Suínos
Protagonistas mundiais discutem a produção da carne suína segura
Destacados profissionais de 15 países da Europa e América participaram do evento em Foz do Iguaçu, PR
Produzir alimentos em quantidade necessária, mas também com qualidade e que seja rentável para o produtor é uma discussão que tem sido constante na pauta dos agentes produtores de proteína animal do mundo. Indústria, profissionais do setor e produtores discutem constantemente o que pode ser feito para que o alimento que está sendo produzido tenha qualidade e inocuidade. Há anos os países se unem em eventos e discutem este tema. Este ano, entre os dias 21 e 24 de agosto, Foz do Iguaçu, PR, foi palco para o maior evento internacional sobre o assunto. Pela primeira vez na América Latina, reuniu aproximadamente 120 protagonistas de 15 países da Europa e América para discutir justamente a produção da carne suína.
O evento bianual chegou à sua 12ª edição com participantes do Brasil, Argentina, Chile, Colômbia, Áustria, Bélgica, Dinamarca, França, Alemanha, Holanda, Portugal, Espanha, Reino Unido, Suíça e Estados Unidos. Todas as discussões ocorreram por meio de dois workshops para grupos menores, palestras magistrais com cientistas de referência em suas áreas, apresentação de trabalhos científicos e fóruns de discussão.
A organização do evento ficou por conta da Confederação Brasileira de Veterinários Especialistas em Suínos (Abraves Nacional), em parceria com a Embrapa Suínos e Aves e a Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS).
Troca de Informações
A principal característica que faz com que profissionais da indústria, universidades, pesquisadores e órgãos oficiais se interessem tanto pelo evento é a grande troca de informações que acontece entre todos os setores envolvidos na produção da carne suína, desde a granja até o prato do consumidor.
Com o evento os participantes podem discutir, informalmente, com pesquisadores, indústria e órgãos oficiais de uma forma em que todos fiquem melhor informados sobre os assuntos que permeiam a produção da carne suína, afirma Jan Dahl, do Conselho Dinamarquês de Agricultura e Alimentação. “O conhecimento é compartilhado e as pessoas ficam melhor informadas. Esse evento é a oportunidade de colocar todos os envolvidos juntos para discutir”, diz.
A Dinamarca participa do Safepork desde a primeira edição, em 1996, com um número sempre expressivo de representantes. Nesta edição no Brasil, os dinamarqueses formaram o maior grupo internacional, com 10 pessoas. “Nós temos um grupo grande que trabalha com segurança de alimentos, e sempre estamos interessados no assunto da produção da carne suína. E como a Dinamarca é um grande exportador, e nós dependemos da exportação, é sempre muito importante estarmos sabendo o que os outros países estão pensando e identificando problemas. Com isso, sabemos para onde olhar e como definir os nossos investimentos de pesquisa, onde precisamos olhar com mais atenção”, informa.
De acordo com Patrik Buholzer, da Thermo Fisher Scientific (Suíça), a comunicação deve envolver toda a cadeia, o público que participa do evento, como instituições de pesquisas, grandes pesquisadores e cadeias de frigoríficos, deve entender o processo de produção e participar, se não, a cadeia não fecha. “A ideia é que todos tenham a oportunidade de neste evento, onde irão discutir diversos assuntos técnicos, falar também sobre esse tipo de interligação. Por isso do nosso objetivo de participar do evento, que é ajudar esses diversos elos da cadeia a conseguir produzir melhor, de uma forma que todos se beneficiem no processo”, diz. Para ele, o Safepork é ideal, já que dele participam os principais pesquisadores, produtores, entre outros envolvidos na cadeia de produção do mundo. “Dessa forma acaba sendo um ambiente privilegiado para discutir exatamente os problemas que são inerentes à cadeia em si, e não individuais de cada um do campo”, afirma.
Para a representante do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), Melanie Abley, o evento é bastante importante por trazer diferentes perspectivas de vários países e oportunizar a troca de experiências para discutir internamente com as equipes de trabalho. “Com o que vemos no evento, podemos levar informações para o nosso país e melhorar ainda mais a saúde pública em relação aos produtos de origem suína”, comenta. Melanie participou ainda do evento em uma apresentação, em que contou com o USDA está tratando a questão de inspeção e modernização. Os principais tópicos da apresentação foram mostrar como os Estados Unidos estão fazendo a modernização do sistema de amostragem da carne suína, deixando de fazer carcaça e passando a fazer em cortes. “O nosso objetivo é modificar a amostragem para que ela se aproxime mais do consumidor”, conta. Porém, este tipo de amostragem ainda está na fase de normatização.
Base na Ciência
O representante do Conselho Nacional de Produtores de Suínos dos Estados Unidos, Daniel Kovich, comenta que para a organização que ele representa é muito importante que as decisões e os requerimentos sejam baseados em ciência. “E essa conferência é a melhor no mundo em termos de carne suína, porque ela é específica para discutir somente isso. Com ela sabemos o que os pesquisadores estão fazendo ao redor do mundo, o que estão procurando. Isso nos interessa saber, estarmos informados do que os outros países estão fazendo, quais as novas tecnologias que têm e quais recursos estão utilizando”, conta. Além do mais, participar do evento e saber das informações que são partilhadas é importante pelo fato dos produtores de suínos norte-americanos estarem preocupados com o que está acontecendo no mundo. “Estamos no mercado mundial. 28% do que produzimos vai para exportação, e nós temos essa preocupação de saber o que os outros países estão pensando a respeito do mercado mundial”, completa.
Discutir os atuais e principais problemas da produção de carne suína e sua qualidade é outro foco da conferência que atrai participantes, como o holandês Derk Oorburg, que representa a empresa VionFood, uma das maiores empresas de alimentação da Europa. Para ele, é importante a participação neste tipo de evento, porque é uma oportunidade de mão dupla, onde o trabalho é mostrado, mas existe o feedback. “E o evento tem uma boa atmosfera para a discussão e troca de informações e conhecimento”, diz. Oorburg afirma que as decisões em segurança de alimentos devem ser tomadas com base científica, porque com fatos científicos não existe discussão, o que é apresentado é a verdade. “Nós temos a responsabilidade de tomar decisões baseadas em fatos, na ciência. E assim deve ser não somente para a indústria, mas também para todo o setor regulatório, quem faz as leis, e para os produtores, porque nós não produzimos animais, mas alimento, por isso temos a responsabilidade de produzir algo que seja saudável e não traga riscos para o consumidor”, afirma. De acordo com ele, essa discussão é sempre importante, porque o consumidor não vai ao supermercado comprar um suíno, mas sim comprar carne.
Compartilhar Experiências
Para Lis Alban, do Conselho Dinamarquês de Agricultura e Alimentação, o Safepork é um lugar onde as pessoas estão abertas para dividir as experiências que tiveram, tanto em problemas como em soluções na produção da carne suína. “As pessoas que vêm nesse evento compartilham informações e estão preocupadas com o suíno, a carne suína e a segurança alimentar. É uma comunidade que discute estes três importantes aspectos”, comenta. Para ela, com as discussões que acontecem no evento, é possível que pesquisadores, órgãos oficiais e a própria indústria mudem o rumo de trabalhos que estão realizando, porque com uma percepção diferente e com o networking que acontece, as pessoas passam a saber quem pode ajudar e o que outros lugares estão fazendo com este tema em específico. “Esse entendimento é importante, até mesmo para as barreiras comerciais, porque quando conseguimos compreender porque um país age de tal forma, conseguimos derrubar algumas barreiras e facilitar o comércio internacional. Isso é importante para toda a sociedade”, afirma.
De acordo com muitos envolvidos na cadeia, esta é a conferência mais importante do mundo quando o assunto é carne suína e segurança alimentar. A doutora Diana Meemken, da Universidade Martinho Lutero de Halle-Wittenberg e do Instituto de Ciências Agrícolas e Nutricionais alemão, concorda com esta afirmação. “Em primeiro lugar podemos citar a questão científica, temos resultados de pesquisas que são apresentados e trocados. Há ainda o relacionamento internacional, que se eu não participasse, não teria com muitos colegas. Além disso, este evento conta também com a participação da indústria, que também é uma chave importante do setor. E eu sou bastante interessada em saber o que está acontecendo, o que os países estão discutindo e pesquisando. Então, neste congresso temos diversas discussões em que o foco final é a qualidade da carne, diferente de outros que trabalham somente a saúde do animal”, diz.
Entre os interessados no Safepork, além de pesquisadores e órgãos oficiais, também estão os produtores. Maurício Fernandez, presidente da Associação de Produtores do Chile, comenta que é muito importante participar de uma conferência como esta porque dela participam agentes de diversos países, que são mercado do Chile, e saber o que estão pensando e o que estão querendo. “Em geral, queremos saber todas as informações das tendências internacionais para informar aos nossos associados. Queremos saber quais são os pontos que precisamos investir mais. Um dos nossos objetivos como associação é informar ao nosso associado o que deve ser feito para atender a estes mercados, e aqui temos a oportunidade de ver, conversar e saber o que é preciso. No evento vemos qual a realidade do país que estamos atendendo e a dos que queremos atender”, conta.
Gonzalo Mena, produtor chileno e representante da Agrosuper, uma das principais empresas de proteína animal do Chile, afirma que o Safepork é a única conferência no mundo que reúne todos os representantes mundiais da proteína animal, e isso faz dele um evento fundamental para uma empresa exportadora como a que ele participa. “Aqui ficamos sabendo o que acontece e as tendências que existem no mundo. Este é a única conferência em que eu vou encontrar isso. Para nós é essencial escutar as tendências futuras dos assuntos relacionais à cadeia, como inspeção sanitária e agentes infecciosos”, diz. Outro ponto positivo destacado por Mena foi a troca de informações e o networking que acontece no evento. “Há profissionais e empresas de outros países com quem eu posso conversar, e assim saber o que está acontecendo no mundo para estar preparado para o que vier, porque 50% do que o Chile produz é exportado, e exportamos para todos os países que participam desse encontro, da Europa, Ásia e América. Por isso temos que saber o que está acontecendo nestes lugares, para sabermos como atender a estes mercados”, afirma.
Brasil
A chefe-geral da Embrapa Suínos e Aves, Janice Zanella, comenta que a importância de um evento como o Safepork vir para o Brasil é porque ele traz clareza do que deve ser feito no setor e conhecimento sobre diversos assuntos, já que são apresentadas pesquisas e resultados inéditos. “Acredito que o Brasil seja um país resiliente, porque apesar de todas as dificuldades que enfrentamos, nós conseguimos nos sair bem. Nós não estamos bem no agro porque temos sorte, mas sim porque somos competentes e conseguimos driblar e fazer o que for preciso para vencer os desafios. E é assim que devemos continuar”, pontua.
Ela destaca que este, diferente de outros eventos, é focado em um público específico, e isso pode ser notado no número menor de participantes se comparado a outros eventos do setor. “Mas as pessoas que participam são as que estão no dia a dia trabalhando com isso. Tanto a indústria, quando a universidade, institutos de pesquisa e órgãos governamentais; são pessoas do mundo todo que produzem e geram resultados, e isso é importante”, afirma. Para ela, a organização do evento no Brasil soube trazer as pessoas certas e atrair pesquisadores que estão produzindo resultados significantes para a área e compartilharam informações.
A segurança alimentar, que foi bastante discutida no evento também foi citada por Janice. “Temos que ficar sempre muito atentos para a segurança, porque é difícil ganhar um mercado, mais difícil ainda manter, mas para perder é muito fácil. E este evento soma muito para o Brasil, porque pessoas de fora vêm para cá e conhecem a nossa realidade. Aquele pesquisador que vendo o que é gerado no Brasil pode ser alguém que será consultado por um futuro comprador”, exemplifica. “Além do mais, o evento é positivo pelo fato de trazer informações sobre mercados que o Brasil ainda tenta conquistar”, interpreta.
Workshops
O Safepork contou ainda com dois workshops: um sobre modernização na inspeção de carne e outro sobre inovação na cadeia de carne suína, novas tecnologias em diagnóstico, dados e monitoramento. Em cada atividade, profissionais tiveram a oportunidade de mostrar resultados de pesquisas e apontar soluções para os problemas que estavam sendo discutidos.
Lis Alban, do Conselho Dinamarquês de Agricultura e Alimentação, que participou do primeiro workshop, comenta que a questão da modernização na inspeção precisa ser feita, porque a base da inspeção tradicional é de cem anos atrás, e isso ainda não mudou, mas o sistema de produção sim. “O objetivo é modernizar. Por exemplo, o Brasil, tem diferentes populações de suínos e com alta tecnologia, por conta disso, a inspeção também precisa acompanhar essa evolução tecnológica que ocorreu”, comenta. De acordo com Lis, é preciso uma certa harmonização entre os países, porque alguns já estão na frente quanto a esta modernização, mas alguns estão apenas começando. “A discussão deste workshop foi justamente isso; mostrar onde cada país está e um tentar ajudar o outro para que todos consigam evoluir”, comenta. Ela conta que outro ponto abordado foi sobre o feedback feito dos resultados da inspeção para os produtores. “Com esta informação, os produtores podem trabalhar em cima disso. Por exemplo, na Holanda existe um banco de dados de quanto custa cada doença, e o produtor consegue ver claramente quanto ele está perdendo e quanto poderia ganhar se aquela doença não estivesse na propriedade”, conta. Para ela, melhorar o feedback do resultado da inspeção para os produtores também é importante para avançar nas questões de inspeção.
Já no workshop sobre inovação na cadeia, novas tecnologias em diagnóstico, dados e monitoramento, a doutora Diana Meemken, conta que o objetivo principal foi identificar lacunas que existem na cadeia de produção inteira, desde à fábrica de ração, granjas e abatedouros, até chegar ao consumidor, e com isso tentar discutir soluções para preencher essas lacunas de problemas. “Nós diagnosticamos que de um lado há soluções que estão prontas, e se todos colocassem em prática daríamos um passo à frente, mas há algumas soluções que ainda existem espaço e que, neste caso, é uma oportunidade de pesquisa e trabalho para criar uma solução para isso”, comenta.
Ela conta que de toda a discussão, dois pontos principais, que seriam possíveis soluções, foram levantados: do sistema de big date, que são plataformas de dados, onde é possível colocar informações de forma automatizada e todos podem acessar. “Essa plataforma vai servir para conectar todos os elos da cadeia, trocar informações e todos terem acesso a informações que precisam, além de ter um feedback melhor do consumidor para os produtores”, conta. De acordo com Diana, isso melhora o sistema de diagnóstico, e quanto mais precisão, melhor as ações e o feedback, e tudo isso aumenta a confiança do consumidor. “Assim temos um sistema mais transparente, onde o consumidor consegue ver melhor”, diz.
O segundo ponto destacado no workshop foi a possibilidade de ter um sistema de identificação individual acoplado às tecnologias que já existam, que consiga identificar problemas nos animais. “Todas as informações serão armazenadas nessa plataforma, e que no final, será um recurso para a melhor tomada de decisões. Claro que isso será interpretado por um médico veterinário, o sistema não vai dispensar os serviços”, comenta.
Ela conta que somente o que não foi possível encontrar uma solução durante o workshop foi de como influenciar a grande mídia a favor da cadeia de produção. “A mídia se apega mais às questões negativas, que acontecem em uma escala muito inferior do que representa toda a produção de alimentos. E isso pode inviabilizar um investimento muito grande”, diz. De acordo com Diana, se sabe que quando há um maior sentimento de confiança, isso chega ao consumidor. “Não conseguimos identificar o que fazer para evitar que o alimento seja tratado como um perigo, em uma escala maior do que realmente representa”, conta.
Em 2019
O Safepork tradicionalmente acontece a cada dois anos. Agora, a próxima edição será em 2019 na cidade de Berlim, na Alemanha. A presidente da Comissão Organizadora da próxima edição, doutora Diana Meemken, comenta que a cidade de Berlim foi escolhida para o próximo evento por ser um lugar bonito, mas também por todo contexto histórico que existe lá. Diana conta que o diferencial para 2019 é que a Comissão Organizadora irá envolver também nas discussões alguns pesquisadores da área humana. “É algo distinto que queremos implementar. Queremos eles junto com o pessoal da produção de alimentos para ter uma característica mais interdisciplinar nas discussões. Claro que a programação será de maior interesse para a cadeia de produção de carne suína, mas pretendemos convidar essas pessoas da área humana para conseguirmos ter uma maior multidisciplinaridade nas nossas discussões”, conta.
Mais informações você encontra na edição de Suínos e Peixes de outubro/novembro de 2017 ou online.
Fonte: O Presente Rural

Suínos
Núcleo da suinocultura do Paraná reage à autorização para recolha de suínos mortos
Frimesa e Coopavel divulgaram comunicados nos quais reafirmam a manutenção dos protocolos sanitários atuais e rejeitam a retirada de carcaças das propriedades, sob argumento de proteção da biosseguridade e do mercado exportador.

A autorização inédita concedida no Paraná para recolhimento, transporte, processamento e destinação de animais mortos em propriedades rurais provocou reação no centro da suinocultura estadual. Após a formalização, pela Agência de Defesa Agropecuária do Paraná (Adapar), do primeiro credenciamento para esse tipo de operação, Frimesa e Coopavel divulgaram comunicados nos quais informam que não adotam a retirada de suínos mortos das propriedades e defendem a manutenção dos procedimentos sanitários já em vigor. A Adapar oficializou o credenciamento da A&R Nutrição Animal, de Nova Aurora, com base na Portaria nº 012/2026.
Na comunicação assinada pelo presidente executivo Elias José Zydek, a Frimesa informa que o Conselho de Administração decidiu “manter os procedimentos sanitários atuais, dentre os quais, a não retirada dos suínos mortos das criações nas propriedades rurais”. No mesmo texto, a cooperativa afirma que “a sanidade e as normativas de biossegurança no Sistema de Integração Suinícola das Cooperativas Filiadas e Frimesa deverão ser cumpridas em conformidade com a legislação vigente, bem como para garantir as habilitações para as exportações”.
A Coopavel adotou tom ainda mais direto. Em comunicado, a cooperativa afirma que “não autoriza e não adota a prática de recolhimento de carcaças”. Na sequência, lista os motivos para a posição institucional. Segundo o texto, a coleta “facilita a disseminação de vírus e bactérias entre as propriedades”, aumenta o risco sanitário dos plantéis, pode comprometer o status sanitário da região e afeta diretamente a sustentabilidade de toda a cadeia produtiva suinícola”. A orientação da cooperativa é para que “carcaças de suínos devem ser destinadas corretamente na própria propriedade, seguindo as orientações técnicas da Coopavel”.
Resistência
A manifestação das duas cooperativas expõe que, embora o credenciamento tenha sido autorizado pela Adapar, sua adoção prática encontra resistência justamente entre agentes de peso da cadeia integrada de suínos no Paraná. Na prática, o que está em disputa não é a existência do ato regulatório, mas a aceitação, dentro dos sistemas de integração, de um modelo que envolve circulação externa para recolhimento de animais mortos.
Com os comunicados de Frimesa e Coopavel, o tema passa a ter uma nova dimensão. O credenciamento existe, está formalizado e tem respaldo normativo. Ao mesmo tempo, cooperativas centrais da suinocultura paranaense deixam claro que, em seus sistemas, o protocolo permanece sendo a destinação dos animais mortos dentro da própria propriedade, sob a justificativa de biosseguridade, proteção sanitária e preservação das condições exigidas pelos mercados exportadores.
Compostagem
A própria Adapar afirma que a retirada de animais mortos por terceiros continua proibida, sendo permitida apenas para empresas credenciadas, e reforça que o principal destino dos suínos mortos “ainda deve ser a compostagem dentro das próprias propriedades, permanecendo como a prática mais recomendada e utilizada”. O órgão também destacou que o manejo dentro da propriedade reduz riscos sanitários e advertiu que empresas credenciadas não devem adentrar áreas limpas das granjas, para evitar contaminação cruzada.
A autorização concedida pela Adapar prevê que a empresa credenciada poderá recolher, transportar, processar e destinar animais mortos e resíduos da produção pecuária no Estado, com validade de três anos. A portaria também veda o recolhimento de carcaças oriundas de outros estados e proíbe o uso dos produtos gerados no processamento na fabricação de alimentos para consumo animal ou humano. Segundo a publicação, o material processado tem como destino biocombustível, indústria química e fertilizantes.
Suínos
ABCS reúne produtores para discutir integração na suinocultura
Encontro online marca início de agenda voltada ao fortalecimento da relação com agroindústrias.

A Associação Brasileira dos Criadores de Suínos (ABCS) realizou, na última quarta-feira (16), a 1ª Reunião do Departamento de Integração, reunindo representantes de diferentes regiões do país em um encontro online voltado ao fortalecimento da relação entre produtores integrados e agroindústrias.
A abertura foi conduzida pelo presidente da ABCS, Marcelo Lopes, e pelo conselheiro de Integração e Cooperativismo da entidade, Alessandro Boigues. Ambos destacaram o papel estratégico do departamento para 2026 e reforçaram a importância da organização dos produtores por meio das Comissões para Acompanhamento, Desenvolvimento e Conciliação da Integração (CADECs). Segundo Boigues, a ABCS está à disposição para apoiar demandas específicas das comissões, fortalecendo o diálogo e a troca de experiências entre os produtores.
“O distanciamento entre a alta gestão de algumas agroindústrias e a realidade enfrentada na base da produção é uma realidade. Por isso, aproximar esses dois níveis deve ser uma prioridade para avançarmos nas relações de integração no país”, destacou o conselheiro.
Contratos de integração exigem atenção técnica e jurídica
A primeira agenda teve como prioridade o debate sobre os contratos de integração, com base na Lei nº 13.288/2016. Para o presidente da ABCS, Marcelo Lopes, a questão contratual é hoje um dos pontos mais sensíveis da suinocultura brasileira. “Precisamos garantir que os contratos reflitam, de fato, equilíbrio e transparência na relação entre produtores e agroindústrias. A Lei de Integração existe para dar segurança jurídica, mas ela só se efetiva quando é compreendida e aplicada na prática. O fortalecimento das CADECs é fundamental nesse processo, porque é na base que os desafios aparecem e precisam ser enfrentados com organização e diálogo”, destacou.
A reunião contou ainda com a participação da advogada da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), Karoline Cord Sá, que reforçou a necessidade de maior clareza nos critérios técnicos que definem a remuneração dos produtores, além de alertar sobre cláusulas que podem gerar desequilíbrio contratual. O encontro foi encerrado com espaço para troca de experiências entre os participantes, reforçando a importância da atuação coletiva para garantir maior equilíbrio, transparência e segurança jurídica nas relações de integração.
A iniciativa marca o início de uma agenda estruturada do Departamento de Integração da ABCS para 2026, com foco em ampliar o protagonismo dos produtores e consolidar boas práticas nas relações contratuais do setor suinícola.
Suínos
Startup desenvolve tecnologia inédita para reduzir natimortalidade na suinocultura
Equipamento em fase de protótipo auxilia o parto e busca reduzir perdas nas granjas.

A Pigma Desenvolvimentos, startup com sede em Toledo, desenvolveu uma cinta massageadora voltada a matrizes suínas para auxiliar no trabalho de parto.
O projeto, chamado PigSave, utiliza estímulos físicos que favorecem a liberação natural de ocitocina, contribuindo para a redução dos índices de natimortalidade. O equipamento também busca diminuir o estresse e a dor dos animais, além de aumentar a produção de colostro. A proposta é substituir ou otimizar a massagem que normalmente é realizada de forma manual durante o parto.
Segundo o CEO Marcelo Augusto Hickmann, o desenvolvimento da solução passou por um processo de reestruturação, com foco no aprimoramento do produto e na validação por meio de pesquisa aplicada. A iniciativa tem como objetivo ampliar o bem-estar animal e melhorar a usabilidade da tecnologia no campo.
O equipamento ainda está em fase de prototipagem, com ajustes e testes para mensurar os resultados. A empresa também mantém parceria com a Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG) para o desenvolvimento de pesquisas relacionadas ao projeto.
Fundada em 2020, a Pigma Desenvolvimentos atua na criação de soluções tecnológicas voltadas a demandas industriais e do agronegócio, com foco em automação e ganho de produtividade. Seus projetos integram hardware e software para atender necessidades específicas de produtores e empresas do setor.
