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José Zeferino Pedrozo Opinião

Protagonismo da agricultura

Agricultura catarinense notabilizou-se no Brasil e no Mundo pela sua eficiência produtiva e pela sua sustentabilidade

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Artigo escrito por José Zeferino Pedrozo, presidente da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de SC (Faesc) e do Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar/SC)

A agricultura catarinense notabilizou-se no Brasil e no Mundo pela sua eficiência produtiva e pela sua sustentabilidade. Os produtos de natureza vegetal, animal e mineral aqui produzidos são consumidos em todo o País e chegam a todos os continentes gerando divisas para o Brasil, sustentando milhares de empregos e produzindo riquezas econômicas.

No plano interno, a agricultura é a guardiã da segurança alimentar da Nação, prestando um serviço inestimável que coloca o Brasil entre os países com maior grau de confiabilidade no compromisso de fornecer alimentos em qualidade e volume suficientes em todas as fases do ano.

Na pandemia que assola a humanidade desde o início de 2020 o compromisso de garantir o abastecimento ininterrupto da população ganhou nova dimensão.  Enquanto o País e o Mundo aprendiam a lidar com a crise sanitária e grande parte das atividades laborais e empresariais eram paralisadas, os produtores e empresários rurais mantinham a atividade – colocando em risco a própria saúde – para que a comida não faltasse na mesa dos brasileiros.

Ao lado dos profissionais da saúde e da segurança pública, os produtores rurais foram essenciais para que não faltassem alimentos, situação que agregaria pânico a um quadro já agravado pela disseminação da covid-19 e pelo número de vidas humanas ceifadas.

Apesar desse esforço heróico, as grandes questões que envolvem o multifacetado universo da agricultura não cessaram, exigindo da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de Santa Catarina (FAESC) e demais entidades de representação, efetiva atuação em defesa do setor. Crédito rural, assistência técnica, adequação de legislação, redução de impostos, infraestruturação do campo com energia elétrica, estradas e internet – entre outros temas – foram objeto de atuação da Federação em diferentes áreas e esferas de Governo.

Em 2022 a agricultura catarinense prosseguirá cumprindo seu compromisso de alimentar o País, enfrentando, como sempre enfrentou, desafios de toda ordem, que caracterizam a complexidade do setor primário da economia barriga-verde: a deficiência de infraestrutura, especialmente as más condições das rodovias, o excesso de burocracia, a legislação extensa e engessadora, o encarecimento do crédito e dos insumos, as intempéries, as dificuldades mercadológicas, entre outros.

O agronegócio continuará sendo a locomotiva da economia brasileira. O Ministério da Agricultura prevê que o valor bruto da produção (VBP) agropecuária do Brasil (da porteira para dentro) somará R$ 1,1 trilhão em 2021, ou seja,  53,4% mais que em 2011 (R$ 701,54 bilhões). Esse crescimento sem precedentes é estribado em um gigante mercado doméstico – com grande capacidade de absorção, apesar do desemprego e da queda de renda da população – e potencializado por exportações que superam US$ 100 bilhões por ano e chegam a todos os continentes, tendo atualmente a China como principal destino.

Para fortalecer ainda mais o setor, o agro adere de forma crescente e inexorável à doutrina ESG (ambiental, social e governança) e agrega, de forma contínua, novas ferramentas tecnológicas e inovações digitais que permitem monitorar clima, aplicação de insumos, desenvolvimento de lavouras, comportamento de animais, entre muitas outras aplicações.

Essas são as faces de uma agricultura moderna, sustentável, inovadora que produziu uma mudança importante: a sociedade brasileira passou a reconhecer o papel essencial, indispensável, vital, estratégico e único da agricultura catarinense e brasileira.

Fonte: Assessoria
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José Zeferino Pedrozo Opinião

O produtor rural é um forte

Presidente da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de SC (Faesc) e do Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar/SC)

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José Zeferino Pedrozo / Divulgação

O setor primário, com destaque para a agricultura e as atividades extrativas, tem sido nos últimos anos a locomotiva da economia brasileira. Há um protagonista nesse universo que merece todos os registros: o produtor rural, para quem é consagrado, em sua homenagem, o dia 28 de julho.

Dedicado especialmente às atividades agrícolas e pecuárias, o produtor rural tornou-se o principal agente econômico do setor rural porque está na base de todas as cadeias produtivas fulcradas no agro. Na produção de cereais, na pecuária intensiva, no reflorestamento, na silvicultura ou na fruticultura, o produtor rural coloca em prática uma lei da economia, segundo a qual, a riqueza original se tira da terra.

O produtor rural tornou-se o destinatário de intensos e permanentes investimentos das agroindústrias, das cooperativas e, notadamente, do Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar). Em face disso, ampliou conhecimento, incorporou tecnologia, aperfeiçoou processos, elevou a produtividade e aumentou a produção. O treinamento, a qualificação e a requalificação foram além da formação profissional rural. O produtor rural tornou-se empresário e, a propriedade rural, uma empresa preparada para os desafios do mercado.

Dois aspectos merecem destaque. Na dimensão ambiental, o produtor moderno consolidou o papel de protetor ambiental. Essa constatação resulta do simples fato de que proteger os recursos naturais e utilizá-los de forma racional e sustentável é condição sine qua nom para a perpetuação da atividade. A agricultura de rapina é coisa do passado. O produtor rural contemporâneo é antes de tudo um gestor de fatores da produção, orientado para resultados, mas com responsabilidade.

Na dimensão econômica, o produtor rural oferece uma extraordinária contribuição ao desenvolvimento dos municípios e das comunidades onde atua. As notas fiscais rurais emitidas na venda da produção originada do campo, das lavouras e dos criatórios entram em sua totalidade no levantamento anual do movimento econômico de cada município e, assim, influem diretamente na definição do índice de retorno do ICMS. Na maioria dos municípios catarinenses o setor rural presta a maior parcela de contribuição para a formação das receitas do erário público. O movimento de um aviário, por exemplo, gera mais retorno de ICMS do que uma pequena empresa urbana.

Na agricultura estável e evoluída como a que se pratica em Santa Catarina o desmatamento, a poluição de rios e a degradação dos solos são práticas superadas. Décadas de assistência do serviço de extensão rural (do governo e das agroindústrias) e de esforços continuados de capacitação (sobretudo do sistema S: Senar, Sescoop e Sebrae) permitiram o surgimento de uma geração de produtores-empreendedores sintonizados com os novos tempos.

Importante reconhecer que produtor e agroindústria caminharam lado a lado nessa jornada de modernização e aperfeiçoamento, em grande parte para atender exigências do mercado internacional. A crescente presença de produtos primários do Brasil em cobiçados mercados mundiais foi conquistada, além de critérios de preço e qualidade, pelo cumprimento de exigências como defesa ambiental, bem-estar animal, combate ao trabalho infantil e ao trabalho em condições degradantes e cumprimento de normas e diretrizes de tratados dos quais o Brasil é signatário.

Conhecida como indústria a céu aberto, a agricultura enfrenta cotidianamente desafios assustadores como intempéries, ameaças sanitárias, crises mercadológicas, conflitos internacionais, escassez de insumos, choques cambiais, instabilidades políticas. Enfim, atuar nessa área não é para os fracos. Portanto, há muito que comemorar no dia dedicado ao produtor rural, 28 de julho.

Fonte: Assessoria
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A culpa não é do produtor rural

Historicamente, a mesa dos brasileiros é farta porque a agricultura nacional produz com eficiência, qualidade, sustentabilidade e preços acessíveis. Quando esse quadro muda, não há ganho nem culpa para o produtor rural. Somente prejuízo.

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José Zeferino Pedrozo, presidente da Faesc e do Senar/SC - Foto: Divulgação

O Brasil é pródigo na produção de alimentos. As exportações brasileiras alimentam cerca de 1,5 bilhão de habitantes. Nosso protagonismo no mundo será gradativamente ampliado porque somos reconhecidos como a grande potência alimentar do Planeta. Se dependesse somente dos produtores rurais, a população brasileira teria a alimentação mais barata do globo. O produtor determina o padrão de qualidade de seus produtos, porque isso depende diretamente de fatores que estão sob seu controle. Entretanto, não define o preço final ao consumidor porque sobre ele agem variáveis imprevisíveis e incontroláveis como custos, clima, mercado etc.

Nesse momento as cadeias produtivas de carnes, grãos, lácteos e hortigranjeiros, entre outras, estão impactadas pelo aumento generalizado de custos diretos, como energia elétrica, gás, combustíveis, embalagens, matérias-primas, mão de obra e outros insumos. O custo da nutrição dos animais, por exemplo, explodiu em face da escassez de milho e farelo de soja no mercado, caracterizando o pior choque de oferta desde 1990.

A volta do processo inflacionário – sintoma de falta de higidez na economia – afeta a vida de quem produz e de quem consome. É um mal que precisa ser atacado com todas as armas que a gestão macroeconômica dispõe antes que fuja ao controle e gere uma situação de estagflação. Esse cancro o brasileiro conhece e sabe seus deletérios efeitos. Em consequência desse quadro, os produtores estão trabalhando com margens negativas e muitos estão sendo forçados a reduzir a produção para diminuir o prejuízo. O governo central está aplicando os remédios ortodoxos, como o aumento da taxa de juros, a isenção das importações dos produtos com maior alta de preços, entre outros.

O caso do leite merece atenção especial. A cadeia de lácteos em Santa Catarina é uma das mais eficientes e produtivas do País. Nas últimas décadas, o Senar, Epagri, Sebrae, as cooperativas agropecuárias e o Ministério da Agricultura fizeram contínuos e consistentes investimentos na profissionalização dos pecuaristas, na modernização da gestão das propriedades rurais, no aprimoramento genético dos rebanhos, na adequação da nutrição animal e na melhoria geral de manejo. Nesse esforço de qualificação destaca-se a assistência técnica e gerencial na área da bovinocultura leiteira. Os resultados se manifestaram na elevação da qualidade e no aumento da produção.

Uma distorção tributária – alegada pelos Laticínios e negada pela Fazenda Estadual – vem retirando a competitividade da indústria catarinense em relação, por exemplo, ao leite de origem sul-rio-grandense que ingressa em território catarinense. A comercialização do leite gaúcho gera maior crédito de ICMS do que o leite catarinense, levando as empresas atacadistas e varejistas (supermercados) a preterirem o produto local em favor do produto importado. Essa distorção chegou a ser corrigida pela Assembleia Legislativa, mas foi vetada pelo Governador e seu veto, posteriormente, mantido pelos deputados. Ou seja, o esforço foi inútil.

É fundamental neste momento em que a população está pagando mais caro pelos alimentos compreender que os aspectos determinantes desse encarecimento não estão centrados no produtor, mas em fatores macroeconômicos dos quais os próprios produtores são agentes passivos. Historicamente, a mesa dos brasileiros é farta porque a agricultura nacional produz com eficiência, qualidade, sustentabilidade e preços acessíveis. Quando esse quadro muda, não há ganho nem culpa para o produtor rural. Somente prejuízo.

Fonte: Por José Zeferino Pedrozo, presidente da Faesc e do Senar/SC
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A guerra e os insumos agrícolas

Uma potência agrícola planetária, com crescentes índices de produção e produtividade, o Brasil obtém no exterior mais de 80% dos fertilizantes que necessita.

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Algumas crises oportunizam novos ângulos para a análise da realidade. É o caso da crise humanitária, ambiental, econômica, política e militar provocada pela guerra entre Rússia e Ucrânia. Por meio dela revelou-se a extrema e perigosa dependência de outros países que o Brasil tem no suprimento de insumos agrícolas, especialmente de fertilizante.

Uma potência agrícola planetária, com crescentes índices de produção e produtividade, o Brasil obtém no exterior mais de 80% dos fertilizantes que necessita. Os principais nutrientes aplicados no país são potássio 38%, cálcio 33%, nitrogênio 29%. A cultura da soja demanda mais de 40% dos fertilizantes aplicados. O Brasil importa 9 milhões de toneladas de insumos por ano e é o quarto consumidor mundial de fertilizantes, atrás de China, Índia e EUA.

O país é dependente das importações, porém tem todas as matérias-primas para produzir, como gás natural, rochas fosfáticas e potássicas e micronutrientes. As reservas de potássio estão localizadas em Sergipe e no Amazonas. O País, porém, nunca foi competitivo na produção de fertilizantes, mas também nunca priorizou a produção desse importante insumo para a agricultura nacional.

No atual cenário, a escalada dos preços dos insumos – cada vez mais escassos no mundo – tornou-se avassaladora. A ureia aumentou 300% no ano passado. O fosfato aumentou 100%, de US$ 400 para US$ 800 a tonelada e o potássio encareceu 170% e passou de US$ 290 a US$ 780 a tonelada. A ureia é feita de gás de petróleo. Rússia suspendeu a produção para abastecer a Europa com gás. Por outro lado, o cloreto de potássio de Belarus não está sendo exportado em razão da guerra, pois a Lituânia trancou o acesso ao seu porto dos produtos daquele país.

Para a safra de verão, em preparação, os produtores já têm o fertilizante necessário, mas em setembro, no plantio da safrinha, serão necessárias grandes quantidades. É previsível que os produtores rurais usem menos fertilizantes na próxima safra, condição que se refletirá em menor produtividade. Então, temos quase cinco meses para equacionar essa questão.

As fábricas não pararam nos países produtores, portanto, o maior desafio será efetivamente de logística em razão da guerra –  navegação marítima restrita, portos fechados, sanções em curso etc. Além da falta de navios, as rotas internacionais tornaram-se perigosas para a navegação e o banimento da Rússia do sistema bancário internacional cria insegurança sobre o pagamento das transações internacionais.

O impacto desses movimentos continentais chega a Santa Catarina que necessita, anualmente, cerca de 500 mil toneladas de fertilizantes para preparar o plantio de 1,4 milhão de hectares de lavouras. As culturas que mais necessitam de fertilizantes são soja, arroz, trigo e milho, além de frutas e hortigranjeiros.

Nesse preocupante panorama é muito positivo o anúncio do Ministério da Agricultura sobre a criação do Plano Nacional de Fertilizantes. O primeiro desafio é provar que o Brasil pode ser mais competitivo. Precisamos buscar a autossuficiência nessa área porque os fornecedores mundiais são poucos. O Brasil importa 25% dos fertilizantes russos, mas pode buscar outros fornecedores como China, Canadá, Israel, países africanos.

O Plano Nacional de Fertilizantes precisa encontrar um caminho para as necessidades da agricultura brasileira. Nesse aspecto é encorajador constatar que o Ministério da Agricultura negocia ureia com o Irã e a ministra Tereza Cristina, da Agricultura, vai ao Canadá atrás de cloreto de potássio.

Mas o conflito também perturba os mercados de cereais e petróleo – commoditties que têm forte impacto no setor primário da economia. A Ucrânia é quarta exportadora de milho e produtora de trigo. Com ela fora do mercado em razão do conflito haverá menos milho no mercado mundial. Esse grão é essencial para a nutrição animal e com sua escassez ficará mais caro ainda para transformá-lo em proteína animal. Os criadores de aves e suínos e as indústrias de processamento da carne terão, portanto, forte aumento de custos.

O mercado do trigo também piora porque a Rússia é maior produtor e exportador mundial. O Brasil consome 12 milhões de toneladas das quais importa 6 milhões, boa parte da Argentina, principal fornecedora. O país vizinho já registra grande procura e os preços estão em viés de alta.

Por outro lado, a movimentação das máquinas e equipamentos agrícolas requer diesel, subproduto do petróleo, que teve a cotação do barril majorada de US$ 80 para US$ 120 nos últimos três meses. Outro fator perturbador é o transporte marítimo que registra aumento do frete e a falta de navios, como resultado do fechamento de portos e restrição da navegação no leste europeu.

A agricultura catarinense já está sofrendo os reflexos da guerra porque o comércio está globalizado e os efeitos são sentidos em todas as regiões do planeta. Os custos de produção aumentarão e o preço dos alimentos inexoravelmente subirá, prejudicando os consumidores. Como vimos, o conflito produz múltiplos efeitos, tendo como consequência mais nociva a escassez geral de insumos para a produção agrícola e aumento do preço dos alimentos para o consumidor final em Santa Catarina e no Brasil.

Fonte: Por José Zeferino Pedrozo, presidente do Sistema Faesc/Senar-SC
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