividade de água (AW), inibindo assim o crescimento de fungos que são potenciais produtores de micotoxinas. As micotoxinas são prejudiciais à saúde dos animais e podem passar para o leite não sendo eliminadas no processo de pasteurização.

Feno armazenado com umidade elevada pode perder seu valor nutricional por ação de micro-organismos e inclusive entrar em combustão.

O Presente Rural – Quais as vantagens do feno para vacas de leite?

Marcela Abbado Neres – Vacas de leite recebem na sua dieta uma proporção maior de concentrado (milho moído e farelo de soja) podendo chegar a 60% do total da dieta. O rúmen precisa manter um pH ao redor de   6,4 para sobrevivência das bactérias que colonizam esse compartimento do estômago. O alimento concentrado tende a baixar o pH do rúmen quando fornecido em grandes quantidades, então essas vacas precisam de fibra na sua dieta, e fibra longa (ao redor de 5 a 7 cm) pois a fibra estimula a produção de saliva (pela ruminação) e a saliva contribui para o aumento do pH do rúmen. Outra vantagem da fibra longo conhecida como fibra fisicamente efetiva é que no rúmen essa fibra longa aumenta a produção de ácido acético, que é o precursos da gordura do leite.

Sendo assim pastagens, silagens e feno são fontes de fibra. Outra vantagem do feno para vacas de leite é que algumas espécies forrageiras possuem teores de proteína bruta acima de 14% podendo chegar a 20% de proteína bruta. Feno tem um teor energético mais baixo em relação a silagem de milho, portanto os dois se complementam.

O Presente Rural – Quais os benefícios do feno bem feito?

Marcela Abbado Neres – Essa é uma questão muito importante. A produção do feno deve ser muito bem acompanhada em todas as etapas, inclusive no armazenamento. Se negligenciarmos em alguma etapa, teremos com certeza resultados insatisfatórios no produto final. Como exemplo: a falta de análise de solo e adubação dos campos de feno vai se refletir na menor produção de massa por área, aumentar o intervalo entre cortes, reduzir o valor nutricional do feno.  O corte deverá ser realizado no ponto de crescimento ótimo da forrageira pois se a planta estiver com idade de rebrota mais avançada, o valor nutricional vai reduzir. Mas veja, para quem produz feno essa etapa não é fácil pois as vezes a planta está com a idade certa para ser cortada, mas as condições climáticas (chuvas) não permitem o corte. Assim o produtor precisa esperar uma janela (dias sem chuvas e sem nebulosidade) para fazer o corte com segurança.

As viragens são importantes por permite uma desidratação uniforme. Quando cortamos um feno, forma-se uma camada de 8 a 10 cm de forragem depositada no solo. A camada inferior fica em contato com o solo e a outra exposta ao sol. A camada de forragem cortada e em contato com o solo tende a desidratar mais lentamente em relação as plantas que estão na camada superior. Assim a viragem vai permitir uma desidratação uniforme.

O enleiramento deve ocorrer no ponto ideal de matéria seca (15 a 12%). O produtor experiente sabe quando o feno está no ponto ideal torcendo o feno. Existe hoje no mercado medidores de umidade do feno, que também são utilizados pelos produtores para medir antes de enfardar. Também não é vantagem secar demasiadamente o feno pois esse se torna quebradiço e as perdas de folhas são maiores. As perdas de folhas são maiores pois elas secam mais rápido. Se compararmos o valor nutricional de folhas e colmos, temos maiores teores de proteína bruta e melhor digestibilidade nas folhas.

O armazenamento também é outra etapa importante pois o feno deve ser armazenado em galpões protegidos de umidade, com cobertura, ventilação, evitar incidência solar direto no feno e usar pallets de madeira para evitar o contato direto do feno com o solo evitando assim que a umidade do solo passe para o feno.

O Presente Rural – Como evitar problemas de fungos no feno?

Marcela Abbado Neres – Um feno não é 100% livre de fungos. Em um experimento realizado por nós na Unioeste comparamos as populações em quantidade e espécies de fungos em uma área produtora de feno. Foi observado uma maior população de fungos no solo, raízes e material vegetal morto depositado sobre o solo. Então se o produtor tomar o cuidado necessário ao usar os equipamentos de viragem e enleiramento, evitamos a contaminação excessiva de fungos no feno armazenado. Mas com os cuidados necessários podemos reduzir muito a população desses fungos. O mais importante é o teor de umidade do feno que deve ser como dito anteriormente abaixo de 15%. Mas não adianta armazenar com umidade abaixo de 15% num galpão com cobertura deficiente, quando em situação de chuva, esse feno é molhado. Uma característica do feno é que ele é higroscópico, ou seja, ele absorve umidade. Então se a umidade relativa do ar aumenta ocorre um ligeiro acréscimo na umidade do feno.

O Presente Rural – Quais problemas esses fungos podem causar aos animais?

Marcela Abbado Neres – Os fungos são potenciais produtores de micotoxinas. Isso não quer dizer que se tem fungo tem micotoxinas. As micotoxinas são produzidas pelos fungos em condições específicas. Umidade relativa do ar, alternância de temperatura entre dia e noite. Isso vai depender de cada espécie de fungo. As micotoxinas afetam a saúde dos animais e a produção de leite dependendo da quantidade ingerida e da micotoxina. Cada espécie de fungo pode produzir uma ou até mais micotoxinas. Existem fungos que não produzem micotoxinas.

Os principais problemas são distúrbios metabólicos, afetam a imunidade, alguns são hepatóxicos, outros afetam sistema reprodutivo, levando a falhas reprodutivas (micotoxinas Zearalenona produzida pelo fungo do gênero Fusarium.

O Presente Rural – Como armazenar o feno? Quais dicas para armazenar da melhor forma?

Marcela Abbado Neres – Temos os produtores de feno que estão na atividade somente para venda. Este possuem galpões de armazenamento até que o feno seja despachado para o comprador. Temos o produtor de feno que usa na propriedade e vende parte do feno e temos aqueles produtores de leite que não produzem o feno, apenas fazem a aquisição. Em todas as situações acima, o feno deve ser armazenado em local específico para tal. Quando a produção de feno é muito alta ou a compra pelo produtor também é alta e não existe a possibilidade de armazenar no galpão específico pode-se improvisar locais para armazenamento. Mas o tempo do feno nesses locais deve ser o menor possível, não deve ficar em contato com o solo, não receber umidade proveniente de chuvas. Evitar presença de roedores e deposição de fezes de aves e outros animais.

O Presente Rural – Por que os fenos tipo A e B são melhores para vacas de leite? Qual a diferença para outros tipos?

Marcela Abbado Neres –

Essa é a tabela de classificação do feno. Vacas de leite são exigentes em nutrientes então optar sempre pelo feno tipo A ou B. O feno tipo C pode tem um teor de proteína baixo e um valor de fibra elevado. Significa que fibra alta demais (acima 69%) temos um componente impregnado nessa fibra chamado lignina o qual que está elevado também. A lignina prejudica a ação dos micro-organismos do rúmen sobre essas células. Reduzindo assim a liberação dos nutrientes presentes no feno e o aproveitamento desses nutrientes pelo animal.

O Presente Rural – Quais as etapas da produção de feno e quais os impactos dela na produção de leite?

Marcela Abbado Neres – Etapas

Corte: realizado quando temos um ótimo entre produção de matéria seca e qualidade da forragem. Realizado com segadeiras ou segadeiras condicionadoras (estas possuem batedores que cortam as hastes e facilita a desidratação delas). Deve ser realizado após a secagem do orvalho em qualquer horário do dia. Não deve ser realizado comorvalho depositado sobre as plantas.

Viragens: A viragem ocorrem algumas horas após o corte para facilitar uma desidratação uniforme. Quanto maior a quantidade de forragem por área, a altura de material depositado sobre o solo maior. Assim as viragens devem ser em número maior. Geralmente se faz de 2 a 3 viragens em todo o período de secagem.

Essa etapa deve evitar revolver parte do solo e material vegetal morto, como citado acima, pode vir a contaminar o feno com fungos e micotoxinas.

No inverno a incidência de orvalho é superior pela manhã e pelo fato da radiação solar ser menor o feno leva um tempo maior para secagem.

Enleiramento: O enleiramento ocorre quando a planta atingiu o teor de massa seca adequado, ou seja, entre 15 e 12%.  Usa-se um ancinho enleirador.

Enfardamento: O enfardamento ocorre logo após o enleiramento. Produtores que possuem dois tratores geralmente trabalham com um trator enleirando e outro enfardando. Assim o processo é mais rápido e menos passível de perdas por precipitação.

Recolhimento do feno no campo: Hoje já existe equipamentos próprios para recolher o feno e alocá-lo no galpão. Alguns produtores de feno para venda, ao enfardar, muitas vezes já carrega no caminhão para entrega, sem necessidade de armazenar na propriedade.

Todas essas etapas feitas da forma correta levam à um feno de boa qualidade para vacas de leite. Deve-se fazer a escolha da forrageira adequada para vacas de leite. Capins como Tifton 85, jiggs, Coastcross, aveia e azevém além da leguminosa alfafa são os mais indicados para vacas de leite. O manejo do campo de feno é importante também.

O Presente Rural – Por que é importante que o produtor tenha seus próprios equipamentos?

Marcela Abbado Neres – O produtor, quando começa na atividade, geralmente, terceiriza esse serviço. Ele contrata algum vizinho ou alguém quando a planta dele está no ponto de corte para fazer o feno. A medida que ele vai se capitalizando, ele vai adquirindo esses equipamentos. Isso acontece porque o feno tem cinco ou seis cortes no ano, diferente da silagem, que está caminhando para a terceirização. Isso acontece porque o silo é feito uma ou duas vezes ao ano. O produtor corta o milho para fazer silagem uma ou duas vezes. Dessa forma, esses equipamentos mais modernos e eficientes para fazer silagem tem um custo muito elevado, mais de R$ 1 milhão. Já um conjunto de fenação é caro, mas se o produtor comprar primeiro uma ceifadeira, depois compra um ancinho espalhador, ele vai se capitalizando e não fica dependente da terceirização, especialmente por questão da chuva, porque as vezes ele precisa fazer o corte e o fornecedor do serviço está em outra propriedade, então o produtor perde a janela de corte. Por isso essa questão do equipamento é importante e hoje em dia existem muitos bons equipamentos nacionais.

Outras notícias você encontra na edição de Bovinos, Grãos e Máquinas de junho/julho de 2021 ou online.

Fonte: O Presente Rural
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Bovinos / Grãos / Máquinas Nutrição

Planejamento forrageiro é essencial para pecuarista que busca evitar escassez de alimento

É importante a escolha das espécies componentes dos sistemas de produção que podem ser integrados com a produção de grãos

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Diogo Zanata

O planejamento forrageiro é uma estratégia para reduzir a escassez de alimento dos rebanhos ao longo do ano através da oferta diversificada de pasto e forragens conservadas. De acordo com o pesquisador da Embrapa Trigo, especialista no assunto, Renato Serena Fontaneli, o produtor deve juntamente com seu assistente técnico, seja da iniciativa privada, cooperativas, Emater, laticínios, planejar e executar de maneira eficiente, tornando os sistemas produtivos, complexos, com resultados atrativos.

Ele explica que a região sul-brasileira é privilegiada em termos de ambiente para produção de pastagens durante o ano todo. “Assim sendo, é possível termos forragens produzidas no campo, o ano todo, para ruminante”, afirma. Ele diz que é possível dispor das melhores alternativas do mundo temperado (aveia, azevém, cereais de duplo-propósito como o trigo e aveias-brancas, leguminosas como os trevos e cornichão etc) e do mundo tropical (grama-bermuda, quicuio, hemártria, capim-elefante-anão, braquiárias, colonião, etc). “Essas forrageiras e outras podem compor pastagens para serem pastejadas pelos animais ou conservadas como pré-secados, feno, silagem de planta inteira, silagem de grãos e grãos em geral”, informa.

Fontaneli afirma ser importante a escolha das espécies componentes dos sistemas de produção que podem ser integrados com a produção de grãos (integração lavoura-pecuária). “Dentro de cada espécie existem diversas cultivares que variam em ciclo produtivo, potencial e adaptação local. O técnico pode auxiliá-lo na seleção das cultivares. Por exemplo, temos cultivares de aveia-preta, azevem e trigo forrageiro ou de duplo-propósito de ciclos precoce, médio ou tardio, e a seleção deve estar de acordo com a utilização da área em sucessão, por exemplo, soja ou milho”, comenta.

De acordo com o pesquisador, existem muitas alternativas de cultivares que o pecuarista pode utilizar para fazer o seu planejamento forrageiro. “A Embrapa, por exemplo, dispõe de dezenas de cultivares das principais forrageiras a serem indicadas para cultivo nas diversas regiões brasileiras. Além disso, felizmente contamos com diversas empresas privadas nacionais e internacionais que disponibilizam excelentes alternativas. Novamente, destaco a importância da presença do técnico, para juntamente com o empresário rural decidirem da maneira mais efetiva”, diz.

Fontaneli reitera que qualquer atividade humana deve ser planejada visando minimizar os riscos inerentes a cada decisão. “Podemos pensar em um planejamento forrageiro baseado em espécies de inverno e de verão, mas elas não poderão ofertar forragem o ano todo. Haverá, período(s) de déficit forrageiro, com por exemplo no outono e na primavera, ou seja, na transição entre as estações de crescimento”, comenta.

Ele explica ser possível incluir pastagens perenes, de verão, mais comumente, por exemplo (Tifton 85), que pode ser pastejada de 7 a 10 meses ao ano, dependendo de ambientes locais, podendo ser sobressemeada com forrageiras anuais de inverno. “Podemos compor sistemas incluindo as pastagens perenes de inverno, por exemplo, festuca ou dáctilo com trevos, que podem permitir pastejo de março/abril até novembro/dezembro em regiões como o norte do RS.  Entretanto, vale lembrar que quando perenizamos uma pastagem, não podemos cultivar essas áreas para produção de grãos”, alerta.

O pesquisador destaca ainda que alimento é o principal item no custo de produção animal. “É aceito em termos internacionais que em sistemas de produção de leite, o custo do alimento pode representar de 40 a 60% do custo de produção”, diz.

Melhores estratégias para o planejamento forrageiro

Fontaneli destaca que é preciso fazer um trabalho personalizado para garantir um bom planejamento forrageiro. “Por um bom planejamento que pode servir para nortear e desencadear ações rumo a melhoria dos sistemas produtivos. Cada propriedade, glebas dentro da propriedade, cada produtor, cada técnico são únicos e devem agir em conjunto”, afirma.

Segundo o pesquisador, há conhecimentos disponíveis suficientes para melhorar os sistemas produtivos. “Aliás, não existe nenhum sistema de produção no mundo que não possa ser melhorado. Esse é o desafio e o que nos move a cada dia”, garante.

Ele revela ainda algumas estratégias que que pode ser utilizadas pelo produtor para garantir um bom planejamento. “O produtor deve planejar, juntamente com os técnicos experientes e competentes, especializados na área de integração lavoura-pecuária; planejar a médio e longo-prazos; e observar o histórico de cada gleba da propriedade, rotação de culturas, adubações e tratos culturais. Tudo pode ajudar a decidir alternativas mais adequadas, com menor risco e maior potencial de sucesso”, finaliza.

Outras notícias você encontra na edição de Bovinos, Grãos e Máquinas de junho/julho de 2021 ou online.

Fonte: O Presente Rural
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Bovinos / Grãos / Máquinas Algas

Extratos protegem integridade intestinal e modulam sistema imunológico

Algas marinhas como corretivos de solo e fertilizantes são aplicações tradicionais, como forragem para ruminantes e ainda utilizadas em muitos lugares do mundo

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Arquivo/OP Rural

Extratos de algas marinhas estão cada vez mais presentes na bovinocultura. Seu poder de proteger a integridade intestinal e modular o sistema imunológico chama a atenção de pecuaristas em todo o país. Ainda há muito a aprender para extrair delas o máximo potencial, mas, assim como o desempenho zootécnico, os resultados das pesquisas e os produtos oferecidos pelo mercado estão cada vez mais interessantes.

“As algas são recursos naturais e renováveis, tradicionalmente utilizados nas regiões costeiras de todo o mundo há muito tempo. Comparados a muitos outros recursos naturais, elas demonstram baixo risco de toxicidade e eco toxicidade. Além do mais, as algas estão entre as plantas de crescimento mais rápido na natureza. Algumas espécies de algas marinhas podem crescer até 30% de seu peso por dia. Além disso, como elas vivem na água do mar, não competem por terras areáveis nem por recursos de água doce”, destaca Maria Angeles Rodríguez, engenheira agrônoma mestre em Nutrição Animal pela Universidade Politécnica de Madrid (Espanha), gerente de produtos da Olmix.

“As algas são um grupo funcional que engloba uma grande variedade de organismos, cuja única característica em comum é a fotossíntese e um estilo de vida aquático. Entre esses organismos, encontram-se as macroalgas, que você costuma ver à deriva em praias ou presa às rochas. Elas pertencem aos eucariotas, o que significa que seu DNA é encontrado dentro de um núcleo verdadeiro. A segunda categoria de algas são as microalgas, que na maioria dos casos você precisa de microscópio para observar. Elas também são conhecidas como fitoplâncton e incluem organismos eucarióticos, mas também organismos procarióticos, que estão próximos às bactérias e não possuem um núcleo verdadeiro. Por exemplo, as cianobactérias são algas procarióticas e são mais conhecidas como algas verde-azuladas, como a espirulina”, menciona.

Ela destaca, no entanto, que as algas de interesse da pecuária são apenas as algas eucarióticas, multicelulares, macroscópicas e marinhas.

De acordo com ela, ao contrário das plantas terrestres, as algas não possuem raízes e nem sistema diferenciado de circulação de seiva. Como crescem na água, absorvem água e nutrientes por toda a superfície. Maria Angeles cita ainda que o modo de reprodução também é muito diferente das plantas terrestres, e não produzem flores, sementes ou frutos. “Cada espécie está adaptada a certas condições de luz, corrente, resistência à seca, que definirão sua área de repartição no litoral fixada nas rochas por suas ancoragens. Com base em seus pigmentos fotossintéticos, as algas marinhas podem ser divididas em três grupos: algas vermelhas, verdes e marrons. Esses três grupos são geneticamente diferentes e cada um separado do outro por milhões de anos de evolução”, pontua.

Mas quando as algas começaram a ser usadas na alimentação de ruminantes? “A história do homem e das algas começa há 16 mil anos com as primeiras evidências arqueológicas do consumo humano de algas marinhas na costa chilena.

A primeira evidência escrita de seu uso medicinal vem da China, cerca de 3 mil anos antes de Cristo.

As algas marinhas como corretivos de solo e fertilizantes são aplicações tradicionais, como forragem para ruminantes e ainda utilizadas em muitos lugares do mundo. Precisamos esperar até o século XVI para a primeira exploração industrial de algas marinhas na indústria de vidro, usando cinzas de algas ricas em carbonato de potássio para diminuir o ponto de fusão do silício. No século XIX, o iodo foi descoberto nessas cinzas e levou à produção industrial de soluções de iodo para o tratamento de feridas. O século XX viu o desenvolvimento da indústria de hidrocoloides. Os hidrocoloides são moléculas capazes de armazenar grande quantidade de água e, portanto, de texturizar os ingredientes com os quais são misturados. Na Europa, os hidrocoloides feitos de algas marinhas são identificados pelos códigos e400 e e407. Você pode encontrá-los em muitos alimentos processados, como laticínios ou refeições prontas industriais, mas também em produtos de higiene pessoal, como pasta de dente, cremes para a pele ou fraldas para bebês. Suas propriedades formadoras de gel também são interessantes para aplicações farmacológicas, como curativos, remédios para refluxo gástrico ou placas de Petri para cultura bacteriana. Finalmente, o século XXI viu o surgimento de um novo campo de aplicações designado para a extração de moléculas ativas para todos os tipos de biotecnologia”.

Maria Angeles destaca que as algas marinhas podem ser ricas em vários compostos nutricionais interessantes como minerais, proteínas e vitaminas específicas. No entanto, os compostos predominantes são os polissacarídeos que podem representar até 70% da matéria seca. Devido à sua estrutura específica e a presença de grupos de sulfato, esses polissacarídeos possuem diversas atividades biológicas interessantes para seu uso em ruminantes.

Atividades biológicas

Os extratos de algas podem ser usados por suas propriedades biológicas ou combinados com argilas por suas características estruturais. A profissional explica que as algas marinhas contêm altos níveis de carboidratos, especialmente polissacarídeos em suas paredes celulares. Além disso, seus níveis são estáveis durante todo o ano, permitindo sua extração constante. “Os polissacarídeos de algas marinhas têm estruturas muito complexas que estão diretamente ligadas às suas atividades. A variedade estrutural que pode ser encontrada nas algas marinhas é enorme, permitindo assim, potencialmente, um elevado número de diferentes atividades biológicas. Além disso, uma de suas características específicas é a sulfatação, que os torna realmente únicos. Na verdade, os polissacarídeos são características do ambiente marinho, onde o sulfato está na forma e quantidade certa para ser incluído nos polissacarídeos do organismo marinho. Essas estruturas não existem nas plantas terrestres ou nas microalgas de água doce que estão nos mercados, e nem nas paredes celulares das leveduras. Elas têm, no entanto, similaridade estrutural com polissacarídeos na matriz extracelular de animais, por exemplo, a conhecida heparina usada em diversas aplicações médicas para humanos devido às suas propriedades biológicas. A sulfatação aumenta o potencial das atividades biológicas. Uma característica adicional é sua extrema estabilidade: são resistentes ao calor até o processo de extrusão e não são digeridas por nenhuma das enzimas digestivas de monogástricos e ruminantes”, elenca.

Existem opções no mercado de duas espécies, uma verde, Ulva, também conhecida como “alface do mar”, e uma vermelha, Solieria. “Elas vêm de campos naturais de algas marinhas, com um ciclo de vida anual. “Ulva forma grandes flores de algas não aderidas, crescendo em baías rasas durante a primavera e o verão. Elas são trazidas para a costa pela maré e correntes, onde podem ser colhidas. Solieria cresce presa até o final de seu ciclo, quando naturalmente se desprende de suas rochas, geralmente durante as tempestades de inverno. Elas são então lançadas na praia, onde são colhidas principalmente do outono à primavera. A colheita dessas duas espécies permite ter matéria prima disponível praticamente o ano todo”.

Além disso, explica a engenheira agrônoma, os lugares onde são coletadas são conhecidos por encalhamento em massa dessas espécies específicas, que garantem alto grau de pureza, com menor quantidade de outras espécies. “E nosso impacto ambiental é muito baixo, pois estamos à espera de que as algas venham até nós, não as arrancamos de suas rochas”. Depois disso, as algas passam por um processo completo de biorrefinaria, desde a colheita até os ingredientes ativos inovadores finais. A biorrefinaria serve para estabilizar rapidamente os extratos de algas, em menos de 48 horas.

“Todos estes extratos são obtidos de forma ecológica, apenas com água, sem a utilização de solventes químicos. Isso preserva as características naturais do extrato e, consequentemente, sua bioatividade nos produtos finais”, cita.

Estresse

Maria Angeles cita que o uso de polissacarídeos marinhos serve para proteger a integridade intestinal e modular o sistema imunológico, por isso é recomendado em qualquer período estressante, no período seco para estimular a produção de imunoglobulina para o colostro, nos estágios iniciais ou durante o estresse por calor. “As dosagens giram em torno de 1g/Kg de matéria seca ingerida. Entre os benefícios observados, elenca a profissional, estão a melhora do estado de saúde, maior resistência a patógenos, melhor uso de energia e nutrientes, melhor desempenho e melhor lucratividade.

Outras notícias você encontra na edição de Bovinos, Grãos e Máquinas de junho/julho de 2021 ou online.

Fonte: O Presente Rural
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