Avicultura
Proteína balanceada define desempenho, custo e qualidade de carcaça em frangos de corte
Formulação baseada em aminoácidos digestíveis reduz excesso de proteína bruta, preserva saúde intestinal e melhora conversão alimentar.


Artigo escrito por Xavier Asensio, PhD, nutricionista de aves, gerente Regional de Nutrição – Europa e TMEA / Aviagen
Um elemento-chave para alcançar o desempenho ideal em frangos de corte é o melhoramento genético. Investimentos em tecnologia, infraestrutura e capital humano nos programas de melhoramento genético de linhagem permitem oferecer taxas de crescimento ideais, eficiência alimentar, qualidade da carne e bem-estar contínuos e consistentes no nível dos frangos de corte. Considerações sobre ambiente, manejo, saúde e nutrição também são essenciais para o sucesso da produção comercial para atingir todo o potencial genético das aves.
Ao considerar o papel da nutrição no manejo de frangos de corte em constante evolução e desenvolvimento, a proteína balanceada (balanced protein, BP) e a textura do alimento são características vitais. Além de afetar a produtividade, a BP inadequada também pode afetar fortemente a lucratividade econômica devido aos possíveis efeitos negativos sobre o consumo de alimento, conversão alimentar, taxa de crescimento e características da carcaça. Outra consideração importante além do perfil nutricional da dieta é a textura do alimento. Uma BP adequada, bem como a forma física e o tamanho de partícula apropriados do alimento, são essenciais para alcançar os objetivos de desempenho ideal.
Proteína balanceada
O processo de formulação para frangos de corte adota o conceito de BP, o que significa que um conjunto de aminoácidos essenciais digestíveis (dEAAs) é considerado em relação à lisina digestível (dLys). Utilizando o perfil de BP, os nutricionistas podem modificar o fornecimento de proteína, mantendo a mesma proporção de aminoácidos em diferentes situações de produção e condições de mercado. O perfil de BP recomendado (Tabela 1) é resultado de pesquisas experimentais e de campo meticulosas; portanto, deve ser uma prática padrão para atingir um bom desempenho biológico de frangos de corte.
Tabela 1. Perfil de proteína balanceada para frangos de corte.*

Os frangos de corte modernos são muito responsivos à BP, que é o principal fator para obter um desempenho ideal. Portanto, siga as proporções recomendadas de dLys e dEAAs–dLys durante o processo de formulação; isso é fundamental para que os frangos de corte otimizem a utilização de proteína e atinjam os objetivos de desempenho para crescimento, eficiência alimentar e componentes de rendimento de carcaça. Uma BP adequada é alcançada pelo uso de uma variedade de fontes de proteína vegetal ou animal e aminoácidos sintéticos.
Atualmente, existem diversos aminoácidos sintéticos disponíveis para alimentos de frangos de corte, além de metionina, lisina, treonina e triptofano, como a valina, isoleucina, arginina e histidina, entre outros.
A Tabela 2 mostra dietas à base de milho para frangos de corte resultantes de um exercício de formulação sem matérias-primas alternativas e com e sem L-Valina, L-Arginina e L-Isoleucina.
De modo geral, ao formular uma dieta utilizando ingredientes convencionais, sem matérias-primas alternativas, a suplementação com aminoácidos sintéticos é necessária para se obter uma BP ideal; caso contrário, níveis abaixo do ideal de algum aminoácido essencial específico podem resultar em um perfil de aminoácidos desequilibrado, o que pode comprometer o desempenho.
Caso esses aminoácidos sintéticos e matérias-primas alternativas não estejam disponíveis, o sistema de formulação de menor custo tenta atingir os limites mínimos utilizando proteína intacta de outros ingredientes. Como resultado, a proteína bruta (crude protein, CP%) pode ser aumentada para atender à BP recomendada.
Um percentual mais alto de proteína bruta (CP%) pode resultar em um aumento na inclusão de farelo de soja nas dietas e, consequentemente, a riscos potenciais, como problemas de saúde intestinal e baixa qualidade da cama de aviário, que prejudicam a saúde e o bem-estar dos animais.
Caso não haja disponibilidade de L-Valina, L-Arginina e L-Isoleucina, o uso de fontes alternativas de matéria-prima de proteína (por exemplo, farelo de girassol, farelo de canola, ervilhas, proteína de batata, grãos secos de destilaria com solúveis [DDGS] de milho, etc.) pode ajudar a reduzir a CP% e, portanto, a dependência do farelo de soja (consulte a Tabela 3).
Tabela 2. Dietas à base de milho para frangos de corte resultantes de um exercício de formulação com e sem L-Valina, L-Arginina e L-Isoleucina, e sem matérias-primas alternativas.

Tabela 3. Dietas à base de milho para frangos de corte resultantes de um exercício de formulação sem L-Valina, L-Arginina e L-Isoleucina, e com e sem matérias-primas alternativas.

Continua na próxima edição
Este artigo técnico foi dividido em duas partes. Nesta edição, abordamos a importância da Proteína Balanceada e da formulação estratégica. A parte 2, na edição de abril, trará a conclusão do estudo, focando em como a textura do alimento, a forma física (pellet vs. farelado) e a granulometria impactam diretamente o ganho de peso e a conversão alimentar das aves.
A versão digital está disponível gratuitamente no site de O Presente Rural. A edição impressa já circula com distribuição dirigida a leitores e parceiros em 13 estados brasileiros.

Avicultura
Avicultura brasileira projeta produção de 15,8 milhões de toneladas em 2026
Crescimento estimado em 2,3% mantém Brasil entre os maiores produtores globais.

A avicultura brasileira segue operando em um cenário de desafios, mas mantém desempenho estável diante da demanda interna e externa. A expectativa é de menor espaço para novas quedas nos preços da carne de frango no país, que continua competitiva em relação à carne bovina.
No cenário internacional, a produção de carne de frango da China foi revisada para cima pelo Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA). A estimativa aponta crescimento de 4,8% em 2026, alcançando 17,3 milhões de toneladas, o que deve consolidar o país como o segundo maior produtor global, atrás apenas dos Estados Unidos. Já o Brasil deve registrar aumento de 2,3% na produção, chegando a 15,8 milhões de toneladas, de acordo com dados da Consultoria Agro Itaú BBA.

Entre os exportadores, a China também amplia presença no mercado. As exportações do país asiático devem crescer 29% neste ano, atingindo 1,4 milhão de toneladas e superando a Tailândia, ocupando a quarta posição global.
No Brasil, os custos de ração permaneceram controlados, mas a queda nos preços da carne de frango ao longo de março reduziu a margem da atividade no mercado interno. Ainda assim, o setor segue sustentado pela demanda externa, que continua firme mesmo com o aumento dos custos logísticos, influenciados pelo cenário no Golfo Pérsico.
A carne de frango mantém competitividade frente à bovina, principalmente diante da ausência de expectativa de queda nos preços do boi. Com isso, o mercado indica menor espaço para novas reduções nos preços da proteína avícola.
O setor também monitora riscos no cenário internacional, especialmente ligados ao Estreito de Ormuz, região estratégica para o escoamento das exportações brasileiras de frango. Além disso, há atenção em relação à safra de milho, já que a consolidação da safrinha depende das condições climáticas nas próximas semanas, o que pode impactar os custos de produção.
Avicultura
Após ações de vigilância, Rio Grande do Sul declara fim de foco de gripe aviária
Equipes realizaram inspeções em propriedades e granjas, além de atividades educativas com produtores.

Após 28 dias sem aves mortas, a Secretaria da Agricultura, Pecuária, Produção Sustentável e Irrigação (Seapi) encerrou na quinta-feira (16) o foco de Influenza Aviária de Alta Patogenicidade (gripe aviária) registrado em 28 de fevereiro, em Santa Vitória do Palmar. Na ocasião, foi constatada a morte de aves silvestres da espécie Coscoroba coscoroba, conhecidas como cisne-coscoroba, na Estação Ecológica do Taim.
A partir da confirmação do foco, a Seapi mobilizou equipes para a região de Santa Vitória do Palmar, conduzindo ações de vigilância ativa e educação sanitária em parceria com o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) e o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa).
As equipes designadas utilizaram barcos e drones para o monitoramento de aves silvestres na Estação Ecológica do Taim, procurando por sinais clínicos nos animais ou aves mortas. Foram realizadas 95 atividades de vigilância em propriedades, localizadas no raio de 10 quilômetros a partir do foco, que contam com criações de aves de subsistência. Adicionalmente, foram feitas 22 fiscalizações em granjas avícolas localizadas em municípios da região, para verificação das medidas de biosseguridade adotadas.
Ações de educação sanitária junto a produtores rurais, autoridades locais e agentes comunitários de saúde e de controle de endemias também integraram o plano de atuação da Secretaria na área do foco. Foram conduzidas 143 atividades educativas.
“Por se tratar de área de risco permanente, continuamos com o monitoramento de ocorrências na Estação Ecológica do Taim, em conjunto com o ICMBio”, complementa o diretor do Departamento de Vigilância e Defesa Sanitária Animal da Seapi, Fernando Groff.
Sobre a gripe aviária e notificação de casos suspeitos
A influenza aviária, também conhecida como gripe aviária, é uma doença viral altamente contagiosa que afeta, principalmente, aves, mas também pode infectar mamíferos, cães, gatos, outros animais e mais raramente humanos.
Entre as recomendações, estão que as pessoas não se aproximem ou tentem socorrer animais feridos ou doentes e não se aproximem de animais mortos. Todas as suspeitas de influenza aviária, que incluem sinais respiratórios, neurológicos ou mortalidade alta e súbita em aves devem ser notificadas imediatamente à Secretaria da Agricultura na Inspetoria de Defesa Agropecuária mais próxima ou pelo WhatsApp (51) 98445-2033.
Avicultura
Alta nas exportações ameniza impacto da desvalorização do frango
Mesmo com preços mais baixos, demanda externa segura o ritmo do setor.

O mercado de frango registrou queda de preços em março, mas manteve equilíbrio impulsionado pelo desempenho das exportações. Em São Paulo, o frango inteiro congelado recuou para R$ 7/kg, 2,4% abaixo de fevereiro e 17% inferior ao registrado há um ano. Já no início de abril, houve reação nas cotações, que voltaram a R$ 7,25/kg.

Com a desvalorização da proteína ao longo do ano e a alta da carne bovina, o frango ganhou competitividade. A relação de troca superou 3 kg de frango por kg de dianteiro bovino, nível cerca de 30% acima da média histórica para março e acima do pico dos últimos cinco anos, registrado em 2021. Em comparação com a carne suína, que também teve queda de preços, a relação se manteve próxima da média, em torno de 1,3 kg de frango por kg de suíno.
De acordo com dados da Consultoria Agro Itaú BBA, março também foi positivo para as exportações brasileiras de carne de frango, mesmo diante das dificuldades logísticas relacionadas ao conflito no Oriente Médio. Os embarques somaram 431 mil toneladas in natura, alta de 5,6% em relação a março de 2025 e de 4,9% no acumulado do primeiro trimestre.

Foto: Ari Dias
O preço médio de exportação, por outro lado, recuou 2,7% frente ao mês anterior, movimento associado ao redirecionamento de cargas que antes tinham como destino países do Oriente Médio, especialmente os Emirados Árabes. Ainda assim, o bom desempenho de mercados como Japão, China, Filipinas e África do Sul compensou as perdas na região.
No lado da oferta, os abates de frango cresceram cerca de 3% em março na comparação anual e 2% no acumulado do primeiro trimestre. Apesar disso, o aumento das exportações, que avançaram 5,4% no período, contribuiu para evitar sinais de sobreoferta no mercado interno.



