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Proteínas animais e lácteos puxam alta dos alimentos em 2025

Queijos e carnes acumulam valorização no ano, mesmo com queda nos preços do leite UHT em dezembro.

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As proteínas animais estiveram entre os principais vetores de pressão sobre os preços dos alimentos no Brasil em 2025. A carne bovina, a carne suína e os derivados lácteos encerraram o ano com altas expressivas, refletindo custos elevados, oferta ajustada e demanda firme, tanto no mercado interno quanto externo. O movimento impactou diretamente o orçamento do consumidor e ajudou a sustentar a inflação de alimentos ao longo do período.

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Dados do estudo “Variações de Preços: Brasil & Regiões”, elaborado pela Neogrid, mostram que, apenas em dezembro, a carne bovina teve aumento médio de 2,3% no país, enquanto a carne suína subiu 2,2% na comparação mensal. No acumulado do ano, os queijos registraram valorização de 12,4%, consolidando-se entre os itens mais pressionados da cesta alimentar.

Apesar desse cenário, o fechamento de 2025 trouxe um alívio pontual para o segmento lácteo. O leite UHT apresentou queda média nacional de 5,3% em dezembro, movimento que também foi observado de forma mais intensa na Região Sul, onde a retração chegou a 7,7%. Outros derivados do leite também recuaram no Sul, como queijos (-3,8%) e leite em pó (-3,3%), contribuindo para conter a inflação de curto prazo.

Segundo Anna Carolina Fercher, líder de Dados Estratégicos da Neogrid, o comportamento das proteínas animais ao longo do ano ajuda a explicar o cenário inflacionário observado. “2025 foi marcado por pressões relevantes em categorias estratégicas, como carnes e café, impulsionadas por custos elevados, oferta mais restrita e forte demanda externa, o que pressionou diretamente o orçamento do consumidor”, analisa.

No caso específico da carne bovina, a combinação entre custos de produção mais altos, ajustes na oferta e a força das exportações

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contribuiu para a valorização do produto ao longo do ano. Já na cadeia do leite, a elevação dos preços de derivados como os queijos refletiu tanto o encarecimento da matéria-prima em determinados períodos quanto o aumento dos custos industriais e logísticos.

Além das proteínas animais, outros itens essenciais da cesta de consumo também fecharam 2025 em alta. A margarina acumulou aumento de 12,1%, o creme dental subiu 11,7% e a cerveja registrou elevação de 6,2%, evidenciando um cenário disseminado de reajustes ao longo do ano.

O destaque negativo ficou novamente com o café, que liderou as altas no acumulado anual. Entre dezembro de 2024 e dezembro de 2025, o produto ficou 40,7% mais caro, com o preço médio passando de R$ 53,58 para R$ 76,36. A elevação ocorreu mesmo diante de uma safra brasileira estimada em 56,5 milhões de sacas, crescimento de 4,3% em relação a 2024, segundo a Conab. No entanto, a produção de café arábica, variedade mais consumida no mercado interno, caiu 9,7%, impactada por baixa produtividade e condições climáticas adversas, o que reduziu a oferta e pressionou os preços.

Foto: Marcello Casal Jr/Agência Brasil

Apesar das altas acumuladas, dezembro trouxe quedas relevantes em itens básicos da alimentação, ajudando a amenizar a inflação no curto prazo. Além do leite UHT, os ovos recuaram 3,6% e o arroz, 2,2%, no fechamento do ano.

No recorte regional, a Região Sul apresentou comportamento heterogêneo dos preços em dezembro. Enquanto os legumes lideraram as altas, com avanço de 8,4%, também registraram elevação a água mineral (3,8%), os biscoitos (3,5%), os bovinos (3,4%) e o sabonete (2,7%). Por outro lado, além dos lácteos, o frango teve queda de 3,1% no período.

No cenário macroeconômico, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) avançou 0,33% em dezembro de 2025, acelerando em relação a novembro e indicando a manutenção de um ambiente inflacionário, ainda que com comportamento desigual entre os diferentes grupos de consumo.

Para 2026, a avaliação da Neogrid é de um cenário mais moderado, embora ainda desafiador. “Itens sensíveis ao câmbio e à conjuntura global devem seguir pressionados, enquanto mercadorias básicas tendem a apresentar maior estabilidade, reduzindo o risco de uma inflação disseminada. Ainda assim, fatores climáticos e macroeconômicos continuam exigindo atenção”, conclui Anna Carolina Fercher.

Fonte: O Presente Rural com Neogrid

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Fertilizantes nitrogenados e fosfatados seguem com preços pressionados

Conflito no Oriente Médio e custos elevados mantêm mercado ajustado e volátil, enquanto potássio apresenta maior estabilidade.

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Foto: Divulgação/Arquivo OPR

O mercado de fertilizantes no Brasil e no mundo segue atento à escalada do conflito no Oriente Médio, que afeta principalmente nitrogenados e fosfatados, mantendo os preços pressionados. Por outro lado, os fertilizantes potássicos apresentam maior estabilidade, com preços sustentados e menor volatilidade no curto prazo, de acordo com dados da Consultoria Agro Itaú BBA.

Nos últimos dias, os fertilizantes nitrogenados, como ureia e amônia, registraram forte volatilidade. A situação na região do Golfo Pérsico comprometeu parte da produção e logística desses produtos, elevando também os custos com frete, seguros e energia.

A interrupção parcial das exportações internacionais veio justamente antes do pico de demanda do Hemisfério Norte e do avanço do calendário de compras no Brasil. No país, a ureia subiu 40% em apenas duas semanas, chegando a USD 660 por tonelada CFR.

Analista do Itaú BBA apontam que, enquanto não houver maior clareza sobre a duração do conflito e a normalização dos fluxos logísticos globais, os preços devem se manter firmes e com ajustes frequentes.

Foto: Claudio Neves

O mercado de fosfatados também enfrenta tensão. A região do Oriente Médio é estratégica para o fornecimento global de enxofre, essencial na produção desses fertilizantes. No Brasil, os preços subiram 7% nas últimas duas semanas, atingindo US$ 795 por tonelada CFR. A oferta restrita e a incerteza geopolítica combinadas ao aumento do custo de energia sustentam os preços elevados, mesmo com a demanda agrícola crescendo de forma gradual.

Já o mercado de fertilizantes potássicos apresenta maior equilíbrio. Rússia e Belarus continuam fornecendo volumes relevantes ao mercado internacional, o que ajuda a manter os preços estáveis, apesar dos impactos do cenário geopolítico e dos custos logísticos. No curto prazo, a demanda deve crescer gradualmente, acompanhando o calendário de compras do Hemisfério Norte e a reposição de estoques no Brasil, com preços sustentados e menos flutuações.

Fonte: O Presente Rural com Consultoria Agro Itaú BBA
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Embrapa inaugura Unidade Mista de Pesquisa e Inovação em Mato Grosso

Psicultura e horticultura estarão entre as prioridades do trabalho.

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Foto: Divulgação/APS

A Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) vai inaugurou no último sábado (21) uma nova unidade em Nossa Senhora do Livramento, na Baixada Cuiabana, para impulsionar o desenvolvimento das comunidades rurais do Mato Grosso.

A Unidade Mista de Pesquisa e Inovação (Umipi) foi instalada em uma área da União onde funcionou a estação experimental de piscicultura da Empresa Mato-grossense de Pesquisa, Assistência e Extensão Rural (Empaer).

A Embrapa da Baixada Cuiabana atuará em pesquisa e transferência de tecnologia voltadas para uma região com características desafiadoras para a agropecuária, como as condições de solo, a baixa altitude e as altas temperaturas durante todo o ano.

Segurança alimentar

O foco será em atividades como fruticultura, mandiocultura, piscicultura e horticultura, além de sistemas produtivos agroflorestais e da integração lavoura-pecuária-floresta.

A chefe-geral da Embrapa Agrossilvipastoril, Laurimar Vendrusculo, explica que essa unidade vai auxiliar uma população que corresponde a 30% do Mato Grosso, em uma região habitada por comunidades quilombolas e indígenas. Com a atuação, espera-se um aumento da produção local de hortifrutis e piscicultura para prover segurança alimentar.

“A Baixada Cuiabana abarca cidades com IDH (índice de desenvolvimento humano) muito baixo. Estimular as Pancs [plantas alimentícias não convencionais] e hortas comunitárias é o nosso objetivo no sentido de capacitar nossos produtores e fortalecer as cooperativas”, disse.

Fonte: Agência Brasil
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Mapeamento revela expansão geográfica das startups agropecuárias

Levantamento do Radar Agtech Brasil aponta crescimento proporcional das agtechs no Norte, Nordeste e Centro-Oeste, mostrando expansão além das regiões Sudeste e Sul.

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Foto: Divulgação/Arquivo OPR

O crescimento no número de empresas emergentes de base tecnológica no setor agropecuário desacelera e a concentração geográfica começa a diminuir com o avanço em regiões importantes da produção. Essas são algumas das conclusões da sexta edição do Radar Agtech Brasil. O levantamento feito pela Embrapa, SP Ventures e Homo Ludens referente ao ano de 2025 retrata o ecossistema de inovação no agro, com foco em ambientes de inovação, startups e investidores.

Os dados mostram que o Sul ultrapassou o Sudeste, tornando-se a região com maior número de ambientes de inovação. Dos 390 ambientes mapeados no País, 37,18% estão no Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul, e 32,82% em São Paulo, Minas Gerais, Rio de Janeiro e Espírito Santo.

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O destaque é o Rio Grande do Sul, com um aumento expressivo no número de incubadoras. De acordo com o coordenador do Radar Agtech e analista da Embrapa Aurélio Favarin, os dados mostram uma clara atuação do governo estadual em incentivo à inovação. “Incubadoras trabalham na fase inicial do processo de inovação. Faz sentido que um estado, pensando no desenvolvimento de um ecossistema, comece pelas incubadoras. A maior parte está vinculada às universidades estaduais. Há um planejamento para isso, para criar condições para que as startups iniciem”, analisa Favarin.

A Região Sudeste possui maior número de hubs, aceleradoras e ecossistemas com governança, o que mostra uma fase mais avançada de maturidade em relação à Região Sul. Enquanto uma está focada na aceleração e no desenvolvimento de negócios, a outra enfoca as etapas iniciais da formação das startups.

Desaceleração e maturidade

Em relação ao número, o levantamento contabilizou 2.075 agtechs em 2025 no Brasil, 5% a mais do que no ano anterior. O número indica uma desaceleração no crescimento quando comparada com a série histórica iniciada em 2019. De acordo com os autores do levantamento, o crescimento moderado indica maior maturidade do ecossistema e consolidação de modelos de negócio.

“Entre 2019 e 2021 houve um boom de ambientes de inovação e fundos de investimento, o que contribuiu para um grande aumento na quantidade de agtechs. Com o tempo essas iniciativas vão se acomodando, com permanência daquelas mais bem estruturadas. O ecossistema continua relevante, mas com um crescimento menos expressivo. É um comportamento esperado e que mostra a maturidade do ecossistema de inovação”, analisa o pesquisador da Embrapa Vitor Mondo.

As regiões Sudeste e Sul concentram 79% das agtechs, com 55,2% e 23,7%, respectivamente. Porém, os dados mostram que, apesar da concentração histórica, há crescimento proporcional das agtechs nas Regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste, em uma gradual expansão geográfica do ecossistema, aproximando-se de áreas importantes para a produção agropecuária. Em 2019, as Regiões Norte e Nordeste juntas tinham apenas 5% das agtechs. Atualmente a Região Norte tem 7,6% e a Nordeste 6,5%. A Região Centro-Oeste tem 7,1%.

De acordo com os dados, em 2025 o estado do Amazonas conta com 17 agtechs, Goiás com 15 e Mato Grosso com 14. Minas Gerais e Rondônia, que respectivamente dispõem de 13, foram os estados que mais ganharam agtechs. Registraram redução no número de agtechs Rio Grande do Sul (menos 27), Tocantins e Distrito Federal (menos 7) e São Paulo (menos 6).

“Essa tendência ocorre ao mesmo tempo em que cresce a proporção das agtechs atuando dentro das fazendas. Isso é um sinal positivo, de que as empresas estão em um nível de maturidade no qual já conseguem acessar diretamente o produtor rural”, avalia Mondo.

Áreas de atuação

As agtechs brasileiras estão predominantemente nos segmentos dentro da fazenda (41,1%) e depois da fazenda (40,5%). A categoria “Alimentos inovadores e novas tendências alimentares” lidera o ranking das áreas de atuação, com 15% das agtechs. “Sistemas de gestão da propriedade rural” vem em segundo lugar com 8%, e “Plataformas integradoras de sistemas, soluções e dados” aparece em terceiro com 7,5% das startups analisadas.

A inteligência artificial é amplamente disseminada entre as agtechs — 83% das empresas utilizam IA em seus processos ou produtos, e 35% delas têm a IA como núcleo da proposta de valor. “Esse dado sinaliza que a tecnologia digital deixou de ser diferencial pontual e passou a constituir camada estrutural do modelo de negócio”, afirma Aurélio Favarin.

Inovação aberta

Além de trazer os dados do levantamento sobre os ambientes de inovação, agtechs e investidores, o Radar Agtech Brasil elenca casos de inovação aberta no setor agropecuário com atuação da Embrapa e uma experiência no Espírito Santo como exemplo de ação do poder público no incentivo local à inovação.

Neste ano, pela primeira vez, a versão em inglês será lançada junto à edição em português. Outra novidade é a disponibilização do conteúdo também em espanhol.

Todo o material pode ser acessado gratuitamente em radaragtech.com.br/

Fonte: Assessoria Embrapa Agricultura Digital
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