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Avicultura

Protocolo de bem-estar animal estabelece padrões para aprimorar condições de vida das poedeiras

A necessidade de tal protocolo se tornou evidente diante da complexidade dos sistemas de produção animal e da urgência em otimizar tanto os aspectos produtivos quanto os indicadores de bem-estar.

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Foto: Divulgação/Arquivo OPR

Existe uma crescente preocupação com o bem-estar dos animais nas cadeias de produção de alimentos, o que tem impulsionado mudanças significativas nas práticas industriais. Na Europa, em resposta a essa demanda foi desenvolvido um Protocolo de Qualidade de Bem-Estar para Poedeiras, que além de estabelecer padrões para uma avaliação robusta e confiável dos índices produtivos das aves, possibilitando uma estimativa precisa da condição de bem-estar dos lotes em cada granja avaliada, promove também uma abordagem prática para garantir a saúde dos animais, atendendo às demandas dos consumidores por produtos éticos e de alta qualidade.

Zootecnista Midiã Nascimento dos Santos: “Medidas corretivas podem ser implementadas precocemente, evitando assim a propagação de um problema” – Foto: Jaqueline Galvão/OP Rural

A necessidade de tal protocolo se tornou evidente diante da complexidade dos sistemas de produção animal e da urgência em otimizar tanto os aspectos produtivos quanto os indicadores de bem-estar. “Este protocolo foi desenvolvido para avaliar e melhorar o bem-estar de animais de produção, além das aves, também dos suínos, ruminantes e outras espécies”, afirmou a zootecnista Midiã Nascimento dos Santos.

A implementação deste protocolo implica em uma série de diretrizes e práticas específicas que devem ser seguidas pelos produtores. Desde o manejo adequado das instalações até a nutrição balanceada e o controle sanitário eficaz, cada aspecto do ciclo de produção é cuidadosamente considerado para garantir o bem-estar das poedeiras.

Além disso, o Protocolo de Qualidade de Bem-Estar para Poedeiras busca não apenas aprimorar as condições de vida dos animais, mas também promover a transparência e a responsabilidade na indústria de produção animal. “Ao adotar essas práticas, o setor demonstra um compromisso tangível com o bem-estar animal, atendendo as crescentes expectativas dos consumidores por produtos provenientes de sistemas de produção éticos e responsáveis”, menciona a profissional.

Guia prático

Mais do que um simples conjunto de diretrizes, esse protocolo é um guia prático e abrangente para a avaliação do bem-estar animal, abordando quatro princípios fundamentais: alimentação adequada, alojamento adequado, boa saúde e comportamento apropriado.

Para cada um desses princípios existem alguns critérios de bem-estar, em que os produtores devem adotar medidas específicas. Isso inclui garantir que as aves tenham acesso constante a alimentos e água, fornecer um ambiente de alojamento confortável e espaçoso, manter a saúde das aves através de cuidados veterinários adequados, promover comportamentos naturais e sociais, uma boa relação entre humanos e animais, e um estado emocional geral positivo. “Essas medidas podem ser baseadas em recursos disponíveis, no manejo e no animal”, afirma Midiã, complementando: “As medidas, que são obtidas diretamente do animal, também são conhecidas como indicadores iceberg, os quais podem revelar problemas subjacentes no manejo ou no ambiente, indicando a necessidade de ajustes para garantir o bem-estar ideal das poedeiras”.

Avaliação da condição corporal

A zootecnista explica que cada princípio contém alguns critérios de bem-estar para avaliar a condição corporal das aves, com score que vai de 0 a 2. A avaliação da condição corporal oferece uma maneira direta de identificar possíveis problemas relacionados à alimentação e competição por alimentos, permitindo que os produtores ajam rapidamente para garantir o bem-estar adequado das aves.

Por exemplo, no princípio de Alimentação Adequada, entre os critérios avaliados estão Fome Prolongada, medida que vai indicar deficiência nutricional ou algum tipo de competição por ração que acaba impedindo que esse animal consuma a quantidade devida de alimento para aquela determinada linhagem e idade. “Neste princípio, o animal avaliado com score 0 significa que sua condição corporal é considerada normal, com músculos presentes no contorno da quilha conforme o desejado. Já o score 1 indica condição moderada, em que a quilha pode ser vista levemente; e o score 2 é severo, mostrando que a quilha é proeminente, o que é um indicativo de que a ave não está consumindo alimentos em quantidade suficiente para atender às suas necessidades nutricionais”, detalha Midiã.

Investigação em cada caso

A profissional menciona que, como as medidas são baseadas no animal, o produtor terá uma visão mais clara dos impactos do ambiente sobre as aves. “Mesmo que o ambiente pareça estar adequado, isso não necessariamente significa que está causando um efeito positivo no bem-estar das aves. Por exemplo, mesmo que o número de comedouros esteja adequado, em algumas gaiolas as aves dominantes podem estar impedindo que as outras consumam a quantidade desejada de alimento”, detalha.

Porém, um fator importante deste sistema é sua capacidade de prevenir que os problemas se agravem. Midiã diz que ao verificar constantemente as aves, tanto o produtor quanto o sistema de auditoria podem detectar os sintomas iniciais de um problema antes que se torne mais grave. “Medidas corretivas podem ser implementadas precocemente, evitando assim a propagação do problema. Ao adotar essa abordagem, os produtores garantem não apenas a saúde e o bem-estar das aves, mas também a sustentabilidade e a eficiência de suas operações”, salienta.

No entanto, a zootecnista reforça que essa avaliação tem suas limitações. “Embora forneça informações valiosas sobre o bem-estar das poedeiras, nem sempre identifica a causa raiz dos problemas, exigindo uma investigação mais aprofundada”, evidencia.

Além disso, a correção efetiva desses problemas pode demandar outras medidas complementares. “Para garantir melhorias significativas na produção e no bem-estar das aves, é importante que essas medidas estejam integradas a práticas de manejo, ambiência e nutrição adequadas. Apenas quando todos esses aspectos estão alinhados é que se pode obter resultados realmente positivos”, ressalta.

Para ficar atualizado e por dentro de tudo que está acontecendo no setor avícola acesse a versão digital de Avicultura de Corte e Postura clicando aqui. Boa leitura!

Fonte: O Presente Rural

Avicultura

Paraná prorroga por mais 180 dias emergência zoossanitária contra a gripe aviária

Prorrogação do estado de emergência zoossanitária permite agir de maneira ágil e mais eficaz em caso de detecção do vírus influenza. O decreto ajuda a manter a confiança dos mercados internacionais na segurança dos produtos avícolas brasileiros.

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Para continuar com as ações de prevenção e controle da Influenza aviária de Alta Patogenicidade (H5N1) e ter acesso facilitado a recursos no combate à doença, o Governo do Paraná decretou segunda-feira (22) a prorrogação do estado de emergência zoossanitária no Estado pelo prazo de 180 dias adicionais.

Fotos: Ari Dias/AEN

Decreto 6811  segue em conformidade com a Portaria n.º 587 de 22 de maio de 2023 do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) e do Decreto n.º 2893 de 25 de julho de 2024 da Agência de Defesa Agropecuária do Paraná (Adapar). A emergência zoossanitária foi decretada no Paraná pela primeira vez em 25 de julho de 2023 e prorrogada, uma vez, em 25 de janeiro de 2024. Em maio deste ano, o Mapa também prorrogou em território nacional por 180 dias a vigência do estado de emergência zoossanitária. “Essa medida é de extrema importância, pois a prorrogação do estado de emergência zoossanitária permite agir de maneira ágil e mais eficaz em caso de detecção da gripe aviária”, afirma o diretor-presidente da Adapar, Otamir Cesar Martins.

Para o chefe do Departamento de Saúde Animal (DESA) da Adapar, Rafael Gonçalves Dias, a prorrogação da emergência zoossanitária contribui para manter esse status perante a Organização Mundial de Saúde Animal (OMSA). “A emergência sanitária permite ao governo mobilizar recursos financeiros e logísticos de forma mais eficiente para combater a doença. Isso inclui a articulação entre diferentes níveis de governo e organizações não governamentais para implementar medidas de controle e erradicação” afirma.

Dias ainda aponta que o decreto ajuda a manter a confiança dos mercados internacionais na segurança dos produtos avícolas brasileiros. “Manter o status de país livre de gripe aviária é importante para as exportações e para a reputação internacional do Brasil em termos de segurança sanitária”, ressalta.

A influenza aviária é uma doença com distribuição global e ciclos pandêmicos ao longo dos anos, com sérias consequências para o comércio internacional de produtos avícolas. No ano passado foi detectada pela primeira vez em território brasileiro, em aves silvestres, o que não afetou a condição de país livre da doença com vistas ao comércio. “A influenza aviária é altamente contagiosa entre aves. A presença de influenza aviária pode levar à perda de mercados internacionais e à destruição de aves infectadas, resultando em grandes prejuízos econômicos” explica Dias.

Vigilânica ativa

Em 2024, a Adapar promoveu um ciclo de ações de vigilância ativa em aves, conforme o Plano Nacional de Vigilância para Influenza Aviária e Doença de Newcastle do Mapa. Foram colhidas, neste ciclo, 7.229

amostras de soros e suabes de traqueia e cloaca de aves em 448 propriedades. Quando separadas em componentes, foram 5.745 amostras em 350 propriedades comerciais e 1.484 amostras em 98 propriedades de subsistência.

Essas ações fortaleceram a prevenção de doenças em aves no Estado, ao acionar a disseminação de informações e práticas relacionadas à prevenção de doenças, encorajar a participação ativa da comunidade na promoção da saúde e na implementação de práticas sanitárias.

Segundo a Coordenadora Estadual de Sanidade Avícola da Adapar, Pauline Sperka de Souza, os ciclos de vigilância ativa são uma importante ferramenta para comprovar a ausência das doenças na avicultura industrial e de subsistência.

VBP

O Valor Bruto da Produção Agropecuária (VBP) do Paraná somou R$ 197,8 bilhões em 2023, conforme a análise preliminar publicada em junho no site da Secretaria estadual da Agricultura e do Abastecimento (Seab). Os números representam um crescimento nominal de 3% em relação ao VBP de 2022 (R$ 191,2 bilhões). Se considerada a inflação do período, o resultado foi 11% superior.

Em termos de segmento, o relatório aponta a liderança da produção pecuária na formação do VBP pelo segundo ano consecutivo. O setor representa 49% do valor gerado nas propriedades rurais do Paraná em 2023, com R$ 96,5 bilhões. O setor da avicultura como um todo, incluindo produção de frango de corte, para recria, ovos férteis e ovos para consumo, é o mais expressivo no segmento da pecuária. No ano passado, gerou mais de R$ 44,7 bilhões nas propriedades rurais.

Frangos

No 1º trimestre de 2024, o Paraná teve o segundo maior no abate de frangos, o que também manteve o Estado como líder nacional na produção de carne de frango. O Estado abateu 3,83 milhões de cabeças a mais entre janeiro e março de 2024 do que em relação ao mesmo período do ano passado (de 546,9 milhões para 550,7 milhões), uma alta de 0,7% que só foi menor do que a registrada em Santa Catarina, onde houve aumento de 7,13 milhões de unidades.

Com isso, o Estado alcançou um novo recorde entre todos os trimestres da série histórica analisada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

O Paraná também manteve uma ampla margem na liderança do segmento, respondendo por 34,6% da produção nacional, bem à frente de Santa Catarina (13,6%) e Rio Grande do Sul (11,9%), que completam o pódio. Em todo o País, houve queda de 1,2% nos abates de frango entre os 1º trimestres de 2023 e 2024 – de 1,61 bilhão para 1,59 bilhão de cabeças.

Fonte: AEN-PR
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Avicultura Dentro da zona de proteção

Ministério da Agricultura descarta novos casos de doença aviária no Rio Grande do Sul

Um foco da Doença de Newcastle foi identificado em granja comercial.

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Foto: Jonas Oliveira

O Ministério da Agricultura e Pecuária (doença de Newcastle ) informou no domingo (21) que três casos suspeitos de doença de Newcastle (DNC) no Rio Grande do Sul foram descartados, após as análises do Laboratório Federal de Defesa Agropecuária de São Paulo (LFDA-SP) revelarem resultado negativo para o vírus. A doença viral atinge aves silvestres e comerciais e é altamente contagiosa para os animais.

As amostras foram coletadas na sexta-feira (19) em três propriedades suspeitas, localizadas na zona de proteção estabelecida para DNC pela equipe de vigilância e defesa sanitária animal do estado em conjunto com a equipe do Mapa.

Na última quarta-feira (18) foi identificado um foco da doença em uma granja de criação comercial de aves para corte, localizada no município de Anta Gorda, no Rio Grande do Sul.  O diagnóstico positivo também foi feito pelo LFDA-SP. “Os resultados negativos são uma sinalização extremamente positiva sobre a contenção desse evento sanitário, o que é importante para resolução rápida da situação, e reforça a robustez do sistema de defesa agropecuária do Brasil”, disse o ministério neste domingo.

O Mapa informou ainda que estão sendo montadas barreiras sanitárias na região do Vale do Taquari para controlar a movimentação e evitar a entrada e passagem de aves na área do foco, conforme determina o Plano Nacional de Contingência para DNC. Além disso, as investigações epidemiológicas continuam na zona de vigilância de proteção e em todo o Rio Grande do Sul. “A população não deve se preocupar e pode continuar consumindo carne de frango e ovos, inclusive da própria região afetada. O Mapa reforça que o consumo de produtos avícolas inspecionados pelo Serviço Veterinário Oficial (SVO) permanecem seguros e sem contraindicações”, continuou o ministério.

Após a confirmação do primeiro caso, a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) e a Associação Gaúcha de Avicultura (ASGAV) divulgaram uma nota afirmando que estão acompanhando e dando suporte à ação do Mapa e da Secretaria de Agricultura, Pecuária, Produção Sustentável e Irrigação do Rio Grande do Sul. “As autoridades federais e do estado agiram rapidamente na identificação do caso com interdição da granja, garantindo que não houvesse saída de aves. Os protocolos oficiais estabelecidos para a mitigação da situação pontual foram acionados e o entorno segue monitorado”, disse a entidade.

Neste domingo, a ABPA comemorou o resultado negativo dos testes e disse que continua apoiando os trabalhos de vigilância e as tratativas lideradas pelo governo brasileiro para o restabelecimento do fluxo dos mercados. No ano passado, foram produzidas 14,83 toneladas de carne de frango, segundo a ABPA. “É uma notícia importante, que confirma se tratar de uma situação isolada”, disse a associação.

Na última sexta-feira (19), o Ministério da Agricultura fez uma revisão dos protocolos de emissão de certificação para exportações de carnes de aves e seus produtos. A restrição varia de acordo com os mercados, mas afeta as vendas para 44 países.

Doença de Newcastle
A DNC é causada pela infecção por vírus pertencente ao grupo paramixovírus aviário sorotipo 1 (APMV-1), virulento em aves de produção comercial. Além de aves, ela pode atingir répteis, mamíferos, e até mesmo seres humanos.

Os últimos casos confirmados no Brasil ocorreram em 2006 e em aves de subsistência, nos estados do Amazonas, Mato Grosso e Rio Grande do Sul.

Fonte: Agência Brasil
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Avicultura 25 anos de trajetória

Lar se transforma na terceira maior produtora de frango do Brasil

Cooperativa diversifica seu portfólio de produtos com processos que agregam valor, oferecendo uma gama maior de produtos e aumentando a competitividade no mercado interno e externo.

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Fotos: Divulgação/Comunicação Lar

A Lar Cooperativa Agroindustrial, uma das maiores e mais influentes cooperativas agropecuárias do Brasil, celebra seus 25 anos de trajetória no setor avícola com uma história marcada por desafios superados, inovações tecnológicas e uma sólida estratégia de crescimento.

Fundada com o objetivo de transformar a produção avícola brasileira, em pouco mais de duas décadas a Lar se consolidou como a terceira maior produtora de frangos do Brasil e quarta maior da América Latina.

Em entrevista exclusiva ao Jornal O Presente Rural, o presidente da Lar, Irineo da Costa Rodrigues, compartilha o caminho trilhado na avicultura comercial e as práticas que impulsionaram o crescimento sólido na atividade. “Enfrentamos muitos desafios no começo, desde a falta de infraestrutura até a necessidade de estabelecer processos eficientes. No entanto, cada obstáculo foi superado com muito trabalho, determinação e um bom planejamento” afirma, orgulhoso.

A história da avicultura na Lar começou modestamente em 1999, com o abate de 40 mil aves por dia em um único turno. Este marco inicial estabeleceu a base para uma série de expansões e inovações que viriam nos anos seguintes. Já em 2000, a capacidade de abate foi ampliada para 100 mil aves diárias, com a adição de um segundo turno de trabalho. Esse aumento representou um passo significativo para a cooperativa, consolidando seu compromisso com o crescimento e a eficiência operacional.

Em 2004, todas as operações foram centralizadas na Unidade Industrial de Carnes, consolidando a infraestrutura e otimizando os processos produtivos. O ano de 2012 marcou a inauguração de uma nova linha de abate, elevando a capacidade total para 200 mil aves por dia, demonstrando a constante busca por modernização e aumento da produtividade.

A diversificação dos produtos foi um dos pilares para o sucesso contínuo da Lar. Em 2014, a cooperativa inaugurou a Unidade Industrial de Linguiça, ampliando seu portfólio e atendendo a uma demanda crescente por produtos processados de alta qualidade.

O ano de 2015 foi marcado pela introdução do abate aos sábados na unidade frigorífica de Matelândia, PR. Em 2017, a Lar deu um passo ousado ao arrendar a massa falida da Chapecó em Cascavel, PR, uma movimentação estratégica que culminou na aquisição total em 2019. “Esta aquisição não só aumentou nossa capacidade produtiva, como também expandiu a presença da cooperativa no mercado” enalteceu Rodrigues.

No ano seguinte, a cooperativa começou os abates aos domingos em Matelândia, PR, e adquiriu a Frango Granjeiro. Em janeiro de 2021, a intercooperação com a Copagril marcou uma nova era de parcerias estratégicas, fortalecendo a posição da Lar no mercado. O início dos abates aos domingos nas unidades de Cascavel e, posteriormente, em Rolândia, Paraná, e Marechal Cândido Rondon, Paraná, refletiu a busca contínua por maximizar a produção e atender a demanda crescente.

O compromisso com a inovação tecnológica e a sustentabilidade ficou ainda mais evidente em 2022, com o início do reuso de água na unidade frigorífica de Rolândia.

Em 2023, a capacidade de abate foi ampliada para 195 mil aves diárias nas plantas frigoríficas de Marechal Cândido Rondon e Rolândia. Em agosto do mesmo ano, a Lar aumentou sua capacidade de abate para 500 mil aves por dia e passou a fazer o reuso de água na Unidade Industrial de Aves (UIA). Para 2024, a cooperativa projeta alcançar 1,1 milhão de aves abatidas/dia nas quatro unidades industriais. “No Paraná, a Lar representa 14,40% do abate de aves e 13,37% das exportações avícolas” ressalta o presidente da Lar, com orgulho.

Projeção da Lar

Presidente da Lar Cooperativa Agroindustrial, Irineo da Costa Rodrigues: “A Lar sempre focou em estar próxima aos clientes, entendendo suas necessidades e expectativas e disponibilizando equipes profissionalmente preparadas para bom atendimento”

Ao longo das últimas duas décadas, Rodrigues salienta que a cooperativa alcançou importantes marcos no setor avícola, que a posicionaram entre as maiores empresas agropecuárias da América Latina, entre eles a construção da Unidade Produtora de Pintainhos, eliminando a dependência do mercado para aquisição de pintos de um dia; a separação e ampliação da Unidade Produtora de Recria; a construção e modernização dos incubatórios, com adoção de tecnologias de ponta; o desenvolvimento de parcerias de intercooperação com a Copagril e, mais recentemente, com a Primato; a implantação do segundo turno de produção na Unidade Industrial de Aves (UIA); a introdução de uma segunda linha de abate na UIA; o início das operações aos sábados e domingos, aumentando a capacidade produtiva; a aquisição de três novas unidades industriais de aves; a otimização das plantas de abate, permitindo o processamento de até 1,1 milhão de aves por dia; e o desenvolvimento e expansão da linha de produtos industrializados, incluindo a instalação de uma fábrica de linguiças. “Esses marcos foram fundamentais para o crescimento e a consolidação da indústria avícola da Lar Cooperativa, com foco na inovação e na melhoria contínua dos processos produtivos” pontua Rodrigues.

Estratégias inovadoras para superar desafios

A Lar Cooperativa, em seu início de operações, enfrentou uma série de desafios que foram superados por meio de estratégias inovadoras e eficazes, consolidando-se como um exemplo de resiliência no setor do agronegócio.

Entre elas, a cooperativa encontrou uma dupla solução para a escassez de mão de obra e a falta de qualificação dos trabalhadores ao investir na automação de processos e na capacitação de seus colaboradores, oferecendo treinamentos, cursos técnicos e até cursos superiores. “Essas iniciativas em conjunto aumentaram a eficiência operacional e melhoraram de forma expressiva a qualificação da força de trabalho empregada na Lar” exalta.

Para manter as operações durante os finais de semana, a Lar implementou um sistema de bonificação para os funcionários que trabalham nesses dias e criou um rodízio de folgas durante a semana. “Firmamos acordos coletivos junto aos sindicatos e alinhamos com o Ministério da Agricultura e Pecuária um modelo de operação que teve a necessidade de aumentar o efetivo de fiscais federais” menciona o presidente da Lar.

Para superar a escassez hídrica, a Lar implementou um sistema pioneiro de reutilização de água, que se tornou referência nacional. Além disso, otimizou processos industriais para reduzir o consumo de água, demonstrando seu compromisso com a sustentabilidade e a inovação.

E para assegurar um fornecimento de energia elétrica estável e eficiente, a cooperativa construiu subestações com alimentadores exclusivos, que recebem energia diretamente da rede de alta tensão de 138kV. Além disso, implantou novas redes de alimentação, investiu em energia solar e otimizou processos para torná-los mais eficientes em termos de consumo de energia.

Maior qualidade e eficiência

As principais estratégias definidas pela Lar para melhorar a produção avícola no campo, segundo Rodrigues, incluem um grande investimento na produção de pintainhos de alta qualidade, essencial para obter frangos de corte de padrão superior e atender ao mercado de maneira diferenciada. “A Lar utiliza instalações avançadas para a recria de aves, produção de ovos férteis e incubatórios, que maximizam o potencial genético das aves e da taxa de nascimento dos pintainhos” enfatiza o presidente da Lar, acrescentando: “Há um esforço contínuo da equipe técnica para melhorar as estruturas dos associados integrados, o que permite que eles possam acompanhar o desenvolvimento genético, nutricional e de manejo na atividade. Além disso, a capacitação constante e disciplinada de toda a equipe técnica, operacional e de gestão é promovida para garantir a excelência na produção”.

A Lar também tem se destacado na indústria avícola através de inovações em seus processos e tecnologias de produção. Entre as principais iniciativas, Rodrigues destaca a automação de processos produtivos, com investimentos em linhas automáticas de desossa, evisceração, classificação, pesagem, embalagem, transporte e estocagem, o que aumenta a eficiência e precisão, reduzindo desperdícios e melhorando a qualidade dos produtos. “A cooperativa também otimiza os processos de aquecimento e refrigeração em suas plantas para garantir maior eficiência energética” revela o executivo.

Além disso, a Lar diversifica seu portfólio de produtos com processos que agregam valor, oferecendo uma gama maior de produtos e aumentando a competitividade no mercado interno e externo. Outro destaque é a agregação de valor à produção com linhas de produtos empanados, cozidos, linguiças de frango, congelamento IQF e produção de cortes temperados.

Mercado externo

A cooperativa estruturou sua estratégia de avicultura com foco claro no mercado internacional desde o início do abate, conquistando rapidamente habilitações para atender países com os mais altos padrões de exigência. Ao longo dos anos, a estratégia comercial da Lar evoluiu para construir a confiança da marca em diversos mercados globais, permitindo o destino de sua produção para mais de 90 países e operando através de mais de 100 portos diferentes anualmente, destinando cerca de 40% da sua produção para exportação. “A estratégia internacional da Lar está centrada em oferecer produtos de alta qualidade, atualmente com mais de 90 itens, focando no desenvolvimento de relações de longo prazo com clientes em mercados de valor agregado e focados na importação” afirma Rodrigues.

Segundo o executivo, esse compromisso com a qualidade e a regularidade permitiu a Lar consolidar sua presença internacional, com 25 anos no Oriente Médio, 24 anos no Japão, 23 anos na Europa e 20 anos na China, atuando regularmente com parceiros estratégicos e sendo aceito em todos os canais de venda, incluindo indústrias de processamento, redes de fast food, supermercados e centros de distribuição. “Para atingir esse marco e sucesso, a Lar sempre focou em estar próxima aos clientes, entendendo suas necessidades e expectativas e disponibilizando equipes profissionalmente preparadas para bom atendimento, seja em conhecimento técnico ou em domínio de idiomas como inglês e espanhol, especialmente para atuação na área comercial do mercado internacional” expõe Rodrigues.

Além do mercado externo, a Lar também investiu no desenvolvimento sustentável de canais de venda no mercado brasileiro, um dos maiores consumidores de frango per capita do mundo. Atualmente, com mais de 200 itens disponíveis no mercado nacional, a marca Lar está presente em todos os estados brasileiros.

Os principais mercados de exportação da Lar incluem também China, Europa, Japão, países do Oriente Médio, México, Coreia do Sul e África do Sul. Além disso, a Lar está explorando mercados emergentes como República Dominicana, Angola, Rússia, Singapura e Filipinas.

Assistência técnica e desenvolvimento dos associados

Um dos pilares do sucesso da Lar é a assistência técnica oferecida aos seus associados. Para garantir a qualidade e a eficiência na produção, a cooperativa conta com um time técnico que acompanha os produtores integrados com visitas constantes, para que juntos possam otimizar os indicadores zootécnicos e garantir o status sanitário adequado. “Treinamentos e capacitações são realizados continuamente tanto para a equipe técnica quanto para os produtores integrados, melhorando seus resultados e rentabilidade. A realização do Fórum +Pecuária, com forte participação dos integrados, permite a atualização sobre temas técnicos, manejo, tendências de produção e cenário do mercado mundial” detalha Rodrigues.

O executivo também destaca que são realizadas reuniões da CooperAves, CooperOvos e CooperOvosférteis, que têm como objetivo aproximar, atualizar e engajar os associados com os cuidados necessários que contribuem para o bom desempenho da atividade e da propriedade. “Levamos informações importantes sobre o andamento da atividade avícola e uma apresentação técnica com um tema pertinente ao momento. Também promovemos pequenas reuniões em grupos menores para discussões sobre pontos críticos de manejo, proporcionando interação entre integrados e técnicos responsáveis, facilitando assim a troca de experiências bem-sucedidas” frisa.

Biosseguridade e sustentabilidade

A Lar Cooperativa implementa práticas rigorosas de biosseguridade e sustentabilidade para garantir a saúde e o bem-estar das aves em todos os elos da cadeia. Seguindo categoricamente todas as legislações pertinentes à atividade, a biosseguridade é uma prioridade, sem tolerância para práticas que possam comprometer a sanidade do plantel. Entre as medidas adotadas estão a inspeção de caminhões e demais veículos, uso de roupas adequadas, higienização das mãos e calçados, cumprimento de checklists de verificação de itens de biosseguridade, regulamentação de contato com outras aves e acesso restrito às granjas, além de banhos na entrada e saída dos núcleos de recria e produção de ovos férteis e incubatórios.

Indicadores como mortalidade e condenações são monitorados para avaliar se a saúde e o bem-estar das aves estão sendo atingidas. “A manutenção dos índices de mortalidade e baixas condenações evidenciam o compromisso da Lar com a saúde e o bem-estar animal” evidencia Rodrigues, ampliando: “Também são práticas constantes e corriqueiras na Lar treinamentos com equipes de apanhe de aves, visitas anuais dessas equipes às unidades industriais de abate e acompanhamento dos indicadores de condenações com os responsáveis ​​pelo carregamento das aves”.

Além disso, a cooperativa trabalha para garantir o uso consciente de antibióticos, evitando que as aves sofram por falta de tratamento, sempre com um tempo técnico preparado para atender a todas as legislações aplicadas pelos mercados internos e externos.

Práticas sustentáveis em suas operações

A Lar Cooperativa integra práticas sustentáveis ​​em toda a sua cadeia de valor, desde a produção no campo até a distribuição global de seus produtos. No âmbito ambiental, a cooperativa segue rigorosamente os requisitos legais e consolida o Programa Prioridade Ambiental, uma estratégia para identificar oportunidades e adotar práticas que promovam a consciência e a responsabilidade ambiental. Este programa define indicadores com metas anuais nas áreas de uso sustentável da água e gestão dos efluentes, qualidade do ar, destinação de resíduos sólidos, eficiência energética e educação ambiental.

No campo, a Lar recomenda boas práticas agrícolas e de agricultura regenerativa e de precisão, como o uso eficiente de recursos hídricos, rotações de culturas, uso consciente de defensivos agrícolas e bioinsumos, manejo integrado de pragas, assistência técnica especializada, utilização de drones, maquinários agrícolas mais eficientes e de cultivares tolerantes e resistentes às mudanças climáticas, dentre outras tecnologias disponíveis. “Incentivamos a aplicação de tecnologias na agricultura e na produção animal para aumentar a eficiência dos processos e a produtividade dos associados. Utilizamos tecnologias como controle de temperatura de aviários em tempo real, automatização de alimentadores e no fornecimento de água, utilização de exaustores com maior eficiência, aprimoramento do processo de compostagem com uso de roto acelerador e desidratador” detalha Rodrigues, complementando: “E na alimentação das aves, utilizamos enzimas nutricionais de forma consciente para promover a sustentabilidade através da melhor gestão dos custos de produção e dos índices zootécnicos”.

Em toda a cadeia de produção das aves, Rodrigues atesta que são adotados procedimentos de bem-estar animal, garantindo condições de vida adequadas, espaço suficiente para comportamentos naturais e cuidados veterinários adequados. “Investimos na capacitação contínua dos funcionários com treinamentos, workshops e cursos especializados para manter as atualizações com as melhores práticas do mercado e as novas tecnologias. Realizamos eventos e fóruns para promover a adoção de boas práticas e contribuir para uma produtividade eficiente no setor agropecuário” reforça.

Além disso, a Lar promove programas como o Cooperjovem, que visa a educação cooperativista e ambiental, e o Programa Herdeiros do Campo, focado na sucessão familiar e planejamento da propriedade. E ainda possui o Comitê Feminino, que incentiva a formação de lideranças femininas e a participação das associadas na gestão da cooperativa.

Em suas indústrias de Matelândia e Rolândia, a Lar implementou sistemas de aproveitamento de água, promovendo economia na captação de água e menor impacto ambiental. “Também utilizamos energia gerada de fontes limpas e renováveis, como solar, eólica, biomassa e pequenas hidrelétricas, além de tecnologias que economizam o consumo, como sistemas de refrigeração eficientes e a otimização de equipamentos”.

Rodrigues também enaltece o investimento da cooperativa em pesquisa, desenvolvimento de produtos e tecnologias inovadoras para aumentar a eficiência operacional e a adoção de programas e certificações de qualidade reconhecidas internacionalmente, demonstrando o compromisso da Lar com a segurança dos alimentos. Em relação ao transporte e logística da produção, a Lar otimizou suas rotas de entrega das rações e de aves, usando veículos mais eficientes e explorando opções de transporte de baixo impacto, como ferroviário ou marítimo, quando possível. “Essas práticas refletem nosso compromisso com a responsabilidade ambiental, social e de gestão transparente em todas as etapas da cadeia de valor” enaltece.

Inovação e tecnologia

Nos últimos anos, a Lar Cooperativa implementou diversas soluções inovadoras que impactaram de forma expressiva a produção avícola, focando na automatização dos processos, integração de sistemas, uso de tecnologias avançadas e fontes alternativas de energias renováveis. Entre os principais projetos citados por Rodrigues está o desenvolvimento do ábaco digital, criado pela equipe da Unidade Industrial de Aves em Matelândia, que permite acompanhar em tempo real a qualidade dos lotes na indústria, e foi patenteado.

A cooperativa também lançou projetos piloto para a instalação de equipamentos de sensoriamento nos aviários e utilizou inteligência artificial para melhorar o processo de coleta de aves, calculando rotas e programando equipes com maior eficiência. “A adoção do aplicativo Lar Digital facilita o acesso à informação e a tomada de decisões ao disponibilizar na palma da mão, de forma segura e rápida, dados digitais sobre a produção” diz Rodrigues.

Além disso, a Lar implementou um inovador sistema de reaproveitamento de águas, um dos mais modernos do país, que trata de todo o efluente industrial, reaproveitando a água tanto para o consumo humano quanto para os processos de industrialização do frango. “Essas tecnologias não só melhoram o desempenho operacional, mas também garantem a produção de alimentos de alta qualidade alinhados às práticas sustentáveis” assinala o presidente da Lar.

A inovação faz parte da cultura e dos valores da Lar, sendo fundamental para o crescimento sustentável da cooperativa e do setor avícola. Em sua visão de futuro, a Lar planeja continuar adotando novas tecnologias emergentes para aumentar a eficiência operacional, a produtividade e a segurança dos processos, mantendo o compromisso com o bem-estar animal e a sustentabilidade do negócio. “Com esses esforços, a Lar busca ampliar sua produção de alimentos, expandir o alcance da marca e contribuir para um futuro mais sustentável” revela Rodrigues.

Para ficar atualizado e por dentro de tudo que está acontecendo no setor de cooperativismo, acesse a versão digital de especial cooperativismo, clique aqui. Boa leitura!

Fonte: O Presente Rural
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AJINOMOTO SUÍNOS – 2024

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