Suínos
Protease em dietas simples desafia modelos tradicionais na fase de creche
Uso da enzima em leitões mostrou respostas variáveis ao longo da creche e reforçou a importância do ajuste nutricional conforme a realidade de cada sistema produtivo.

A fase de creche concentra um dos principais desafios nutricionais da suinocultura. Logo após o desmame, o leitão apresenta limitação fisiológica, com baixa atividade enzimática e dificuldade de acidificação do pH gástrico, o que compromete a digestão de proteínas e reduz a eficiência de aproveitamento dos nutrientes.
Esse quadro se torna ainda mais crítico em dietas baseadas em ingredientes vegetais, mais presentes em formulações simples, nas quais a digestibilidade proteica tende a ser menor. Para contornar essa restrição, a prática mais difundida é o uso de dietas complexas, formuladas com ingredientes de alta digestibilidade. Embora favoreçam o desempenho inicial dos animais, essas dietas elevam o custo da ração e pressionam o resultado econômico da produção.

Médico-veterinário Cesar Garbossa, doutor em Nutrição e Produção de Monogástricos e professor da Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia da USP: “A protease não pode ser utilizada de forma generalizada. Mais do que uma solução universal, a protease exige ajuste fino para cada realidade produtiva” – Foto: Arquivo pessoal
Nesse contexto, cresce o interesse por estratégias que permitam simplificar a formulação sem comprometer desempenho e saúde intestinal. Uma das alternativas avaliadas é a inclusão de proteases exógenas, com o objetivo de ampliar a digestão e absorção de aminoácidos, especialmente em dietas de menor complexidade.
A hipótese central é reduzir o fluxo de proteína não digerida para o intestino grosso, fator associado à fermentação proteica indesejável, formação de metabólitos tóxicos e maior incidência de diarreia na fase de creche. Esse é o foco da pesquisa conduzida pelo médico-veterinário Cesar Garbossa, doutor em Nutrição e Produção de Monogástricos e professor da Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia da USP, que será apresentada durante o 18º Simpósio Internacional de Suinocultura, entre os dias 19 e 23 de maio, em Porto Alegre (RS).
O estudo avalia o desempenho de uma nova protease microbiana em dietas simples e complexas para leitões, considerando não apenas os indicadores produtivos tradicionais, mas também respostas fisiológicas e de saúde intestinal.
Para medir a eficiência da enzima, o trabalho utilizou parâmetros zootécnicos clássicos, como ganho de peso diário, consumo de ração e conversão alimentar, que refletem diretamente a eficiência produtiva na creche. Paralelamente, o especialista incorporou uma abordagem mais aprofundada, com análises histológicas da mucosa intestinal, incluindo morfometria do jejuno, além da avaliação de marcadores inflamatórios, expressão gênica relacionada à integridade da barreira intestinal, digestão e apoptose, e indicadores de estresse oxidativo. O estudo também incluiu métricas indiretas da saúde intestinal e da dinâmica digestiva, como escore fecal e quantificação de ácidos graxos de cadeia curta no conteúdo cecal, permitindo avaliar a atividade fermentativa da microbiota.
Resposta dos leitões
Os resultados evidenciaram que a resposta dos leitões à inclusão da protease variou conforme o nível de complexidade das dietas e o período avaliado. “Houve diferenças claras na resposta dos animais, e elas dependem tanto da complexidade da dieta quanto do momento da creche”, afirma Cesar Garbossa.
De forma geral, as dietas mais complexas favoreceram o desempenho inicial, com destaque para a conversão alimentar nas primeiras semanas após o desmame. Esse efeito, no entanto, não se manteve ao longo de todo o período. “A vantagem das dietas complexas é mais evidente no curto prazo, especialmente nas primeiras semanas, mas ela não se sustenta até o final da fase de creche”, explica.
No caso da protease, a inclusão da enzima apresentou resposta limitada. No início da creche, esteve associada a queda no desempenho, com redução de peso vivo e ganho de peso nos primeiros dias. “No começo, observamos um impacto negativo no desempenho, o que reforça a necessidade de avaliar com critério o momento de uso da enzima”, diz Garbossa.
Ao longo do período, a protease deixou de apresentar efeito negativo, mas também não gerou ganhos expressivos. “No longo prazo, a protease não compromete o desempenho, mas também não entrega melhorias consistentes”, resume.
Desempenho e custo de formulação
A análise consolidada dos resultados mostrou que é possível trabalhar com dietas de menor complexidade sem prejuízo consistente no desempenho ao final da creche. “Ao longo do tempo, os animais alimentados com dietas mais simples apresentaram desempenho semelhante, indicando um efeito compensatório”, menciona Garbossa.

Esse comportamento teve impacto direto no custo de produção. As dietas simples apresentaram melhor resultado econômico ao reduzir o custo da formulação. “Do ponto de vista econômico, as dietas de menor complexidade foram mais vantajosas, justamente por reduzir o custo de formulação sem comprometer o desempenho final”, destaca.
Mesmo com o ajuste da matriz nutricional da protease, o retorno da enzima não se mostrou consistente. No segundo ensaio, os tratamentos sem protease apresentaram maior lucratividade, reforçando o peso do custo da ração sobre o resultado. “Isso mostra que o custo da enzima precisa ser bem avaliado dentro do sistema, porque nem sempre ele é compensado por ganhos produtivos”, pontua.
Impactos fisiológicos e adaptação intestinal
A inclusão da protease também provocou respostas fisiológicas, especialmente no início da fase de creche. Foram observadas alterações na morfologia intestinal, como atrofia de vilosidades e aumento de marcadores de apoptose. “O momento fisiológico do animal é determinante para a resposta”, afirma o médico-veterinário.

Ele explica que esses efeitos, no entanto, foram seguidos por sinais de recuperação do trato gastrointestinal, com aumento na expressão de proteínas associadas à integridade da barreira intestinal, como ZO-1 e claudinas, além de marcadores ligados à sobrevivência celular. “Ao final dos 42 dias, não foram observadas diferenças consistentes nos indicadores de saúde intestinal”, relata, acrescentando: “Os efeitos foram transitórios, e o intestino dos leitões demonstrou capacidade de adaptação ao longo do período”.
Do ponto de vista clínico, houve maior frequência de diarreia em alguns tratamentos, principalmente em dietas de média complexidade e em determinados períodos com uso da protease, especialmente após os 28 dias.
Variabilidade das matérias-primas e papel da enzima
A proposta de uso da protease está diretamente associada à variabilidade nutricional das matérias-primas, sobretudo em dietas mais simples. “Quando se trabalha com ingredientes como milho e farelo de soja, há maior variação na digestibilidade da proteína e presença de fatores antinutricionais”, expõe o doutor em Nutrição e Produção de Monogástricos.
Nesse contexto, a enzima tem a função de aumentar a eficiência da digestão proteica e reduzir a sensibilidade do sistema a essa variabilidade. Apesar de indicar melhora na utilização da proteína em nível fisiológico, o efeito não se traduziu de forma consistente em desempenho. “Observamos indícios de melhora na utilização da proteína, como aumento na expressão de transportadores de aminoácidos e peptídeos, mas isso não se refletiu de maneira consistente em ganhos zootécnicos”, avaliou.
A leitura do especialista é que a protease apresenta potencial fisiológico, mas sua aplicação prática exige cautela. “O efeito da enzima depende fortemente do contexto nutricional e do momento de uso. Não é uma solução universal, e sim uma ferramenta que precisa ser ajustada dentro do programa nutricional”, enfatiza.
Uso exige critério técnico
Na etapa final da análise, os resultados se distanciaram, em parte, da expectativa inicial do estudo. A inclusão da protease, especialmente no início da fase de creche, esteve associada a alterações na mucosa intestinal, com sinais de atrofia de vilosidades e aumento de marcadores de apoptose. “Observamos que o uso da protease no início da creche exige bastante critério, porque coincide com um momento de maior sensibilidade do trato gastrointestinal”, ressalta Garbossa.
Apesar desses efeitos iniciais, o intestino demonstrou capacidade de recuperação ao longo do tempo, com adaptação fisiológica dos leitões. Ainda assim, os achados indicam que a aplicação da enzima não deve ser padronizada. “É fundamental considerar idade do animal, nível de desafio, composição da dieta e estratégia de formulação. A protease não pode ser utilizada de forma generalizada. Mais do que uma solução universal, a protease exige ajuste fino para cada realidade produtiva”, salienta.
Avaliação econômica
Do ponto de vista econômico, o retorno do uso da protease variou conforme o custo dos ingredientes utilizados na formulação, especialmente das fontes de proteína. Nas condições avaliadas no estudo, as dietas de menor complexidade apresentaram melhor resultado econômico, por reduzirem o custo da ração sem prejuízo ao desempenho final dos leitões.
Por outro lado, a inclusão da enzima não gerou retorno financeiro expressivo. No segundo ensaio, os tratamentos sem protease foram mais lucrativos. “Isso indica que, nessas condições, o custo da enzima não foi compensado por ganhos produtivos ao longo da creche”, pontua Garbossa.
Ainda assim, o professor da FMVZ afirma que a protease pode se tornar viável em períodos de alta no custo das fontes proteicas. “Nesses casos, a enzima pode ajudar a reduzir o custo da dieta sem comprometer o desempenho no longo prazo”, reforça.
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Suínos
Congresso de Suinocultores do Paraná coloca biosseguridade no centro dos debates da atividade
Coordenador de Suinocultura da Lar afirma que falhas na proteção sanitária podem comprometer toda a produção e defende maior alinhamento entre produtores e assistência técnica.

A biosseguridade continua sendo um dos maiores desafios da suinocultura moderna e será um dos temas centrais do 4º Congresso de Suinocultores do Paraná, que acontece no dia 09 de junho, em Marechal Cândido Rondon (PR). O evento será realizado em formato híbrido, com participação presencial para convidados em Marechal Cândido Rondon (PR) e transmissão ao vivo pelo canal do YouTube de O Presente Rural. Ative o lembrete clicando aqui.

Técnico em Agropecuária e coordenador de suinocultura na Cooperativa Lar, Evandro Cezar Beraldin: “É fundamental colocar o produtor como protagonista do evento, porque é lá na propriedade, onde ele trabalha todos os dias, que a suinocultura realmente acontece”
Em uma região que concentra uma das maiores densidades de produção de suínos do país, o técnico em Agropecuária e coordenador de Suinocultura da Cooperativa Lar, Evandro Cezar Beraldin, ressalta que prevenir a entrada e disseminação de doenças é uma condição indispensável para garantir a sustentabilidade da atividade.
O profissional destaca que os avanços em gestão, treinamento e qualificação profissional podem ser conquistados com investimentos e capacitação. Já a biosseguridade exige vigilância permanente. “O principal gargalo que nós temos hoje é a biosseguridade. Outros pontos relacionados à gestão técnica podem ser trabalhados com treinamento, qualificação e especialização das equipes. Porém, quando a biosseguridade da granja é comprometida, não existe mais como remediar”, afirma.
Segundo Beraldin, o desafio se torna ainda maior em regiões com elevada concentração de granjas e intensa movimentação de pessoas e veículos. “Estamos numa região muito adensada, com instalações mais antigas, propriedades muito próximas umas das outras, rodovias passando perto das granjas e diferentes integradoras atuando no mesmo território. Tudo isso aumenta a complexidade do controle sanitário”, ressalta.
Uniformidade das carcaças segue como desafio
Além das questões sanitárias, Beraldin aponta que a busca por uniformidade dos lotes continua sendo uma das principais dificuldades enfrentadas dentro das granjas.

De acordo com ele, mesmo com os avanços genéticos e nutricionais registrados nas últimas décadas, ainda existem diferenças significativas de desempenho entre os animais. “O principal ponto de desalinhamento entre o que a indústria exige e a realidade da granja está relacionado à uniformidade das carcaças. Esse é um desafio que atravessa décadas e continua presente. O peso de nascimento é naturalmente diferente entre os indivíduos e, ao longo das fases de crescimento e terminação, essas diferenças acabam reaparecendo”, explica.
O coordenador destaca que o agrupamento dos animais por tamanho ajuda a reduzir essa variabilidade, mas exige manejo constante e nem sempre é suficiente para manter a uniformidade desejada até o abate.
Outro fator apontado por ele envolve as exigências relacionadas à conformação das carcaças. “Qualquer hérnia ou problema semelhante pode levar à classificação daquele animal como não conforme. Muitas vezes isso resulta na condenação da carcaça. É uma exigência que não parte diretamente da indústria, mas dos órgãos fiscalizadores, e que acaba gerando perdas importantes ao longo da cadeia”, observa.
Produtor e técnico devem atuar lado a lado

Para Beraldin, a velocidade na identificação dos problemas dentro da granja é um dos fatores que mais influenciam os resultados produtivos. Por isso, ele defende uma relação próxima entre produtores e equipes técnicas. “O principal conhecimento que o produtor pode ter na tomada de decisão é entender a dinâmica do mercado e manter uma relação muito próxima com o técnico. No primeiro sinal de qualquer anormalidade dos animais, a assistência técnica deve ser acionada”, enfatiza.
Segundo ele, a experiência acumulada pelos profissionais que acompanham diferentes granjas permite respostas mais rápidas e eficientes diante de possíveis problemas sanitários ou produtivos. “Aquele lote é único para o produtor, mas o técnico observa diversos lotes ao longo da semana. Isso permite agir rapidamente e tomar decisões com mais segurança. O principal é que o produtor conheça bem seu plantel e esteja alinhado com a assistência técnica”, ressalta.
Congresso reforça protagonismo do produtor
Na avaliação de Beraldin, um dos diferenciais do Congresso de Suinocultores do Paraná é justamente manter o foco no produtor e na realidade das propriedades rurais. “É fundamental colocar o produtor como protagonista do evento, porque é lá na propriedade, onde ele trabalha todos os dias, que a suinocultura realmente acontece”, destaca.
Programação do 4º Congresso de Suinocultores do Paraná
08h – Café de boas-vindas Sicredi
08h30 – Abertura
09h – Frimesa: trajetória e perspectivas na suinocultura brasileira
- Palestrante: Elias Zydek, presidente da Frimesa
09h30 – Mercado da carne suína: oportunidades para o segundo semestre de 2026
- Palestrante: Sula Alves, diretora técnica da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA)
10h10 – Coffee break
10h30 – Doenças emergenciais: como um único foco pode impactar toda a cadeia produtiva
- Palestrante: Rafael Gonçalves Dias, gerente de Saúde Animal da Adapar
11h10 – Streptococcus suis em suínos: da colonização à doença – implicações para a biosseguridade
- Palestrante: Aline Viott, médica-veterinária e professora na UFPR
11h50 – Biosseguridade na suinocultura: papel do fator humano e das tecnologias
- Formato: mesa redonda com gerentes de fomento das cooperativas Lar, Copagril, Primato, Copacol e C.Vale
12h10 – Almoço
13h30 – Regularização ambiental na propriedade rural – novas regras
- Palestrante: Carla Beck, engenheira agrônoma e assessora técnica do Meio Ambiente no Sistema Faep
14h – Sucessão familiar no agro: panorama global, realidade brasileira e desafios de reter o jovem no campo
- Palestrante: Milton Melz, mestre em Administração, com MBA em Agronegócios
14h40 – Retenção de talentos: como superar a crescente escassez de mão de obra na suinocultura
- Palestrante: Leandro Trindade, médico-veterinário e criador do Método BPL
15h20 – Holding rural: uma forma de planejamento patrimonial, sucessório e tributário para o agricultor
- Palestrante: Manoel Terças, advogado, especialista e palestrante em holding rural
15h50 – Mesa redonda sobre mão-de-obra e sucessão nos negócios
- Participantes: Leandro Trindade, Milton Melz e Manoel Terças
- Moderação: Eliana Panty
16h20 – Encerramento
Somando forças com O Presente Rural
Realizado pelo Jornal O Presente Rural, em parceria com a Frimesa, o 4º Congresso de Suinocultores do Paraná conta com patrocínio diamante da Ceva, Grouw Fiber (GFS), Imeve, Phibro, Sicoob, Topigs Norsvin e Vetquest; ouro da Agrifirm, Big Dutchman Brasil, Boehringer Ingelheim, DanBred, Havenza, Poly Sell e Sauvet; prata da American Nutrients, Construsui, Embio, GD Brasil, NNATRIVM, Oligo Basics, Sanex, Suitek, Vaxxinova e Vetanco; além da Agroceres PIC, CRJ Logística, Ilender, MSD Saúde Animal, Natural BR Feed, Ourofino e Sicredi.
O evento conta ainda com o apoio das Cooperativas Lar, Copagril, C.Vale, Copacol e Primato; da Associação Paranaense de Suinocultores, ASCMPR, Assuionoeste, Sistema Faep e BPL Educação.
Suínos
Sanidade, mão de obra e tecnologia desafiam a suinocultura, afirma gerente da Primato
Temas estarão entre os destaques do 4º Congresso de Suinocultores do Paraná, que acontece no dia 09 de junho em Marechal Cândido Rondon (PR).

A sanidade dos rebanhos, a dificuldade de contratação de mão de obra e a necessidade de ampliar o uso de informações em tempo real dentro das granjas estão entre os principais desafios enfrentados atualmente pela suinocultura brasileira. Os temas estarão no centro das discussões do 4º Congresso de Suinocultores do Paraná, que reúne no próximo dia 09 de junho produtores, técnicos, cooperativas, agroindústrias e lideranças do setor em Marechal Cândido Rondon (PR).

Zootecnista e gerente Pecuário na Primato Cooperativa Agroindustrial, William Wesendonck: “Participar do Congresso é uma oportunidade única para fortalecer cada vez mais a nossa suinocultura” – Foto: Divulgação/Primato
O evento será realizado em formato híbrido, com participação presencial para convidados e transmissão ao vivo pelo canal do YouTube de O Presente Rural. Ative o lembrete clicando aqui.
Para o zootecnista e gerente Pecuário da Primato Cooperativa Agroindustrial, William Wesendonck, a sanidade segue como a principal preocupação das granjas da região. “Vejo como principal gargalo técnico a sanidade. Nos últimos cinco anos estamos enfrentando um desafio sanitário muito grande no Oeste do Paraná e encontramos dificuldades para melhorar esse status sanitário”, afirma.
Na área de gestão, ele destaca que os desafios passam tanto pela escassez de profissionais quanto pelas diferenças entre gerações que hoje convivem dentro da cadeia produtiva. “Temos poucas pessoas disponíveis para o mercado de trabalho e isso todos estão sentindo na pele. Além disso, existe o desafio de conectar profissionais jovens, que chegam ao setor com cerca de 20 anos, com produtores que muitas vezes estão próximos dos 65 anos. São gerações com visões e experiências bastante diferentes”, observa.
Exigências do mercado exigem respostas rápidas

Segundo Wesendonck, a demanda dos consumidores por alimentos produzidos com atenção ao meio ambiente, ao bem-estar animal e à rastreabilidade tem provocado mudanças importantes dentro da cadeia produtiva.
Na avaliação dele, o desafio está na velocidade com que essas adaptações precisam ocorrer para manter a competitividade da carne suína brasileira no mercado internacional. “O consumidor vem exigindo mudanças no formato de produção, com foco em valor agregado, sustentabilidade e bem-estar animal. Muitas vezes essas exigências chegam de forma rápida à indústria e precisam ser implementadas em toda a cadeia”, explica.
Para o gerente, atrasos na adoção de protocolos e critérios exigidos pelos compradores podem comprometer oportunidades comerciais. “O Brasil disputa mercados altamente competitivos. Entre fechar ou perder uma venda para determinado país, muitas vezes a diferença está em já ter os critérios exigidos implantados. Quando a demanda surge, a indústria precisa repassar rapidamente e o produtor precisa acompanhar esse movimento para que todos ganhem dinheiro juntos”, ressalta.
Gestão baseada em dados
Outro ponto destacado por Wesendonck é a crescente necessidade de os produtores dominarem informações ligadas à nutrição, genética e sanidade dos animais.

Foto: Ari Dias/AEN
Segundo ele, a produção moderna exige conhecimento muito mais detalhado do que há alguns anos. “O produtor precisa estar alinhado com a integradora em relação à nutrição, genética e sanidade. Hoje trabalhamos com várias fórmulas de ração, diferentes genéticas e desafios sanitários distintos. O produtor precisa conhecer essas informações para tomar decisões mais assertivas”, enfatiza.
O profissional também defende uma maior incorporação de tecnologias capazes de fornecer indicadores produtivos em tempo real. “O produtor necessita urgentemente de tecnologias que mostrem os indicadores da granja em tempo real. Não adianta terminar um lote para descobrir depois que houve excesso de consumo ou uma conversão alimentar ruim. É preciso acompanhar isso durante o processo”, salienta, reforçando: “O produtor precisa saber durante o ciclo se está conduzindo um lote bom ou se existem pontos que precisam ser corrigidos”.
Espaço para discutir o futuro da atividade
Wesendonck avalia que o Congresso de Suinocultores do Paraná tem papel importante justamente por reunir todos os elos da cadeia em um único ambiente de debate. “A importância do Congresso está no fato de podermos reunir todos os elos envolvidos na cadeia em um único dia e em um só local. Vamos discutir temas fundamentais para a suinocultura, como nutrição, sanidade e sucessão familiar, com profissionais que vivem o setor diariamente”, destaca.
Segundo ele, a troca de experiências entre produtores, técnicos, cooperativas e empresas contribui para fortalecer a atividade e acelerar a adoção de soluções dentro das granjas. “Ficamos muito felizes em participar desse momento. É uma oportunidade para fortalecer cada vez mais a nossa suinocultura”, exalta.
Programação do 4º Congresso de Suinocultores do Paraná
08h – Café de boas-vindas Sicredi
08h30 – Abertura
09h – Frimesa: trajetória e perspectivas na suinocultura brasileira
- Palestrante: Elias Zydek, presidente da Frimesa
09h30 – Mercado da carne suína: oportunidades para o segundo semestre de 2026
- Palestrante: Sula Alves, diretora técnica da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA)
10h10 – Coffee break
10h30 – Doenças emergenciais: como um único foco pode impactar toda a cadeia produtiva
- Palestrante: Rafael Gonçalves Dias, gerente de Saúde Animal da Adapar
11h10 – Streptococcus suis em suínos: da colonização à doença – implicações para a biosseguridade
- Palestrante: Aline Viott, médica-veterinária e professora na UFPR
11h50 – Biosseguridade na suinocultura: papel do fator humano e das tecnologias
- Formato: mesa redonda com gerentes de fomento das cooperativas Lar, Copagril, Primato, Copacol e C.Vale
12h10 – Almoço
13h30 – Regularização ambiental na propriedade rural – novas regras
- Palestrante: Carla Beck, engenheira agrônoma e assessora técnica do Meio Ambiente no Sistema Faep
14h – Sucessão familiar no agro: panorama global, realidade brasileira e desafios de reter o jovem no campo
- Palestrante: Milton Melz, mestre em Administração, com MBA em Agronegócios
14h40 – Retenção de talentos: como superar a crescente escassez de mão de obra na suinocultura
- Palestrante: Leandro Trindade, médico-veterinário e criador do Método BPL
15h20 – Holding rural: uma forma de planejamento patrimonial, sucessório e tributário para o agricultor
- Palestrante: Manoel Terças, advogado, especialista e palestrante em holding rural
15h50 – Mesa redonda sobre mão-de-obra e sucessão nos negócios
- Participantes: Leandro Trindade, Milton Melz e Manoel Terças
- Moderação: Eliana Panty
16h20 – Encerramento
Somando forças com O Presente Rural
Realizado pelo Jornal O Presente Rural, em parceria com a Frimesa, o 4º Congresso de Suinocultores do Paraná conta com patrocínio diamante da Ceva, Grouw Fiber (GFS), Imeve, Phibro, Sicoob, Topigs Norsvin e Vetquest; ouro da Agrifirm, Big Dutchman Brasil, Boehringer Ingelheim, DanBred, Havenza, Poly Sell e Sauvet; prata da American Nutrients, Construsui, Embio, GD Brasil, NNATRIVM, Oligo Basics, Sanex, Suitek, Vaxxinova e Vetanco; além da Agroceres PIC, CRJ Logística, Ilender, MSD Saúde Animal, Natural BR Feed, Ourofino e Sicredi.
O evento conta ainda com o apoio das Cooperativas Lar, Copagril, C.Vale, Copacol e Primato; da Associação Paranaense de Suinocultores, ASCMPR, Assuionoeste, Sistema Faep e BPL Educação.
Suínos
Suinfair 2026 deve impulsionar economia regional e destacar força da suinocultura independente em Minas Gerais
Feira realizada no Vale do Piranga reunirá produtores, técnicos e empresas do setor, movimentando negócios e fortalecendo um dos principais polos suinícolas do país.

A realização da Suinfair 2026, nos dias 01º e 02 de julho, em Ponte Nova (MG), deve gerar impactos econômicos e técnicos para o Vale do Piranga, região reconhecida como o maior polo da suinocultura independente do Brasil. A expectativa é de que a feira atraia produtores, técnicos, empresas e profissionais de diferentes estados, ampliando as oportunidades de negócios e fortalecendo a cadeia produtiva regional.
Além de reunir os principais agentes ligados à atividade suinícola, o evento tende a impulsionar diversos segmentos da economia local. A maior circulação de visitantes durante os dois dias da feira deve beneficiar setores como hotelaria, alimentação, transporte e comércio, tanto em Ponte Nova quanto em municípios vizinhos.

A programação da Suinfair também busca fortalecer a competitividade da produção regional por meio da difusão de conhecimento, apresentação de novas tecnologias e promoção de conexões estratégicas entre produtores, fornecedores e demais participantes do setor. O ambiente de negócios criado pela feira favorece a troca de experiências e a identificação de oportunidades para ampliar a eficiência e a rentabilidade das granjas.
O evento ocorre em uma região que concentra aproximadamente 35% do rebanho suíno de Minas Gerais, fator que reforça a relevância do Vale do Piranga para a produção estadual. A expressiva participação da região na atividade coloca o território em posição estratégica dentro da suinocultura brasileira, especialmente no segmento independente.
Ao consolidar a aproximação entre produção, mercado e inovação, a Suinfair reforça o protagonismo do Vale do Piranga na cadeia suinícola nacional e amplia a visibilidade de uma atividade que desempenha papel importante no desenvolvimento econômico regional.



