Avicultura Nutrição
Protease exógena: uma enzima importante para a avicultura moderna
Suplementação com protease exógena na dieta de aves traz uma melhor digestibilidade da proteína e, consequentemente, dos aminoácidos

Artigo escrito por Eduardo Machado Costa Lima, zootecnista, PhD em Nutrição de Monogástricos e coordenador de Produto da MCassab
As proteases são enzimas extremamente importantes na natureza e se encontram distribuídas nas plantas, nos animais, nas bactérias, nos fungos e nos vírus. Nas aves, as proteases endógenas são: no estômago, a pepsina; no duodeno, a tripsina, a quimiotripsina, as carboxipeptidases A e B e a elastase.
As enzimas são proteínas globulares com estrutura tridimensional, capazes de acelerar processos químicos sob condições de pH, temperatura, umidade e substrato específico. No caso da proteína da dieta, as aves necessitam de garantir um complexo processo digestivo por meio das enzimas endógenas que, em algumas situações, não são suficientes para garantir uma boa digestão da proteína dietética.
A utilização de enzimas exógenas tem como objetivo principal melhorar a digestibilidade de nutrientes e, consequentemente, o impacto na eficiência de aproveitamento dos nutrientes, proporcionando uma redução dos custos. Fitases e carboidrases são exemplos já consolidados no mercado, e muito se discute em relação aos benefícios adicionais da utilização destas enzimas exógenas.
A fitase, por exemplo, hoje já é utilizada em altas doses para reduzir ao máximo o efeito antinutricional do fitato – substrato para a fitase – e trazer o benefício do efeito extra fosfórico de uma maior e melhor quebra do fitato para as aves.
A suplementação com protease exógena na dieta de aves traz uma melhor digestibilidade da proteína e, consequentemente, dos aminoácidos. Assim, permitindo uma inclusão menor de proteínas e aminoácidos na dieta. A proteína bruta hoje é um dos nutrientes mais caros das dietas de aves de postura e de corte, e o melhor aproveitamento deste nutriente com a utilização de uma protease exógena impacta diretamente na redução do custo da dieta.
Para o entendimento da funcionalidade de cada protease é importante entendermos as principais classes dessas proteases, pois será determinante na capacidade catalítica dentro do trato gastrointestinal (TGI) das aves, uma vez que temos diversos pHs nos diferentes compartimentos do TGI.
De uma forma geral, as proteases são classificadas em exopeptidases e endopeptidases, e a principal diferença entre elas é o local de atuação na cadeia peptídica das proteínas. As exopeptidases atuam na parte externa da cadeia polipeptídica das proteínas, iniciando no terminal amino ou no terminal carboxila. Já as endopeptidases atuam no interior da cadeia polipeptídica das proteínas, normalmente sem um ponto inicial de clivagem, mas sempre distante das extremidades da cadeia polipeptídica.
Para a produção animal, as endopeptidases possuem maior importância, pois irão atuar de forma mais abrangente na proteína da dieta. Observamos que o pH ótimo de atividade varia bastante, indicando onde cada tipo de protease terá maior atuação na clivagem da proteína dietética. As proteases aspárticas, que possuem o ácido aspártico como sítio ativo, atuam em pHs ácidos. O maior exemplo deste tipo de protease é a pepsina, secretada na forma de pepsinogênio pelas células principais do estômago. O pepsinogênio é ativado em pepsina com a secreção de ácido clorídrico no estômago. Assim, o pH ótimo de ação deste tipo de enzima fica entre 3 e 5.
Outro ponto importante também a se observar são os inibidores da atividade enzimática. Assim como os inibidores de tripsina da soja inativam a tripsina endógena secretada pelo pâncreas, também poderão inibir a enzima exógena. A tripsina, a quimiotripsina e a elastase (produzidas pelos animais) são exemplos de serina-proteases, enzimas que atuam a nível intestinal das aves.
De forma geral, a função das proteases é liberar os aminoácidos da cadeia polipeptídica, e cada uma das proteases exógenas terá uma forma de realizar está função. O mecanismo de ação é diferente entre as proteases.
As serina-proteases, por exemplo, possuem duas etapas para realizar a hidrólise da cadeia polipeptídica. A acilação é a etapa em que um intermediário é ligado covalentemente no conjunto enzima-peptídeo. Em seguida, ocorre a desacilação, fase em que uma molécula de água é intermediária no ataque do núcleo da enzima ao peptídeo, ocorrendo a hidrólise da cadeia peptídica e liberando cadeias menores ou aminoácidos livres.
As aspatato-proteases possuem um mecanismo mais simples e menos específico. Estudos cristalográficos mostram que as proteases da família da pepsina são moléculas bilobadas com uma fenda ativa localizada entre os lobos e cada lobo contribuindo com um dos resíduos de ácido aspártico. Os dois peptídeos de ácido aspártico são o sítio ativo desta protease, os quais agem com uma molécula de água para hidrolisarem a ligação peptídica da cadeia de uma proteína, liberando cadeias menores ou aminoácidos livres.
Os pontos abordados neste texto mostram como é complexo a discussão em torno da utilização de enzimas exógenas. A complexidade de algumas características ou fatores relacionados à atividade enzimática pode justificar até certo ponto a variabilidade de resultados de experimentos controlados e de campo no desempenho dos animais. Porém, quando feito de forma profissional é claro o benefício na redução de custo das dietas e também os benefícios paralelos ao uso de algumas enzimas exógenas. Além disso, está claro que, em animais jovens, a produção de proteases endógenas não é suficiente, tornando uma idade crítica e de excelente resposta à suplementação com protease exógena.
As proteases hoje são uma excelente ferramenta para amenizar a grande variação de preço nas diferentes regiões do país. O farelo de soja ainda é a principal fonte proteica para animais monogástricos, e o alto custo deste ingrediente justifica a utilização da protease exógena para auxiliar no aproveitamento da proteína bruta da dieta.
Outras notícias você encontra na edição de Aves de agosto/setembro de 2019.

Avicultura Editorial
A granja adoece antes de parecer doente
Doenças respiratórias, desafios entéricos e falhas de biosseguridade não respeitam o calendário do produtor. Também não esperam o fechamento do lote para mostrar o tamanho da conta.

Na avicultura, o prejuízo raramente começa no dia em que o problema fica evidente. Antes da mortalidade subir, da conversão alimentar piorar, da produção de ovos cair ou do frigorífico registrar mais condenações, a granja costuma emitir sinais menores. Às vezes estão no consumo de água, na resposta vacinal, na cama, na ambiência, no comportamento das aves, na uniformidade do lote ou em alterações discretas de desempenho. Quem espera o problema aparecer por completo, normalmente já chegou tarde.
Essa lógica é especialmente verdadeira quando se fala em sanidade. Doenças respiratórias, desafios entéricos e falhas de biosseguridade não respeitam o calendário do produtor. Também não esperam o fechamento do lote para mostrar o tamanho da conta. A avicultura intensiva trabalha com alta densidade, ciclos curtos, margens pressionadas e forte dependência de regularidade. Nesse sistema, prevenir não é discurso técnico: é condição econômica.

Editorial escrito por Giuliano De Luca, jornalista e editor-chefe de O Presente Rural.
A laringotraqueíte infecciosa é um exemplo claro de como a granja pode adoecer antes de parecer doente. A circulação do agente, a movimentação de pessoas, falhas nos protocolos de acesso, risco de disseminação entre propriedades e demora na resposta sanitária podem transformar um problema localizado em ameaça regional. Quando os sinais clínicos ficam evidentes, o vírus pode já ter encontrado caminhos para avançar.
Por isso, biosseguridade não pode ser tratada como checklist de auditoria. Ela precisa ser rotina de produção. Controle de acesso, vazio sanitário, limpeza, desinfecção, qualidade da água, manejo de cama, vacinação, diagnóstico laboratorial, rastreabilidade e treinamento das equipes são partes de uma mesma engrenagem. Nenhum desses pontos funciona isoladamente quando o restante da operação falha.
A avicultura brasileira construiu competitividade porque aprendeu a produzir com método. Mas o método precisa ser atualizado todos os dias, dentro da granja, antes que a planilha mostre a perda. O futuro sanitário da atividade dependerá menos da capacidade de apagar incêndios e mais da disciplina para identificar riscos quando eles ainda parecem pequenos.
A granja avisa. A questão é se a cadeia está preparada para ouvir antes que o problema vire prejuízo.
A edição também está disponível gratuitamente em versão digital, permitindo que produtores, técnicos, pesquisadores e profissionais da cadeia tenham acesso ao conteúdo completo, acesse clicando aqui. Boa leitura!
Avicultura Editorial
O Nordeste avícola já não cabe no rodapé
Região construiu história, ganhou escala e entrou de forma mais consistente na conta dos investimentos avícolas do país. O rodapé ficou pequeno para o tamanho dessa pauta

A avicultura nordestina não nasceu agora, nem depende de descoberta recente para provar sua relevância. Há empresas, marcas, produtores e famílias que construíram trajetória na atividade por décadas. O que mudou é a escala da discussão. A região, por muito tempo observada apenas pela baixa participação no abate nacional sob inspeção federal, começa a aparecer com mais força em indicadores que mostram capacidade produtiva, alojamento de pintainhos, produção de ovos, genética, integração, verticalização e novos investimentos.
Essa diferença importa. Quando se olha apenas para o abate, o Nordeste ainda parece pequeno diante da força histórica do Sul, do Sudeste e do Centro-Oeste. Mas a fotografia fica incompleta. A região respondeu por uma fatia relevante do alojamento nacional de pintainhos de corte em 2025, avança na postura comercial, abriga operações integradas, amplia a produção de ovos, mantém presença em genética avícola e passa a se beneficiar da aproximação dos grãos produzidos no Matopiba.

Editorial escrito por Giuliano De Luca, jornalista e editor-chefe de O Presente Rural.
O Ceará é um dos exemplos mais claros dessa mudança de patamar. A avicultura está distribuída por dezenas de municípios, gera empregos, sustenta uma produção expressiva de ovos e frangos e reúne empresas que operam da ração à distribuição. A presença de uma granja de avós no estado também coloca a região em uma etapa estratégica da cadeia, muito além da produção de commodity.
A Bahia, por sua vez, mostra outro lado desse movimento: crescimento em alojamento, avanço na produção de ovos e potencial de expansão, mas também uma disputa dura contra custos, logística, energia, crédito e infraestrutura. O sinal é importante porque revela que o crescimento existe, mas não se sustenta apenas com demanda. Precisa de indústria, estrada, armazenagem, assistência técnica, mão de obra e ambiente de negócios.
Esta edição de O Presente Rural olha para o Nordeste sem folclore. Não se trata de afirmar que a avicultura brasileira mudou de endereço. O centro nacional da produção continua fortemente ancorado em regiões tradicionais. Mas também já não é possível tratar o Nordeste como nota lateral. A região construiu história, ganhou escala e entrou de forma mais consistente na conta dos investimentos avícolas do país. O rodapé ficou pequeno para o tamanho dessa pauta.
A edição também está disponível gratuitamente em versão digital, permitindo que produtores, técnicos, pesquisadores e profissionais da cadeia tenham acesso ao conteúdo completo, acesse clicando aqui. Boa leitura!
Avicultura
Sanidade, inovação e gestão estão entre os destaques da nova edição de Avicultura
Publicação reúne reportagens sobre o avanço da avicultura nordestina, sucessão familiar, biosseguridade, saúde animal e os principais temas que movimentam o setor.

A nova edição do jornal Avicultura, de O Presente Rural, reúne reportagens sobre os principais desafios, oportunidades e transformações da cadeia avícola brasileira. A publicação destaca, na reportagem de capa, o avanço da avicultura nordestina, que vem ampliando sua escala de produção e fortalecendo sua participação no setor.

Foto: Shutterstock
A edição também traz uma cobertura sobre o Alimenta 2027, evento que levará a Cascavel um congresso e uma feira voltados à proteína animal, reforçando o município como um dos principais polos do agronegócio brasileiro.
Outro tema em destaque é o alerta para a laringotraqueíte, enfermidade que também preocupa a avicultura de corte e exige atenção dos produtores quanto às medidas de prevenção e biosseguridade.

Foto: Shutterstock
A sucessão familiar no campo também ganha espaço nas páginas do jornal. A reportagem “O filho não saiu do campo, foi afastado da gestão” aborda os desafios enfrentados pelas famílias rurais na preparação das novas gerações para assumir a administração das propriedades.
A publicação ainda apresenta um panorama da indústria de saúde animal, que movimenta quase R$ 2 bilhões com a avicultura, evidenciando a importância do segmento para a sanidade e a produtividade das granjas.
Entre as reportagens especiais, a edição conta a trajetória de uma professora

Foto: Shutterstock
que contribuiu para a formação de profissionais e para o desenvolvimento de uma das maiores potências avícolas do país. Também traz uma análise sobre uma das etapas mais importantes da cadeia produtiva: o abate de aves, abordando os desafios relacionados à velocidade da linha, à qualidade da carcaça e à segurança do processo.
Além das reportagens, a nova edição reúne artigos técnicos assinados por especialistas, com conteúdos voltados ao manejo, sanidade, nutrição, bem-estar animal, tecnologia e inovação, além de apresentar novidades das principais empresas que atuam no setor avícola.
A edição também está disponível gratuitamente em versão digital, permitindo que produtores, técnicos, pesquisadores e profissionais da cadeia tenham acesso ao conteúdo completo, acesse clicando aqui. Boa leitura!



