Suínos
Protagonistas mundiais discutem a produção da carne suína segura
Destacados profissionais de 15 países da Europa e América participaram do evento em Foz do Iguaçu, PR
Produzir alimentos em quantidade necessária, mas também com qualidade e que seja rentável para o produtor é uma discussão que tem sido constante na pauta dos agentes produtores de proteína animal do mundo. Indústria, profissionais do setor e produtores discutem constantemente o que pode ser feito para que o alimento que está sendo produzido tenha qualidade e inocuidade. Há anos os países se unem em eventos e discutem este tema. Este ano, entre os dias 21 e 24 de agosto, Foz do Iguaçu, PR, foi palco para o maior evento internacional sobre o assunto. Pela primeira vez na América Latina, reuniu aproximadamente 120 protagonistas de 15 países da Europa e América para discutir justamente a produção da carne suína.
O evento bianual chegou à sua 12ª edição com participantes do Brasil, Argentina, Chile, Colômbia, Áustria, Bélgica, Dinamarca, França, Alemanha, Holanda, Portugal, Espanha, Reino Unido, Suíça e Estados Unidos. Todas as discussões ocorreram por meio de dois workshops para grupos menores, palestras magistrais com cientistas de referência em suas áreas, apresentação de trabalhos científicos e fóruns de discussão.
A organização do evento ficou por conta da Confederação Brasileira de Veterinários Especialistas em Suínos (Abraves Nacional), em parceria com a Embrapa Suínos e Aves e a Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS).
Troca de Informações
A principal característica que faz com que profissionais da indústria, universidades, pesquisadores e órgãos oficiais se interessem tanto pelo evento é a grande troca de informações que acontece entre todos os setores envolvidos na produção da carne suína, desde a granja até o prato do consumidor.
Com o evento os participantes podem discutir, informalmente, com pesquisadores, indústria e órgãos oficiais de uma forma em que todos fiquem melhor informados sobre os assuntos que permeiam a produção da carne suína, afirma Jan Dahl, do Conselho Dinamarquês de Agricultura e Alimentação. “O conhecimento é compartilhado e as pessoas ficam melhor informadas. Esse evento é a oportunidade de colocar todos os envolvidos juntos para discutir”, diz.
A Dinamarca participa do Safepork desde a primeira edição, em 1996, com um número sempre expressivo de representantes. Nesta edição no Brasil, os dinamarqueses formaram o maior grupo internacional, com 10 pessoas. “Nós temos um grupo grande que trabalha com segurança de alimentos, e sempre estamos interessados no assunto da produção da carne suína. E como a Dinamarca é um grande exportador, e nós dependemos da exportação, é sempre muito importante estarmos sabendo o que os outros países estão pensando e identificando problemas. Com isso, sabemos para onde olhar e como definir os nossos investimentos de pesquisa, onde precisamos olhar com mais atenção”, informa.
De acordo com Patrik Buholzer, da Thermo Fisher Scientific (Suíça), a comunicação deve envolver toda a cadeia, o público que participa do evento, como instituições de pesquisas, grandes pesquisadores e cadeias de frigoríficos, deve entender o processo de produção e participar, se não, a cadeia não fecha. “A ideia é que todos tenham a oportunidade de neste evento, onde irão discutir diversos assuntos técnicos, falar também sobre esse tipo de interligação. Por isso do nosso objetivo de participar do evento, que é ajudar esses diversos elos da cadeia a conseguir produzir melhor, de uma forma que todos se beneficiem no processo”, diz. Para ele, o Safepork é ideal, já que dele participam os principais pesquisadores, produtores, entre outros envolvidos na cadeia de produção do mundo. “Dessa forma acaba sendo um ambiente privilegiado para discutir exatamente os problemas que são inerentes à cadeia em si, e não individuais de cada um do campo”, afirma.
Para a representante do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), Melanie Abley, o evento é bastante importante por trazer diferentes perspectivas de vários países e oportunizar a troca de experiências para discutir internamente com as equipes de trabalho. “Com o que vemos no evento, podemos levar informações para o nosso país e melhorar ainda mais a saúde pública em relação aos produtos de origem suína”, comenta. Melanie participou ainda do evento em uma apresentação, em que contou com o USDA está tratando a questão de inspeção e modernização. Os principais tópicos da apresentação foram mostrar como os Estados Unidos estão fazendo a modernização do sistema de amostragem da carne suína, deixando de fazer carcaça e passando a fazer em cortes. “O nosso objetivo é modificar a amostragem para que ela se aproxime mais do consumidor”, conta. Porém, este tipo de amostragem ainda está na fase de normatização.
Base na Ciência
O representante do Conselho Nacional de Produtores de Suínos dos Estados Unidos, Daniel Kovich, comenta que para a organização que ele representa é muito importante que as decisões e os requerimentos sejam baseados em ciência. “E essa conferência é a melhor no mundo em termos de carne suína, porque ela é específica para discutir somente isso. Com ela sabemos o que os pesquisadores estão fazendo ao redor do mundo, o que estão procurando. Isso nos interessa saber, estarmos informados do que os outros países estão fazendo, quais as novas tecnologias que têm e quais recursos estão utilizando”, conta. Além do mais, participar do evento e saber das informações que são partilhadas é importante pelo fato dos produtores de suínos norte-americanos estarem preocupados com o que está acontecendo no mundo. “Estamos no mercado mundial. 28% do que produzimos vai para exportação, e nós temos essa preocupação de saber o que os outros países estão pensando a respeito do mercado mundial”, completa.
Discutir os atuais e principais problemas da produção de carne suína e sua qualidade é outro foco da conferência que atrai participantes, como o holandês Derk Oorburg, que representa a empresa VionFood, uma das maiores empresas de alimentação da Europa. Para ele, é importante a participação neste tipo de evento, porque é uma oportunidade de mão dupla, onde o trabalho é mostrado, mas existe o feedback. “E o evento tem uma boa atmosfera para a discussão e troca de informações e conhecimento”, diz. Oorburg afirma que as decisões em segurança de alimentos devem ser tomadas com base científica, porque com fatos científicos não existe discussão, o que é apresentado é a verdade. “Nós temos a responsabilidade de tomar decisões baseadas em fatos, na ciência. E assim deve ser não somente para a indústria, mas também para todo o setor regulatório, quem faz as leis, e para os produtores, porque nós não produzimos animais, mas alimento, por isso temos a responsabilidade de produzir algo que seja saudável e não traga riscos para o consumidor”, afirma. De acordo com ele, essa discussão é sempre importante, porque o consumidor não vai ao supermercado comprar um suíno, mas sim comprar carne.
Compartilhar Experiências
Para Lis Alban, do Conselho Dinamarquês de Agricultura e Alimentação, o Safepork é um lugar onde as pessoas estão abertas para dividir as experiências que tiveram, tanto em problemas como em soluções na produção da carne suína. “As pessoas que vêm nesse evento compartilham informações e estão preocupadas com o suíno, a carne suína e a segurança alimentar. É uma comunidade que discute estes três importantes aspectos”, comenta. Para ela, com as discussões que acontecem no evento, é possível que pesquisadores, órgãos oficiais e a própria indústria mudem o rumo de trabalhos que estão realizando, porque com uma percepção diferente e com o networking que acontece, as pessoas passam a saber quem pode ajudar e o que outros lugares estão fazendo com este tema em específico. “Esse entendimento é importante, até mesmo para as barreiras comerciais, porque quando conseguimos compreender porque um país age de tal forma, conseguimos derrubar algumas barreiras e facilitar o comércio internacional. Isso é importante para toda a sociedade”, afirma.
De acordo com muitos envolvidos na cadeia, esta é a conferência mais importante do mundo quando o assunto é carne suína e segurança alimentar. A doutora Diana Meemken, da Universidade Martinho Lutero de Halle-Wittenberg e do Instituto de Ciências Agrícolas e Nutricionais alemão, concorda com esta afirmação. “Em primeiro lugar podemos citar a questão científica, temos resultados de pesquisas que são apresentados e trocados. Há ainda o relacionamento internacional, que se eu não participasse, não teria com muitos colegas. Além disso, este evento conta também com a participação da indústria, que também é uma chave importante do setor. E eu sou bastante interessada em saber o que está acontecendo, o que os países estão discutindo e pesquisando. Então, neste congresso temos diversas discussões em que o foco final é a qualidade da carne, diferente de outros que trabalham somente a saúde do animal”, diz.
Entre os interessados no Safepork, além de pesquisadores e órgãos oficiais, também estão os produtores. Maurício Fernandez, presidente da Associação de Produtores do Chile, comenta que é muito importante participar de uma conferência como esta porque dela participam agentes de diversos países, que são mercado do Chile, e saber o que estão pensando e o que estão querendo. “Em geral, queremos saber todas as informações das tendências internacionais para informar aos nossos associados. Queremos saber quais são os pontos que precisamos investir mais. Um dos nossos objetivos como associação é informar ao nosso associado o que deve ser feito para atender a estes mercados, e aqui temos a oportunidade de ver, conversar e saber o que é preciso. No evento vemos qual a realidade do país que estamos atendendo e a dos que queremos atender”, conta.
Gonzalo Mena, produtor chileno e representante da Agrosuper, uma das principais empresas de proteína animal do Chile, afirma que o Safepork é a única conferência no mundo que reúne todos os representantes mundiais da proteína animal, e isso faz dele um evento fundamental para uma empresa exportadora como a que ele participa. “Aqui ficamos sabendo o que acontece e as tendências que existem no mundo. Este é a única conferência em que eu vou encontrar isso. Para nós é essencial escutar as tendências futuras dos assuntos relacionais à cadeia, como inspeção sanitária e agentes infecciosos”, diz. Outro ponto positivo destacado por Mena foi a troca de informações e o networking que acontece no evento. “Há profissionais e empresas de outros países com quem eu posso conversar, e assim saber o que está acontecendo no mundo para estar preparado para o que vier, porque 50% do que o Chile produz é exportado, e exportamos para todos os países que participam desse encontro, da Europa, Ásia e América. Por isso temos que saber o que está acontecendo nestes lugares, para sabermos como atender a estes mercados”, afirma.
Brasil
A chefe-geral da Embrapa Suínos e Aves, Janice Zanella, comenta que a importância de um evento como o Safepork vir para o Brasil é porque ele traz clareza do que deve ser feito no setor e conhecimento sobre diversos assuntos, já que são apresentadas pesquisas e resultados inéditos. “Acredito que o Brasil seja um país resiliente, porque apesar de todas as dificuldades que enfrentamos, nós conseguimos nos sair bem. Nós não estamos bem no agro porque temos sorte, mas sim porque somos competentes e conseguimos driblar e fazer o que for preciso para vencer os desafios. E é assim que devemos continuar”, pontua.
Ela destaca que este, diferente de outros eventos, é focado em um público específico, e isso pode ser notado no número menor de participantes se comparado a outros eventos do setor. “Mas as pessoas que participam são as que estão no dia a dia trabalhando com isso. Tanto a indústria, quando a universidade, institutos de pesquisa e órgãos governamentais; são pessoas do mundo todo que produzem e geram resultados, e isso é importante”, afirma. Para ela, a organização do evento no Brasil soube trazer as pessoas certas e atrair pesquisadores que estão produzindo resultados significantes para a área e compartilharam informações.
A segurança alimentar, que foi bastante discutida no evento também foi citada por Janice. “Temos que ficar sempre muito atentos para a segurança, porque é difícil ganhar um mercado, mais difícil ainda manter, mas para perder é muito fácil. E este evento soma muito para o Brasil, porque pessoas de fora vêm para cá e conhecem a nossa realidade. Aquele pesquisador que vendo o que é gerado no Brasil pode ser alguém que será consultado por um futuro comprador”, exemplifica. “Além do mais, o evento é positivo pelo fato de trazer informações sobre mercados que o Brasil ainda tenta conquistar”, interpreta.
Workshops
O Safepork contou ainda com dois workshops: um sobre modernização na inspeção de carne e outro sobre inovação na cadeia de carne suína, novas tecnologias em diagnóstico, dados e monitoramento. Em cada atividade, profissionais tiveram a oportunidade de mostrar resultados de pesquisas e apontar soluções para os problemas que estavam sendo discutidos.
Lis Alban, do Conselho Dinamarquês de Agricultura e Alimentação, que participou do primeiro workshop, comenta que a questão da modernização na inspeção precisa ser feita, porque a base da inspeção tradicional é de cem anos atrás, e isso ainda não mudou, mas o sistema de produção sim. “O objetivo é modernizar. Por exemplo, o Brasil, tem diferentes populações de suínos e com alta tecnologia, por conta disso, a inspeção também precisa acompanhar essa evolução tecnológica que ocorreu”, comenta. De acordo com Lis, é preciso uma certa harmonização entre os países, porque alguns já estão na frente quanto a esta modernização, mas alguns estão apenas começando. “A discussão deste workshop foi justamente isso; mostrar onde cada país está e um tentar ajudar o outro para que todos consigam evoluir”, comenta. Ela conta que outro ponto abordado foi sobre o feedback feito dos resultados da inspeção para os produtores. “Com esta informação, os produtores podem trabalhar em cima disso. Por exemplo, na Holanda existe um banco de dados de quanto custa cada doença, e o produtor consegue ver claramente quanto ele está perdendo e quanto poderia ganhar se aquela doença não estivesse na propriedade”, conta. Para ela, melhorar o feedback do resultado da inspeção para os produtores também é importante para avançar nas questões de inspeção.
Já no workshop sobre inovação na cadeia, novas tecnologias em diagnóstico, dados e monitoramento, a doutora Diana Meemken, conta que o objetivo principal foi identificar lacunas que existem na cadeia de produção inteira, desde à fábrica de ração, granjas e abatedouros, até chegar ao consumidor, e com isso tentar discutir soluções para preencher essas lacunas de problemas. “Nós diagnosticamos que de um lado há soluções que estão prontas, e se todos colocassem em prática daríamos um passo à frente, mas há algumas soluções que ainda existem espaço e que, neste caso, é uma oportunidade de pesquisa e trabalho para criar uma solução para isso”, comenta.
Ela conta que de toda a discussão, dois pontos principais, que seriam possíveis soluções, foram levantados: do sistema de big date, que são plataformas de dados, onde é possível colocar informações de forma automatizada e todos podem acessar. “Essa plataforma vai servir para conectar todos os elos da cadeia, trocar informações e todos terem acesso a informações que precisam, além de ter um feedback melhor do consumidor para os produtores”, conta. De acordo com Diana, isso melhora o sistema de diagnóstico, e quanto mais precisão, melhor as ações e o feedback, e tudo isso aumenta a confiança do consumidor. “Assim temos um sistema mais transparente, onde o consumidor consegue ver melhor”, diz.
O segundo ponto destacado no workshop foi a possibilidade de ter um sistema de identificação individual acoplado às tecnologias que já existam, que consiga identificar problemas nos animais. “Todas as informações serão armazenadas nessa plataforma, e que no final, será um recurso para a melhor tomada de decisões. Claro que isso será interpretado por um médico veterinário, o sistema não vai dispensar os serviços”, comenta.
Ela conta que somente o que não foi possível encontrar uma solução durante o workshop foi de como influenciar a grande mídia a favor da cadeia de produção. “A mídia se apega mais às questões negativas, que acontecem em uma escala muito inferior do que representa toda a produção de alimentos. E isso pode inviabilizar um investimento muito grande”, diz. De acordo com Diana, se sabe que quando há um maior sentimento de confiança, isso chega ao consumidor. “Não conseguimos identificar o que fazer para evitar que o alimento seja tratado como um perigo, em uma escala maior do que realmente representa”, conta.
Em 2019
O Safepork tradicionalmente acontece a cada dois anos. Agora, a próxima edição será em 2019 na cidade de Berlim, na Alemanha. A presidente da Comissão Organizadora da próxima edição, doutora Diana Meemken, comenta que a cidade de Berlim foi escolhida para o próximo evento por ser um lugar bonito, mas também por todo contexto histórico que existe lá. Diana conta que o diferencial para 2019 é que a Comissão Organizadora irá envolver também nas discussões alguns pesquisadores da área humana. “É algo distinto que queremos implementar. Queremos eles junto com o pessoal da produção de alimentos para ter uma característica mais interdisciplinar nas discussões. Claro que a programação será de maior interesse para a cadeia de produção de carne suína, mas pretendemos convidar essas pessoas da área humana para conseguirmos ter uma maior multidisciplinaridade nas nossas discussões”, conta.
Mais informações você encontra na edição de Suínos e Peixes de outubro/novembro de 2017 ou online.
Fonte: O Presente Rural

Suínos
Mercado do suíno vivo segue firme, com ajustes pontuais nas cotações
Dados do Cepea indicam variações discretas no início do mês, sem mudanças expressivas nas principais regiões produtoras.

O Indicador do Suíno Vivo Cepea/Esalq, divulgado pelo Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada, apresentou estabilidade em parte das praças e leves altas em outras nesta segunda-feira (02).
Em Minas Gerais (posto), a cotação ficou em R$ 6,76/kg, sem variação no dia nem no mês. Em Santa Catarina (a retirar), o valor foi de R$ 6,51/kg, também estável.
Já no Paraná (a retirar), o preço atingiu R$ 6,60/kg, com alta de 0,15% no dia e no acumulado do mês. No Rio Grande do Sul (a retirar), a cotação ficou em R$ 6,74/kg, com avanço de 0,15%. Em São Paulo (posto), o indicador registrou R$ 6,91/kg, elevação de 0,14%.
Os dados têm como base levantamento do Cepea.
Suínos
Carne suína encontra espaço para reposicionamento diante do consumidor híbrido
Para a Associação Brasileira de Criadores de Suínos, comunicação segmentada, conteúdo digital e valorização do perfil nutricional da proteína são caminhos para fortalecer a conexão com o novo comprador.

O consumidor brasileiro entra em 2026 vivendo uma combinação inédita de sofisticação digital, pressão econômica e forte carga emocional nas decisões de compra, é o que revela o novo relatório “O Consumidor Brasileiro em 2026”, da MiQ, uma empresa global de tecnologia especializada em publicidade e inteligência de dados. A Associação Brasileira de Criadores de Suínos (ABCS) entende a importância de acompanhar as novas tendências de consumo, além de compartilhar esses aprendizados com toda a cadeia de produção, já que o novo perfil de consumo no país revela um comprador atento, comparativo e cada vez menos tolerante a atritos, alguém que decide com a mente, o bolso e o sentimento ao mesmo tempo, tornando-se essencial adequar a carne suína a este novo contexto. Veja os destaques da pesquisa!
Hiperconectividade e decisão de compra
Dados reunidos pela MiQ mostram que 74% das decisões de compra começam no smartphone, mesmo quando a transação final acontece no ambiente físico. O celular deixou de ser apenas um canal de acesso e passou a atuar como assistente pessoal, comparador de preços, carteira digital e principal mediador da jornada de consumo no Brasil. Não por acaso, o país se consolida como o ecossistema digital mais avançado da América Latina.
A pressão inflacionária e o cenário econômico instável mudaram a lógica de priorização de gastos. Segundo o levantamento, 72% dos consumidores latino-americanos comparam preços em pelo menos duas plataformas antes de comprar, e mais da metade afirma ter reorganizado seus hábitos de consumo nos últimos 12 meses. No Brasil, essa racionalidade não elimina o impulso, mas o torna mais calculado: promoções, cashback, pontos e benefícios imediatos funcionam como gatilhos decisivos.
Ao mesmo tempo, o entretenimento ocupa um papel central no comportamento do consumidor. Plataformas como YouTube, TikTok e Instagram deixaram de ser apenas espaços de lazer e passaram a moldar a descoberta, a validação e a decisão de compra. Seis em cada dez compras digitais na América Latina começam em uma rede social, e no Brasil o consumo de vídeo por hora é o mais alto da região. O conteúdo, especialmente em vídeo, tornou-se a principal ponte entre marcas e consumidores.
Esse movimento também redefine a confiança. A pesquisa mostra que o consumidor brasileiro de 2026 é desconfiado e exige provas reais. Avaliações, tutoriais, vídeos explicativos e recomendações de criadores têm mais peso do que a publicidade tradicional. A reputação da marca, a clareza das informações e a fluidez da experiência são fatores tão importantes quanto o preço.
Rapidez e personalização
Outro traço marcante é a intolerância ao atrito. Checkouts longos, processos confusos, falta de transparência ou opções limitadas de pagamento afastam o consumidor imediatamente. A popularização do PIX, utilizado semanalmente por mais de 80% dos brasileiros, elevou o padrão de expectativa por rapidez e simplicidade. Em um contexto de incerteza, reduzir o esforço tornou-se tão valioso quanto reduzir o custo.
O Brasil também se destaca pelo apetite por experiências personalizadas, desde que acompanhadas de práticas claras de privacidade. O consumidor quer relevância, mas exige controle e transparência no uso de seus dados. Esse equilíbrio entre personalização e confiança será decisivo para marcas que desejam manter competitividade.
Em síntese, o consumidor brasileiro que chega a 2026 é híbrido: impulsivo e estratégico, emocional e racional, exigente e aberto à experimentação. A gerente de marketing da ABCS, Danielle Sousa, explica que o consumidor transita entre o físico e o digital com naturalidade, consome entretenimento como parte da rotina e espera que as marcas entendam seu contexto, respeitem seu tempo e entreguem valor imediato.
“Diante desse novo consumidor que é estratégico, digital e exigente, carne suína encontra uma grande oportunidade de reposicionamento. A personalização pode acontecer desde a comunicação segmentada nas redes sociais até a oferta de cortes, porções e receitas adaptadas a diferentes perfis e momentos de consumo”, explica ela, que também destaca o potencial nutricional da proteína suína. “O alto teor de proteína, vitaminas do complexo B e excelente relação custo-benefício dialogam diretamente com quem busca saúde, praticidade e inteligência financeira na hora da compra. Iniciativas digitais como o @maiscarnesuina já exemplificam esse movimento, ao levar conteúdo relevante e informativo ao público, fortalecendo a conexão entre produto, confiança e decisão de compra.”
Suínos
Paraná consolida liderança na exportação de suínos de raça; colheita de soja alcança 37%
Em 2025, o Paraná foi responsável por 62,1% da receita nacional de exportação de suínos de alto valor genético (US$ 1,087 milhão), tendo o Paraguai como o principal destino desse material.

O Departamento de Economia Rural (Deral), da Secretaria da Agricultura e do Abastecimento (Seab), divulgou nesta quinta-feira (26) o Boletim Conjuntural com dados atualizados da última semana de fevereiro. Nos assuntos em destaque, o levantamento aponta que o Paraná consolidou sua posição, entre os estados brasileiros, como o maior exportador de suínos reprodutores de raça pura.
Em 2025, o Paraná foi responsável por 62,1% da receita nacional de exportação de suínos de alto valor genético (US$ 1,087 milhão), tendo o Paraguai como o principal destino desse material. Esse desempenho reforça a sanidade e o padrão tecnológico do rebanho paranaense, que atende mercados como Argentina, Uruguai e Bolívia. “Essa escolha pelo Paraná mostra, mais uma vez, que o Estado tem genética de ponta e sanidade do rebanho”, destaca a médica veterinária e analista do Deral, Priscila Marcenovicz.

Fotos: Geraldo Bubniak/AEN
Ainda dentro da área da pecuária, o boletim destaca as exportações de carne bovina brasileira, que atingiram 258,94 mil toneladas, um aumento de mais de 25% em comparação ao mesmo mês do ano passado.
Há uma preocupação com a cota de importação chinesa, estabelecida em 1,1 milhão de toneladas. Só em janeiro, mais de 10% dessa cota já foi utilizada, o que pode causar variações no preço ao longo do ano. Mas outros mercados importantes continuam aumentando as aquisições de carne brasileira. No mercado interno, a maioria dos cortes bovinos pesquisados pelo Deral subiu de preço, com destaque para o filé mignon, que acumula alta de 17% em um ano.
Na avicultura de corte, o cenário é de margens positivas para o produtor paranaense. O custo de produção do frango vivo encerrou 2025 em R$ 4,65/kg, uma queda de 2,9% em relação ao ano anterior, impulsionada principalmente pelo recuo nos preços da ração (-8,92%). No fechamento do ano, o preço médio recebido pelo produtor (R$ 4,92/kg) ficou 4,2% acima do custo médio anual, preservando a rentabilidade em um setor que lidera as exportações de carne no Brasil.
Safra

O boletim trata ainda dos números da estimativa de safra, com base no relatório de Previsão de Safra Subjetiva, que tem como destaque a atualização da área de plantio do milho.
No setor de grãos, a soja caminha para uma colheita robusta, mantendo a estimativa de 22,12 milhões de toneladas para o ciclo 2025/26. Até o momento, os trabalhos de campo atingiram 37% dos 5,77 milhões de hectares plantados, um ritmo considerado dentro da normalidade histórica. A manutenção da projeção traz segurança ao setor produtivo, embora o avanço da colheita da oleaginosa seja monitorado de perto, já que dita o ritmo de plantio do milho segunda safra e ajuda a mitigar riscos climáticos na janela de semeadura.
O milho também desempenha papel central no balanço mensal, com previsão de alcançar 21,1 milhões de toneladas no somatório das duas safras. A primeira safra já está com 42% da área colhida, enquanto o plantio da segunda safra atingiu 45% dos 2,86 milhões de hectares previstos. A ampla área destinada ao cereal no segundo ciclo sustenta a perspectiva de produção elevada, garantindo o suprimento para a cadeia de proteína animal, apesar da concorrência direta com a soja pelo cronograma de uso das áreas agrícolas.

Foto: Jaelson Lucas / AEN
Para o analista do Deral, Edmar Gervasio, o momento é bom. “Estamos tendo uma recuperação de área de plantio. Comparando com o período anterior, tivemos uma alta de mais de 20% em termos de área. Há muito tempo não se via um ganho de área na primeira safra porque a soja sempre é a principal cultura no primeiro ciclo de verão. Nesse ano, teve uma inversão. O milho ganhou espaço, principalmente, na primeira safra. E a produtividade tem sido muito boa. Devemos colher em torno de 3,6 milhões de toneladas na primeira safra e esse número pode melhorar”, disse.
Em contraste com a estabilidade da soja, a cultura do feijão acende um alerta devido à forte redução de área. O levantamento de fevereiro aponta uma retração na área da segunda safra em relação ao ano anterior. Segundo Carlos Hugo Godinho, engenheiro agrônomo e analista do Deral, a redução é um movimento de cautela do produtor, que busca culturas com custos de manejo mais previsíveis neste momento.
“Para quem produz, o cenário é de preços firmes, o que pode compensar o menor volume colhido. Já para o consumidor, mesmo com oscilação de preços a subida tem ocorrido de forma gradual e o varejo ainda possui estoques que amortecem o repasse imediato. A recomendação é que o consumidor pesquise, pois o feijão preto, por exemplo, ainda apresenta valores bem mais acessíveis que no mesmo período do ano passado”, diz.
