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PronaSolos entrega maior plataforma tecnológica do País sobre solos brasileiros
O principal ganho para a sociedade é ter acesso a esse acervo em um único local, de forma organizada, sistematizada e amigável

Já está disponível para a sociedade a plataforma tecnológica do Programa Nacional de Levantamento e Interpretação de Solos no Brasil (PronaSolos), que reúne em sua versão 1.0, por meio de um sistema de informações geográficas (SigWeb), mapas e dados de solos produzidos ao longo dos últimos 80 anos pelo Serviço Geológico do Brasil (CPRM), pela Embrapa e pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), órgãos estaduais e regionais e universidades. O lançamento oficial foi feito pela ministra da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Tereza Cristina, no dia 3 de dezembro.
A criação da plataforma apoia o cumprimento das recomendações do acórdão 1914/2015, do Tribunal de Contas da União (TCU), que determinou ao Governo Federal que promovesse o levantamento e a disponibilização de informações adequadas sobre solos no Brasil, o que acabou dando origem ao PronaSolos. Uma das recomendações era justamente a organização e sistematização de dados de levantamento de solos do Brasil realizados por diferentes instituições em um sistema de informação de acesso público, com facilidade de interpretação, extração e exportação de dados para outros sistemas.
“Essa é a primeira entrega do PronaSolos que atinge a sociedade em geral. Com o lançamento do site e da plataforma tecnológica do programa, tem início o funcionamento do Sistema Nacional de Informação de Solos, conforme solicitado pelo TCU e previsto no decreto que criou o PronaSolos”, diz José Carlos Polidoro, pesquisador da Embrapa Solos (RJ) e coordenador do comitê executivo do programa.
“O principal ganho para a sociedade é o de ter acesso ao acervo de estudos de mapeamentos de solos do Brasil e de perfis de solos, em um único local, de forma organizada e sistematizada. Adicionalmente, a ferramenta do SigWeb possibilita a combinação de forma fácil e ágil desses dados e informações, por meio de mapas”, explica Silvio Bhering, pesquisador da Embrapa Solos e coordenador do portfólio de projetos de Solos do Brasil da Empresa.

SigWeb: a geografia do Brasil na sua tela
De acordo com o pesquisador, a versão 1.0 da plataforma engloba o portal de dados – que disponibiliza, por meio do sistema SigWeb, os diferentes mapeamentos de solos e outros temas básicos, como atlas hidrogeológicos, geodiversidade etc.; e o portal do conhecimento, integrado ao SigWeb, que oferece diversas interpretações realizadas com base nos mapas de solos, como os zoneamentos dos mais diferentes fins – agroecológico, pedoclimático, potencial pedológico, aptidão agrícola, disponibilidade hídrica, mapa de teor de carbono, mapa de pH do solo, mapa de condutividade elétrica, suscetibilidade à erosão hídrica etc.
Ao abrir um mapa qualquer, é possível acionar uma série de planos de informação para visualizá-los em conjunto, entre eles biomas, bacias hidrográficas, hidrovias e rodovias. Essa funcionalidade é bastante útil quando se pretende cruzar informações, como por exemplo, verificar a suscetibilidade à erosão hídrica em regiões de um determinado bioma, ou constatar as rodovias e hidrovias disponíveis em determinadas regiões produtivas.
“Nessa primeira etapa o foco foi agregar em um mesmo ambiente computacional dados e informações gerados ao longo das últimas seis décadas, com métodos e técnicas distintas, desde os processos de coleta e determinação analítica até o registro da distribuição e ocorrência dos solos do Brasil em mapas. Essa estratégia nos obriga a alertar para possíveis inconsistências ao visualizarmos em conjunto, em um mesmo ambiente de sistema de informação geográfica (SIG), dados e informações tão diversos e calcados em técnicas e processos distintos”, alerta Hiran Silva Dias, chefe de divisão de geoprocessamento da CPRM.
Os pesquisadores também ressaltam que a primeira versão da plataforma SigWeb exige algumas habilidades técnicas para utilização, e por isso deve ser mais utilizada por técnicos, pesquisadores e tomadores de decisão. Ao longo do tempo, com o trabalho de simplificação de linguagem e ajustes na integração dos dados de diferentes bases, as informações serão mais acessíveis ao público leigo.
Entre as funcionalidades da plataforma também estão: a possibilidade de incorporação dos mapas ao Google Earth; a impressão e o compartilhamento nas mídias sociais de áreas selecionadas pelo usuário de qualquer mapa disponível; e a inserção de dados particulares nos mapas disponíveis no SigWeb, entre outras.
Um dos principais objetivos do PronaSolos é a otimização de recursos públicos para a produção de dados sobre os solos brasileiros e a sua disponibilização à sociedade de maneira sistematizada. É nesse sentido que o IBGE terá um papel importante para o trabalho, em diversas vertentes. “Uma delas é o suporte da nossa base cartográfica às informações temáticas do programa. Também temos experiência em produção em larga escala de levantamentos nacionais, e finalizamos recentemente o mapa de solos do Brasil na escala de 1:250.000, que já consta, inclusive, na plataforma tecnológica recém-lançada. Temos, ainda, contribuições importantes para o Sistema Brasileiro de Classificação de Solos, em conjunto com a Embrapa e outras instituições”, ressalta Claudio Stenner, diretor de geociências do instituto.
A chefe-geral da Embrapa Solos, Petula Ponciano, lembra que o PronaSolos e os dados gerados pelo programa terão interface com várias políticas públicas. Por isso, serão necessárias inúmeras articulações para que os dados disponíveis sejam efetivamente utilizados. “O lançamento da plataforma tecnológica marca o início de uma grande ação de comunicação junto à sociedade, em parceria com a Sociedade Brasileira de Ciência do Solo (SBCS), universidades, empresas de extensão rural, a Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB), a Confederação Nacional de Agricultura (CNA) e o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar). O ano de 2021 será de muitas articulações para mostrar o potencial das ferramentas disponíveis e traçar estratégias para chegar ao produtor rural e a outros segmentos, como os de infraestrutura, de minas e energia e defesa.”
Plataforma traz produtos inéditos
A versão 1.0 da plataforma já disponibiliza muitas informações e mapas das bases de dados da Embrapa, do CPRM e do IBGE, alguns deles inéditos, e permite o cruzamento entre alguns desses produtos, a partir das seleções solicitadas pelo usuário.
É possível carregar na mesma imagem, por exemplo, o mapa nacional com todos os pontos de coleta de amostras de solos já registrados pela Embrapa e o mapa das classes de solo na escala de 1:250.000 do IBGE. A partir da efetiva execução do PronaSolos, com os trabalhos de campo previstos para as próximas décadas, o objetivo é aumentar consideravelmente os pontos de coleta e interpretação de solos, assim como ampliar o nível de detalhamento para obtenção de um mapa de classe de solos do Brasil na escala 1:100.000 ou mais detalhada.

Entre as entregas inéditas já disponíveis na plataforma SigWeb do PronaSolos estão o mapa de erodibilidade dos solos brasileiros, o mapa de erosividade, o mapa de suscetibilidade à erosão e o mapa de vulnerabilidade à erosão, desenvolvidos pela equipe da Embrapa Solos e que podem ser carregados em conjunto. Também é possível cruzar o mapa de estoque de carbono na escala de 1:5.000.000 com o mapa de domínios hidrogeológicos, selecionando a visualização por biomas específicos, o que pode trazer subsídios importantes, por exemplo, para as equipes que trabalham na execução do Plano ABC.
Também é novidade o mapa de aptidão agrícola do Matopiba, importante fronteira agrícola que compreende as regiões de cerrado do Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia, que pode ser carregado junto com o mapa de hidrogeologia da região, fornecendo indicações das áreas com maior impacto do uso de irrigação. Já o mapa de bacias hidrográficas pode ser utilizado, por exemplo, para estudos específicos das áreas ao redor das usinas hidrelétricas de Itaipu, no Mato Grosso do Sul, e Porto Primavera, no Paraná, trazendo subsídios estratégicos para o setor energético brasileiro.

A tecnologia por trás da plataforma
A plataforma SigWeb do PronaSolos foi construída a partir da infraestrutura da CPRM, utilizando um servidor de hiperconvergência Nutanix hospedado no centro de processamento de dados (data center) da Rede Nacional de Ensino e Pesquisa (RNP), em Brasília, com um link de 8 GB.
A visualização de mapas utiliza a plataforma da empresa ESRI para apresentação de dados vetoriais e imagem. Essa plataforma possui um conjunto de soluções para organização, publicação e manipulação de dados considerado de ponta. “Com ela foi possível acelerar a construção do SigWeb do PronaSolos e apresentar dados inéditos de uma forma moderna e amigável à população, que poderá consumir essas informações utilizando celulares, tablets ou computadores”, explica Hiran Dias.
A utilização da infraestrutura da CPRM foi possível graças à política de otimização de sua base tecnológica implementada nos últimos anos, por meio de uma transformação digital que permitiu contar com uma infraestrutura de tecnologia da informação robusta e de alto padrão instalada no data center da RNP.
As próximas etapas e os desafios para o futuro
O módulo de gestão e governança do PronaSolos, que será consolidado por meio de uma sala de situação e controle – ambientes físicos e computacional –, será desenvolvido ao longo de 2021. Assim como o módulo de ambiente de execução, que será responsável pelo desenvolvimento de ferramentas de análise integrada de dados e contemplará todos os aspectos operacionais, metodológicos e técnicos dos estudos de campo do PronaSolos.
“A plataforma tecnológica terá ou um moderno e sistemático ambiente de trabalho e execução do PronaSolos, que poderá oferecer ao Mapa um monitoramento não somente das ações do programa, mas também de todas as ações federais, estaduais e municipais, incluindo as iniciativas privadas, que envolvam conhecimento, uso e ocupação do solo e da água no Brasil. Esse ambiente será materializado numa sala de comando e controle operada por meio da plataforma tecnológica”, explica José Carlos Polidoro.
As próximas etapas do trabalho também envolvem outros grandes desafios, como a contínua alimentação com dados de outras dezenas de instituições, a adequação e integração dos dados da plataforma e a interoperabilidade entre sistemas e bases de dados. “Nas etapas posteriores, os produtos de interpretações de solos passarão por um processo de decodificação ou simplificação de linguagem, para que esses conhecimentos sejam facilmente apropriados, inclusive por leigos. Muitos desses dados serão reordenados para que sejam efetivamente integrados, num trabalho que denominamos de sanitização de dados e harmonização cartográfica”, detalha Silvio Bhering.
“Temos um novo instrumental para o planejamento e, em seguida, para a gestão territorial do País como nunca se viu. A linha da multifuncionalidade é promissora, seja no plano da tecnologia da informação ou no fornecimento de informações estratégicas. A partir de agora, o nosso desafio é sustentar o processo de aprimoramento dessa plataforma tecnológica”, ressalta Paulo Romano, diretor de Infraestrutura da CPRM.
Edgar Shinzato, chefe do Departamento de Informações Institucionais do órgão, cita a necessidade de uma sistematização nacional de informações geoespaciais para que a plataforma ofereça dados cada vez mais integrados e consistentes à sociedade. “Agora temos que caminhar para a construção de uma política nacional da geoinformação, que ainda não existe. Isso é muito importante, para que toda a informação inserida na plataforma tenha um mesmo padrão e haja uma integração adequada entre os sistemas.”
Pedro Correa Neto, secretário-adjunto de Inovação Desenvolvimento Rural e Irrigação do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) e coordenador do comitê estratégico do PronaSolos, aponta o desafio de fortalecer as ações conjuntas entre as diversas instituições para construção da plataforma tecnológica. “Temos a responsabilidade de transformar essas ações em um costume institucional, para que todos os parceiros do programa passem efetivamente a dialogar e a se complementar, de maneira sinérgica. Esse será um grande legado para a administração pública e para a sociedade brasileira”, reflete.

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Produtores do Paraná poderão ampliar subvenção ao seguro rural com boas práticas de manejo do solo
Projeto-piloto do governo federal oferece descontos maiores no prêmio do seguro para áreas enquadradas em níveis superiores de manejo agrícola.

Os produtores rurais paranaenses podem obter subvenção federal maior, com base em critérios de manejo e conservação do solo nas culturas da soja e milho safrinha. Para isso, as áreas agrícolas a serem seguradas devem ser enquadradas em Níveis de Manejo (NM) estipulados pelo Zoneamento Agrícola de Risco Climático Níveis de Manejo (ZarcNM). O projeto-piloto conta com recursos específicos para execução (R$ 1 milhão para cada cultura) e beneficia produtores rurais com percentual maior de desconto nos valores do seguro pelo Programa de Subvenção ao Prêmio do Seguro Rural (PSR).

Foto: Divulgação
A ferramenta considera critérios de qualidade do manejo de solo como redutor do risco climático de áreas agrícolas com maior capacidade de infiltração e retenção de água. O NM1 é a condição de risco base e o NM4, a melhor condição de cultivo que garante benefício maior.
“Em tempos de queda nas contratações de seguro rural, toda proposta que venha melhorar a subvenção ao prêmio é bem-vinda”, afirma o presidente do Sistema Faep, Ágide Eduardo Meneguette. “Nossos técnicos estão à disposição para auxiliar os produtores rurais neste processo”, complementa.
Lançado pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), com metodologia da Embrapa, o ZarcNM teve o projeto-piloto iniciado na safra 2025/26, somente no Paraná, quando 28 áreas de produção foram classificadas em níveis de subvenção diferenciada. Na temporada 2026/27, o projeto iniciará a fase II, com possibilidade de participação dos produtores de soja do Paraná, Santa Catarina, Rio Grande do Sul e Mato Grosso do Sul, e milho safrinha no Paraná e Mato Grosso do Sul.
Como acessar
O primeiro passo para ter acesso à subvenção diferenciada é buscar a análise de solo em um laboratório credenciado no Estado. A metodologia das análises não difere das normalmente utilizadas, mas os laboratórios participantes conseguem registrar os dados da área diretamente no sistema (SiNM) da Embrapa.
“Antes mesmo de contratar o seguro, o produtor deve realizar a coleta da amostra de solo, seguindo as orientações do item 7, da Instrução Normativa 2/2025, do Mapa, e encaminhá-la a um laboratório credenciado, solicitando a análise Níveis de Manejo”, orienta Ana Paula Kowalski, coordenadora do Departamento Técnico e Econômico (DTE) do Sistema Faep.
Na sequência, o produtor deve procurar um operador de contrato para providenciar a análise de sensoriamento remoto e incluir as informações no sistema da Embrapa. Então, a plataforma calcula o nível de manejo do talhão e as informações são repassadas pelo operador ao governo federal para que seja definida a subvenção conforme os seis indicadores avaliados para a definição do nível de manejo: tempo sem revolvimento do solo; cobertura do solo com palhada; saturação por bases (V%); teor de cálcio; saturação por alumínio; e histórico de diversidade de cultivos. Três são verificados pela análise de solo e os demais por ferramentas de sensoriamento remoto utilizadas pelos operadores especializados. Para os níveis 2, 3 ou 4, segundo a Embrapa, “áreas com declividade superior a 3% devem, obrigatoriamente, adotar semeadura em nível ou contorno em pelo menos 75% da gleba”.
“Para subvenção maior, ou seja, além do padrão definido pelo PSR, os níveis devem ser de 2 em diante”, comenta Ana Paula. Na cultura de milho segunda safra, para Nível de Manejo (NM) 1, a subvenção será de 40%; NM2, 45%; e para NMs 3 e 4, 50%. Já para a cultura de soja, os cálculos são 20% para NM1; 30%, NM2; 35%, NM3; e 40%, NM4.
A lista de operadores credenciados está disponível no site embrapa.br/rede-zarc-embrapa/niveis-de-manejo
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Tarifas dos EUA deve impactar 21% das exportações brasileiras
Governo avalia ampliar parcerias comerciais enquanto negocia para evitar a aplicação das tarifas.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou, nesta quarta-feira (3), que o Brasil vai continuar buscando outros parceiros de negócios para minimizar os impactos da política comercial adotada pelos Estados Unidos. Lula coordenou reunião ministerial, no Palácio do Planalto, que ocorre em meio ao anúncio de novas taxações estadunidenses a produtos brasileiros.
“Nós vamos procurar outros parceiros. Se ele não quer comprar, a gente vai vender para quem quiser comprar. Não vamos ficar reclamando. Se não quiser investir aqui, nós vamos procurar outro. O Brasil é dono do seu nariz. Isso aqui é um país democrático e soberano”, disse o presidente aos ministros de Estado.
“Nós resolvemos não adotar mais a política do vira-lata diante das grandes potências. Nós não somos melhores do que ninguém, mas não somos piores. Vamos respeitar todo mundo, mas queremos respeito”, acrescentou.

Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil
Na segunda-feira (1º), o Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) sugeriu, entre outras ações, a taxação de 25% sobre parte das importações brasileiras ao país. O relatório do USTR é resultado de uma investigação iniciada há um ano no governo de Donald Trump contra supostas “práticas desleais” do Brasil no comércio com os EUA.
Entre outros temas, para justificar a medida, a instituição acusa o Pix de prejudicar “injustamente” empresas estadunidenses que prestam serviços de pagamento eletrônico, como operadoras de cartões de crédito, como MasterCard e Visa, e o Whatsapp Pay.
Lula afirmou que, agora, vai participar da reunião do G7 em junho na França, o que não estava nos planos. O evento reúne os líderes da Alemanha, Canadá, Estados Unidos, França, Itália, Japão e Reino Unido. O Brasil vai como convidado do anfitrião, o presidente francês, Emmanuel Macron.
“Eu nem ia no G7, agora eu vou. É preciso alguém tentar colocar ordem na casa e parar essa coisa de desmonte do multilateralismo, da democracia e desvalorização das instituições. Se a ONU não está funcionando hoje, não é destruindo a ONU que a gente vai consertar o mundo, é reconstruindo a ONU”, disse Lula, reafirmando sua defesa de fortalecimento das Nações Unidas e da reforma do seu Conselho de Segurança.
Negociação

Foto: Divulgação/Porto de Santos
De acordo com o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) a decisão tarifária dos Estados Unidos ameaça diretamente 21% do total das exportações brasileiras rumo ao mercado norte-americano.
O governo brasileiro e empresas prejudicadas poderão se manifestar sobre o relatório final da USTR até o dia 15 de julho, quando os EUA poderão passar a adotar “medidas corretivas” contra o Brasil.

Para Lula, a atitude dos estadunidenses é insensata já que havia uma negociação em curso entre os dois países. Ele lembrou que, em maio, acordou com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, um prazo de 30 dias para que se chegasse a um acordo sobre a questão comercial.
Os dois se reuniram na Casa Branca e, na ocasião, o presidente brasileiro entregou documentos que comprovavam a relação comercial favorável dos EUA com o Brasil. Segundo ele, nos últimos 15 anos, o superávit comercial dos Estados Unidos foi US$ 415 bilhões.“Eu saí de lá convencido de que a gente estava estabelecendo uma nova lógica no relacionamento democrático e civilizado entre Brasil e Estados Unidos. E confesso a vocês que fui pego de surpresa ontem com a decisão deles”, disse Lula hoje.
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EUA propõem tarifas a 60 países, incluindo o Brasil
Escritório de Comércio norte-americano sugere sobretaxas de até 12,5% sobre importações e abre consulta pública antes da decisão final.

O governo dos Estados Unidos deu mais um passo na ampliação de sua política comercial protecionista ao propor novas tarifas sobre produtos importados de 60 países, entre eles o Brasil. A iniciativa foi anunciada pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR) e prevê uma sobretaxa de até 12,5% para produtos brasileiros que entram no mercado norte-americano.

Foto: Divulgação
A proposta está vinculada a investigações conduzidas com base na Seção 301 da Lei de Comércio dos Estados Unidos de 1974, instrumento legal que permite ao governo norte-americano apurar práticas consideradas prejudiciais aos interesses comerciais do país e, eventualmente, adotar medidas de retaliação.
Segundo o USTR, a nova rodada de tarifas está relacionada à avaliação das políticas adotadas pelos países investigados para prevenir e combater o comércio de mercadorias produzidas com trabalho forçado. Na avaliação do órgão, falhas nesses mecanismos podem criar distorções competitivas e restringir o comércio norte-americano.
Brasil entre os países com maior alíquota proposta
Enquanto parte dos países investigados foi enquadrada em uma alíquota adicional de 10%, o Brasil aparece no grupo sujeito à tarifa de 12,5%.
A proposta brasileira está inserida em um conjunto de medidas que alcança outros 44 países analisados pelo governo

Foto: Divulgação
dos Estados Unidos. Já Canadá, União Europeia, México, Indonésia, Paquistão, Argentina, Bangladesh, Camboja, Guatemala, Malásia, Taiwan, Equador e El Salvador integram o grupo que poderá ser submetido à tarifa adicional de 10%.
Caso seja implementada, a medida poderá aumentar os custos de acesso ao mercado norte-americano para diversos produtos exportados pelo Brasil, reduzindo a competitividade frente a concorrentes internacionais.
Instrumento de pressão comercial
A Seção 301 é considerada uma das principais ferramentas de política comercial dos Estados Unidos. O mecanismo ganhou destaque nos últimos anos durante disputas comerciais com diferentes parceiros internacionais e permite ao governo norte-americano impor restrições tarifárias mesmo sem a intermediação de organismos multilaterais.
A atual iniciativa também ocorre em um contexto de retomada de medidas emergenciais defendidas pelo governo Donald Trump. Parte dessas tarifas havia sido anulada anteriormente por decisão da Suprema Corte norte-americana, levando a administração federal a buscar novos caminhos regulatórios para restabelecê-las.
Consulta pública antes da decisão final
As tarifas ainda não estão em vigor. O USTR abriu período de consulta pública para receber contribuições de empresas, entidades e governos potencialmente afetados pelas medidas.
As manifestações poderão ser apresentadas até 06 de julho. No dia seguinte, 07 de julho, está prevista uma audiência pública para discussão das propostas.
Somente após a análise das contribuições o governo norte-americano decidirá se as tarifas serão implementadas e em quais condições, etapa que será acompanhada com atenção por exportadores e setores produtivos dos países envolvidos.



