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Proteínas alternativas ganham força e entram no centro do debate climático global
Estudos mostram que sistemas alimentares, sozinhos, podem inviabilizar o Acordo de Paris, enquanto soluções baseadas em plantas, fermentação e cultivo celular despontam como via rápida e subfinanciada de mitigação.

Um novo consenso tem ganhado espaço entre cientistas, governos e empresas: a crise climática não poderá ser freada apenas com a descarbonização do setor energético. Estudos recentes indicam que, mesmo que combustíveis fósseis fossem eliminados imediatamente, as emissões provenientes dos sistemas alimentares, com destaque para a agropecuária, seriam suficientes para impedir o cumprimento das metas do Acordo de Paris.
A avaliação aparece em um estudo publicado na revista Science, que recoloca o setor de alimentos no centro do debate climático global. A pressão sobre o modelo atual deve aumentar ainda mais durante a conferência, especialmente pela realização no Brasil, país onde os sistemas alimentares responderam por 73,7% das emissões em 2021.
Diante desse cenário, ganha força uma agenda que, embora ainda pouco financiada, tem sido apontada como uma das vias mais rápidas de mitigação: o avanço das proteínas alternativas — produtos fabricados a partir de plantas, fermentação ou cultivo celular, capazes de substituir parte do consumo de proteína animal.
Solução rápida, mas subfinanciada
As projeções são robustas. O Boston Consulting Group calcula que, se as proteínas alternativas alcançarem apenas 11% do consumo global até 2035, o mundo pode reduzir 0,85 gigatoneladas de CO₂ equivalente até 2030, volume similar à descarbonização de toda a indústria global de aviação.

O Banco Mundial vai além: identifica o setor como a segunda intervenção agroalimentar mais promissora para reduzir emissões, com potencial de cortar até 6,1 bilhões de toneladas de CO₂ por ano, equivalente a reflorestar uma área maior que a soma de Amazonas, Pará, Mato Grosso, Minas Gerais e Bahia.
Apesar dos números, o investimento climático segue desproporcional. Embora o sistema alimentar seja responsável por um terço das emissões globais, recebe apenas 3% dos recursos destinados ao combate às mudanças climáticas, 22 vezes menos que setores como energia e transporte.
Para reverter o quadro, o Center for Strategic and International Studies (CSIS) estima que seriam necessários US$ 10,1 bilhões anuais em aportes para destravar o potencial das proteínas alternativas, sendo US$ 4,4 bilhões para pesquisa e US$ 5,7 bilhões para incentivos privados. Um valor modesto quando comparado à escala de investimentos recentes em outros setores: só a Volkswagen anunciou 120 bilhões de euros para eletrificar sua frota. “É um erro estratégico não colocar os sistemas alimentares no centro do debate climático”, afirma Gus Guadagnini, presidente do Good Food Institute (GFI) Brasil, ao defender que a COP30 incorpore metas claras relacionadas às proteínas alternativas nas Contribuições Nacionalmente Determinadas (NDCs) dos países.
Impacto econômico e adaptação
O setor também passou a ser visto como ferramenta de adaptação climática. Com a pressão crescente sobre terras, água e insumos agrícolas, agravada pela projeção de queda de até 5% nas colheitas globais até 2050, a produção de proteínas alternativas oferece ganhos de eficiência: reduz desperdícios, diminui uso de recursos e amplia a segurança alimentar.

Atualmente, 41% das calorias produzidas pelas principais culturas agrícolas se perdem nos sistemas tradicionais de produção por serem desviadas para alimentação animal. A reorganização dessa lógica é apresentada por pesquisadores e instituições como uma forma de liberar terras e aumentar a resiliência dos sistemas produtivos.
O impacto econômico também é significativo. A ClimateWorks projeta que a transição para proteínas alternativas poderá gerar 83 milhões de empregos e adicionar US$ 688 bilhões ao Valor Agregado Bruto (VAB) do setor até 2050.
A avaliação é compartilhada por Bruce Friedrich, CEO global do GFI: “Não existe solução climática eficaz sem transformar os sistemas alimentares. A COP30 é uma oportunidade histórica para que governos e investidores priorizem as proteínas alternativas como eixo central de mitigação”, expõe.
Custo do carbono e urgência política
Cálculos da Comissão de Mudanças Climáticas da Universidade de Chicago mostram que reduzir apenas 1% das emissões da pecuária, estimadas em 3,5 bilhões de toneladas de CO₂ em 2018, teria um benefício climático equivalente a US$ 6,65 bilhões, considerando o custo social do carbono de US$ 190.
Para destravar esse potencial, instituições de pesquisa e entidades internacionais defendem políticas públicas mais robustas. O GFI propõe que países incluam explicitamente o tema em seus planos climáticos, criem instrumentos fiscais específicos e ampliem investimentos em inovação e infraestrutura. “É necessário promover sistemas alimentares sustentáveis de ponta a ponta, da produção ao consumo”, afirma Guadagnini, acrescentando: “Sem isso, não haverá competitividade ou resiliência suficientes para atender uma população global crescente.”
COP30 como virada de chave
Entre os dias 10 e 21 de novembro, líderes globais deverão negociar mecanismos de financiamento, metas e compromissos que definirão o ritmo da transição alimentar nos próximos anos. O Brasil, por sediar a conferência e reunir grande parte das emissões ligadas ao sistema alimentar, tende a ser pressionado a assumir protagonismo.
Para especialistas, a conferência oferece uma chance única de reposicionar o setor agroalimentar brasileiro, tradicionalmente visto apenas como emissor, como líder tecnológico, exportador de inovação e referência em sustentabilidade.
A depender das decisões tomadas em Belém, as proteínas alternativas podem deixar de ser apenas uma tendência industrial e se tornar um componente central das estratégias globais contra o colapso climático.

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Agro brasileiro transforma agricultura tropical em ativo estratégico na agenda climática
No Dia do Agronegócio, setor destaca protagonismo na COP 30, avanço de tecnologias de baixo carbono e ganhos de produtividade que ampliam a oferta de alimentos sem expansão proporcional de área.

A celebração do Dia do Agronegócio em 25 de fevereiro ganha relevância em um momento em que o Brasil apresenta a agricultura tropical como um ativo estratégico e conectado ao futuro, onde a inovação tecnológica no campo se traduz em mais sustentabilidade.

O modelo de produção desenvolvido no Brasil é um aliado que pode contribuir para mitigar a crise climática, apoiar a transição energética e garantir segurança alimentar no mundo. Esta foi a mensagem levada pelo setor para o público da COP 30. “A consolidação desta agenda é vital para a competitividade brasileira em acordos como o Mercosul-União Europeia. Ao liderar a discussão, o Brasil combate barreiras comerciais unilaterais e se antecipa a exigências globais em comércio sustentável, o que demanda a implementação plena do Código Florestal e o combate rigoroso ao desmatamento ilegal”, avalia Fernando Sampaio, membro do Grupo Estratégico (GE) da Coalizão Brasil Clima, Florestas e Agricultura.
Diferente das nações desenvolvidas, cujas emissões concentram-se em energia e transporte, o perfil brasileiro é dominado pelas emissões oriundas do uso da terra. O setor agropecuário tem avançado na demonstração de que práticas sustentáveis não apenas aumentam a produtividade, mas funcionam como sumidouros de carbono.

Entre as tecnologias e práticas desenvolvidas no Brasil estão o plantio direto, a fixação biológica de nitrogênio, a integração lavoura-pecuária-floresta, a recuperação de áreas degradadas e a terminação intensiva de gado a pasto, além de bioinsumos. A biomassa e os biocombustíveis contribuem para que a matriz brasileira possua 49% de fontes renováveis, o triplo da média global, o que permite também ampliar a economia circular no setor, com aproveitamento de resíduos. “Os desafios estão em como ampliar o uso das práticas sustentáveis, o que demanda, de um lado mais produção e difusão de tecnologia e, de outro, mais investimentos chegando no campo”, analisa Sampaio.
“Outro desafio está em mensurar a contribuição dessa agricultura para o clima. É preciso tropicalizar os fatores de emissão, e também rediscutir no cenário internacional como são feitas essas métricas. Por exemplo, padrões internacionais medem carbono no solo apenas nos primeiros 20 centímetros de profundidade. No Brasil, as raízes das pastagens podem fazer o mesmo a profundidades superiores a 2 metros, revelando um ativo ambiental subestimado”, salienta Sampaio.
Mais produção, menos desmatamento
Historicamente, o ambiente tropical era considerado desafiador para a produção devido a solos de baixa fertilidade, alta incidência de pragas e irregularidades climáticas. Contudo, nas últimas cinco décadas, o Brasil protagonizou uma revolução científica que transformou o país de grande importador de alimentos em um dos maiores exportadores globais. Dados oficiais mostram que o agronegócio responde por 23,2% do PIB nacional e 49% das exportações.

Fernando Sampaio, membro do Grupo Estratégico (GE) da Coalizão Brasil Clima, Florestas e Agricultura: “Florestas em pé são essenciais para regular as chuvas que garantem a produtividade no campo”
Esta ascensão refletiu em ganhos de produtividade: segundo a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), a safra de grãos 2025/2026 deve alcançar 353,37 milhões de toneladas, com destaque para a soja, estimada em 178 milhões de toneladas, 3,8% a mais que no ciclo anterior, projeção que, caso confirmada, indica novo recorde histórico.
Esses números reforçam a capacidade do Brasil de ampliar a oferta de alimentos sem expandir proporcionalmente a área cultivada, um crescimento impulsionado por ganhos de eficiência a partir de boas práticas e tecnologia. Isso mostra que o país tem potencial para continuar sendo um grande produtor sem depender do desmatamento. “Florestas em pé são essenciais para regular as chuvas que garantem a produtividade no campo. O equilíbrio do clima é condição vital para a produção agrícola e, por consequência, da segurança alimentar”, acrescenta Sampaio.
Soluções práticas e próximos passos

Foto: Jonathan Campos
O Brasil tem políticas públicas desenhadas para apoiar o crescimento de uma agropecuária sustentável. Entre os destaques estão o Plano ABC+ e o Caminho Verde. O ABC+ é hoje o principal instrumento para consolidar a agricultura de baixo carbono, com metas de ampliar sistemas sustentáveis em mais de 72 milhões de hectares até 2030. O Caminho Verde pretende recuperar 40 milhões de hectares de áreas degradadas nos próximos 10 anos. “Precisamos avançar em políticas públicas e ações privadas capazes de democratizar o acesso a tecnologias para pequenos e médios produtores. Mas também é preciso conter a ilegalidade, avançar na implementação do Código Florestal e na remuneração por ativos ambientais em áreas privadas”, ressalta Sampaio, enfatizando: “A consolidação dessa agenda agroambiental no país é um diferencial para garantir resiliência à nossa produção, atrair investimentos, ampliar mercados e mudar a imagem internacional da agricultura brasileira.”
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Startups do biogás têm inscrições abertas para vitrine no 8º Fórum Sul Brasileiro
Empresas que trazem impactos positivos à cadeia podem se inscrever até 06 de março. As selecionadas irão apresentar pitches durante o evento, de 14 a 16 de abril, em Foz do Iguaçu (PR).

Startups que desenvolvem soluções inovadoras, em diferentes níveis de maturidade, e que trazem impacto positivo para a cadeia do biogás no Brasil têm uma oportunidade de mostrar seu trabalho. Até o dia 06 de março, será possível se inscrever para participar do Momento Startup de Biogás: de olho no futuro do setor, que integra a programação do 8º Fórum Sul Brasileiro de Biogás e Biometano (FSBBB), a ser realizado de 14 a 16 de abril, em Foz do Iguaçu (PR).
O Momento Startup é uma iniciativa do Fórum em parceria com o Pollen – Parque Científico e Tecnológico de Chapecó (SC), da Unochapecó, e com a Agência de Inovação da Universidade de Caxias do Sul (RS).
As startups inscritas e selecionadas apresentarão suas soluções inovadoras para produtos, processos e serviços relacionados à cadeia do biogás, como por exemplo, logística e pré-tratamento de substratos, digestão anaeróbia, processamento e uso do biogás, manejo e tratamento do digestato, entre outras atividades. Poderão participar pessoas jurídicas ou pessoas físicas que se enquadrem como startups ou ações inovadoras, segundo o marco legal das startups e do empreendedorismo inovador instituído pela Lei Complementar nº 182, de 1º de junho de 2021.
A inscrição deverá ser feita mediante preenchimento de formulário no site do 8º FSBBB.
Uma comissão técnica vai avaliar as startups inscritas e suas soluções, considerando critérios como: impacto na cadeia do biogás; modelo de negócio; e qualidade da apresentação. O resultado das selecionadas será divulgado no site oficial do 8º Fórum Sul Brasileiro de Biogás e Biometano, até o dia 20 de março. O regulamento está disponível.
Nesta 8ª edição, o FSBBB vai ocorrer no Bourbon Thermas Eco Resort Cataratas do Iguaçu, em Foz do Iguaçu (PR), apresentando uma programação que inclui painéis, Espaço de Negócios e visitas técnicas, premiação do Melhores do Biogás, além do Momento Startups.
O 8º Fórum Sul Brasileiro de Biogás e Biometano tem a realização de instituições representativas do setor nos três estados do Sul do Brasil: Centro Internacional de Energias Renováveis – CIBiogás (PR), Embrapa Suínos e Aves (SC), e Universidade de Caxias do Sul – UCS (RS), e é organizado pela Sociedade Brasileira dos Especialistas em Resíduos das Produções Agropecuária e Agroindustrial (Sbera). As inscrições para participar do Fórum podem ser feitas no site biogasebiometano.com.br.
Notícias De 12 a 14 de maio
Ciência brasileira pauta eficiência e competitividade da produção animal em encontro nacional do CBNA
Reunião anual em São Paulo reúne referências da academia e da indústria para discutir impacto das Tabelas Brasileiras, novas pesquisas em aves e suínos e os rumos da nutrição animal diante da pressão por produtividade e sustentabilidade.

A contribuição da ciência brasileira para um aumento da produtividade e da eficiência da produção animal estará entre os debates de um dos principais encontros técnicos do setor em 2026. A 36ª Reunião Anual do Colégio Brasileiro de Nutrição Animal (CBNA), que vai ser realizada de 12 a 14 de maio, no Distrito Anhembi, em São Paulo, abre a programação com um painel dedicado ao Impacto da pesquisa brasileira na produção animal.

Membro da diretoria do CBNA e professor da Esalq/USP, Felipe Dilelis: “Vamos discutir decisões que influenciam diretamente custo, desempenho e sustentabilidade das cadeias produtivas”- Foto: Divulgação/CBNA
Coordenado pelo professor da Esalq/USP Felipe Dilelis, o debate reunirá especialistas de instituições de referência para discutir desde A importância das Tabelas Brasileiras para a indústria até as perspectivas de novas linhas de investigação em nutrição de aves e suínos. “O Brasil é potência na produção animal, mas só continuará avançando se investir em ciência aplicada. O que discutiremos aqui não é teoria, são decisões que influenciam diretamente custo, desempenho e sustentabilidade das cadeias produtivas”, afirma Dilelis.
Entre os participantes estão o professor da Universidade Federal de Viçosa (UFV) Horacio Rostagno, o professor da Universidade Federal de Goiás (UFG) José Henrique Stringhini, o professor da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), Sergio Vieira, o chefe-geral da Embrapa Suínos e Aves, Everton Krabbe, e o professor da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) Bruno Silva.
O encontro tem como proposta promover diálogo direto entre academia e indústria para analisar desafios, oportunidades e inovações capazes de transformar a nutrição animal nos próximos anos, tema considerado estratégico diante da pressão por maior eficiência produtiva, sustentabilidade e competitividade internacional do agronegócio brasileiro.
Além da 36ª Reunião Anual, voltada a aves, suínos e bovinos, o CBNA realizará simultaneamente outros dois eventos técnicos no mesmo local: o 9º Workshop sobre Nutrição e Nutrologia de Cães e Gatos, no dia 12 de maio, e o 25º Congresso CBNA Pet, nos dias 13 e 14 de maio.
A programação ocorrerá paralelamente à Fenagra, feira internacional dedicada à tecnologia e processamento da agroindústria Feed & Food, apoiadora da iniciativa. A edição deste ano tem o patrocínio confirmado de empresas como AB Vista, Adimax, Alltech, APC, CBO Laboratório, dsm-firmenich, Evonik, Kemin Nutrisurance, Novus, PremieRpet, Royal Canin e Symrise, além do Sindirações.
As empresas interessadas em participar ou patrocinar os eventos, podem entrar em contato com o CBNA através do e-mail cbna@cbna.com.br ou pelo WhatsApp (19) 3232-7518.



